{"id":6097,"date":"2024-07-30T12:00:02","date_gmt":"2024-07-30T15:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=6097"},"modified":"2024-07-30T11:58:59","modified_gmt":"2024-07-30T14:58:59","slug":"rematerializar-os-textos-ir-aos-manuscritos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/rematerializar-os-textos-ir-aos-manuscritos\/","title":{"rendered":"REMATERIALIZAR OS TEXTOS, IR AOS MANUSCRITOS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Andr\u00e9 Pelegrinelli<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 20vw; font-weight: 400; font-size: 10pt;\">\u201c[Francisco] Ensinava a buscar nos livros o testemunho do Senhor, n\u00e3o o valor material; a edifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a beleza. E queria que possu\u00edssem poucos [livros] e que os mesmos estivessem dispon\u00edveis para a necessidade dos irm\u00e3os que precisavam. [&#8230;] &#8220;(Tom\u00e1s de Celano, <em>Memorial do Desejo da Alma<\/em>, cap. XXXII).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo o hagi\u00f3grafo Tom\u00e1s de Celano tratou, em um de seus textos, da rela\u00e7\u00e3o de Francisco de Assis com os livros: a fim de perfeitamente observar o preceito da pobreza, eles deveriam ser valorizados por seu conte\u00fado (testemunho e edifica\u00e7\u00e3o) e n\u00e3o por sua forma (valor material e beleza). A diverg\u00eancia entre conte\u00fado e forma nesse caso se explica pelo alto de custo de produ\u00e7\u00e3o do livro medieval, mas \u00e9 tamb\u00e9m reveladora do modo de compreens\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o escrita no Medievo: conte\u00fado e forma s\u00e3o insepar\u00e1veis, logo, dentro de uma l\u00f3gica de valoriza\u00e7\u00e3o da pobreza, essa mensagem n\u00e3o deveria ser obliterada pela opul\u00eancia do suporte por meio do qual ela existia: o manuscrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEste texto \u00e9 um esfor\u00e7o de convencimento: \u00e9 preciso rematerializar os textos! Trazer \u00e0 consci\u00eancia do leitor moderno a compreens\u00e3o medieval dos livros enquanto objetos. Edi\u00e7\u00f5es, tradu\u00e7\u00f5es e reprodu\u00e7\u00f5es foram essenciais para a afirma\u00e7\u00e3o dos estudos medievais no cen\u00e1rio brasileiro, mas esse acesso intermediado \u00e0s fontes n\u00e3o pode criar uma concep\u00e7\u00e3o de livro medieval virtualizado, como um livro digital moderno que, independentemente do local e tempo, apresentar\u00e1 sempre o mesmo texto. A nossa gera\u00e7\u00e3o \u2013 e aqui me coloco ao lado do leitor, como doutorando que sou \u2013 conheceu as fontes medievais a partir da realidade digital e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, ao menos no Novo Mundo, inverter essa ordem de acesso: primeiro as reprodu\u00e7\u00f5es e edi\u00e7\u00f5es e, depois, os originais. Todavia, \u00e9 chegado o momento da jovem mediev\u00edstica pensar o caminho inverso e, atrav\u00e9s do di\u00e1logo interdisciplinar, tomar ci\u00eancia da materialidade dos textos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nNo entanto, cedo a iniciativa de convencer o leitor da import\u00e2ncia da forma do texto a quatro frades franciscanos que demonstram, em seus manuscritos, como os elementos paratextuais e a circula\u00e7\u00e3o do texto revelam tra\u00e7os das suas compreens\u00f5es da pot\u00eancia da escrita e da leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEm setembro de 1224, quando Francisco praticava uma quaresma acompanhado de seu amigo e assistente frei Le\u00e3o no Monte Alverne, um bosque ermo pr\u00f3ximo a Floren\u00e7a, estadia que culminou com o milagre dos estigmas, ele teria escrito a ora\u00e7\u00e3o que ficaria conhecida como <em>Louvores ao Deus Alt\u00edssimo<\/em> em um pequeno peda\u00e7o de pergaminho de 13,5x10cm. Algum tempo depois, ainda no Alverne, frei Le\u00e3o, segundo as fontes hagiogr\u00e1ficas, teria pedido que Francisco lhe escrevera uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, e ele teria ent\u00e3o utilizado o mesmo pergaminho, em seu verso. A breve ora\u00e7\u00e3o escrita por Francisco est\u00e1 baseada no texto b\u00edblico