{"id":19,"date":"2014-02-13T17:36:43","date_gmt":"2014-02-13T19:36:43","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ppgdtsa\/?page_id=19"},"modified":"2016-10-19T14:35:07","modified_gmt":"2016-10-19T16:35:07","slug":"contextualizacao-institucional-e-regional-da-proposta","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ppgdtsa\/historico-do-curso\/contextualizacao-institucional-e-regional-da-proposta\/","title":{"rendered":"Contextualiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A cria\u00e7\u00e3o, em 2006, do territ\u00f3rio \u201cZona Sul\u201d da Cidadania, dentro do marco das a\u00e7\u00f5es previstas no Programa Fome Zero, reflete o reconhecimento, pelo Estado brasileiro, de que a por\u00e7\u00e3o meridional do territ\u00f3rio ga\u00facho se diferencia, consideravelmente, de outras regi\u00f5es desta unidade federativa, sobretudo das zonas central e nordeste do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>O modelo econ\u00f4mico dominante at\u00e9 meados dos anos 1980, e que tinha como polo o munic\u00edpio de Pelotas baseava-se, essencialmente, na ind\u00fastria agroalimentar, sobretudo do diversificado g\u00eanero de conservas de origem vegetal, o qual entrou em colapso nas d\u00e9cadas subsequentes.<\/p>\n<p>As causas desse processo s\u00e3o diversas. Figuram em destaque a obsolesc\u00eancia dos processos de fabrica\u00e7\u00e3o, a defasagem tecnol\u00f3gica das ind\u00fastrias, os problemas administrativos e de gest\u00e3o das empresas, bem como outros fatores como \u00e9 o caso dos efeitos advindos da cria\u00e7\u00e3o do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) e a abertura dos mercados, que conjuntamente, favoreceram a livre concorr\u00eancia e a entrada de produtos de terceiros pa\u00edses.<\/p>\n<p>A decad\u00eancia do modelo agroalimentar se reflete, simultaneamente, na erradica\u00e7\u00e3o de muitos pomares de frutas e na expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de tabaco, cuja import\u00e2ncia social e econ\u00f4mica \u00e9 crescente e decisiva para a economia da maior parte dos munic\u00edpios do extremo sul ga\u00facho e para a reprodu\u00e7\u00e3o social de milhares de estabelecimentos familiares. Mediante contratos de integra\u00e7\u00e3o vertical (sistemas de integra\u00e7\u00e3o) as fam\u00edlias rurais comprometem-se de comprar todos os insumos das empresas fumageiras, bem como de entregar sua produ\u00e7\u00e3o ao final do processo de secagem e de classifica\u00e7\u00e3o do tabaco.<\/p>\n<p>Todavia, muitos s\u00e3o os desafios que se apresentam nessa ampla zona da geografia ga\u00facha, marcada pela estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pela crise de perspectivas de muitas localidades regidas pelo ritmo das atividades agropecu\u00e1rias, a qual abrange uma \u00e1rea de 39.960,00 Km\u00b2, integrando em seu interior nada menos que 25 munic\u00edpios (Chu\u00ed, Cristal, Jaguar\u00e3o, Pelotas, Rio Grande, Santa Vit\u00f3ria do Palmar, Santana da Boa Vista, S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte, S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul, Turu\u00e7u, Amaral Ferrador, Arroio Grande, Candiota, Cap\u00e3o do Le\u00e3o, Acegu\u00e1, Arroio do Padre, Cangu\u00e7u, Cerrito, Herval, Hulha Negra, Morro Redondo, Pedras Altas, Pedro Os\u00f3rio, Pinheiro Machado e Piratini).<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o total residente na \u00e1rea delimitada pelo territ\u00f3rio \u201cZona Sul\u201d da Cidadania \u00e9 de 863.956 habitantes, dos quais 151.765 vivem na \u00e1rea rural (17,57% do total). Segundo dados do \u00faltimo censo agropecu\u00e1rio do IBGE (2006), existem 32.160 estabelecimentos de car\u00e1ter familiar, bem como 3.615 fam\u00edlias assentadas em programas de reforma agr\u00e1ria e 36 comunidades quilombolas. Seu IDH m\u00e9dio \u00e9 0,79, considerado m\u00e9dio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais regi\u00f5es brasileiras, mas baixo se levamos em conta as regi\u00f5es din\u00e2micas da por\u00e7\u00e3o centro-oriental da geografia sulriograndenses, como \u00e9 o caso das localidades da \u201cserra ga\u00facha\u201d cujo IDH m\u00e9dio supera a 0,81.