{"id":6137,"date":"2024-08-27T12:00:47","date_gmt":"2024-08-27T15:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=6137"},"modified":"2024-08-27T10:04:07","modified_gmt":"2024-08-27T13:04:07","slug":"asterix-e-o-mito-gaules-o-lugar-da-galia-no-imaginario-social-frances-da-primeira-metade-do-sec-xx","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/asterix-e-o-mito-gaules-o-lugar-da-galia-no-imaginario-social-frances-da-primeira-metade-do-sec-xx\/","title":{"rendered":"ASTERIX E O MITO GAUL\u00caS: O LUGAR DA G\u00c1LIA NO IMAGIN\u00c1RIO SOCIAL FRANC\u00caS DA PRIMEIRA METADE DO S\u00c9C. XX"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Renato Pinto (GEAF\/UFPE)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Pedro Henrique Pedrosa de Melo (GEAF\/UFPE)<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s v\u00e9speras de completar 65 anos, Asterix se mant\u00e9m como o \u201cmaior \u00edcone franc\u00eas da cultura popular\u201d (MILLER, 2007 <em>apud<\/em> VIEIRA, 2021, p. 29), um fen\u00f4meno inquestion\u00e1vel na Fran\u00e7a e em todo o mundo. A s\u00e9rie de hist\u00f3rias em quadrinhos criada pelos franceses Ren\u00e9 Goscinny e Albert Uderzo no final da d\u00e9cada de 1950 acumula at\u00e9 o presente momento tradu\u00e7\u00f5es em mais de cem idiomas, e uma impressionante marca de 400 milh\u00f5es de exemplares vendidos em toda sua hist\u00f3ria (CAMPUS FRANCE BRASIL, 2024). Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, com o lan\u00e7amento em outubro de 2023 do quadrag\u00e9simo e mais recente volume <em>L\u2019Iris blanc<\/em>, que n\u00e3o conta com a autoria de nenhum dos seus dois j\u00e1 falecidos criadores, Asterix atingiu a marca de <strong>livro<\/strong> mais vendido da Fran\u00e7a, com 1,59 milh\u00f5es de exemplares em apenas dois meses (GFK, 2023).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O seu impacto na identidade cultural francesa ainda \u00e9 t\u00e3o presente que o primeiro <em>rover <\/em>desenvolvido na Fran\u00e7a, com o prop\u00f3sito de recolher amostras em uma das luas de Marte no ano de 2027, foi nomeado <em>IDEFIX<\/em> em homenagem ao pequeno personagem canino da s\u00e9rie, mascote de Obelix. Por\u00e9m, essa n\u00e3o ser\u00e1 a primeira vez que veremos gauleses no espa\u00e7o, j\u00e1 que em 1965 a Fran\u00e7a lan\u00e7ou seu primeiro sat\u00e9lite na \u00f3rbita terrestre, o <em>Ast\u00e9rix<\/em> (CAMPUS FRANCE BRASIL, 2024; KESSLER, 1995).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o seu surgimento em 29 de outubro de 1959, a s\u00e9rie de hist\u00f3rias em quadrinhos foi um sucesso imediato no pa\u00eds de origem. Segundo Mary Beard, um censo de 1969 estimou que cerca de dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o francesa \u00e0 \u00e9poca j\u00e1 haviam lido um ou mais volumes de Asterix (2013 <em>apud<\/em> VIEIRA, 2021; KING, 1989). Em conformidade, uma pesquisa de 1985 indicou que 86% dos franceses sabiam ao menos quem era o personagem (DANDRIDGE, 2008 <em>apud<\/em> VIEIRA, 2021).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo isso em mente, nos cabe ent\u00e3o refletir acerca do contexto que levou Goscinny e Uderzo a escolherem ambientar suas hist\u00f3rias e personagens na G\u00e1lia do s\u00e9culo I AEC. Nesse sentido, a produ\u00e7\u00e3o de quadrinhos europeus no p\u00f3s-Segunda Guerra buscava fomentar o mercado interno, se distanciando cada vez mais do modelo dos <em>comics<\/em> estadunidenses. Esse movimento abriu espa\u00e7o para a produ\u00e7\u00e3o local e o surgimento de estilos art\u00edsticos \u00fanicos, como a expoente <em>Ligne Claire <\/em>de Herg\u00e9 (criador do personagem Tintim) que se tornou um sucesso em toda a Europa e colocaria os quadrinhos franco-belgas, e europeus, no radar do mercado internacional (MAZUR; DANNER, 2014 <em>apud <\/em>VIEIRA, 2021).