{"id":6273,"date":"2024-12-03T12:00:50","date_gmt":"2024-12-03T15:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=6273"},"modified":"2024-12-02T13:35:57","modified_gmt":"2024-12-02T16:35:57","slug":"jesus-perseguidor-a-narrativa-biblica-da-expulsao-dos-negociantes-do-templo-na-polemica-anti-heretica-medieval","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/jesus-perseguidor-a-narrativa-biblica-da-expulsao-dos-negociantes-do-templo-na-polemica-anti-heretica-medieval\/","title":{"rendered":"JESUS PERSEGUIDOR?  A NARRATIVA B\u00cdBLICA DA EXPULS\u00c3O DOS NEGOCIANTES DO TEMPLO NA POL\u00caMICA ANTI-HER\u00c9TICA MEDIEVAL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Patr\u00edcia Antunes Serieiro Silva<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 20vw;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Estando pr\u00f3xima a P\u00e1scoa dos judeus, Jesus subiu a Jerusal\u00e9m. No Templo, encontrou os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados. Tendo feito um chicote de cordas, expulsou todos do Templo, com as ovelhas e com os bois; lan\u00e7ou ao ch\u00e3o o dinheiro dos cambistas e derrubou as mesas e disse aos que vendiam pombas: \u201cTirai tudo isto daqui; n\u00e3o fa\u00e7ais da casa de meu Pai uma casa de com\u00e9rcio\u201d (Jo 2:13-16).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos anos, no contexto de crescimento da extrema-direita no Brasil e no mundo, vimos, com surpresa, proliferarem coment\u00e1rios, em especial, nas redes sociais, destacando a faceta violenta de Cristo. Apoiados na famosa passagem b\u00edblica em que ele expulsa os vendedores e os cambistas do templo, relatada, com algumas varia\u00e7\u00f5es, nos quatro Evangelhos can\u00f4nicos (Mc 11:15-19; Mt 21:12-17; Lc 19:45; Jo 2:13-22), tais posicionamentos vinham, geralmente, de alguns evang\u00e9licos e cat\u00f3licos, que demonstravam apoio ao ent\u00e3o governo de Jair Messias Bolsonaro (2019-2022). Esse fen\u00f4meno, que n\u00e3o \u00e9 novo na hist\u00f3ria e ainda est\u00e1 em curso, revela a tentativa de certos grupos radicais de legitimar pr\u00e1ticas e ideologias pol\u00edticas com base nos textos b\u00edblicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A per\u00edcope em que os vendilh\u00f5es do templo s\u00e3o expulsos por Jesus \u00e9 considerada o \u00fanico relato em que Cristo, de fato, fez uso da for\u00e7a f\u00edsica. Esse car\u00e1ter \u00edmpar rendeu ao epis\u00f3dio in\u00fameros coment\u00e1rios e alus\u00f5es art\u00edsticas ao longo da hist\u00f3ria. De acordo com Fr\u00e9d\u00e9ric Chapot (2022), os evangelistas nada viram de divergente entre a atitude violenta de Jesus e o seu comportamento de um modo geral. Na exegese patr\u00edstica, com exce\u00e7\u00e3o de Agostinho (354-430), o gesto de Jesus foi entendido como manifesta\u00e7\u00e3o divina, ocupando um aspecto marginal nos debates religiosos da Antiguidade (Ibidem). J\u00e1 na Idade M\u00e9dia, como demonstrou o estudo de Emmanuel Bain (2008), o evento teve um amplo uso social. Ele foi utilizado nas querelas contra as pr\u00e1ticas simon\u00edacas, na valoriza\u00e7\u00e3o dos lugares de culto, no apelo \u00e0s Cruzadas, na cr\u00edtica aos mercadores e na pol\u00eamica contra as heresias \u2013 o que nos interessa aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo XIII, momento de intensifica\u00e7\u00e3o e de sistematiza\u00e7\u00e3o de medidas coercivas contra os indiv\u00edduos definidos como hereges<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> \u2013 entre as quais, a Cruzada contra os albigenses (1209-1229), a pena de morte para os casos de obstina\u00e7\u00e3o e reincid\u00eancia e a cria\u00e7\u00e3o de um organismo como a Inquisi\u00e7\u00e3o \u2013, diversos autores, eclesi\u00e1sticos e laicos, se serviram desse e de outras narrativas b\u00edblicas para justificar e legitimar a persegui\u00e7\u00e3o contra os \u201crebeldes da f\u00e9\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A passagem de Jesus expulsando os negociantes do templo, interpretada sob perspectiva repressiva, foi utilizada nos cap\u00edtulos dos tratados de refuta\u00e7\u00e3o das heresias em que o mandamento \u201cN\u00e3o matar\u00e1s\u201d (<em>non occides<\/em>) \u00e9 abordado. Neles, s\u00e3o expostos os argumentos b\u00edblicos, patr\u00edsticos e racionais que d\u00e3o prova, segundo os escritores dessas obras, do car\u00e1ter l\u00edcito das puni\u00e7\u00f5es infligidas pelo poder p\u00fablico, em especial, a pena capital, aos criminosos e, principalmente, aos hereges incorrig\u00edveis (os obstinados e os reincidentes).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A defini\u00e7\u00e3o de persegui\u00e7\u00e3o <em>(persecutio<\/em>) nem sempre \u00e9 clara nessa literatura pol\u00eamica. Conforme Moneta de Cremona (?-c.1260), frade pregador do convento de Bolonha e autor de um tratado contra as heresias \u2013 intitulado <em>Summa adversus catharos et valdenses<\/em>, composto na d\u00e9cada de 40 do s\u00e9culo XIII \u2013, as persegui\u00e7\u00f5es englobam uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es que v\u00e3o desde a difama\u00e7\u00e3o, o confisco dos bens, o a\u00e7oitamento at\u00e9 a pris\u00e3o ou a pena de morte <em>(vindicta<\/em>) (CREMONENSIS, 1743, livro V, cap. 13). Na normativa anti-her\u00e9tica eclesi\u00e1stica, elaborada em fins do s\u00e9culo XII e no s\u00e9culo XIII, caso o herege descoberto n\u00e3o abjurasse da heresia ou ca\u00edsse novamente no erro, devia ser entregue ao bra\u00e7o secular para receber a justa puni\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eram previstas san\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m para os que favorecessem ou protegessem os dissidentes religiosos ou para as autoridades eclesi\u00e1sticas ou laicas que resistissem a puni-los. Embora a pena capital de hereges \u2013 e dos demais malfeitores, em alguns escritos \u2013 fosse o objeto de maior aten\u00e7\u00e3o desses polemistas, constam tamb\u00e9m, nesses cap\u00edtulos, as penas que a igreja poderia aplicar aos pecadores, como excomunh\u00f5es, an\u00e1temas e diversas formas de penit\u00eancia, na hip\u00f3tese de arrependimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio da expuls\u00e3o dos vendedores e cambistas do templo foi usado, de modo constante, na literatura contra os hereges, porque, ao mesmo tempo em que era um relato excepcional aos argumentos a favor da repress\u00e3o contra os que divergiam da igreja cat\u00f3lico-romana, ele refutava a opini\u00e3o dos c\u00e1taros e dos valdenses \u2013 os principais alvos da controv\u00e9rsia e das persegui\u00e7\u00f5es, no s\u00e9culo XIII \u2013, de que Cristo condenou a viol\u00eancia em qualquer situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <em>Antihaeresis<\/em>, tratado composto no in\u00edcio do s\u00e9culo XIII e atribu\u00eddo ao te\u00f3logo e gram\u00e1tico Everardo de B\u00e9thune (?-1212), a passagem de Cristo expulsando os comerciantes do templo com um chicote de cordas \u00e9 recorrida no d\u00e9cimo quinto cap\u00edtulo, <em>Quod punire debeamus malefactores et etiam occidere<\/em><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, para mostrar que os pecadores podem ser a\u00e7oitados e expulsos da igreja:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 20vw;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Os hereges que vendem as ovelhas, bois e pombas fazem da igreja de Deus uma casa de neg\u00f3cios. Vendem ovelhas, quando mostram a sua simplicidade, para que consigam a boa vontade dos homens, e, semelhantemente, quando vendem as pombas. Vendem os bois quando, supersticiosamente, alegam a tribula\u00e7\u00e3o da carne: por essa raz\u00e3o recebem o pagamento. Mas o Senhor, fazendo o flagelo por meio de um cordel, da igreja os expele e os flagela. Portanto, \u00e9 permitido flagelar e expelir os pecadores da igreja. (BETHUNENSIS, 1677, cap. 15, p. 1557a).