{"id":7005,"date":"2025-09-30T12:00:00","date_gmt":"2025-09-30T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=7005"},"modified":"2026-02-06T15:00:26","modified_gmt":"2026-02-06T18:00:26","slug":"o-papa-julio-ii-1503-1513-e-o-rei-luis-xii-1498-1515-a-alianca-e-a-ruptura-entre-o-principado-eclesiastico-e-os-barbaros","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/o-papa-julio-ii-1503-1513-e-o-rei-luis-xii-1498-1515-a-alianca-e-a-ruptura-entre-o-principado-eclesiastico-e-os-barbaros\/","title":{"rendered":"O Papa J\u00falio II (1503-1513) e o Rei Lu\u00eds XII (1498-1515): A alian\u00e7a e a ruptura entre o principado eclesi\u00e1stico e os &#8220;B\u00e1rbaros&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: right;\">Jordana Eccel Schio<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A rela\u00e7\u00e3o entre o papa J\u00falio II (1443-1513, pontificado de 1503-1513) e Lu\u00eds XII, rei da Fran\u00e7a (1462-1515, reinado de 1498-1515), foi marcada, ao longo dos primeiros anos do s\u00e9culo XVI, por um per\u00edodo de coopera\u00e7\u00e3o e, posteriormente, de animosidade. Entre os objetivos de J\u00falio II, ap\u00f3s sua elei\u00e7\u00e3o, estava o de restaurar as fronteiras do Principado Eclesi\u00e1stico, mas, nos \u00faltimos anos, se somou a isso o desejo de expulsar as for\u00e7as estrangeiras da Pen\u00ednsula It\u00e1lica, especialmente a Fran\u00e7a. Lu\u00eds XII, sucedendo seu primo Carlos VIII (1470-1498, reinado de 1483-1498), por sua vez, herdou e perseguiu as reivindica\u00e7\u00f5es francesas sobre Mil\u00e3o, que exigia como descendente dos Visconti, e sobre o Reino de N\u00e1poles, ao qual os espanh\u00f3is tamb\u00e9m tinham pretens\u00f5es (Doucet, 1957, p. 297), al\u00e9m de outras regi\u00f5es ao norte da pen\u00ednsula.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">No in\u00edcio, ambos os poderes atuaram em prol da recupera\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios que estavam sob o dom\u00ednio da Rep\u00fablica de Veneza. Algumas terras e fortalezas eram reivindicadas pelo papa, enquanto outras eram reclamadas pelos franceses, espanh\u00f3is e pelo imperador. O cronista florentino, diplomata e chefe das tropas papais, Francesco Guicciardini (1483-1540), escreveu a respeito dos principais eventos pol\u00edticos e militares de sua gera\u00e7\u00e3o, entre eles sobre a articula\u00e7\u00e3o para a forma\u00e7\u00e3o da Liga de Cambrai, nas \u00faltimas semanas de 1508, contra os venezianos. Nos meses seguintes, a mobiliza\u00e7\u00e3o de for\u00e7as resultou em grandes perdas para os advers\u00e1rios, especialmente na Batalha de Agnadello (1509), na qual os homens de armas franceses tiveram um papel decisivo na vit\u00f3ria. Al\u00e9m do envio e do aporte a tropas papais, J\u00falio II tamb\u00e9m se valeu das armas espirituais contra os venezianos, que foram excomungados e sofreram com o interdito.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Na obra <em>Historia d\u2019Italia<\/em>, Guicciardini explanou que o Principado Eclesi\u00e1stico desejava retomar a autoridade sobre Faenza, Rimini e Ravena; o reino franc\u00eas, por sua vez, almejava controlar Cremona, Br\u00e9scia e B\u00e9rgamo; o imperador buscava recuperar o poder em P\u00e1dua, Vicenza e Verona; e os espanh\u00f3is aspiravam a conquistar terras e portos banhados pelo mar Adri\u00e1tico, situados no Reino de N\u00e1poles (Guicciardini, 1971, p. 698). Entretanto, o mesmo autor pontuou que, entre os aliados da Liga de Cambrai, havia desconfian\u00e7as m\u00fatuas, especialmente entre J\u00falio II e o rei franc\u00eas, ainda que formalmente ocupassem o mesmo lado da alian\u00e7a. O papa nutria receios quanto \u00e0s inten\u00e7\u00f5es do arcebispo de Ru\u00e3o (noroeste da