{"id":5644,"date":"2023-10-06T12:00:52","date_gmt":"2023-10-06T15:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=5644"},"modified":"2023-10-10T09:27:34","modified_gmt":"2023-10-10T12:27:34","slug":"texto-um-caso-de-amor-vil-o-nacionalismo-de-direita-e-a-idade-media1","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-um-caso-de-amor-vil-o-nacionalismo-de-direita-e-a-idade-media1\/","title":{"rendered":"Texto: Um Caso de Amor Vil: O nacionalismo de direita e a Idade M\u00e9dia[1]"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Andrew B. Elliott, <em>Independent Scholar<br \/>\n<\/em>Trad. por Luiz Guerra<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Idade M\u00e9dia h\u00e1 muito serve como um tesouro conveniente para o nacionalismo e o racismo de direita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comecemos olhando apenas para o s\u00e9culo XX. A ascens\u00e3o e prolifera\u00e7\u00e3o do fascismo em toda a Europa na d\u00e9cada de 1930 foi sustentada por um uso e apropria\u00e7\u00e3o surpreendentemente persistentes da hist\u00f3ria e imag\u00e9tica medievais \u2013 o que os estudiosos chamam de \u201c<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Medievalism\">medievalismo<\/a>\u201d. Em sua tese de doutorado, <a href=\"https:\/\/independent.academia.edu\/WardFlora\">Flora Ward<\/a> descreveu como Francisco Franco, ditador da Espanha de 1939 a 1975, contou com a mem\u00f3ria do passado medieval espanhol para sustentar e legitimar seu governo. Da mesma forma, em <a href=\"http:\/\/www.jstor.org\/stable\/10.7722\/j.ctt19x3hn8\">um volume recente<\/a> da revista <em>Studies in Medievalism<\/em>, Pedro Martins mostrou como o portugu\u00eas Ant\u00f3nio Sardinha se baseou em fantasias medievalistas de honra e nobreza como forma de contornar os ideais iluministas de raz\u00e3o e republicanismo.<\/p>\n<div id=\"attachment_5646\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/10\/Imagem2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5646\" class=\"wp-image-5646 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/10\/Imagem2-400x267.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/10\/Imagem2-400x267.jpg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/10\/Imagem2.jpg 567w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5646\" class=\"wp-caption-text\">A candidata francesa de extrema-direita Marine Le Pen em um com\u00edcio em frente a uma est\u00e1tua de Joana d&#8217;Arc.<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean-Marie Le Pen, ex-l\u00edder do partido franc\u00eas de extrema-direita Frente Nacional, fez uma s\u00e9rie de afirma\u00e7\u00f5es indicando que a \u201creal\u201d identidade francesa s\u00f3 seria v\u00e1lida se pudesse tra\u00e7ar suas ra\u00edzes at\u00e9 o rei dos francos do s\u00e9culo V, <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Clovis_I\">Clovis<\/a>. Sua filha, Marine Le Pen, continua seu legado marchando anualmente at\u00e9 a est\u00e1tua de Joana D&#8217;Arc para homenagear a <a href=\"http:\/\/www.independent.co.uk\/voices\/marine-le-pen-s-power-will-grow-after-paris-whatever-voters-do-a6744166.html\">identidade francesa &#8220;adequada&#8221;<\/a> (que para ela significa branca, europeia e crist\u00e3). No que est\u00e1 se tornando uma tradi\u00e7\u00e3o familiar, sua sobrinha, Marion, <a href=\"http:\/\/www.express.co.uk\/news\/world\/698515\/Marion-Le-Pen-modern-Joan-of-Arc-reborn-to-save-France\">tamb\u00e9m j\u00e1 foi comparada \u00e0 santa<\/a>, em uma tentativa de reivindicar a hist\u00f3ria medieval como propriedade exclusiva da extrema direita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, o exemplo mais infame, de longe, \u00e9 o uso do passado medieval por Hitler para promover um nacionalismo hist\u00f3rico nost\u00e1lgico. Alegadamente, <a href=\"http:\/\/www.worldcat.org\/title\/blood-and-nation-the-european-aesthetics-of-race\/oclc\/39739750\">de acordo com Uli Linke<\/a> (p. 198), Hitler inclusive tentou tra\u00e7ar sua pr\u00f3pria genealogia atrav\u00e9s da mitologia n\u00f3rdica at\u00e9 guerreiros germ\u00e2nicos, e mesmo at\u00e9 o pr\u00f3prio Odin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro, n\u00e3o \u00e9 apenas a direita que usa o