e \u00e9 completada, na parte inferior do pergaminho, por um desenho de uma letra tau saindo da boca de uma cabe\u00e7a situada sobre um monte e cruzando o nome de Le\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/07\/manuscrito-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6102\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/07\/manuscrito-1.jpg\" alt=\"\" width=\"267\" height=\"361\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Fig. 1. Assisi, Basilica di San Francesco, 13,5x10cm, lado pelo. Dispon\u00edvel em https:\/\/it.wikipedia.org\/wiki\/Frate_Leone#\/media\/File:Manuscrito_de_s_francisco.jpg. Acesso em 05 de abril de 2024.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outra ocasi\u00e3o (Pelegrinelli, 2019. Cf. tamb\u00e9m Bartoli Langeli, 2000) busquei demonstrar como a imagem desenhada na parte inferior do pergaminho \u00e9 parte integrante do conte\u00fado da ora\u00e7\u00e3o, que ganhava seu sentido personal\u00edssimo atrav\u00e9s dela. Apesar disso, as edi\u00e7\u00f5es modernas suprimem o desenho, de modo que o leitor contempor\u00e2neo estar\u00e1, necessariamente, sentenciado a ler um texto incompleto e impreciso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO desenho de Francisco \u00e9 um dos elementos denominados \u201cparatextuais\u201d de um texto: imagens, sum\u00e1rio, margens, iniciais, etc., tudo aquilo que se coloca no livro em rela\u00e7\u00e3o ao texto. Se os elementos paratextuais n\u00e3o forem compreendidos como part\u00edcipes da mensagem eles podem, como frequentemente acontece, ser ignorados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEm 1474 o franciscano observante Iacopo Oddi terminava de compor sua obra chamada Espelho da Ordem dos Menores, mais conhecida como <em>Franceschina<\/em>, uma esp\u00e9cie de cat\u00e1logo de vidas de santos, que foi copiada em tr\u00eas c\u00f3dices durante o s\u00e9culo XV: ms. 1238 da Biblioteca Augusta de Perugia, ms. 46 da Biblioteca Porziuncola em Santa Maria degli Angeli (Assis) e um manuscrito sem cota que se encontra no Archivio di Stato di Perugia (se\u00e7\u00e3o Spoleto). Em todos eles o copista \u2013 talvez o pr\u00f3prio Oddi no caso do ms. 1238 \u2013 utilizou diferentes tipos de iniciais ornamentadas ao longo do texto, cujo crit\u00e9rio de escolha sobre o que deveria ser mais ou menos ornamentado n\u00e3o encontra correspond\u00eancia com o tipo de texto, mas com o personagem cuja vida \u00e9 biografada naquela se\u00e7\u00e3o. Em outras palavras: os copistas fizeram uso da ornamenta\u00e7\u00e3o das letras iniciais para privilegiar alguns personagens em espec\u00edfico, ainda que estes n\u00e3o recebessem a mesma aten\u00e7\u00e3o no texto. Ele inseria, assim, uma nova camada ret\u00f3rica \u2013 n\u00e3o textual, mas ornamental \u2013 na apresenta\u00e7\u00e3o dos santos (Pelegrinelli, 2022).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO texto foi editado em 1931 pelo frade erudito Nicola Cavanna, que fez uso de alguns modelos de iniciais ornamentadas presentes no ms. 46 para marcar, no texto editado, o in\u00edcio da vida de cada um dos personagens. No entanto, sua escolha est\u00e9tica de ornamentar todos os personagens anulou a variedade valorativa produzida por Oddi e pelos copistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nElementos paratextuais, portanto, n\u00e3o eram apenas organizadores do texto \u2013 marcando se\u00e7\u00f5es ou destacando cita\u00e7\u00f5es, por exemplo \u2013, mas eram compreendidos no Medievo como ferramentas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do autor para a constru\u00e7\u00e3o do texto, valorizando, explicando e desenvolvendo outras reflex\u00f5es e sentidos. Assim, o leitor moderno deve buscar a \u201cfilologia da forma\u201d (CHIESA, 2016, p. 179) desse texto, ou seja, buscar uma perspectiva historicizante (portanto filol\u00f3gica) que restitua esse em sua integridade hist\u00f3rica, e n\u00e3o apenas textual. Como demonstrado por D\u00edaz y D\u00edaz (1986) e Orlandi (1994), os copistas possu\u00edam uma tend\u00eancia \u00e0 fidelidade formal ao modelo \u2013 \u00e0 chamada <em>ordinatio<\/em> do manuscrito, demonstrando assim compreender a forma do texto como sendo projeto de seu autor, da\u00ed advindo a tend\u00eancia a reproduzir as escolhas gr\u00e1ficas presentes no ant\u00edgrafo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 20vw; font-weight: 400; font-size: 10pt;\">[\u2026] Pode-se ir al\u00e9m. Caracteres externos e tamb\u00e9m aqueles paratextuais, como cenas ilustrativas ou vinhetas marginais, iniciais maiores ou menores, mais ou menos ornamentadas, escritas caracter\u00edsticas, margens, longe de serem campo de pesquisa apenas para os historiadores da arte, podem contribuir de forma \u00fatil a uma \u201c<em>kodikologische Stemmatik<\/em>\u201d, uma vez que s\u00e3o capazes de revelar conjuntos de modelos, edi\u00e7\u00f5es antigas, agrupamentos ou desagrupamentos de textos, intera\u00e7\u00f5es entre exemplares, contamina\u00e7\u00f5es. Cavallo, 1998, p. 395)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/07\/manuscrito-2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6103\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/07\/manuscrito-2.png\" alt=\"\" width=\"241\" height=\"368\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Fig. 2. Perugia, Biblioteca Augusta di Perugia, ms. 1238, f. 230r. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.finxit.it\/index.php\/finxit\/article\/view\/6. Acesso em 05 de abril de 2024.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A recomposi\u00e7\u00e3o estem\u00e1tica de um texto, isto \u00e9, a reconstru\u00e7\u00e3o de sua \u00e1rvore geneal\u00f3gica, informa a respeito do manuscrito m\u00e3e, de onde outras c\u00f3pias foram produzidas e \u00e9 uma ferramenta essencial para a atividade filol\u00f3gica, visando a reconstru\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tica do original. Tal procedimento, no entanto, \u00e9 \u00fatil n\u00e3o apenas para os fil\u00f3logos, mas tamb\u00e9m para os historiadores interessados na mudan\u00e7a dos textos ao longo do tempo. N\u00e3o h\u00e1 no Medievo c\u00f3pia perfeita: a reprodu\u00e7\u00e3o, que era necessariamente humana, fazia com que, salvo exce\u00e7\u00f5es de textos brev\u00edssimos, toda c\u00f3pia comportasse algum tipo de modifica\u00e7\u00e3o \u2013 chamada variante \u2013, ainda que se tratasse de um simples erro de c\u00f3pia: troca de palavras, rasuras, confus\u00e3o de letras, como \u00e9 comum de se fazer ao escrever um texto, at\u00e9 hoje. Na aus\u00eancia de c\u00f3pia perfeita, todo livro era \u00fanico, caracter\u00edstica que foi elevada ao grau m\u00e1ximo no conto A Biblioteca de Babel, de Jorge Luis Borges:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 20vw; font-weight: 400; font-size: 10pt;\">H\u00e1 uma singularidade no livro que faz com que, embora haja centenas de livros similares, cada um deles \u00e9 \u00fanico gra\u00e7as \u00e0 alguma interpola\u00e7\u00e3o: [&#8230;] cada exemplar \u00e9 \u00fanico, insubstitu\u00edvel, mas (como a Biblioteca \u00e9 total) h\u00e1 sempre v\u00e1rias centenas de milhares de fac-s\u00edmiles imperfeitos: de obras que apenas diferem por uma letra ou por uma v\u00edrgula. (Borges, 2001, p. 97-98)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ocorr\u00eancia de variantes e interpola\u00e7\u00f5es gera uma nova possibilidade de abordagem hist\u00f3rica dos textos: se o medievalista est\u00e1 interessado em compreender a circula\u00e7\u00e3o de um texto e seu impacto em determinado contexto, \u00e9 essencial n\u00e3o perder de vista o fen\u00f4meno das variantes e reescrituras. Nos \u00faltimos anos tenho me dedicado ao levantamento e compreens\u00e3o do fen\u00f4meno de interpola\u00e7\u00f5es textuais em um excerto da obra <em>De Conformitate Vitae Beati Francisci ad Vitam Domini Iesu<\/em> (Sobre a conforma\u00e7\u00e3o da vida do beato Francisco \u00e0 vida do Senhor Jesus), produzida no final do s\u00e9culo XIV por frei Bartolomeu de Pisa. A obra era uma esp\u00e9cie de \u201cenciclop\u00e9dia\u201d franciscana, apresentando a hist\u00f3ria e teologia dos menores. Um dos cap\u00edtulos (chamado 8\u00ba Fruto) era dedicado a agrupar