{"id":7015,"date":"2025-10-14T12:00:00","date_gmt":"2025-10-14T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=7015"},"modified":"2026-02-06T14:55:58","modified_gmt":"2026-02-06T17:55:58","slug":"entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/","title":{"rendered":"Entre a devo\u00e7\u00e3o e a rebeli\u00e3o: a dupla face de Constantina nas fontes antigas"},"content":{"rendered":"\n<p><p style=\"text-align: right;\">Tha\u00eds de Almeida Rodrigues<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Ela era filha do imperador que selou a alian\u00e7a entre o poder imperial e o cristianismo, irm\u00e3 de um dos governantes mais implac\u00e1veis do s\u00e9culo IV e esposa de um c\u00e9sar acusado de crueldade. Constantina, a princesa que desafiou o destino, n\u00e3o se contentou em ser apenas uma pe\u00e7a no tabuleiro pol\u00edtico do Imp\u00e9rio Romano. Enquanto a hist\u00f3ria a retratou como santa ou tirana, sua verdadeira hist\u00f3ria \u00e9 a de uma mulher que usou a f\u00e9, a ast\u00facia e at\u00e9 a viol\u00eancia para sobreviver em um mundo de homens \u2014 e deixou seu nome gravado em mosaicos, mausol\u00e9us e nas p\u00e1ginas controversas das cr\u00f4nicas antigas. Quem foi, afinal, essa figura que oscilou entre a devo\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e as sombras do poder imperial? Prepare-se para conhecer a vida dupla de Constantina<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Apesar de n\u00e3o ocupar cargos formais, as fontes sugerem uma atua\u00e7\u00e3o decisiva da princesa nos bastidores do poder. Filost\u00f3rgio, historiador eclesi\u00e1stico simp\u00e1tico a Const\u00e2ncio II e Galo, descreve Constantina como Augusta e figura pol\u00edtica leg\u00edtima, destacando sua autoridade nas negocia\u00e7\u00f5es com Vetr\u00e2nio. J\u00e1 Amiano Marcelino, militar pag\u00e3o e cr\u00edtico dos membros da corte, a retrata como uma mulher ambiciosa, cruel e desequilibrada, respons\u00e1vel por fomentar persegui\u00e7\u00f5es e instigar o marido \u00e0 viol\u00eancia. Essas vers\u00f5es contradit\u00f3rias revelam tanto os preconceitos de seus autores quanto a centralidade de Constantina nas disputas por legitimidade e poder no s\u00e9culo IV.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: center; font-size: 10pt;\">Figura 1 &#8211; Gravura de Constantina publicada em 1553<\/p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"434\" height=\"316\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-7017\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><p style=\"text-align: center; font-size: 10pt;\"> Fonte: STRADA, Jacopo. Epitome Thessauri Atiquitatum, 1553, p.188.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Constantina era uma das filhas de Constantino e Fausta. Aos 12 anos, ela foi casada com seu primo Hanibaliano, nomeado &#8220;Rei dos Reis&#8221; para conter ambi\u00e7\u00f5es persas na Arm\u00eania (PLRE, 1971, p. 407). Ap\u00f3s a morte de Constantino em 337, um violento expurgo eliminou v\u00e1rios membros da fam\u00edlia imperial, incluindo o meio-irm\u00e3o do imperador, J\u00falio Const\u00e2ncio, e seu sobrinho Hanibaliano (marido de Constantina), al\u00e9m de outros parentes da linhagem de Teodora (Filost.&nbsp;III 1; Amm. Marc. XIV, 1.2). Ordenado por Const\u00e2ncio II, o massacre visava eliminar potenciais rivais \u00e0 sucess\u00e3o, consolidando o poder dos tr\u00eas filhos leg\u00edtimos de Constantino (Constantino II, Constante e Const\u00e2ncio II). Entre as v\u00edtimas estava tamb\u00e9m Dalm\u00e1cio, irm\u00e3o de Hanibaliano e pai do futuro imperador Juliano, que sobreviveu por ser ainda crian\u00e7a (Jul,&nbsp;<em>Ad. Ath.<\/em> 270c-d). O epis\u00f3dio, descrito por Amiano como uma &#8220;matan\u00e7a implac\u00e1vel&#8221; (Amm. Marc. XXI, 16.8), deixou marcas profundas: Galo e Juliano, \u00fanicos sobreviventes masculinos da linhagem de Teodora, foram exilados e vigiados por anos, enquanto Constantina, agora vi\u00fava, foi realocada para Roma \u2014 onde iniciaria sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e religiosa.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Durante sua estadia em Roma, Constantina financiou a constru\u00e7\u00e3o de um importante complexo religioso na Via Nomentana, que inclu\u00eda a Bas\u00edlica de Santa In\u00eas e um mausol\u00e9u destinado a seu pr\u00f3prio sepultamento &#8211; estrutura que hoje leva o nome de Santa Costanza (Dirschlmayer, 2020, p. 468). Essas edifica\u00e7\u00f5es, que combinavam elementos crist\u00e3os e tradicionais romanos, testemunham n\u00e3o apenas sua devo\u00e7\u00e3o religiosa, mas tamb\u00e9m seu papel como patrona das artes e da arquitetura sagrada (Mackie, 1997).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: center; font-size: 10pt;\">Figura 2: Vista frontal do mausol\u00e9u.<\/p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"393\" height=\"323\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7018\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><p style=\"text-align: center; font-size: 10pt;\">Fonte: Wikipedia. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ficheiro:Mausoleo_di_Santa_Costanza_-_esterno.jpg\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ficheiro:Mausoleo_di_Santa_Costanza_-_esterno.jpg<\/a>. Acessado em out\/2024.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: center; font-size: 10pt;\">Figura 3: Mosaico da colheita de uvas<\/p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"568\" height=\"509\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7020\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image-1.jpeg 568w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image-1-400x358.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 568px) 100vw, 568px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><p style=\"text-align: center; font-size: 10pt;\">Detalhe de um dos mosaicos do mausol\u00e9u, representando uma cena de colheita de uvas, com a representa\u00e7\u00e3o de um busto feminino que pode ser Constantina no centro. Fonte: https:\/\/www.walksinrome.com\/mosaics-in-the-church-of-santa-costanza-in-rome.html<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: center; font-size: 10pt;\">Figura 4 &#8211; Mosaico das chaves de S\u00e3o Pedro localizado no mausol\u00e9u de Constantina<\/p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"528\" height=\"352\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image-4.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7022\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image-4.jpeg 528w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image-4-400x267.