{"id":7413,"date":"2026-09-08T12:00:00","date_gmt":"2026-09-08T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=7413"},"modified":"2026-09-08T12:16:32","modified_gmt":"2026-09-08T15:16:32","slug":"alexandria-em-latim-cruzada-dignidade-titular-e-memoria-eclesiastica","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/alexandria-em-latim-cruzada-dignidade-titular-e-memoria-eclesiastica\/","title":{"rendered":"Alexandria em latim: Cruzada, dignidade titular e mem\u00f3ria eclesi\u00e1stica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Alfredo Bronzato da Costa Cruz<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Entre as antigas sedes patriarcais do cristianismo, Alexandria ocupa lugar de particular densidade hist\u00f3rica. Associada \u00e0 mem\u00f3ria apost\u00f3lica de S\u00e3o Marcos, ao florescimento intelectual do cristianismo grego, \u00e0s controv\u00e9rsias trinit\u00e1rias e cristol\u00f3gicas dos s\u00e9culos IV e V, ao monaquismo eg\u00edpcio e \u00e0 longa experi\u00eancia das comunidades crist\u00e3s sob dom\u00ednio isl\u00e2mico, a cidade tornou-se uma das refer\u00eancias maiores da geografia eclesi\u00e1stica tardo-antiga e medieval. Antes dos rearranjos promovidos na pol\u00edtica eclesi\u00e1stica mediterr\u00e2nica pelos conc\u00edlios ecum\u00eanicos de Constantinopla (381) e de Calced\u00f4nia (451), ocupava o segundo lugar de primazia depois de Roma. Escrever sobre o Patriarcado Latino de Alexandria, por\u00e9m, n\u00e3o significa reconstituir toda a hist\u00f3ria crist\u00e3 alexandrina. Trata-se, antes, de isolar uma institui\u00e7\u00e3o latina espec\u00edfica, tardia e peculiar, sobreposta a uma paisagem eclesial muito anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">De fato, o Patriarcado Latino de Alexandria deve ser compreendido como uma constru\u00e7\u00e3o jurisdicional da Cristandade latina, formada no horizonte das Cruzadas e depois preservada como dignidade titular. Diferentemente do Patriarcado Copta, enraizado na tradi\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia n\u00e3o-calced\u00f4nica, ou do Patriarcado Melquita (Greco-Ortodoxo), vinculado \u00e0 continuidade calced\u00f4nica alexandrina, o Patriarcado Latino n\u00e3o correspondeu a uma comunidade territorialmente dominante nem a uma sucess\u00e3o local organicamente implantada no Egito. Sua hist\u00f3ria pertence a outro regime: o da proje\u00e7\u00e3o romana e cruzada sobre antigas sedes orientais, da mem\u00f3ria latina da Pentarquia e da conserva\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos patriarcais que expressavam mais uma cartografia eclesiol\u00f3gica tradicional do que uma presen\u00e7a efetiva e est\u00e1vel no territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">As pr\u00f3prias fontes e repert\u00f3rios revelam a dificuldade do objeto. O artigo \u201cLes patriarches latins d\u2019Alexandrie\u201d, publicado na <em>Revue de l\u2019Orient Latin<\/em> em 1896, abre a s\u00e9rie com o franc\u00eas Atan\u00e1sio Claromontano, mencionado em 1219 como patriarca latino de Alexandria, mas reconhece a incerteza sobre a exist\u00eancia, em 1215, de um prelado latino ou plenamente reconhecido pelos latinos que j\u00e1 portasse o t\u00edtulo alexandrino. J\u00e1 repert\u00f3rios modernos, como o <em>Catholic-Hierarchy<\/em>, ao apresentarem Alexandria como s\u00e9 titular latina de tipo patriarcal, iniciam a lista dos ordin\u00e1rios com certo Atan\u00e1sio \u2013 n\u00e3o sabemos se identific\u00e1vel ou n\u00e3o com um Claromontano particularmente longevo \u2013, nomeado em 1276 e falecido em 1309, antes de seguir com Eg\u00eddio da Ferrara, O.P., Odon de Sala, Juan de Arag\u00e3o e outros titulares dos s\u00e9culos XIV e XV. Essa diverg\u00eancia revela precisamente a natureza irregular do Patriarcado Latino de Alexandria: menos uma institui\u00e7\u00e3o territorial cont\u00ednua do que um t\u00edtulo, que \u00e9, sobretudo, uma pretens\u00e3o e uma dignidade documentada por men\u00e7\u00f5es pontif\u00edcias, cat\u00e1logos episcopais e tradi\u00e7\u00f5es eruditas posteriores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">H\u00e1 ainda uma dificuldade terminol\u00f3gica. O mesmo artigo da <em>Revue de l\u2019Orient Latin<\/em> observa que, em 1219, havia no Egito um patriarca apresentado pela erudi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica oitocentista como \u201cmelquita cat\u00f3lico\u201d. A express\u00e3o s\u00f3 \u00e9 aproveit\u00e1vel se lida com cuidado. Para o s\u00e9culo XIII, <em>melquita<\/em> deve ser entendido em sentido medieval, como refer\u00eancia \u00e0 linha greco-alexandrina ou calced\u00f4nica do Patriarcado de Alexandria, representada ent\u00e3o por Nicolau de Alexandria, ativo aproximadamente entre 1210 e depois de 1223. Adrian Fortescue (1911) descreve Nicolau como favor\u00e1vel \u00e0 reuni\u00e3o com Roma, autor de cartas amistosas ao Papa de Roma e convidado ao IV