{"id":5618,"date":"2023-09-05T12:00:51","date_gmt":"2023-09-05T15:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=5618"},"modified":"2023-10-10T09:37:17","modified_gmt":"2023-10-10T12:37:17","slug":"texto-aurelio-agostinho-leitor-de-platao-e-episcopo-de-hipona","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-aurelio-agostinho-leitor-de-platao-e-episcopo-de-hipona\/","title":{"rendered":"Texto: Aur\u00e9lio Agostinho, leitor de Plat\u00e3o e Ep\u00edscopo de Hipona"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Wendell dos Reis Veloso<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o gosto, e n\u00e3o sem raz\u00e3o, &#8220;dos elogios com que exaltei Plat\u00e3o, os plat\u00f4nicos e os fil\u00f3sofos acad\u00eamicos&#8221;, mais do que o que \u00e9 l\u00edcito aos homens \u00edmpios, principalmente por causa de seus grandes erros dos quais a doutrina crist\u00e3 deve ser defendida. Eu tamb\u00e9m disse que &#8220;comparados com os argumentos que C\u00edcero usa em seus livros acad\u00eamicos, os meus eram ninharias&#8221;, com os quais eu havia refutado esses argumentos energicamente. (Agostinho de Hipona, <em>Retrata\u00e7\u00f5es<\/em>, I, I, 4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A transcri\u00e7\u00e3o acima fora retirada da obra <em>Retractaciones<\/em>\/Retrata\u00e7\u00f5es de Aur\u00e9lio Agostinho. <em>Aurelio Augustinus <\/em>nasceu em Tagaste, prov\u00edncia romana da Num\u00eddia na \u00c1frica (atual Arg\u00e9lia, Norte da \u00c1frica) no dia 13 de novembro de 354 EC. Em sua fase adulta, ap\u00f3s 9 anos nos quais esteve associado ao cristianismo maniqueu, Agostinho o rejeita em favorecimento do cristianismo cat\u00f3lico, mas n\u00e3o sem antes encantar-se com o platonismo (VELOSO, 2018, 183-184). Em 395 EC teria sido ordenado bispo-auxiliar da diocese de Hipona e em 396 EC, ap\u00f3s a morte do bispo-titular Val\u00e9rio, Agostinho ascendia a tal posi\u00e7\u00e3o, o episcopado de Hipona (COSTA, 2012, 17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As <em>Retractaciones<\/em> s\u00e3o uma esp\u00e9cie de revis\u00f5es ou reconsidera\u00e7\u00f5es que o j\u00e1 bispo de Hipona fez acerca de quase toda a sua obra. Embora seja dif\u00edcil precisar o in\u00edcio da escrita, sabemos atrav\u00e9s de seu epistol\u00e1rio que este invent\u00e1rio de sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o estava sendo planejado em 412 EC. De modo geral, a inten\u00e7\u00e3o seria a de corrigir aquilo que o hiponense, passado algum tempo das reflex\u00f5es, achasse inadequado ou incorreto, enfatizando, portanto, aquilo que, em sua opini\u00e3o, deveria ser considerado importante nos seus escritos. (FITZGERALD, 2006, 1143)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No trecho de suas Retrata\u00e7\u00f5es alocado no in\u00edcio deste texto podemos verificar de modo flagrante o objetivo do hiponense com a referida obra, posto que o ep\u00edscopo afirma se arrepender do tom laudat\u00f3rio utilizado por ele para se referir aos plat\u00f4nicos. De igual modo, lamenta os elogios dispensados \u00e0 ret\u00f3rica de C\u00edcero. O motivo de tamanha compun\u00e7\u00e3o seria a alegada inferioridade dos argumentos filos\u00f3ficos ante a doutrina crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a rela\u00e7\u00e3o, amb\u00edgua e complexa dos eclesi\u00e1sticos cat\u00f3licos, tal como Aur\u00e9lio Agostinho, com a filosofia dita pag\u00e3, em especial com o platonismo, n\u00e3o foi algo pontual. Ao contr\u00e1rio, esta tens\u00e3o marca a teologia crist\u00e3 tardo-antiga e medieval. Os autores crist\u00e3os se deslocam, \u00e0s vezes mais e \u00e0s vezes menos, dos preceitos filos\u00f3ficos plat\u00f4nicos em benef\u00edcio da doutrina crist\u00e3. Como Miguel Spinelli afirmou ao abordar o caso espec\u00edfico de Greg\u00f3rio de Nissa, tratou-se da \u201csubvers\u00e3o crist\u00e3 da Filosofia grega\u201d (SPINELLI, 2015, 723).