Fran\u00e7a) e cardeal Georges d&#8217;Amboise (1460-1510), que exercia as fun\u00e7\u00f5es de legado papal<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> e era um dos principais conselheiros de Lu\u00eds XII. Destacamos que Amboise alimentava ambi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias (Doucet, 1957, p. 293-294) e teve papel ativo na articula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, como para a cria\u00e7\u00e3o da Liga, na cidade de Cambrai, onde atuou como representante tanto do rei franc\u00eas quanto da Igreja (Conti, 1883, p. 383). Al\u00e9m disso, havia em Roma uma crescente preocupa\u00e7\u00e3o com o expressivo volume de tropas francesas se deslocando pela Pen\u00ednsula It\u00e1lica (Guicciardini, 1971, p. 696). O rei franc\u00eas, por sua vez, tamb\u00e9m demonstrava prud\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es com o pont\u00edfice, enviando a Roma homens h\u00e1beis e experientes para tratar diretamente com J\u00falio II, com o objetivo de evitar que este se tornasse um advers\u00e1rio ou um inimigo (Guicciardini, 1971, p. 790).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A tens\u00e3o e a desconfian\u00e7a entre o papa e Lu\u00eds XII foram fatores decisivos que contribu\u00edram para o fim da Liga. J\u00falio II, que h\u00e1 anos acompanhava com preocupa\u00e7\u00e3o as a\u00e7\u00f5es ex\u00e9rcitos franceses, percebeu que os mesmos se tornavam uma amea\u00e7a maior do que os pr\u00f3prios venezianos para a soberania e a restaura\u00e7\u00e3o das fronteiras do Principado Eclesi\u00e1stico. Nos primeiros meses de 1510, o papa concedeu a miseric\u00f3rdia e retirou as censuras espirituais impostas aos venezianos, ap\u00f3s cardeais e homens de sua confian\u00e7a negociarem um acordo composto por diversos termos. Seis embaixadores foram recebidos em Roma e, depois de se ajoelharem diante do pont\u00edfice e pedirem perd\u00e3o, foram reintegrados ao seio da Igreja por meio de uma s\u00e9rie de atos lit\u00fargicos realizados por J\u00falio II.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">O historiador estadunidense Frederic J. Baumgartner (2010, p. 17) argumentou que, ap\u00f3s alcan\u00e7ar esse objetivo, J\u00falio II voltou sua aten\u00e7\u00e3o para a expuls\u00e3o dos chamados por ele de \u201cb\u00e1rbaros\u201d (<em>fuori i barbari<\/em>, no original), iniciando pelos franceses, que eram os mais numerosos entre os estrangeiros presentes na Pen\u00ednsula It\u00e1lica. Em 1510, o papa declarou guerra \u00e0 Fran\u00e7a, decis\u00e3o que pareceu ao chanceler florentino, diplomata, cronista e poeta Nicolau Maquiavel (1469-1527) \u201cuma irresponsabilidade quase insana\u201d (Skinner, 2012, p. 31). No mesmo per\u00edodo, Maquiavel foi enviado \u00e0 Fran\u00e7a para acompanhar de perto as discuss\u00f5es pol\u00edticas e as movimenta\u00e7\u00f5es militares, uma vez que tal cen\u00e1rio colocava os florentinos em uma posi\u00e7\u00e3o desconfort\u00e1vel (Skinner, 2012, p. 23). Em 1511, foi formada a Santa Liga, que, contando com os venezianos como aliados, se voltou contra a Fran\u00e7a. Em outubro do mesmo ano, o rei Fernando II (1452-1516, reinado de 1479-1516), da Espanha, se aliou ao papa, obtendo assim o apoio militar necess\u00e1rio para prosseguir com sua campanha contra os franceses (Skinner, 2012, p. 32).