{"id":6382,"date":"2025-03-18T12:00:27","date_gmt":"2025-03-18T15:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=6382"},"modified":"2025-03-18T00:56:00","modified_gmt":"2025-03-18T03:56:00","slug":"o-unicornio-e-a-mulher-selvagem-metafora-do-amor-profano","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/o-unicornio-e-a-mulher-selvagem-metafora-do-amor-profano\/","title":{"rendered":"O unic\u00f3rnio e a mulher selvagem: met\u00e1fora do amor profano"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Flavia Galli Tatsch<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A lenda e a iconografia do unic\u00f3rnio no medievo s\u00e3o fruto do <em>Fisi\u00f3logo<\/em>, texto grego escrito em Alexandria por volta do final do s\u00e9culo II e in\u00edcio do seguinte. O original se perdeu, mas as vers\u00f5es latinas que circularam a partir do s\u00e9culo VIII foram respons\u00e1veis por um g\u00eanero liter\u00e1rio muito apreciado: o besti\u00e1rio, que procurava descrever o aspecto e a conduta das criaturas conhecidas (reais ou imagin\u00e1rias, dom\u00e9sticas ou selvagens) para, em seguida, tra\u00e7ar sua rela\u00e7\u00e3o com o dogma crist\u00e3o e explicar epis\u00f3dios particulares da vida do Cristo: a Encarna\u00e7\u00e3o, o Sacrif\u00edcio na cruz, a Ressurrei\u00e7\u00e3o ou Ascens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">De acordo com o <em>Fisi\u00f3logo<\/em>, o unic\u00f3rnio era uma criatura de pequeno porte e do tamanho de uma crian\u00e7a, com um longo chifre no meio da testa, muito forte, feroz, r\u00e1pido e dif\u00edcil de ser capturado vivo. Para venc\u00ea-lo, fazia-se necess\u00e1rio lan\u00e7ar m\u00e3o de um ardil: sabendo que o animal sentia-se atra\u00eddo pelo perfume de uma virgem (condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel), o ca\u00e7ador levava a donzela para o meio da floresta e sentava-a tranquilamente em algum lugar geralmente frequentado pelo unic\u00f3rnio. L\u00e1, ela permanecia sozinha enquanto o ca\u00e7ador se escondia. O unic\u00f3rnio, ent\u00e3o, se aproximava, pousava a cabe\u00e7a em seu colo e adormecia. Neste momento, o ca\u00e7ador aparecia e o aprisionava. Existem miniaturas sobre esses epis\u00f3dios em diversos manuscritos latinos e gregos, como no <em>Physiologus Bernensis<\/em> (Figura 1), Burgerbibliothek, Berna (Cod. 318, fol. 16v) e no <em>Liber de naturis animalium<\/em> (Figura 2), Bodleian Library, Oxford (Ms. Bodley 533, fol. 3).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_01_unicornio.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6393\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_01_unicornio.png\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"339\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Figura 1: <em>Physiologus Bernensis<\/em>,\u00a0 ca 830. Berna, Burgerbibliothek, Cod. 318, fol 16 v.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_02_unicornio.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6394\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_02_unicornio.png\" alt=\"\" width=\"273\" height=\"248\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Figura 2: <em>Liber de naturis animalium<\/em>, ca. 1250. Oxford,The Bodleian Library, Ms. Bodley 533, fol. 3r.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">O unic\u00f3rnio figurava-se no cerne do simbolismo crist\u00e3o, pois tanto remetia ao Filho de Deus ao se tornar manso como um cordeiro, como seu chifre significava que Pai e Filho eram um s\u00f3.