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por meio dessa abertura que a rec\u00e9m-criada revista <em>Pilote<\/em> encarregar\u00e1 os jovens franceses Ren\u00e9 Goscinny (Roteiro) e Albert Uderzo (Arte), ambos influenciados pelo estilo de Herg\u00e9, de criarem uma hist\u00f3ria em quadrinhos para a sua edi\u00e7\u00e3o de estreia (DANDRIDGE, 2008 <em>apud <\/em>VIEIRA, 2021). Uma das filosofias da revista era de que a Fran\u00e7a poderia criar seus pr\u00f3prios her\u00f3is populares, ao inv\u00e9s de depender de pa\u00edses como os Estados Unidos (KESSLER, 1995). Alinhados com essa ideia, os quadrinistas produziam uma hist\u00f3ria inspirada em uma f\u00e1bula medieval muito conhecida do p\u00fablico franc\u00eas, <em>Le Roman de Renart<\/em>, protagonizada pela raposa antropomorfizada<em> Renart<\/em>. Por\u00e9m, com menos de dois meses para o lan\u00e7amento da revista, descobriram que aquela ideia j\u00e1 havia sido desenvolvida por outro artista (KESSLER, 1995).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na urg\u00eancia por uma nova inspira\u00e7\u00e3o, Uderzo e Goscinny buscaram por refer\u00eancias em diversos per\u00edodos hist\u00f3ricos, por\u00e9m ao chegarem no per\u00edodo gaul\u00eas perceberam rapidamente o seu potencial c\u00f4mico, n\u00e3o pelo per\u00edodo hist\u00f3rico em si, mas pela forma com que foi ensinado e compreendido durante as aulas de hist\u00f3ria nas escolas francesas durante a Terceira Rep\u00fablica (1870-1940). Segundo Kessler, \u201cpara os franceses, a frase \u2018nossos ancestrais, os gauleses\u2019, e a imagem de Vercinget\u00f3rix colocando suas armas aos p\u00e9s de [J\u00falio] C\u00e9sar, s\u00e3o t\u00e3o familiares quanto 1066 para os brit\u00e2nicos\u201d (1995, p. 15, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> <a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. Esse per\u00edodo, al\u00e9m de bastante popular entre a classe m\u00e9dia francesa, p\u00fablico-alvo da <em>Pilote<\/em>, tamb\u00e9m trazia o apelo cultural de um mito nacional gaul\u00eas (DANDRIDGE, 2008 <em>apud <\/em>VIEIRA, 2021; KESSLER, 1995).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A G\u00e1lia e seus habitantes permeiam o imagin\u00e1rio social franc\u00eas h\u00e1 alguns s\u00e9culos, sendo comumente evocados em momentos de instabilidade como um elemento de unifica\u00e7\u00e3o nacional, por meio de uma tradi\u00e7\u00e3o inventada de ancestralidade gaulesa da Fran\u00e7a (VIEIRA, 2021). Segundo Glaydson da Silva, \u201cessas mem\u00f3rias constru\u00eddas e dadas a ler em forma de Hist\u00f3ria t\u00eam [&#8230;] uma estreita rela\u00e7\u00e3o com a ideia de destino e de miss\u00e3o, do pa\u00eds e do povo\u201d (2007, p. 57). Al\u00e9m disso, essa suposta ancestralidade gaulesa tamb\u00e9m est\u00e1 presente nas esferas mais cotidianas da sociedade francesa, sendo explorada de forma contumaz pelos meios publicit\u00e1rios na busca de uma valoriza\u00e7\u00e3o dos mais diversos produtos, como \u201cos queijos Camembert <em>Galus<\/em> e <em>Le Vieux Druide<\/em>, os cigarros <em>Gauloise<\/em>, a cerveja <em>Korma<\/em>, o conhaque <em>Aubinaud<\/em> etc.\u201d (SILVA, 2007, p. 61).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, Suzanne Citron argumentar\u00e1 que sequer h\u00e1 uma mem\u00f3ria gaulesa, j\u00e1 que \u201ca palavra e a no\u00e7\u00e3o foram transmitidas pelos romanos\u201d (<em>apud<\/em> SILVA, 2007, p. 62), n\u00e3o havendo nenhum registro de que as sociedades que habitavam a regi\u00e3o tenham nomeado em algum momento seu territ\u00f3rio como G\u00e1lia, ou a si mesmos como gauleses (<em>apud<\/em> SILVA, 2007), muito pelo contr\u00e1rio. Por\u00e9m, por se tratarem de culturas com escasso registro escrito preservado, pouco sabemos acerca