passado dessa maneira. Tommaso di Carpegna Falconieri, em seu excelente livro <em>Medioevo Militante<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/em>, descreve como a Idade M\u00e9dia foi ressuscitada em apoio a uma surpreendente variedade de posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. No entanto, \u00e9 a extrema direita quem frequentemente acha mais adequado fazer uso disso como uma forma de esconder teorias raciais pseudocient\u00edficas sob o disfarce de ostensiva legitimidade hist\u00f3rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O truque, tanto para Hitler quanto para seus sucessores, era empregar a Idade M\u00e9dia como um modo aparentemente benigno de nostalgia. Em um clima tenso de depress\u00e3o econ\u00f4mica, desinforma\u00e7\u00e3o generalizada, orgulho nacional ferido e racismo naturalizado, cada movimento sucessivo promoveu um retorno ao passado. O passado que eles invocavam era uma identidade nacional supostamente compartilhada \u2013 compartilhada por aqueles que consideravam racialmente \u201cpuros\u201d \u2013 que permitia um uso nost\u00e1lgico do passado. Tais ideias s\u00e3o projetadas para se tornarem ideologias extremistas mais palat\u00e1veis, mais populares e mais inclusivas. Eles n\u00e3o rejeitam outras ra\u00e7as, dizem eles, eles celebram sua pr\u00f3pria heran\u00e7a (na realidade, rejeitando o &#8216;Outro&#8217; n\u00e3o-branco).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tais apropria\u00e7\u00f5es da Idade M\u00e9dia foram um enorme sucesso. Elas foram t\u00e3o bem-sucedidas, de fato, que a sombra do nacional-socialismo lan\u00e7aria um vulto sobre medievalismos pol\u00edticos semelhantes (pelo menos na pol\u00edtica dominante) durante grande parte do restante do s\u00e9culo XX. Mesmo assim, <a href=\"http:\/\/theconversation.com\/medieval-makes-a-comeback-in-modern-politics-whats-going-on-31780\">Louise D&#8217;Arcens e Clare Monagle recentemente identificaram<\/a> um &#8220;retorno&#8221; do medievalismo na pol\u00edtica moderna. Elas apontam as maneiras pelas quais o passado medieval voltou ao discurso aparentemente dominante. Ele est\u00e1 presente nas bocas de John Howard na Austr\u00e1lia, Stephen Harper no Canad\u00e1, David Cameron no Reino Unido, Marine Le Pen na Fran\u00e7a e Donald Trump nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que est\u00e1 de volta e por que agora?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu livro <em>Neomedievalism, Neoconservatism, and the War on Terror<\/em>, <a href=\"http:\/\/www.engl.virginia.edu\/people\/bh9n\">Bruce Holsinger<\/a> oferece uma parte da resposta. Holsinger descreve como a l\u00f3gica da guerra contra o terror reintroduziu uma s\u00e9rie de medievalismos no discurso p\u00f3s-11 de setembro. Seguindo essa l\u00f3gica, \u00e9 f\u00e1cil ver como as acusa\u00e7\u00f5es de que a Al Qaeda (e posteriormente o EI<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>) s\u00e3o \u201cmedievais\u201d introduzem uma divis\u00e3o r\u00edgida entre o Ocidente \u201cmoderno\u201d e \u201cevolu\u00eddo\u201d e o Oriente \u201cprimitivo\u201d e \u201cb\u00e1rbaro\u201d. Isso infunde a doutrina Bush (\u201cou voc\u00ea est\u00e1 conosco ou contra n\u00f3s\u201d) com conota\u00e7\u00f5es imperialistas e orientalistas (como <a href=\"http:\/\/english.ucr.edu\/people\/faculty\/john-ganim\/\">John Ganim<\/a> persuasivamente argumenta em seu livro <em>Medievalism and Orientalism<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ver l\u00edderes mundiais de p\u00e9 sob o teto da ONU chamando culturas inteiras (e, por extens\u00e3o, o Isl\u00e3) de \u201cmedievais\u201d \u00e9 chocante. Isso \u00e9 apenas um pouco atenuado pela medida em que insultar algo o chamando de \u201cmedieval\u201d foi normalizado por sua repeti\u00e7\u00e3o na discuss\u00e3o pol\u00edtica. Em meu pr\u00f3ximo livro, <em>Medievalism, Politics and Mass Media<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><\/em>, descrevo esse fen\u00f4meno como &#8220;medievalismo banal&#8221;. O termo descreve o uso repetitivo de medievalismos sem nenhuma inten\u00e7\u00e3o de indicar o passado real, mas que, no entanto, obt\u00e9m seu poder de sua reconhecibilidade e repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma segunda raz\u00e3o para o retorno da Idade M\u00e9dia no discurso pol\u00edtico pode ser encontrada na ascens\u00e3o dos blogs e das redes sociais. Isso tem gerado uma prolifera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado gerado pelos usu\u00e1rios, permitindo que um n\u00famero impressionante de pessoas participe de discuss\u00f5es pol\u00edticas online. As barreiras de entrada reduzidas s\u00e3o, por si s\u00f3, louv\u00e1veis (s\u00e3o os meios pelos quais consigo escrever e publicar este artigo). Mas uma das consequ\u00eancias marginais da chamada \u201cWeb 2.0\u201d \u00e9 que o uso da Idade M\u00e9dia n\u00e3o precisa mais ser referenciado<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Podemos falar de \u201ccruzadas\u201d como se houvesse apenas uma. Podemos afirmar ser, ou encontrar, o Rei Arthur. Podemos falar de Robin Hood ou Joana d&#8217;Arc simplesmente apontando para suas p\u00e1ginas na <em>Wikipedia<\/em>, que t\u00eam curadoria do p\u00fablico, para o p\u00fablico. Em uma era de p\u00f3s-verdade, o desafio \u00e0 autoridade nos permite fazer com que o passado signifique o que quisermos. As declara\u00e7\u00f5es s\u00e3o verificadas posteriormente, em vez de pesquisadas anteriormente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse clima, a Idade M\u00e9dia tornou-se um terreno particularmente f\u00e9rtil para os tipos de teorias raciais pseudocient\u00edficas adotadas por blogs supremacistas brancos e grupos nacionalistas de extrema-direita. Nos EUA, por exemplo, o site neonazista <em>Stormfront<\/em> [<em>Nota do editor: \u00e9 nossa pol\u00edtica nunca citar links para sites como o Stormfront. Eles n\u00e3o merecem o tr\u00e1fego.<\/em>] ilustra as maneiras pelas quais um passado medieval pseudo-hist\u00f3rico pode ser retrabalhado em uma fantasia racista de pureza de sangue e nacionalismo exclusivo. Sua propaganda inclui um \u201clivro\u201d chocante chamado \u201cUma Hist\u00f3ria da Ra\u00e7a Branca\u201d. Na verdade, n\u00e3o se trata de um livro, mas sim um PDF para download, semelhante ao \u201clivro\u201d do terrorista de Oslo <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Anders_Behring_Breivik\">Anders Behring Breivik<\/a>, tanto em qualidade quanto em conte\u00fado. Sua caracter\u00edstica mais saliente, no entanto, \u00e9 que ele se classifica como talvez o mais not\u00f3rio uso indevido da hist\u00f3ria pela extrema-direita de hoje. Em sua &#8216;hist\u00f3ria&#8217;, o <em>Stormfront<\/em> literalmente reescreve toda a hist\u00f3ria da humanidade para sugerir uma supremacia geneticamente predeterminada da ra\u00e7a branca supostamente pura. Eles come\u00e7am descartando tanto a evolu\u00e7\u00e3o quanto o criacionismo como \u201cteorias\u201d igualmente implaus\u00edveis, depois se voltam para \u201cevid\u00eancias arqueol\u00f3gicas\u201d (nenhuma evid\u00eancia \u00e9 realmente oferecida) que \u201cprovam\u201d que o <em>Homo Sapiens<\/em> (que, eles afirmam sem evid\u00eancias, s\u00e3o ancestrais apenas dos europeus brancos do Norte) sobreviveram milagrosamente a uma era glacial. Seu fantasioso <em>Homo Sapiens<\/em> ent\u00e3o \u201capareceu do Norte e varreu a Europa, destruindo fisicamente o homem de Neandertal\u201d. Eles ent\u00e3o reescrevem a Idade M\u00e9dia. Em sua Idade M\u00e9dia fantasiosa, a resist\u00eancia \u00e0 expans\u00e3o isl\u00e2mica por parte dos ex\u00e9rcitos europeus brancos foi provocada simplesmente por causa da supremacia natural da ra\u00e7a branca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos enfatizar o bastante: esta \u201chist\u00f3ria\u201d n\u00e3o \u00e9 apenas cientificamente il\u00f3gica e completamente infundada; \u00e9 historicamente rid\u00edcula. No entanto, por mais absurdas que sejam, afirma\u00e7\u00f5es como essas se encaixam perfeitamente na distor\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da direita em geral, e da Idade M\u00e9dia em particular. Al\u00e9m disso, eles extraem seu poder n\u00e3o de sua base factual, mas de suas semelhan\u00e7as com outras fontes neonazistas ou de direita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso ilustra uma li\u00e7\u00e3o para o mundo supostamente \u201cp\u00f3s-verdade\u201d. Essa li\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem da hist\u00f3ria, da teoria da m\u00eddia ou do jornalismo. Vem da propaganda: a verdade vem do reconhecimento, da repeti\u00e7\u00e3o e da n\u00e3o contradi\u00e7\u00e3o. A extrema direita n\u00e3o est\u00e1 explorando a verdade, est\u00e1 construindo uma marca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Idade M\u00e9dia na Bolha da Extrema Direita<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, por que a Idade M\u00e9dia em particular \u00e9 t\u00e3o suscet\u00edvel a esse tipo de abuso? Uma resposta pode ser dif\u00edcil para alguns estudiosos aceitarem, pois significa que temos que arcar com parte da responsabilidade. Os pesquisadores elaboram curr\u00edculos que privilegiam indevidamente o registro escrito e os restos materiais da Idade M\u00e9dia europeia. Correndo o risco de simplificar demais, a abund\u00e2ncia de vest\u00edgios materiais e culturais de uma Idade M\u00e9dia europeia em grande parte branca leva a um foco desproporcional na hist\u00f3ria medieval europeia branca. Isso leva \u00e0 percep\u00e7\u00e3o (muitas vezes involunt\u00e1ria) de que, simplesmente, a hist\u00f3ria branca \u00e9 toda a hist\u00f3ria que j\u00e1 existiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponto at\u00e9 o qual esse superfoco nos crist\u00e3os brancos domina a mem\u00f3ria do passado pode at\u00e9 ser encontrado em uma piada corriqueira no filme <em>Robin Hood: Men in Tights<\/em>, 1993 de Mel Brooks. Em uma cena, Robin (Cary Elwes) recruta Ahchoo (Dave Chappelle) como o \u00fanico membro negro de seu bando de <em>Merry Men<\/em>. Ao ouvir seu nome, o servo de Robin, Blinkin, responde: \u201cUm judeu? Aqui?&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/youtu.be\/1HbkA5hI50M\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">V\u00cdDEO<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A piada s\u00f3 funciona se voc\u00ea acreditar que, de alguma forma, os judeus n\u00e3o existiam na Idade M\u00e9dia europ\u00e9ia. Obviamente, isso \u00e9 comprovadamente falso, mas ganha credibilidade, mesmo assim, dada a predomin\u00e2ncia de escritores brancos nos curr\u00edculos de hist\u00f3ria medieval em todo o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra parte da resposta, de maneira igualmente simplista, \u00e9 que o passado medieval oferece ideias particularmente \u00fateis precisamente por causa da frequ\u00eancia com que a Idade M\u00e9dia \u00e9 invocada fora da investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Blogs sobre os vikings (como o do cantor de metal noruegu\u00eas Varg Vikernes, com seu pomposo blog \u201c<em>Ancestral Cult<\/em>\u201d[Culto Ancestral]) est\u00e3o entupidos de refer\u00eancias a linhagens supostamente puras que remontam aos n\u00f3rdicos e vikings. Elas s\u00e3o genealogicamente e geneticamente sem sentido, e carregam paralelos alarmantes com a tentativa de genealogia de Hitler com Odin. Outros blogs, como o do &#8216;<em>Traditional Britain Group&#8217; <\/em>[Grupo da Gr\u00e3-Bretanha Tradicional], o &#8216;<em>English Defense League<\/em>&#8216; [Liga de Defesa Inglesa] ou &#8216;<em>Boudica BPI<\/em>&#8216; no Reino Unido usam tropos comuns do medievalismo para construir uma heran\u00e7a para si mesmos, dentro de uma hist\u00f3ria branca imagin\u00e1ria e excludente. O Partido Nacional Brit\u00e2nico (BNP), de extrema-direita, administra um acampamento regular de ver\u00e3o chamado \u201c<em>Camp Excalibur<\/em>\u201d, que celebra a heran\u00e7a branca da Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n<div id=\"attachment_5647\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/10\/Imagem2a.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5647\" class=\"wp-image-5647 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/10\/Imagem2a-400x300.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/10\/Imagem2a-400x300.jpg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/10\/Imagem2a.jpg 567w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5647\" class=\"wp-caption-text\">Um an\u00fancio da Liga de Defesa Inglesa de extrema-direita utilizando imagens de cruzados para promover sua agenda anti-mu\u00e7ulmana. Sim, eles escreveram errado \u201cdefending\u201d [defender].