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 528px) 100vw, 528px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><p style=\"text-align: center; font-size: 10pt;\">Fonte: Wikipedia. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/it.m.wikipedia.org\/wiki\/File:Roma_Costanza_mosaico_chiavi.JPG\">https:\/\/it.m.wikipedia.org\/wiki\/File:Roma_Costanza_mosaico_chiavi.JPG<\/a> Acessado em out\/2024.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A bas\u00edlica de Santa In\u00eas conservava uma importante inscri\u00e7\u00e3o em m\u00e1rmore &#8211; um raro documento de autoria feminina na Antiguidade Tardia &#8211; onde a pr\u00f3pria Constantina declarava sua iniciativa na constru\u00e7\u00e3o do templo: &#8220;Eu, Constantina, venerando a Deus e dedicada a Cristo, tendo custeado todas as despesas com mente devotada, por ordem divina e com o aux\u00edlio de Cristo, consagrei este templo \u00e0 virgem vitoriosa In\u00eas\u201d<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. Esta proclama\u00e7\u00e3o, hoje conhecida apenas atrav\u00e9s de transcri\u00e7\u00f5es medievais, revela a cuidadosa constru\u00e7\u00e3o de sua imagem p\u00fablica. Como observa Jones (2007, p.118), longe de ser uma simples express\u00e3o de piedade, o texto servia como instrumento de autopromo\u00e7\u00e3o, exibindo simultaneamente sua educa\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, generosidade como patrona e ortodoxia religiosa. Embora o m\u00e1rmore original tenha se perdido e grande parte do complexo esteja em ru\u00ednas, estudos como os de Mackie (1997) demonstram como a decora\u00e7\u00e3o do local combinava elementos crist\u00e3os e tradi\u00e7\u00f5es pag\u00e3s &#8211; caracter\u00edstica marcante do per\u00edodo constantiniano. Os mosaicos preservados, com suas vinhas dionis\u00edacas junto a s\u00edmbolos crist\u00e3os, testemunham essa fus\u00e3o cultural, enquanto registros posteriores, como os desenhos de Piranesi no s\u00e9culo XVIII, ajudam a reconstituir o esplendor original deste importante monumento do cristianismo primitivo.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A atua\u00e7\u00e3o de Constantina em Roma insere-se numa tradi\u00e7\u00e3o feminina crist\u00e3 estabelecida desde o s\u00e9culo III, quando mulheres patrocinavam a constru\u00e7\u00e3o de memoriais para rel\u00edquias de m\u00e1rtires (Dirschlmayer, 2020, p. 468). Seu papel na cidade, por\u00e9m, transcendia a esfera religiosa. Enquanto Harries (2014, 212) sugere que ela seguia o modelo de sua av\u00f3 Helena ou atuava como representante de seu irm\u00e3o Constante, Hillner (2017) prop\u00f5e uma leitura mais pol\u00edtica: como mulher, Constantina podia intermediar rela\u00e7\u00f5es com a aristocracia pag\u00e3 &#8211; majorit\u00e1ria em Roma &#8211; sem as limita\u00e7\u00f5es cerimoniais que afetavam os homens da fam\u00edlia imperial.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A base material de sua atua\u00e7\u00e3o inclu\u00eda propriedades como a vila mencionada por Amiano Marcelino (XXI, 1, 5), provavelmente herdada de sua m\u00e3e Fausta atrav\u00e9s da&nbsp;<em>bona materna<\/em>&nbsp;&#8211; pr\u00e1tica romana que garantia aos filhos o usufruto dos bens maternos (Arjava, 1996, p. 99-103). Seus 14 anos em Roma permitiram-lhe ainda consolidar la\u00e7os com parentes paternos, como as tias Eutr\u00f3pia e Anast\u00e1cia (<em>PLRE<\/em>&nbsp;I, Eutropia 2; Anastasia 1), tecendo uma rede de influ\u00eancia \u00fanica para uma princesa do s\u00e9culo IV.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Em adi\u00e7\u00e3o, a presen\u00e7a de Constantina em Roma \u00e9 atestada por uma importante inscri\u00e7\u00e3o (337-340 d.C.) originalmente fixada no pedestal de uma est\u00e1tua de bronze &#8211; hoje perdida &#8211; encomendada pelo oficial Flavio Gaviano, supervisor do tesouro imperial (<em>perfectissimus praepositus rerum privatarum<\/em>). O texto, descoberto pr\u00f3ximo \u00e0 suposta&nbsp;<em>Domus Faustae<\/em>, exaltava sua linhagem divina como &#8220;filha do divino Constantino&#8221; e &#8220;irm\u00e3 dos Augustos Constante e Const\u00e2ncio&#8221; (Hillner, 2018), omitindo deliberadamente o irm\u00e3o Constantino II ap\u00f3s seu conflito com Constante em 340.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Este monumento revela a estrat\u00e9gia de representa\u00e7\u00e3o do poder feminino na Roma do s\u00e9culo IV. Como analisa Hillner (2017, p. 57-58), as mulheres da dinastia constantiniana desempenharam um papel central na ocupa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da cidade: entre 300-450 d.C., suas resid\u00eancias foram mais numerosas e permanentes que as dos homens imperiais. Constantina personificou esse modelo, residindo continuamente em Roma de 337 a 350, enquanto outras como Eus\u00e9bia mantinham visitas regulares. Sua est\u00e1tua, erguida por um alto funcion\u00e1rio, materializava a autoridade indireta que as mulheres imperiais exerciam &#8211; mediando rela\u00e7\u00f5es com a aristocracia romana e legitimando a dinastia atrav\u00e9s de uma presen\u00e7a f\u00edsica constante.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Com o passar dos s\u00e9culos, a figura hist\u00f3rica de Constantina foi reinterpretada pela literatura hagiogr\u00e1fica. Como analisa Burros (2023, p. 157-158), os textos medievais transformaram a princesa imperial em personagem lend\u00e1ria: uma nobre de extraordin\u00e1ria beleza que, ap\u00f3s ser milagrosamente curada da lepra por Santa In\u00eas, teria renunciado ao mundo para viver em castidade. Essa narrativa, que ganhou for\u00e7a entre os s\u00e9culos V e VIII, culminou na sua canoniza\u00e7\u00e3o popular, apagando progressivamente suas a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em favor de uma imagem edulcorada de santidade (Burrus, 2020; 2023).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Na metade do s\u00e9culo IV, o Imp\u00e9rio Romano testemunhou uma s\u00e9rie de levantes que desafiaram a autoridade estabelecida. Embora a historiografia tradicional classifique figuras como Magn\u00eancio, Vetr\u00e2nio e Nepociano como \u201cusurpadores\u201d, essa designa\u00e7\u00e3o carrega ju\u00edzos de valor que merecem reflex\u00e3o. Como observa Icks (2020, p. 8), a legitimidade no mundo romano era constru\u00edda por meio de m\u00faltiplos fatores: desde rituais de investidura e la\u00e7os din\u00e1sticos at\u00e9 o reconhecimento por parte do governante s\u00eanior e o sucesso militar.