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora, nalguns trechos do cap\u00edtulo, o te\u00f3logo-polemista considere tamb\u00e9m outros tipos de crimes pass\u00edveis de corre\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o (furtos, homic\u00eddios, falso testemunho etc.), na interpreta\u00e7\u00e3o do epis\u00f3dio b\u00edblico, fazendo uso de uma leitura simb\u00f3lica, os negociantes do templo s\u00e3o identificados apenas aos hereges. O chicote de cordas utilizado por Jesus na cena \u00e9 associado, por Everardo, ao mesmo objeto mencionado nos vers\u00edculos de Isa\u00edas 5:18 (\u201c<em>Ai dos que se apegam \u00e0 iniquidade, arrastando-a com as cordas da mentira, e o pecado com tirantes de carro<\/em>\u201d); 3:24 (\u201c<em>em lugar<\/em> <em>de b\u00e1lsamo haver\u00e1 mau cheiro; em lugar de cinto, uma corda<\/em>\u201d); e de Mateus 22:13 (\u201c<em>Amarrai-lhe os p\u00e9s e as m\u00e3os e lan\u00e7ai-o fora, nas trevas exteriores<\/em>\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal trecho b\u00edblico \u00e9 retomado na <em>Disputatio inter catholicum et paterinum hereticum<\/em>, um tratado em forma de disputa entre um cat\u00f3lico e um herege patarino<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>, atribu\u00eddo a um laico de nome <em>Georgius<\/em>, redigido entre 1210 e 1234, na Lombardia. No d\u00e9cimo primeiro cap\u00edtulo, nomeado <em>De penis temporalibus, quas iuste se credit inferre ecclesia, sed Manicheus sic loquitur contra<\/em><a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>, em que se discutem as penas temporais impostas pela igreja aos dissidentes religiosos, a per\u00edcope surge ao lado de outras, para provar que os cat\u00f3licos perseguem os maus hereges, n\u00e3o para que perecessem, mas para que fossem convertidos (<em>DISPUTATIO<\/em>, 2001, cap. 11). Diante das dificuldades de uma convers\u00e3o espont\u00e2nea desses pecadores, a igreja poderia for\u00e7\u00e1-los a tal, conforme interpreta\u00e7\u00e3o que Agostinho fez da par\u00e1bola do banquete nupcial (Lc 14:17; Mt 22:2) na luta contra os Donatistas: \u201cobrigue-os a entrar\u201d. No entanto, o polemista n\u00e3o se estende sobre o epis\u00f3dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em 1235, momento de grande repress\u00e3o contra os hereges nas cidades do centro e do norte da pen\u00ednsula it\u00e1lica, a passagem \u00e9 empregada em outro tratado anti-her\u00e9tico composto tamb\u00e9m por um laico. Trata-se do <em>Liber Suprastella<\/em>, de Salvo Burci (s\u00e9culos XII-XIII), da cidade de Plac\u00eancia. Dessa vez, h\u00e1 um destaque maior \u00e0 narrativa b\u00edblica, que \u00e9 analisada no trig\u00e9simo cap\u00edtulo <em>De gladio temporali<\/em><a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>. Todavia, ao contr\u00e1rio de Everardo de B\u00e9thune e do laico <em>Georgius<\/em>, Burci n\u00e3o associa os mercadores do templo apenas aos hereges, mas aos malfeitores de um modo geral (homicidas, ladr\u00f5es, fals\u00e1rios). Al\u00e9m disso, sua interpreta\u00e7\u00e3o sobre a narrativa b\u00edblica gira em torno do dever e da legitimidade do poder secular de punir. Cristo, nesse contexto, \u00e9 tomado como exemplo a ser seguido tamb\u00e9m pelas autoridades seculares. De acordo com o polemista piacentino, ele n\u00e3o quis apenas fazer a <em>vindicta<\/em> espiritual \u2013 que \u00e9 a puni\u00e7\u00e3o da igreja \u2013, mas tamb\u00e9m a temporal, quando, por suas pr\u00f3prias m\u00e3os, expulsou os vendedores do templo, a\u00e7oitando-os e jogou fora o dinheiro:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 20vw;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Portanto, por que n\u00e3o acreditais que pr\u00edncipes e potestades, que s\u00e3o ordenados por Deus, n\u00e3o podem fazer <em>vindicta<\/em>? Porque Cristo, que tamb\u00e9m era pont\u00edfice espiritual, quis usar n\u00e3o apenas a <em>vindicta<\/em> espiritual, mas tamb\u00e9m a temporal. (BURCI, 2002, cap. 30, p. 273).