{"id":1662,"date":"2021-09-23T12:29:14","date_gmt":"2021-09-23T15:29:14","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?p=1662"},"modified":"2022-05-23T18:05:38","modified_gmt":"2022-05-23T21:05:38","slug":"texto-reis-que-cultuam-reis-carlos-magno-e-os-imperadores-germanicos-962-1493","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/23\/texto-reis-que-cultuam-reis-carlos-magno-e-os-imperadores-germanicos-962-1493\/","title":{"rendered":"Texto: Reis que cultuam Reis: Carlos Magno e os Imperadores Germ\u00e2nicos (962-1493)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><strong>Reis que cultuam Reis: Carlos Magno e os Imperadores Germ\u00e2nicos (962-1493)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Gregory Ramos Oliveira<br \/>\n(POIEMA-UFPEL)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como acreditar que Roma caiu quando, at\u00e9 meados do s\u00e9culo VIII, do \u201cOcidente\u201d ao \u201cOriente\u201d, da Gal\u00edcia \u00e0 Anat\u00f3lia, o Imp\u00e9rio dos Romanos e a Igreja Latina seguiam existindo? Para essas sociedades, seja nos territ\u00f3rios da antiga <em>Pars Occidentalis<\/em> ou diretamente sob a tutela do <em>basileus ton rhoma\u00ed\u014dn<\/em>, o \u201csoberano dos romanos\u201d, Roma seguia existindo. Entretanto, no oeste, onde o \u201cesp\u00edrito\u201d de Roma era conduzido prioritariamente pelo bispo da Cidade Eterna (e suas depend\u00eancias espirituais na chamada \u201cCristandade\u201d), a dignidade imperial foi gradualmente reconduzida para outra figura al\u00e9m do soberano de Constantinopla. Afinal, em 797, o herdeiro de Constantino havia sido deposto por uma mulher. Irene, m\u00e3e de Constantino VI (que teve seus olhos arrancados antes de ceder seu trono), assumiu o poder atrav\u00e9s de um golpe condenado pelos ocidentais, os mesmos que j\u00e1 viam o \u201cImp\u00e9rio dos gregos\u201d como um opositor, principalmente ap\u00f3s as quest\u00f5es iconoclastas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Doravante, justificavam que o trono dos C\u00e9sares estava vacante (FAVIER, 2004, p. 474). Quem era, ent\u00e3o, digno de ser considerado o imperador, n\u00e3o apenas dos romanos, mas de todo o \u201cpovo crist\u00e3o\u201d, coincidentemente reunidos sob a autoridade da mesma figura (com exce\u00e7\u00e3o das ilhas brit\u00e2nicas e do norte da pen\u00ednsula ib\u00e9rica)? O filho de Pepino, o Breve, neto de Carlos Martel, herdeiro \u00fanico (por for\u00e7a do \u201cdestino\u201d) do primeiro soberano da segunda dinastia franca, os Carol\u00edngios. Carlos Magno (768-814, anos r\u00e9gios), rei dos francos e lombardos, exterminador dos \u00e1varos e \u201ccristianizador\u201d dos sax\u00f5es e fr\u00edsios, parecia exercer um <em>imperium<\/em> antes de ser coroado no Natal de 800 pelo bispo de Roma, Le\u00e3o III. O \u201ccristian\u00edssimo\u201d monarca teve um regime longo, marcado pela manuten\u00e7\u00e3o da Fr\u00e2ncia unificada por seu pai e, principalmente, a expans\u00e3o de seu dom\u00ednio sobre boa parte do oeste europeu. Carlos adotou uma s\u00e9rie de medidas para dar coes\u00e3o ao seu Imp\u00e9rio, principalmente atrav\u00e9s da ado\u00e7\u00e3o de leis voltadas para sua administra\u00e7\u00e3o. Ele poderia n\u00e3o ser um rei erudito, mas inteligentemente se cercou de grandes expoentes de sua \u00e9poca. Alcuin, Baudulf, Angilbert e Einhard, entre outros membros de seu <em>entourage<\/em> compunham uma esp\u00e9cie de <em>intelligentsia<\/em> capaz de edificar uma Fr\u00e2ncia que se tornou a pot\u00eancia de sua \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aliado de Harun al-Rashid, califa ab\u00e1ssida, sua <em>Realpolitik<\/em> envolveu o constante atrito com o Imp\u00e9rio Romano (de Constantinopla), o avan\u00e7o contra