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de \u201cusurpa\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 anacr\u00f4nica para o per\u00edodo. Autores da Antiguidade Tardia preferiam termos como \u201ctirania\u201d, que enfatizavam uma cr\u00edtica moral ao governo, n\u00e3o necessariamente sua ilegitimidade jur\u00eddica (Omissi, 2018, p. 30-31). Wardman (1984, p. 226, 334) destaca que esses movimentos muitas vezes surgiam nas fronteiras do Imp\u00e9rio, onde a autoridade central era mais fr\u00e1gil. Era comum que l\u00edderes militares buscassem reconhecimento como co-imperadores, sem necessariamente pretender derrubar o regime vigente.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A complexidade desses eventos torna-se ainda mais evidente quando analisamos a terminologia. Como alerta Ventura da Silva (2018, p. 98-99), a ideia do usurpador como um \u201cladr\u00e3o de poder\u201d reflete a perspectiva dos vencedores, que buscavam deslegitimar seus opositores. Na pr\u00e1tica, como demonstra Omissi (2018, p. 21), os crit\u00e9rios para definir um governante como \u201cleg\u00edtimo\u201d ou \u201ctirano\u201d eram fluidos, baseados mais em avalia\u00e7\u00f5es morais do que em princ\u00edpios constitucionais. Os pr\u00f3prios autores antigos, muitas vezes dependentes do patroc\u00ednio imperial, tendiam a retratar o governante do momento como justo e virtuoso, enquanto seus rivais eram pintados como opressores.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Essa contextualiza\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para compreender o papel de figuras como Constantina nos eventos de 350. Seu apoio a Vetr\u00e2nio, por exemplo, pode ser interpretado tanto como uma manobra din\u00e1stica quanto como uma estrat\u00e9gia para preservar a estabilidade do Imp\u00e9rio durante uma crise. Longe de serem meros \u201cusurpadores\u201d, esses atores representavam projetos pol\u00edticos alternativos em um per\u00edodo de profunda transforma\u00e7\u00e3o.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Em 350 d.C., o Imp\u00e9rio Romano enfrentou uma grave crise pol\u00edtica durante o governo conjunto dos irm\u00e3os Constante (ocidente) e Const\u00e2ncio II (oriente). O descontentamento com as medidas de Constante criou o cen\u00e1rio perfeito para a rebeli\u00e3o de Magn\u00eancio, comandante da guarda imperial, que se autoproclamou Augusto durante um banquete em Autun, enquanto o imperador estava ausente em uma ca\u00e7ada nos Pirineus (Crawford, 2016, p. 71-72; Drinkwater, 2017, p. 132).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A a\u00e7\u00e3o de Magn\u00eancio foi meticulosamente planejada, aproveitando a distra\u00e7\u00e3o de Const\u00e2ncio II, ocupado em campanhas contra os persas. Embora inicialmente buscasse apenas o controle do ocidente e o reconhecimento como coimperador (Drinkwater, 2017, p. 137), seu status social inferior \u2013 retratado nas fontes como &#8220;b\u00e1rbaro&#8221; ou ex-escravo (Jul, <em>Or. I<\/em>, 34a; Aur. Vic. 41,25) \u2013 e o assassinato de Constante tornaram esse reconhecimento improv\u00e1vel.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: center; font-size: 10pt;\">Figura 5: Moeda de Magn\u00eancio com cristograma no anverso<\/p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"574\" height=\"285\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image-2.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7019\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image-2.jpeg 574w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image-2-400x199.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 574px) 100vw, 574px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><p style=\"text-align: center; font-size: 10pt;\">Moeda em cobre representando Magn\u00eancio no verso e o cristograma no anverso. Cunhada em Amiens, G\u00e1lia (Fran\u00e7a). Fonte: Britsh Museum, Museum number: 1951,1115.2713. Dispon\u00edvel: (<a href=\"https:\/\/www.britishmuseum.org\/collection\/object\/C_1951-1115-2713\">https:\/\/www.britishmuseum.org\/collection\/object\/C_1951-1115-2713<\/a>) Acesso em: out. 2024.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o de 350, a ascens\u00e3o de Magn\u00eancio encontrou resist\u00eancia com a proclama\u00e7\u00e3o de Vetr\u00e2nio, experiente general il\u00edrio apoiado pela princesa Constantina. Com seu irm\u00e3o Const\u00e2ncio II distante na fronteira persa, o historiador Filost\u00f3rgio (III, 22) atribui \u00e0 princesa a iniciativa de apoiar a proclama\u00e7\u00e3o do general Vetr\u00e2nio, alegando que seu pai Constantino a havia nomeado Augusta. Esta afirma\u00e7\u00e3o divide os estudiosos modernos: enquanto Maraval (2013) e Harries (2014) questionam sua veracidade, destacando a aus\u00eancia de evid\u00eancias epigr\u00e1ficas e numism\u00e1ticas, Barnes (2014) e Tougher (2020) argumentam que sua posi\u00e7\u00e3o preeminente na dinastia ap\u00f3s a morte de Helena poderia justificar tal t\u00edtulo.<\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: center; font-size: 10pt;\">Figura 6 \u2013 Moeda deVetr\u00e2nio com verso anverso<\/p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"516\" height=\"263\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image-3.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7021\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image-3.jpeg 516w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image-3-400x204.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 516px) 100vw, 516px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><p style=\"text-align: center; font-size: 10pt;\">Fonte: Britsh Museum, Museum Code 1950-1006-1467. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.britishmuseum.org\/collection\/object\/C_1950-1006-1467\">https:\/\/www.britishmuseum.org\/collection\/object\/C_1950-1006-1467<\/a> Acessado em out\/2024<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Os eventos subsequentes permanecem obscuros. Fontes antigas apresentam relatos contradit\u00f3rios: Filost\u00f3rgio descreve uma suposta trai\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria de Vetr\u00e2nio, enquanto Juliano (<em>Or. I<\/em>, 30c) enfatiza sua alian\u00e7a com Magn\u00eancio. A historiografia moderna oferece interpreta\u00e7\u00f5es variadas &#8211; Hunt (1998) v\u00ea uma manobra legalista para ganhar tempo, enquanto Antiqueira (2018) destaca o papel coordenado de Constantina e do prefeito Vulc\u00e1cio Rufino. O desfecho, com a pac\u00edfica abdica\u00e7\u00e3o de Vetr\u00e2nio, sugere uma complexa negocia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica onde Constantina parece ter exercido influ\u00eancia decisiva, independentemente de seu t\u00edtulo formal.