{"id":7066,"date":"2025-11-25T12:00:00","date_gmt":"2025-11-25T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=7066"},"modified":"2025-11-25T12:01:31","modified_gmt":"2025-11-25T15:01:31","slug":"memoria-percepcao-historica-e-fato-historico-o-exemplo-de-ricardo-iii-da-inglaterra","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/memoria-percepcao-historica-e-fato-historico-o-exemplo-de-ricardo-iii-da-inglaterra\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3ria, percep\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e fato hist\u00f3rico: o exemplo de Ricardo III da Inglaterra"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: right;\">Beatriz Breviglieri Oliveira<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> As narrativas hist\u00f3ricas que encontramos em livros escolares, acad\u00eamicos e at\u00e9 mesmo em certos romances e obras de fic\u00e7\u00e3o, seguem uma longa tradi\u00e7\u00e3o did\u00e1tica Ciceriana que busca a compreens\u00e3o do presente e do futuro da humanidade atrav\u00e9s do olhar direcionado ao passado. Tais hist\u00f3rias estariam repletas de li\u00e7\u00f5es, avisos e met\u00e1foras que nos dariam rumo e dire\u00e7\u00e3o em nossas vidas. Seriam capazes de formar n\u00e3o apenas quem somos mas tamb\u00e9m nossas identidades como povo de determinado lugar e sentido de pertencimento ao mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Marc Bloch (2002) tamb\u00e9m escreve que devemos compreender o presente pelo passado e, atrav\u00e9s de uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica, compreender o passado pelo presente. Paul Ric\u0153ur (2006) nos ensina que a Hist\u00f3ria \u00e9 dependente da mem\u00f3ria e vice-versa e tamb\u00e9m que devemos ter aten\u00e7\u00e3o ao trabalhar com a mem\u00f3ria e ter em conta as suas manipula\u00e7\u00f5es. Nesse sentido, nos debru\u00e7amos sobre a combina\u00e7\u00e3o (n\u00e3o necessariamente volunt\u00e1ria) da tr\u00edade mem\u00f3ria, percep\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e fato hist\u00f3rico, e na maneira com que certas abordagens e constru\u00e7\u00f5es acerca de uma evento hist\u00f3rico e\/ou o entendimento e sua compreens\u00e3o, sobretudo pelo p\u00fablico geral, acerca de determinado assunto ou personagem, tornem-se turvas. Sendo assim, atrav\u00e9s do exemplo do rei Ricardo III da Inglaterra (1454-1485), vislumbraremos como essas tr\u00eas facetas podem construir uma vis\u00e3o hist\u00f3rica duradoura.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> As primeiras biografias do rei foram escritas ainda durante seu curto reinado entre 1483 e 1485. Nesse momento inicial, tinham um car\u00e1ter bajulador e enaltecer da figura r\u00e9gia, como encontramos no <em>Rous Roll, <\/em>uma cr\u00f4nica armorial pr\u00f3-Yorkista escrita por John Rous (c.1420-1492). Contudo, quando os primeiros relatos de desarmonia dentro da Casa de York come\u00e7aram a surgir, ao mesmo tempo em que a emerg\u00eancia de um poss\u00edvel novo l\u00edder (que finalmente unisse um reino dividido e destru\u00eddo por anos de guerra civil), na pessoa de Henrique Tudor avan\u00e7a contra Ricardo III, as narrativas come\u00e7am a mudar. \u00c9 nesse momento que o autor publica uma outra obra: o <em>Historia Regum Angliae<\/em> ou Hist\u00f3ria dos Reis da Inglaterra, que abordaremos adiante.