os territ\u00f3rios do Emirado Om\u00edada de C\u00f3rdoba para a constru\u00e7\u00e3o da <em>Marca Hispanica<\/em> (onde foi pessoalmente derrotado pelos bascos crist\u00e3os, em 778), uma guerra de tr\u00eas d\u00e9cadas contra os sax\u00f5es, al\u00e9m de conflitos na Fr\u00edsia, pen\u00ednsula it\u00e1lica, Bav\u00e1ria, contra eslavos na fronteira oriental e a destrui\u00e7\u00e3o do Caganato \u00c1varo. Ao final de seu regime, a guerra contra Godofredo, rei dos daneses, poderia ter adiantado os assaltos dos piratas n\u00f3rdicos no Atl\u00e2ntico Norte em v\u00e1rias d\u00e9cadas, n\u00e3o fosse a morte s\u00fabita do monarca escandinavo, em 810 (FAVIER, 2004, p. 524-526).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todo o legado de conquistas, expans\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o de um dom\u00ednio capaz de rivalizar com um Imp\u00e9rio Romano (que falava grego) teve seu destino tra\u00e7ado quando Lu\u00eds, o Pio (813-840), se tornou o \u00fanico herdeiro e sucessor direto de Carlos. Em 814, a ef\u00eamera \u201cEra de Ouro\u201d dos francos inicia seu termo. As fronteiras come\u00e7am a colapsar, rebeldes surgem ao redor do Imp\u00e9rio e, principalmente, os filhos de Lu\u00eds se tornam os respons\u00e1veis pela eros\u00e3o e colapso da Fr\u00e2ncia, que n\u00e3o sobrevive ao s\u00e9culo IX. N\u00e3o por acaso, a primeira mitifica\u00e7\u00e3o de Carlos Magno e um passado glorioso que foi perdido \u00e9 criada ainda no primeiro quartel do s\u00e9culo IX, quando um erudito saudosista, Einhard, constr\u00f3i a primeira \u201cVida de Carlos Magno\u201d, paradigmaticamente chamada de <em>Vita Karoli<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 818, enfrentando o princ\u00edpio de dif\u00edceis decis\u00f5es acerca de quest\u00f5es pol\u00edticas e sucess\u00f3rias, o \u201cpiedoso\u201d Lu\u00eds manda executar o rei dos lombardos, Bernardo, seu sobrinho de dezoito anos. Na s\u00e9rie de guerras civis, os irm\u00e3os Lu\u00eds, o Germ\u00e2nico, e Carlos, o Calvo, se voltam contra Lot\u00e1rio (817-855), co-imperador e sucessor de Lu\u00eds. Doravante, a Fr\u00e2ncia se divide em tr\u00eas grandes dom\u00ednios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma das tr\u00eas Fr\u00e2ncias, a Fr\u00e2ncia Ocidental, se torna, ap\u00f3s o golpe de Hugo Capeto, em 987, o Reino da Fran\u00e7a. No lado leste, a Fr\u00e2ncia Oriental e territ\u00f3rios da Lotar\u00edngia passam a compor o Imp\u00e9rio Romano, haja vista que seus l\u00edderes conservaram a dignidade imperial e, principalmente, a tutela de Roma e dos principais dom\u00ednios da Igreja Latina. N\u00e3o se fala, nesse momento, em um Sacro Imp\u00e9rio Romano-Germ\u00e2nico, nomenclatura adotada muito <em>a posteriori<\/em>, mas sim <em>Imperium Romanorum<\/em>. Nesse sentido, quando o sangue dos descendentes de Carlos Martel havia a muito se dilu\u00eddo, e os monarcas germ\u00e2nicos mant\u00e9m o t\u00edtulo imperial (ao contr\u00e1rio dos franceses), a legitima\u00e7\u00e3o de seus diferentes regimes demandava a ado\u00e7\u00e3o de uma figura capaz de retomar as gl\u00f3rias do \u201cImp\u00e9rio que foi\u201d para construir o \u201cImp\u00e9rio que ainda \u00e9\u201d. O pr\u00f3prio <em>entourage<\/em> carol\u00edngio recorria a tal estrat\u00e9gia, principalmente quando utilizavam o ep\u00edteto de \u201cNovo David\u201d ou, principalmente, \u201cNovo Constantino\u201d, reis de um passado m\u00edtico que legitimariam caracteres de Carlos Magno e de seu imp\u00e9rio como uma <em>continuidade<\/em> ou <em>ressurgimento<\/em> desse referido passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim sendo, Otto I (962-973), tamb\u00e9m chamado de Magno, busca nesse monarca a legitima\u00e7\u00e3o para sua dinastia de