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O laico afirma ainda que aquele que expulsa batendo e que joga fora os bens materiais, como fez Cristo, realiza uma grande <em>vindicta<\/em>, \u201cporque h\u00e1 muitos homens no mundo que prefeririam suportar a perda de um membro do corpo do que a perda de coisas materiais\u201d (Idem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato b\u00edblico da expuls\u00e3o dos negociantes do templo por Jesus tamb\u00e9m foi recorrido nos escritos de refuta\u00e7\u00e3o das heresias compostos por frades pregadores, agentes do papado e novos personagens no combate aos desvios religiosos, no s\u00e9culo XIII. Ele surge na <em>Disputatione inter christianum romanum et patarenum bosnensem<\/em>, obra escrita antes de 1241 e atribu\u00edda a frei Paulo, o H\u00fangaro (1170\/75-1255), do convento dos Pregadores de Bolonha. No terceiro cap\u00edtulo <em>De persecutione<\/em><a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>, o mendicante utiliza-se da passagem como exemplo de que Cristo perseguiu os maus e os \u00edmpios, comparando-os com os hereges de seu tempo: \u201c<em>Sois, com toda raz\u00e3o, aqueles que destroem o templo de Deus<\/em>\u201d (<em>DISPUTATIONE<\/em>, 2000, cap. 3, p. 66).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro frade do convento bolonh\u00eas a fazer uma exegese da per\u00edcope com base na repress\u00e3o contra os hereges e demais malfeitores foi o j\u00e1 citado frei Moneta de Cremona.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> Ao abordar a persegui\u00e7\u00e3o contra os hereges e outros malfeitores, no d\u00e9cimo terceiro cap\u00edtulo do V Livro de sua Suma, intitulado <em>De isto mandato<\/em>: <em>Non occides<\/em>; <em>et unde probent haeretici persecutionem, et vindictam esse illicitam<\/em><a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>, o dominicano recorre a Jo\u00e3o 2:15 como principal exemplo hist\u00f3rico, para mostrar que a igreja crist\u00e3 primitiva expulsava e flagelava seus inimigos, refutando, assim, a opini\u00e3o dos hereges de que n\u00e3o havia persegui\u00e7\u00f5es na verdadeira igreja institu\u00edda por Deus. \u00c0 luz do relato joanino, o comportamento de Cristo \u00e9 tomado como prova e, ao mesmo tempo, como modelo que os prelados devem seguir aos que praticam a \u201cpersegui\u00e7\u00e3o injusta\u201d:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 20vw;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">[&#8230;] n\u00e3o te parece claro que Cristo expulsou do templo os perversos mercadores com chicotes de cordas? N\u00e3o revirou suas mesas, onde havia moedas, e os afrontou veementemente? Fazer tais coisas n\u00e3o \u00e9 perseguir? Principalmente. A n\u00e3o ser que queiras reduzir a persegui\u00e7\u00e3o a persegui\u00e7\u00e3o injusta; existe, por\u00e9m, a persegui\u00e7\u00e3o justa e a injusta; justa \u00e9 a que faz a igreja contra os inimigos da f\u00e9 Crist\u00e3, para que se afastem da perdi\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o induzam outros a se perderem. Sobre esta persegui\u00e7\u00e3o disse B. Agostinho a certo her\u00e9tico: \u201cDizei-me, de quem \u00e9 esta frase: (Salmos 100. v. 5). Aquele que se aparta em seu \u00edntimo retiro, este eu perseguirei\u201d. (CREMONENSIS, 1743, livro V, cap. 13, p. 510a-b).