geograficamente, por meio das prov\u00edncias, as vidas de frades mortos em odor de santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nOs estudos e edi\u00e7\u00f5es j\u00e1 publicados sobre este texto identificaram 56 c\u00f3dices (Bartholomaeus Pisanus, 1906; 1912; Seton, 1923; Erickson, 1972; Ciccarelli, 2015), parciais ou integrais, com a obra de Bartolomeu. Refazendo o levantamento, identifiquei at\u00e9 o momento 108 manuscritos. Mas vamos ao detalhe: ao verificar apenas os c\u00f3dices que apresentavam o 8o Fruto, constatei que cerca de 43% deles apresentavam reescritas importantes desse excerto: neles o copista se sentia livre para manipular o seu conte\u00fado, retirando ou acrescentando santos, abreviando ou alongando vidas, por exemplo. Estes copistas \u2013 em geral frades \u2013 an\u00f4nimos, transformaram significativamente a obra original e ir aos manuscritos revela um dado importante da obra no Medievo, pois se quase metade dos exemplares apresentava um texto notavelmente distante do original, o <em>De Conformitate<\/em> n\u00e3o pode ser lido como um bloco monol\u00edtico, e sim como uma obra aberta, adapt\u00e1vel e capaz de ser transformada por cada copista an\u00f4nimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO \u00faltimo exemplo mobilizado \u00e9 Mariano de Floren\u00e7a e seus poss\u00edveis colaboradores. Mariano foi um frade observante que viveu entre o final do s\u00e9culo XV e metade do XVI, morrendo precocemente gra\u00e7as \u00e0 peste, mas que deixou diversos trabalhos inacabados e manuscritos aut\u00f3grafos \u2013 isto \u00e9, escritos pelo pr\u00f3prio autor. O ms. Landau Finaly 243, da Biblioteca Nacional de Floren\u00e7a, foi encadernado da forma como se apresenta hoje apenas no s\u00e9culo XIX, mas uma parte significativa de seus fasc\u00edculos j\u00e1 deveria compor um c\u00f3dice original, quase todo aut\u00f3grafo de Mariano. Se\u00e7\u00f5es escritas por outras m\u00e3os parecem seguir o mesmo processo redacional e, qui\u00e7\u00e1, trata-se de idi\u00f3grafos, isto \u00e9, textos que n\u00e3o foram escritos pelo autor, mas sob a sua supervis\u00e3o, garantindo assim a manuten\u00e7\u00e3o de suas escolhas gr\u00e1ficas e de organiza\u00e7\u00e3o. A obra cont\u00e9m as Vite de sancti Frati Minori (Vidas dos santos Frades Menores), uma colet\u00e2nea hagiogr\u00e1fica produzida por Mariano e que se apresenta tamb\u00e9m em outras reda\u00e7\u00f5es em outros dois manuscritos<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[3]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio da vida de Jo\u00e3o de Bonvinsi (fig. 3), ao lado da rubrica \u201cIniciam-se algumas coisas da vida e dos dizeres do beato frade Jo\u00e3o de Bonvinsi de Luca, da Prov\u00edncia da Toscana\u201d (f. 231v)<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, o copista anotou uma observa\u00e7\u00e3o que denota a incompletude do texto, que n\u00e3o deveria ser lido em p\u00fablico: \u201cEssa legenda n\u00e3o est\u00e1 bem organizada e, portanto, n\u00e3o seja lida em p\u00fablico\u201d (f. 231v)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[5]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/07\/manuscrito-3.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6104\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/07\/manuscrito-3-400x154.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"154\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/07\/manuscrito-3-400x154.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/07\/manuscrito-3.png 567w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Fig. 3. Firenze, Biblioteca Nazionale Centrale, ms. Landau Finaly 243, f. 231v (detalhe). Foto do autor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns sinais gr\u00e1ficos que a mesma m\u00e3o deixou ao longo do texto, instruindo a si pr\u00f3prio ou a um terceiro a respeito de mudan\u00e7as que deveriam ser realizadas, demonstram a incompletude do texto. Para marcar o deslocamento de uma por\u00e7\u00e3o de texto em uma c\u00f3pia futura, ele inseriu no meio de um par\u00e1grafo um sinal similar a uma letra V invertida com tr\u00eas pontos e, na mesma altura, na margem esquerda, escreveu: \u201cProcure ao final dessa legenda, onde est\u00e1 o s\u00edmbolo e insira-o aqui\u201d (f. 324v)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/07\/manuscrito-4.