{"id":7221,"date":"2026-04-01T10:00:00","date_gmt":"2026-04-01T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=7221"},"modified":"2026-04-01T10:33:22","modified_gmt":"2026-04-01T13:33:22","slug":"a-buchada-silvestre-em-bestiarios-medievais","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/a-buchada-silvestre-em-bestiarios-medievais\/","title":{"rendered":"A &#8216;buchada&#8217;\u00b9silvestre  em besti\u00e1rios medievais"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Rory MacLellan <a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Haggis Studies<\/em>, Vol. 89, No. 3 (Summer, 2026), pp. 94-96.<\/p>\n\n\n\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Os Manuscritos Cotton, que incluem preciosidades como Beowulf, Gawain e o Cavaleiro Verde, e a Magna Carta, quase se perderam para a posteridade em um inc\u00eandio desastroso h\u00e1 tr\u00eas s\u00e9culos. Colecionados pelo antiqu\u00e1rio e membro do Parlamento Sir Robert Cotton (1571-1631), 1\u00ba baronete, os manuscritos foram armazenados na Casa Ashburnham, em Westminster. Em 23 de outubro de 1731, uma fa\u00edsca da lareira incendiou a viga acima dela, e o fogo logo se alastrou para a biblioteca adjacente. O bibliotec\u00e1rio, Dr. Bentley, fugiu das chamas de camisola e touca, apenas com o Codex Alexandrinus, a B\u00edblia completa mais antiga, debaixo do bra\u00e7o. Conforme o fogo se intensificava, livros foram atirados pelas janelas para serem salvos. Apenas treze manuscritos foram completamente destru\u00eddos, mas muitos foram danificados, alguns reduzidos a fragmentos.<\/p>\n\n\n\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Os restos desses manuscritos foram posteriormente reunidos em ma\u00e7os ou caixas sob a refer\u00eancia &#8220;Fragmentos de Manuscritos Cotton&#8221; (Cotton MS Fragments). Juntamente com o restante da Cole\u00e7\u00e3o Cotton, eles foram transferidos para o Museu Brit\u00e2nico, ap\u00f3s sua funda\u00e7\u00e3o em 1753. Sir Frederic Madden (1801-73), curador de manuscritos do museu de 1837 a 1866, dedicou muitas horas \u00e0 triagem e reconstru\u00e7\u00e3o dos fragmentos, identificando com sucesso muitos textos perdidos<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. No entanto, as cinco folhas de pergaminho que comp\u00f5em os Fragmentos XXXIII do Manuscrito Cotton conseguiram confundi-lo, assim como gera\u00e7\u00f5es de pesquisadores desde ent\u00e3o. Embora sejam alguns dos maiores fragmentos sobreviventes, cada um com quase o tamanho de uma folha inteira, est\u00e3o t\u00e3o queimados que se tornaram ileg\u00edveis. At\u00e9 agora, apenas algumas palavras puderam ser decifradas aqui e ali. O f\u00f3lio (ou seja, a p\u00e1gina) 1 parece ser uma c\u00f3pia do s\u00e9culo XII do Fingal de Ossian, enquanto o f\u00f3lio 2 cont\u00e9m as primeiras passagens de um texto necrom\u00e2ntico \u00e1rabe atribu\u00eddo a um Abdul al-[aqui o fragmento termina], mas \u00e9 o f\u00f3lio 4 que \u00e9 mais relevante para o crescente campo da taigeisologia<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. Seu conte\u00fado, perdido para os estudiosos por quase tr\u00eas s\u00e9culos, foi finalmente resgatado.<\/p>\n\n\n\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A folha mede 270 mm de comprimento no lado esquerdo e 170 mm de largura, com uma \u00e1rea de texto de 210 mm por 140 mm. O texto est\u00e1 em uma caligrafia g\u00f3tica cursiva do final do s\u00e9culo XIII, com letras &#8220;g&#8221; e &#8220;s&#8221; semelhantes \u00e0s usadas no scriptorium da Abadia de Holyrood, sugerindo uma poss\u00edvel origem. Uma inicial decorada em tons de azul com floreios vermelhos \u00e9 a \u00fanica decora\u00e7\u00e3o da folha. Qualquer iluminura representando o animal foi perdida. O texto, no entanto, agora \u00e9 decifr\u00e1vel por meio de imagens multiespectrais (MSI).<\/p>\n\n\n\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A imagem multiespectral (MSI, na sigla em ingl\u00eas) \u00e9 frequentemente usada no estudo de manuscritos danificados como estes. Uma t\u00e9cnica n\u00e3o invasiva, envolve fotografias tiradas usando diferentes comprimentos de onda (como infravermelho ou ultravioleta) para revelar textos que foram apagados, sobrescritos ou, como neste caso, obscurecidos por danos causados pelo fogo. A MSI foi realizada internamente na Biblioteca Brit\u00e2nica em Fragmentos do Manuscrito Cotton XXXIII, f\u00f3lio 4, em janeiro de 2025, usando um Sistema de Imagem MegaVision Cultural Heritage EV. As imagens infravermelhas, em particular, mostraram quase todo o texto desta folha, revelando que ela faz parte de um besti\u00e1rio escoc\u00eas do final do s\u00e9culo XIII, que cont\u00e9m o \u00fanico relato medieval sobrevivente do <em>haggis scoticus<\/em>, a Buchada Silvestre.