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> Em termos de cronologia e contemporaneidade com o reinado de Ricardo III, a obra de 1483 intitulada <em>De Occupatione Regni Anglie per Riccardum Tercium<\/em> do cl\u00e9rigo e humanista italiano Dominic Mancini, \u00e9 uma das pe\u00e7as chaves para compreender a forma\u00e7\u00e3o da tr\u00edade que mencionamos anteriormente. Ela descreve os eventos que se passaram na Inglaterra entre a morte de Eduardo IV e a coroa\u00e7\u00e3o de Ricardo III em cerca de oito cap\u00edtulos escritos em latim. Apesar de alguns problemas por parte do autor como a poss\u00edvel falta de familiaridade com a l\u00edngua inglesa, omiss\u00e3o de relatos e o uso de fontes secund\u00e1rias para compor a sua narrativa, a obra de Mancini ainda permanece um dos mais detalhados relatos em &#8220;primeira m\u00e3o\u201d sobre os acontecimentos da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> Mancini revela tr\u00eas elementos centrais para a cria\u00e7\u00e3o da imagem de Ricardo III. O primeiro deles seria o protetorado. Escreve que ap\u00f3s a morte de Eduardo IV, seu irm\u00e3o, o ent\u00e3o Duque de Gloucester foi nomeado o protetor do reino at\u00e9 a maioridade do pr\u00edncipe Eduardo. Os dois elementos seguintes, revela o autor,&nbsp; est\u00e3o relacionados com a ambi\u00e7\u00e3o de Ricardo e seu desejo pelo trono, aqui exemplificados atrav\u00e9s da reclus\u00e3o dos pr\u00edncipes herdeiros na Torre de Londres e, por fim, o artif\u00edcio conhecido como <em>Titulus Regius, <\/em>apresentado ao Duque de Gloucester que o encaminha como \u00fanica op\u00e7\u00e3o ao trono ingl\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> O autor, que intitula seu primeiro cap\u00edtulo como \u201cOs motivos que supostamente levaram Ricardo a usurpar o trono de seus sobrinhos\u201d, descreve que o duque tinha &#8220;ambi\u00e7\u00e3o e desejo pelo poder\u201d (Armstrong apud Mancini, 1984, 61) e portanto, acaba por fim destruindo \u2013 fisicamente e moralmente \u2013 os filhos de seu irm\u00e3o e assumindo o trono. E ressalta:<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; margin-top: 10px; margin-left: calc(10vw + 8rem); font-size: 11pt;\">Corria um boato sinistro na capital de que o duque (Ricardo) teria tomado seu sobrinho n\u00e3o para t\u00ea-lo em seus cuidados, mas para t\u00ea-lo em seu poder, com o intuito de obter a coroa para si. Em meio aos boatos, o Duque de Gloucester escreveu ao Conselho e ao chefe da cidade, a quem chamam de prefeito (Armstrong apud Mancini, 1984, 81).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> De fato, o desaparecimento e subsequente morte dos \u201cpr\u00edncipes da Torre\u201d (Eduardo e Ricardo, filhos do falecido rei Eduardo IV), tornou-se rapidamente uma lenda que percorre at\u00e9 os dias atuais no imagin\u00e1rio ingl\u00eas. O destino dos pr\u00edncipes e a suposta premedita\u00e7\u00e3o do Duque de Gloucester para tomar o trono, tamb\u00e9m tornam-se parte de uma grande mitologia, se assim podemos dizer, sobre Ricardo III. Segundo o autor, os pr\u00edncipes foram vistos cada vez com menos frequ\u00eancia at\u00e9 que, eventualmente, desaparecem por completo. O autor n\u00e3o sabe bem o que se passou mas ao escrever sobre o acontecimento, ressaltando em particular o destino do jovem rei Eduardo V, nos informa que &#8220;se ele foi morto, e de que forma morreu, at\u00e9 o momento, ainda n\u00e3o descobri.\u201d (Armstrong, apud Mancini, 1984, 93).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> Essa d\u00favida do autor n\u00e3o demonstra efetivamente neutralidade quanto aos acontecimentos que ocorrerem na Torre. O que, na verdade, acaba por ser demonstrado atrav\u00e9s de obras posteriores, \u00e9 o quanto a narrativa de Mancini acaba por influenciar (mesmo que parcialmente) a vis\u00e3o negativa sobre Ricardo III que \u00e9 constru\u00edda nos anos seguintes ao seu reinado, at\u00e9 meados do s\u00e9culo XVI.