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Alan Dearn (2003, p. 169) apresenta uma interpreta\u00e7\u00e3o inovadora sobre a proclama\u00e7\u00e3o de Vetr\u00e2nio, argumentando que as evid\u00eancias numism\u00e1ticas demonstram uma clara subordina\u00e7\u00e3o do usurpador a Const\u00e2ncio II. Segundo sua an\u00e1lise, as moedas cunhadas durante esse per\u00edodo n\u00e3o apenas refor\u00e7avam a autoridade da dinastia constantiniana, mas tamb\u00e9m antecipavam a vit\u00f3ria final de Const\u00e2ncio II sobre Magn\u00eancio. Dearn destaca ainda o car\u00e1ter encenado da abdica\u00e7\u00e3o de Vetr\u00e2nio, sugerindo que todo o epis\u00f3dio foi cuidadosamente orquestrado (Dearn, 2003, p. 170).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Complementando essa perspectiva, Bruno Bleckmann (1994) atribui um papel fundamental ao prefeito pretoriano Vulc\u00e1cio Rufino, tio do futuro C\u00e9sar Galo, na articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que levou \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o de Vetr\u00e2nio. Em sua an\u00e1lise, Constantina teria sido convocada por Rufino para legitimar a a\u00e7\u00e3o, aproveitando sua posi\u00e7\u00e3o como membro da fam\u00edlia imperial sediada nos B\u00e1lc\u00e3s. Embora Bleckmann minimize o protagonismo direto da princesa, reconhece que sua participa\u00e7\u00e3o foi essencial para conferir legitimidade ao movimento.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">O prest\u00edgio din\u00e1stico de Constantina ficou evidente quando Magn\u00eancio, durante as negocia\u00e7\u00f5es de paz em 350, solicitou seu casamento como forma de consolidar sua posi\u00e7\u00e3o. Diante da recusa de Const\u00e2ncio II, o usurpador acabou por se unir a Justina, uma jovem parente da dinastia que posteriormente se tornaria esposa do imperador Valentiniano I e m\u00e3e de Valentiniano II (Cooper, 2023). Esse epis\u00f3dio revela como as mulheres da fam\u00edlia constantiniana eram pe\u00e7as-chave nas estrat\u00e9gias de legitima\u00e7\u00e3o pol\u00edtica durante o s\u00e9culo IV.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Em junho de 350, a revolta de Nepociano \u2013 filho de Eutr\u00f3pia, irm\u00e3 de Constantino \u2013 representou mais um desafio ao governo de Magn\u00eancio. Proclamado imperador em Roma com apoio senatorial e popular, seu governo durou apenas 28 dias antes de ser esmagado pelas for\u00e7as de Magn\u00eancio, que executaram Nepociano e sua m\u00e3e (Icks, 2020). Apesar de seu breve reinado, Nepociano buscou legitima\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da cunhagem de moedas que o associavam a Const\u00e2ncio II e \u00e0 dinastia constantiniana (Icks, 2020, p. 29-31).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Filost\u00f3rgio ( III, 22) relata que Const\u00e2ncio II, ao ser informado por cartas sobre as a\u00e7\u00f5es de Constantina e Vetr\u00e2nio contra Magn\u00eancio, inicialmente confirmou a posi\u00e7\u00e3o de Vetr\u00e2nio enviando-lhe um diadema. Contudo, quando o imperador marchou para o Ocidente, acabou por depor Vetr\u00e2nio &#8211; embora lhe concedesse um ex\u00edlio confort\u00e1vel em Prusa. Esta narrativa tem sido objeto de debate entre os estudiosos: enquanto Maraval (2013) e Harries (2014) consideram exagerado o protagonismo atribu\u00eddo a Constantina, Tougher (2020) argumenta que a gravidade da crise (350-351) tornava plaus\u00edvel sua interven\u00e7\u00e3o direta, destacando ainda o interesse de Filost\u00f3rgio por assuntos seculares al\u00e9m dos religiosos (p. 200).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A guerra civil que se seguiu contra Magn\u00eancio teve dois momentos decisivos: a vit\u00f3ria de Const\u00e2ncio II em Mursa Maior (351), que for\u00e7ou Magn\u00eancio a recuar para a G\u00e1lia, e sua derrota final no Monte Seleuco (353), levando-o ao suic\u00eddio. As severas repres\u00e1lias contra os partid\u00e1rios de Magn\u00eancio, descritas por Amiano Marcelino (XV, 5) como particularmente brutais, foram utilizadas pelos opositores de Const\u00e2ncio II para criticar seu governo. Este epis\u00f3dio hist\u00f3rico revela n\u00e3o apenas as complexas din\u00e2micas de poder no s\u00e9culo IV, mas tamb\u00e9m o espa\u00e7o de a\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para mulheres imperiais como Constantina em momentos de crise din\u00e1stica.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Com Const\u00e2ncio II ocupado na campanha contra Magn\u00eancio no Ocidente, a nomea\u00e7\u00e3o de seu primo Galo como C\u00e9sar em 351 visava garantir a defesa das fronteiras orientais. O casamento de Galo com Constantina, realizado em Sirmium, n\u00e3o apenas refor\u00e7ava os la\u00e7os din\u00e1sticos como tamb\u00e9m confirmava a presen\u00e7a da princesa na Il\u00edria durante os eventos anteriores. A transfer\u00eancia do casal para Antioquia, por\u00e9m, gerou controv\u00e9rsias que ecoam at\u00e9 hoje na historiografia.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">As fontes antigas, particularmente Amiano Marcelino (livro XIV) e Lib\u00e2nio (Or. 1), pintam um quadro sombrio do governo de Galo na Antioquia, acusando-o e a Constantina de tirania e crueldade contra a elite local. Essa vis\u00e3o foi perpetuada por breviaristas como Aur\u00e9lio Victor e Eutr\u00f3pio, alinhados com Const\u00e2ncio II. No entanto, E.A. Thompson (1943) questionou essa narrativa tradicional, argumentando que Amiano teria omitido os sucessos militares de Galo e sua popularidade entre as tropas &#8211; uma posi\u00e7\u00e3o que Gilvan Ventura da Silva (2019, p. 22-23) contesta, defendendo a credibilidade do relato de Amiano contra o que chama de &#8220;ilus\u00e3o te\u00f3rico-metodol\u00f3gica&#8221;.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A trajet\u00f3ria pessoal de Galo ajuda a entender seu papel nesse contexto. Nascido entre 325-326 na Etr\u00faria, neto de Const\u00e2ncio Cloro, Galo cresceu longe da corte ap\u00f3s os expurgos de 337 que eliminaram grande parte de sua fam\u00edlia (Bowersock, 1978; Crawford, 2016). Seu casamento com Constantina e nomea\u00e7\u00e3o como C\u00e9sar representavam tanto uma oportunidade quanto um risco para Const\u00e2ncio II, dada a complexa rede de rela\u00e7\u00f5es familiares: Galo era seu primo<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> e cunhado e sobrinho de Vulc\u00e1cio Rufino, influente prefeito pretoriano. Essa intricada teia de alian\u00e7as e lealdades familiares ajuda a explicar tanto a escolha de Galo quanto as posteriores tens\u00f5es em Antioquia.