{"id":6284,"date":"2024-12-17T12:00:31","date_gmt":"2024-12-17T15:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=6284"},"modified":"2024-12-17T12:51:45","modified_gmt":"2024-12-17T15:51:45","slug":"urdindo-a-corrupcao-narrativas-riqueza-e-poder-na-igreja-medieval","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/urdindo-a-corrupcao-narrativas-riqueza-e-poder-na-igreja-medieval\/","title":{"rendered":"URDINDO A CORRUP\u00c7\u00c3O: NARRATIVAS, RIQUEZA E PODER NA IGREJA MEDIEVAL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Leandro Duarte Rust<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por vezes, as areias do tempo esmagam homens e mulheres. Soterram suas exist\u00eancias e, comprimindo-as com seu peso incomensur\u00e1vel, encolhem suas trajet\u00f3rias sociais, transformando-os em figuras rasas, estreitas, achatadas. Deslizando sobre a vida, o devir arrasta raz\u00f5es e experi\u00eancias, deforma motivos e pr\u00e1ticas, e o que resta s\u00e3o figuras unidimensionais, indiv\u00edduos convertidos em personagens destitu\u00eddos de profundidade, cujas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o teriam tido mais do que uma \u00fanica camada de sentido, uma l\u00f3gica social compacta e invari\u00e1vel. Foi assim com Herman, bispo de Bamberg entre 1065 e 1075. Dos registros escritos a respeito de sua exist\u00eancia social parece ser poss\u00edvel extrair t\u00e3o somente um significado: tratou-se de um eclesi\u00e1stico inequivocamente corrupto. Tal imagem pressiona e simplifica a longa d\u00e9cada em que ele permaneceu \u00e0 frente de uma s\u00e9 episcopal de not\u00e1vel car\u00e1ter estrat\u00e9gico no interior do chamado \u201cImp\u00e9rio dos Teut\u00f4nicos\u201d. Um bispado fundado por requisi\u00e7\u00e3o direta da dinastia otoniana, no in\u00edcio do s\u00e9culo, e onde a linhagem seguinte, a dos S\u00e1lios, buscou, nos idos da d\u00e9cada de 1040, o papa que restabeleceria a ordem e a disciplina eclesi\u00e1sticas entre os muros da cidade de Roma e restauraria a reputa\u00e7\u00e3o da autoridade papal sobre a Cristandade Latina. No entanto, aparentemente, \u00e9 in\u00fatil insistir. Por mais que as circunst\u00e2ncias sugiram que Herman provavelmente possuiu \u2013 aos olhos da Coroa e da Igreja Imperial \u2013 um m\u00ednimo de atributos para ocupar uma posi\u00e7\u00e3o t\u00e3o elevada, a documenta\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XI reiteradamente reduz sua exist\u00eancia aos apertados limites dessa imagem. A t\u00f4nica documental \u00e9, inclusive, a de que o fim melanc\u00f3lico de sua passagem pelo episcopado condensou tudo o que h\u00e1 para saber a seu respeito. Vejamos. Em 1075, j\u00e1 suspendido pelo papa Greg\u00f3rio VII em raz\u00e3o da conduta escandalosamente simon\u00edaca \u2013 ou seja, por ser um not\u00f3rio vendedor\/comprador de cargos sacerdotais \u2013, Herman p\u00f4s-se a caminho de Roma, para suplicar pela miseric\u00f3rdia apost\u00f3lica, justificar-se, prostrar-se aos p\u00e9s do pont\u00edfice e, assim, manter a autoridade de bispo. No entanto, quando se aproximava da Cidade Eterna, o prelado se deteve a meio caminho. Segundo os registros deixados pelo pr\u00f3prio Greg\u00f3rio, Herman decidiu despachar emiss\u00e1rios \u00e0 sua frente portando \u201ccopiosos presentes\u201d, com os quais dobraria a resist\u00eancia que os homens da C\u00faria nutriam contra si. Se tudo tivesse ocorrido como o bispo \u201castutamente\u201d planejara \u2013 prosseguia o papa \u2013, os presentes teriam preparado o terreno para \u201ccorromper a nossa inoc\u00eancia e a integridade de nossos irm\u00e3os por meio de um acordo envolvendo dinheiro.