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> Sobre o uso do <em>Titulus Regius,<\/em> o autor escreve que o te\u00f3logo, Dr. Ralph Shaa,&nbsp;&nbsp; teria sido instrumental na ascens\u00e3o do duque ao trono uma vez que foi ele que proclamou em pra\u00e7a p\u00fablica, um serm\u00e3o que derivaria do documento apontado. O discurso inclu\u00eda, entre outros apontamentos, a suposta origem bastarda de Eduardo IV, a inelegibilidade do Conde de Warwick ao trono e o pr\u00e9 contrato de casamento entre Eduardo IV e Lady Eleanor Butler, o que de fato, tornavam o casamento do rei com Elizabeth Woodville, inv\u00e1lido. Em suma, havia apenas uma pessoa capaz e apta a governar o reino e essa pessoa seria o Duque de Gloucester.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> O documento acaba por gerar diversos impactos na corte (juramentos de lealdade e fidelidade dos nobres perante o novo rei, entre outras), que eventualmente culminam na coroa\u00e7\u00e3o de Gloucester como Ricardo III da Inglaterra. E, o ocorrido acaba por ser incorporado ao primeiro parlamento do rec\u00e9m entronado rei, em 26 de junho de 1483. Dada a sua import\u00e2ncia, esse relato tamb\u00e9m \u00e9 reproduzido em cr\u00f4nicas posteriores, como a Cr\u00f4nica de Croyland e a obra de Sir Thomas More sobre Ricardo III.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> Ao final de sua obra, Mancini encontramos a indica\u00e7\u00e3o de uma profecia que referia-se ao fato de que tr\u00eas reis em tr\u00eas meses tomariam posse da Inglaterra (Armstrong, apud Mancini, 1984, 105). Sabe-se que existiram diversas profecias sobre os reinados ingleses que derivavam j\u00e1 do in\u00edcio da Idade M\u00e9dia. Um dos exemplos seria a chamada \u201cProfecia de Merlin\u201d, que falaria sobre o destino de seis reis ingleses que sucederiam Jo\u00e3o I, o Sem-Terra. A mesma ideia de um futuro prof\u00e9tico tamb\u00e9m \u00e9 encontrada nas cr\u00f4nicas de Polydore Vergil, Edward Hall e Raphael Holinshed.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> Aqui, ainda no in\u00edcio do reinado de Ricardo III, \u00e9 constru\u00edda o que seria o in\u00edcio de uma imagem negativa, uma <em>bad press<\/em>, um certo \u201ccancelamento&#8221; (na linguagem atual) do rei, atrav\u00e9s n\u00e3o s\u00f3 de obras como a de Mancini mas tamb\u00e9m de outros mecanismos de propaganda. Tal repercuss\u00e3o causou ou acabou por influenciar um cisma na Casa de York que passou a ser repartido entre a fac\u00e7\u00e3o da rainha Elizabeth Woodville (em acordos com a Casa de Lancaster) e a fac\u00e7\u00e3o de Ricardo III.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> Essa instabilidade pol\u00edtico-social acaba por facilitar a entrada de Henrique Tudor na Inglaterra e a consolida\u00e7\u00e3o da fac\u00e7\u00e3o da rainha atrav\u00e9s da uni\u00e3o de sua filha, a princesa Elizabeth de York, com o futuro rei Henrique VII. Em outras palavras, Ricardo III estava virtualmente isolado dentro de sua pr\u00f3pria fac\u00e7\u00e3o enquanto seus rivais arquitetavam a sua iminente queda.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> Em seguimento a Mancini, John Rous com a sua <em>Historia regum Angliae, <\/em>mant\u00e9m a mesma narrativa mas acrescenta as caracter\u00edsticas monstruosas que tanto definiram Ricardo III no imagin\u00e1rio popular, ao escrever que:<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; margin-top: 10px; margin-left: calc(10vw + 8rem); font-size: 11pt;\">permaneceu no ventre de sua m\u00e3e por dois anos e emergiu com dentes e cabelos at\u00e9 a altura dos ombros. Nasceu no dia da Festa das Onze Mil Virgens. Em sua natividade, Escorpi\u00e3o estava em ascens\u00e3o, o signo pertencente a casa de Marte. E tal qual um escorpi\u00e3o, combinou o semblante tranquilo e a cauda venenosa. (Hanham apud Rous,1975, p. 