{"id":5835,"date":"2023-12-12T12:00:41","date_gmt":"2023-12-12T15:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=5835"},"modified":"2023-12-11T20:01:42","modified_gmt":"2023-12-11T23:01:42","slug":"texto-barid-correios-e-inteligencia-no-califado-abassida","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-barid-correios-e-inteligencia-no-califado-abassida\/","title":{"rendered":"Texto: Bar\u012bd: Correios e intelig\u00eancia no califado Ab\u00e1ssida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Pedro Martins Criado<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O correio do mundo isl\u00e2mico durante o per\u00edodo Ab\u00e1ssida (132-656 H.\/750-1258 d.C.) n\u00e3o parece ser um tema que despertaria fortes emo\u00e7\u00f5es \u2013 mas essa apar\u00eancia n\u00e3o passa de uma conveniente distra\u00e7\u00e3o, para esconder de n\u00f3s os segredos dos poderosos. Para al\u00e9m das simp\u00e1ticas carinhas dos burrinhos de rabo cortado, h\u00e1 diferentes motivos pelos quais o chamado <em>bar\u012bd<\/em> teve grande import\u00e2ncia para a administra\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica. Entre eles, podemos destacar a circula\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia e informa\u00e7\u00f5es privilegiadas entre as diversas \u00e1reas distantes e os centros de poder do califado, como Damasco e Bagd\u00e1. Em outras palavras, o <em>bar\u012bd<\/em> era um ve\u00edculo oficial tanto do conhecimento not\u00f3rio e protocolar, como do sigiloso, secreto e valioso aos eminentes e soberanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rede de rotas e os correios que vieram a funcionar como o <em>bar\u012bd<\/em> n\u00e3o surgiram com o advento do Isl\u00e3 no in\u00edcio do s\u00e9culo 7 d.C., e sim nas vias delineadas e povos espalhados por todo o Oriente M\u00e9dio desde a Antiguidade. N\u00e3o parece poss\u00edvel definir o primeiro a ter cortado o rabo de uma mula para transportar cargas oficiais, mas o costume \u00e9 amplamente difundido pela \u00c1sia. A explica\u00e7\u00e3o mais aceita a respeito desse h\u00e1bito considera-o como uma forma de diferenciar entre as montarias oficiais e as n\u00e3o-oficiais. Contudo, outras teorias cogitam motivos militares \u2013 isto \u00e9, para n\u00e3o haver o risco de que elas fossem mutiladas em eventuais embates \u2013, ou at\u00e9 mesmo uma poss\u00edvel maneira de aumentar a velocidade dos animais (SILVERSTEIN, 2004).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, a semelhan\u00e7a entre os sistemas postais romano, isl\u00e2mico e chin\u00eas pode indicar um mesmo ponto inicial (MEZ, 1937; GAZAGNADOU, 1994). Mais especificamente, o fato de que romanos, isl\u00e2micos e chineses igualmente aparavam o rabo das montarias dos correios refor\u00e7a a possibilidade de um ancestral comum para tal pr\u00e1tica, que dificilmente surgiria de maneira independente nesses tr\u00eas contextos (GOITEIN, 1964). De fato, a compara\u00e7\u00e3o direta com o correio chin\u00eas ocorre naturalmente aos pr\u00f3prios mercadores mu\u00e7ulmanos do s\u00e9culo 3 H.