Conc\u00edlio de Latr\u00e3o, em 1215; justamente por isso, havia, naquele momento, uma raz\u00e3o espec\u00edfica para n\u00e3o instituir em Alexandria um patriarcado latino rival. Isso n\u00e3o deve ser confundido com a Igreja Greco-Cat\u00f3lica Melquita em sentido moderno: o mesmo Fortescue situa o patriarcado melquita cat\u00f3lico apenas a partir de 1724, com Cirilo VI Tanas, enquanto a atribui\u00e7\u00e3o formal e est\u00e1vel dos t\u00edtulos de Alexandria e Jerusal\u00e9m ao patriarca greco-melquita cat\u00f3lico de Antioquia \u00e9 posterior, associada a M\u00e1ximo III Mazloum e ao reconhecimento pontif\u00edcio de Greg\u00f3rio XVI, em 1838. Assim, a not\u00edcia oitocentista sobre um \u201cpatriarca melquita cat\u00f3lico\u201d em 1219 deve ser lida como refer\u00eancia \u00e0 linha greco-alexandrina ortodoxa favor\u00e1vel \u00e0 comunh\u00e3o romana, n\u00e3o como antecipa\u00e7\u00e3o anacr\u00f4nica da institui\u00e7\u00e3o greco-melquita cat\u00f3lica moderna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Antes dos latinos e quase inteiramente alheia a eles, Alexandria j\u00e1 era uma sede antiga, plural e institucionalmente ocupada. A Igreja alexandrina n\u00e3o existia apenas como mem\u00f3ria prestigiosa de S\u00e3o Marcos ou como refer\u00eancia doutrinal associada aos grandes nomes da patr\u00edstica grega; ela se constitu\u00edra, a partir dos s\u00e9culos III e IV, ao longo da Antiguidade Tardia, como uma estrutura eclesi\u00e1stica dotada de mecanismos pr\u00f3prios de autoridade, elei\u00e7\u00e3o, disciplina, administra\u00e7\u00e3o patrimonial e organiza\u00e7\u00e3o clerical. O estudo de Ewa Wipszycka (2015) ajuda a deslocar o olhar da sucess\u00e3o abstrata dos patriarcas para a espessura institucional que sustentava essa autoridade: o Patriarca de Alexandria se relacionava com bispos, cl\u00e9rigos, arquivos, normas, recursos econ\u00f4micos, pr\u00e1ticas lit\u00fargicas e atividades de benefic\u00eancia, compondo uma malha de governo e presen\u00e7a social que atravessava a metr\u00f3pole na qual se assentava sua C\u00e1tedra, as cidades e aldeias do vale do Nilo e os espa\u00e7os mon\u00e1sticos. A Alexandria crist\u00e3 pr\u00e9-latina, portanto, n\u00e3o era um espa\u00e7o dispon\u00edvel para novas jurisdi\u00e7\u00f5es, mas uma paisagem eclesial densamente formada, na qual mem\u00f3ria, poder, culto e administra\u00e7\u00e3o se entrela\u00e7avam muito antes de qualquer pretens\u00e3o patriarcal relacionada ao Papado de Roma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Essa autoridade era pensada, em primeiro lugar, pela linguagem da sucess\u00e3o de S\u00e3o Marcos. Na tradi\u00e7\u00e3o copta, Marcos Evangelista foi compreendido como fundador da Igreja eg\u00edpcia e primeiro elo de uma cadeia de patriarcas alexandrinos. Stephen Davis (2004) observa que os relatos sobre S\u00e3o Marcos e os discursos de sucess\u00e3o apost\u00f3lica n\u00e3o refletiam uma identidade j\u00e1 pronta, mas ajudavam a moldar a autocompreens\u00e3o da Igreja Eg\u00edpcia na Antiguidade Tardia. Depois do Conc\u00edlio de Calced\u00f4nia essa constru\u00e7\u00e3o tornou-se ainda mais decisiva. Alexandria n\u00e3o pode mais ser apresentada como sede un\u00edvoca: o nome da cidade passou a condensar disputas entre tradi\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia anti-calced\u00f4nica, autoridade imperial calced\u00f4nica, redes mon\u00e1sticas concorrentes, fac\u00e7\u00f5es episcopais conflitantes e diferentes formas de resist\u00eancia e acomoda\u00e7\u00e3o. A conquista \u00e1rabo-mu\u00e7ulmana do Egito, entre 639 e 641, n\u00e3o apagou essa heran\u00e7a, mas alterou profundamente suas condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. A lideran\u00e7a copta passou a atuar em um novo campo de negocia\u00e7\u00e3o, marcado pela incorpora\u00e7\u00e3o do Egito ao dom\u00ednio isl\u00e2mico e pela necessidade de redefinir a posi\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os eg\u00edpcios como comunidade juridicamente protegida, fiscalmente onerada e socialmente vulner\u00e1vel (Cruz, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">E, de fato, a continuidade crist\u00e3 eg\u00edpcia sob dom\u00ednio isl\u00e2mico n\u00e3o foi simples perman\u00eancia residual de uma ordem anterior, nem se reduziu a uma \u00fanica linhagem eclesial. No caso copta, Mark Swanson (2010) l\u00ea a hist\u00f3ria do papado entre 641 e 1517 como narrativa de sobreviv\u00eancia e reinven\u00e7\u00e3o: os patriarcas funcionaram como pontos de contato entre a comunidade e os governantes mu\u00e7ulmanos, negociaram press\u00f5es fiscais e pol\u00edticas, preservaram ou reconstru\u00edram igrejas, mosteiros e itiner\u00e1rios sagrados, acompanharam a progressiva passagem para o \u00e1rabe como l\u00edngua crist\u00e3 e foram representados como figuras capazes de condensar a identidade da Igreja Eg\u00edpcia em meio \u00e0 arabiza\u00e7\u00e3o, \u00e0 