da sua autodetermina\u00e7\u00e3o sen\u00e3o por fontes greco-romanas<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar disso, a Fran\u00e7a pautar\u00e1 sua identidade nacional em torno desse discurso mitol\u00f3gico gaul\u00eas de funda\u00e7\u00e3o, um ideal de identidade coletiva (BACZKO, 1980 <em>apud<\/em> SILVA, 2007). Buscar\u00e1, dessa forma, por meio do passado, apaziguar os traumas e as inseguran\u00e7as da sociedade francesa em diversos per\u00edodos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso em mente, e com o fito de refletir acerca de como tal Antiguidade foi interpretada no imagin\u00e1rio social franc\u00eas durante a primeira metade do s\u00e9culo XX, em especial pelos criadores da s\u00e9rie de hist\u00f3rias em quadrinhos em quest\u00e3o, reflex\u00e3o essa tamb\u00e9m suscitada por outros pesquisadores (KING, 1989; SIMONAIO, 2016; VIEIRA, 2021), observaremos os usos (e abusos) pol\u00edticos, dentre apropria\u00e7\u00f5es e ressignifica\u00e7\u00f5es, aos quais o passado gaul\u00eas esteve exposto por s\u00e9culos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo XVIII, os historiadores buscaram justificar os privil\u00e9gios do Antigo Regime a partir da concep\u00e7\u00e3o de que a aristocracia francesa seria descendente dos nobres francos, enquanto o Terceiro Estado lhes devia submiss\u00e3o, pois seus ancestrais, gauleses e galo-romanos, foram subjugados no s\u00e9culo V por Cl\u00f3vis, rei dos francos. Por\u00e9m, com as lutas antiabsolutistas e a consequente Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de 1789, o argumento toma outro vi\u00e9s, e o que antes era um instrumento de manuten\u00e7\u00e3o do <em>status quo<\/em>, acaba por se tornar um s\u00edmbolo revolucion\u00e1rio e republicano, onde os gauleses s\u00e3o uma representa\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio povo. A partir desse momento, os gauleses e a G\u00e1lia se tornar\u00e3o um foco do interesse nacional, em contraposi\u00e7\u00e3o ao decl\u00ednio dos francos e romanos, de onde a aristocracia e todo o privil\u00e9gio provinham. Por fim, o mito franco foi substitu\u00eddo pelo mito gaul\u00eas no discurso identit\u00e1rio franc\u00eas (KING, 1989; SILVA, 2007; VIEIRA, 2021).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do final do s\u00e9culo XVIII \u00e0 segunda metade do s\u00e9culo XIX, a Fran\u00e7a passaria ainda por in\u00fameros imbr\u00f3glios pol\u00edticos, dentre rep\u00fablicas, imp\u00e9rios, monarquias e revolu\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, ser\u00e1 durante o Segundo Imp\u00e9rio Franc\u00eas (1852-1870), sob dom\u00ednio de Napole\u00e3o III, sobrinho de Napole\u00e3o Bonaparte, que os gauleses retornar\u00e3o aos jogos de interesse pol\u00edtico do presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Grande admirador de J\u00falio C\u00e9sar, Napole\u00e3o III inspirou sua doutrina pol\u00edtica no imperialismo cesarista, chegando at\u00e9 mesmo a escrever uma biografia do ditador romano, <em>Histoire de Jules C\u00e9sar<\/em>. Tal admira\u00e7\u00e3o o levou a ordenar escava\u00e7\u00f5es, na d\u00e9cada de 1860, em locais de grande import\u00e2ncia para a campanha de C\u00e9sar na G\u00e1lia (Al\u00e9sia, Gerg\u00f3via e Bibracte), embasando-se no conte\u00fado do j\u00e1 citado <em>De Bello Gallico<\/em>. Por\u00e9m, o s\u00edtio de Al\u00e9sia ir\u00e1 atrair mais sua aten\u00e7\u00e3o, tanto pela disputa entre <em>Alise-Sainte-Reine<\/em> e <em>Alaise<\/em> como o lugar correto do evento hist\u00f3rico, quanto pelas detalhadas descri\u00e7\u00f5es que C\u00e9sar fez sobre o cerco de 52 AEC, a importante batalha que definiria a derrota gaulesa aos romanos, com a rendi\u00e7\u00e3o e captura de Vercinget\u00f3rix (KING, 1989; SILVA, 2007; VIEIRA, 2021).