\/9 d.C.:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\">As correspond\u00eancias entre os grandes reis e os governantes e eunucos das grandes cidades \u00e9 feita por meio de mulas dos correios, as quais t\u00eam o rabo tosquiado da mesma maneira que as mulas dos correios de nossas terras. Elas percorrem rotas conhecidas. (AL-S\u012aR\u0100F\u012a, 2022, p. 92)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensando nessa poss\u00edvel irradia\u00e7\u00e3o a partir de um ponto central, n\u00e3o parece absurdo procurarmos nos persas os prov\u00e1veis idealizadores de uma primeira estrutura postal organizada em larga escala na regi\u00e3o, ou at\u00e9 mesmo nos babil\u00f4nios antes deles (GOITEIN, 1964). Ainda que sua inven\u00e7\u00e3o seja muito antiga, o desenvolvimento do correio real no Oriente M\u00e9dio acompanhou a consolida\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Aquem\u00eanida (550-330 a.C.). Her\u00f3doto destaca a efici\u00eancia e a agilidade do servi\u00e7o de correios dos persas, e descreve sua boa organiza\u00e7\u00e3o em postos que, a cada l\u00e9gua, tinham homens preparados para sair a cavalo a qualquer hora, sob quaisquer que fossem as condi\u00e7\u00f5es do tempo (livro 8, \u00a798).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa heran\u00e7a deixou sinais percept\u00edveis no contexto \u00e1rabe em forma da predomin\u00e2ncia de uma terminologia persa referente \u00e0s atividades postais, como o <em>fayj<\/em> (literalmente, \u201cpedestre\u201d; por extens\u00e3o, <em>courier<\/em> ou \u201ccarteiro\u201d), o emprego da unidade de dist\u00e2ncia <em>farsa\u1e2b<\/em> (\u201cparasanga\u201d, de medida vari\u00e1vel entre 3 e 6 km), ou, possivelmente, a pr\u00f3pria palavra <em>bar\u012bd<\/em> (MEZ, 1937). Ao explicar a origem do <em>bar\u012bd<\/em>, o historiador persa Ab\u016b \u02bfAbdill\u0101h \u1e24amza al-\u02beI\u1e63fah\u0101n\u012b (m. 350 H.\/961 d.C.) atribui sua cria\u00e7\u00e3o ao imperador Dario I (522-486 a.C.):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\">D\u0101r\u0101 bin Bahm\u0101n foi o primeiro a implementar as esta\u00e7\u00f5es do <em>bar\u012bd<\/em>, onde definiu que haveria montarias de cauda cortada, as quais foram chamadas de <em>bar\u012bd \u1e0fanab<\/em> (do persa, <em>bur\u012bde dum<\/em>, \u201cde rabo cortado\u201d). Essa express\u00e3o foi arabizada e a segunda metade foi eliminada, ent\u00e3o dizem <em>bar\u012bd<\/em>. (\u1e24AMZA AL-\u02beI\u1e62FAH\u0100N\u012a, s\/d., pp. 32-3)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora os compiladores mu\u00e7ulmanos tracem a etimologia de <em>bar\u012bd<\/em> ao persa, o arabista Shlomo Dov Goitein diz que certamente o termo vem do <em>veredarius<\/em> (tamb\u00e9m <em>courier<\/em> ou \u201ccarteiro\u201d), que possui deriva\u00e7\u00f5es em sir\u00edaco e na literatura talm\u00fadica. Mais do que isso, a proximidade com a palavra latina sugere que os \u00e1rabes teriam tido contato direto com o sistema romano muito antes do advento do Isl\u00e3 (GOITEIN, 1964). Assim como o chamado <em>cursus publicus<\/em>, o <em>bar\u012bd<\/em> era um servi\u00e7o imperial de correios e transportes de acesso restrito aos militares e governantes. Os \u00e1geis cavalos romanos empregados nessas atividades oficiais eram chamados de <em>veredus<\/em> em latim e <em>\u03b2\u03ad\u03c1\u03b5\u03b4\u03bf\u03c2<\/em> [<em>b\u00e9redos<\/em>] em grego. Ainda assim, mesmo que o termo em si possa ser uma deriva\u00e7\u00e3o romana, o <em>bar\u012bd<\/em> dos \u00e1rabes enquanto institui\u00e7\u00e3o veio dos persas (GOITEIN, 1964).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o per\u00edodo Om\u00edada (41-132 H.