{"id":6211,"date":"2024-10-22T12:00:41","date_gmt":"2024-10-22T15:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=6211"},"modified":"2024-10-22T21:07:11","modified_gmt":"2024-10-23T00:07:11","slug":"a-minha-cocanha-particular","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/a-minha-cocanha-particular\/","title":{"rendered":"A MINHA COCANHA PARTICULAR"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Carolina Kesser Barcellos Dias[1]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Os limites imagin\u00e1rios s\u00e3o armaduras<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">apenas aparentes da realidade<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">pois repletos de possibilidades<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(Souza, 1998, p. 134).<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Eu n\u00e3o tinha a inten\u00e7\u00e3o de escrever um texto te\u00f3rico, intelectual ou acad\u00eamico demais, mas tamb\u00e9m n\u00e3o pensei que ele seria t\u00e3o autobiogr\u00e1fico, saudosista e pessoal&#8230; Enfim, espero que voc\u00eas encontrem o caminho do meio ao longo da leitura.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Dos tantos quases acad\u00eamicos que coleciono, um dos que mais gosto \u00e9 o que quase me fez medievalista. No primeiro semestre da gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria, tive um professor legal e sarc\u00e1stico, que fazia piadas ruins, mas dava aulas interessantes com discuss\u00f5es empolgantes na cadeira de Hist\u00f3ria Medieval. Acontece que ele estava tapando um buraco, pois era especialista em Ensino de Hist\u00f3ria, uma \u00e1rea ainda jovem, e que n\u00e3o existia como disciplina no curr\u00edculo do meu curso. No segundo semestre daquele ano, entretanto, duas novas professoras chegaram na universidade para assumir as disciplinas nas quais eram especialistas, e foi a\u00ed que minha carreira acad\u00eamica come\u00e7ou a se delinear.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Uma das professoras, a de Hist\u00f3ria Antiga, tornou-se minha orientadora do TCC; segui sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica, justamente porque ela fez o que eu queria ter feito \u2013 Arqueologia Cl\u00e1ssica, e essa hist\u00f3ria eu j\u00e1 contei muitas vezes (Dias, 2019). A outra era uma doutoranda orientada pelo grande medievalista brasileiro Hil\u00e1rio Franco Jr., a profa. N\u00e9ri de Barros Almeida (atualmente professora titular da UNICAMP).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e9ri chegou chegando para tomar as r\u00e9deas de sua disciplina, e algo me diz que fomos sua primeira turma de gradua\u00e7\u00e3o na Universidade p\u00fablica; ela era uma professora jovem, lind\u00edssima, ser\u00edssima e brav\u00edssima. Ela n\u00e3o estava para brincadeiras, dava aulas densas com base em uma bibliografia pesada, toda trabalhada na academia francesa. At\u00e9 hoje me choco com a nota seis que ela deu ao meu trabalho final sobre a Terceira Cruzada e seu Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o \u2013 como assim, logo pra mim, que amava as Cruzadas?! (Aqui eu PRECISO fazer o coment\u00e1rio de como n\u00f3s falamos uns neg\u00f3cios esquisitos: quem ADORA as Cruzadas? Dos mesmos criadores de \u201ceu amo a Ditadura\u201d, \u201ceu amo a escravid\u00e3o\u201d, acho que \u00e9 assim que nascem os especialistas. Mas imperdo\u00e1vel aquela nota seis, ainda mais porque mandei digitar o trabalho final. N\u00e3o tinha computador para trabalhar em casa em 1995, escrevia-se tudo \u00e0 m\u00e3o&#8230; Internet? Jamais. Se existisse, eu estaria usando o ChatGPT, mas na \u00e9poca usei o Guia do Estudante impresso e a Barsa. Ou seja, mereci a nota seis, mas n\u00e3o me conformo&#8230;).