\u201d A iniciativa, por\u00e9m, s\u00f3 fez real\u00e7ar sua natureza transgressora. Quando o caso se mostrou ainda mais contr\u00e1rio ao esperado, convicto da condena\u00e7\u00e3o, ele, \u201cenganando as almas dos cl\u00e9rigos que o acompanhavam com promessas falaciosas e lisonjas, disse que, se pudesse retornar \u00e0 p\u00e1tria, abdicaria do episcopado e faria a profiss\u00e3o de vida mon\u00e1stica.\u201d O papa o declarou deposto e outro bispo foi instalado em seu lugar (Greg\u00f3rio VII. <em>Registrum<\/em> 3:3. MGH, Epp. Sel., 1920, p. 247).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tido como venal e trapaceador at\u00e9 o fim, Herman tornou-se um exemplo eloquente de um aspecto important\u00edssimo do passado: o <em>agudo senso de rep\u00fadio \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o que perpassava diferentes segmentos e culturas pol\u00edticas das elites do mundo latino<\/em>. Rep\u00fadio que alvejava especialmente os cl\u00e9rigos: enquanto os magnatas leigos eram frequentemente acusados de deslealdade para com o seu senhor ou de dilapida\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio crist\u00e3o por meio de sangrentas guerras fratricidas, a incrimina\u00e7\u00e3o por sucumbir ao poder do dinheiro e de favores il\u00edcitos reca\u00eda de maneira particular sobre aristocratas eclesi\u00e1sticos. Noutras palavras, os homens e as mulheres da \u00e9poca n\u00e3o somente designavam a corrup\u00e7\u00e3o com um vocabul\u00e1rio preciso e pujante, como destacavam-na como um rol de pr\u00e1ticas a ser recha\u00e7ado e combatido sobretudo no interior da Igreja. Em se tratando de Idade M\u00e9dia, essa n\u00e3o \u00e9 uma constata\u00e7\u00e3o trivial. Afinal, n\u00e3o \u00e9 incomum que esse vasto passado surja caracterizado como um longo per\u00edodo em que a busca pelo ganho patrimonial corro\u00eda toda possibilidade de uma separa\u00e7\u00e3o entre o interesse particular, de um lado, e o exerc\u00edcio das responsabilidades p\u00fablicas devidas ao bem comum \u2013 e \u00e0 salva\u00e7\u00e3o das almas, no caso da Igreja \u2013, de outro. A imagem de uma Idade M\u00e9dia onde a corrup\u00e7\u00e3o estaria, portanto, naturalizada, inscrita no cotidiano como agir normalizado e, como tal, invis\u00edvel para os agentes hist\u00f3ricos, pode ser encontrada em uma parcela expressiva da literatura especializada. Um exemplo recente \u00e9 a obra <em>Corruption, Protection and Justice in Medieval Europe: a Thousand-Year History<\/em>, assinada por Jonathan Lyon em 2022. Valendo-se do tema da defesa dos bens eclesi\u00e1sticos como fio condutor que permite percorrer o passado do s\u00e9culo VIII ao XVIII, Lyon delineia uma esp\u00e9cie de crise prolongada da integridade dos agentes p\u00fablicos e das formas de fazer a justi\u00e7a: quanto mais aristocr\u00e1tico o mundo medieval, mais os homens subordinaram os espa\u00e7os e os instrumentos do governo leg\u00edtimo para a extra\u00e7\u00e3o de lucros e o fortalecimento de redes informais de poder. O caso de Herman aponta para uma caracteriza\u00e7\u00e3o mais complexa, no interior da qual a hegemonia da aristocracia sobre a pol\u00edtica e a vida comum coincide com uma expressiva circula\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e social de discursos sobre o reconhecimento e a penaliza\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o. Prova disso \u00e9 o caso de Herman reaparecer como um evento-s\u00edntese que permitia engajar uma audi\u00eancia contra a corrup\u00e7\u00e3o que o rei s\u00e1lio, o jovem Henrique IV, supostamente fazia grassar no interior da Igreja imperial. Assim seu caso foi noticiado por Bruno de Merseburg, que o incluiu em sua narrativa sobre a Guerra Sax\u00f4nica de 1073 a 1081. Segundo o cronista, ao longo dos anos, era evidente que Henrique \u201cn\u00e3o nomeou bispos segundo a qualidade de seus m\u00e9ritos, conforme os decretos dos c\u00e2nones\u201d, pois aquele que \u201ctivesse dado mais dinheiro ou fosse o maior bajulador de seus crimes, era considerado [por ele] o mais digno de qualquer bispado.