{"id":1303,"date":"2021-09-16T18:00:51","date_gmt":"2021-09-16T21:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?p=1303"},"modified":"2022-05-23T18:05:45","modified_gmt":"2022-05-23T21:05:45","slug":"texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/","title":{"rendered":"Texto: Pactismos religiosos: \u00f3pio do povo ou resist\u00eancia?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><strong>Pactismos religiosos: \u00f3pio do povo ou resist\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">\u00a0Marcelo Pereira Lima<br \/>\n(LETHAM-PPGH-UFBA)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A religi\u00e3o \u00e9 o \u00f3pio do \u201cpovo\u201d que entorpece, ilude e engana, algo que desloca aquele ou aquela que cr\u00ea para fora da realidade, amarrando-os(as) aos rituais e \u00e0 obedi\u00eancia? \u00c9 uma ideologia capaz de expressar interesses e necessidades sociais e materiais imediatas ou profundas? \u00c9 uma forma de controle da sociedade suficiente para criar consenso e coes\u00e3o pol\u00edtica, mobilizando for\u00e7as sociais? \u00c9 espa\u00e7o de conflitos e negocia\u00e7\u00f5es? Ou seria uma interpreta\u00e7\u00e3o do mundo que adquire aparentemente uma forma explicativa universal que vale para tudo e todos? A religi\u00e3o \u00e9 resist\u00eancia, uma maneira eficaz de resili\u00eancia social e hist\u00f3rica?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando paramos para pensar na aproxima\u00e7\u00e3o entre o bolsonarismo e os grupos evang\u00e9licos e cat\u00f3licos, dificilmente n\u00e3o vemos alguma rela\u00e7\u00e3o com todas essas caracter\u00edsticas das experi\u00eancias e discursos religiosos. Mas gostaria de me deter ao problema do pactismo religioso. A concep\u00e7\u00e3o contratualista da religi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 coisa nova. Exemplos n\u00e3o faltam no ocidente crist\u00e3o. Para citar apenas alguns exemplos, na Idade M\u00e9dia, imperadores, reis, senhores feudais, bispos, papas etc. representavam o poder divino como uma entidade patriarcal onisciente, onipresente e onipotente que estabelecia uma rela\u00e7\u00e3o de trocas com os fi\u00e9is. N\u00e3o se tratava de uma troca igualit\u00e1ria, obviamente, pois se acreditava que, entre os(as) fi\u00e9is, as autoridades seculares e eclesi\u00e1sticas e Deus, havia intermedia\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na Alta Idade M\u00e9dia, por exemplo, em sociedades que legitimavam as desigualdades sociais, as pr\u00f3prias imagens de Cristo seguiam perspectivas elitistas, pois era representado em majestade: o soberano era entronado. N\u00e3o \u00e9 casual que as elites medievais se identificavam com essa imagem, porque ela expressava as no\u00e7\u00f5es de submiss\u00e3o, obedi\u00eancia, respeito \u00e0 hierarquia e ao poder de uma autoridade masculina patriarcal. Um patriarca divino que cuidava, punia e ganhava guerras. Muitas dessas elites disputavam o exclusivismo ou a primazia de ser os representantes de Deus na terra. Portanto, o elitismo da pr\u00f3pria imagem de Cristo serviu \u00e0 busca de controle e coes\u00e3o social, misturando frequentemente religi\u00e3o e pol\u00edtica. H\u00e1 resist\u00eancias e ru\u00eddos nesse jogo patriarcal e medieval e, quando as mulheres da elite assumiam a tutela de seus filhos ou a titularidade do poder senhorial, mon\u00e1rquico e imperial, havia altera\u00e7\u00f5es dessa ordem patriarcal para outras formas de se pensar e exercer o poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na chamada Idade M\u00e9dia Central, sobretudo nos s\u00e9culos XII e XIII, houve diversos movimentos reformadores cr\u00edticos \u00e0 uma religi\u00e3o oficial, episcopal, monacal e pontif\u00edcia, algo considerado \u00e0 \u00e9poca distante do cotidiano, das