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mas voltando: a profa. N\u00e9ri, naquele momento, n\u00e3o era minha pessoa predileta. Eu gostava da disciplina, mas achava a docente brava demais, exigente demais, talvez inacess\u00edvel demais. Muito mais tarde, quando eu virei professora, que entendi: quando somos muito novas na doc\u00eancia universit\u00e1ria, e ainda estamos no doutorado de uma universidade de renome, sendo orientadas por celebridades com mais renome ainda, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o reproduzir algumas das coisas pelas quais passamos. N\u00e3o sei se era exatamente o caso dela, mas para mim essa explica\u00e7\u00e3o satisfaz: se \u00e9ramos mesmo sua primeira turma, e ela ainda discente em um programa de doutoramento exigente, n\u00e3o teria como ela fazer diferente; ela iria buscar a excel\u00eancia que provavelmente exigiram dela em todos os seus percursos acad\u00eamicos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mas para mim e minha autocr\u00edtica, aquele semestre n\u00e3o foi nada f\u00e1cil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Diferente de muitos colegas da faculdade, eu era uma aluna bem ruim no primeiro ano, t\u00edmida, permanecia sempre calada e tirava notas med\u00edocres (e era pouco festeira, quase n\u00e3o sa\u00eda de casa, sabia nem o que era \u00e1lcool). Mas ao longo dos semestres fui melhorando consideravelmente as notas, com m\u00e9dias nove ou dez em algumas disciplinas. Tamb\u00e9m fui bebendo mais e indo em todas as festas \u2013 mas n\u00e3o tratemos disso agora.<br \/>\nO meu curso era de licenciatura e bacharelado, sa\u00edamos habilitados nas duas modalidades, o que sempre achei perfeito para uma forma\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria. A grade curricular era fechada e, portanto, come\u00e7\u00e1vamos e termin\u00e1vamos o curso na mesma turma, ao mesmo tempo, com as mesmas disciplinas, cr\u00e9ditos e colegas. S\u00f3 nos separ\u00e1vamos para as disciplinas optativas \u2013 \u201coptat\u00f3rias\u201d, como cham\u00e1vamos, porque era obrigat\u00f3rio escolher uma entre as ofertadas no segundo semestre. E foi em uma dessas matr\u00edculas que eu escolhi frequentar Hist\u00f3ria da Igreja, ministrada pela brava profa. N\u00e9ri. Mas isso foi j\u00e1 no sexto semestre, e daquela med\u00edocre nota seis do primeiro ano, fui promovida (por mim mesma) \u00e0 nerdzinha querida de m\u00e9dia final 9; a aluna perfeita que lia todos os textos, participava das aulas e olhava feio para coleguinhas que conversavam e n\u00e3o contribu\u00edam. E me tornei a que entendia *tudo* de Igreja Medieval, me sentindo muito pesquisadora, intelectual que lia textos em l\u00edngua estrangeira, e os discutia, muito segura, com a especialista da \u00e1rea que n\u00e3o me assustava mais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Foi um assunto que quase poderia ter alterado meus rumos acad\u00eamicos, caso eu j\u00e1 n\u00e3o estivesse no segundo ano de pesquisa do TCC, cuja tem\u00e1tica segui por toda a vida: a cer\u00e2mica grega que estudei nas pesquisas de mestrado, doutorado e nos trocentos p\u00f3s-docs que fiz. E que inclui, ainda, o Laborat\u00f3rio de Estudos sobre a Cer\u00e2mica Antiga, o LECA, que criei, instalei e coordenei na UFPel, de 2011 a 2023. Laborat\u00f3rio esse que, por pelo menos seis anos, carregou tamb\u00e9m o nome e os primeiros pesquisadores do POIEMA, os b\u00e1rbaros Maur\u00edcio Albuquerque, Diego da Rosa e Ricardo Stone. Fomos LECA-POIEMA por muito tempo, e em v\u00e1rias atividades promovidas pelo LECA, pude contar com queridos colegas medievalistas para nos ensinar melhor sobre a \u00e1rea, como a coordenadora do POIEMA-UFPel, prof. Dra. Daniele Gallindo, os coordenadores do LAPEHME-UNIPAMPA, prof. Dr. Edison Cruxen; do LATHIMM-UFRJ\/USP, prof. Dr. Gabriel Castanho; do Virt\u00f9-UFSM, prof. Dr. Francisco Mendon\u00e7a; e a coordenadora do LEME-n\u00facleo UFTM, profa. Dra. Claudia Bovo, al\u00e9m de tantos alunos com interesse nessa incr\u00edvel \u00e1rea.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Mas meu caso medieval come\u00e7ou de verdade quando a profa. N\u00e9ri deu uma palestra em 1997, intitulada \u201cFesta, ociosidade e utopia na Terra da Cocanha (1567) de Pieter Bruegel\u201d. O impacto que aquele quadro de Bruegel causou em mim \u00e9 meio inexplic\u00e1vel \u2013 eu me lembro at\u00e9 hoje a disposi\u00e7\u00e3o da sala de aula, onde eu me sentei e como eu vi a obra pela primeira vez. N\u00e3o tinha datashow, tela, ou computador dispon\u00edveis; o que tinha ali na minha frente era uma reprodu\u00e7\u00e3o da obra impressa em papel simples, talvez um sulfite A3, preso em um daqueles