<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os v\u00e1rios blogs sobre esses t\u00f3picos existem dentro de uma &#8216;bolha de filtro antijihad&#8217; de sua pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o. Nesta bolha, figuras de extrema direita como Pamela Geller, Robert Spencer, Fjordman, Bat Ye&#8217;or, Geert Wilders e Anders Breivik usam o medievalismo para apoiar suas teorias de identidade racial sem encontrar vozes opostas ou contradi\u00e7\u00f5es. Nenhuma nota de rodap\u00e9\/refer\u00eancia \u00e9 necess\u00e1ria: eles precisam apenas de <em>links para outros blogueiros em sua comunidade<\/em>. Ao unir uma comunidade imagin\u00e1ria de seguidores com ideias semelhantes, o circuito fechado dessas redes refor\u00e7a sua paranoia e exclui quaisquer pontos de vista opostos. Uma vez que uma pessoa se conecta a esses grupos on-line, a circularidade auto-referencial dessas redes oferece o que parece ser uma alternativa genu\u00edna e poderosa \u00e0 m\u00eddia convencional ou \u00e0 erudi\u00e7\u00e3o convencional. Tal circularidade leva grupos de extrema-direita a boicotar a grande m\u00eddia, chamando-a de tendenciosa, ou mais recentemente \u201c<em>fake news<\/em>\u201d, e os leva a atacar a \u201cacademia liberal\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Eles, portanto, superprivilegiam hist\u00f3rias postadas por membros de suas pr\u00f3prias comunidades e silenciam quaisquer verdades inconvenientes. Reconhecimento, repeti\u00e7\u00e3o e n\u00e3o contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, precisamente quando precisamos de jornalismo s\u00f3lido e alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, o consumo de not\u00edcias em geral mudou para fontes online em vez de jornais, r\u00e1dio ou televis\u00e3o. Um <a href=\"http:\/\/www.pewresearch.org\/fact-tank\/2014\/09\/24\/how-social-media-is-reshaping-news\/\">relat\u00f3rio surpreendente do Pew Research Center<\/a> estimou que, em 2014, 30% dos adultos estadunidenses obtiveram suas not\u00edcias totalmente ou principalmente atrav\u00e9s do Facebook. O problema vem com a auto-referencialidade da internet, que serve para demolir os garantes tradicionalmente imparciais de autoridade e confiabilidade. Como o CEO da <em>Upworthy<\/em>, <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Eli_Pariser\">Eli Pariser<\/a>, argumenta em seu livro <em>The Filter Bubble: What The Internet Is Hiding From You<\/em>, \u201cpara a maioria de n\u00f3s agora, a diferen\u00e7a de autoridade entre uma postagem de blog e um artigo no New Yorker \u00e9 muito menor do que se poderia pensar \u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Possuindo o passado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto dessas bolhas de filtros auto-referenciais, a Idade M\u00e9dia da extrema direita parece estar enraizada em uma celebra\u00e7\u00e3o <em>inclusiva<\/em> do passado, unindo uma na\u00e7\u00e3o na celebra\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio. Mas, em vez disso, olhando abaixo da superf\u00edcie, o uso indevido do passado forma uma estrat\u00e9gia poderosa enraizada em uma rejei\u00e7\u00e3o perigosamente <em>exclusiva<\/em> de qualquer um considerado \u201cOutro\u201d. Ao colocar em d\u00favida os especialistas que estudam a Idade M\u00e9dia, sua sele\u00e7\u00e3o online do passado permite que eles evitem acusa\u00e7\u00f5es de racismo adotando um modo aparentemente comemorativo de medievalismo. Em suas tentativas de se dissociar de organiza\u00e7\u00f5es abertamente fascistas ou neonazistas, essas redes se congregam em torno da Idade M\u00e9dia como um passado compartilhado e um ponto de contato. A Idade M\u00e9dia, neste contexto, \u00e9 for\u00e7adamente conscrita para apoiar seu racismo e injurias anti-mu\u00e7ulmanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juntando essas ideias, torna-se \u00f3bvio que a normaliza\u00e7\u00e3o de termos como \u201cmedieval\u201d, para significar b\u00e1rbaro ou primitivo, se encaixa perfeitamente no manual da direita. A insist\u00eancia de grupos de extrema direita de que o Isl\u00e3 \u00e9 \u201cmedieval\u201d implica sutilmente que a