\/661-750 d.C.), a principal fun\u00e7\u00e3o do <em>bar\u012bd<\/em> era de servir como um meio de comunica\u00e7\u00e3o militar, de modo que um ex\u00e9rcito em campanha s\u00f3 marcharia adiante ap\u00f3s ter estabelecido e equipado \u201cpostos (<em>burud<\/em>) entre um territ\u00f3rio e outro\u201d (AL-\u1e6cABAR\u012a, 1883-5, v. 8, p. 1045). O aprimoramento organizacional do <em>bar\u012bd<\/em> sob os Om\u00edadas \u00e9 geralmente atribu\u00eddo ao califa \u02bfAbd al-Malik (65-86 H.\/685-705 d.C.) (SOURDEL, 1986).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, sob administra\u00e7\u00e3o ab\u00e1ssida, os diferentes sistemas pr\u00e9vios \u2013 persa e romano \u2013 s\u00e3o acomodados na institui\u00e7\u00e3o centralizada do <em>bar\u012bd<\/em>, o que tamb\u00e9m se reflete, por exemplo, nas diferentes unidades de medida utilizadas simultaneamente: a leste do Eufrates, as rotas s\u00e3o medidas em parasangas, enquanto, a oeste, s\u00e3o medidas em milhas, a unidade romana \u2013 por vezes, ambas, inclusive, aparecem juntas (MEZ, 1937). O ge\u00f3grafo Ab\u016b \u02bfAbdill\u0101h Y\u0101q\u016bt al-\u1e24amaw\u012b (m. 626 H.\/1229 d.C.) explica algumas das acep\u00e7\u00f5es do termo <em>bar\u012bd<\/em> (sg.) \/ <em>burud<\/em> (pl.) junto a equival\u00eancias m\u00e9tricas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\">Sobre o <em>bar\u012bd<\/em>: h\u00e1 diferen\u00e7as; alguns dizem que, no deserto, ele tem 12 milhas, e, no \u0160\u0101m e em \u1e2aur\u0101s\u0101n, tem 6 milhas. Ab\u016b Man\u1e63\u016br disse: o <em>bar\u012bd<\/em> \u00e9 o enviado, e seu \u201ccorreio\u201d \u00e9 seu \u201cenvio\u201d. Algum dos \u00e1rabes disse: \u201ca febre \u00e9 o <em>bar\u012bd<\/em> da morte\u201d \u2013 isto \u00e9, ela \u00e9 o emiss\u00e1rio que adverte da morte. A viagem que permite abreviar a reza \u00e9 de 4 <em>burud<\/em>, 48 milhas \u2013 em milhas <em>h\u0101\u0161im\u012b<\/em>, que s\u00e3o as do caminho de Meca. A montaria do <em>bar\u012bd<\/em> tamb\u00e9m se chama <em>bar\u012bd<\/em>, bem como seu percurso no <em>bar\u012bd<\/em>. (&#8230;) Ibn al-\u02beA\u02bfr\u0101b\u012b disse: \u201cTudo que h\u00e1 entre dois estabelecimentos \u00e9 um <em>bar\u012bd<\/em>.\u201d Algum deles narrou algo que contrariava o que havia dito, ent\u00e3o ele disse: \u201cDe Bagd\u00e1 at\u00e9 Meca, s\u00e3o 275 parasangas e 2 milhas, que seriam 827 milhas; esse n\u00famero d\u00e1 58 <em>bar\u012bd<\/em> e 4 milhas, e o <em>bar\u012bd<\/em> d\u00e1 20 milhas.\u201d Essa foi a hist\u00f3ria que ele contou. Deus sabe mais. (Y\u0100Q\u016aT AL-\u1e24AMAW\u012a, 1977, v. 1, p. 35)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com os Ab\u00e1ssidas, o <em>bar\u012bd<\/em> passou por um processo semelhante ao que se deu nas demais esferas governamentais do califado: uma diversifica\u00e7\u00e3o de suas funcionalidades; se antes seu principal prop\u00f3sito era militar, agora ele serviria para o escoamento de informa\u00e7\u00f5es variadas entre governantes e califas. O persa Ab\u016b al-Q\u0101sim \u02bfUbaydull\u0101h Ibn \u1e2aurd\u0101\u1e0fbeh (m. 300 H.