{"id":6247,"date":"2024-11-05T12:00:29","date_gmt":"2024-11-05T15:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=6247"},"modified":"2024-11-07T17:23:35","modified_gmt":"2024-11-07T20:23:35","slug":"notas-sobre-a-cavalaria","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/notas-sobre-a-cavalaria\/","title":{"rendered":"NOTAS SOBRE A CAVALARIA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Marcus Baccega (UFMA)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cavalaria j\u00e1 nasce estilizada, afirma o historiador holand\u00eas Johann Huizinga no cl\u00e1ssico O <em>Outono da Idade M\u00e9dia<\/em> (1919)<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. \u00c9 fato not\u00f3rio que, desde os prim\u00f3rdios do processo social plurissecular de gesta e ascens\u00e3o da cavalaria, entre os s\u00e9culos XI e XIII, mostrou-se vasta a produ\u00e7\u00e3o escrita vern\u00e1cula sobre esta camada social, como atestam as can\u00e7\u00f5es de gesta, os <em>romans<\/em> e, ap\u00f3s Giovanni Boccaccio, as novelas de cavalaria. Estes guerreiros n\u00e3o apenas foram retratados, mas, sim, constitu\u00eddos por tal cultura escrita alto e centro-medieval. Desde cedo, esteve em jogo a configura\u00e7\u00e3o de um <em>ethos<\/em> cavaleiresco por parte das camadas sociais hegem\u00f4nicas da Idade M\u00e9dia Central, ou seja, as aristocracias clerical e nobili\u00e1rquica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As can\u00e7\u00f5es de gesta, cujo modelo primordial \u00e9 a c\u00e9lebre <em>Chanson de Roland <\/em>(c. 1080), revelam um eixo narrativo eminentemente oral, constitu\u00eddo por alitera\u00e7\u00f5es, longos estribilhos e outras estrat\u00e9gias de memoriza\u00e7\u00e3o, seja por parte do declamador ou do audit\u00f3rio de ouvintes. Por sua vez, o <em>roman<\/em> descortina um horizonte de expectativas e rela\u00e7\u00f5es sociais complexas e, em grande medida, palacianas e aristocr\u00e1ticas. O neologismo <em>roman<\/em> adv\u00e9m da express\u00e3o francesa <em>mettre en roman<\/em>, que significa, fundamentalmente, a opera\u00e7\u00e3o de traduzir para um idioma vern\u00e1culo neolatino um <em>corpus<\/em> originalmente redigido em latim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Coet\u00e2neo ao g\u00eanero ret\u00f3rico-po\u00e9tico da <em>Historiografia<\/em>, o <em>roman<\/em> centro-medieval tra\u00e7a uma representa\u00e7\u00e3o abrangente da cavalaria e procura desenhar-lhe um <em>ethos<\/em> trist\u00e2nico, do jovem guerreiro andante, que busca aventuras, exibe grandes feitos de armas e ambiciona gl\u00f3rias mundanas, fama e riqueza. Como explicar, ent\u00e3o, que alguns <em>romans<\/em>, principalmente a muito divulgada <em>Demanda do Santo Graal<\/em>, possam ter notas clericais t\u00e3o vis\u00edveis? Inicia-se, com esta indaga\u00e7\u00e3o, a problem\u00e1tica que nos parece mais relevante. Sendo a cavalaria uma camada social ascendente durante a Idade M\u00e9dia Central, era necess\u00e1rio criar-lhe um molde ideal, n\u00e3o simplesmente para represent\u00e1-la, e, sim, para normatiz\u00e1-la e disciplin\u00e1-la. Este processo ret\u00f3rico-disciplinar de modelagem da cavalaria implicou sua recep\u00e7\u00e3o por parte do <em>ordo<\/em> nobili\u00e1rquico, na condi\u00e7\u00e3o de pequena nobreza guerreira. Com o passar do tempo e a crescente identifica\u00e7\u00e3o da figura do cavaleiro \u00e0 pr\u00f3pria nobreza de <em>bellatores<\/em>, os filhos secundog\u00eanitos dos nobres feudais tornavam-se cavaleiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recebendo um certo dote familiar em ouro, prata ou pedras preciosas, esses novos cavaleiros partiam em busca de aventuras e feitos em armas, visando a participar de justas e torneios e, eventualmente, contrair matrim\u00f4nio com nobres donzelas, sendo-lhes, algumas vezes, enfeudados direitos como a posse fundi\u00e1ria, tribut\u00e1ria, judicante, de ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal, entre outros exemplos. Em alguma medida, desde <em>auctoritates<\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> como o \u00e9pico e trovador da Champanha Chr\u00e9tien de Troyes ou seu contendor cortes\u00e3o Guillaume d\u2019Arras, ambos declamadores da corte de Felipe de Flandres (1143-1191), o <em>roman<\/em> \u00e9 um invent\u00e1rio da vida cavaleiresca, mas n\u00e3o apenas isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo, como afirma Paul Zumthor, em seu magistral <em>La Lettre et la Voix: de la \u201clitt\u00e9rature\u201d m\u00e9di\u00e9vale <\/em>(1978), tanto Guillaume d\u2019Arras quanto Chr\u00e9tien de Troyes eram cl\u00e9rigos convivas de Maria de Champagne (1145-1198) e, ulteriormente, de Felipe de Flandres. \u00c9 not\u00f3rio como tais figuras, de forma\u00e7\u00e3o clerical basilar e portadores de algumas <em>religiones<\/em> clericais, percorrem um itiner\u00e1rio que unifica as cortes principescas, senhoriais e episcopais a localidades de frequ\u00eancia popular, como tabernas, pra\u00e7as p\u00fablicas, estradas, estalagens, cemit\u00e9rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tais atores sociais de cultura intermedi\u00e1ria, como bem conceitua Hil\u00e1rio Franco J\u00fanior, em <em>Meu, Teu, Nosso: Reflex\u00f5es sobre o conceito de cultura intermedi\u00e1ria<\/em>, ensaio componente da colet\u00e2nea <em>A Eva Barbada<\/em> (1995), s\u00e3o agentes h\u00edbridos, que se enunciam a partir de uma ampla camada de interface de s\u00edmbolos, mitos e ritos, entre a cultura popular e a cultura erudita. Em suma, esses atores de uma cultura intermedi\u00e1ria centro-medieval s\u00e3o respons\u00e1veis pelo tr\u00e2nsito da oralidade dos conte\u00fados cavaleirescos e trovadorescos n\u00e3o apenas pelas cortes, mas tamb\u00e9m pelos lugares de manifesta\u00e7\u00e3o da cultura popular. Sua marca sinal\u00e9tica \u00e9 a declama\u00e7\u00e3o oral e a escrita em idioma vern\u00e1culo, considerada a \u00faltima um aux\u00edlio para a oralidade prevalecente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros autores can\u00f4nicos, como Mikhail Bakhtin, em <em>A Cultura Popular na Idade M\u00e9dia e no Renascimento: o contexto de Fran\u00e7ois Rabelais<\/em> (1957), Aaron Gurevitch em <em>As categorias da cultura medieval<\/em> (1983) ou mesmo Carlo Ginzburg em <em>O queijo e os vermes<\/em> (1976), preferem falar sobre uma circularidade \u2013 de fato existente \u2013 entre uma cultura de alto repert\u00f3rio (erudita), acalentada pelos <em>litterati<\/em> (versados no idioma latino), e uma cultura popular cultivada pelos <em>illiterati<\/em>. A cultura popular, inicialmente desprovida de registro escrito, manifesta-se pela ampla gama de gestos, par\u00f3dias, contos orais, saberes ancestrais. Este conhecimento atinge os setores de cultura intermedi\u00e1ria, que se valem de um determinado vern\u00e1culo para dar registro a essas manifesta\u00e7\u00f5es culturais, a partir do s\u00e9culo VIII-IX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, os <em>romans<\/em>, mais pronunciadamente que as can\u00e7\u00f5es de gesta, revelam a elocu\u00e7\u00e3o de outra voz, n\u00e3o coincidente com o <em>ethos<\/em> trist\u00e2nico do amor cort\u00eas. Se \u00e9 verdade que em alguns famosos <em>romans<\/em> centro-medievais, caso, por excel\u00eancia, de <em>Tristan et Iseut<\/em>, h\u00e1 uma narrativa densa sobre o modelo cavaleiresco trist\u00e2nico, seu cultivo da liturgia palaciana ret\u00f3rico-po\u00e9tica do <em>fin\u2019 amor<\/em> (amor cort\u00eas) e sua sanha por aventuras e feitos em armas, outra \u00e9 a voz que necessitamos escutar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se da voz clericalizante do foco narrativo de grandes <em>romans<\/em> como a j\u00e1 mencionada <em>Demanda do Santo Graal<\/em>, com quatro