sangue sax\u00e3o (ignorando, por exemplo, o genoc\u00eddio cultural perpetrado por Carlos nas guerras franco-sax\u00f4nicas). Vitorioso contra os h\u00fangaros, o filho de Henrique, o Passarinheiro (duque da Sax\u00f4nia e primeiro rei n\u00e3o-franco da Fr\u00e2ncia Oriental), retoma efetivamente a dignidade imperial ao se sagrar <em>imperator<\/em>, quase tr\u00eas d\u00e9cadas depois de se tornar <em>rex<\/em> em Aachen, solidificando a liga\u00e7\u00e3o de seu dom\u00ednio com o de Carlos Magno. Otto tamb\u00e9m era tratado como imperador antes de obter a dignidade: \u201ca realidade pol\u00edtica precede a sagra\u00e7\u00e3o\u201d (FAVIER, 2004, p. 561).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se Otto recorre \u00e0 Aachen para costurar o seu regime ao de Carlos, Otto III (996-1002) retoma, no ano 1000, o pr\u00f3prio corpo do monarca. O neto de Otto Magno e da Theophanu (filha do <em>basileus<\/em> Jo\u00e3o I Tzimisces), havia sido feito rei e imperador em 996, e passa a retomar o t\u00edtulo <em>Renovatio Imperium Romanorum<\/em> para o seu dom\u00ednio, assim como Carlos havia feito. O imperador nutria a inspira\u00e7\u00e3o de reunir, sob sua tutela, todo o <em>populus christianum<\/em>, de Roma \u00e0 Constantinopla. Otto parte at\u00e9 Aachen, procurando o t\u00famulo que havia sido vilipendiado pelos normandos em 881 (FAVIER, 2004, p. 562-563), e se depara, supostamente, com o corpo de Carlos sentado, em singular estado de preserva\u00e7\u00e3o, com as unhas compridas, joias e itens que viriam a compor as pe\u00e7as iniciais do relic\u00e1rio carol\u00edngio. A morte de Otto III pausa o empenho germ\u00e2nico de santificar o monarca (WILSON, 2007, p. 149-150).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Seria a dinastia posterior, iniciada por duques da Su\u00e1bia, que efetivaria o projeto de canoniza\u00e7\u00e3o de Carlos Magno. Por 80 anos, o t\u00edtulo de <em>imperator<\/em> foi propriedade dos sete monarcas da casa <em>Staufer<\/em>, reis entre 1138 e 1254 (WILSON, 2016, p. 37). Apesar da liga\u00e7\u00e3o com o ducado da Su\u00e1bia, dividido ent\u00e3o entre Welfen, Z\u00e4hringen e Waiblingen, cronistas contempor\u00e2neos \u00e0 Frederico Barbarossa (1155-1190), mais c\u00e9lebre imperador <em>Staufer<\/em> (Waiblingen), faziam quest\u00e3o de ressaltar a origem S\u00e1lia do monarca, atrav\u00e9s de Agnes, sua av\u00f3 (FREED, 2016, p. 2), em detrimento com a ascend\u00eancia regional (FREED, 2016, p. 14-15). A origem \u201cheredit\u00e1ria\u201d da autoridade da monarquia <em>Staufer<\/em> seria uma alternativa \u00e0 quest\u00e3o eletiva envolvendo, principalmente, a querela com a Igreja Latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A d\u00favida entre quem detinha a autoridade principal no Imp\u00e9rio Romano \u201crenovado\u201d era presente desde a coroa\u00e7\u00e3o de Carlos. De um lado, a Igreja Latina percebia seu eminente soberano, o bispo de Roma, como o \u201cfazedor de reis\u201d, detentor de uma autoridade que supostamente Constantino havia legado, fato atestado pela <em>Donatio Constantini<\/em>, uma forja do s\u00e9culo VIII (WILSON, 2007, p. 23-24). Foi o papa Le\u00e3o III quem coroou Carlos <em>Imperator et Augustus<\/em>, realizando inclusive a <em>proskyn\u0113se<\/em>, liturgia supostamente bizantina (FAVIER, 2004, p. 493), e ungido em Roma o monarca dos crist\u00e3os. Entretanto, fora Carlos quem sagrou, em Aachen, Lu\u00eds, o Pio como co-imperador, em 813, sem a necessidade de aprova\u00e7\u00e3o de Roma (FRIED, 2016, p. 425).