experi\u00eancias e necessidades sociais, religiosas e materiais de diversas setores comunit\u00e1rios e institucionais. Pipocaram numerosos movimentos religiosos de todo tipo. Nas cidades europeias, homens e mulheres das camadas mais humildes ou de grupos m\u00e9dios urbanos desejavam um cristianismo que retornasse aos tempos dos ap\u00f3stolos, \u00e0 vida em comunidade de ajuda m\u00fatua, \u00e0 vida em prega\u00e7\u00e3o e itiner\u00e2ncia no e pelo mundo. Era a chamada <em>vita vere apost\u00f3lica<\/em>, a vida verdadeiramente apost\u00f3lica. Antes de serem institucionalizadas e sofrerem com o peso do tempo, muitos desses movimentos propunham mudan\u00e7as significativas na rela\u00e7\u00e3o com o divino e com a sociedade. Alguns deles foram institucionalizados e incorporados \u00e0 Igreja oficial, como s\u00e3o os casos dos franciscanos e dominicanos, obedecendo a hierarquia eclesi\u00e1stica. Contudo, outros grupos foram exclu\u00eddos, tornando-se her\u00e9ticos at\u00e9 serem combatidos por meio da viol\u00eancia, como os c\u00e1taros e valdenses. As mulheres participaram desse processo e, sendo ou n\u00e3o consideradas santas ou her\u00e9ticas, alteraram a forma como esses movimentos religiosos se comportavam, por vezes, feminizando a ordem social vigente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesse contexto, as imagens de Cristo tamb\u00e9m mudaram. De soberano em majestade passou a ser representado na sua dimens\u00e3o mais estritamente humana.\u00a0 Sinal dos novos tempos, claro! Crucificado, exposto, quase sem roupas e marcado pela tortura no corpo. Os novos movimentos religiosos desejavam seguir nu o Cristo nu. Almejavam uma vida em comunidade, de ajuda m\u00fatua, de prega\u00e7\u00e3o e pobreza volunt\u00e1ria. Eram grupos que queriam mudan\u00e7as, mas eram igualmente conservadores, porque preconizavam o retorno \u00e0 uma Igreja dos tempos dos ap\u00f3stolos. Al\u00e9m das figuras e valores masculinos, havia espa\u00e7o para representar Cristo como m\u00e3e, ou seja, no imagin\u00e1rio religioso medieval, como diria Caroline Bynum, havia forma de expressar as espiritualidades femininas, assumidas por e para mulheres, mas tamb\u00e9m formas de feminiza\u00e7\u00e3o da linguagem religiosa adotadas por grupos e institui\u00e7\u00f5es mon\u00e1sticas e n\u00e3o mon\u00e1sticas, laicas ou n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas quais semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as existem entre essas duas modalidades de experi\u00eancias religiosas e as aproxima\u00e7\u00f5es entre bolsonarismo e igrejas evang\u00e9licas e cat\u00f3licas? Sem d\u00favida, estamos falando de sociedades completamente distintas.\u00a0 Na Idade M\u00e9dia, as sociedades eram marcadas pela legitima\u00e7\u00e3o das desigualdades baseadas na reprodu\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gios. Nas sociedades senhoriais e feudais, as desigualdades sociais eram comumente legitimadas, justificadas, mantidas e, por isso mesmo, resistidas. Atualmente, os valores democr\u00e1ticos, as conquistas de direitos humanos, a luta contra as desigualdades e formas de preconceitos, a manuten\u00e7\u00e3o do Estado Democr\u00e1tico de Direito, as elei\u00e7\u00f5es livres e populares etc. s\u00e3o uma refer\u00eancia que se imaginava conquistada e s\u00e3o exatamente o que tem sido questionado por numerosos setores sociais e pela nova fase do capitalismo contempor\u00e2neo. O paralelismo com o medievo, embora \u00fatil como oposi\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica pol\u00edtica, \u00e9 algo anacr\u00f3nico e limitado, escondendo fissuras e conflitos muito mais profundos e complexos. Podemos fazer paralelismos heur\u00edsticos, mas n\u00e3o uma correspond\u00eancia de causa e efeito simplista entre um tempo e outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No entanto, h\u00e1 semelhan\u00e7as em alguns princ\u00edpios nas rela\u00e7\u00f5es entre religi\u00e3o e pol\u00edtica. Walter Ullmann, no seu livro <em>Law and Politics in the Middle Ages: An Introduction to the Sources of Medieval Political Ideas<\/em>, prop\u00f5e uma reflex\u00e3o interessante. Para ele, na Idade M\u00e9dia, havia duas concep\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas de poder. A primeira seria uma forma ascendente de poder, presente nas comunas e conselhos municipais. Um poder identificado com as bases sociais que concederiam o exerc\u00edcio da autoridade e culminaria na pessoa do governante designado, escolhido ou eleito. Algo que, segundo o autor, poderia ser identificado na <em>p\u00f3lis<\/em> grega, na rep\u00fablica romana e nas tribos germ\u00e2nicas. \u00c9 um poder mais horizontal e mais comunal. A segunda seria uma forma descente de poder. Diferente da perspectiva ascendente, que localizaria a \u201corigem\u201d do poder na base popular, no \u201cpovo\u201d, o poder descendente escolhe uma l\u00f3gica piramidal como met\u00e1fora e a hierarquia como marca ideol\u00f3gica. O poder est\u00e1 em outro ser, na pr\u00f3pria divindade que \u00e9 vista como a fonte primeira de todo poder e autoridade. (ULLMANN, 30-31) Nas perspectivas medievais, em especial na Alta Idade M\u00e9dia, o pacto com Deus poderia ser representando como uma rela\u00e7\u00e3o exclusiva e demonstrava os privil\u00e9gios de uma elite que queria compartilhar uma concep\u00e7\u00e3o de poder descendente, cuja origem estaria em Deus e cairia em cascata em dire\u00e7\u00e3o a seus representantes da terra. Na Idade M\u00e9dia Central, no bojo dos movimentos religiosos de leigos e leigas, n\u00e3o era incomum a exist\u00eancia de concep\u00e7\u00f5es mais horizontais, fraternas e ascendentes do poder. Apesar de tudo isso, \u00e9 poss\u00edvel ver a articula\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia entre essas e outras formas horizontais com concep\u00e7\u00f5es mais hierarquizadas de poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas o que isso tudo tem a ver com o bolsonarismo e os grupos evang\u00e9licos e cat\u00f3licos que o apoiam? N\u00e3o vou fazer aqui um mapeamento hist\u00f3rico e historiogr\u00e1fico dessa rela\u00e7\u00e3o. H\u00e1 trabalhos muito bem-feitos que podem suprir essa lacuna. Embora os fatores da ascens\u00e3o de Bolsonaro sejam a combina\u00e7\u00e3o de muitos elementos hist\u00f3ricos das \u00faltimas d\u00e9cadas, detenho-me no seu principal slogan de propaganda crist\u00e3-protestante-cat\u00f3lica, populista e neoprotofascista da sua companha eleitoral e de governo, \u201cBrasil acima de tudo. Deus acima de todos\u201d. \u00c9 claramente um chamado que combina as concep\u00e7\u00f5es ascendentes e descendentes de poder. Se, por um lado, o bolsonarismo apela para um ser divino incontest\u00e1vel e supremo, colocando-se como seu representante moral, por outro, ele tamb\u00e9m flerta com as ideias de que a fonte \u00faltima do poder \u00e9 o \u201cpovo\u201d. Essas amplas e pressupostas bases populares da sociedade veriam em Bolsonaro a express\u00e3o de suas vontades, interesses e necessidades sociais, morais e materiais. Em ambos os casos, tudo culminaria em Bolsonaro. Ele seria a s\u00edntese do \u201cpovo\u201d e dos des\u00edgnios de Deus. O pactismo aqui \u00e9 ascendente e descendente ao mesmo tempo, e implica em media\u00e7\u00e3o, troca e hierarquia. As necessidades e interesses imediatos ou profundos n\u00e3o poderiam esperar. No discurso bolsonarista e algumas correntes evang\u00e9licas e cat\u00f3licas que o apoiam (sim, porque nem todos e nem a maioria o apoiam), \u00e9 preciso trocas e mudan\u00e7as vistas ideologicamente como