islamiza\u00e7\u00e3o e \u00e0s crises internas. No caso melquita, Stanley Skreslet (1987) mostra que os gregos do Egito isl\u00e2mico formaram uma comunidade <em>dhimm\u012b<\/em> espec\u00edfica, sob a lideran\u00e7a do patriarca grego de Alexandria: juridicamente limitada, mas dotada de autonomia interna, dependente do reconhecimento dos califas no processo de escolha patriarcal e ainda vinculada, embora de modo irregular, \u00e0s grandes comunh\u00f5es calced\u00f4nicas de Constantinopla e de Roma. Ao mesmo tempo, insiste que essa proximidade doutrinal com Constantinopla n\u00e3o significava controle bizantino direto, pois os melquitas eg\u00edpcios precisaram negociar sua exist\u00eancia como minoria local sob governos om\u00edadas, ab\u00e1ssidas, tul\u00fanidas e os que os seguiram at\u00e9 a Contemporaneidade. Assim, quando, no s\u00e9culo XIII, a Cristandade latina come\u00e7ou a projetar ou reivindicar uma dignidade patriarcal alexandrina, Alexandria j\u00e1 era uma sede saturada de mem\u00f3rias concorrentes, autoridades sobrepostas e continuidades crist\u00e3s plurais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A passagem do antigo prest\u00edgio alexandrino para a possibilidade de um patriarcado latino s\u00f3 se compreende no contexto das Cruzadas, isto \u00e9, do conjunto de expedi\u00e7\u00f5es militares, projetos espirituais, iniciativas pontif\u00edcias e experi\u00eancias coloniais que, desde o fim do s\u00e9culo XI, levaram a Cristandade latina a intervir no Oriente Pr\u00f3ximo e no Mediterr\u00e2neo Oriental de forma mais geral. Al\u00e9m de produzir conquista militar, essas campanhas promoveram formas de reorganiza\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica. Em Antioquia, Jerusal\u00e9m e, depois de 1204, Constantinopla, a presen\u00e7a latina implicou a instala\u00e7\u00e3o de hierarquias pr\u00f3prias, frequentemente em substitui\u00e7\u00e3o ou concorr\u00eancia com bispos e corpos de cl\u00e9rigos orientais. Lorenzo Cappelletti (2004) observa que esse processo se apoiava na ideia de que a Cristandade era uma s\u00f3 \u2013 a latina \u2013, primeiro por real desconhecimento da complexa realidade do Oriente crist\u00e3o, depois por um projeto mais expl\u00edcito de conquista e disciplina: os crist\u00e3os orientais, inicialmente imaginados como irm\u00e3os a socorrer, podiam ser tratados, mais tarde, como cism\u00e1ticos ou hereges a corrigir ou punir. A leitura de Giorgio Fedalto (1981) ajuda a explicar o mecanismo jur\u00eddico dessa opera\u00e7\u00e3o: se o papado romano era concebido como centro can\u00f4nico da Cristandade, a recusa de obedi\u00eancia a Roma podia ser interpretada como perda de legitimidade para ocupar uma igreja, administrar seus bens e conservar sua hierarquia. Nesse quadro, Bernard Hamilton (1980) permite compreender a Igreja latina dos Estados cruzados como estrutura secular organizada, dotada de patriarcas, alto clero, rendas, par\u00f3quias e rela\u00e7\u00f5es tensas com gregos, sir\u00edacos, arm\u00eanios, coptas e outras comunidades orientais. Alexandria podia, assim, ser projetada como uma antiga sede oriental suscet\u00edvel de incorpora\u00e7\u00e3o ao horizonte institucional latino, ainda que n\u00e3o houvesse ali uma comunidade latina efetivamente enraizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Foi a campanha eg\u00edpcia da Quinta Cruzada que deu a essa possibilidade sua forma hist\u00f3rica mais concreta. Preparada no ambiente reformador de Inoc\u00eancio III, papa entre 1198 e 1216, e articulada ao IV Conc\u00edlio de Latr\u00e3o, a expedi\u00e7\u00e3o deslocou para o Egito uma parte decisiva das expectativas cruzadas, pois atacar o vale do Nilo e seus portos significava atingir o centro econ\u00f4mico e estrat\u00e9gico do poder mu\u00e7ulmano que condicionava a posse de Jerusal\u00e9m. Segundo James Powell (1986), a cruzada teve in\u00edcio como grande empreendimento pontif\u00edcio de mobiliza\u00e7\u00e3o europeia efetivado em 1217, e terminou em 1221, na estrada do Nilo entre Damieta e al-Mansurah, com a rendi\u00e7\u00e3o de parte substancial do ex\u00e9rcito cruzado diante das for\u00e7as do sult\u00e3o al-Kamil. O Egito, portanto, n\u00e3o era um desvio lateral da cruzada, mas uma via de press\u00e3o sobre o poder ai\u00fabida: Damieta foi tratada como \u201cchave do Egito\u201d, a ponto de al-Kamil oferecer repetidas vezes a restitui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m em troca da cidade conquistada, proposta recusada pelos cruzados. Nesse quadro, \u00e9 especialmente significativo que, quando os contingentes alem\u00e3es e fr\u00edsios chegaram a Acre em 1218, a orienta\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia j\u00e1 prevalecia e a delibera\u00e7\u00e3o entre os l\u00edderes colocou em relevo o alvo concreto da expedi\u00e7\u00e3o \u2013 Alexandria ou Damieta. A alternativa mostra que Alexandria integrava o c\u00e1lculo