\/913 d.C.), um chefe da esta\u00e7\u00e3o do <em>bar\u012bd<\/em> em Samarra, foi o respons\u00e1vel por escrever a obra considerada a mais antiga geografia originalmente isl\u00e2mica, o <em>Kit\u0101b al-mas\u0101lik wal-mam\u0101lik<\/em> (<em>Livro das rotas e reinos<\/em>). O acesso de Ibn \u1e2aurd\u0101\u1e0fbeh \u00e0 maior rede de informantes existente no mundo isl\u00e2mico de seu tempo permitiu que ele registrasse todos os trajetos conhecidos que conectavam as terras do <em>d\u0101r al-\u02beIsl\u0101m<\/em>, bem como as localiza\u00e7\u00f5es dos diversos povos com os quais o Isl\u00e3 tinha contato. Sobre a estrutura e o funcionamento do <em>bar\u012bd<\/em> de seu tempo, Ibn \u1e2aurd\u0101\u1e0fbeh diz brevemente que \u201cs\u00e3o 930 esta\u00e7\u00f5es. O custo anual com a aquisi\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o de montarias, e com a remunera\u00e7\u00e3o dos chefes do correio e dos carteiros, \u00e9 de 159.100 dinares\u201d (IBN \u1e2aURD\u0100\u1e0eBEH, 1886, p. 153), uma quantia compat\u00edvel com a arrecada\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria de um pequeno distrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos institucionais, foi com os Ab\u00e1ssidas que o <em>bar\u012bd<\/em> ganhou seu pr\u00f3prio <em>d\u012bw\u0101n<\/em>, um gabinete secretarial administrativo (SA\u02bfD\u0100W\u012a, 1953) \u2013 mais ou menos, como um minist\u00e9rio. Em meados do s\u00e9culo 3 H.\/9 d.C., a malha do <em>bar\u012bd<\/em> j\u00e1 cobria todo o territ\u00f3rio isl\u00e2mico (SOURDEL, 1986), com um alcance at\u00e9 as terras chinesas a leste, via o chamado <em>bar\u012bd<\/em> turco (IBN \u1e2aURD\u0100\u1e0eBEH, 1886), e at\u00e9 Constantinopla a oeste, via \u00c1sia Menor, onde a dist\u00e2ncia entre uma esta\u00e7\u00e3o do <em>bar\u012bd<\/em> e a outra era de uma parasanga, ou 3 milhas (IBN \u1e24AWQAL, 1938). Ao final do s\u00e9culo 3 H.\/9 d.C., um certo H\u0101r\u016bn bin Ya\u1e25y\u00e0 foi feito prisioneiro pelos romanos e, depois de libertado, voltou e relatou o mais antigo testemunho aut\u00f3ptico em \u00e1rabe a descrever Constantinopla e Roma, cujo in\u00edcio \u00e9 o trajeto em que ele foi transportado, incluindo um trecho via <em>bar\u012bd<\/em> na Anat\u00f3lia (IBN RUSTEH, 1891).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois fatores principais ainda distinguem o sistema postal pr\u00e9-moderno dos outros tipos de viagem: velocidade e seguran\u00e7a \u2013 caracter\u00edsticas necess\u00e1rias ao funcionamento de uma estrutura respons\u00e1vel por transportar materiais de alto interesse e valor (SILVERSTEIN, 2004). Um manuscrito conhecido como <em>Siy\u0101sat al-mul\u016bk<\/em> (<em>A condu\u00e7\u00e3o dos reis<\/em>), escrito por um an\u00f4nimo de meados do s\u00e9culo 4 H.\/10 d.C., prescreve que \u201cuma esta\u00e7\u00e3o do <em>bar\u012bd<\/em> nunca deve ficar desatendida\u201d (SILVERSTEIN, 2002-3, p. 133). Esse texto nos oferece o tratamento mais extenso de diferentes \u00f3rg\u00e3os burocr\u00e1ticos do per\u00edodo Ab\u00e1ssida \u2013 entre eles, o <em>bar\u012bd<\/em>. Alguns ind\u00edcios na fonte sugerem que ela teria sido escrita logo ap\u00f3s a chegada dos Bu\u00eddas (334-454 H.\/934-1062 d.C.) ao palco do poder califal (SILVERSTEIN, 2002-3). Entre as obriga\u00e7\u00f5es gerais do <em>bar\u012bd<\/em>, o <em>Siy\u0101sat al-mul\u016bk<\/em> inclui que o protocolo de intelig\u00eancia deve respeitar a boa pr\u00e1tica de investiga\u00e7\u00e3o, e o registro das informa\u00e7\u00f5es deve ser feito da maneira adequada, em linguagem oficial e descomplicada. Em dado momento, o relator narra uma anedota graciosa sobre a celeridade do <em>bar\u012bd<\/em>, em que um funcion\u00e1rio teria contado que, nos tempos do califa al-Mu\u02bfta\u1e63im Bill\u0101h (218-227 H.