\u201d\u00a0 Para constat\u00e1-lo, bastava voltar os olhos para o que havia ocorrido em Bamberg, cujo bispado \u201cele deu, ou melhor, vendeu por uma inestim\u00e1vel soma de dinheiro\u201d, de modo que \u201cuma igreja t\u00e3o rica em posses no seu exterior quanto vener\u00e1vel gra\u00e7as \u00e0s pessoas eruditas em seu interior, [foi dada] a um traficante, que sabia muito melhor contar moedas do que pronunciar propriamente o texto de qualquer livro.\u201d O caso de Herman era o ponto de fuga das principais mazelas imperiais (Bruno de Merseburg. <em>De Bello Saxonico<\/em>. MGH Dt. MA. 2, 1937, p. 22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, h\u00e1 um aspecto ainda mais valioso a ser considerado no caso do prelado de Bamberg. Ele evidencia n\u00e3o s\u00f3 a exist\u00eancia de uma percep\u00e7\u00e3o coletiva a respeito da corrup\u00e7\u00e3o e de seus efeitos delet\u00e9rios sobre a <em>res publica<\/em> \u2013 express\u00e3o frequentemente entabulada pelos pr\u00f3prios medievais para apontar a exist\u00eancia de um espa\u00e7o p\u00fablico a ser defendido e preservado no interior da sociedade crist\u00e3 \u2013, mas tamb\u00e9m sobre o comportamento dessa percep\u00e7\u00e3o: suas transforma\u00e7\u00f5es, adapta\u00e7\u00f5es e, sobretudo, sobre as acirradas disputas travadas no \u00e2mbito das elites pelo poder de control\u00e1-la. Observemos isso um pouco mais de perto. Para tanto, sigamos o enredo da ru\u00edna p\u00fablica de Herman conforme o registro elaborado por um contempor\u00e2neo particularmente detalhista: o monge Lamberto de Hersfeld, um dos mais importantes cronistas do s\u00e9culo XI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Segundo a cronologia arquitetada por Lamberto, o ponto sem retorno na biografia do bispo, o momento cr\u00edtico que teria assinalado o in\u00edcio da derrocada, ocorreu em 1075, muito provavelmente nos primeiros meses do ano. Foi quando o clero de Bamberg enviou representantes a Roma, sob a lideran\u00e7a do preboste Poppo, para obter do papa uma medida concreta contra seu pastor. N\u00e3o era a primeira vez que aqueles homens lan\u00e7avam suas queixas contra os ouvidos de um poder superior. H\u00e1 tempos eles protestavam junto ao rei e aos pr\u00edncipes do reino, que nada faziam, deixando Herman intocado. Aquela n\u00e3o era nem mesmo a primeira vez que o bispo era acusado em Roma. Cinco anos antes, assegura Lamberto, ele foi convocado por Alexandre II, predecessor de Greg\u00f3rio, a prestar conta dos rumores de ter comprado o ingresso no episcopado. Mas, tendo dado \u201cmuitos presentes preciosos ao papa\u201d, Herman \u201ctransformou sua hostilidade [&#8230;] numa mansuetude t\u00e3o grande que [&#8230;] n\u00e3o s\u00f3 ficou impune [&#8230;], como recebeu o <em>pallium<\/em> e algumas outras ins\u00edgnias do arquiepiscopado.\u201d Aqui, cabe notar: nem mesmo o papado reformador, que teria redimido a Igreja das pr\u00e1ticas mundanas do mundo feudal, era imune \u00e0s den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o. E, neste caso, tratava-se de uma acusa\u00e7\u00e3o que pode ter tido um certo lastro na realidade, j\u00e1 que, em 1075, os representantes do clero de Bamberg teriam criticado \u201cveementemente a paci\u00eancia do pont\u00edfice romano, perguntando por que ele permitiu que a Igreja [&#8230;] fosse manchada por tanto tempo pela comunh\u00e3o com um herege.