cruzad\u00edstico como possibilidade militar e portu\u00e1ria, ligada \u00e0s rotas mediterr\u00e2nicas e capaz de oferecer, caso conquistada, um ponto de apoio para a reorganiza\u00e7\u00e3o latina do Egito. O Patriarcado Latino de Alexandria deve ser situado nesse ponto de contato entre campanha militar, busca de suporte no litoral mediterr\u00e2nico e expectativa de ordena\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica: uma forma institucional preparada para um Egito que os cruzados esperavam poder reorganizar e que, na pr\u00e1tica, jamais se tornou latino. A pr\u00f3pria hist\u00f3ria posterior das incurs\u00f5es cruzadas em Alexandria confirma essa instabilidade: Fortescue (1911) recorda que Amalrico, rei de Jerusal\u00e9m, ocupou Alexandria no contexto das campanhas latinas no Egito, em 1167, e que Pedro I de Chipre repetiu a fa\u00e7anha em 1365, mas em ambos os casos a presen\u00e7a latina foi breve e n\u00e3o produziu uma base duradoura no territ\u00f3rio eg\u00edpcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Por outro lado, a presen\u00e7a de crist\u00e3os orientais no Egito n\u00e3o significava de forma alguma que a cruzada pudesse ser interpretada como empreendimento crist\u00e3o comum. Aziz Atiya (1991) insiste que a posi\u00e7\u00e3o copta diante dos <em>francos<\/em> deve ser compreendida a partir da ainda dolorida lembran\u00e7a de Calced\u00f4nia, da deposi\u00e7\u00e3o de Di\u00f3scoro, das mem\u00f3rias de apropria\u00e7\u00e3o latina de lugares santos e bens eclesi\u00e1sticos e da oposi\u00e7\u00e3o duradoura entre os miafisitas eg\u00edpcios e os ocidentais calced\u00f4nicos. Para os coptas, os cruzados podiam aparecer n\u00e3o como libertadores naturais \u2013 como talvez os pr\u00f3prios cruzados se imaginassem \u2013, mas como intrusos, saqueadores e advers\u00e1rios teol\u00f3gicos, capazes de produzir novas press\u00f5es fiscais e pol\u00edticas sobre uma comunidade j\u00e1 submetida ao dom\u00ednio isl\u00e2mico. A hostilidade n\u00e3o era apenas abstrata: a mem\u00f3ria copta da campanha de Baldu\u00edno contra al-Farama, em 1106, preservada na <em>Hist\u00f3ria do Patriarcado Copta de Alexandria<\/em>, podia associar a presen\u00e7a cruzada n\u00e3o \u00e0 solidariedade entre crist\u00e3os, mas \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o, ao perigo e \u00e0 gratid\u00e3o pela prote\u00e7\u00e3o divina contra os invasores. Essa assimetria demonstra que mesmo a presen\u00e7a latina que, do ponto de vista ocidental, podia ser imaginada como restaura\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do Oriente, podia ser percebida pelos crist\u00e3os eg\u00edpcios como amea\u00e7a estrangeira, calced\u00f4nica e politicamente desestabilizadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A derrota da Quinta Cruzada e a impossibilidade de transformar o Egito em territ\u00f3rio latino n\u00e3o fizeram desaparecer a pretens\u00e3o alexandrina. Ao contr\u00e1rio, ela foi preservada sob outra forma: n\u00e3o como governo efetivo de uma Igreja latina implantada em Alexandria, mas como t\u00edtulo patriarcal atribu\u00eddo a prelados integrados \u00e0s estruturas da Cristandade ocidental. Louis de Mas Latrie (1896) registra que a igreja e resid\u00eancia oficial dos patriarcas latinos de Alexandria ficavam em Roma, em S\u00e3o Louren\u00e7o Fora dos Muros. Tal informa\u00e7\u00e3o indica que o t\u00edtulo alexandrino possu\u00eda ancoragem romana mais clara do que qualquer presen\u00e7a eg\u00edpcia efetiva. Se a sede evocada era Alexandria, o lugar institucional de reconhecimento do patriarcado estava, na pr\u00e1tica, no cora\u00e7\u00e3o religioso do Ocidente latino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A sucess\u00e3o dos titulares confirma essa natureza n\u00e3o territorial. Eg\u00eddio da Ferrara (<em>r<\/em>.1311-1322), dominicano, fora bispo de Modon e patriarca de Grado antes de receber o t\u00edtulo alexandrino; Odon de Sala (<em>r<\/em>.1323-1328), tamb\u00e9m dominicano, havia sido arcebispo de Pisa e administrador de Monte Cassino; Juan de Arag\u00e3o (<em>r<\/em>.1328-1334), filho de Jaime II de Arag\u00e3o e da Sic\u00edlia (<em>r<\/em>.1291-1327), fora arcebispo de Toledo e aparece como administrador de Tarragona; Guillaume de Chanac (<em>r<\/em>.1342\u20131348) fora bispo de Paris antes de ser promovido ao patriarcado. Esse padr\u00e3o coloca o patriarcado latino de Alexandria como dignidade conferida a eclesi\u00e1sticos inseridos em dioceses, ordens religiosas, administra\u00e7\u00f5es e redes de poder do Ocidente latino, n\u00e3o como governo de uma Igreja local eg\u00edpcia. Por isso, Fortescue (1911) p\u00f4de definir o Patriarcado Latino de Alexandria como complemento anal\u00f3gico do sistema de patriarcados latinos orientais criado pela experi\u00eancia das Cruzadas, mais do que como resposta a qualquer necessidade pastoral concreta. O t\u00edtulo valia porque Alexandria permanecia