\/833-842 d.C.), uma carta chegava at\u00e9 eles com a massa do selo ainda \u00famida (SILVERSTEIN, 2002-3). Em \u00faltima inst\u00e2ncia, a sustenta\u00e7\u00e3o do governo contava com o bom funcionamento do <em>bar\u012bd<\/em>, e isso estaria condicionado \u00e0 integridade de sua infraestrutura e \u00e0 confiabilidade de seus gestores e subordinados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cargo de <em>\u1e63\u0101\u1e25ib al-bar\u012bd wal-\u1e2babar<\/em>, \u201cchefe dos correios e da intelig\u00eancia\u201d, \u00e9 encarregado de gerenciar, justamente, esses dois \u00e2mbitos: correios e intelig\u00eancia. Quanto aos primeiros, cabe a ele supervisionar todas as compet\u00eancias envolvidas na atividade das esta\u00e7\u00f5es, incluindo escribas, carteiros, animais, abastecimento de provis\u00f5es, manuten\u00e7\u00e3o de equipamentos e administra\u00e7\u00e3o de recursos. Dada a extrema sensibilidade de seu cargo, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio estar sempre resguardado contra falsidades \u2013 por ser um representante do soberano, engan\u00e1-lo seria como enganar o sult\u00e3o, ent\u00e3o sua cautela deve ser compat\u00edvel com a requerida pelos assuntos oficiais. Por esse motivo, sua eventual puni\u00e7\u00e3o seria necessariamente exemplar e severa (SILVERSTEIN, 2002-3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que diz respeito \u00e0 intelig\u00eancia, o chefe do <em>bar\u012bd<\/em> \u00e9 respons\u00e1vel por manter o califa atualizado a respeito dos pr\u00f3prios governantes, conferindo a esse \u00f3rg\u00e3o uma atribui\u00e7\u00e3o dupla de vigil\u00e2ncia, tanto externa como interna da m\u00e1quina governamental (SILVERSTEIN, 2002-3). Suas atribui\u00e7\u00f5es s\u00e3o semelhantes \u00e0s do <em>\u1e63\u0101\u1e25ib al-\u1e2bar\u0101j<\/em>, \u201cchefe da arrecada\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria\u201d, sendo o chefe do <em>bar\u012bd<\/em>, inclusive, encarregado de manter uma colabora\u00e7\u00e3o m\u00fatua com o gabinete tribut\u00e1rio, bem como de informar os governantes a respeito das atividades desse departamento e de seus funcion\u00e1rios. \u201cOs chefes do <em>bar\u012bd<\/em> devem obter informa\u00e7\u00f5es tanto sigilosas como p\u00fablicas\u201d (SILVERSTEIN, 2002-3, p. 132). Dada sua fun\u00e7\u00e3o supervisora, o protocolo do <em>bar\u012bd<\/em> abrange mais do que o envio de cartas e a escrita de relat\u00f3rios:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\">Ibr\u0101h\u012bm bin M\u016bs\u00e0 bin \u02bf\u012as\u00e0 bin M\u016bs\u00e0 disse que os chefes do <em>bar\u012bd<\/em> em toda parte escreviam todo dia para al-Man\u1e63\u016br durante seu califado, informando o pre\u00e7o do trigo, dos gr\u00e3os e dos condimentos, o pre\u00e7o de cada alimento, cada veredito que o c\u00e1di julgou em seus distritos, o que o governante fez, e quais riquezas e novidades chegaram ao tesouro. Ao fazerem a reza do p\u00f4r do sol, escreviam para ele [sobre o que acontecera naquele dia, e,] sobre o que acontecia toda noite, depois da reza da manh\u00e3. Quando as cartas chegavam, ele as lia; caso visse que os pre\u00e7os estavam normais, n\u00e3o fazia nada, e, caso alguma coisa estivesse fora do normal, ele escrevia ao governante e ao coletor de l\u00e1, perguntando sobre a causa daquela tal disparidade do pre\u00e7o. Quando recebia a resposta com o motivo, lidava com aquilo com gentileza e benevol\u00eancia at\u00e9 que o pre\u00e7o voltasse ao