cavaletes de pintor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A palestra seguiu, basicamente, os estudos do prof. Hil\u00e1rio que foram publicados em seu livro de 1998, \u201cCocanha: A hist\u00f3ria de um pa\u00eds imagin\u00e1rio\u201d. A professora fazia uma an\u00e1lise da imagem, dos significados, das representa\u00e7\u00f5es naquele quadro espec\u00edfico, contextualizado em meio a uma vasta documenta\u00e7\u00e3o sobre a Cocanha, um pa\u00eds imagin\u00e1rio composto pelos ideais de abund\u00e2ncia, ociosidade, juventude e liberdade. Me lembro que, por mais que esse pa\u00eds fosse essa maravilha toda, ficou clara na fala da professora a cr\u00edtica existente na obra: as disputas religiosas, as diferen\u00e7as sociais e as crises da monarquia, nobreza, burguesia, Igreja e campesinato nos per\u00edodos finais da Idade M\u00e9dia. Hoje, consigo ver a import\u00e2ncia dessa palestra tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 diversidade de fontes, do estudo comparado entre per\u00edodos, contextos e momentos hist\u00f3ricos, do di\u00e1logo multidisciplinar, entre tantas abordagens poss\u00edveis que fui aprendendo e procurando desenvolver ao longo de minha forma\u00e7\u00e3o de pesquisadora e, principalmente, de docente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Aquela palestra definiu muita coisa que eu s\u00f3 reconheci bem depois. Definiu meu amor pelos artistas medievais dos Pa\u00edses Baixos. Definiu minha veia iconografista, que neguei por muito tempo enquanto ceram\u00f3loga e arque\u00f3loga. Definiu o amor pela Hist\u00f3ria da Arte e as horas chorando em frente dos quadros de Bruegel que vi ao vivo em alguns museus. Definiu minha conta banc\u00e1ria, sempre que achava algum novo livro, souvenir, quebra-cabe\u00e7a dedicado ao pintor ou a alguma de suas pinturas&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n***<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corta para os anos 2021-2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda em meio ao distanciamento social provocado pela pandemia da Covid-19, quando eu j\u00e1 n\u00e3o mais ia ao ICH-UFPel, pois as aulas eram remotas, tamb\u00e9m atuei como professora substituta de Hist\u00f3ria Antiga e Medieval, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Dei aulas \u00e0s turmas de gradua\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria, Filosofia e Ci\u00eancias Sociais, e precisei enfrentar a experi\u00eancia de encarar o medievo. Estudei horrores sobre o per\u00edodo, me atraquei a uma bibliografia que n\u00e3o lia desde a gradua\u00e7\u00e3o, e me apoiei na produ\u00e7\u00e3o e gentileza dos professores citados anteriormente, que me ajudaram em muitos momentos com textos, temas, discuss\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fiz o programa da disciplina, e decidi incluir uma aula de materialidade e iconografia (Fig. 1) para discutir pr\u00e1ticas econ\u00f4micas e sociais do per\u00edodo, e com uma inten\u00e7\u00e3o mui espec\u00edfica: usar o quadro do Bruegel, e recorrer \u00e0 mem\u00f3ria <strong>daquela<\/strong> palestra. Foi uma das aulas mais legais que dei, que chamou a aten\u00e7\u00e3o dos alunos, que trouxe outras abordagens e discuss\u00f5es em sala de aula. Eu tenho o livro do Hil\u00e1rio, eu li uns trechos; eu tenho muitas reprodu\u00e7\u00f5es e an\u00e1lises do quadro do Bruegel; eu tenho v\u00e1rios textos discutindo v\u00e1rias coisas sobre aquela sociedade, aquele per\u00edodo. Mas o conte\u00fado \u2018bruegeliano\u2019 da minha aula saiu todinho da mem\u00f3ria daquela incr\u00edvel palestra da profa. N\u00e9ri, um quarto de s\u00e9culo atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/10\/Carol-Kesser-Imagem-scaled.jpg\"><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-6216\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/10\/Captura-de-tela-2024-10-22-205828.