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Pouco tempo depois, os espanh\u00f3is marcharam contra Floren\u00e7a, o que levou \u00e0 capitula\u00e7\u00e3o da autoridade da cidade e permitiu que os M\u00e9dici retomassem o poder, ap\u00f3s dezoito anos de afastamento (Skinner, 2012, p. 32). Essa articula\u00e7\u00e3o teve efeitos que se estenderam, entre outros \u00e2mbitos, ao pr\u00f3prio campo de batalha. Nos meses seguintes, a habilidade militar do comandante franc\u00eas Gaston de Foix (1489-1512), visconde e sobrinho de Lu\u00eds XII, e a vit\u00f3ria em Ravena (1512) n\u00e3o foram suficientes para garantir a perman\u00eancia dos franceses na regi\u00e3o, eles acabaram recuando diante da amea\u00e7a do papa de colocar a Fran\u00e7a sob interdito. Os ex\u00e9rcitos espanh\u00f3is obrigaram os franceses a evacuar Ravena, Parma e Bolonha, recuando al\u00e9m de Mil\u00e3o (Skinner, 2012, p. 32). Tal retirada ocorreu juntamente com a partida do rei e da aristocracia francesa e, em consequ\u00eancia, Mil\u00e3o passou mais uma vez para as m\u00e3os da fam\u00edlia Sforza (Doucet, 1957, p. 297).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Baumgartner (2010, p. 21) apontou que, entre as armas empunhadas por Lu\u00eds XII contra o \u201clobo em pele de cordeiro\u201d, esteve a convoca\u00e7\u00e3o de um conc\u00edlio com o objetivo de depor J\u00falio II, acusando-o de ser um antipapa. A pr\u00e1tica de simonia durante o conclave que o elegeu, al\u00e9m de outros pecados, era a principal acusa\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada contra o pontificado de J\u00falio II. Em 1510, o rei convocou um primeiro conc\u00edlio de bispos franceses, na cidade de Tours, a fim de condenar o papa por fazer guerra contra pr\u00edncipes crist\u00e3os (Britnell, 1993, p. 784). No ano seguinte, em setembro, foi convocado o Conc\u00edlio de Pisa, mas, segundo os registros, somente quatro cardeais, alguns bispos e poucos cl\u00e9rigos participaram, eles declararam J\u00falio um antipapa e nomearam um cardeal da pen\u00ednsula como administrador papal at\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de nova elei\u00e7\u00e3o (Baumgartner, 2010, p. 21). A justificativa apresentada pelos dissidentes era o descontentamento com a conduta papal e a demora na realiza\u00e7\u00e3o das reformas prometidas no conclave que o elegera. A resposta de Roma diante dessa a\u00e7\u00e3o foi a convoca\u00e7\u00e3o do V Conc\u00edlio de Latr\u00e3o (1512-1517), que teve in\u00edcio em abril de 1512 e foi conclu\u00eddo sob o pontificado de Le\u00e3o X (1513-1521). Ap\u00f3s a abertura oficial feita por membros do Col\u00e9gio de Cardeais e mestres de cerim\u00f4nia, os presentes aceitaram a bula do pont\u00edfice que excomungava os participantes de Pisa. Al\u00e9m disso, o documento refor\u00e7ou que apenas o Vig\u00e1rio de Cristo possu\u00eda autoridade para convocar um conc\u00edlio e, por fim, J\u00falio II proclamou suas inten\u00e7\u00f5es de promover uma reforma na Igreja (Baumgartner, 2010, p. 21).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Essa animosidade reverberou tamb\u00e9m entre os homens de letras, visto que diversas obras foram escritas a respeito da imagem de Lu\u00eds XII e, especialmente, de J\u00falio II. No m\u00eas de maio de 1511, o poeta, panflet\u00e1rio e cronista franc\u00eas Jean Lemaire de Belges (1473-1525) redigiu <em>Le Trait\u00e9 de la diff\u00e9rence des schismes et des conciles de l&#8217;\u00c9glise<\/em> em apoio \u00e0 convoca\u00e7\u00e3o do conc\u00edlio promovida por Lu\u00eds XII e respaldada pelo imperador do Sacro Imp\u00e9rio Romano-Germ\u00e2nico, Maximiliano I (1459-1519, imperador de 1508-1519). Ao longo da obra, o autor argumentou que \u201cos cismas foram causados pelos papas e curados pelos conc\u00edlios; a Igreja foi prejudicada pela aus\u00eancia da realiza\u00e7\u00e3o de conc\u00edlios, pela avareza e ambi\u00e7\u00e3o entre o clero e pela imposi\u00e7\u00e3o do celibato clerical obrigat\u00f3rio\u201d<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> (Britnell, 1993, p. 783, tradu\u00e7\u00e3o nossa). Tais afirma\u00e7\u00f5es constitu\u00edam uma provoca\u00e7\u00e3o