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Apesar de ocupar o cargo de c\u00e9sar, Galo n\u00e3o possu\u00eda grande poder ou autonomia para tomar decis\u00f5es, pois estava sob a supervis\u00e3o direta de homens de confian\u00e7a do Augusto Const\u00e2ncio II (Amm. XIV). Entre esses oficiais estavam o prefeito do pret\u00f3rio do Oriente, Tal\u00e1ssio, o quaestor M\u00f4ncio, o magister equitum Ursicino e o consularis Syriae, Te\u00f3filo (Silva, 2019, p. 22). Embora Const\u00e2ncio II tenha recuperado algumas caracter\u00edsticas do governo tetr\u00e1rquico, o cargo de c\u00e9sar tornou-se quase &#8220;decorativo&#8221;, como observado por Juliano em sua&nbsp;<em>Carta ao Senado e ao Povo de Atenas<\/em>&nbsp;(Jul. ad Ath.). No entanto, isso n\u00e3o impediu que Galo tentasse ampliar seu poder, embora suas a\u00e7\u00f5es tenham desagradado a popula\u00e7\u00e3o urbana (Amm. IV).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Al\u00e9m disso, ao casar sua irm\u00e3 Constantina com Galo, Const\u00e2ncio II parece ter seguido a pol\u00edtica matrimonial de seu pai, Constantino, que buscava manter as mulheres da fam\u00edlia sob controle para evitar que maridos externos aspirassem ao poder. No caso de Galo, o imperador pode ter colocado Constantina ao lado do c\u00e9sar justamente por desconfiar dele, j\u00e1 que Galo poderia guardar ressentimento pelo massacre de sua fam\u00edlia em 337. Contudo, o plano de que Constantina atuasse como conselheira e moderadora falhou; ao inv\u00e9s disso, sua ambi\u00e7\u00e3o pode ter se somado \u00e0 de Galo, exacerbando a situa\u00e7\u00e3o.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Segundo Amiano Marcelino, o casal governou com extrema crueldade em Antioquia. Ele descreve Constantina como uma &#8220;verdadeira F\u00faria&#8221; (<em>Megaera quaedam mortalis<\/em>), que incitava a viol\u00eancia do marido e compartilhava sua sede por sangue (Amm. XIV, 1, 2). Juntos, eles formaram uma rede de espi\u00f5es para perseguir e eliminar membros da elite local, usando acusa\u00e7\u00f5es como feiti\u00e7aria (&#8220;artes proibidas&#8221;) e&nbsp;<em>maiestas<\/em>&nbsp;(trai\u00e7\u00e3o) como pretextos (Amm. XIV, 1, 2-8). Alan J. Ross sugere que essas passagens das&nbsp;<em>Res Gestae<\/em>&nbsp;foram inspiradas nos&nbsp;<em>Anais<\/em>&nbsp;de T\u00e1cito, que relata Nero enviando espi\u00f5es para ca\u00e7ar conspira\u00e7\u00f5es (Ross, 2016, p. 67). Al\u00e9m disso, a situa\u00e7\u00e3o em Antioquia piorou com revoltas populares devido \u00e0 escassez de gr\u00e3os (Silva, 2019, p. 7), aumentando ainda mais o descontentamento contra o governo de Galo e Constantina.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Amiano Marcelino relata um suposto epis\u00f3dio envolvendo o aristocrata Clem\u00e1cio, cuja sogra, n\u00e3o correspondida em sua paix\u00e3o por ele, teria denunciado-o por um crime n\u00e3o especificado a Constantina, que ordenou sua execu\u00e7\u00e3o. Segundo o historiador, esse caso teria desencadeado uma s\u00e9rie de outras execu\u00e7\u00f5es, confiscos de propriedades e ex\u00edlios (Amm.&nbsp; XIV, 1, 4). Ele tamb\u00e9m menciona uma suposta conspira\u00e7\u00e3o contra Galo, denunciada por uma mulher humilde, que foi generosamente recompensada por Constantina\u2014supostamente para incentivar novas dela\u00e7\u00f5es (Amm. XIV, 7, 4). Al\u00e9m disso, Amiano sugere que Galo teve participa\u00e7\u00e3o na queda de Ursicino, seu antigo superior e figura por quem nutria admira\u00e7\u00e3o (Amm. XIV, 9). No entanto, como observa Blockley, Amiano cita apenas tr\u00eas nomes de supostas v\u00edtimas inocentes, o que n\u00e3o seria suficiente para sustentar a narrativa de um governo marcado por um &#8220;banho de sangue&#8221; (Blockley, 1972, p. 436).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Por outro lado, Filost\u00f3rgio oferece uma perspectiva diferente, descrevendo Galo como um militar talentoso cuja reputa\u00e7\u00e3o despertou a inveja de Const\u00e2ncio II, levando o imperador a enviar oficiais para limitar sua influ\u00eancia. Esses oficiais, por\u00e9m, teriam excedido suas fun\u00e7\u00f5es, desrespeitando Galo abertamente. Em um epis\u00f3dio relatado por Filost\u00f3rgio, M\u00f4ncio, um desses oficiais, teria dito a Galo:&nbsp;<em>&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o tem autoridade nem mesmo para nomear um controlador! Como pode matar um prefeito pretoriano?&#8221;<\/em>. Irritada, Constantina teria ordenado a pris\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de M\u00f4ncio e de outro oficial, Domiciano (Philost. III, 28).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Essas execu\u00e7\u00f5es teriam sido o estopim para a convoca\u00e7\u00e3o de Galo por Const\u00e2ncio II, que exigiu sua presen\u00e7a em Mil\u00e3o para prestar esclarecimentos. Segundo Filost\u00f3rgio, Galo, embora temeroso, obedeceu, enquanto Constantina partiu antes na tentativa de interceder por ele. J\u00e1 Amiano Marcelino apresenta uma vers\u00e3o diferente, afirmando que Const\u00e2ncio II teria armado uma cilada, convidando o casal de forma aparentemente amistosa e usando elogios falsos para persuadir Constantina a viajar primeiro, afastando suspeitas (Amm. XIV, 11, 6). Essas narrativas divergentes destacam as diferentes interpreta\u00e7\u00f5es sobre o fim do governo de Galo e o papel de Constantina em sua queda.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: center; font-size: 10pt;\">figura 10 \u2013 Sarc\u00f3fago de Constantina em Porf\u00edrio<\/p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"461\" height=\"364\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image-5.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7023\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image-5.jpeg 461w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image-5-400x316.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 461px) 100vw, 461px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><p style=\"text-align: center; font-size: 10pt;\">Fonte: Museu do Vaticano. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.museivaticani.va\/content\/museivaticani\/it\/collezioni\/musei\/museo-pio-clementino\/sala-a-croce-greca\/sarcofago-di-costanza.html\">https:\/\/www.museivaticani.va\/content\/museivaticani\/it\/collezioni\/musei\/museo-pio-clementino\/sala-a-croce-greca\/sarcofago-di-costanza.html<\/a> Acessado em out\/2024<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Durante sua viagem para interceder junto a Const\u00e2ncio II, Constantina faleceu na Bit\u00ednia, v\u00edtima de uma febre. Segundo Burrus (2020, p. 174), sua morte ocorreu em 18 de fevereiro, data que posteriormente seria associada \u00e0 sua comemora\u00e7\u00e3o no calend\u00e1rio crist\u00e3o. Seu corpo foi transladado para Roma e depositado no mausol\u00e9u que ela mesma havia constru\u00eddo, onde permanece at\u00e9 hoje em um imponente sarc\u00f3fago de p\u00f3rfiro vermelho. A pe\u00e7a \u00e9 ricamente decorada com cenas dionis\u00edacas, como a colheita de uvas, al\u00e9m de figuras de animais e possivelmente um retrato da pr\u00f3pria Constantina. Originalmente instalado em seu mausol\u00e9u, o sarc\u00f3fago foi transferido para a Piazza S. Marco no s\u00e9culo XV e, posteriormente, em 1790, para os Museus Vaticanos, onde hoje se encontra na Sala a Croce Greca, ao lado do sarc\u00f3fago de sua av\u00f3, Helena. Este \u00faltimo, adornado com cenas militares, sugere ter sido originalmente destinado a um homem da fam\u00edlia imperial, como Const\u00e2ncio Cloro ou Constantino (Musei Vaticani).