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A tens\u00e3o entre Igreja e Imp\u00e9rio marcaria boa parte da hist\u00f3ria da Germ\u00e2nia Imperial. De um lado, a Igreja Latina e seus apoiadores se colocavam em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 autoridade do Imperador. Do outro, o monarca germ\u00e2nico buscava intervir na defini\u00e7\u00e3o de dom\u00ednios eclesi\u00e1sticos e na eleva\u00e7\u00e3o de aliados aos t\u00edtulos clericais (o que inclui o papado). Assim que este foi eleito ao t\u00edtulo imperial, ganhou automaticamente a oposi\u00e7\u00e3o do \u201cpartido\u201d eclesi\u00e1stico, situa\u00e7\u00e3o que se manteria uma constante durante o seu longo imp\u00e9rio (e no restante da dinastia) (FUHRMANN, 1986, p. 126-127).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A dignidade imperial foi reconhecida por Anast\u00e1sio IV, bispo de Roma, somente ap\u00f3s o Tratado de Konstanz (1153), as posses da Igreja na It\u00e1lia seriam respeitadas pelo Imp\u00e9rio (FUHRMANN, 1986, p. 141-142). Na busca por afirmar sua autoridade imperial sobre a regi\u00e3o it\u00e1lica, pr\u00f3-papado, Frederico mira o vale do P\u00f3, especialmente buscando punir Mil\u00e3o. Em 1155, Barbarossa \u00e9 coroado na Cidade Eterna. Dois anos depois, Frederico chega \u00e0 um novo acordo com o Adriano IV, sucessor de Anast\u00e1sio, e as peti\u00e7\u00f5es imperiais na It\u00e1lia inteira deixam de ter significado (FRIED, 2015, p. 222). \u00a0Em 1159, a morte de Adriano IV levou a sucess\u00e3o de dois papas: Alexandre III, de Siena, e Victor IV, indicado por Frederico. Victor excomunga Alexandre, que retribui e excomunga tamb\u00e9m o imperador, iniciando dezoito anos de cisma (FUHRMANN, 1986, p. 142-149). A derrota das tropas imperiais \u2013 comandadas pelo pr\u00f3prio Barbarossa \u2013 pelos milaneses na Batalha de Legnano (1176), for\u00e7a a suspens\u00e3o de animosidades pelo imperador e o reconhecimento do pontificado de Alexandre no ano seguinte (FRIED, 2015, p. 225).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No contexto da excomunh\u00e3o de Frederico por Alexandre, sob o apoio de outro (anti)papa, Pascal III, o imperador retoma a figura de Carlos Magno. Em 1165, em uma manobra voltada para obter o apoio dos senhores seculares do Imp\u00e9rio, Barbarossa efetiva a canoniza\u00e7\u00e3o de \u201cS\u00e3o Carlos Magno\u201d, reconhecida unicamente pelo papa pr\u00f3-imp\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O local de seu sepulcro, esquecido ap\u00f3s a expedi\u00e7\u00e3o de Otto III, havia sido redescoberto atrav\u00e9s da \u201cinspira\u00e7\u00e3o divina\u201d, segundo os partid\u00e1rios do imperador (WILSON, 2007, p. 156). Barbarossa (que seria, a seu turno, mitificado) n\u00e3o foi o \u00fanico Staufer a usar a figura de Carlos Magno como um instrumento de legitima\u00e7\u00e3o de seu regime. Ao longo reinado de Barbarossa, segue o imp\u00e9rio de Henrique VI (1190-1197), o desafortunado monarca cujo curto reinado contribuiu para a eros\u00e3o de sua dinastia. Frederico II (1215-1250) \u00e9 indicado aos dois anos como sucessor. Apesar de ter expandido as fronteiras do Imp\u00e9rio para al\u00e9m da totalidade da Fr\u00e2ncia de Carlos Magno, o legado de Frederico Barbarossa se fez sentir na desastrosa repeti\u00e7\u00e3o de sua pol\u00edtica combativa pelos seus sucessores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De seu av\u00f4, Frederico II herda as querelas contra a Igreja Latina, o vale do P\u00f3 e os pr\u00edncipes da Germ\u00e2nia. No princ\u00edpio de seu problem\u00e1tico reinado, ainda com dezessete anos e com o apoio de Filipe Augusto, Frederico II avan\u00e7a contra os opositores na Germ\u00e2nia e toma Aachen, em 1215. O monarca faz quest\u00e3o de realizar uma entrada triunfante na cidade, onde foi coroado na catedral de Carlos Magno, ocasi\u00e3o em que ouviu serm\u00f5es que o desafiavam para empreender uma Cruzada. Impulsivo, ele declara o voto cruzado aos dezoito anos, o que levar\u00e1 a sua primeira excomunh\u00e3o em 1227, onze anos antes da segunda, parte da eterna oposi\u00e7\u00e3o da Igreja Latina (FRIED, 2015, p. 273-277).