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Moneta utiliza os conceitos de \u201cpersegui\u00e7\u00e3o injusta\u201d e de \u201cpersegui\u00e7\u00e3o justa\u201d de Agostinho, o que j\u00e1 aparece em outros polemistas, como o laico <em>Georgius<\/em> e o frei Paulo. O primeiro tipo de persegui\u00e7\u00e3o \u00e9 empreendido pelos \u00edmpios contra a igreja de Deus (Igreja Romana); j\u00e1 o segundo, de car\u00e1ter exemplar, \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria dela para afastar os hereges da perdi\u00e7\u00e3o e para evitar que induzam os outros ao erro. Portanto, para o frade dominicano, Cristo e seus ap\u00f3stolos foram enviados tanto para fazerem a persegui\u00e7\u00e3o justa quanto para sofrerem a persegui\u00e7\u00e3o injusta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A expuls\u00e3o dos mercadores do templo aparece ainda em outro trecho do cap\u00edtulo. Contudo, em vez de usar o termo <em>persecutio<\/em> (aqui no sentido de expuls\u00e3o e flagelo), o religioso emprega a palavra <em>ultio<\/em>, um dos tr\u00eas termos para designar vingan\u00e7a, na documenta\u00e7\u00e3o medieval, ligada \u00e0 majestade divina ou secular.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Ao refutar a opini\u00e3o dos hereges de que a pena de morte seria um pecado, ele afirma que Cristo aplicou a <em>ultio<\/em> contra os vendedores do templo: \u201c<em>Al\u00e9m disso, acaso Cristo n\u00e3o aplica a <\/em>ultio<em> sobre alguns? Certamente. Acaso n\u00e3o torna o mal por mal? Est\u00e1 claro que aplicava a<\/em> ultio (Jo 2:15), <em>quando expulsa os vendedores do templo<\/em>\u201d (CREMONENSIS, 1743, livro V, cap. 13, p. 527b). Outros vers\u00edculos b\u00edblicos s\u00e3o recolhidos por Moneta para refor\u00e7ar que Cristo n\u00e3o foi s\u00f3 exemplo de persegui\u00e7\u00e3o, mas de \u201cobras de justi\u00e7a\u201d ou da <em>ultio<\/em>. \u00c9 o caso de Mt 21:19, em que ele faz a figueira secar: \u201c<em>Vendo uma figueira \u00e0 beira do caminho, aproximou-se dela, mas nada encontrou, a n\u00e3o ser folhas. Ent\u00e3o lhe disse: \u2018Nunca mais d\u00ea frutos! Imediatamente a \u00e1rvore secou<\/em>\u201d (Ibidem, p. 528a); o epis\u00f3dio narrado em Mt 8:32, em que ele envia dem\u00f4nios aos porcos: \u201c<em>Ele lhes disse: \u2018V\u00e3o!\u2019 Eles sa\u00edram e entraram nos porcos, e toda a manada atirou-se precip\u00edcio abaixo, em dire\u00e7\u00e3o ao mar, e morreu afogada<\/em>\u201d (Idem); a passagem em que ele derruba os judeus que deviam captur\u00e1-lo, como dito em Jo 18:6: \u201c<em>Quando, pois, lhe disse: Sou eu, recuaram, e ca\u00edram por terra<\/em>\u201d (Ibidem, p. 523a) e ainda Mateus 23: 13-16, em que Jesus diz, em tom amea\u00e7ador, aos escribas e fariseus: \u201cai de v\u00f3s\u201d (Idem). Todos os vers\u00edculos foram citados a fim de exemplificar a faceta violenta de Cristo em rela\u00e7\u00e3o aos inimigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do conjunto, algumas considera\u00e7\u00f5es s\u00e3o poss\u00edveis. Embora a chave de leitura seja sempre a coer\u00e7\u00e3o feita por Cristo e, portanto, a legitimidade da persegui\u00e7\u00e3o contra os hereges, os polemistas cat\u00f3licos apresentam interpreta\u00e7\u00f5es variadas. A leitura de Salvo Burci sobre a passagem toma Cristo como modelo de puni\u00e7\u00e3o para os pr\u00edncipes e outras autoridades seculares, enquanto os demais entendem a repress\u00e3o praticada por Jesus como modelo para os prelados. O fato de Burci ser um laico talvez tenha influenciado na compreens\u00e3o do epis\u00f3dio. Outro aspecto interessante \u00e9 que Burci e Moneta tomam os comerciantes do templo como os malfeitores de um modo geral, incluindo os hereges, ao passo que os demais polemistas tendem a associ\u00e1-los somente aos dissidentes religiosos. Mais um aspecto importante diz respeito ao m\u00e9todo exeg\u00e9tico escolhido pelos polemistas. Os dominicanos Paulo e Moneta tendem a fazer uma exegese hist\u00f3rica, ligando a igreja crist\u00e3 primitiva \u00e0 igreja de seu tempo, ao passo que Everardo, por exemplo, recorre a uma interpreta\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, ao fazer uma analogia entre os hereges e os comerciantes do epis\u00f3dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AMES, C. C. <em>Righteous Persecution<\/em>: Inquisition, Dominicans, and Christianity in the Middle Age. University of Pennsylvania Press, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BAIN, E. Les marchands chass\u00e9s du Temple, entre commentaires et usages sociaux. In: <em>M\u00e9di\u00e9vales<\/em>. Langues, Textes, Histoire, 55, Presses universitaires de Vincennes, 2008, pp. 53-74.