\u00a0 Para alguns autores, seu tamanho era \u201ca imagem de Jesus, que se fez pequeno para viver entre os homens\u201d (Pastoureau; Delahaye, 2013, p. 40). O simbolismo da ca\u00e7ada englobava os outros dois personagens: a donzela se transformava na Virgem Maria e seu colo na Igreja, o ref\u00fagio dos\u00a0 fi\u00e9is, j\u00e1 o ca\u00e7ador podia representar \u201cos pag\u00e3os, os judeus, os her\u00e9ticos e todos os inimigos do Cristo\u201d (Pastoureau; Delahaye, 2013, p. 40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">\u00c9 preciso considerar ainda outro aspecto: segundo a lenda, uma fonte da floresta tinha sido envenenada por um drag\u00e3o, o que impedia os animais de l\u00e1 matarem sua sede. Para purific\u00e1-la, bastava que o unic\u00f3rnio entrasse na \u00e1gua e nela tra\u00e7asse o sinal da cruz com o chifre. Dessa forma, al\u00e9m de representar Pai e Filho como um s\u00f3, o chifre se transformava na cruz, o s\u00edmbolo do sacrif\u00edcio: nela o Cristo concedera a Salva\u00e7\u00e3o \u00e0 humanidade; atrav\u00e9s dela, o unic\u00f3rnio salvava os outros animais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Tal elemento taumaturgo fazia com que o corno do unic\u00f3rnio fosse bastante apreciado por suas diversas propriedades sendo a maior, inegavelmente, a prote\u00e7\u00e3o contra o envenenamento. O chifre funcionava como ant\u00eddoto, s\u00f3 bastava ter um. No entanto, isso se configurava como privil\u00e9gio dos ricos, os senhores menos opulentos (R\u00e9au, 1955, p. 91) e os pobres deveriam se contentar com o p\u00f3, vendido nos mercados: \u201ca demanda era abundante, mas a oferta conseguia supri-la\u201d (Le Goff, 2009, p. 146)! Men\u00e7\u00f5es sobre a posse de chifres ou de seus fragmentos podem ser lidas nos invent\u00e1rios do duque de Berry e dos duques de Borgonha. Um exemplar, que teria pertencido a Felipe, o Bom, e dado \u00e0 sua neta Maria de Borgonha, no momento de seu casamento com o imperador Maximiliano, encontra-se no acervo do Tesouro Imperial de Viena. Bem, se os unic\u00f3rnios nunca existiram, \u00e9 preciso mencionar que esses chifres pertenciam ao narval, cet\u00e1ceo da fam\u00edlia dos golfinhos tamb\u00e9m conhecido como o \u201cunic\u00f3rnio do mar\u201d, que vivia no Atl\u00e2ntico, entre a Isl\u00e2ndia e a Groenl\u00e2ndia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">O texto latino do <em>Fisi\u00f3logo<\/em> foi traduzido e adaptado em diversas l\u00ednguas vern\u00e1culas, contudo o \u201cbesti\u00e1rio\u201d surgiu pela primeira vez no s\u00e9culo XII. Em 1210-11, Guilherme, o Cl\u00e9rigo da Normandia, escreveu um longo besti\u00e1rio em l\u00edngua francesa, o <em>Bestiaire divin, <\/em>que conheceu certo sucesso, tendo em vista as vinte e tr\u00eas c\u00f3pias manuscritas que chegaram at\u00e9 n\u00f3s. O cl\u00e9rigo Pierre de Beauvais tamb\u00e9m redigiu um besti\u00e1rio em franc\u00eas, mas em prosa. As obras de Guilherme e de Beauvais foram compiladas na \u00edntegra ou adaptadas por autores de diversas gera\u00e7\u00f5es, entre os quais Richard de Fournival, cl\u00e9rigo e bibli\u00f3filo. Seguindo o modelo de seus antecessores, Fournival tamb\u00e9m escreveu um besti\u00e1rio, conhecido como <em>Bestiaire d\u2019Amour <\/em>(a Biblioteca Nacional da Fran\u00e7a possui dois desses manuscritos, em que se v\u00eaem miniaturas da ca\u00e7ada ao unic\u00f3rnio; Figuras 3 e 4).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_03_unicorniopng.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6395\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_03_unicorniopng.png\" alt=\"\" width=\"246\" height=\"276\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Figura 3\u00a0: Richard de Fournival, <em>Bestiaire d\u2019amour<\/em>, in\u00edcio s\u00e9c. XIV. Paris, BnF, Ms. Fr. 25566, fol. 88v.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_04_unicornio.