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, apesar de franc\u00eas, Napole\u00e3o III n\u00e3o nutria interesse algum na hist\u00f3ria dos gauleses, como demonstra o exemplo da suposta Al\u00e9sia (<em>Alise-Sainte-Reine<\/em>), onde todas as escava\u00e7\u00f5es feitas estavam dedicadas a encontrar os trabalhos de cerco de C\u00e9sar, ignorando a colina onde a fortifica\u00e7\u00e3o gaulesa se defendeu dos romanos (KING, 1989). Soma-se a isso o fator que Laurent Olivier pontua, de que at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 1860, n\u00e3o se sabia nada da cultura material dos povos gauleses que viveram no per\u00edodo da Guerra das G\u00e1lias (58 \u2013 52 AEC). Segundo ele, esse apagamento ocorreu em grande parte por causa da forma com que as fontes cl\u00e1ssicas greco-romanas representaram os gauleses. Em suma,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 20vw;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">quando Napole\u00e3o III encarregou estudiosos da <em>Commission de la Topographie des Gaules <\/em>com a tarefa de procurar por vest\u00edgios materiais da conquista da G\u00e1lia, n\u00e3o se sabia nada dos ritos funer\u00e1rios ou habita\u00e7\u00f5es dos povos gauleses. N\u00e3o se sabia nem mesmo como suas cer\u00e2micas, armamentos e joias deveriam parecer. A arqueologia dos gauleses era, nesse ponto, unicamente dom\u00ednio da numism\u00e1tica. O passado pr\u00e9-romano dos gauleses tinha sido reconstru\u00eddo em sua ess\u00eancia por meio das fontes cl\u00e1ssicas (2019, p. 384-385, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao t\u00e9rmino das escava\u00e7\u00f5es em <em>Alise-Sainte-Reine<\/em> em 1865, Napole\u00e3o III ergueu uma enorme est\u00e1tua comemorativa, por\u00e9m, contrariando todas as expectativas, o homenageado n\u00e3o foi C\u00e9sar, e sim o l\u00edder gaul\u00eas Vercinget\u00f3rix. A gigantesca est\u00e1tua representava o imagin\u00e1rio que o Segundo Imp\u00e9rio tinha dos gauleses at\u00e9 o momento, com exce\u00e7\u00e3o do rosto, que se assemelhava ao do pr\u00f3prio Napole\u00e3o III. Apesar de parecer uma escolha contradit\u00f3ria, representa de certa forma um dilema que o imperador teve que enfrentar, pois por maior que fosse sua admira\u00e7\u00e3o a J\u00falio C\u00e9sar, homenagear o algoz de um her\u00f3i nacional \u00e9tnico n\u00e3o seria favor\u00e1vel \u00e0 sua imagem, e nem ao clima de instabilidade que permeava a Fran\u00e7a do s\u00e9culo XIX. Sendo assim, ao erguer uma est\u00e1tua de Vercinget\u00f3rix, Napole\u00e3o III construiu sua pr\u00f3pria imagem como a de um l\u00edder que luta pelo povo, interessado na unidade nacional (KING, 1989; SILVA, 2007; VIEIRA, 2021). Nesse sentido,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a est\u00e1tua de Vercinget\u00f3rix tornou-se a \u201cpedra angular\u201d para que, no decorrer do s\u00e9culo XIX, mais especificamente na Terceira Rep\u00fablica, o l\u00edder arverno fosse considerado elemento essencial para o sentimento de na\u00e7\u00e3o, ou seja, elemento essencial na cria\u00e7\u00e3o de um imagin\u00e1rio social (VIEIRA, 2021, p. 33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no s\u00e9culo XX, durante a Segunda Guerra Mundial, a Fran\u00e7a de Vichy (1940-1944) ter\u00e1 um grande impacto no imagin\u00e1rio de descend\u00eancia gaulesa, e apesar do curto espa\u00e7o de tempo, esse per\u00edodo deixar\u00e1 marcas profundas e traum\u00e1ticas na Hist\u00f3ria do pa\u00eds e na constru\u00e7\u00e3o da sua identidade nacional no decorrer do s\u00e9culo (SILVA, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A derrota militar para a Alemanha nazista em 1940 levou o governo franc\u00eas a assinar um armist\u00edcio com as autoridades do Terceiro Reich, e apesar das duras cr\u00edticas da oposi\u00e7\u00e3o, foi