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Com a morte de Constantina, Galo percebeu que sua situa\u00e7\u00e3o se tornara ainda mais perigosa, mas n\u00e3o teve alternativa a n\u00e3o ser comparecer perante Const\u00e2ncio II. De acordo com Filost\u00f3rgio, o imperador ordenou inicialmente que Galo fosse despido da p\u00farpura e exilado na Dalm\u00e1cia (Philost. IV, 1 e 1\u00aa). Te\u00f3filo, o \u00cdndio, que acompanhava Galo, conseguiu adiar temporariamente o banimento, mas acabou exilado pouco depois. Enquanto isso, inimigos de Galo na corte convenceram Const\u00e2ncio II a decretar sua execu\u00e7\u00e3o. Embora o imperador tenha se arrependido e tentado revogar a ordem, o eunuco Eus\u00e9bio impediu que o contra-aviso chegasse a tempo, resultando na morte de Galo (Philost. IV, 1).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Filost\u00f3rgio, embora simpatizante do arianismo professado tanto por Galo quanto por Const\u00e2ncio II, enfrenta um dilema ao narrar esses eventos. Ele admira Galo por seu apoio a figuras arianas como Te\u00f3filo e A\u00e9cio (Philost. III, 27), mas tamb\u00e9m valoriza Const\u00e2ncio II, que promoveu ativamente o arianismo (Philost. III, 2-6; IV, 3-7). Assim, embora critique algumas a\u00e7\u00f5es do imperador, o faz de forma moderada, especialmente em casos graves como a execu\u00e7\u00e3o de Galo (Philost. IV, 1 e 1\u00aa).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Amiano Marcelino oferece uma vers\u00e3o diferente, afirmando que Galo, ao ser acusado, teria atribu\u00eddo suas a\u00e7\u00f5es cru\u00e9is \u00e0 influ\u00eancia de Constantina, o que teria enfurecido ainda mais Const\u00e2ncio II. Segundo Amiano, o imperador, tomado por &#8220;ira incontrol\u00e1vel&#8221;, ordenou a execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria de Galo, que foi decapitado &#8220;como um ladr\u00e3o comum&#8221; (Amm. XIV, 11.22-23).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">J\u00e1 Juliano, em sua&nbsp;<em>Carta ao Senado e ao Povo de Atenas<\/em>, reconhece o temperamento violento de Galo, atribuindo-o \u00e0s trag\u00e9dias familiares e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o negligente que recebeu. No entanto, critica Const\u00e2ncio II por conden\u00e1-lo sem um julgamento justo, baseando-se apenas em rumores (Jul. Ep. Ad Ath. 271-272a). Vale ressaltar que Juliano tinha um conceito rigoroso de&nbsp;<em>paideia<\/em>&nbsp;(Carvalho, 2013), e sua avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa que Galo fosse completamente inculto, j\u00e1 que foi educado como um pr\u00edncipe imperial. Curiosamente, Juliano menciona brevemente Constantina apenas uma vez, ao citar que ela e Galo tiveram uma filha, cujo destino permanece desconhecido ap\u00f3s a morte dos pais (Jul. Ep. Ad Ath. 272d).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Constantina morreu como princesa, mas foi lembrada como santa. Sua trajet\u00f3ria, marcada por alian\u00e7as din\u00e1sticas, disputas imperiais e patronato crist\u00e3o, revela uma figura que transitou entre a devo\u00e7\u00e3o e a ambi\u00e7\u00e3o com habilidade pol\u00edtica not\u00e1vel. Ao mesmo tempo em que interveio em guerras civis e influenciou decis\u00f5es de governo, construiu uma imagem de mulher piedosa e protetora da f\u00e9. Essa ambiguidade \u2014 entre a atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica concreta e a mem\u00f3ria idealizada \u2014 exemplifica como a hist\u00f3ria frequentemente silencia ou distorce as vozes femininas que exerceram poder, seja condenando-as como perigosas, seja canonizando-as como figuras irreais. Recuperar Constantina em sua complexidade \u00e9, portanto, um gesto historiogr\u00e1fico que desafia os limites tradicionais da narrativa pol\u00edtica romana e reabre o espa\u00e7o da mem\u00f3ria para aquelas que moldaram, nos bastidores ou no centro da cena, os rumos do Imp\u00e9rio.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">AMIANO MARCELINO. Historias. Traducci\u00f3n y notas de Carmen Castillo Garc\u00eda, Concepci\u00f3n Alonso del Real Montes e \u00c1lvaro S\u00e1nchez-Ostiz Guti\u00e9rrez. Barcelona: Editorial Gredos, 2010. (Biblioteca Cl\u00e1sica Gredos, 385).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">ANTIQUEIRA, Mois\u00e9s. A abdica\u00e7\u00e3o de Vetrani\u00e3o (350 d.C.) e os resqu\u00edcios do modelo Tetr\u00e1rquico. Hist\u00f3ria (S\u00e3o Paulo) v.37, 2018.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Antti Arjava,&nbsp;<em>Women and Law in Late Antiquity<\/em>&nbsp;(Oxford: Clarendon Press, 1996)<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">AURELIUS VICTOR. Livre des C\u00e9sars. Texte \u00e9tabli et traduit par Pierre Dufraigne. Paris: Les Belles Lettres, 1975.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">BARNES, Timothy D.&nbsp;<em>Constantine: Dynasty, Religion and Power in the Later Roman Empire<\/em>. Oxford: Wiley-Blackwell, 2014.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">BLECKMANN, Bruno.&nbsp;Constantina, Vetranio, and Gallus Caesar.&nbsp;<em>Chiron<\/em>, v. 24, p. 29-68, 1994.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">BOWERSOCK, G. B.&nbsp; Fiction as History. Nero to Julian. Berkeley and Los Angeles, 1993, esp. pp. 1-27.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">BOWERSOCK, Glen Warren. Julian the Apostate. Cambridge; Massachusetts: Harvard University Press, 1978.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">BURRUS, Virginia. An Unstable Heroine: The Life and Lives of Constantina. In: TEMMERMAN, Koen de; VAN PELT, Julie; STAAT, Klazina. Constructing Saints in Greek and Latin Hagiography. Heroes and Heroines in Late Antique and Medieval Narrative. Turnhout: Brepols, 2023. 157-172.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">BURRUS, Virginia. Remembering Constantina at the Tomb of Agnes and Beyond. In: KIM,&nbsp; Young Richard; MCLAUGHLIN, A. E. T. Leadership and Community in Late Antiquity Essays in Honour of Raymond Van Dam. Brepols, 2020.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">COOPER, Kate. Queens of Fallen World: The Lost Women of Augustine\u00b4s Confessions. New York: Basic Books, 2023.