vers\u00f5es ducentistas, a bret\u00e3 do <em>Ciclo da Vulgata<\/em> (c. 1220), aquela do <em>Ciclo da Post-Vulgata<\/em> (c. 1235), a portuguesa (1248) e, finalmente, a finissecular vers\u00e3o alem\u00e3 (c. 1290). Nestes <em>corpora<\/em> narrativos, h\u00e1 um n\u00edtido tom moralizante e clericalizante, que visa a converter o cavaleiro em <em>miles Christi<\/em>, um soldado de Cristo. Leia-se, um guerreiro sob o comando do <em>Corpus Mysticum<\/em> de Cristo na Terra, a Igreja. O integrante da <em>Militia Christi<\/em>, o \u201cex\u00e9rcito\u201d da Igreja, abdica da fama, da gl\u00f3ria mundana e da v\u00e3 cobi\u00e7a por ascens\u00e3o social, t\u00edpicas do <em>miles saeculi<\/em>, o cavaleiro cort\u00eas. O \u00fanico intuito do <em>miles Christi<\/em> \u00e9 servir a Deus, sacramentalmente presente no mundo por seu <em>Corpus Mysticum<\/em>, contribuir e mesmo sacrificar-se para a maior gl\u00f3ria de Cristo. Sob a pluma de S\u00e3o Bernardo de Claraval (c.1090-1153), destacado ide\u00f3logo org\u00e2nico da Igreja Medieval, o ideal da <em>Militia Christi<\/em> ser\u00e1 projetado sobre a Ordem dos Templ\u00e1rios (1118), representada, ideologicamente, como perfeita sociedade cristol\u00f3gica de monges-guerreiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se pode perceber, enfrentam-se dois projetos cristol\u00f3gicos antag\u00f4nicos quanto \u00e0 imagem e \u00e0 conduta ideias do cavaleiro. Esta pugna \u00e9 um epifen\u00f4meno de uma conflagra\u00e7\u00e3o de maior amplitude, mas que passa, necessariamente, pela figura do cavaleiro. Trata-se de um embate interno ao bloco hegem\u00f4nico centro-medieval, constitu\u00eddo em torno de um acordo, muitas vezes tenso e fr\u00e1gil, entre as aristocracias clerical e nobili\u00e1rquica. Os s\u00e9culos XI a XIII conheceram uma intensa disputa ret\u00f3rico-pol\u00edtica entre a pretens\u00e3o de erigir uma teocracia pontif\u00edcia, por parte da chamada Reforma Eclesial (dita \u201cGregoriana\u201d), por um lado, e por outro, uma resist\u00eancia simb\u00f3lica da nobreza de espada a essa investida clerical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, o <em>ordo<\/em> nobili\u00e1rquico procura resistir \u00e0 pretens\u00e3o pol\u00edtica de <em>plenitudo potestatis<\/em> da Igreja por meio de uma imensa efabula\u00e7\u00e3o mitopo\u00e9tica que, ao fim, engendra um cristianismo alternativo, tendente \u00e0 heresia e profundamente impregnado de mitemas pr\u00e9-crist\u00e3os, celtas, germ\u00e2nicos e greco-romanos. S\u00e3o exemplos os mitos da fada Melusina e sua vincula\u00e7\u00e3o com a linhagem nobre de Poitou, os Lusignan, ou o mitema da mulher-dem\u00f4nio, que seria ancestral da Dinastia dos Plantagenetas. Este processo hist\u00f3rico foi denominado <em>Rea\u00e7\u00e3o Folcl\u00f3rica<\/em> por Jacques Le Goff, em seu belo ensaio <em>Cultura eclesi\u00e1stica e cultura folcl\u00f3rica na Idade M\u00e9dia:\u00a0S\u00e3o\u00a0Marcelo de\u00a0Paris\u00a0e o\u00a0drag\u00e3o <\/em>(1970).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fundo, a disputa ret\u00f3rico-pol\u00edtica pela imagem e pelo <em>ethos<\/em> dos cavaleiros desvela a tens\u00e3o interna ao bloco hegem\u00f4nico medieval, exibindo as contradi\u00e7\u00f5es entre as pr\u00f3prias camadas sociais hegem\u00f4nicas. Como ensina o fil\u00f3sofo pol\u00edtico italiano Antonio Gramsci, no XXIII de seus <em>Cadernos do C\u00e1rcere<\/em> (1937), a capacidade de um determinado concerto hegem\u00f4nico de impor uma ordena\u00e7\u00e3o social coesa depende do fortalecimento de sua tessitura interna, o que pressup\u00f5e um compromisso ret\u00f3rico-pol\u00edtico entre as camadas que o constituem. \u00c9 nestes precisos termos que surge a figura do cavaleiro perfeito Galaad, destinado a comungar dos mist\u00e9rios e beatitudes mais rec\u00f4nditos do Santo Graal.