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"800\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Figura 1: Aula 5 \u2013 Sociedade Medieval: materialidade, pr\u00e1ticas sociais e econ\u00f4micas. Slide 9, Arquivo Pessoal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem, e nessa minha aula estava esse aluno. Como tudo mais no per\u00edodo pand\u00eamico, at\u00e9 o calend\u00e1rio das festas estava alterado, e o carnaval carioca estava todo bagun\u00e7ado e fora de \u00e9poca. O aluno trabalhava no barrac\u00e3o da escola de samba, fazia parte da bateria e ornamenta\u00e7\u00e3o da escola e, naqueles meses, chegava muito tarde em sua casa, exausto dos monta\/desmonta, ensaia, desfila, arruma tudo pra hoje e pro pr\u00f3ximo ano&#8230; Ele faltou em algumas aulas e pediu para que eu o ajudasse com alguns dos temas mais complicados. Mas naquele dia da Cocanha, ele estava l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele gostou do tema, da an\u00e1lise, das quest\u00f5es sociais abordadas, da discuss\u00e3o, participou dela, inclusive. Depois pediu para conversar comigo ap\u00f3s a aula para resolver como fazer o trabalho final da disciplina, j\u00e1 ele n\u00e3o conseguiria ler toda a bibliografia e, embora fosse tentar assistir \u00e0s aulas gravadas que eu deixava dispon\u00edveis durante o curso todo, estava com muita dificuldade de escolher um tema que conseguisse desenvolver no tempo que teria dispon\u00edvel. Eu sugeri que ele fizesse uma tentativa de discuss\u00e3o sobre as quest\u00f5es sociais (e religiosas, e festivas, e ut\u00f3picas) medievais aproximando-as de seu contexto pessoal de vida: o carnaval carioca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele me mandou seu arquivo com um pouco de atraso. O documento foi nomeado \u201ctrabalho mais corrido da vida !!!\u201d. Falta em seu texto a formalidade acad\u00eamica. Falta a cita\u00e7\u00e3o apropriada da bibliografia, dos autores, e demais refer\u00eancias. Falta a formata\u00e7\u00e3o adequada. Mas \u00e9 um trabalho emocionante e brilhante, em que o aluno conseguiu tra\u00e7ar os paralelos entre as estruturas sociais, entre os que dominam e os que s\u00e3o dominados \u2013 ele trata como nobreza e igreja as fam\u00edlias que det\u00eam os territ\u00f3rios e as agremia\u00e7\u00f5es e que, portanto, em suas palavras, mant\u00eam o \u201ccontrole comercial e cultural dos locais que comandam\u201d. Ele pontua os bairros e as escolas, as fam\u00edlias tradicionais e personagens que determinam n\u00e3o apenas o carnaval, mas algumas outras quest\u00f5es econ\u00f4micas \u2013 como as que fizeram bastante sucesso numa miniss\u00e9rie de um <em>streaming,<\/em> recentemente. Ele fala das rela\u00e7\u00f5es entre presidentes e cartolas \u2013 a monarquia, dona daquele territ\u00f3rio \u2013, e os \u2018vassalos\u2019 \u2013 carnavalescos e diretores, que decidem e organizam todo o desenho do carnaval. Ele demonstra como esses n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o poderosos quanto os primeiros, mas suficientemente respons\u00e1veis para dominar outros estratos daquela sociedade, como senhores feudais que determinam a vida dos \u201ccamponeses de menor prest\u00edgio\u201d, como ele os chama. De exemplo em exemplo, o aluno desfilou toda a m\u00e1quina carnavalesca do Rio de Janeiro, elencando nomes muito conhecidos, mas destacando os bra\u00e7ais an\u00f4nimos que fazem, de fato, tudo acontecer. Ele fala sobre qu\u00e3o pesada \u00e9 a vida da festa para aqueles que doam tantas horas de trabalho para as escolas, que pagam suas pr\u00f3prias fantasias, e que \u00e0s vezes recebem alguma pequena gratifica\u00e7\u00e3o apenas para que continuem se dedicando. Ele finalizou seu texto demonstrando como toda a reflex\u00e3o sobre a organiza\u00e7\u00e3o da vida carnavalesca o fez \u201clembrar o momento da aula em que a professora disse que \u2018Os plebeus precisam existir, assim como as suas necessidades, para que as classes acima deles possam se vangloriar das suas caridades\u2019\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para mim, o trabalho cumpriu o que prop\u00f4s. E foi al\u00e9m: trouxe para a realidade contempor\u00e2nea, a l\u00f3gica e as discuss\u00f5es de um per\u00edodo anterior, de um contexto completamente diverso, de uma linguagem diferente. Informou, discutiu, colocou em discuss\u00e3o a alteridade, as identidades, as particularidades, as fronteiras. Validou a reconstru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica tanto das sociedades do passado como as da atualidade, daquelas imagin\u00e1rias e das concretas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que, afinal, um historiador procura, ao olhar para o passado?