direta \u00e0s a\u00e7\u00f5es mundanas e exacerbadamente temporais de J\u00falio II. De acordo com a historiadora Jennifer Britnell (1993, p. 783), que examinou o documento, Lemaire manipulou suas fontes com o intuito de apresentar um relato hist\u00f3rico prejudicial ao papado e mais lisonjeiro aos reis da Fran\u00e7a e aos imperadores. O historiador brit\u00e2nico David Potter (2008, p. 312) tamb\u00e9m ponderou que o cronista tinha a inten\u00e7\u00e3o de justificar a pol\u00edtica de Lu\u00eds XII com base em uma narrativa marcada por elementos de hist\u00f3ria cavalheiresca e valores de honra.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A historiadora italiana Ottavia Niccoli (2005, p.\u202fVI) observou que, ainda na Idade M\u00e9dia, na regi\u00e3o correspondente a atual It\u00e1lia, j\u00e1 se manifestavam opini\u00f5es e julgamentos severamente negativos a respeito de padres, frades, cardeais e papas. Essa imagem vexat\u00f3ria se torna particularmente evidente ao se estudar o pontificado de J\u00falio\u202fII, sobretudo ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o da Liga e a posterior aproxima\u00e7\u00e3o com os venezianos. Naquele momento, a inf\u00e2mia deixou as fronteiras da Pen\u00ednsula It\u00e1lica e encontrou resson\u00e2ncia especialmente na Fran\u00e7a. Al\u00e9m dos ataques \u00e0 autoridade temporal, por meio do confronto armado, e \u00e0 autoridade espiritual, por meio dos conc\u00edlios, Lu\u00eds\u202fXII tamb\u00e9m se tornou patrono de um pequeno, por\u00e9m influente grupo de homens de saber, poetas, panflet\u00e1rios e cronistas que produziram textos em tom cr\u00edtico e de protesto contra o papado e contra a figura de J\u00falio\u202fII. Esses escritos n\u00e3o s\u00f3 exaltavam o rei e os feitos dos franceses, mas buscavam acentuar os supostos v\u00edcios e contradi\u00e7\u00f5es do pont\u00edfice. Essa vis\u00e3o negativa perdura at\u00e9 os dias atuais, pois J\u00falio\u202fII e os eventos de seu pontificado continuam entre os mais pol\u00eamicos da hist\u00f3ria da Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Potter (2008, p. 316) mencionou alguns nomes que se destacaram nessa campanha de difama\u00e7\u00e3o, que ganhou for\u00e7a a partir de 1510. O poeta Guillaume Cr\u00e9tin (1460-1525), comp\u00f4s a obra <em>Invective contre la guerre papale<\/em>, dirigida contra os conflitos travados por J\u00falio II contra o rei franc\u00eas. O poeta e dramaturgo Pierre Gringore (1475-1538), por sua vez, publicou diversos poemas contra o pont\u00edfice, como o contundente <em>La Chasse du Cerf des Cerfs<\/em> e <em>L\u2019Espoir de Paix<\/em>. O principal alvo dos ataques era a inclina\u00e7\u00e3o do papa por assuntos temporais e a disposi\u00e7\u00e3o para resolver impasses pela via militar. O religioso, cronista e poeta Jean d\u2019Auton (1466-1528) tamb\u00e9m escreveu diversos poemas, embora poucos tenham resistido ao tempo. Dentre eles, se destaca <em>Epistre du preux Hector transmise au roy Loys XII<sup>e<\/sup> de ce nom compos\u00e9e par frere Jehan d\u2019Authon abb\u00e9 d\u2019Angle<\/em>, que faz refer\u00eancia \u00e0 retomada de Bolonha pelos franceses, em 1511 (Beard, 1969, p. 29), considerada uma derrota para o projeto pol\u00edtico do papa. Louvores \u00e0s guerras empreendidas por Lu\u00eds XII na Pen\u00ednsula It\u00e1lica e cr\u00edticas diretas ao pont\u00edfice tamb\u00e9m aparecem em <em>L\u2019Epistre elegiaque par l\u2019eglise militante<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Potter (2008, p. 313) apontou que hist\u00f3ria, pol\u00edtica e moralidade foram amplamente mobilizadas para justificar a posi\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a diante dos acontecimentos. Assim, autores da corte tamb\u00e9m celebraram os feitos de Lu\u00eds XII. Gringore, por exemplo, publicou, em 1509, a obra <em>L\u2019Entreprise de Venise<\/em>, no contexto da forma\u00e7\u00e3o da Liga de Cambrai. Segundo o historiador, nesse texto, os venezianos, \u00e0 \u00e9poca inimigos da Fran\u00e7a e do papado, foram retratados como opressores arrogantes e avarentos, ademais a constitui\u00e7\u00e3o republicana era denunciada como fonte de desordem (Potter, 2008, p. 315).