<\/p>\n\n\n\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Os besti\u00e1rios eram um g\u00eanero popular de texto medieval, apresentando relatos de v\u00e1rios animais, reais e imagin\u00e1rios, descrevendo sua anatomia, comportamento e ciclo de vida. Eles se baseavam em autoridades pr\u00e9vias \u2014 a Hist\u00f3ria Natural de Pl\u00ednio, o texto grego do s\u00e9culo III, <em>Physiologus<\/em>, e as Etimologias de Isidoro de Sevilha, uma enciclop\u00e9dia do in\u00edcio da Idade M\u00e9dia \u2014 mas filtrados por uma forte vis\u00e3o de mundo crist\u00e3<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">O texto descreve a natureza do haggis\/buchada, referenciando Pl\u00ednio, oferece a analogia religiosa tradicional e descreve os usos medicinais do animal, fornecendo-nos o primeiro relato completo de como os escoceses medievais entendiam essas criaturas fascinantes. Uma edi\u00e7\u00e3o do texto \u00e9 apresentada abaixo, traduzida do latim original.<\/p>\n\n\n\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><strong>Londres, British Library, Cotton MS Fragments XXXII, f. 4r<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">O haggis recebe seu nome do haw, o fruto do pilriteiro, que, segundo a lenda, ele come subindo nos arbustos<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. Como descreve Pl\u00ednio em sua Hist\u00f3ria Natural: o haggis\/buchada \u00e9 uma pequena criatura, semelhante a um ouri\u00e7o sem espinhos e com pelos longos por todo o corpo<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. Seu inimigo \u00e9 a raposa<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>. Caso um haggis\/buchada encontre uma raposa, ele se enterrar\u00e1 no ch\u00e3o para se esconder.<\/p>\n\n\n\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Existem dois tipos de buchada. O primeiro tem as pernas esquerdas mais curtas do que as direitas e, por isso, circula as montanhas em dire\u00e7\u00e3o ao sol (sentido hor\u00e1rio). O segundo tem as pernas direitas mais curtas do que as esquerdas e circula as montanhas no sentido aposto ao sol<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>. Devido a essas diferen\u00e7as, se um tipo de haggis\/buchada tentar acasalar com um do outro tipo, o macho, desequilibrado, cair\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">O haggis d\u00e1 \u00e0 luz todos os outonos. Quando um haggis\/buchada deseja copular, sobe \u00e0s montanhas, onde faz sua morada entre os cardos, e o macho oferece \u00e0 sua f\u00eamea um ramo de urze. Ela come o ramo e \u00e9 imediatamente seduzida, engravidando. Os buchinhos<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> nascem sem pelos e com pequenas garras. Embora Pl\u00ednio afirme que animais com garras raramente t\u00eam filhotes mais de uma vez, devido aos danos que causam ao se movimentarem no \u00fatero, esse n\u00e3o \u00e9 o caso do haggis\/buchada.<\/p>\n\n\n\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Sua espinha dorsal \u00e9 s\u00f3lida, e por isso o haggis\/buchada \u00e9 incapaz de andar para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Para tratar um ferimento no p\u00e9, pegue a garra de um haggis\/buchada, recite os nomes da Sant\u00edssima Trindade sobre ela e amarre-a ao p\u00e9 ferido durante a noite.<\/p>\n\n\n\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Em sua juventude, S\u00e3o Kentigern pregou ao haggis\/buchada. Nosso Senhor Jesus Cristo \u00e9 como uma buchada, pois sua carne tamb\u00e9m nos sustenta, e a baixa estatura da besta mostra sua humildade, pois, como ele disse: &#8220;Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o&#8221;<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> \nRory MacLellan \u00e9 um historiador especializado na Gr\u00e3-Bretanha do final da Idade M\u00e9dia, nas cruzadas e nas ordens militares. Esta \u00e9 sua primeira incurs\u00e3o no crescente campo dos estudos sobre o haggis.<\/p>\n\n\n\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a>NT: Cumpre assinalar que, ante a especificidade etnogastron\u00f4mica do Haggis, oriundo da Esc\u00f3cia, opta-se por sua &#8216;tradu\u00e7\u00e3o transatl\u00e2ntica&#8217; aproximativa como \u201cbuchada\u201d. N\u00e3o obstante a inequ\u00edvoca disjun\u00e7\u00e3o taxon\u00f4mica entre ambos os referentes, tal expediente justifica-se pela admiss\u00edvel converg\u00eancia fenot\u00edpica e pela analogia funcional que, sob perspectiva filogen\u00e9tico-cultural, se revela heur\u00edsticamente suficiente para os prop\u00f3sitos deste texto.<\/p>\n<!-- \/wp:post-content -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Andrew Prescott, \u2018\u2018Their Present Miserable State of Cremation\u2019: the Restoration of the Cotton Library\u2019, in C. J. Wright (ed.), <em>Sir Robert Cotton as Collector: Essays on an Early Stuart Courtier and His Legacy<\/em>, (London, The British Library, 1997), pp. 391-454.