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6396\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_04_unicornio.png\" alt=\"\" width=\"368\" height=\"238\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Figura 4\u00a0: Richard de Fournival, <em>Bestiaire d\u2019amour<\/em>, ca. 1300. Paris, BnF, Ms. Fr. 1951, fol. 14.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A originalidade de Fournival consistia no fato de que, ao inv\u00e9s de enfatizar os ensinamentos religiosos e morais, as condutas dos animais revelavam estrat\u00e9gias empregadas na conquista amorosa. Para compor a obra, o autor emprestara temas da literatura secular, mais precisamente do amor cort\u00eas, para combinar as par\u00e1bolas dos besti\u00e1rios com as alegorias cavaleirescas. Assumindo o papel do amante cort\u00eas, mencionava as estrat\u00e9gias que deveriam ser empregadas para conquistar e preservar o amor de uma dama. Nesse sentido, as descri\u00e7\u00f5es dos animais vinham acompanhadas da refer\u00eancia a determinado tipo de comportamento do amor cort\u00eas. Por outro lado, Fournival tamb\u00e9m alertava sobre os erros que n\u00e3o deveriam ser cometidos durante esse jogo, como resistir ao charme, caprichos e inconst\u00e2ncias do amor da dama desejada. Em rela\u00e7\u00e3o ao unic\u00f3rnio, Fournival comparava a criatura \u2013 quando iludida pelo ardil da virgem e do ca\u00e7ador \u2013 com o amante enganado, v\u00edtima da \u201ccrueldade\u201d da dama e que se queixava: \u201cfrente \u00e0 sua do\u00e7ura eu dormi, mas ela, ela me fez morrer de uma morte pr\u00f3pria ao amor: o desespero sem esperan\u00e7a de piedade. Eu fui preso em seu cheiro\u201d (Fournival <em>apud<\/em> Pastoureau; Delaye, 2013, p. 51).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">No <em>Bestiaire d\u2019Amour<\/em>, o unic\u00f3rnio n\u00e3o aludia mais ao Amor Divino e sim ao Amor Profano por representar os artif\u00edcios do amor cort\u00eas e o desejo do amor carnal. Agora, ele representava o amante sincero, a virgem a mulher apaixonada e o ca\u00e7ador o amor que perfura o cora\u00e7\u00e3o do homem. A mudan\u00e7a do significado veio acompanhada por uma mudan\u00e7a na iconografia da ca\u00e7a ao unic\u00f3rnio. Exemplo disso \u00e9 a miniatura no <em>Ormesby Psalter<\/em> (Figura 5), na qual o simbolismo cristol\u00f3gico d\u00e1 lugar a uma atmosfera de car\u00e1ter claramente cortes\u00e3, protagonizada pelas figuras da dama e do cavaleiro.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_05_unicorniojpg.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6397\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_05_unicorniojpg.jpg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"182\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Figura 5:<em>Ormesby Psalter<\/em>, in\u00edcio s\u00e9c. XIV. Oxford, Bodleian Library, Ms. Douce 366, vol. 55v.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Das p\u00e1ginas dos manuscritos, a iconografia profana do unic\u00f3rnio passou a compor tape\u00e7arias, pinturas, vitrais, m\u00f3veis, bras\u00f5es de her\u00e1ldica, escudos e objetos pessoais (Tatsch, 2014). A difus\u00e3o do tema em diversos meios teve origem em algum lugar pr\u00f3ximo ao lago de Const\u00e2ncia, atual Alemanha, e no vale do Reno, para em seguida espalhar-se pelo mundo germ\u00e2nico meridional, Su\u00ed\u00e7a, It\u00e1lia do Norte e Fran\u00e7a. No s\u00e9culo XIV, o unic\u00f3rnio era representado de duas maneiras: durante a ca\u00e7a (com ou sem seu algoz) ou junto aos homens e mulheres selvagens. E aqui, chego ao segundo elemento que faz parte deste texto: a mulher selvagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">O mito do homem selvagem teve sua origem em diferentes conceitos de \u201cestado selvagem\u201d, tanto na Antiguidade Cl\u00e1ssica quanto na B\u00edblia.