<\/p>\n<p>H\u00e1, decerto, outros par\u00e2metros que mostram o grau de estagna\u00e7\u00e3o da por\u00e7\u00e3o meridional do Rio Grande do Sul, que em \u00faltima an\u00e1lise, corresponde \u00e0 zona de influ\u00eancia direta da Universidade Federal de Pelotas. Nesse sentido, a Funda\u00e7\u00e3o de Economia e Estat\u00edstica do Rio Grande do Sul (FEE, RS) adota um \u00edndice de terceira gera\u00e7\u00e3o, qual seja o \u201c\u00cdndice de Desenvolvimento Socioecon\u00f4mico\u201d (IDESE, 2009) para cotejar o recorte geogr\u00e1fico correspondente aos chamados \u201cConselhos Regionais de Desenvolvimento\u201d (Coredes) criados pelo governo estadual.\u00a0 Assim, se no caso do Corede Serra o IDESE alcan\u00e7a 0,818, o mesmo dado para o Corede Sul e para o Corede Campanha alcan\u00e7a respectivamente 0,761 e 0,767.<\/p>\n<p>Nesse recorte geogr\u00e1fico correspondente aos Coredes, que se aproxima \u00e0 \u00e1rea delimitada pelo Territ\u00f3rio Zona Sul da Cidadania verifica-se, portanto, um mesmo cen\u00e1rio de dificuldades diante dos limites impostos pela matriz econ\u00f4mica e por uma reiterada dificuldade de converter-se num espa\u00e7o prop\u00edcio para fazer aflorar a inova\u00e7\u00e3o e o dinamismo. Seguramente a inefici\u00eancia do planejamento do uso da terra contribui para os valores de IDESE inferiores observados na Zona Sul. Atualmente, a regi\u00e3o apresenta ainda caracter\u00edsticas de fronteira agr\u00edcola no que diz respeito \u00e0s informa\u00e7\u00f5es sobre o seu potencial de explora\u00e7\u00e3o. Tem-se pouca informa\u00e7\u00e3o sobre como o espa\u00e7o da Zona Sul apresentar\u00e1 oportunidades e limita\u00e7\u00f5es frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de tecnologias espec\u00edficas. Destacam-se aqui as geotecnologias, uma vez que, para o desenvolvimento do Territ\u00f3rio Zona Sul, ser\u00e1 necess\u00e1rio investir na produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o sobre como tem se dado a expans\u00e3o do uso de recursos naturais e analisar em contexto espacial os fatores que t\u00eam governado o uso desses recursos. A integra\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es dos censos populacionais e da tecnologia espacial possibilitar\u00e1 entender como a popula\u00e7\u00e3o da zona sul utiliza a terra e desenvolve os sistemas agroindustriais.<\/p>\n<p>Mais recentemente tem-se o surgimento do \u2018polo naval\u2019 no munic\u00edpio de Rio Grande, o qual tem sido apontado como um fator dinamizador da economia regional por for\u00e7a dos investimentos realizados pelo governo federal na constru\u00e7\u00e3o de plataformas petrol\u00edferas com investimentos que ascendem a aproximadamente um bilh\u00e3o de d\u00f3lares. Todavia, s\u00e3o igualmente marcantes os problemas de log\u00edstica, a falta de conex\u00e3o entre as cadeias produtivas e o desperd\u00edcio dos recursos humanos e materiais.<\/p>\n<p>Em resumidas contas, tem-se, de um lado, um setor din\u00e2mico que emerge a partir de demandas bastante espec\u00edficas (a constru\u00e7\u00e3o naval) e um outro que permanece alheio aos processos mais amplos e mergulhado na eterna depend\u00eancia do desempenho da produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas em bruto e de escasso valor agregado.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio muito esfor\u00e7o para reconhecer a import\u00e2ncia de in\u00fameros ativos como no caso dos recursos h\u00eddricos (e.g. o ecossistema lacunar), da biodiversidade e de um patrim\u00f4nio natural e cultural de ineg\u00e1vel valor e que inexiste em outras partes do Rio Grande do Sul e do Brasil.