religi\u00e3o \u00e9 fundamentalmente incompat\u00edvel com a modernidade. \u00c0 luz disso, suas estrat\u00e9gias de m\u00eddia de c\u00edrculo fechado oferecem a esses grupos uma plataforma perigosa para reescrever o passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste cen\u00e1rio on-line inst\u00e1vel, a Idade M\u00e9dia fornece um terreno f\u00e9rtil para uma gama impressionante de ideologias. No contexto do chamado ambiente social da \u201cp\u00f3s-verdade\u201d diante de n\u00f3s, em meio \u00e0 crescente desconfian\u00e7a sobre especialistas e intelectuais, a rejei\u00e7\u00e3o da autoridade significa a perda de qualquer capacidade de falar razoavelmente sobre a validade das interpreta\u00e7\u00f5es do passado. A Idade M\u00e9dia pode significar o que n\u00f3s \u2014 o que eles \u2014 quisermos que signifiquem. O debate, portanto, n\u00e3o \u00e9 sobre o passado, mas sobre quem possui e controla esse passado. \u00c9 por esta raz\u00e3o, ent\u00e3o, que \u00e9 t\u00e3o importante que sites como o <em>The Public Medievalist<\/em> e outros possam desempenhar um papel na discuss\u00e3o online, em f\u00f3runs p\u00fablicos, sobre quest\u00f5es complexas como ra\u00e7a, g\u00eanero, religi\u00e3o e identidade cultural. E os acad\u00eamicos devem assumir tanta responsabilidade quanto qualquer outra pessoa para promover a inclus\u00e3o em seus curr\u00edculos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bruce Holsinger sugere \u2013 com forte ironia &#8211; &#8220;somos todos medievalistas agora&#8221;. Os medievalistas e as pessoas interessadas na Idade M\u00e9dia <em>real<\/em> devem trabalhar para garantir que o medieval n\u00e3o acabe significando o que um ide\u00f3logo espec\u00edfico decidir que deve, mas, em vez disso, reflita todas as evid\u00eancias, particularmente todas as nuances e complexidades hist\u00f3ricas. S\u00e3o essas nuances e complexidades que tornam a hist\u00f3ria verdadeira e significativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como <a href=\"http:\/\/www.lexpress.fr\/actualite\/politique\/pourquoi-jeanne-d-arc-n-appartient-pas-au-fn_1068586.html\">Nicolas Sarkozy lamentou<\/a> no \u2018cabo-de-guerra\u2019 sobre Joana d&#8217;Arc nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2007, &#8220;Joana d&#8217;Arc \u00e9 a Fran\u00e7a [e n\u00e3o um s\u00edmbolo de exclus\u00e3o racial] Como deixamos a extrema direita confisc\u00e1-la por tanto tempo?&#8221;<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Texto originalmente publicado em: <a href=\"https:\/\/publicmedievalist.com\/vile-love-affair\/\">https:\/\/publicmedievalist.com\/vile-love-affair\/<\/a> (14\/02\/2017) e traduzido aqui por Luiz Guerra com autoriza\u00e7\u00e3o do autor Andrew Elliott.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Livro sem tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas, mas possui uma edi\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Estado Isl\u00e2mico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Livro j\u00e1 foi lan\u00e7ado, referenciar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Footnoted, no original. \u201cRodapezado\u201d, no sentido de fornecer informa\u00e7\u00f5es adicionais sobre algo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Importante notar que liberal em ingl\u00eas, principalmente nesse contexto se refere ao oposto de conservador e n\u00e3o ao liberalismo econ\u00f4mico. Portanto se refere aqui a grupos principalmente de centro esquerda e esquerda.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 03 de outubro de 2023.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como Citar:<\/strong> ELLIOT, Andrew B. Um Caso de Amor Vil: O nacionalismo de direita e a Idade M\u00e9dia. (trad. Luiz Guerra). Blog do POIEMA. Pelotas 03 out 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-um-caso-de-amor-vil-o-nacionalismo-de-direita-e-a-idade-media1\/ Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andrew B. Elliott, Independent Scholar Trad. por Luiz Guerra &nbsp; A Idade M\u00e9dia h\u00e1 muito serve como um tesouro conveniente para o nacionalismo e o racismo de direita. Comecemos olhando apenas para o s\u00e9culo XX. 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