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> O imagin\u00e1rio medieval concebeu o homem e a mulher selvagens como seres de aspecto humano, cujas cabeleiras cobriam seus corpos, menos as m\u00e3os, cotovelos, joelhos, rosto e, nas mulheres, os seios. Dotados de for\u00e7a descomunal, n\u00e3o viviam em casas, n\u00e3o possu\u00edam faculdades racionais ou freio para os desejos: al\u00e9m de glut\u00f5es, procuravam sempre se satisfazer sexualmente \u2013 os homens raptavam as donzelas a seu bel prazer e o mesmo acontecia com as mulheres, que se transformavam em formosas jovens durante o momento da conquista (Bernheimer, 1952). Resumindo, essas criaturas configuravam-se como a imagem de um ser liberto do controle social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Mesmo personificando os impulsos libidinosos e pecando constantemente contra Deus, n\u00e3o representavam a corrup\u00e7\u00e3o espiritual \u2013 reservada a Sat\u00e3 e aos anjos ca\u00eddos. Como explica Hayden White, se pecavam, era por ignor\u00e2ncia, pois n\u00e3o tinham consci\u00eancia de viver \u201cem estado de pecado\u201d ou mesmo o que era um pecado. Isto quer dizer que possu\u00edam, juntamente com a degrada\u00e7\u00e3o, um tipo de \u201cinoc\u00eancia\u201d que os colocava em uma posi\u00e7\u00e3o para \u201cal\u00e9m do bem e do mal\u201d (White,1994, p. 188). No s\u00e9culo XV, homens e mulheres selvagens deixaram de ser um contraponto \u00e0s normas e regras da sociedade para se transformar em uma liga\u00e7\u00e3o entre a natureza e a civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Tal como o unic\u00f3rnio, a imagem dos homens e mulheres selvagens se difundiu amplamente, sendo integrada aos bras\u00f5es de her\u00e1ldica, escudos, fachadas de igrejas, pinturas, vitrais, m\u00f3veis, tape\u00e7arias, margens de manuscritos e etc. Aqui, interessam aquelas que foram impressas por gravadores alem\u00e3es na segunda metade do s\u00e9culo XV. Falando especificamente da mulher selvagem, as gravuras a mostravam linda e jovem, s\u00edmbolo da fertilidade, vestida somente com sua pilosidade e tendo longos cabelos como Eva ou Santa Madalena (Moseley-Christian, 2011). Seu comportamento variava entre a guerreira, a mulher dotada de forte apelo sexual ou como uma criatura distante de suas caracteriza\u00e7\u00f5es iniciais liter\u00e1rias e do <em>topos<\/em> do homem selvagem, ou seja, menos feroz que seu companheiro e dotada de grande natureza maternal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A atitude guerreira \u00e9 tema da gravura do Master E.S., um dos mais importantes gravadores ativos entre os anos 1450-1467. Na Figura 6, a mulher enfrenta o homem selvagem e suas habilidades como lutadora e amazona s\u00e3o claras. Por\u00e9m, a imagem \u00e9 muito mais do que uma simples luta, trata-se de uma clara alus\u00e3o \u00e0 batalha dos sexos. Vale notar, ainda, que o homem est\u00e1 montado sobre um unic\u00f3rnio, aqui figurado como animal feroz e selvagem, muito longe de seu aspecto cristol\u00f3gico e mais pr\u00f3ximo \u00e0 ideia do amor carnal. Segundo Boorsch, Master E.S. foi um dos gravadores mais inovadores em \u201csuas representa\u00e7\u00f5es de imagens de amor\u201d (Boorsch; Orenstein, 1997, p. 14).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_06_unicornio.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6398\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_06_unicornio.png\" alt=\"\" width=\"252\" height=\"210\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Figura 6. Master E.S., segunda metade do s\u00e9culo XV. Gravura. Mancha: 6,7 x 8,2 cm. Londres, The British Museum, Londres (1842,0806.38).