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6105\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/07\/manuscrito-4-400x134.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"134\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/07\/manuscrito-4-400x134.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/07\/manuscrito-4.png 567w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Fig. 4. Firenze, Biblioteca Nazionale Centrale, ms. Landau Finaly 243, f. 234v (detalhe). Foto do autor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Treze f\u00f3lios depois encontramos o mesmo sinal, ap\u00f3s a conclus\u00e3o do texto original, marcado pela seguinte rubrica: \u201cFim. Acabou-se. O que segue \u00e9 da supradita legenda do beato Jo\u00e3o de Buonvisi e deve ser inserida acima na folha . . onde est\u00e1 sinalizado\u201d (lacuna presente no original) (f. 247r)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[7]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/07\/manuscrito-5.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6106\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/07\/manuscrito-5-400x119.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"119\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/07\/manuscrito-5-400x119.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2024\/07\/manuscrito-5.png 567w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Fig. 10. Firenze, Biblioteca Nazionale Centrale, ms. Landau Finaly 243, f. 234v (detalhe). Foto do autor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ms. Landau Finaly 243 \u00e9 repleto dessas marcas de reorganiza\u00e7\u00e3o do texto, que demonstram que este c\u00f3dice n\u00e3o era a vers\u00e3o final da obra, idealizada pelo autor e produzida para c\u00f3pias posteriores. Ir aos manuscritos permite, portanto, conhecer n\u00e3o apenas como eles circulavam, mas, no caso de aut\u00f3grafos e idi\u00f3grafos, poder observar como o texto foi constru\u00eddo. Chama-se a isso de \u201cgen\u00e9tica textual\u201d: entrar no escrit\u00f3rio do autor medieval, conhecer suas fontes, seus m\u00e9todos e seus repensamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 20vw; font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Nesse sentido, o manuscrito \u00e9 terreno f\u00e9rtil no qual o acaso, especialmente vis\u00edvel em cada rasura, abunda, j\u00e1 que o releitor pode afirmar o contr\u00e1rio do que tem sido escrito a cada palavra, frase, par\u00e1grafo, embora deva frequentemente levar em conta o que precede. [&#8230;] (Willemart, 2019, p. 55)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manuscritos, por certo, n\u00e3o substituem edi\u00e7\u00f5es cr\u00edticas. Uma edi\u00e7\u00e3o, por exemplo, que busque propor uma hip\u00f3tese reconstrutiva da obra original trar\u00e1 um texto sem as transforma\u00e7\u00f5es da tradi\u00e7\u00e3o manuscrita medieval e, portanto, mais pr\u00f3xima daquela planejada por seu autor. Excelentes edi\u00e7\u00f5es cr\u00edticas devem dar conta de reescritas, das variantes significativas e, se for o caso, da g\u00eanese da obra ou do uso de elementos paratextuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA r\u00e1pida digitaliza\u00e7\u00e3o dos c\u00f3dices tem facilitado e acelerado o trabalho de an\u00e1lise e compara\u00e7\u00e3o de textos, mas o seu simples acesso n\u00e3o garante o bom uso: \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer as suas especificidades e fazer uso dos recursos da paleografia, da codicologia, e do conhecimento de l\u00ednguas, sempre recordando que algumas dessas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o percept\u00edveis apenas in loco, tendo o livro em m\u00e3os. Mais importante ainda que estes instrumentais \u00e9 a reflex\u00e3o sobre os modos de funcionamento e de circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es escritas naquela comunidade produtora\/leitora, a fim de melhor compreender como as especificidades das informa\u00e7\u00f5es materiais e paratextuais corroboram para a conforma\u00e7\u00e3o do conte\u00fado do texto manuscrito.