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Sir Robert Cotton adquiriu v\u00e1rios manuscritos e itens da cole\u00e7\u00e3o do Dr. John Dee (1527-1608), mago da corte da Rainha Elizabeth I da Inglaterra, incluindo seu espelho de adivinha\u00e7\u00e3o, agora no Museu Brit\u00e2nico, 1966,1001.1. Os Fragmentos XXXII, f. 2 do manuscrito Cotton podem ter sido outra heran\u00e7a oculta da biblioteca de Dee.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Frequentemente, as entradas apresentam uma hist\u00f3ria aleg\u00f3rica crist\u00e3, como a do pelicano, que supostamente \u00e9 atacado por seus pr\u00f3prios filhotes e os mata em leg\u00edtima defesa. Ap\u00f3s tr\u00eas dias, o pelicano derrama seu pr\u00f3prio sangue, que pinga sobre seus filhotes e os ressuscita, um sacrif\u00edcio comparado pelos autores medievais ao sacrif\u00edcio de Cristo em favor da humanidade pecadora.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Aqui, o autor oferece uma etimologia reversa usando a palavra do ingl\u00eas antigo &#8220;haga&#8221;, que significa espinheiro ou pilriteiro. No entanto, sabe-se que o <em>haggis scoticus<\/em> moderno, pelo menos, detesta o cheiro das bagas de espinheiro, que s\u00e3o usadas para afastar buchadas errante dos terrenos de cultivo na Esc\u00f3cia. &#8220;Haga&#8221; tamb\u00e9m pode significar cerca, como as que ainda s\u00e3o necess\u00e1rias para proteger as planta\u00e7\u00f5es contra os ataques do haggis selvagem, e \u00e9 em torno dessa explica\u00e7\u00e3o etimol\u00f3gica que se formou um consenso acad\u00eamico: A. M. McLeod, <em>Haggis: A History<\/em> (Edinburgh, Edinburgh University Press, 2017), p. 2. O fato de seu nome derivar de um termo do ingl\u00eas antigo sugere que o haggis foi ca\u00e7ado pela primeira vez pelos anglo-sax\u00f5es de Lothians e Borders, antes que essas terras se tornassem parte do Reino da Esc\u00f3cia no s\u00e9culo XI.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> N\u00e3o consegui encontrar nenhuma refer\u00eancia ao haggis nos manuscritos existentes das obras de Pl\u00ednio. \u00c9 poss\u00edvel que o escritor medieval estivesse confundindo o haggis com outro animal, embora o relato aqui apresentado n\u00e3o corresponda ao de nenhuma outra criatura na Hist\u00f3ria Natural. Mais provavelmente, ele estava inventando uma autoridade anterior para dar mais peso ao seu relato.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> Essa tradi\u00e7\u00e3o de animosidade era conhecida por outros escritores medievais. Uma das hist\u00f3rias menos conhecidas de Reynard, a Raposa, o personagem sat\u00edrico antropom\u00f3rfico medieval, apresenta Haron, o Haggis, que trabalha para o n\u00eamesis de Reynard, Isengrim, o lobo, e espiona a raposa disfar\u00e7ando-se de coelho: Edinburgh, National Library of Scotland, Adv.MS.16.1.11, ff. 29v-32v.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> A ideia de que todos os haggis s\u00e3o do tipo Deasil Haggis (que em escoc\u00eas significa &#8220;sabe-se do sol&#8221;) ou de seu equivalente, o Petril Haggis, continua sendo um equ\u00edvoco bastante difundido. Como d\u00e9cadas de estudos sobre taigeisologia demonstraram, dentre todas as variedades de haggis, apenas uma apresenta essa curiosa adapta\u00e7\u00e3o: o Highland Haggis (<em>haggis scoticus wonkycus<\/em>).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> Em Latim: \u2018haggiculi\u2019.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p  style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> Mateus 11:29. Essa cita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 usada na entrada padr\u00e3o do besti\u00e1rio para o unic\u00f3rnio, novamente para mostrar a suposta humildade da criatura, semelhante \u00e0 de Cristo.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<div class=\"citationSection\">\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 01 de Abril de 2026.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> MACLELLAN, Rory. A \u2018buchada&#8217; silvestre  em besti\u00e1rios medievais. Tradu\u00e7\u00e3o: Luiz Guerra. <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 01 de abr. 2026. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/a-buchada-silvestre-em-bestiarios-medievais\">https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/a-buchada-silvestre-em-bestiarios-medievais\/<\/a> Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n<\/div>\n<!-- \/wp:paragraph -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rory MacLellan [1] Haggis Studies, Vol. 89, No. 3 (Summer, 2026), pp. 94-96. Os Manuscritos Cotton, que incluem preciosidades como Beowulf, Gawain e o Cavaleiro Verde, e a Magna Carta, quase se perderam para a posteridade em um inc\u00eandio desastroso h\u00e1 tr\u00eas s\u00e9culos. 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