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A corte de J\u00falio II tamb\u00e9m se cercou de homens de letras, oradores e mestres de cerim\u00f4nia que exaltavam suas a\u00e7\u00f5es e virtudes. O humanista e orador Tommaso Inghirami (1470-1516), conhecido tamb\u00e9m como Fedra, desempenhou um papel importante na corte, especialmente no campo das artes, pois atuou na elabora\u00e7\u00e3o dos programas iconogr\u00e1ficos que seriam executados pelo pintor Rafael Sanzio (1483-1520) (Rijser, 2005, p. 347). O bispo, cronista e mestre de cerim\u00f4nias bolonh\u00eas Paris de Grassis (1450-1528) serviu ao pont\u00edfice em diversos assuntos e integrou a comitiva papal que deixou Roma para reconquistar Bolonha e Perugia, tendo registrado esses epis\u00f3dios em uma esp\u00e9cie de di\u00e1rio posteriormente organizado sob o t\u00edtulo <em>Le Due Spedizioni Militari di Giulio<\/em>. O cronista, poeta e secret\u00e1rio papal Sigismondo dei Conti (1432-1512) serviu a v\u00e1rios papas ao longo de sua vida, mas destacamos sua amizade com J\u00falio II desde o per\u00edodo do cardinalato, quando ambos atuaram em miss\u00f5es diplom\u00e1ticas fora de Roma. Conti \u00e9 autor da obra <em>Historiarum sui temporis<\/em>, que abrange os principais eventos pol\u00edtico-militares desde o pontificado de Sisto IV (1471-1484), tio de J\u00falio II, at\u00e9 1510, quando os venezianos receberam o perd\u00e3o da Igreja. O cronista, por exemplo, descreveu as escaramu\u00e7as contra Perugia e a entrada do papa e sua comitiva em Bolonha. Com base em relatos de testemunhas pr\u00f3ximas, explanou como foi a batalha de Agnadello, a cria\u00e7\u00e3o da Liga, o cerco \u00e0 cidade de P\u00e1dua. Conti tamb\u00e9m participou pessoalmente das negocia\u00e7\u00f5es entre Roma e os venezianos. Por fim, o orador, frade, te\u00f3logo, cronista, humanista e poeta Eg\u00eddio de Viterbo (1472-1532) participou de todo o pontificado de J\u00falio II e foi um dos que proferiram discursos na abertura do quinto Conc\u00edlio. De suas palavras, destacamos a celebra\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio papal, pois \u201cJ\u00falio II utilizou a paz, a clem\u00eancia e a guerra com equidade e justi\u00e7a; pacificou os fi\u00e9is, poupou os contenciosos; e, com guerra e armas, subjugou os orgulhosos\u201d<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> (Gish<em> apud<\/em> Viterbo, 2019, p. 192, tradu\u00e7\u00e3o nossa). O orador concluiu afirmando que \u201co que semeamos em nossos trabalhos \u00e9 breve; enquanto aquilo que colhemos \u00e9 eterno\u201d<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> (Gish<em> apud<\/em> Viterbo, 2019, p. 192, tradu\u00e7\u00e3o nossa), exaltando os feitos de J\u00falio II, pois n\u00e3o eram moment\u00e2neos.