\u201d As cr\u00edticas parecem atar a paci\u00eancia permissiva de Greg\u00f3rio \u00e0 mansuetude interesseira de Alexandre. Por\u00e9m, agora, em 1075, n\u00e3o houve suborno que obtivesse a ben\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica. Al\u00e9m de ter sido removido do cargo episcopal, Herman foi exclu\u00eddo do sacerd\u00f3cio e preso aos grilh\u00f5es da excomunh\u00e3o por ter \u201cinvadido a Igreja de maneira simon\u00edaca\u201d e, \u201ccomo um tirano, ter tentado lan\u00e7ar em desordem a santa igreja de Bamberg [&#8230;] e dilapidar e dispersar os seus bens\u201d \u2013 reza a carta que anunciava sua deposi\u00e7\u00e3o, datada pela chancelaria pontif\u00edcia em 20 de julho. A chegada da comitiva eclesi\u00e1stica em Roma transformou a toler\u00e2ncia papal em impunidade inaceit\u00e1vel e p\u00f4s em movimento a urg\u00eancia por uma senten\u00e7a; que capturou a exist\u00eancia do prelado, inscrevendo-a no rol dos bispos do s\u00e9culo XI que seriam lembrados como simon\u00edacos cuja sanha corrupta enfurecera o clero e o povo, empurrando-os para a oposi\u00e7\u00e3o deflagrada. Herman passava a figurar ao lado de nomes como Guido de Velate, o arcebispo de Mil\u00e3o visceralmente combatido pelos chamados Patarinos, e Pedro Mezzabarba, o bispo de Floren\u00e7a cuja culpa foi provada atrav\u00e9s de um dos mais famosos ord\u00e1lios do fogo de toda a Idade M\u00e9dia (Lamberto de Hersfeld. <em>Annales<\/em>. MGH SS. rer. Germ. 38, 1894, p. 111-112, 204-206; Greg\u00f3rio VII.<em> Registrum<\/em> 3:1. MGH, Epp. Sel., 1920, p. 242-244. Ver ainda: Rust, 2018; Rust, 2020).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como uma cena final, a deposi\u00e7\u00e3o parece encadear e esclarecer todos os demais cap\u00edtulos j\u00e1 percorridos por essa hist\u00f3ria. Depois de uma d\u00e9cada, o dique soerguido pelo pecado foi rompido e as \u00e1guas da salva\u00e7\u00e3o voltaram a fluir em Bamberg; as transgress\u00f5es receberam seu justo sal\u00e1rio; o homem \u00edmpio foi finalmente alcan\u00e7ado pelas consequ\u00eancias de seus atos. Os epis\u00f3dios da trama se encaixam, coesos, coerentes, bem ajustados. A pr\u00f3pria historiografia costuma se deter aqui: <em>causa finita<\/em>. Isso, entretanto, n\u00e3o \u00e9 tudo. A ilus\u00e3o retrospectiva n\u00e3o deve nos fazer esquecer que, como toda hist\u00f3ria, essa tamb\u00e9m possui arestas, informa\u00e7\u00f5es que tensionam o enredo geral, segmentos em que o significado do que \u00e9 narrado revela um entrela\u00e7amento de possibilidades diversas de defini\u00e7\u00e3o. Uma dessas costuras discursivas consiste justamente no aparecimento do clero de Bamberg na trama. Conforme vimos, Lamberto \u00e9 expl\u00edcito ao mencionar que as den\u00fancias contra Herman j\u00e1 percorriam o Imp\u00e9rio, tendo, inclusive, chegado a Roma \u2013 onde culminaram no epis\u00f3dio do suborno a Alexandre II \u2013 muito antes dos subordinados hier\u00e1rquicos se mobilizarem. Assim, houve um tempo em que os sacerdotes de Bamberg conviveram com a conduta escandalosa atribu\u00edda ao seu bispo. \u00c9 dif\u00edcil estimar por quanto tempo isso ocorreu, mas se o clamor geral contra a simonia do prelado surgiu j\u00e1 na \u00e9poca de sua ascens\u00e3o ao episcopado, em 1065, como Lamberto d\u00e1 a entender, a coexist\u00eancia, ent\u00e3o, se prolongou por anos. Por conseguinte, os mesmos homens que repreenderam Greg\u00f3rio VII pela \u201cpaci\u00eancia\u201d que condenava a Igreja a manter-se em comunh\u00e3o com um \u201cherege\u201d foram, eles pr\u00f3prios, tolerantes \u00e0quele profanador por certo tempo. Sua