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para aquela igreja, Frederico II mandou que fosse constru\u00eddo um relic\u00e1rio para Carlos (WILSON, 2007, p. 157) (Figura 1). Sua morte, em 1250, evita um golpe que teria a chancela da Igreja e de potentados opositores. Conrado IV, seu filho, tenta tomar a for\u00e7a o poder, invadindo a It\u00e1lia assim que Frederico falece, mas a mal\u00e1ria o leva em 1254. (FRIED, 2015, p. 281-283).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ap\u00f3s a dinastia Staufer, principalmente Frederico I e II, dois mitos passam a conectar Carlos Magno aos \u201cFredericos\u201d. De um lado, o \u201cmito carol\u00edngio\u201d evoca o monarca crist\u00e3o que reuniu o Imp\u00e9rio e \u201cpreparou o terreno\u201d, como Constantino havia feito. \u00c9 o mito que levou a diferentes cronistas e, principalmente, trovadores ao redor da \u201cCristandade\u201d at\u00e9, pelo menos, o s\u00e9culo XV, a imaginarem o Carlos Magno \u201cImperador da Barba Florida\u201d, um Cruzado antes das Cruzadas, monarca que lamenta a morte de Roland e dos Doze Pares e \u00e9 o centro das \u201cCan\u00e7\u00f5es de Gesta\u201d. Do outro, o mito \u201cFreder\u00edtico\u201d, que imagina Frederico I e II como o \u201cImperador dos \u00daltimos Dias\u201d. Em ambos os casos, a t\u00f4nica para a mitifica\u00e7\u00e3o do Imperador dos Romanos (seja ele Carlos Magno ou Frederico) segue o mesmo roteiro: o presente tenta se legitimar atrav\u00e9s de usos do passado.<\/p>\n<div id=\"attachment_1664\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2021\/09\/Aachen_Pfalzkapelle_SchreinKarl4-scaled.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1664\" class=\"wp-image-1664 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2021\/09\/Aachen_Pfalzkapelle_SchreinKarl4-400x300.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"300\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1664\" class=\"wp-caption-text\">Figura 1. No Karlsschrein (1215), de Frederico II Staufer, Carlos Magno, Le\u00e3o III e Arcebispo Turpin (personagem das Chansons de Gesta) aparecem destacados no fundo do objeto que guardaria o corpo exumado do monarca. Imagem de dom\u00ednio p\u00fablico, dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/de.wikipedia.org\/wiki\/Datei:Aachen_Pfalzkapelle_SchreinKarl4.JPG &gt;. Acesso em 22 de set. 2021.<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Convenientemente, os contempor\u00e2neos de Carlos Magno imaginam-no enquanto um rei m\u00edtico, um \u201cNovo Constantino\u201d de uma \u201cNova Roma\u201d, ou um \u201cNovo David\u201d e \u201cNovo Josias\u201d de uma \u201cNova Israel\u201d, a Fr\u00e2ncia (WILSON, 2007, p. 92). Seus contempor\u00e2neos s\u00e3o os primeiros a se apropriarem de monarcas do passado para construir uma base de legitima\u00e7\u00e3o para justificar o presente. Posto termo ao seu imp\u00e9rio, o mito se completa. Atrav\u00e9s dos olhos de outrem, Carlos passa a ser visto como um modelo. \u00c9 assim que Carlos mergulha no imagin\u00e1rio coletivo: n\u00e3o como o homem, mas como o mito, nomeadamente o Imperador Crist\u00e3o. Se Constantino havia sido o primeiro Imperador a se converter ao cristianismo e, desta forma, aquele que iniciou a tend\u00eancia de mitifica\u00e7\u00e3o de um monarca temente ao deus dos crist\u00e3os, Carlos Magno toma o seu lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Muito posteriormente, outros monarcas veriam no mito carol\u00edngio uma forma de legitima\u00e7\u00e3o. Carlos IV (1346-1378), filho de Jo\u00e3o de Luxemburgo, \u00e9 o primeiro imperador