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Martin Schongauer (ca. 1450-1491), nascido na cidade de Colmar, regi\u00e3o da Als\u00e1cia, foi outro proeminente gravador do per\u00edodo. \u00c9 de sua autoria a gravura em que se percebem duas caracter\u00edsticas positivas da mulher selvagem em voga no final do s\u00e9culo XV (Figura 7): ela apresenta com a m\u00e3o direita um bras\u00e3o her\u00e1ldico ao mesmo tempo em que, com a esquerda, segura em seu colo a crian\u00e7a que amamenta. Essa vida harmoniosa tamb\u00e9m foi tema da gravura do Monogramista bxg, gravador ativo provavelmente em Frankfurt am Main, cerca de 1470-90, na qual\u00a0 o apelo \u00e0 unidade da rela\u00e7\u00e3o homem-mulher se faz vis\u00edvel na imagem da fam\u00edlia selvagem reunida em uma paisagem marcada por pedras e pela \u00c1rvore da Vida que se encontra ao fundo (Figura 8).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_07_unicornio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6399\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_07_unicornio.jpg\" alt=\"\" width=\"186\" height=\"181\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Figura 7: Martin Schongauer, ca. 1470-91. Gravura, 7,9 x 7,9 cm. The Metropolitan Museum of Art, Nova York (28.26.9; Harris Brisbane Dick Fund, 1928).<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_08_unicornio.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6400\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_08_unicornio.png\" alt=\"\" width=\"159\" height=\"247\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Figura 8: Monogramista bxg.\u00a0 ca. 1470-1490. Gravura, 14,7 x 9 cm. Albertina Museum, Viena (DG1928\/332).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Provavelmente, a imagem da mulher selvagem junto ao unic\u00f3rnio surgiu pelas m\u00e3os desses e de outros gravuristas, como a de autoria an\u00f4nima, produzida no final do s\u00e9culo XV, em Flandres, na qual a mulher selvagem cavalga sorridente um unic\u00f3rnio (Rijksmuseum, Amsterd\u00e3, inv. RP-P-OB-915). \u00c9 poss\u00edvel que a dissemina\u00e7\u00e3o dessa imagem tenha se dado a partir de cartas de baralho impressas, cuja circula\u00e7\u00e3o configurava-as como modelo para outras representa\u00e7\u00f5es, como aquela elaborada pelo Master E.S. (Figura 9).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_09_unicornio.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6401\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2025\/03\/img_09_unicornio.png\" alt=\"\" width=\"248\" height=\"343\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Figura 9: Master E.S., segunda metade s\u00e9culo XIV. Gravura. Mancha: 9,8 x 6,8 cm. The Metropolitan Museum of Art, Nova York,. Harris Brisbane Dick Fund, 1922. 22.83.16.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Trata-se de uma cena muito curiosa das duas criaturas selvagens que viviam na floresta, livres e longe do conv\u00edvio com os seres humanos. Sentada sobre uma pedra, a mulher \u2013 aqui representada como a rainha dos animais \u2013 segura o unic\u00f3rnio pelo pesco\u00e7o com a m\u00e3o esquerda enquanto a direita aproxima a pata dianteira de seu colo. At\u00e9 a\u00ed, estamos de acordo com o tema bastante conhecido da aproxima\u00e7\u00e3o e captura, ainda que a figura do ca\u00e7ador n\u00e3o esteja presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">No entanto, parece uma ironia que o unic\u00f3rnio, que s\u00f3 era atra\u00eddo pela castidade, se aproximasse tranquilamente daquela que tamb\u00e9m simbolizava uma forte carga de comportamento sexual. S\u00edmbolo da pureza e da virtude, quando capturado, o unic\u00f3rnio perdia seus poderes no colo da virgem, o que o transformava em \u201cobjeto do desejo\u201d dos homens selvagens, que por sua vez eram o s\u00edmbolo da virilidade. Da mesma forma que o unic\u00f3rnio perdia seus dons, homens e mulheres selvagens gastavam os seus poderes no ato de fazer amor (Husband, 1980).