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Peter Brown em suas argumenta\u00e7\u00f5es sobre o poder do bispo nos s\u00e9culos IV e V destaca que, a princ\u00edpio, os integrantes do episcopado j\u00e1 fariam parte de uma elite intelectual, de modo que n\u00e3o seria segredo algum que parte do prest\u00edgio social adquirido pelos bispos seria legitimado por serem bons ret\u00f3ricos (BROWN, 1992, 72-75). A ret\u00f3rica, portanto, foi elemento capital na forma\u00e7\u00e3o das elites crist\u00e3s e no aprendizado do sacerd\u00f3cio, ainda que os eclesi\u00e1sticos negassem a centralidade da orat\u00f3ria em seus discursos (PUERTAS, 2016, 250).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dito de modo direto, o uso do sistema ret\u00f3rico, assim como o exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00f5es da administra\u00e7\u00e3o imperial n\u00e3o se dariam de modo instintivo, mas sim com base no mais alto grau de educa\u00e7\u00e3o formal. O conhecimento da <em>paideia <\/em>cl\u00e1ssica e seus autores se tornou imprescind\u00edvel para rebater as cr\u00edticas pag\u00e3s ao mesmo tempo em que se transformou em \u00fatil ferramenta intelectual nos numerosos debates internos do cristianismo, assim como tamb\u00e9m foi \u00fatil para a exegese das escrituras entendidas pelos crist\u00e3os como sagradas (PUERTAS, 2016, 249).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este aprendizado era o mesmo dispensado aos membros da aristocracia que ansiavam ocupar qualquer cargo na administra\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano. Os bispos e os cl\u00e9rigos subordinados a eles dividiriam o exerc\u00edcio da autoridade na cidade, produzindo maneiras alternativas para o controle dos habitantes destas regi\u00f5es. O bispo crist\u00e3o tornou-se, portanto, uma pessoa digna de rever\u00eancia. Este ainda se destacaria como o ponto de contato entre os indiv\u00edduos proeminentes nas comunidades crist\u00e3s e o governo imperial (BROWN, 1992, 77). A proemin\u00eancia dos bispos seria tamanha que Brown argumenta que na \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo IV a figura dos eclesi\u00e1sticos seria fundamental para o controle da multid\u00e3o e, portanto, a manuten\u00e7\u00e3o da paz (BROWN, 1992, 103 e ss).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o per\u00edodo aqui em quest\u00e3o os bispos paulatinamente estenderiam seus dom\u00ednios para a sociedade romana em geral. O envolvimento contundente destes homens pouco a pouco transformaria a aplica\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, a extens\u00e3o da caridade, a celebra\u00e7\u00e3o de cerim\u00f4nias municipais \u2013 agora transformadas em manifesta\u00e7\u00f5es da espiritualidade crist\u00e3 \u2013, etc; todos os aspectos da vida cotidiana, das cortes do imp\u00e9rio e dos reinos aos mais pobres, a vida de todos deveria ser mensurada a partir da doutrina crist\u00e3 ortodoxa (DAM, 2007, 361).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Puertas (2016) argumenta que se verifica a passagem do <em>vir bonus dicendi peritus<\/em> para <em>vir sanctus dicendi peritus<\/em>, ainda que complexa. De modo semelhante Spinelli (2015) afirma que ocorre a passagem do manto do fil\u00f3sofo para o do eclesi\u00e1stico. Fato \u00e9 que nas \u00faltimas d\u00e9cadas as historiadoras e os historiadores demonstraram que os bispos progressivamente se imiscu\u00edram nos \u00e2mbitos sociais e culturais at\u00e9 que se tornaram figuras das quais as comunidades j\u00e1 n\u00e3o poderiam mais prescindir. E grande parte da legitimidade do cargo episcopal viria, portanto, do seu ocupante ser preparado para tal ao cumprir todo o processo educacional formal, o qual era estruturado a partir dos textos entendidos pelos crist\u00e3os como pag\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retomemos a quest\u00e3o espec\u00edfica do platonismo. Para Clifford Ando, no processo de expans\u00e3o da influ\u00eancia social das elites eclesi\u00e1sticas crist\u00e3s, uma elite intelectual cristianizada se valeu de uma linguagem j\u00e1 familiar para o seu p\u00fablico, buscando na filosofia popular da \u00e9poca um modo de fala que tornasse o cristianismo entend\u00edvel para os seus pares e, especialmente, para os seus rivais. O Platonismo, em sua vers\u00e3o neoplat\u00f4nica, forneceu a linguagem pela qual as elites intelectuais da Antiguidade Tardia se valeriam para os seus debates (Ando, 1996, 184-187).