oficializada a ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3 da Fran\u00e7a, dividindo-se assim o territ\u00f3rio entre a zona ocupada (norte), e a zona \u201clivre\u201d (sul). Com Paris sob controle alem\u00e3o, a sede do governo franc\u00eas precisou ser transferida para a cidade de Vichy ao sul, e sob a tutela do veterano Marechal Phillippe P\u00e9tain, o Regime de Vichy atuou de forma colaboracionista com o Terceiro Reich e o Eixo durante toda a guerra, at\u00e9 a retomada da Fran\u00e7a pelos Aliados e pela Resist\u00eancia Francesa em 1944 (SILVA, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo isso em mente, durante Vichy demonstra-se mais uma vez que \u201c\u00e9 no presente que o passado se define\u201d (KNAUSS, 2012, p. 146) e que esse passado \u201cpode ser aproveitado para quase tudo que se queira fazer no presente\u201d (MACMILLAN, 2010 <em>apud<\/em> KNAUSS, 2012, p. 153). Pois o governo de P\u00e9tain buscar\u00e1 de todas as maneiras legitimar as a\u00e7\u00f5es de colabora\u00e7\u00e3o, e justificar a derrota militar e posterior domina\u00e7\u00e3o nazista, por meio de um resgate do passado gaul\u00eas na mem\u00f3ria nacional, se apropriando de todo patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural relacionado \u00e0 G\u00e1lia e aos gauleses para seus fins pol\u00edticos. Contudo, o discurso que Vichy utilizar\u00e1 na sua propaganda se apresenta d\u00fabio, pois ao mesmo tempo em que apela \u00e0 unidade nacional na glorifica\u00e7\u00e3o do passado gaul\u00eas e da sua heroica luta contra C\u00e9sar, tamb\u00e9m reconhece em Roma um mal necess\u00e1rio, superior e civilizado, que seria capaz de trazer ordem \u00e0 barb\u00e1rie, reunindo o melhor dos dois mundos na figura do galo-romano, um prot\u00f3tipo do franc\u00eas ideal, associando assim a rendi\u00e7\u00e3o de Vercinget\u00f3rix a J\u00falio C\u00e9sar com a derrota francesa para os alem\u00e3es em 1940, ambas em prol de um bem maior (POMIAN, 1997; OLIVIER, 1998 <em>apud<\/em> SILVA, 2007). Como pontua Olivier ao afirmar que,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 20vw;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">o passado gaul\u00eas e a Arqueologia, de maneira geral, ocupam, ent\u00e3o, um lugar importante nessa nova ideologia, que assimila a derrota dos gauleses diante de C\u00e9sar \u00e0quela dos franceses diante de Hitler e compara a assimila\u00e7\u00e3o bem-sucedida da G\u00e1lia no Imp\u00e9rio romano \u00e0quela da Fran\u00e7a em uma \u201cnova Europa\u201d dominada pela Alemanha nazista (1998 <em>apud<\/em> SILVA, 2007, p. 115).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, ser\u00e1 principalmente por meio do sistema educacional franc\u00eas da Terceira Rep\u00fablica e do Regime de Vichy que o mito de descend\u00eancia gaulesa ser\u00e1 perpetuado e difundido na Fran\u00e7a da primeira metade do s\u00e9culo XX. A escola apresenta-se dessa forma como um espa\u00e7o fecundo e fundamental para a forma\u00e7\u00e3o de uma identidade nacional, e no caso de Vichy, at\u00e9 de legitima\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica para os mais nefastos fins (SILVA, 2007). Express\u00f5es como a cl\u00e1ssica \u201cnossos ancestrais, os gauleses\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>, oriundas do s\u00e9culo XIX, ser\u00e3o espelhadas nos livros did\u00e1ticos do s\u00e9culo posterior (VIEIRA, 2021), assim como a \u201cmitologia dos her\u00f3is nacionais, reproduzida pela m\u00e1quina educativa republicana desde 1871\u201d (BUCHSENSCHUTZ, 1997 <em>apud <\/em>SILVA, 2007, p. 101), da qual Vercinget\u00f3rix faz parte. Nesse sentido, \u201co ensino fundamental gratuito e obrigat\u00f3rio franc\u00eas foi o principal vetor para a difus\u00e3o dos gauleses e de Vercinget\u00f3rix como a principal representa\u00e7\u00e3o da identidade nacional francesa\u201d (AMALVI, 1984 <em>apud<\/em> VIEIRA, 2021, p. 290).