uma das grandes sedes da mem\u00f3ria crist\u00e3; sua efic\u00e1cia, por\u00e9m, era sobretudo curial, honor\u00edfica e representacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Enquanto isso, a vida crist\u00e3 eg\u00edpcia efetiva permanecia enraizada em outros corpos institucionais, lit\u00fargicos e lingu\u00edsticos. Sidney Griffith (2008) chama aten\u00e7\u00e3o para o equ\u00edvoco de tratar os crist\u00e3os orientais sob dom\u00ednio isl\u00e2mico como sobreviv\u00eancias passivas de uma ordem anterior. Entre meados do s\u00e9culo VIII e meados do XIII, crist\u00e3os arab\u00f3fonos escreveram textos filos\u00f3ficos e teol\u00f3gicos pr\u00f3prios, traduziram tradi\u00e7\u00f5es gregas, sir\u00edacas e coptas para o \u00e1rabe e produziram estudiosos, cientistas e cl\u00e9rigos reconhecidos no mundo \u00e1rabe. No caso copta, essa continuidade possu\u00eda tamb\u00e9m forte materialidade: igrejas, mosteiros, rel\u00edquias, santu\u00e1rios, peregrina\u00e7\u00f5es e mem\u00f3rias locais. Otto Meinardus (1999) organiza sua s\u00edntese sobre o cristianismo copta justamente em torno dessas tradi\u00e7\u00f5es, estruturas, topografias sagradas e formas de perman\u00eancia. O Patriarcado Latino de Alexandria aparece, desse ponto de vista, como o negativo institucional da Cristandade copta: uma dignidade romana sobreposta a uma Igreja Eg\u00edpcia concreta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A longa dura\u00e7\u00e3o desse t\u00edtulo terminou pelo abandono de uma dignidade honor\u00edfica cada vez mais fict\u00edcia, uja utilidade simb\u00f3lica se tornara cada vez menor. O <em>Annuario Pontificio<\/em> de 1960 ainda listava Alexandria entre os <em>Patriarcati<\/em>, distinguindo o patriarcado dos coptas cat\u00f3licos, estabelecido em 1895 pelo papa Le\u00e3o XIII e ent\u00e3o ocupado por Stephanos Sidarouss, e o dos latinos, indicado simplesmente como <em>Alexandrinus Latinorum<\/em>, sem titular nomeado. A forma da listagem \u00e9 expressiva: o Patriarcado Latino ainda existia como categoria hier\u00e1rquica, mas j\u00e1 aparecia esvaziado de qualquer fun\u00e7\u00e3o pastoral pr\u00f3pria. Essa vac\u00e2ncia n\u00e3o era recente: o \u00faltimo titular, o capuchinho italiano Luca Ermenegildo Pasetto, morrera em 22 de janeiro de 1954, sem que outro fosse designado para suced\u00ea-lo. A <em>Catholic Encyclopedia<\/em> de 1911 j\u00e1 havia descrito os patriarcas latinos de Constantinopla, Alexandria e Antioquia como titulares e dignidades da corte papal em Roma, dotados apenas de prerrogativas cerimoniais. A express\u00e3o usada por Fortescue para as antigas bas\u00edlicas patriarcais romanas, \u201ct\u00edtulos e mem\u00f3rias\u201d, parece especialmente adequada ao caso alexandrino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A supress\u00e3o do t\u00edtulo em janeiro de 1964 deve ser lida nesse quadro mais amplo de deslocamentos. A not\u00edcia publicada no <em>The Monitor<\/em>, em 17 de janeiro daquele ano, sob o t\u00edtulo \u201cThree Titular Eastern Patriarchates dropped in ecumenical move\u201d, registrava que a Santa S\u00e9 deixara de manter os patriarcados latinos titulares de Constantinopla, Alexandria e Antioquia, apresentando a medida como gesto de car\u00e1ter ecum\u00eanico. A forma documental dessa supress\u00e3o foi discreta e incomum: n\u00e3o se conhece bula, constitui\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, <em>motu proprio<\/em> ou decreto p\u00fablico de Paulo VI que tenha abolido formalmente esses patriarcados titulares. A consulta \u00e0 <em>Acta Apostolicae Sedis<\/em> de 1964 n\u00e3o aponta, ao menos de modo evidente, um ato pontif\u00edcio espec\u00edfico de supress\u00e3o; a mudan\u00e7a tornou-se vis\u00edvel sobretudo pela retirada dos patriarcados latinos de Constantinopla, Alexandria e Antioquia do <em>Annuario Pontificio<\/em> desse ano. A medida deve ser situada tamb\u00e9m no contexto imediato do encontro entre Paulo VI e o patriarca ecum\u00eanico Aten\u00e1goras I em Jerusal\u00e9m, no mesmo m\u00eas de janeiro de 1964, acontecimento que tornou vis\u00edvel uma nova disposi\u00e7\u00e3o romana para remover, ou ao menos deixar cair discretamente, s\u00edmbolos herdados da rivalidade latino-oriental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Em estreita conex\u00e3o com isso, o Conc\u00edlio Vaticano II (1962\u20131965) formularia, em linguagem doutrinal e pastoral, alguns elementos da reorienta\u00e7\u00e3o eclesiol\u00f3gica e ecum\u00eanica que ajuda a tornar intelig\u00edvel a retirada dos t\u00edtulos latinos. O decreto <em>Orientalium Ecclesiarum<\/em>, promulgado em 21 de novembro de 1964, reconheceu a dignidade das Igrejas Orientais Cat\u00f3licas, suas disciplinas pr\u00f3prias e o valor da antiga institui\u00e7\u00e3o patriarcal oriental; no mesmo dia, o decreto <em>Unitatis redintegratio<\/em> situou a restaura\u00e7\u00e3o da unidade entre os crist\u00e3os