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como defende Ronaldo Amaral \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica plat\u00f4nica, n\u00e3o desconsiderando a apropria\u00e7\u00e3o que diferentes sociedades no tempo fizeram dela, a mais proeminente entre todas as escolas de pensamento que formam o am\u00e1lgama do cristianismo (AMARAL, 2017, 89-90), melhor dizendo, especialmente do cristianismo cat\u00f3lico e a sua defesa da consubstancialidade que caracterizaria sua deidade, a qual seria tr\u00eas sem deixar de ser uma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amaral afirma que sem o platonismo os te\u00f3logos crist\u00e3os n\u00e3o poderiam sustentar algumas das quest\u00f5es que lhes eram mais caras, como as referentes \u00e0 revela\u00e7\u00e3o e \u00e0 rela\u00e7\u00e3o salv\u00edfica e transcendente entre o esp\u00edrito humano e o esp\u00edrito do deus crist\u00e3o, esta \u00faltima a maior contribui\u00e7\u00e3o da metaf\u00edsica plat\u00f4nica ao sistema de pensamento crist\u00e3o, assevera o autor (AMARAL, 2017, 90). Em palavras do pr\u00f3prio:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\">A prem\u00eancia, em anterioridade e superioridade, do metaf\u00edsico sobre o f\u00edsico, do suprassens\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o ao sens\u00edvel, da alma em rela\u00e7\u00e3o ao corpo, foram as preocupa\u00e7\u00f5es mais contumazes e inquietantes dos fil\u00f3sofos plat\u00f4nicos desse per\u00edodo. Em uma \u00e9poca em que as mazelas materiais e as inquieta\u00e7\u00f5es espirituais al\u00e7avam os homens a olhar e a buscar um outro mundo al\u00e9m deste universo mundano, promover- se- ia, por isso mesmo, e com grande esfor\u00e7o de assimila\u00e7\u00e3o, ou pelo menos de contiguidade, o encontro e a fus\u00e3o da metaf\u00edsica plat\u00f4nica com a mensagem crist\u00e3 fundada na realidade e na verdade de um Deus transcendente e doador deste mesmo estado de transcend\u00eancia aos seus crentes eleitos. A teologia crist\u00e3 somava-se, portanto, \u00e0 metaf\u00edsica plat\u00f3nica, na medida em que ambas se alimentavam mutuamente daquilo que tinham em comum (AMARAL, 2017, 96).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fica evidente que na rela\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica estabelecida entre o platonismo e o cristianismo, este \u00faltimo adquiriu o repert\u00f3rio vocabular e em parte o sem\u00e2ntico em torno do qual e a partir do qual se organizaria e enquadraria as viv\u00eancias. E n\u00e3o apenas daqueles que se identificariam de modo org\u00e2nico com a vis\u00e3o de mundo crist\u00e3, pois como argumentado por Ronaldo Amaral:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\">o cristianismo, (\u2026), passaria a ser ent\u00e3o uma religi\u00e3o universal e universalizante gra\u00e7as aos princ\u00edpios filos\u00f3ficos que adotaria, mais perme\u00e1veis e receptivos a outras vis\u00f5es de mundo, e isto por sua voca\u00e7\u00e3o mesma (AMARAL, 2017, 90).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agostinho de Hipona, em escrito do quinto s\u00e9culo, A Cidade de Deus, assevera cabalmente que n\u00e3o haveria diferen\u00e7a alguma entre os crist\u00e3os e os plat\u00f4nicos, aos quais ele outorga o adjetivo de c\u00e9lebres (Agostinho de Hipona, <em>A Cidade de Deus<\/em>, I, X, II). Entretanto, no pr\u00f3prio livro em que o bispo faz tal afirma\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m nos indica o rol de leitura atrav\u00e9s do qual se deu o seu contato com as ideias plat\u00f4nicas: a compila\u00e7\u00e3o das obras que o disc\u00edpulo de Plotino, Porf\u00edrio, efetuara (Agostinho de Hipona, <em>A Cidade de Deus<\/em>, I, X).