normal. Caso tivesse d\u00favidas quanto a algum veredito do c\u00e1di, escrevia-lhe sobre isso e perguntava sobre seu trabalho aos que estavam presentes; caso reprovasse algo que ele fizera, escrevia-lhe repreendendo-o e criticando-o. (AL-\u1e6cABAR\u012a, 1979-80, v. 10, p. 435)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto isl\u00e2mico, podemos dizer que foi com os Ab\u00e1ssidas que o <em>bar\u012bd<\/em> teve sua import\u00e2ncia e seu potencial expandidos. O <em>bar\u012bd<\/em> tornou-se uma ferramenta administrativa fundamental para que os governantes recebessem boletins informativos variados, que eram ent\u00e3o repassados at\u00e9 o Comandante dos Fi\u00e9is. Esses relat\u00f3rios inclu\u00edam dados burocr\u00e1ticos importantes, como pre\u00e7os dos gr\u00e3os e arrecada\u00e7\u00f5es de impostos, mas tamb\u00e9m traziam \u00e0 ci\u00eancia do califa, por exemplo, informa\u00e7\u00f5es pertinentes ao cumprimento da lei. A confian\u00e7a inspirada pela efici\u00eancia do <em>bar\u012bd<\/em> sob os Ab\u00e1ssidas encontra, at\u00e9 mesmo, uma ocorr\u00eancia \u00fanica de um califa, M\u016bs\u00e0 al-H\u0101d\u012b (169-170 H.\/785-786 d.C.), lan\u00e7ando m\u00e3o de seus servi\u00e7os de transporte pessoalmente ao tomar montarias do <em>bar\u012bd<\/em> \u201ccomo um dos nobres\u201d para fazer um deslocamento urgente (AL-\u1e6cABAR\u012a, 1979-80, v. 10, p. 547). Al\u00e9m dos correios e transportes, os Ab\u00e1ssidas fizeram do <em>bar\u012bd<\/em>, efetivamente, um departamento de intelig\u00eancia, logo, considerado uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a. Num discurso de investidura registrado pelo secret\u00e1rio do tesouro Ab\u016b al-Faraj Qud\u0101ma bin Ja\u02bffar (m. 337 H.\/948 d.C.), enfatiza-se a confiabilidade como o principal atributo exigido de um chefe do <em>bar\u012bd<\/em>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\">Ab\u016b al-Faraj disse: o <em>bar\u012bd<\/em> requer um <em>d\u012bw\u0101n<\/em> pr\u00f3prio, e as cartas despachadas de todas as regi\u00f5es devem ser direcionadas ao seu chefe para que este despache cada uma delas ao seu devido local de destino. Ele \u00e9 encarregado de apresentar ao califa as cartas dos chefes [locais] do <em>bar\u012bd<\/em> e da intelig\u00eancia de todas as regi\u00f5es, e da fun\u00e7\u00e3o de reunir todas elas. Ele deve supervisionar os assuntos dos carteiros, dos signat\u00e1rios, dos mestres das esta\u00e7\u00f5es pelas rotas, bem como deve garantir suas remunera\u00e7\u00f5es e investir carregadores de encomendas em todas as cidades. Para este <em>d\u012bw\u0101n<\/em>, requer-se uma pessoa que seja confi\u00e1vel \u2013 tanto em si mesma, quanto perante o califa investido do poder em seu tempo; porque o condutor deste <em>d\u012bw\u0101n<\/em> n\u00e3o requer o escrut\u00ednio total, mas sim deve ter confian\u00e7a, cautela e os costumes necess\u00e1rios a quem conduz o <em>d\u012bw\u0101n<\/em>, que se aproximam dos costumes obrados nos demais e mantidos por seus funcion\u00e1rios e atividades. (&#8230;) \u00c9 indispens\u00e1vel que o chefe desse <em>d\u012bw\u0101n<\/em> consiga suprir o que for preciso sem ter de recorrer a outros; o que o califa requisitar dele quando houver necessidade de pessoas e manejo de um ex\u00e9rcito de fun\u00e7\u00e3o importante; e o que mais for necess\u00e1rio sobre o conhecimento dos caminhos. Ele deve se encontrar firme, com seu cora\u00e7\u00e3o preparado, sem que seja necess\u00e1rio encarregar [algu\u00e9m de fazer] seu trabalho ou de question\u00e1-lo. (QUD\u0100MA IBN JA\u02bfFAR, 1981, pp. 77-8)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 de se esperar, califas, vizires e governantes teriam se dedicado, por vezes, a manobrar a estrutura do <em>bar\u012bd<\/em> como um de seus instrumentos pol\u00edticos. No in\u00edcio da guerra civil entre os filhos de H\u0101r\u016bn al-Ra\u0161\u012bd (170-193 H.