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">Ora, na carta de baralho do Master E.S., a figura delicada que olha diretamente para o observador tem muito mais a ver com a personifica\u00e7\u00e3o de um ideal de feminilidade do que com uma amea\u00e7a sexual. N\u00e3o se trata da imagem da Virgem, nem da amazona selvagem, tampouco faz parte das estrat\u00e9gias dos jogos de amor cort\u00eas. Segundo Michelle Moseley-Christian, a nova imagem da mulher selvagem, \u201cparece ser uma cria\u00e7\u00e3o que foi formada e mantida principalmente no campo das artes visuais\u201d (Moseley-Christian, 2011, p. 431). Para a autora, as gravuras estariam enraizadas na emerg\u00eancia de um fen\u00f4meno social: a \u201cforma\u00e7\u00e3o de uma cultura dom\u00e9stica que contribu\u00eda para uma vis\u00e3o idealizada da mulher no lar\u201d, acompanhada pela \u00eanfase no comportamento correto como obriga\u00e7\u00e3o social. Nesse processo, v\u00e1rios textos foram elaborados para guiar a conduta feminina, como o\u00a0 <em>Le M\u00e9nagier de Paris<\/em>, redigido por volta de 1394, manual dom\u00e9stico que teria sido escrito por um marido \u00e0 sua noiva de quinze anos. Nele, o autor se debru\u00e7ou sobre os aspectos esperados de sua futura companheira, o cuidado com os filhos, etc. Fica claro que a fidelidade era o ponto chave, j\u00e1 que uma esposa desobediente e infiel \u201cdestru\u00eda as funda\u00e7\u00f5es do lar\u201d (<em>apud<\/em> Moseley-Christian, 2011, p. 435).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 2.5rem; padding: 0 1rem;\">A dissemina\u00e7\u00e3o desse comportamento se deu, tamb\u00e9m, atrav\u00e9s das gravuras, mais baratas que os livros, de f\u00e1cil reprodu\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o, atingindo um p\u00fablico infinitamente maior. Na \u201cnova\u201d imagem, os aspectos selvagens e er\u00f3ticos \u2013 inerentes \u00e0 mulher selvagem e ao unic\u00f3rnio \u2013 desapareceram, exatamente o que se pretendia e se desejava. Falando especificamente da estampa do Master E.S., o unic\u00f3rnio n\u00e3o simbolizava nem o Amor Divino, nem o Amor Profano pr\u00e9-casamento: agora, nada mais era que a representa\u00e7\u00e3o do amor \u201cdom\u00e9stico\u201d.<\/p>\n<div style=\"padding: 0 1rem;\">\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong>BERNHEIMER, Richard. <strong>Wild Men in the Middle Ages<\/strong>. A Study in Art, Sentiment, and Demonology. Cambridge: Harvard University Press, 1952.BOORSCH, Suzanne e ORENSTEIN, Nadine M. The Print in the North. The Age of Albrecht D\u00fcrer and Lucas van Leyden. Nova Iorque: <strong>The Metropolitan Museum of Art Bulletin<\/strong>, v. 54, n\u00b0 4 (Spring, 1997). Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.metmuseum.org\/toah\/works-of-art\/20.5.2\">http:\/\/www.metmuseum.org\/toah\/works-of-art\/20.5.2<\/a>&gt;. Acesso em: 14 jun. 2014.<\/p>\n<p>FERGUSON, George. <strong>Signs and Symbols in Christian Art<\/strong>. Nova York: Oxford University Press, 1954.<\/p>\n<p>HUSBAND, Timothy. <strong>The Wild Man<\/strong>. Medieval Myth and Symbolism. Nova York, The Metropolitan Museum of Art, 1980. Cat\u00e1logo de exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>KLINGENDER, Francis (ed.). <strong>Animals in Art and through to the End of the Middle Ages<\/strong>. Cambridge: The M.I.T. Press, 1971.<\/p>\n<p>LE GOFF, Jacques. <strong>Her\u00f3is e maravilhas da Idade M\u00e9dia<\/strong>. Petr\u00f3polis, Editora Vozes, 2009.