romano a utilizar o nome do monarca dos francos desde os tempos Carol\u00edngios. Rei da Bo\u00eamia, \u00e9 o respons\u00e1vel por criar, em Aachen, uma capela voltada aos H\u00fangaros, e dar prosseguimento ao culto ao monarca (Figura 2). Entretanto, ap\u00f3s os s\u00e9culos XIV e XV (FAVIER, 2004, p. 596-597), as celebra\u00e7\u00f5es \u00e0 S\u00e3o Carlos Magno esvanecem. Atualmente, conforme aponta Johannes Fried (2016, p. 554), em algumas cidades germ\u00e2nicas (Frankfurt e Aachen, por exemplo), a missa do dia de S\u00e3o Carlos Magno ainda \u00e9 celebrada.<\/p>\n<div id=\"attachment_1665\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2021\/09\/Aachen_Domschatz_Karlsbuste_Detail_24092016_1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1665\" class=\"wp-image-1665 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2021\/09\/Aachen_Domschatz_Karlsbuste_Detail_24092016_1-400x258.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2021\/09\/Aachen_Domschatz_Karlsbuste_Detail_24092016_1-400x258.jpg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2021\/09\/Aachen_Domschatz_Karlsbuste_Detail_24092016_1-1024x661.jpg 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2021\/09\/Aachen_Domschatz_Karlsbuste_Detail_24092016_1-768x496.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2021\/09\/Aachen_Domschatz_Karlsbuste_Detail_24092016_1-1536x992.jpg 1536w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2021\/09\/Aachen_Domschatz_Karlsbuste_Detail_24092016_1-2048x1322.jpg 2048w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2021\/09\/Aachen_Domschatz_Karlsbuste_Detail_24092016_1-750x484.jpg 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1665\" class=\"wp-caption-text\">Figura 2. \u00c1guia imperial (Reichsadler) em detalhe do Karlsb\u00fcste, relic\u00e1rio doado pelo imperador Carlos IV Luxemburgo \u00e0 Catedral de Aachen (1350). Imagem de dom\u00ednio p\u00fablico, dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Aachen_Domschatz_Karlsb%C3%BCste_Detail_24092016_1.jpg&gt;. Acesso em 22 de set. 2021.<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Os imperadores Habsburgo do s\u00e9culo XV-XVI recorrem \u00e0 <em>regalia<\/em> carol\u00edngia e \u00e0 cren\u00e7a em um Carlos-cruzado, enquanto alguns, como Maximiliano I (1508-1519), s\u00e3o vistos como \u201cNovos Carlos\u201d (WILSON, 2007, p. 164-167). Entretanto, desde Frederico III (1452-1493), os imperadores deixam de ser coroados em Roma. O enfraquecimento da coes\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano leva \u00e0 gradual eros\u00e3o das refer\u00eancias ao monarca dos francos entre os germ\u00e2nicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No alvorecer da era dos nacionalismos, o trauma decorrente da Invas\u00e3o Napole\u00f4nica fez com que reca\u00edsse sobre Carlos uma anacr\u00f4nica identidade francesa, levando \u00e0 procura de uma figura alternativa (WILSON, 2007, p. 194). Em seu lugar, o mito do Imperador se volta ao monarca adormecido em uma gruta de Kyffh\u00e4user, Frederico Barbarossa, germ\u00e2nico por excel\u00eancia, em um mito gestado por um Imp\u00e9rio Alem\u00e3o conduzido pela casa prussiana de Hohenzollern. Este mito pol\u00edtico, de certa forma an\u00e1logo ao Carol\u00edngio, identifica em um passado uma Era de Ouro, cuja nostalgia \u201cdesemboca geralmente na prega\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica de sua ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d (GIRARDET, 1987, p. 15). Entretanto, enquanto, para Ottos e Fredericos, a \u201cEra de Ouro\u201d \u00e9 a Carol\u00edngia, o Imp\u00e9rio de Wilhelm I (1871-1888) \u00e9 associado \u00e0 \u201cEra de Ouro\u201d dos Staufer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao observar as diferentes manifesta\u00e7\u00f5es do mito relacionado ao monarca dos francos, um leigo chegaria a seguinte pergunta: Quem foi Carlos Magno? Quando Otto I parte para o sepulcro de Carlos Magno ou quando Frederico Barbarossa celebra um santo nunca reconhecido pela Igreja Latina, eles n\u00e3o fornecem respostas para a referida quest\u00e3o. Antes disso, seus mitos levam aos questionamentos \u201cQuem foi Otto Magno?