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A an\u00e1lise da rela\u00e7\u00e3o entre o papa J\u00falio II e o rei Lu\u00eds XII revela n\u00e3o apenas os embates pol\u00edticos e militares que marcaram os primeiros anos do s\u00e9culo XVI, mas a articula\u00e7\u00e3o de outras for\u00e7as. A alian\u00e7a inicial entre ambos, formada em torno do objetivo comum de conter a expans\u00e3o da Rep\u00fablica de Veneza, rapidamente se converteu em rivalidade declarada, \u00e0 medida que interesses territoriais, desconfian\u00e7as m\u00fatuas e projetos de soberania incompat\u00edveis ganharam espa\u00e7o. Observamos que o conflito extrapolou o campo das armas e passou a se manifestar tamb\u00e9m no plano das ideias e dos discursos. Autores vinculados \u00e0 corte francesa, como Lemaire, Gringore e Jean d\u2019Auton, participaram ativamente da constru\u00e7\u00e3o de uma imagem negativa do pont\u00edfice, criticando sua inclina\u00e7\u00e3o pelas armas, sua interfer\u00eancia em assuntos temporais e sua suposta corrup\u00e7\u00e3o moral. Ao mesmo tempo, exaltavam o rei franc\u00eas como defensor da verdadeira f\u00e9 e como soberano justo, investido de autoridade para intervir nas quest\u00f5es da Igreja, inclusive por meio da convoca\u00e7\u00e3o de conc\u00edlios. Tais obras, como a de Lemaire, antecipavam os argumentos que viriam a se intensificar nas d\u00e9cadas posteriores, com a eclos\u00e3o da Reforma Protestante (Britnell, 1993, p. 786). Os humanistas, oradores, mestres de cerim\u00f4nia e cronistas da corte de J\u00falio II se empenharam em legitimar a atua\u00e7\u00e3o dele como chefe da Cristandade. Esses homens de saber elaboraram discursos que buscavam reafirmar a autoridade pontif\u00edcia como necess\u00e1ria \u00e0 estabilidade pol\u00edtica da Pen\u00ednsula It\u00e1lica e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3. Entendemos que a tinta dos homens de saber se tornou t\u00e3o eficaz quanto a espada dos soldados.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><strong>Bibliografia consultada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><strong>Fontes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">CONTI, Sigismondo Dei. <strong>Le Storie De&#8217; Suoi Tempi dal 1475 al 1510<\/strong>. Firenze: G. Barbera, 1883.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">GUICCIARDINI, Francesco. <strong>Historia d\u2019Italia<\/strong>. Turim: Giulio Einaudi editore, 1971.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">BAUMGARTNER, Frederic J.. Julius II: prince, patron, pastor. In: CORKERY, James. WORCESTER, Thomas. (Ed.). <strong>The papacy since 1500: from Italian prince to universal pastor<\/strong>. New York: Cambridge University Press, 2010, p. 12-28.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">BEARD, Jennifer J.. Letters from the Elysian Fields: a group of poems for Louis XII.&nbsp; <strong>Biblioth\u00e8que d\u2019Humanisme et Renaissance<\/strong>, vol. 31, n. 1, 1969, p. 27-38. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.jstor.org\/stable\/20674554\">http:\/\/www.jstor.org\/stable\/20674554<\/a>&gt;. Acesso: 16 jul 2025.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">BRITNELL, Jennfer. The Antipapalism of Jean Lemaire de Belges\u2019 Traite de la Difference des Schismes et des Conciles. <strong>Sixteenth Century Journal<\/strong>, vol. 24, n. 4, 1993, p. 783-800. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.journals.uchicago.edu\/doi\/epdf\/10.2307\/2541601\">https:\/\/www.journals.uchicago.edu\/doi\/epdf\/10.2307\/2541601<\/a>&gt;. Acesso em: 16 jul 2025.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">DOUCET. Robert. France under Charles VIII and Louis XII. In: POTTER. G. R.. <strong>The New Cambridge Modern History. The Renaissance, 1493-1520.<\/strong> Vol. I. Cambridge: Cambridge University Press 1957, p. 292-315.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">GISH, Dustin. Pope Julius II (1443-1513, r. 1503-13 CE) at the Basilica di San Pietro, the Musei Vaticani, and Basilica di San Pietro in Vincoli. In: HATLIE, Peter. <strong>People and Places of the Roman Past. The Educated Traveller\u2019s Guide<\/strong>. York: Arc Humanities Press, 2019, p. 185-198.