radicais. Em troca de fidelidade, devo\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o, obt\u00e9m-se de imediato, mesmo que na apar\u00eancia e no n\u00edvel do sujeito persuadido, sucesso, sa\u00edda da pobreza, enriquecimento, pagamento de d\u00edvidas, alimenta\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, prote\u00e7\u00e3o, pagamento das contas, o combate dos inimigos e a salva\u00e7\u00e3o eterna. Obviamente, isso n\u00e3o \u00e9 produzido exclusivamente por Bolsonaro e seu n\u00facleo de apoiadores imediatos, por\u00e9m ganha ampla penetra\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es religiosas evang\u00e9licas e cat\u00f3licas. Mescla-se interesses e solu\u00e7\u00f5es efetivas e ou imagin\u00e1rias. Assim fica menos dif\u00edcil acionar passeatas e a\u00e7\u00f5es virtuais que possam proteger a pessoa do presidente e aquilo que ele representa, mesmo que de forma dispersa e contradit\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que diversos grupos sociais ou parcelas de classes acreditam na cartilha bolsonarista. \u00c9 poss\u00edvel que o pr\u00f3prio Bolsonaro acredite em muitas das suas pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es e discursos, o que n\u00e3o o exime de responsabilidade. Ele n\u00e3o \u00e9 louco ou doente. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um ex\u00edmio estrategista ou ide\u00f3logo da extrema direita. Obviamente, ele sintetiza uma ideologia mobilizadora que esconde e revela o elitismo e o neoliberalismo do governo. Se, por um lado, boa parte da participa\u00e7\u00e3o popular de oposi\u00e7\u00e3o tem sido limitada e criminalizada, sendo identificada com uma suposta elite intelectual e art\u00edstica, corrupta e imoral, por outro, a participa\u00e7\u00e3o \u201cpopular\u201d \u00e9 incentivada quando direcionada a proteger e defender o governante-mediador do poder do povo e de Deus. Bolsonaro flerta com a ambiguidade o tempo todo. D\u00e1 sinais trocados. Mas h\u00e1 recorr\u00eancia e uma l\u00f3gica nas posturas il\u00f3gicas. Esvazia a participa\u00e7\u00e3o efetiva da oposi\u00e7\u00e3o e estimula a mobiliza\u00e7\u00e3o personalizada. Aparelha o Estado e tenta implementar um poder desentende, r\u00edgido e autorit\u00e1rio, mas, ao mesmo tempo, flerta com um discurso neoliberal e de soberania de uma suposta vontade do povo. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que essa mesma pauta tem justificado a repress\u00e3o e exclus\u00e3o de maiorias exploradas e de minorias numerosas discriminadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por fim, sendo ou n\u00e3o performance c\u00ednica e manipuladora, combinando ou n\u00e3o valores crist\u00e3os, unindo ou n\u00e3o perspectivas estatizantes e autorit\u00e1rias, ou posturas privatistas e neoliberais, mesclando ou n\u00e3o autoritarismo e apar\u00eancia liberal, Bolsonaro e o bolsonarismo s\u00e3o filhos das formas contempor\u00e2neas de mistura entre religi\u00e3o e pol\u00edtica. N\u00e3o s\u00e3o medievais. N\u00e3o s\u00e3o senhoriais. N\u00e3o s\u00e3o feudais. N\u00e3o se trata de um poder revelador de uma sociedade de ordens e estamentos. Trata-se de um poder, ascendente e descendente, incrustrado nas formas capitalistas ultraneoliberais e privatistas, cujas contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o controladas, negociadas e negadas pela pol\u00edtica religiosa. Trata-se de uma fase de disputas por peda\u00e7os do Estado em que grupos sociais e institucionais veem como espa\u00e7o para p\u00f4r na ordem do dia sua pauta e alterar o mundo no caminho da salva\u00e7\u00e3o crist\u00e3. A vontade de Deus deveria ser a pauta do Estado. \u00c9 poss\u00edvel ver manipula\u00e7\u00e3o e busca de hegemonia, sem que seus sujeitos sejam exclusiva e puramente c\u00ednicos? Nem tudo \u00e9 puro c\u00e1lculo. Nem tudo \u00e9 puro espontane\u00edsmo. Como diria medievalista Marc Bloch, na obra <em>Os reis taumaturgos<\/em>, a \u201chist\u00f3ria das religi\u00f5es mostra abundantemente que para explorar um milagre n\u00e3o h\u00e1 necessidade de ser c\u00e9tico\u201d (BLOCH, 1999, p. 84) \u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m ser c\u00ednico, sem ser c\u00e9tico? \u00a0Resta saber quanto de cinismo \u00e9 preciso para manipular o sagrado em tempos de crise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os estudos hist\u00f3ricos sobre as religi\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o uma novidade recente. Karl Marx j\u00e1 havia proposto a necessidade de se fazer uma abordagem irreligiosa da religi\u00e3o, criticando as formas metaf\u00edsicas e teol\u00f3gicas de se pensar o fen\u00f4meno. Na <em>Cr\u00edtica \u00e0 Filosofia do Direito de Hegel<\/em>, ele demonstrou que o \u201chomem\u201d (aqui, visto em uma singularidade basicamente masculina) n\u00e3o seria um ser abstrato, localizado fora do mundo, um mundo marcado por ele mesmo, pelas institui\u00e7\u00f5es estatais e a sociedade. Segundo ele:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este \u00e9 o fundamento da cr\u00edtica irreligiosa: o homem <em>faz a religi\u00e3o<\/em>, a religi\u00e3o n\u00e3o faz o homem. E a religi\u00e3o \u00e9 de fato a autoconsci\u00eancia e o autossentimento do homem, que ou ainda n\u00e3o conquistou a si mesmo ou j\u00e1 se perdeu novamente. Mas o <em>homem <\/em>n\u00e3o \u00e9 um ser abstrato, acocorado fora do mundo. O homem \u00e9 o <em>mundo do homem<\/em>, o Estado, a sociedade. Esse Estado e essa sociedade produzem a religi\u00e3o, uma <em>consci\u00eancia invertida do mundo<\/em>, porque eles s\u00e3o um <em>mundo invertido<\/em>. A religi\u00e3o \u00e9 a teoria geral deste mundo, seu comp\u00eandio enciclop\u00e9dico, sua l\u00f3gica em forma popular, seu <em>point d\u2019honneur <\/em>espiritualista, seu entusiasmo, sua san\u00e7\u00e3o moral, seu complemento solene, sua base geral de consola\u00e7\u00e3o e de justifica\u00e7\u00e3o (Grifo do autor, MARX, 2010, 145).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 diversas autoras feministas e marxistas, como Silvia Federici, que questionaram o androcentrismo das vis\u00f5es marxianas, desuniversalizando a dimens\u00e3o feminina dos sujeitos hist\u00f3ricos. J\u00e1 n\u00e3o temos o \u201chomem\u201d abstrato e essencial como escopo de an\u00e1lise sociol\u00f3gica ou historiogr\u00e1fica (FEDERICI, 2010). Contudo, Marx sintetiza uma forma irreligiosa de analisar a religi\u00e3o. .Interessava a Marx a cr\u00edtica filos\u00f3fica e hist\u00f3rica da autoaliena\u00e7\u00e3o nas suas formas sagradas ou n\u00e3o sagradas. N\u00e3o bastaria dessacralizar a religi\u00e3o, mas tamb\u00e9m o direito, a pol\u00edtica etc. Para Karl Marx, n\u00e3o seria somente uma forma de ilus\u00e3o: \u201cA mis\u00e9ria <em>religiosa <\/em>constitui ao mesmo tempo a <em>express\u00e3o <\/em>da mis\u00e9ria real e o <em>protesto <\/em>contra a mis\u00e9ria real. A religi\u00e3o \u00e9 o suspiro da criatura oprimida, o \u00e2nimo de um mundo sem cora\u00e7\u00e3o, assim como o esp\u00edrito de estados de coisas embrutecidos. Ela \u00e9 o <em>\u00f3pio <\/em>do povo\u201d. (MARX, 2010, p. 145)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">BLOCH, Marc. As origens do poder curativo dos reis. A realeza sagrada nos primeiros s\u00e9culos da Idade M\u00e9dia. In: ____. <strong>Os reis taumaturgos. O car\u00e1ter sobrenatural do poder r\u00e9gio Fran\u00e7a e Inglaterra. <\/strong>S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 68-87.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">FEDERICI, Silvia<em>. <\/em><strong>Calib\u00e1n y la bruja. Mujeres, cuerpo y acumulaci\u00f3n originaria<\/strong><em>.