<\/p>\n<p>MOSELEY-CHRISTIAN, Michelle. From page to print: the transformation of the \u2018wild woman\u2019 in Early Modern Northern engravings. <strong>Word &amp; Image<\/strong>: a Journal of Verbal\/Visual Enquiry, v. 27, n. 4, 2011, p. 429-442. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/pdf\/10.1080\/02666286.2011.611381\">http:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/pdf\/10.1080\/02666286.2011.611381<\/a>&gt;. Acesso em: 17 nov. 2014.<\/p>\n<p>PASTOUREAU, Michel e DELAHAYE, \u00c9lisabeth. <strong>Les secrets de la licorne<\/strong>. Paris: \u00c9ditions de la R\u00e9union des mus\u00e9es nationaux. 2013.<\/p>\n<p>R\u00c9AU, Louis. <strong>Iconographie de l\u2019Art Chr\u00e9tien<\/strong>. Tomo I. Paris\u00a0: Presses Universitaires de France, 1955.<\/p>\n<p>SHESTACK, Alan. <strong>Fifteenth Century Engravings of Northern Europe<\/strong>. From the National Gallery of Art Washington D.C.. Washington, D.C. National Gallery of Art, 1968. Cat\u00e1logo de exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>VARANDAS, Ang\u00e9lica. A Idade M\u00e9dia e o Besti\u00e1rio.\u00a0 <strong>Medievalista online<\/strong>. a. 2, n. 2, 2006. Instituto de Estudos Medievais. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.fcsh.unl.pt\/iem\/medievalista\">www.fcsh.unl.pt\/iem\/medievalista<\/a>&gt;. Acesso em: 15 nov. 2014.<\/p>\n<p>WHITE, Hayden. As formas do estado selvagem: Arqueologia de uma ideia. In: ______. <strong>Tr\u00f3picos do Discurso<\/strong>: Ensaios sobre a cr\u00edtica da cultura. S\u00e3o Paulo: EDUSP, 1994.<\/p>\n<p>TATSCH, Flavia Galli. <strong>Mito e imagem do homem selvagem no medievo<\/strong>. Veredas da Hist\u00f3ria, v. 7, n.1, 2014, DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.9771\/rvh.v7i1.48682\">https:\/\/doi.org\/10.9771\/rvh.v7i1.48682<\/a>.<\/p>\n<p>WHITE, T.H. <strong>The Book of Beasts<\/strong>. Being a translation from a Latin bestiary of the twelfth century. London: J. Cape, 1954.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"padding: 0 1rem;\">\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Doutora em Hist\u00f3ria pela Unicamp. Professora Associada de Hist\u00f3ria da Arte Medieval do Departamento de Hist\u00f3ria da Arte da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo\/Unifesp (<a href=\"mailto:galli.tatsch@unifesp.br\">galli.tatsch@unifesp.br<\/a>). Link para o curr\u00edculo lattes: <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0478383494161646\">http:\/\/lattes.cnpq.br\/0478383494161646<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Este aspecto j\u00e1 foi abordado em minha tese de doutorado, <em>A constru\u00e7\u00e3o da imagem visual da Am\u00e9rica. Gravuras dos s\u00e9culos XV e XVI<\/em>, <em>\u00a0<\/em>defendida na Unicamp em 2011 (FAPESP 06\/61567-4).<\/p>\n<\/div>\n<hr \/>\n<div class=\"citationSection\">\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 18 de Mar\u00e7o de 2025.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> TATSCH, Flavia.\u00a0 O unic\u00f3rnio e a mulher selvagem: met\u00e1fora do amor profano. <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 18 mar. 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/o-unicornio-e-a-mulher-selvagem-metafora-do-amor-profano\">https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/o-unicornio-e-a-mulher-selvagem-metafora-do-amor-profano. <\/a>Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Flavia Galli Tatsch[1] A lenda e a iconografia do unic\u00f3rnio no medievo s\u00e3o fruto do Fisi\u00f3logo, texto grego escrito em Alexandria por volta do final do s\u00e9culo II e in\u00edcio do seguinte. 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