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">CRAWFORD, Peter. Constantius II \u2013 Usurpers, Eunuchs and Antichrist. Barnsley: Pens and Sword books, 2016.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">DEARN, A.&nbsp; The Coinage of Vetranio: Imperial Representation and the Memory of Constantine the Great. The Numismatic Chronicle, 163 (2003).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">DIRSCHLMAYER, Michaela. Women in the Family of Constantine. In: CARNEY, Elizabeth; MULLER, Sabine. (editors). The Routledge Companion to women and Monarchy in the Ancient Mediterranean world. London: Routledge, 2020, p.463-476.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">DRINKWATER, John F.&nbsp; The Revolt and Ethnic Origin of the Usurper Magnentius (350\u2013353), and the Rebellion of Vetranio (350). <em>Chiron. Mitteilungen der Kommission f\u00fcr Alte Geschichte und Epigraphik des Deutschen Arch\u00e4ologischen Instituts<\/em>, 30, 2017, 131\u2013159.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">HARRIES, Jill. Empresses\u2019 Tale, ad 300\u2013360. In: HARRISON, Carol; HUMFRESS, Caroline; SANDWELL, Isabella (eds.). Being Christian in Late Antiquity: A Festschrift for Gillian Clark. Oxford: University Press, 2014, p. 197-214.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">HEATHER, Peter. The fall of the Roman Empire. Londres: MacMillan, 2005.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">HILLNER, Julia D. A woman\u2019s place: imperial women in late antique Rome. <em>Antiquite Tardive<\/em>, 2017, 25. pp. 75-94.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">HILLNER, Julia. Constantina, daughter of Constantine, wife of Gallus Caesar, and patron of St. Agnes at Rome.&nbsp;<em>Oxford Classical Dictionary<\/em>, 24 maio 2018. Dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/oxfordre.com\/classics\/view\/10.1093\/acrefore\/9780199381135.001.0001\/acrefore-9780199381135-e-8066\">https:\/\/oxfordre.com\/classics\/view\/10.1093\/acrefore\/9780199381135.001.0001\/acrefore-9780199381135-e-8066<\/a>. Acesso em: 15 jan. 2024.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a><\/a>HUNT, David. The successors of Constantine. In: CAMERON, Averil; GARNSEY, Peter (eds.). The Cambridge Ancient History. v. XIII (The Late Empire A.D. 337-425). Second edition. Cambridge\/New York: Cambridge University Press, 2007 [1998]. p. 1-43.\u200c<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">ICKS, Martijn.&nbsp;Three Usurpers in Rome: The Urbs Aeterna in the Representation of Maxentius, Nepotian, and Priscus Attalus.&nbsp;<em>Studies in Late Antiquity<\/em>, v. 4, n. 1, p. 4-43, 2020.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">JONES, Arnold Hugh Martin; MARTINDALE, John Robert; MORRIS, John (orgs.). The prosopography of the Later Roman Empire. London: Cambridge University Press, v. 1, 1971.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">JONES, Hannah. Agnes and Constantia: Domesticity and Cult Patronage in the Passion of Agnes. In.: COOPER, K.; HILLNER, Julia.&nbsp;<em>Religion, Dynasty and Patronage in Early Christian Rome, 300\u2013900.<\/em> Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2007.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">JULIAN. Orations I \u2013 V. With an English translation by W. C. Wright. Cambridge: Harvard University Press, 1913a. (Loeb Classical Library, 13).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">JULIAN. Orations VI \u2013 VIII. Letters to Themistius, To the Senate and People of Athens, To a Priest. The Caesars. Misopogon. With an English translation by W. C. Wright. Cambridge: Harvard University Press, 1913b. (Loeb Classical Library, 29).<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">LIBANIO. Discursos III. Discursos Julianeos. Introduccti\u00f3n, tradussi\u00f3n y notas de \u00c1ngel Gonz\u00e1les G\u00e1lvez. Madrid: Gredos, 2001.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">MACKIE, Gillian. A new look at the patronage of Santa Costanza, Rome.&nbsp;<em>Byzantion<\/em>, v. 67, n. 2, p. 383-406, 1997.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">MARAVAL, Pierre.&nbsp;Les fils de Constantin : Constantin II (337-340), Constance II (337-361), Constant (337-350)*. Paris: CNRS \u00c9ditions, 2013.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">OMISSI, Adrastos; ROSS, Alan J. Imperial Panegyric from Diocletian to Honorius. Liverpool University Press, 2020.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">PHILOSTORGE. <em>Histoire Eclesiastique<\/em>. Traduction de \u00c9douard des Places; Introduction, r\u00e9vision de la traduction, notes et index de Bruno Bleckmann, Doris Meyer et Jean-Marc Prieur. Les \u00c9ditions du Cerf, 2013.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">ROSS, A. Constantius and the sieges of Amida and Nisibis: Ammianus\u2019 relationship with Julian\u2019s panegyrics.&nbsp;Acta Classica, v. 57, n. annual, p. 127\u2013154, 2014.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">ROSS, A. J. Ammianus\u2019 Julian: narrative and genre in the Res Gestae. Oxford: Oxford University Press, 2016.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">SILVA, Gilvan Ventura da. A escalada dos imperadores proscritos. Estado, conflito e usurpa\u00e7\u00f5es na Antiguidade Tardia (285 \u2013 395). Vit\u00f3ria: GM Editora, 2018.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">SILVA, Gilvan ventura. Medo e f\u00faria pelas ruas da cidade: o governo de Galo C\u00e9sar em Antioquia (351-354).Revista do Museu Arquologia e Etnologia, vol. 32, 2019, p. 18-32.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">THOMPSON, E. A. Ammianus\u2019 account of Gallus Caesar. The American Journal of Philology, v. 64, n\u00ba3, 1943, p. 302-315.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">TOUGHER, S. Eusebia and Eusebius: The Roles and Significance of Constantinian Imperial Women and Court Eunuchs. In: TOUGHER, Shaun; BAKER-BRIAN, Nicholas (orgs). The Sons of Constantine, AD 337-361: In the Shadows of Constantine and Julian. London: Palgrave Macmillan, 2020, p. 185-220.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">WARDMAN, Alan E. \u201cUsurpers and Internal Conflicts in the 4th Century A.D.\u201d <em>Historia: Zeitschrift F\u00fcr Alte Geschichte<\/em> 33, no. 2 (1984): 220\u201337. <a href=\"http:\/\/www.jstor.org\/stable\/4435883\">http:\/\/www.jstor.org\/stable\/4435883<\/a>.<\/p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Doutoranda em Hist\u00f3ria pela UNESP (thais.a.rodrigues@unesp.br). http:\/\/lattes.cnpq.br\/1332380598754923.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Tradu\u00e7\u00e3o do latim para o ingl\u00eas de&nbsp;J. Curran.