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">B\u00edblia de Jerus\u00e1lem. Nova edi\u00e7\u00e3o, revista e ampliada. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CHAPOT, F. J\u00e9sus et la violence. L\u2019expulsion des marchands du Temple dans l\u2019ex\u00e9g\u00e8se patristique (Mt 21, 12-13; Mc 11, 15-17; Lc 19, 45-46; Jn 2, 13-17). In: COURTRAY, R.; BURNET, R.; LAGOUAN\u00c8RE, J., RENARD, M. (Eds.) <em>Du J\u00e9sus des Ecritures au Christ des th\u00e9ologiens. Les P\u00e8res de l\u2019\u00c9glise, lecteurs de la vie de J\u00e9sus <\/em>(Cahiers de Biblia Patristica 24), Turnhout: Brepols 2023, pp. 76-107.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DAHAN, G. <em>L\u2019ex\u00e9g\u00e8se chr\u00e9tienne de la Bible en Occident m\u00e9di\u00e9val. XII-XIV si\u00e8cle<\/em>. Paris: Les \u00e9ditions du Cerf, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Disputatio inter catholicum et paterirun hereticum<\/em>. Die Auseinandersetzung der katholischen Kirche mit den italienischen Katharern im Spiegel einer kontroverstheologischen Streitschrift des 13. Jahrhunderts. Ed. Carola Ho\u00e9cker, Florence, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Disputatione inter christianum romanum et patarenum bosnensem<\/em>. In: SANJEK, F. Pavao Dalmatinac (1170\/75.-1255): Rasprava izmedu rimokatolika i bosanskog patarena. <em>STARINE<\/em>, 61, 2000, pp. 21-121.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">EBRARDUS BETHUNENSIS. Antihaeresis. In: <em>Maxima Bibliotheca Veterum Patrum <\/em>[&#8230;]. Ed. Marguerin de La Bigne, Parte III, vol. II, t. XXIV, <em>Lugduni Apud Anissonios<\/em>, 1677.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MERLO, G. G. <em>Inquisitori e Inquisizione del Medioevo<\/em>. Bologna: il Mulino, 2008<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MONETAE CREMONENSIS. <em>Adversus Catharos et Valdenses: Libri Quinque.<\/em> Ed. Fr. Thomas Augustinus Ricchinius. Roma: Ex Typographia Palladis, 1743.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MOORE, R. <em>La pers\u00e9cution. Sa formation en Europe. X-XIII si\u00e8cle.<\/em> Paris: Les Belles Lettres, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PAOLINI, L. <em>Le piccole volpi<\/em>. Chiesa ed eretici nel medioevo. Bologna: Bononia University Press, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PLEYERS, G. A \u201cGuerra dos deuses\u201d no Brasil: da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro\u201d. In: <em>Educa\u00e7\u00e3o &amp; Sociedade<\/em>, Campinas, vol. 41,\u00a02020, pp. 1-17\u00a0(Dossi\u00ea: Movimentos Sociais e Transforma\u00e7\u00f5es do Ativismo Contempor\u00e2neo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SALVO BURCI. <em>Liber Suprastella<\/em>, a cura di Caterina Bruschi. Roma: Istituto Storico Italiano, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VAUCHEZ, A. In occidente: la repressione dell\u2019eresia e le nuove forme di dissidenza. In: MAYEUR, J.-M. (Dir.). <em>Storia del cristianesimo. <\/em>Religione, politica, cultura. Apogeo del papato ed espansione della cristianit\u00e0 (1054-1274). Roma:\u00a0 Borla Edizioni, 1997, pp. 781-803, t. 5.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Doutora em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 USP (pantunes@usp.br). <em>Link<\/em> do curr\u00edculo lattes: http:\/\/lattes.cnpq.br\/7149065470206236.