\u00a0 Assim como o monte que leva seu nome no cap\u00edtulo 31, vers\u00edculo 48 do <em>Livro de Genesis<\/em>, o personagem Galaad represente um ponto de converg\u00eancia e compromisso entre os dois <em>ethoi<\/em> cavaleirescos, por meio de uma ascend\u00eancia da Igreja sobre a aristocracia de espada, refor\u00e7ando a coes\u00e3o interna do bloco hegem\u00f4nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como assinalamos no in\u00edcio deste breve texto, a cavalaria realmente j\u00e1 nasce estilizada, na medida em que seus contornos ideol\u00f3gicos e a \u00e9tica cavaleiresca que se lhe prop\u00f5e atravessam um disputa ret\u00f3rico-pol\u00edtica, desde seus prim\u00f3rdios. Os guerreiros haviam sido, ao princ\u00edpio, armados para resguardar os dom\u00ednios senhoriais durante a <em>renovatio imperii<\/em> carol\u00edngia e, depois, durante aquela que Marc Bloch denominou Primeira \u00c9poca Feudal (atomiza\u00e7\u00e3o do poder ap\u00f3s o esfacelamento do <em>Imperium Romanum<\/em> carol\u00edngio). Como integrantes do conjunto subalterno da sociedade alto-medieval, os cavaleiros, n\u00e3o raras vezes, cometiam pequenos ou grandes delitos, como assaltos em vias ou assassinatos a soldo. J\u00e1 ao longo dos s\u00e9culos XI a XIII, de camada subalterna, os cavaleiros ascendem \u00e0 posi\u00e7\u00e3o inferior do <em>ord<\/em>o nobili\u00e1rquico. Essa ascens\u00e3o plurissecular permite-se entrever na semelhan\u00e7a morfol\u00f3gica entre os termos <em>Knecht<\/em> (\u201cservo\u201d, em alem\u00e3o) e <em>Knight<\/em> (cavaleiro, em ingl\u00eas). Desde muito cedo, o papel social e de exemplaridade de conduta da cavalaria foi objeto de acirrada disputa ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal controv\u00e9rsia, entre a Igreja Reformada e a Rea\u00e7\u00e3o Folcl\u00f3rica, descortina o pr\u00f3prio car\u00e1ter ret\u00f3rico-argumentativo dos <em>corpora<\/em> cavaleirescos em vern\u00e1culo. Ao inv\u00e9s de pens\u00e1-los como escritos ficcionais, pensamos que h\u00e1 maior proveito te\u00f3rico em uma tipifica\u00e7\u00e3o ret\u00f3rica. Para Arist\u00f3teles, h\u00e1 fundamentalmente tr\u00eas grandes g\u00eaneros ret\u00f3ricos: o deliberativo (voltado para o futuro), o judici\u00e1rio (voltado para o passado) e o epid\u00edtico ou demonstrativo (voltado para o presente do enunciador). Concebemos e propomos que as narrativas cavaleirescas alto, centro e baixo-medievais estejam inseridas no g\u00eanero ret\u00f3rico epid\u00edtico, uma vez que prop\u00f5em modelos do bom cavaleiro e do mau cavaleiro. Esse \u00faltimo, cultor do amor cort\u00eas, dos feitos em armas e da v\u00e3 gl\u00f3ria do mundo, representado por Lancelot, nos escrito art\u00farico-graalescos, potencialmente fel\u00e3o, op\u00f5e-se ao <em>miles Christi<\/em>, preposto militar da Igreja e de seu projeto pol\u00edtico de <em>plenitudo potestatis<\/em>, figurado no melhor cavaleiro do mundo, Galaad.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste sentido, pensamos que a mat\u00e9ria cavaleiresca, desde a origem estilizada, prov\u00ea um solo ideol\u00f3gico privilegiado para se pesquisar as auto e hetero-representa\u00e7\u00f5es cunhadas no seio do embate entre a Rea\u00e7\u00e3o Folcl\u00f3rica e a Reforma Pontifical.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ARIST\u00d3TELES. <em>Arte Ret\u00f3rica<\/em>. Rio de Janeiro: EDIOURO, 1951.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BACCEGA, Marcus. <em>O Sacramento do Santo Graal<\/em>. Curitiba: Editora CRV, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BAKHTIN, Mikhail. <em>A Cultura Popular na Idade M\u00e9dia e no Renascimento<\/em>: o contexto de Fran\u00e7ois Rabelais. S\u00e3o Paulo: HUCITEC, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BLOCH, Marc. <em>A Sociedade Feudal<\/em>. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOLTON, Brenda. <em>A Reforma na Idade M\u00e9dia. <\/em>Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCO J\u00daNIOR, Hil\u00e1rio. <em>A Eva Barbada<\/em>. Ensaios de Mitologia Medieval. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GINZBURG, Carlo. <em>O Queijo e os Vermes<\/em>. O cotidiano e as ideias de um moleiro perseguido pela Inquisi\u00e7\u00e3o. Tradu\u00e7\u00e3o de Maria Bet\u00e2nia Amoroso e Jos\u00e9 Paulo Paes. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GRAMSCI, Antonio. <em>Cadernos do C\u00e1rcere<\/em>. S\u00e3o Paulo: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GUREVITCH, Aaron. <em>Les cat\u00e9gories de la culture m\u00e9di\u00e9vale. <\/em>Paris: Editions Gallimard, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HUIZINGA, Johann. <em>The Autumn of the Middle Ages. <\/em>Chicago: The University of Chicago Press, 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ZUMTHOR, Paul. <em>La Lettre et la Voix<\/em>: de la \u201clitt\u00e9rature\u201d m\u00e9di\u00e9vale<em>.<\/em> Paris: \u00c9ditions du Seuil, 2003.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Doutor em Hist\u00f3ria pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (FFLCH-USP). Pesquisador do <em>Grupo de Estudos Celtas e Germ\u00e2nicos<\/em> (BRATHAIR) e do <em>Grupo de Estudos e Pesquisas<\/em> (HILL \u2013 Hist\u00f3ria, Cultura Letrada e Outras Linguagens), vinculado ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (PPGHIS-UFMA). Contato: <a href=\"mailto:marcusbaccega@uol.com.br\">marcusbaccega@uol.com.br<\/a> Curr\u00edculo: <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5718340897020123\">http:\/\/lattes.cnpq.br\/5718340897020123<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> <strong>Nota do Editor<\/strong>: As datas designam a publica\u00e7\u00e3o dos originais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> O uso da categoria ret\u00f3rica da <em>auctorita<\/em>s faz-se aqui necess\u00e1rio como medida de precis\u00e3o anal\u00edtica. N\u00e3o h\u00e1, durante a Alta Idade M\u00e9dia (s\u00e9culos IX-XI) e na Idade M\u00e9dia Central (s\u00e9culos XI-XIII) a ideia de uma subjetividade criadora em termos est\u00e9ticos. Os textos, para adquirirem maior circula\u00e7\u00e3o e reputa\u00e7\u00e3o por onde circulassem, eram atribu\u00eddos a nomes de respeito, celebridade intelectual e apre\u00e7o pela comunidade de potenciais leitores e ouvintes.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 05 de Novembro de 2024.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> BACCEGA, Marcus. Notas sobre a cavalaria.<strong> Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 05 nov. 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/notas-sobre-a-cavalaria\/ \u200e\">https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/notas-sobre-a-cavalaria\/. <\/a>Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcus Baccega (UFMA)[1] &nbsp; A cavalaria j\u00e1 nasce estilizada, afirma o historiador holand\u00eas Johann Huizinga no cl\u00e1ssico O Outono da Idade M\u00e9dia (1919)[2]. \u00c9 fato not\u00f3rio que, desde os prim\u00f3rdios do processo social plurissecular de gesta e ascens\u00e3o da cavalaria, entre os s\u00e9culos XI e XIII, mostrou-se vasta a produ\u00e7\u00e3o escrita vern\u00e1cula sobre esta camada &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/notas-sobre-a-cavalaria\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1170,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-6247","page","type-page","status-publish","hentry","nodate","item-wrap"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>NOTAS SOBRE A CAVALARIA - POIEMA<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/notas-sobre-a-cavalaria\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"NOTAS SOBRE A CAVALARIA - POIEMA\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Marcus Baccega (UFMA)[1] &nbsp; 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