<br \/>\nConcluo com um alerta: os manuscritos, enquanto suportes originais de informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o garantem fidedignidade de informa\u00e7\u00e3o e s\u00e3o fontes t\u00e3o suspeitas e confi\u00e1veis quanto quaisquer outras. \u00c9 necess\u00e1rio rematerializar os textos medievais com a cautela de quem entende o seu funcionamento. Caso contr\u00e1rio, retomamos Borges:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 20vw; font-weight: 400; font-size: 10pt;\">A escrita met\u00f3dica distrai-me da presente condi\u00e7\u00e3o dos homens. A certeza de que tudo est\u00e1 escrito nos anula ou nos fantasmagoriza. Conhe\u00e7o distritos em que os jovens se prostram diante dos livros e beijam com barb\u00e1rie as p\u00e1ginas, mas n\u00e3o sabem decifrar uma \u00fanica letra. (Borges, 2001, p. 100)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bibliografia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARTHOLOMAEUS PISANUS. Analecta Franciscana IV: De Conformitate Vitae B. Francisci ad Vitam Domini Jesu. Liber I. Edi\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio S\u00e3o Boaventura. Firenze: Quaracchi, 1906.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARTHOLOMAEUS PISANUS. Analecta Franciscana V: De Conformitate Vitae B. Francisci ad Vitam Domini Jesu. Liber II-III. Edi\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio S\u00e3o Boaventura. Firenze: Quaracchi, 1912.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARTOLI LANGELI, A. Gli autografi di Frate Francesco e di Frate Leone. Turnhout: Brepols, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BORGES, J. L. Fic\u00e7\u00f5es. Trad. de M. C. Araujo e J. Scwartz. 3\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Globo, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAVALLO, G. Caratteri materiali del manoscritto e storia della tradizione. In: FERRARI, A. (org.). Filologia classica e filologia romanza: esperienze ecdotiche a confronto. Spoleto: CISAM, 1998, p. 389-397.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CHIESA, P. Venticinque lezioni di filologia mediolatina. Firenze: SISMEL: Edizioni del Galluzzo, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CICCARELLI, D. Un codice messinese delle Conformit\u00e0 di Bartolomeo da Pisa. In: Gratia laborandi: ricerche paleografiche e francescane. Palermo: Officina di Studi Medivali; Biblioteca Francescana di Palermo, 2015, p. 413-435.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00cdAZ Y D\u00cdAZ, M. C. Confecci\u00f3n de c\u00f3dices y cr\u00edtica textual. In: A.A.V.V. Actas del III Simposio de la secic\u00f3n de Filolog\u00eda Cl\u00e1sica de la Universidad de Murcia: la cr\u00edtica textual y los textos cl\u00e1ssicos. Murcia: Universidad de Murcia, p. 149-166.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ERICKSON, C. Bartholomew of Pisa, Francis exalted: De conformitate. Medieval Studies, 34, 1972, p. 253-274.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ORLANDI, G. Apografi e pseudo-apografi nella Navigatio sancti Brendani e altrove. Filologia mediolatina, I, p. 1-35, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PELEGRINELLI, A. Lettere e aureole. La logica delle iniziali nei manoscritti dello Specchio dell\u2019Ordine Minore (Franceschina) di Iacopo Oddi. Finxit. Dialoghi tra arte e scrittura dal Medioevo all\u2019Et\u00e0 Moderna, I, p. 61-87, 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____________,____. Uma montagem caligram\u00e1tica do s\u00e9culo XIII: a Benedictio Fratri Leoni Data de Francisco de Assis. Ant\u00edteses, v. 12, n. 24, p. 646-676, 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SETON, W. Two manuscripts of Bartholomew os Pisa\u2019s \u201cDe Conformitate\u201d. Archivum Franciscanusm Historicum, annus XVI, tomus XVI, 1923, p. 191-199.