\/786-809 d.C.), uma das primeiras medidas tomadas por al-Ma\u02bem\u016bn (198-218 H.\/813-833 d.C.) contra al-\u02beAm\u012bn (193-198 H.\/809-813 d.C.) foi cortar o contato de seu irm\u00e3o com o servi\u00e7o do <em>bar\u012bd<\/em> de \u1e2aur\u0101s\u0101n, interrompendo assim o principal meio usado pelo califa para obter informa\u00e7\u00f5es acerca da regi\u00e3o mais a leste de seu territ\u00f3rio (KENNEDY, 1981).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sistema do <em>bar\u012bd<\/em> foi sofrendo um processo cont\u00ednuo de desorganiza\u00e7\u00e3o at\u00e9 ser interrompido pelos Selj\u00facidas (429-590 H.\/1037-1194 d.C.), de modo que, durante as Cruzadas, Z\u00e2nguidas (521-648 H.\/1127-1250 d.C.) e Ai\u00fabidas (569-648 H.\/1174-1250 d.C.) n\u00e3o dispunham de uma estrutura postal, mas sim faziam uso de corredores, camelos e pombos (SOURDEL, 1986). O <em>bar\u012bd<\/em> seria posteriormente restabelecido com os Mamelucos (648-923 H.\/1250-1517 d.C.), mas com um funcionamento pr\u00f3prio, priorizando as finalidades pol\u00edtico-militares e, posteriormente, comerciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GAZAGNADOU, Didier. <em>La poste \u00e0 relais. La diffusion d&#8217;une technique de pouvoir \u00e0 travers l&#8217;Eurasie. <\/em><em>Chine-Islam-Europe<\/em>. Paris: Editions Kim\u00e9, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GOITEIN, Shlomo D. \u201cThe Commercial Mail Service in Medieval Islam\u201d em <em>Journal of the American Oriental Society<\/em>, v. 84, n\u00ba 2 (abr-jun\/1964), pp. 118-23.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u1e24AMZA AL-\u02beI\u1e62FAH\u0100N\u012a, Ab\u016b \u02bfAbdill\u0101h. <em>Ta\u02ber\u012b\u1e2b sin\u012b mul\u016bk al-\u02bear\u1e0d wal-\u02beanbiy\u0101\u02be<\/em>. s\/d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HER\u00d3DOTO. <em>Hist\u00f3ria<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: J. Brito Broca; Estudo cr\u00edtico: V\u00edtor de Azevedo. 3\u00aa ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IBN \u1e24AWQAL, Ab\u016b al-Q\u0101sim Mu\u1e25ammad. <em>Kit\u0101b \u1e63\u016brat al-\u02bear\u1e0d<\/em>. Edi\u00e7\u00e3o: M. J. de Goeje. 2\u00aa ed. Beirute: D\u0101r \u1e62\u0101dir, 1938.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IBN \u1e2aURD\u0100\u1e0eBEH, Ab\u016b al-Q\u0101sim \u02bfUbaydull\u0101h. <em>Kit\u0101b al-mas\u0101lik wal-mam\u0101lik<\/em>. Edi\u00e7\u00e3o: M. J. de Goeje. Bibliotheca Geographorum Arabicorum, n\u00ba 6. Leiden: E. J. Brill, 1886.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IBN RUSTEH, Ab\u016b \u02bfAl\u012b A\u1e25mad. <em>Kit\u0101b al-\u02bfal\u0101q al-naf\u012bsa<\/em>. Edi\u00e7\u00e3o: M. J. de Goeje. Bibliotheca Geographorum Arabicorum, n\u00ba 7. Leiden: E. J. Brill, 1891.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KENNEDY, Hugh. <em>The Early Abbasid Caliphate: A Political History<\/em>. Nova York: Routledge, 1981.