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo, torna-se mais adequado entendermos que o contato de Agostinho fora com um pensamento plat\u00f4nico j\u00e1 ressignificado, o neoplatonismo. Inclusive, torna-se imperioso nos remetermos \u00e0 lembran\u00e7a que Peter Brown nos faz, de que, menos em Plotino e mais em Porf\u00edrio, o platonismo dos neoplat\u00f4nicos passara por um filtro religioso. Desta maneira:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\">Para um plat\u00f4nico crist\u00e3o, a hist\u00f3ria do platonismo parecia convergir muito naturalmente com o Cristianismo. Ambos apontavam na mesma dire\u00e7\u00e3o. Ambos eram radicalmente extramundanos. Cristo dissera: \u201c<em>Meu Reino n\u00e3o \u00e9 deste mundo<\/em>\u201d; Plat\u00e3o dissera a mesma coisa sobre o seu reino das ideias (BROWN, 2008, 112).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O neoplatonismo de Plotino e Porf\u00edrio convenciam o nosso bispo paulatinamente de que a realidade provavelmente situava-se em um plano que n\u00e3o o f\u00edsico (CHADWICK, 2009, 21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a tradi\u00e7\u00e3o plat\u00f4nica a experi\u00eancia \u00e9 distante da realidade, a qual, para os seguidores desta tradi\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m \u00e9 imut\u00e1vel (CHADWICK, 2009, 21). Esta realidade configurar-se-ia no Bem, ao qual ligar-se-iam a verdade, a beleza e a bondade ontol\u00f3gicas, elementos imortais transcendentes ao tempo e ao espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma concep\u00e7\u00e3o na qual o mundo \u00e9 um cosmos ordenado hierarquicamente e tudo possui graus diferenciados de exist\u00eancia, o Bem plat\u00f4nico ocuparia o mais alto grau desta hierarquia, assim como tamb\u00e9m se caracterizaria por sua irredutibilidade \u00e0s particularidades. Tais caracter\u00edsticas, para os neoplat\u00f4nicos, provavelmente contrastariam com as coisas terrenas que seriam plurais e, devido \u00e0 soberba, conflituosas (CHADWICK, 2009, 22). O Bem plat\u00f4nico, entendido por este prisma, possuiria car\u00e1ter aglutinador e conformador; al\u00e9m de constituir-se na fonte de emana\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia dos seres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do exposto, entendemos que o Bem plat\u00f4nico seria o Uno a que Plotino se refere. O autor tamb\u00e9m liga o Uno ao mundo sempre por meio da no\u00e7\u00e3o de causalidade. Ou seja, esta rela\u00e7\u00e3o \u2013 entre o Uno e o mundo \u2013 se daria por meio da rela\u00e7\u00e3o de <em>emanatio <\/em>ou process\u00e3o (Ullmann, 2004, 33). Todavia, h\u00e1 que se ressaltar que esta metaf\u00edsica da cria\u00e7\u00e3o foi importante para Agostinho de Hipona n\u00e3o somente para explicar a rela\u00e7\u00e3o entre a divindade e o mundo, mas tamb\u00e9m para explicar as rela\u00e7\u00f5es entre as diferentes pessoas da divindade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A no\u00e7\u00e3o plotiniana de <em>emanatio<\/em>, important\u00edssima para as conjecturas agostinianas sobre os graus distintos de exist\u00eancia dos diferentes seres sociais, possui algumas importantes caracter\u00edsticas. Para os neoplat\u00f4nicos o Uno seria a plenitude do ser. \u00c9 a liberdade que ele possuiria para produzir aquilo que o seu desejo demandar que o caracterizaria como o Principio real de todas as coisas, o autor de tudo que n\u00e3o seja ele pr\u00f3prio. Da\u00ed infere-se que tudo aquilo que n\u00e3o fosse o Uno seria proveniente do Uno e, portanto, diverso dele (ULLMANN, 2004, 35-36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, a rela\u00e7\u00e3o de proced\u00eancia entre o mundo e o Uno n\u00e3o pode reverberar em uma concep\u00e7\u00e3o que assume a exist\u00eancia de um fosso entre o Uno e o m\u00faltiplo. Trata-se de uma concep\u00e7\u00e3o apressada e inadequada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reinholdo