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\">***<\/span><\/p>\n<p>Na resenha do livro de seu mestre, a profa. N\u00e9ri diz que<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 20vw;\">O autor foi sens\u00edvel ao perceber a oscila\u00e7\u00e3o da obra entre mito e utopia \u2013 entre presente eterno e proposta de futuro, entre o gozo presente e o retorno ao passado \u2013, entre o comum e o particular, e sobretudo, sua coloca\u00e7\u00e3o amb\u00edgua entre a cr\u00edtica e o desejo, enfim, em suas pr\u00f3prias palavras, como \u201ccatarse em rela\u00e7\u00e3o ao presente\u201d e \u201cutopia em rela\u00e7\u00e3o ao futuro\u201d (p.164) (Souza, 1998, p. 142).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Cocanha \u00e9 essa fartura.<br \/>\nEla re\u00fane os encantamentos, as mem\u00f3rias, as trocas. Ela \u00e9 aquela palestra, vista e enraizada em mim por muitos anos; ela \u00e9 a cole\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias visuais, de todas as leituras e discuss\u00f5es acad\u00eamicas; ela \u00e9 a \u00e1rea espec\u00edfica que segui, e tamb\u00e9m aquela que quase; ela \u00e9 a experi\u00eancia daqueles dias em sala de aula; daqueles dias dentro do computador, em classes interestaduais; ela est\u00e1 nas reflex\u00f5es e escritas de um aluno; nas minhas leituras e corre\u00e7\u00f5es de trabalhos.<br \/>\n\u00c9 a catarse e a utopia do of\u00edcio e da vida desta pesquisadora e docente que vos escreve .<a style=\"background-color: #ffffff;\" href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias:<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DIAS, C. K. B. Vai voltar pra escola sim! A intera\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria entre a academia e a comunidade. In: ____, _____; OGAWA, M. R. A.; SANTOS, D. F. dos. (org.). A universidade vai \u00e0 escola: uma experi\u00eancia de professores universit\u00e1rios no Cursos Popular UP. Porto Alegre: Casaletras, 2019, v. 1, p. 17-28.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCO JR., H. Cocanha: A hist\u00f3ria de um pa\u00eds imagin\u00e1rio. S\u00e3o Paulo: Cia. das Letras, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOUZA, N. A. Cocanha: A hist\u00f3ria de um pa\u00eds imagin\u00e1rio. Revista de Hist\u00f3ria, S\u00e3o Paulo, n. 139, 1998, p. 139-144.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> <span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Doutora em Arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia, da Universidade de S\u00e3o Paulo (MAE-USP).\u00a0 Membro do Laborat\u00f3rio de Estudos sobre a Cer\u00e2mica Antiga, LECA &#8211; UFPEL. (<\/span><a href=\"mailto:carol.kesser@gmail.com\"><span style=\"font-weight: 400;\">carol.kesser@gmail.com<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">). Lattes: <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1927341823687401\">http:\/\/lattes.cnpq.br\/1927341823687401<\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Agrade\u00e7o ao convite feito pela Comiss\u00e3o Organizadora do Blog do POIEMA, e pela paci\u00eancia com meus atrasos. \u00c0 profa. Daniele Gallindo, porque n\u00e3o soltou nunca a minha m\u00e3o. \u00c0 profa. N\u00e9ri, pelo meu medievo, e pelo Bruegel que ela me apresentou. Aos alunos de todas as \u00e9pocas, e lugares, e laborat\u00f3rios unidos. Ao Leonardo e seu carnaval carioca. Aos quase, e aos que s\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 22 de Outubro de 2024.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> DIAS, Carolina Kesser Barcellos. A minha Cocanha particular.<strong> Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 22 out. 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/a-minha-cocanha-particular\">https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/a-minha-cocanha-particular. <\/a>Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carolina Kesser Barcellos Dias[1] Os limites imagin\u00e1rios s\u00e3o armaduras apenas aparentes da realidade pois repletos de possibilidades (Souza, 1998, p. 134). 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