avers\u00e3o \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, t\u00e3o decisiva e eficaz para selar a queda de Herman, era vari\u00e1vel e seletiva. Era o produto de alguma circunst\u00e2ncia muito espec\u00edfica, n\u00e3o apenas de um zelo pela integridade espiritual da igreja de Bamberg. Que circunst\u00e2ncia foi essa? N\u00e3o se trata de segredo. Ela n\u00e3o foi apagada da mem\u00f3ria ou mantida nas sombras. Na realidade, Lamberto a relata de maneira franca e cristalina. Vamos a ela. Em algum momento entre 1071 e 1072, Herman concluiu a constru\u00e7\u00e3o da igreja dedicada ao ap\u00f3stolo Tiago, localizada fora dos muros de Bamberg. Uma edifica\u00e7\u00e3o que erguera \u00e0s \u201csuas pr\u00f3prias expensas\u201d \u2013 frisa o cronista. Ele, ent\u00e3o, instalou uma congrega\u00e7\u00e3o de vinte e cinco c\u00f4negos regulares, \u201cdistintos por sua erudi\u00e7\u00e3o, por seus costumes e pela disciplina da profiss\u00e3o de vida can\u00f4nica\u201d, os quais proveu de posses e bens suficientes para atender \u00e0s necessidades de sua rotina sagrada. Entretanto, ap\u00f3s o cl\u00e9rigo encarregado de presidir a congrega\u00e7\u00e3o cair doente e, pouco tempo depois, livrar-se dessa odiosa pris\u00e3o da alma que \u00e9 o corpo, Herman reaparece, fazendo do falecimento oportunidade para expulsar os c\u00f4negos e entregar a igreja e todo seu patrim\u00f4nio a Ecberto, abade beneditino de S\u00e3o Miguel, que converteu o lugar em um mosteiro. Diz o cronista que o bispo agiu dessa maneira n\u00e3o porque os c\u00f4negos tivessem infringido a disciplina ou a moralidade crist\u00e3, pois viviam de maneira honest\u00edssima, seguindo \u00e0 risca as leis eclesi\u00e1sticas. Mas Herman, \u201cdeleitado na pureza da profiss\u00e3o de vida mon\u00e1stica, desejava [&#8230;] que essa fosse a \u00fanica forma de vida em todo o seu bispado.\u201d Alcan\u00e7amos, ent\u00e3o, o ponto-cr\u00edtico da hist\u00f3ria. N\u00e3o me refiro aos rec\u00f4nditos das motiva\u00e7\u00f5es do bispo, que Lamberto se p\u00f5e a sondar como quem atende a uma expectativa inadi\u00e1vel de sua audi\u00eancia; mas ao fato capital de que Herman foi o respons\u00e1vel por <em>instaurar uma competi\u00e7\u00e3o pela riqueza eclesi\u00e1stica<\/em> no interior da diocese de Bamberg, tornando monges e c\u00f4negos rivais no controle dos bens atrelados \u00e0 rec\u00e9m-constru\u00edda igreja de S\u00e3o Tiago. O destino dos c\u00f4negos logo reverberou junto ao \u201cclero da igreja catedral\u201d \u2013 que enviaria os representantes a Roma \u2013, o qual encarou a trag\u00e9dia daqueles homens como evid\u00eancia de um risco que reca\u00eda igualmente sobre suas cabe\u00e7as, j\u00e1 que o fato de o bispo \u201cfavorecer tanto a ordem mon\u00e1stica ocorria n\u00e3o sem grande inj\u00faria \u00e0 sua ordem\u201d. Na raiz do que Greg\u00f3rio VII considerou a \u201cdilapida\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o dos bens da igreja de Bamberg\u201d \u2013 talvez comovido pela vers\u00e3o dos fatos apresentada pelos enviados do clero \u2013 estava algo mais grave para um aristocrata eclesi\u00e1stico do que uma gest\u00e3o patrimonial desastrosa: a constata\u00e7\u00e3o de que <em>a riqueza mudava de m\u00e3os<\/em>. \u00c9 a perda da propriedade, agravada por um tratamento considerado insultuoso, que fez a simonia de Herman tornar-se inadmiss\u00edvel, e sua corrup\u00e7\u00e3o, tir\u00e2nica (Lamberto de Hersfeld. <em>Annales<\/em>. MGH SS. rer. Germ. 38, 1894, p. 205).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o se trata, aqui, de desconstruir a reputa\u00e7\u00e3o de corrupto do bispo de Bamberg. Como disse no in\u00edcio deste texto, ela \u00e9 uma esp\u00e9cie de unanimidade documental. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 a compreens\u00e3o de como essa fama, que muito provavelmente esteve ancorada em fatos palp\u00e1veis, era estrategicamente manipulada por segmentos das elites medievais para alcan\u00e7ar uma posi\u00e7\u00e3o mais vantajosa na concorr\u00eancia pela riqueza senhorial. Isso fica ainda mais evidente noutro epis\u00f3dio. Voltemos \u00e0 biografia de nosso desventurado personagem. Em 1075, tendo retornado \u00e0 Bamberg ap\u00f3s fracassar em conservar a autoridade de bispo das m\u00e3os de Greg\u00f3rio, Herman relatou a recusa papal a seus cavaleiros, entre os quais \u201cse tornara extremamente popular, pela sua pr\u00f3diga liberalidade\u201d. Ao ouvir as not\u00edcias, os homens de armas reagiram imediatamente. Opuseram-se ao papa, \u201cdizendo que era muito indigno e que n\u00e3o havia na mem\u00f3ria entre os ancestrais de tempos idos que isso tenha ocorrido alguma vez na G\u00e1lia, [isto \u00e9], que um bispo tenha sido deposto sem uma audi\u00eancia p\u00fablica e uma discuss\u00e3o can\u00f4nica.\u201d Eis que os cavaleiros de Bamberg se lan\u00e7am ao campo das batalhas jur\u00eddicas! Igualmente movidos por interesses econ\u00f4micos \u2013 em manter um bispo de \u201cpr\u00f3diga liberalidade\u201d \u2013, eles emergem como um terceiro agente nas disputas pelas propriedades e rendas do bispado e sua linha de a\u00e7\u00e3o consistiu em fazer da inobserv\u00e2ncia do devido processo legal uma \u201cinj\u00faria comum a todos aqueles que deviam seu trabalho \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da dignidade\u201d da s\u00e9 de Bamberg; um risco \u00e0 \u201chonra daquela igreja, que [n\u00e3o poderia ser] contaminada por um exemplo t\u00e3o abomin\u00e1vel\u201d; algo, em suma, mais grave que a corrup\u00e7\u00e3o atribu\u00edda a Herman. E gra\u00e7as \u00e0 sua mobiliza\u00e7\u00e3o, conclui Lamberto, o bispo p\u00f4de preservar algum poder local: ele n\u00e3o renunciou a qualquer direito, zombou da excomunh\u00e3o e passou o resto do ano nas propriedades mais distantes da igreja. Aqui, a corrup\u00e7\u00e3o surge ensombrecida, e seu efeito sobre a ordem jur\u00eddica, momentaneamente colocado de lado. Se os cavaleiros se valeram das armas para manter o bispo, o fizeram amparados em premissas legais e no direito de dizer a corrup\u00e7\u00e3o (Lamberto de Hersfeld. <em>Annales<\/em>. MGH SS. rer. Germ. 38, 1894, p. 209-210).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao longo da Idade M\u00e9dia Latina, levar homens e mulheres a perceber a corrup\u00e7\u00e3o era exercer enorme poder ideol\u00f3gico, pois remodelava as identidades sociais, afetava a for\u00e7a das posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, recalibrava o peso das institui\u00e7\u00f5es e permitia reorganizar as formas de acumula\u00e7\u00e3o da riqueza gerada pelo trabalho no interior das sociedades crist\u00e3s. No interior das multifacetadas elites competia-se intensamente pelo controle desse poder, dando forma a maneiras diversas \u2013 e, frequentemente, rivais \u2013 de narrar a corrup\u00e7\u00e3o. Assim, mesmo o caso de uma figura aparentemente unidimensional como Herman, o bispo de Bamberg, revela que a hist\u00f3ria da corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria da multiplicidade e da versatilidade das rela\u00e7\u00f5es de poder e domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bibliografia Consultada<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fontes Medievais Impressas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRUNO DE MERSEBURG. <em>De Bello Saxonico<\/em>. In: LOHMANN, Hans-Eberhard (Ed.). <em>Monumenta Germaniae Historica<\/em>. Leipzig: Verlag Karl W. Hiersemann, 1937, Deutsches Mittelater Kristicshe Studientexte, vol. 2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GREG\u00d3RIO VII. <em>Registrum<\/em>. In: CASPAR, Eric (Ed.). <em>Monumenta Germaniae Historica<\/em>. Berlim: Weidmannsche Buchhandlung, 1920, Epistolae Selectae, vol. 