entre os prop\u00f3sitos principais do Conc\u00edlio (Salachas, 2004). Como a supress\u00e3o dos patriarcados latinos titulares ocorreu antes desses decretos, n\u00e3o se deve apresent\u00e1-los como sua causa direta, nem como simples aplica\u00e7\u00e3o antecipada de uma orienta\u00e7\u00e3o conciliar j\u00e1 plenamente definida. O que se percebe, antes, \u00e9 uma converg\u00eancia parcial de linguagem, sensibilidade e dire\u00e7\u00e3o: a retirada desses t\u00edtulos se insere no mesmo deslocamento pelo qual Roma come\u00e7ava a evitar, ao menos em certos gestos simb\u00f3licos e administrativos, a duplica\u00e7\u00e3o latina de antigas sedes orientais e a reconhecer com maior clareza que o Oriente crist\u00e3o era composto por Igrejas dotadas de mem\u00f3ria, autoridade, disciplina, rito e hist\u00f3ria pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Ao mesmo tempo, a decis\u00e3o incidia sobre t\u00edtulos nascidos da experi\u00eancia das Cruzadas justamente num momento em que a Alexandria crist\u00e3 efetivamente existente se tornava interlocutora por outras vias. No Egito de Gamal Abdel Nasser, o Patriarcado Copta Ortodoxo era conduzido por Cirilo VI, eleito em 1959, cuja rela\u00e7\u00e3o com o Estado eg\u00edpcio adquiriu forte visibilidade p\u00fablica: Meinardus (1999) registra suas boas rela\u00e7\u00f5es com o governo, o lan\u00e7amento da pedra fundamental da nova Catedral de S\u00e3o Marcos por Nasser em 1965 e a consagra\u00e7\u00e3o do templo em 1968. A conjuntura n\u00e3o permite transformar a supress\u00e3o do t\u00edtulo latino em efeito direto da pol\u00edtica eg\u00edpcia, mas ajuda a compreender o novo desconforto simb\u00f3lico: enquanto patriarcados alexandrinos efetivos \u2013 copta ortodoxo, copta cat\u00f3lico, greco-ortodoxo \u2013 continuavam a existir, e mesmo o t\u00edtulo greco-cat\u00f3lico melquita de Alexandria se vinculava a uma Igreja Oriental viva, a dignidade latina aparecia cada vez mais como duplica\u00e7\u00e3o sem base pastoral pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Nos anos seguintes, essa mudan\u00e7a de clima ganharia express\u00e3o mais concreta na aproxima\u00e7\u00e3o cat\u00f3lico-copta. Em 1968, a Igreja Cat\u00f3lica Romana devolveu \u00e0 Igreja Copta Ortodoxa uma rel\u00edquia de S\u00e3o Marcos, epis\u00f3dio de forte valor simb\u00f3lico para uma S\u00e9 alexandrina que constru\u00edra sua mem\u00f3ria apost\u00f3lica em torno do Evangelista. J\u00e1 sob Shenouda III, os contatos teol\u00f3gicos foram intensificados tamb\u00e9m pela atua\u00e7\u00e3o da funda\u00e7\u00e3o <em>Pro Oriente<\/em>, sob a lideran\u00e7a do cardeal Franz K\u00f6nig de Viena e de Philipp Harnoncourt, que desde 1971 promoveu encontros entre te\u00f3logos cat\u00f3licos romanos e coptas ortodoxos sobre as quest\u00f5es cristol\u00f3gicas abertas desde Calced\u00f4nia. Entre 4 e 10 de maio de 1973, Shenouda III visitou Paulo VI em Roma, acompanhado por metropolitas eg\u00edpcios e et\u00edopes; nessa ocasi\u00e3o, os dois pont\u00edfices assinaram uma declara\u00e7\u00e3o comum sobre a f\u00f3rmula cristol\u00f3gica de S\u00e3o Cirilo de Alexandria \u2013 \u201cuma natureza do Verbo encarnado\u201d \u2013 e institu\u00edram uma comiss\u00e3o de estudos destinada a sustentar as consultas teol\u00f3gicas entre cat\u00f3licos romanos e coptas ortodoxos. A visita teve ainda forte densidade simb\u00f3lica: era a primeira vez, desde Calced\u00f4nia, em 451, que um papa eg\u00edpcio visitava oficialmente a S\u00e9 de Roma, e Paulo VI ofereceu a Shenouda III uma rel\u00edquia de Santo Atan\u00e1sio, no contexto das comemora\u00e7\u00f5es dos mil e seiscentos anos da morte do patriarca alexandrino (Meinardus, 1999; N\u2019Guessan, 2019). Assim, a supress\u00e3o de 1964 n\u00e3o deve ser explicada por um \u00fanico ato ou causa isolada, mas por uma mudan\u00e7a de clima: a passagem de uma l\u00f3gica de substitui\u00e7\u00e3o e duplica\u00e7\u00e3o latina para uma linguagem, ainda gradual e imperfeita, de reconhecimento, interlocu\u00e7\u00e3o e busca de di\u00e1logo com as Igrejas Orientais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Encerrava-se, assim, o arco iniciado no contexto das Cruzadas. O t\u00edtulo nascera de uma geografia de conquista e sobrevivera como dignidade curial, mas j\u00e1 se tornara cada vez menos compat\u00edvel com uma orienta\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica que passava a privilegiar o reconhecimento e a interlocu\u00e7\u00e3o com as Igrejas efetivamente existentes no Egito. Alexandria continuava a importar para Roma, mas, precisamente por isso, j\u00e1 n\u00e3o podia ser preservada apenas como dignidade latina sem territ\u00f3rio, comunidade ou fun\u00e7\u00e3o pastoral. Em 1964, n\u00e3o se apagou a C\u00e1tedra de Marcos Evangelista da mem\u00f3ria cat\u00f3lica; retirou-se dela uma camada honor\u00edfica que j\u00e1 n\u00e3o servia \u00e0 rela\u00e7\u00e3o renovada com as Igrejas Orientais concretas.