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">NICCOLI, Ottavia. <strong>Rinascimento anticlericale. Infamia, propaganda e satira in Italia tra Quattro e Cinquecento<\/strong>. Roma-Bari: Gius. Laterza &amp; Figli, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">POTTER, David. <strong>Renaissance France at War. Armies, culture and society, c.1480-1560.<\/strong> Warfare in History. Woodbridge, Suffolk-UK: Boydell &amp; Brewer Ltd, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">RIJSER, David. Fedra and the \u2018Phaedrus\u2019. the poet Raphael and the poetic program for the \u2018Stanza della Segnatura. <strong>Bruniana &amp; Campanelliana<\/strong>, vol. 11, n. 2, 2005, p. 345-363. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.jstor.org\/stable\/24334082\">http:\/\/www.jstor.org\/stable\/24334082<\/a>&gt;. Acesso em: 17 jul 2025.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">SKINNER, Quentin. <strong>Maquiavel<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Denise Bottmann. Porto Alegre: L&amp;PM, 2012.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Doutoranda em Hist\u00f3ria pela Universidade Federal de Santa Maria (PPGH\/UFSM). Bolsista CAPES. (jordanaschio06@gmail.com). Lattes: http:\/\/lattes.cnpq.br\/3602844717231875.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> T\u00edtulo conferido \u00e0quele que representa o pont\u00edfice em miss\u00f5es ou em quest\u00f5es eclesi\u00e1sticas. Trata-se de um cargo atribu\u00eddo diretamente pelo Santo Padre, com autoridade para tratar de assuntos relacionados \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 disciplina da Igreja. O nomeado pode assumir fun\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a em contextos diversos, como conc\u00edlios, negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas ou miss\u00f5es especiais.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> [No original] [&#8230;] schisms have been caused by popes and healed by councils; the Church has been damaged by the failure to hold councils, by avarice and ambition among the clergy, and by the imposition of compulsory clerical celibacy.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> [No original] [&#8230;] used peace, clemency, and war with equity and justice; you pacified the faithful, spared the contentious; and with war and arms, you subdued the proud [&#8230;].<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\"><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> [No original] That which we, in our labors, sow is brief; whereas that which we, in our reaping, collect is eternal.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"citationSection\">\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 30 de Setembro de 2025.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> SCHIO, Jordana Eccel. O Papa J\u00falio II (1503-1513) E O REI lU\u00cdS xii (1498-1515): a alian\u00e7a e a ruptura entre o principado ecelsi\u00e1stico e os &#8220;b\u00e1rbaros&#8221; <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 30 set. 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/o-papa-julio-ii-1503-1513-e-o-rei-luis-xii-1498-1515-a-alianca-e-a-ruptura-entre-o-principado-eclesiastico-e-os-barbaros\/\">https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/o-papa-julio-ii-1503-1513-e-o-rei-luis-xii-1498-1515-a-alianca-e-a-ruptura-entre-o-principado-eclesiastico-e-os-barbaros\/<\/a> Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jordana Eccel Schio[1] A rela\u00e7\u00e3o entre o papa J\u00falio II (1443-1513, pontificado de 1503-1513) e Lu\u00eds XII, rei da Fran\u00e7a (1462-1515, reinado de 1498-1515), foi marcada, ao longo dos primeiros anos do s\u00e9culo XVI, por um per\u00edodo de coopera\u00e7\u00e3o e, posteriormente, de animosidade. 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