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MEZ, Adam. <em>The Renaissance of Islam<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Salahuddin Khuda Bakhsh e D. S. Margoliouth. Patna: The Jubilee Printing &amp; Publishing House, 1937.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">QUD\u0100MA IBN JA\u02bfFAR, Ab\u016b al-Faraj. <em>Kit\u0101b al-\u1e2bar\u0101j wa-\u1e63in\u0101\u02bfat al-kit\u0101ba<\/em>. Edi\u00e7\u00e3o: Mu\u1e25ammad \u1e24usayn al-Zubayd\u012b. Bagd\u00e1: D\u0101r al-Ra\u0161\u012bd lil-Na\u0161r, 1981.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SA\u02bfD\u0100W\u012a, Na\u1e93\u012br. <em>Ni\u1e93\u0101m al-bar\u012bd f\u012b al-dawla al-\u02beisl\u0101m\u012bya<\/em>. Cairo: D\u0101r Mi\u1e63r lil-\u1e6cab\u0101\u02bfa, 1953.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SILVERSTEIN, Adam J. \u201cA New Source on the Early History of the <em>Bar\u012bd<\/em>\u201d em <em>Al-Abhath: Journal of the Faculty of Arts and Sciences<\/em>, <em>American University of Beirut<\/em>. Edi\u00e7\u00e3o: As\u02bfad E. Khairallah. vols. 50-51, 2002-3, pp. 121-34.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">___,___. \u201cOn Some Aspects of the \u2018Abbasid <em>Bar\u012bd<\/em>\u201d em MONTGOMERY, James E. <em>\u2018Abbasid Studies: Occasional Papers of the School of \u2018Abbasid Studies, Cambridge, 6-10 July 2002<\/em>. Leuven, Paris, Dudley: Uitgeverij Peeters\/Departement Oosterse Studies, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">al-S\u012aR\u0100F\u012a, Ab\u016b Zayd al-\u1e24asan. <em>Relatos da China e da \u00cdndia<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Pedro Martins Criado. Rio de Janeiro: Tabla, 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOURDEL, Dominique. \u201cBar\u012bd\u201d em <em>The Encyclopaedia of Islam: New Edition<\/em>. Leiden: E. J. Brill, 1986, v. 1, pp. 1045-6.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">al-\u1e6cABAR\u012a, Ab\u016b Ja\u02bffar Mu\u1e25ammad bin Jar\u012br. <em>Ta\u02ber\u012b\u1e2b al-rusul wal-mul\u016bk<\/em>. 15 vols. Edi\u00e7\u00e3o: M. J. de Goeje. Leiden: Brill, 1879-1901.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Y\u0100Q\u016aT AL-\u1e24AMAW\u012a, Ab\u016b \u02bfAbdill\u0101h. <em>Mu\u02bfjam al-buld\u0101n<\/em>. 5 vols. Beirute: D\u0101r \u1e62\u0101dir, 1977.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Doutorando em Letras na Universidade de S\u00e3o Paulo. E-mail: <a href=\"mailto:pedromartinscriado@gmail.com\">pedromartinscriado@gmail.com<\/a>; Curr\u00edculo Lattes: http:\/\/lattes.cnpq.br\/6499511245235475<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 12 de dezembro de 2023.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como citar: Criado, Pedro Martins. Bar\u012bd: Correios e intelig\u00eancia no califado Ab\u00e1ssida. <strong>Blog do POIEMA<\/strong>, Pelotas 12 dez 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-barid-correios-e-inteligencia-no-califado-abassida\/ Acessado em:<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Martins Criado[1] &nbsp; O correio do mundo isl\u00e2mico durante o per\u00edodo Ab\u00e1ssida (132-656 H.\/750-1258 d.C.) n\u00e3o parece ser um tema que despertaria fortes emo\u00e7\u00f5es \u2013 mas essa apar\u00eancia n\u00e3o passa de uma conveniente distra\u00e7\u00e3o, para esconder de n\u00f3s os segredos dos poderosos. 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