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WILLEMART, P. A Escritura na Era da Indetermina\u00e7\u00e3o. Estudos sobre cr\u00edtica gen\u00e9tica, psican\u00e1lise e literatura. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Doutorando em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo e em co-tutela em Hist\u00f3ria, Antropologia, Religi\u00f5es na Universit\u00e0 Sapienza di Roma. E-mail: <a href=\"mailto:andrepelegrinelli@gmail.com\">andrepelegrinelli@gmail.com<\/a>. Lattes: <a href=\"https:\/\/wwws.cnpq.br\/cvlattesweb\/PKG_MENU.menu?f_cod=56DBEB60BBE5849CA4463728E8235651\">https:\/\/lattes.cnpq.br\/8807043737167371<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Original: \u201c[\u2026] Ma si pu\u00f2 andare anche pi\u00f9 oltre. Caratteri esterni e anch\u2019essi paratestuali come scene illustrative o vignette marginali, iniziali maggiori o minori pi\u00f9 o meno ornate, scritture distintive, fregi, lungi dall\u2019essere solo terreno di ricerca per storici dell\u2019arte, possono utilmente contribuire ad una \u00abkodikologische Stemmatik\u00bb in quanto capaci talora di rivelare assetti di modelli, edizioni antiche, aggregazioni o disaggregazioni di testi, iterazione di esemplari, contaminazioni.\u201d (Tradu\u00e7\u00e3o minha).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[3]<\/sup><\/a> A saber: Roma, Biblioteca Nazionale Centrale, ms. Sessoriano 412; Firenze, Biblioteca Provinciale OFM, Giacherino I.G.2.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Original: \u201cIncomincia alcune cose della vita e decti del beato frate Iohanni de Bonvinsi da Luca della Provincia di Thoscana\u201d (Tradu\u00e7\u00e3o minha).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Original: \u201cQuesta legenda non \u00e8 bene ordinata et pertanto non sia letta in publico\u201d (Tradu\u00e7\u00e3o minha).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Original: \u201cCercha in fine di questa legenda dove \u00e8 questo segno e inseriscilo qui\u201d (Tradu\u00e7\u00e3o minha).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[7]<\/sup><\/a> Original: \u201cFinit. Explicit. Questo che segue \u00e8 della sopra detta legenda del beato Iohanni de Buonvisi et debasi porre sopra a carte . . dove \u00e8 signato\u201d (Tradu\u00e7\u00e3o minha).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 30 de Julho de 2024.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> PELEGRINELLI, Andr\u00e9. Remateralizar os textos, ir aos manuscritos. <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 30 jul. 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/rematerializar-os-textos-ir-aos-manuscritos\">https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/rematerializar-os-textos-ir-aos-manuscritos.<\/a>Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andr\u00e9 Pelegrinelli[1] \u201c[Francisco] Ensinava a buscar nos livros o testemunho do Senhor, n\u00e3o o valor material; a edifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a beleza. E queria que possu\u00edssem poucos [livros] e que os mesmos estivessem dispon\u00edveis para a necessidade dos irm\u00e3os que precisavam. [&#8230;] &#8220;(Tom\u00e1s de Celano, Memorial do Desejo da Alma, cap. XXXII). Desse modo o hagi\u00f3grafo &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/rematerializar-os-textos-ir-aos-manuscritos\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1170,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-6097","page","type-page","status-publish","hentry","nodate","item-wrap"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.7 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>REMATERIALIZAR OS TEXTOS, IR AOS MANUSCRITOS - POIEMA<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/rematerializar-os-textos-ir-aos-manuscritos\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"REMATERIALIZAR OS TEXTOS, IR AOS MANUSCRITOS - POIEMA\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Andr\u00e9 Pelegrinelli[1] \u201c[Francisco] Ensinava a buscar nos livros o testemunho do Senhor, n\u00e3o o valor material; a edifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a beleza. 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