<\/em> Traficantes Madrid: Traficantes de sue\u00f1os, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">MARX, Karl. <strong>Cr\u00edtica da filosofia do direito de Hegel<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Rubens Enderle e Leonardo de Deus [supervis\u00e3o e notas Marcelo Backes]. 2.ed revista. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">ULLMANN, Walter. <strong>Law and Politics in the Middle Ages<\/strong>. <strong>An Introduction to the Sources of Medieval Political Ideas<\/strong><em>. <\/em>Cambridge University Press, 1975.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode revisitar a live com a tem\u00e1tica de (Neo) Medievalismo e Pol\u00edtica no Brasil <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=qsfUVr2-sL4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clicando aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pactismos religiosos: \u00f3pio do povo ou resist\u00eancia? \u00a0Marcelo Pereira Lima (LETHAM-PPGH-UFBA) A religi\u00e3o \u00e9 o \u00f3pio do \u201cpovo\u201d que entorpece, ilude e engana, algo que desloca aquele ou aquela que cr\u00ea para fora da realidade, amarrando-os(as) aos rituais e \u00e0 obedi\u00eancia? \u00c9 uma ideologia capaz de expressar interesses e necessidades sociais e materiais imediatas ou &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1170,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-1303","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","item-wrap"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.7 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Texto: Pactismos religiosos: \u00f3pio do povo ou resist\u00eancia? - POIEMA<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Texto: Pactismos religiosos: \u00f3pio do povo ou resist\u00eancia? - POIEMA\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Pactismos religiosos: \u00f3pio do povo ou resist\u00eancia? \u00a0Marcelo Pereira Lima (LETHAM-PPGH-UFBA) A religi\u00e3o \u00e9 o \u00f3pio do \u201cpovo\u201d que entorpece, ilude e engana, algo que desloca aquele ou aquela que cr\u00ea para fora da realidade, amarrando-os(as) aos rituais e \u00e0 obedi\u00eancia? \u00c9 uma ideologia capaz de expressar interesses e necessidades sociais e materiais imediatas ou &hellip; Continue lendo\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"POIEMA\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-09-16T21:00:51+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2022-05-23T21:05:45+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"poiema\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"poiema\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"13 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/\"},\"author\":{\"name\":\"poiema\",\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/#\/schema\/person\/5983c75663d67da5cb57c4df7a3bf2fe\"},\"headline\":\"Texto: Pactismos religiosos: \u00f3pio do povo ou resist\u00eancia?\",\"datePublished\":\"2021-09-16T21:00:51+00:00\",\"dateModified\":\"2022-05-23T21:05:45+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/\"},\"wordCount\":2676,\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/\",\"url\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/\",\"name\":\"Texto: Pactismos religiosos: \u00f3pio do povo ou resist\u00eancia? - POIEMA\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/#website\"},\"datePublished\":\"2021-09-16T21:00:51+00:00\",\"dateModified\":\"2022-05-23T21:05:45+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/#\/schema\/person\/5983c75663d67da5cb57c4df7a3bf2fe\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Texto: Pactismos religiosos: \u00f3pio do povo ou resist\u00eancia?