\u201d ou \u201cQuem foi Frederico Barbarossa?\u201d. O Imperador Crist\u00e3o m\u00edtico, veterotestament\u00e1rio e apocal\u00edptico, n\u00e3o \u00e9 nem Carlos Magno, nem Constantino ou Frederico Staufer (I ou II); \u00e9 o passado decomposto, recomposto, adaptado e modelado de acordo com o ideal do presente que o recebe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Carlos Magno n\u00e3o inicia esse processo, mas sua recep\u00e7\u00e3o diminui a dist\u00e2ncia, f\u00edsica e cronol\u00f3gica, entre o \u00faltimo Imperador Crist\u00e3o (Constantino) e os diferentes presentes que os recebem. Se existem Cruzadas, Carlos \u00e9 um Cruzado. Se \u00e9 necess\u00e1rio convencer os pr\u00edncipes de que o sangue imperial carol\u00edngio ainda corre, Carlos \u00e9 o primeiro da Dinastia e, como o pr\u00f3prio Imp\u00e9rio, \u00e9 visto como prova da continuidade da Roma dos C\u00e9sares. E, assim como o adormecido de Kyffh\u00e4user \u00e9 brevemente despertado ap\u00f3s sete s\u00e9culos, Carlos \u00e9 invocado sempre que diferentes presentes (o <em>seu<\/em> futuro) identificam no herdeiro de Carlos Martel um exemplo de monarca Crist\u00e3o, em um processo que se expande para al\u00e9m da Fr\u00e2ncia do s\u00e9culo IX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Bibliografia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">FAVIER, Jean. Carlos Magno. Tradu\u00e7\u00e3o de Luciano Machado. S\u00e3o Paulo: Esta\u00e7\u00e3o Liberdade, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">FREED, John B. Frederick Barbarossa: the prince and the myth. New Haven: Yale University Press, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">FRIED, Johannes. Charlemagne. Traduzido para o ingl\u00eas por Peter Lewis. Cambridge: Harvard University Press, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">_______________. The Middle Ages. Traduzido para o ingl\u00eas por Peter Lewis. Cambridge: Harvard University Press, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">FUHRMANN, Horst. Germany in High Middle Ages. 1050-1200. Traduzido para o ingl\u00eas por Timothy Reuter. Cambridge: Cambridge University Press, 1986.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">GIRARDET, Raoul. Mitos e Mitologias Pol\u00edticas. Tradu\u00e7\u00e3o de Maria L\u00facia Machado. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1987.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">WILSON, Derek. Charlemagne: A Biography. New York: Vintage Books, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">WILSON, Peter H. Heart of Europe: A history of the Holy Roman Empire. Cambridge: First Harvard University Press, 2016.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode reassistir a live com a tem\u00e1tica de Carlos Magno <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=YS0KnZca7VA&amp;t=18s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clicando aqui.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reis que cultuam Reis: Carlos Magno e os Imperadores Germ\u00e2nicos (962-1493) Gregory Ramos Oliveira (POIEMA-UFPEL) &nbsp; Como acreditar que Roma caiu quando, at\u00e9 meados do s\u00e9culo VIII, do \u201cOcidente\u201d ao \u201cOriente\u201d, da Gal\u00edcia \u00e0 Anat\u00f3lia, o Imp\u00e9rio dos Romanos e a Igreja Latina seguiam existindo? 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