120)<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> Nesse trecho, o autor faz refer\u00eancia ao nascimento monstruoso de Ricardo III, assim como \u00e0 sua natureza animalesca e as caracter\u00edsticas da agressividade, viol\u00eancia, raiva, manipula\u00e7\u00e3o, que seriam retratadas como inerentes ao rei por Shakespeare. Ademais, a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de sua apar\u00eancia deformada, refletiria uma distor\u00e7\u00e3o interna, na alma, entendida na \u00e9poca como puni\u00e7\u00e3o divina (que tamb\u00e9m pode ser acrescida devido aos seus supostos crimes contra seus sobrinhos). Para al\u00e9m disso, Rous compara Ricardo III ao pr\u00f3prio Anticristo que afunda a Inglaterra em um per\u00edodo sombrio, de persegui\u00e7\u00f5es e medo. Essa imagem seria uma oposi\u00e7\u00e3o \u00e0quele que viriam resgatar e restaurar a Inglaterra, a vis\u00e3o do Cristo salvador, personificado por Henrique Tudor (futuro Henrique VII) que triunfaria sobre o mal.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> William Shakespeare, no final do s\u00e9culo XVI, utiliza das mesmas narrativas, juntamente com o favorecimento e legitimidade da dinastia Tudor em formato teatral, para compor a imagem final de Ricardo III; aquela que foi e \u00e9 transmitida por gera\u00e7\u00f5es de atores, h\u00e1 s\u00e9culos. A vis\u00e3o desse rei mal\u00e9fico, deformado e manipulador transpassou os palcos do <em>Globe Theatre <\/em>e chegou aos nossos lares em diversos formatos, inclusive atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o de conte\u00fado online.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> Em 2012, quando o esqueleto do rei foi encontrado, em parte pelo patroc\u00ednio da <em>Richard III Society<\/em> (sociedade dedicada a \u201climpar o nome\u201d do rei), acendeu-se a discuss\u00e3o sobre quem realmente foi esse monarca. Novos debates sobre sua imagem foram reacendidos mas a for\u00e7a do imagin\u00e1rio popular que gira em torno de Ricardo III n\u00e3o foi capaz de ser superada. Como aponta Aleida Assmann, houve uma \u201cmonumentaliza\u00e7\u00e3o\u201d da imagem de Ricardo III, que est\u00e1 diretamente relacionada com a identidade nacional inglesa, com a maneira como foram solidificadas as rela\u00e7\u00f5es sociais e culturais entre povo e monarquia, entre a ascens\u00e3o da dinastia Tudor e sua consolida\u00e7\u00e3o no trono de Inglaterra entre o s\u00e9culo XVI e in\u00edcio do s\u00e9culo XVII (Assmann, 2011, p. 87).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> A autora ainda nos lembra que inesquec\u00edvel \u00e9 o que est\u00e1 afetivamente carregado (Assmann, 2011, p. 88). Ou seja, se voltarmos no tempo em que a pe\u00e7a foi concebida, estamos falando de uma combina\u00e7\u00e3o entre a recorda\u00e7\u00e3o de fatos por gera\u00e7\u00f5es mais antigas ou que realmente foram transmitidos de pai para filho, no qual existem sentimentos associados com a mem\u00f3ria pessoal e coletiva desse passado hist\u00f3rico recente, que \u00e9 subjetiva e pode combinar fato e fic\u00e7\u00e3o. Nesse processo de seletividade da mem\u00f3ria, acaba-se por constituir um bloco que \u00e9 lembrado e descartamos aquilo que, com o tempo, \u201ccai no esquecimento\u201d mas, que na realidade, trata-se de um fruto dessa sele\u00e7\u00e3o, uma manipula\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria lembran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"> Essas constru\u00e7\u00f5es, mais ou menos deliberadas dessas figura hist\u00f3rica, encontram-se justamente atreladas aquela tr\u00edade do in\u00edcio: a mem\u00f3ria de quem fez o relato, a percep\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do ocorrido que passa, necessariamente