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> O conceito de heresia passou por profundas revis\u00f5es historiogr\u00e1ficas nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Como observou Lorenzo Paolini (2013), a defini\u00e7\u00e3o de heresia, de forma un\u00edvoca e sint\u00e9tica, n\u00e3o \u00e9 encontrada na literatura teol\u00f3gica medieval. De todo modo, podemos situar os hereges, em especial, os que estiveram na mira dos polemistas cat\u00f3licos, no \u00e2mbito dos cristianismos divergentes. Com base nos Evangelhos, eles buscavam viver um modelo de <em>ecclesia <\/em>espiritual \u2013 condenando qualquer poder coercitivo, entre outros aspectos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Sobre o assunto, ver: Vauchez (1997), Moore (2004), Merlo (2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Tradu\u00e7\u00e3o livre: \u201cQue devemos punir os malfeitores e at\u00e9 mat\u00e1-los\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Nome dado aos hereges dualistas da Lombardia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Tradu\u00e7\u00e3o livre: \u201cSobre as penas temporais, as quais a igreja acredita justamente impor, mas o Maniqueu assim diz contra\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> Tradu\u00e7\u00e3o livre: \u201cSobre o gl\u00e1dio temporal\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> Tradu\u00e7\u00e3o: \u201cSobre a persegui\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> Vale ressaltar que o dominicano se utilizou da mesma passagem b\u00edblica para abordar outras tem\u00e1ticas em seu tratado anti-her\u00e9tico, como a materialidade da igreja; a bondade de Deus no Velho Testamento \u2013 que os dualistas questionavam; as ordens da igreja cat\u00f3lica, em especial, os hosti\u00e1rios; e os flagelos feitos por Deus. Trata-se, conforme observou Gilbert Dahan (2008), de um dos tra\u00e7os fundamentais da exegese b\u00edblica medieval: a pluralidade de leituras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> Tradu\u00e7\u00e3o livre: \u201cSobre este mandamento: N\u00e3o matar\u00e1s e de onde os hereges provam que a persegui\u00e7\u00e3o e a vingan\u00e7a s\u00e3o il\u00edcitas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Os outros dois termos s\u00e3o <em>vindicta<\/em> e <em>faida<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 03 de Dezembro de 2024.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar: <\/strong>SILVA, Patr\u00edcia Antunes Serieiro &#8211; Jesus perseguidor? A narrativa b\u00edblica da expuls\u00e3o dos negociantes do templo na pol\u00eamica anti-her\u00e9tica medieval. Blog do POIEMA. Pelotas: 03 dez. 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/jesus-perseguidor-a-narrativa-biblica-da-expulsao-dos-negociantes-do-templo-na-polemica-anti-heretica-medieval\">https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/jesus-perseguidor-a-narrativa-biblica-da-expulsao-dos-negociantes-do-templo-na-polemica-anti-heretica-medieval.<\/a>Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patr\u00edcia Antunes Serieiro Silva[1] Estando pr\u00f3xima a P\u00e1scoa dos judeus, Jesus subiu a Jerusal\u00e9m. No Templo, encontrou os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados. Tendo feito um chicote de cordas, expulsou todos do Templo, com as ovelhas e com os bois; lan\u00e7ou ao ch\u00e3o o dinheiro dos cambistas e &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/jesus-perseguidor-a-narrativa-biblica-da-expulsao-dos-negociantes-do-templo-na-polemica-anti-heretica-medieval\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1170,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"class_list":["post-6273","page","type-page","status-publish","hentry","nodate","item-wrap"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.6 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>JESUS PERSEGUIDOR? 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