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observa-se ent\u00e3o, que esse contexto educacional ancorado nos ideais republicanos e liberais do s\u00e9culo XIX, ser\u00e1 um dos maiores respons\u00e1veis por fomentar o mito gaul\u00eas no imagin\u00e1rio social franc\u00eas at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX, quando o pr\u00f3prio Asterix paulatinamente tomar\u00e1 para si essa fun\u00e7\u00e3o (KING, 1989; SILVA, 2007). Soma-se a esse fator o desinteresse da arqueologia francesa em escavar a Idade do Ferro durante o s\u00e9culo XX, abrindo ainda mais espa\u00e7o para que as vis\u00f5es do s\u00e9culo XIX sobre a G\u00e1lia e os gauleses permeassem a imagina\u00e7\u00e3o dos franceses. Portanto, \u00e9 nessa fonte que Ren\u00e9 Goscinny e Albert Uderzo ir\u00e3o buscar inspira\u00e7\u00e3o para sua hist\u00f3ria, Asterix se apresenta ent\u00e3o como um pastiche, uma am\u00e1lgama das vis\u00f5es apropriadas e ressignificadas pela Fran\u00e7a desse passado gaul\u00eas no decorrer dos s\u00e9culos, tornando-se a partir do momento da sua cria\u00e7\u00e3o um vetor de populariza\u00e7\u00e3o desse discurso, dessa vez n\u00e3o s\u00f3 para a Fran\u00e7a, mas para todo o mundo (KING, 1989). Afinal de contas, como diria Roger Pol-Droit, \u201cde Renascen\u00e7a em Renascen\u00e7a a Europa inventou todas as sortes de Antiguidade\u201d (1991 <em>apud<\/em> SILVA, 2007, p. 28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">65 anos de Asterix, o Gaul\u00eas: um fen\u00f4meno na Fran\u00e7a e no mundo. <strong>Campus France Brasil<\/strong>, 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.bresil.campusfrance.org\/65-anos-de-asterix. Acesso em: 07 de abril de 2024.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAESAR, Julius et al. <strong>The Landmark Julius Caesar<\/strong>: The Complete Works: Gallic War, Civil War, Alexandrian War, African War, and Spanish War. First edition. New York, Pantheon Books, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CUNLIFFE, Barry. <strong>The Ancient Celts<\/strong>. United Kingdom: Oxford University Press, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KESSLER, Peter. <strong>The Complete Guide to Asterix<\/strong>. Chicago: Distribooks Inc, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KING, Anthony. Vercingetorix, Asterix and the Gauls: the use of Gallic national symbols in 19th and 20th century French politics and culture. <strong>The Roman Past of Modern Europe<\/strong>, University College London, 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KNAUSS, Paulo. Usos do passado e hist\u00f3ria do tempo presente: arquivos da repress\u00e3o e conhecimento hist\u00f3rico. In: VARELLA, F. F.; MOLLO, H. M.; PEREIRA, M. H. F.; MATA, S (Org.). <strong>Tempo presente e usos do passado<\/strong>. Editora FGV, 1\u00aa Ed., 2012, p. 143-156.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LE GOFF, Jacques. Rei. In: LE GOFF, Jacques; SCHMITT, Jean-Claude (Coord.). <strong>Dicion\u00e1rio Anal\u00edtico do Ocidente Medieval<\/strong>. Vol. I. Traduzido por Hil\u00e1rio Franco J\u00fanior et alii. S\u00e3o Paulo: Editora Unesp, 2017, p. 441 \u2012 461.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MEILLEURES ventes de livre 2023: BD et romans feel-good au top. <strong>GFK<\/strong>, 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.gfk.com\/fr\/press\/meilleures-ventes-livres-2023. Acesso em: 07 de abril de 2024.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">OLIVIER, Laurent. The second battle of Alesia: The 19th-century investigations at Alise-Sainte-Reine and international recognition of the Gallic period of the late Iron Age. In: FITZPATRICK, A. P.; HASELGROVE, C. (eds.). <strong>Julius Caesar\u2019s Battle for Gaul<\/strong>: New Archaeological Perspectives. Oxbow Books, 2019, p. 285-309.