<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><em>Acta Apostolicae Sedis: commentarium officiale. Annus LVI, series III, vol. VI<\/em>. Cidade do Vaticano: Typis Polyglottis Vaticanis, 1964.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><em>Annuario Pontificio per l\u2019anno 1960<\/em>. Cidade do Vaticano: Tipografia Poliglotta Vaticana, 1960.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><em>Annuario Pontificio per l\u2019anno 1964<\/em>. Cidade do Vaticano: Tipografia Poliglotta Vaticana, 1964.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Atiya, A. S. Crusades, Copts and the. In. Atiya, A. S.; Atiya, L.; Torjesen, K. J. &amp; Gabra, G. (orgs.). <em>The Coptic Encyclopedia Claremont<\/em>. Claremont: CGU School of Religion, 1991, v. 2, pp. 663b-665b. Dispon\u00edvel online em <a href=\"https:\/\/cdm15831.contentdm.oclc.org\/digital\/collection\/cce\/id\/547\/rec\/1\">https:\/\/cdm15831.contentdm.oclc.org\/digital\/collection\/cce\/id\/547\/rec\/1<\/a> (acesso: maio 2026).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Cappelletti, L. Primado ou hegemonia?&nbsp; A hist\u00f3ria&nbsp; de&nbsp; uma&nbsp; separa\u00e7\u00e3o.&nbsp; <em>30Giorni<\/em>. Roma, v. 22, n. 1, 2004, s. p.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Cruz, A. B. C. <em>Intera\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-religiosas no Egito em \u00e9poca de transi\u00e7\u00e3o: o caso do Patriarcado Copta de Alexandria do papado de Benjamin ao de Sim\u00e3o (622-701), seus antecedentes e imediatos desdobramentos<\/em>. Tese de Doutorado em Hist\u00f3ria. Rio de Janeiro: PPGH\/UERJ 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Davis, S. J. <em>The Early Coptic Papacy: the Egyptian Church and its leadership in Late Antiquity<\/em>. Cairo &amp; Nova Iorque: The American University in Cairo Press, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Fedalto, G. <em>La Chiesa Latina in Oriente<\/em>. 2\u00aa ed. Verona: Mazziana, 1981.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Fortescue, A. Patriarch and Patriarchate. In: Herbermann, C. G. <em>et alli<\/em> (orgs.). <em>The Catholic Encyclopedia<\/em>. New York: Robert Appleton Company, 1911. Dispon\u00edvel online em <a href=\"https:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/11549a.htm\">https:\/\/www.newadvent.org\/cathen\/11549a.htm<\/a> (acesso: maio 2026).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Griffith, S. H. <em>The Church in the shadow of the Mosque: christians and muslims in the World of Islam<\/em>. Princeton &amp; Oxford: Princeton University Press, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Hamilton, B. <em>The Latin Church in the Crusader States: the Secular Church<\/em>. London: Variorum, 1980.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Khater, A.. &amp; Burmester, O. H. E. (org., trad., intr. e notas). <em>History of the Patriarchs of the Egyptian Church, known as the History of the Holy Church, by S\u0101w\u012brus al-Muqaffa&#8217;, bishop of al-Ashm\u016bn\u012bn. V 3. pt. 1: The lives of Macarius II to John V (AD 1102-1167)<\/em>. Cairo: Societ\u00e9 d&#8217;Arch\u00e9ologie Copte, 1968.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Khater, A.. &amp; Burmester, O. H. E. (org., trad., intr. e notas). <em>History of the Patriarchs of the Egyptian Church, known as the History of the Holy Church, by S\u0101w\u012brus al-Muqaffa&#8217;, bishop of al-Ashm\u016bn\u012bn. V 4: Cyril III ibn Laklak (AD 1216-1243)<\/em>. Cairo: Societ\u00e9 d&#8217;Arch\u00e9ologie Copte, 1974, 2 pt.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Mas-Latrie, L. Les patriarches latins d\u2019Alexandrie. <em>Revue de L\u2019Orient Latin<\/em>. Paris, Ernest Leroux, v. 4, n. 1, 1896, pp. 1-12.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Meinardus, O F. A. <em>Two thousand years of Coptic Christianity<\/em>. Cairo &amp; Nova Iorque: The American University in Cairo Press, 1999.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">N\u2019Guessan, M. H. L\u2019\u00c9glise Copte Orthodoxe et l\u2019\u00c9glise Catholique: relecture du dialogue bilat\u00e9ral et perspectives d\u2019avenir. <em>Proche-Orient Chr\u00e9tien<\/em>. Paris, Cairn.info, v. 69, nn. 1-2, 2019, pp. 84-98. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/shs.cairn.info\/revue-proche-orient-chretien-2019-1-page-84\">https:\/\/shs.cairn.info\/revue-proche-orient-chretien-2019-1-page-84<\/a> (acesso em: maio 2026).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Powell, J. M. <em>Anatomy of a Crusade: 1213-1221<\/em>. Filad\u00e9lfia: University of Pennsylvania Press, 1986.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Salachas, D. Las Iglesias Orientales y Ortodoxas en los decretos conciliares <em>Unitatis redintegratio<\/em> y <em>Orientalium Ecclesiarum<\/em>. <em>Di\u00e1logo Ecum\u00e9nico<\/em>. Salamanca, Universidad Pontificia de Salamanca, v. 39, nn. 124-125, 2004, pp. 507-536. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/centromanuellarrain.uc.cl\/images\/pdf\/vaticano2\/UnitatisRedintegratio\/URSalachaOrientalesOrtodoxas.pdf\">https:\/\/centromanuellarrain.uc.cl\/images\/pdf\/vaticano2\/UnitatisRedintegratio\/URSalachaOrientalesOrtodoxas.pdf<\/a> (acesso em: maio 2026).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Skreslet, S. H. <em>The greeks in medieval islamic Egypt: a melkite<\/em> dhimmi <em>community under the Patriarch of Alexandria (640-1095)<\/em>. Tese de Doutorado em Filosofia. New Haven: Yale University, 1987.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Swanson, M. N. <em>The Coptic Papacy in Islamic Egypt: 641\u20131517<\/em>. Cairo &amp; Nova Iorque: The American University in Cairo Press, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Three Titular Eastern Patriarchates dropped in ecumenical move. <em>The Monitor<\/em>, San Francisco, 17 jan. 1964. <em>Catholic News Archive<\/em>. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.thecatholicnewsarchive.org\/?a=d&amp;d=MNB19640117-01.2.111\">https:\/\/www.thecatholicnewsarchive.org\/?a=d&amp;d=MNB19640117-01.2.111<\/a> (acesso: maio 2026).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Wipszycka, E. <em>The Alexandrian Church: people and institutions<\/em>. Vars\u00f3via: Journal of Juristic Papyrology, 2015.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Doutor em Hist\u00f3ria pelo PPGH\/UERJ (2015-2019). Membro do Grupo de Estudos em Hist\u00f3ria do Oriente Crist\u00e3o (GEHOC). Professor de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica das Redes Municipais de Angra dos Reis e Paraty (RJ). Curr\u00edculo Lattes: <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7356386509536437\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/lattes.cnpq.br\/7356386509536437<\/a>. Academia.edu: <a href=\"https:\/\/independent.academia.edu\/CruzAlfredo\"vtarget=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/independent.academia.edu\/CruzAlfredo<\/a>. E-mail: <a href=\"mailto:bccruz.alfredo@gmail.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bccruz.alfredo@gmail.com<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Agrade\u00e7o de modo muito especial a Lu\u00eds Felipe Lobianco e Murilo Moreira de Souza, companheiros de lida no GEHOC, que me deram o benef\u00edcio de ler e comentar com muita aten\u00e7\u00e3o uma vers\u00e3o anterior do texto aqui apresentado. \u00c9 evidente, contudo, que as conclus\u00f5es e eventuais problemas deste escrito s\u00e3o de minha inteira responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"citationSection\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 08 de Setembro de 2026.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> CRUZ, Alfredo Bronzato da Costa. Alexandria em latim: Cruzada, dignidade titular e mem\u00f3ria eclesi\u00e1stica. <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 08 de set. 2026. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/alexandria-em-latim-cruzada-dignidade-titular-e-memoria-eclesiastica\/\">https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/alexandria-em-latim-cruzada-dignidade-titular-e-memoria-eclesiastica\/<\/a> Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alfredo Bronzato da Costa Cruz[1] Entre as antigas sedes patriarcais do cristianismo, Alexandria ocupa lugar de particular densidade hist\u00f3rica. Associada \u00e0 mem\u00f3ria apost\u00f3lica de S\u00e3o Marcos, ao florescimento intelectual do cristianismo grego, \u00e0s controv\u00e9rsias trinit\u00e1rias e cristol\u00f3gicas dos s\u00e9culos IV e V, ao monaquismo eg\u00edpcio e \u00e0 longa experi\u00eancia das comunidades crist\u00e3s sob dom\u00ednio isl\u00e2mico, &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/alexandria-em-latim-cruzada-dignidade-titular-e-memoria-eclesiastica\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1170,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_jetpack_hide_featured_image":false,"_jetpack_featured_image_duplicate_dismissed":0,"footnotes":""},"class_list":["post-7413","page","type-page","status-publish","hentry","nodate","item-wrap"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.8 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Alexandria em latim: Cruzada, dignidade titular e mem\u00f3ria eclesi\u00e1stica - POIEMA<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/alexandria-em-latim-cruzada-dignidade-titular-e-memoria-eclesiastica\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Alexandria em latim: Cruzada, dignidade titular e mem\u00f3ria eclesi\u00e1stica - POIEMA\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Alfredo Bronzato da Costa Cruz[1] Entre as antigas sedes patriarcais do cristianismo, Alexandria ocupa lugar de particular densidade hist\u00f3rica. 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