por um filtro de ju\u00edzo de valor (que, por sua vez, est\u00e1 diretamente relacionado com as nossas viv\u00eancias e condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, culturais e pol\u00edticas) e que \u00e9 por fim, confrontada pelo fato hist\u00f3rico, registrado em diversos documentos que, ao serem comparados, nos proporcionam uma melhor an\u00e1lise do acontecimento e da pr\u00f3pria figura hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">ASSMANN, Aleida. <strong>Espa\u00e7os da Recorda\u00e7\u00e3o. Formas e <\/strong>Transforma\u00e7\u00f5es da Mem\u00f3ria Cultural. Tradu\u00e7\u00e3o de Paulo Soethe. Campinas: Editora da Unicamp, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">BLOCH. Marc. <strong>Apologia a Hist\u00f3ria ou o Of\u00edcio do Historiador. <\/strong>Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">CICERO, Marcus Tullius. <strong>De Oratore. <\/strong>Cambridge, Mass: Harvard University Press, 1957.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">HANHAM, Alison. <strong>Richard III and His Early Historians 1483-1535. <\/strong>Oxford: Claredon Press, 1975.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">HATTAWAY, Michael. (ed.) <strong>A Companion to English Renaissance Literature and Culture. <\/strong>Oxford: Blackwell Publishing, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">___________,_______. (ed.)<strong>The Cambridge Companion to Shakespeare\u2019s History Plays. <\/strong>Cambridge: Cambridge University Press, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">KINGSFORD, Charles L. <strong>English Historical Literature in the Fifteenth Century. <\/strong>Londres: Claredon Press, 1913.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">MANCINI, Dominic; ARMSTRONG, Charles A. J. (ed.) <strong>The Usurpation of Richard III. <\/strong>2. ed. Oxford: Alan Sutton, 1984.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">OLIVEIRA, Beatriz B. <strong>Ricardo III: <\/strong>A Constru\u00e7\u00e3o de Mem\u00f3ria. 2020. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria Social) \u2013 Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas, Universidade de S\u00e3o Paulo, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">RICOEUR, Paul; BLAMEY, K. e PALLAUER, D. (Trad.) <strong>Memory, History and Forgetting<\/strong>.Chicago: Chicago University Press, 2006. Nova Edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Doutoranda em Hist\u00f3ria Medieval pela Universidade de Lisboa (beatriz.oliveira2@edu.ulisboa.pt). https:\/\/lattes.cnpq.br\/9409276877029448<\/p>\n\n\n\n<div class=\"citationSection\">\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 25 de Novembro de 2025.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> OLIVEIRA, Beatriz Breviglieri. Mem\u00f3ria, percep\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e fato hist\u00f3rico: o exemplo de Ricardo III da Inglaterra. <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 25 nov. 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/memoria-percepcao-historica-e-fato-historico-o-exemplo-de-ricardo-iii-da-inglaterra\/\">https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/memoria-percepcao-historica-e-fato-historico-o-exemplo-de-ricardo-iii-da-inglaterra\/<\/a> Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beatriz Breviglieri Oliveira[1] As narrativas hist\u00f3ricas que encontramos em livros escolares, acad\u00eamicos e at\u00e9 mesmo em certos romances e obras de fic\u00e7\u00e3o, seguem uma longa tradi\u00e7\u00e3o did\u00e1tica Ciceriana que busca a compreens\u00e3o do presente e do futuro da humanidade atrav\u00e9s do olhar direcionado ao passado. 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