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SILVA, Glaydson Jos\u00e9 da. <strong>Hist\u00f3ria antiga e usos do passado<\/strong>: um estudo de apropria\u00e7\u00f5es da Antiguidade sob o regime de Vichy (1940-1944). S\u00e3o Paulo: Annablume, Fapesp, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SIMONAIO, Arthur. <strong>Usos do passado<\/strong>: G\u00e1lia, Hisp\u00e2nia e suas rela\u00e7\u00f5es; J\u00falio C\u00e9sar e Asterix, o gaul\u00eas. 2016. (Disserta\u00e7\u00e3o) Mestrado \u2013 Universidade Federal de Alfenas. 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VIEIRA, Lucas Ferreira. <strong>An\u00e1lise da Recep\u00e7\u00e3o dos Cl\u00e1ssicos em Asterix e a (Re)constru\u00e7\u00e3o do Imagin\u00e1rio da Descend\u00eancia Gaulesa da Fran\u00e7a<\/strong>. 2021. (Disserta\u00e7\u00e3o) Mestrado \u2013 Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. 2021.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Doutor em Hist\u00f3ria Cultural pela Universidade Estadual de Campinas. Professor Associado II de Hist\u00f3ria Antiga da Universidade Federal de Pernambuco (renato.pinto@ufpe.br). http:\/\/lattes.cnpq.br\/7412948164735713.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Graduado em Bacharelado em Hist\u00f3ria pelo Centro Universit\u00e1rio Internacional UNINTER (phpedrosademelo@gmail.com). http:\/\/lattes.cnpq.br\/3930951930064514.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Vercinget\u00f3rix foi um nobre arv\u00eanio que liderou o levante das tribos gaulesas contra o ex\u00e9rcito romano de C\u00e9sar em 52 AEC, no contexto da Guerra das G\u00e1lias, tendo sido capturado ap\u00f3s o cerco de Al\u00e9sia (CUNLIFFE, 2018).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> 1066 foi o ano da invas\u00e3o normanda \u00e0 Inglaterra, articulada por Guilherme, o Conquistador (LE GOFF, 2017).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Dentre elas, destacamos trecho do <em>De Bello Gallico<\/em>, obra de J\u00falio C\u00e9sar no contexto da Guerra das G\u00e1lias (58 \u2013 52 AEC), onde ao introduzir o leitor ao territ\u00f3rio e aos povos da regi\u00e3o em que se passa a campanha militar, C\u00e9sar afirma que a G\u00e1lia era dividida entre <em>Belgae<\/em>, <em>Aquitani,<\/em> e um povo que para os romanos eram <em>Galli<\/em>, mas que na pr\u00f3pria l\u00edngua se denominavam <em>Celtae<\/em> (C\u00c9SAR, <em>De Bello Gallico<\/em>, 1-1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Tradu\u00e7\u00e3o nossa: <em>Nos anc\u00eatres les Gaulois<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 27 de Agosto de 2024.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> PINTO, Renato; MELO, Pedro Henrique Pedrosa de. Asterix e o Mito Gaul\u00eas: o lugar da G\u00e1lia no imagin\u00e1rio social franc\u00eas da primeira metade do s\u00e9c. XX. <strong> Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 27 ago. 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/asterix-e-o-mito-gaules-o-lugar-da-galia-no-imaginario-social-frances-da-primeira-metade-do-sec-xx \">https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/asterix-e-o-mito-gaules-o-lugar-da-galia-no-imaginario-social-frances-da-primeira-metade-do-sec-xx .<\/a>Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renato Pinto (GEAF\/UFPE)[1] Pedro Henrique Pedrosa de Melo (GEAF\/UFPE)[2] \u00c0s v\u00e9speras de completar 65 anos, Asterix se mant\u00e9m como o \u201cmaior \u00edcone franc\u00eas da cultura popular\u201d (MILLER, 2007 apud VIEIRA, 2021, p. 29), um fen\u00f4meno inquestion\u00e1vel na Fran\u00e7a e em todo o mundo. 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