\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/#website\",\"url\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/\",\"name\":\"POIEMA\",\"description\":\"POIEMA ufpel\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/#\/schema\/person\/5983c75663d67da5cb57c4df7a3bf2fe\",\"name\":\"poiema\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/34ff248b10b646383df847c6d0597543eec4d02c5739c4a94133169b4d037df5?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/34ff248b10b646383df847c6d0597543eec4d02c5739c4a94133169b4d037df5?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"poiema\"},\"url\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/author\/poiema\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Texto: Pactismos religiosos: \u00f3pio do povo ou resist\u00eancia? - POIEMA","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Texto: Pactismos religiosos: \u00f3pio do povo ou resist\u00eancia? - POIEMA","og_description":"Pactismos religiosos: \u00f3pio do povo ou resist\u00eancia? \u00a0Marcelo Pereira Lima (LETHAM-PPGH-UFBA) A religi\u00e3o \u00e9 o \u00f3pio do \u201cpovo\u201d que entorpece, ilude e engana, algo que desloca aquele ou aquela que cr\u00ea para fora da realidade, amarrando-os(as) aos rituais e \u00e0 obedi\u00eancia? \u00c9 uma ideologia capaz de expressar interesses e necessidades sociais e materiais imediatas ou &hellip; Continue lendo","og_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/","og_site_name":"POIEMA","article_published_time":"2021-09-16T21:00:51+00:00","article_modified_time":"2022-05-23T21:05:45+00:00","author":"poiema","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"poiema","Est. tempo de leitura":"13 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/"},"author":{"name":"poiema","@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/#\/schema\/person\/5983c75663d67da5cb57c4df7a3bf2fe"},"headline":"Texto: Pactismos religiosos: \u00f3pio do povo ou resist\u00eancia?","datePublished":"2021-09-16T21:00:51+00:00","dateModified":"2022-05-23T21:05:45+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/"},"wordCount":2676,"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/","url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/","name":"Texto: Pactismos religiosos: \u00f3pio do povo ou resist\u00eancia? - POIEMA","isPartOf":{"@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/#website"},"datePublished":"2021-09-16T21:00:51+00:00","dateModified":"2022-05-23T21:05:45+00:00","author":{"@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/#\/schema\/person\/5983c75663d67da5cb57c4df7a3bf2fe"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/2021\/09\/16\/texto-pactismos-religiosos-opio-do-povo-ou-resistencia\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Texto: Pactismos religiosos: \u00f3pio do povo ou resist\u00eancia?"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/#website","url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/","name":"POIEMA","description":"POIEMA ufpel","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/#\/schema\/person\/5983c75663d67da5cb57c4df7a3bf2fe","name":"poiema","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/34ff248b10b646383df847c6d0597543eec4d02c5739c4a94133169b4d037df5?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/34ff248b10b646383df847c6d0597543eec4d02c5739c4a94133169b4d037df5?s=96&d=mm&r=g","caption":"poiema"},"url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/author\/poiema\/"}]}},"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1170"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1303"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1303\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1649,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1303\/revisions\/1649"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}