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LAMBERTO DE HERSFELD. <em>Annales<\/em>. In: HOLDER-EGGER, Oswaldus (Ed.). <em>Monumenta Germaniae Historica<\/em>. Hannover e Leipzig: Impensis Bibliopoli Hahniani, 1894, Scriptores Rerum Germanicarum, vol. 38.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estudos <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LYON. Jonathan. <em>Corruption, Protection and Justice in Medieval Europe: <\/em>a Thousand-Year History. Cambridge: Cambridge University Press, 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RUST, Leandro Duarte. <em>Bispos Guerreiros<\/em>: viol\u00eancia e f\u00e9 antes das Cruzadas. Petr\u00f3polis: Vozes, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____,_____________. A Santidade Enfurecida: monges e bispos medievais em uma disputa pelas emo\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. <em>Revista Medievalista<\/em>, Lisboa, 2020, v. 28, p. 279-310.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Doutor em Hist\u00f3ria pela Universidade Federal Fluminense (<a href=\"mailto:leandro.rust@unb.br\">leandro.rust@unb.br<\/a>). Lattes: <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2003089985913278\">http:\/\/lattes.cnpq.br\/2003089985913278<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 17 de Dezembro de 2024.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> RUST, Leandro. Uridindo a corrup\u00e7\u00e3o: narrativas, riquezas e poder na igreja medieval. <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 17 dez. 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/urdindo-a-corrupcao-narrativas-riqueza-e-poder-na-igreja-medieval\/\">https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/urdindo-a-corrupcao-narrativas-riqueza-e-poder-na-igreja-medieval. <\/a>Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leandro Duarte Rust[1] &nbsp; \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por vezes, as areias do tempo esmagam homens e mulheres. Soterram suas exist\u00eancias e, comprimindo-as com seu peso incomensur\u00e1vel, encolhem suas trajet\u00f3rias sociais, transformando-os em figuras rasas, estreitas, achatadas. Deslizando sobre a vida, o devir arrasta raz\u00f5es e experi\u00eancias, deforma motivos e pr\u00e1ticas, e o que resta s\u00e3o figuras unidimensionais, &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/urdindo-a-corrupcao-narrativas-riqueza-e-poder-na-igreja-medieval\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1170,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-6284","page","type-page","status-publish","hentry","nodate","item-wrap"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.7 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>URDINDO A CORRUP\u00c7\u00c3O: NARRATIVAS, RIQUEZA E PODER NA IGREJA MEDIEVAL - POIEMA<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/urdindo-a-corrupcao-narrativas-riqueza-e-poder-na-igreja-medieval\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"URDINDO A CORRUP\u00c7\u00c3O: NARRATIVAS, RIQUEZA E PODER NA IGREJA MEDIEVAL - POIEMA\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Leandro Duarte Rust[1] &nbsp; \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por vezes, as areias do tempo esmagam homens e mulheres. 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