&nbsp;<em>Pagan City and Christian Capital. Rome in the Fourth Century<\/em>&nbsp;(Oxford University Press, 2000), 128.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> A dinastia constantiniana dividiu-se em dois ramos principais a partir dos casamentos de Const\u00e2ncio I: (1) o ramo de&nbsp;<em>Helena<\/em>, sua primeira esposa (ou concubina), que gerou o futuro imperador Constantino I; e (2) o ramo de&nbsp;<em>Teodora<\/em>, filha do Imperador Maximiano, legitimada por Const\u00e2ncio ap\u00f3s seu casamento pol\u00edtico. O imperador&nbsp;Const\u00e2ncio II&nbsp;(r. 337\u2013361) pertencia ao ramo de&nbsp;<em>Helena<\/em>, como filho de Constantino I e Fausta. J\u00e1 Galo fazia parte do ramo de&nbsp;<em>Teodora<\/em>, sendo filho de J\u00falio Const\u00e2ncio (meio-irm\u00e3o de Constantino I) e de Gala, irm\u00e3 de Vulc\u00e1cio Rufino e Ner\u00e1cio Cereal, figuras que colecionaram cargos importantes na administra\u00e7\u00e3o imperial.<\/p><\/p>\n\n\n\n\n<div class=\"citationSection\">\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 13 de Outubro de 2025.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> RODRIGUES, Thais de Almeida. Entre a devo\u00e7\u00e3o e rebeli\u00e3o:  a dupla face de Constantina nas fontes antigas<strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 13 out. 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/\">https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/<\/a> Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tha\u00eds de Almeida Rodrigues[1] Ela era filha do imperador que selou a alian\u00e7a entre o poder imperial e o cristianismo, irm\u00e3 de um dos governantes mais implac\u00e1veis do s\u00e9culo IV e esposa de um c\u00e9sar acusado de crueldade. Constantina, a princesa que desafiou o destino, n\u00e3o se contentou em ser apenas uma pe\u00e7a no tabuleiro &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1170,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-7015","page","type-page","status-publish","hentry","nodate","item-wrap"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.7 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Entre a devo\u00e7\u00e3o e a rebeli\u00e3o: a dupla face de Constantina nas fontes antigas - POIEMA<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Entre a devo\u00e7\u00e3o e a rebeli\u00e3o: a dupla face de Constantina nas fontes antigas - POIEMA\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Tha\u00eds de Almeida Rodrigues[1] Ela era filha do imperador que selou a alian\u00e7a entre o poder imperial e o cristianismo, irm\u00e3 de um dos governantes mais implac\u00e1veis do s\u00e9culo IV e esposa de um c\u00e9sar acusado de crueldade. Constantina, a princesa que desafiou o destino, n\u00e3o se contentou em ser apenas uma pe\u00e7a no tabuleiro &hellip; Continue lendo\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"POIEMA\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-02-06T17:55:58+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image.gif\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"434\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"316\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"30 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/\",\"url\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/\",\"name\":\"Entre a devo\u00e7\u00e3o e a rebeli\u00e3o: a dupla face de Constantina nas fontes antigas - POIEMA\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image.gif\",\"datePublished\":\"2025-10-14T15:00:00+00:00\",\"dateModified\":\"2026-02-06T17:55:58+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image.gif\",\"contentUrl\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image.gif\",\"width\":434,\"height\":316},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Entre a devo\u00e7\u00e3o e a rebeli\u00e3o: a dupla face de Constantina nas fontes antigas\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/#website\",\"url\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/\",\"name\":\"POIEMA\",\"description\":\"POIEMA UFPel\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Entre a devo\u00e7\u00e3o e a rebeli\u00e3o: a dupla face de Constantina nas fontes antigas - POIEMA","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Entre a devo\u00e7\u00e3o e a rebeli\u00e3o: a dupla face de Constantina nas fontes antigas - POIEMA","og_description":"Tha\u00eds de Almeida Rodrigues[1] Ela era filha do imperador que selou a alian\u00e7a entre o poder imperial e o cristianismo, irm\u00e3 de um dos governantes mais implac\u00e1veis do s\u00e9culo IV e esposa de um c\u00e9sar acusado de crueldade. Constantina, a princesa que desafiou o destino, n\u00e3o se contentou em ser apenas uma pe\u00e7a no tabuleiro &hellip; Continue lendo","og_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/","og_site_name":"POIEMA","article_modified_time":"2026-02-06T17:55:58+00:00","og_image":[{"width":434,"height":316,"url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image.gif","type":"image\/png"}],"twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Est. tempo de leitura":"30 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/","url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/","name":"Entre a devo\u00e7\u00e3o e a rebeli\u00e3o: a dupla face de Constantina nas fontes antigas - POIEMA","isPartOf":{"@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image.gif","datePublished":"2025-10-14T15:00:00+00:00","dateModified":"2026-02-06T17:55:58+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/#primaryimage","url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image.gif","contentUrl":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/10\/image.gif","width":434,"height":316},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/entre-a-devocao-e-a-rebeliao-a-dupla-face-de-constantina-nas-fontes-antigas\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Entre a devo\u00e7\u00e3o e a rebeli\u00e3o: a dupla face de Constantina nas fontes antigas"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/#website","url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/","name":"POIEMA","description":"POIEMA UFPel","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"}]}},"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/7015","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1170"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7015"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/7015\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7160,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/7015\/revisions\/7160"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7015"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}