<\/p>\n<p>S\u00e3o estes os elementos, que no nosso entendimento, justificam a cria\u00e7\u00e3o de um programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de natureza interdisciplinar cujo foco fundamental \u00e9 a retomada da reflex\u00e3o em torno aos processos de desenvolvimento. Trata-se de resgatar a voca\u00e7\u00e3o prec\u00edpua da UFPel com os imperativos do desenvolvimento sustent\u00e1vel no \u00e2mbito de sua pr\u00f3pria \u00e1rea de influ\u00eancia.<\/p>\n<p>A UFPel \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o federal de ensino superior que conta atualmente com 69 cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o (17 em n\u00edvel de mestrado e doutorado, 20 em n\u00edvel de mestrado, tr\u00eas mestrados profissionalizantes e 29 especializa\u00e7\u00f5es). N\u00e3o obstante, nenhum destes programas e cursos t\u00eam como foco a discuss\u00e3o mais ampla sobre os desafios do desenvolvimento territorial ou sobre as quest\u00f5es que afetam \u00e0 din\u00e2mica dos sistemas agroindustriais e dos processos agr\u00e1rios. Esse fato reveste import\u00e2ncia se consideramos a necessidade de cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de reflex\u00e3o e de interlocu\u00e7\u00e3o sobre os desafios do desenvolvimento em \u00e2mbito regional e que deve refletir, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a natureza interdisciplinar desse compromisso. A proposta aqui apresentada reflete claramente esse entendimento. O desenvolvimento desse importante territ\u00f3rio do Estado do Rio Grande do Sul n\u00e3o pode se dar a partir de uma abordagem estritamente setorial ou restrita aos limites de simples cadeias produtivas. Em resumidas contas, defendemos n\u00e3o somente a necessidade premente de cria\u00e7\u00e3o de um programa identificado com o enfrentamento aos grandes dilemas regionais, mas com a necessidade de que essa reflex\u00e3o se d\u00ea por meio do aporte de diversos campos do conhecimento (exatas e da terra, ci\u00eancias agr\u00e1rias, humanas, sociais, sociais aplicadas &#8211; economia, sociologia, administra\u00e7\u00e3o, agronomia, tecnologia de alimentos, engenharia, gest\u00e3o ambiental, an\u00e1lise espacial, etc.). S\u00e3o estes, em linhas gerais, os grandes eixos que suportam a contextualiza\u00e7\u00e3o dessa proposta de cria\u00e7\u00e3o do \u201cMestrado em Desenvolvimento Territorial e Sistemas Agroindustriais\u201d.<\/p>\n<p>Logo, o curso est\u00e1 voltado para atender profissionais de diversas \u00e1reas, como: Engenharia Agron\u00f4mica, Administra\u00e7\u00e3o, Medicina Veterin\u00e1ria, Zootecnia, Engenharia Agr\u00edcola, Qu\u00edmica de Alimentos, Geografia, Nutri\u00e7\u00e3o, Engenharia de Alimentos, Engenharia Florestal, dentre outras. Espera-se que o enfoque proposto pelo curso possa atrair alunos que possuam alguma forma de intera\u00e7\u00e3o com a \u00e1rea de desenvolvimento rural e sistemas agroindustriais. Portanto, ser\u00e3o aceitos alunos que j\u00e1 est\u00e3o inseridos no mercado de trabalho e tamb\u00e9m rec\u00e9m formados, desde que ambos estejam dispostos a dedicar dois anos de forma integral para o mestrado. Pretende-se focar em candidatos que: (1) possuam comprovado interesse na constru\u00e7\u00e3o de conhecimento em desenvolvimento rural e sistemas agroindustriais; e (2) desejam aplicar os conhecimentos adquiridos na \u00e1rea cient\u00edfica relacionada ao curso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cria\u00e7\u00e3o, em 2006, do territ\u00f3rio \u201cZona Sul\u201d da Cidadania, dentro do marco das a\u00e7\u00f5es previstas no Programa Fome Zero, reflete o reconhecimento, pelo Estado brasileiro, de que a por\u00e7\u00e3o meridional do territ\u00f3rio ga\u00facho se diferencia, consideravelmente, de outras regi\u00f5es desta unidade federativa, sobretudo das zonas central e nordeste do Rio Grande do Sul. 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