Aloysio Ullmann chama aten\u00e7\u00e3o que, para os neoplat\u00f4nicos, Uno e m\u00faltiplo encontrar-se-iam unidos, mas refor\u00e7a que n\u00e3o haveria depend\u00eancia do Uno em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00faltiplo. Tamb\u00e9m argumenta que os entes v\u00e1rios participariam do Uno, no entanto, sem fazer parte dele. Isto \u00e9, esta participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o implica em divis\u00e3o ou em esgotamento de sua pot\u00eancia criadora (ULLMANN, 2004, 35-36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Baseados no que j\u00e1 vimos at\u00e9 aqui podemos acatar a assertiva de que, a partir de um ponto de vista filos\u00f3fico, o tema da cria\u00e7\u00e3o gira em torno da depend\u00eancia completa dos entes resultantes da atividade primeva de causalidade (Ullmann, 2004, 39). Ainda sobre o assunto um trecho do texto de Ullmann faz-se pertinentemente esclarecedor:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\">(&#8230;), para o autor das <em>En\u00e9adas<\/em>, Deus n\u00e3o \u00e9 tudo, mas Deus est\u00e1 em tudo ou tudo est\u00e1 em Deus. Precisamente \u00e9 esta a interpreta\u00e7\u00e3o moderna de Plotino: emana\u00e7\u00e3o quer dizer process\u00e3o do mundo a partir de Deus. Como se h\u00e1 que entender tal process\u00e3o? Da seguinte maneira: o Uno conserva a sua natureza, nada tira de si, permanece imut\u00e1vel em sua ess\u00eancia. Numa palavra, n\u00e3o se despotencializa. Aquilo que dele procede n\u00e3o \u00e9 fruto do acaso, mas de sua atividade volunt\u00e1ria e inteligente, criadora, sem recurso \u00e0 mat\u00e9ria preexistente (ULLMANN, 2004, 37-38).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atentando para o car\u00e1ter conformador e emanador do Uno nesta concep\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, assim como tamb\u00e9m para a matriz socr\u00e1tica existente no pensamento plat\u00f4nico, entendemos que ao falarmos no Uno aludimos ao axioma plat\u00f4nico do <em>l\u00f3gos. <\/em>E o conceito de <em>l\u00f3gos<\/em> que Plat\u00e3o recebera de S\u00f3crates e os neoplat\u00f4nicos transformaram em Uno, fora traduzido pela teologia crist\u00e3 atrav\u00e9s da palavra latina <em>Verbum<\/em>. (GARCIA MORENTE, 1980, 87).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A confus\u00e3o do <em>logos\/<\/em>Uno como <em>Verbum<\/em> \u00e9 ratificada pelo pr\u00f3prio Agostinho, quando este, ao comentar sobre as obras plat\u00f4nicas que lera, declara: \u201cNeles li, n\u00e3o com estas mesmas palavras, mas provado com muitos e numerosos argumentos, que <em>\u2018ao princ\u00edpio era o Verbo, e o Verbo existia em Deus e Deus era o Verbo: e este, no princ\u00edpio existia em Deus. (&#8230;)\u2019<\/em> (Agostinho de Hipona, <em>Confiss\u00f5es<\/em>, VII, IX).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A coincid\u00eancia, alegada pelo hiponense, entre pensamento plat\u00f4nico e teologia crist\u00e3, reverberou em importante caracter\u00edstica de seu pensamento. Para Peter Brown: <em>\u201c<\/em>Foi uma leitura t\u00e3o intensa e minuciosa que as ideias de Plotino foram cabalmente absorvidas, \u201cdigeridas\u201d e transformadas por Agostinho\u201d; comparando-o com outros pensadores crist\u00e3os que tamb\u00e9m leram neoplat\u00f4nicos, Brown faz quest\u00e3o de tra\u00e7ar nuances: \u201cNo caso de Agostinho, contudo, Plotino e Porf\u00edrio encontram-se enxertados de maneira quase impercept\u00edvel em seus escritos, como a base sempre presente de seu pensamento\u201d (BROWN, 2008, 113)<em>. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m do repert\u00f3rio e do elemento universalizante, o qual se coadunaria de modo bastante ajustado \u00e0 pr\u00e1tica imperialista romana, \u00e9 imprescind\u00edvel abordar a contribui\u00e7\u00e3o do platonismo, em sua vers\u00e3o neoplat\u00f4nica, ao cristianismo e mais especificamente \u00e0s proposi\u00e7\u00f5es do bispo de Hipona, porque \u00e9 a partir das propostas daqueles que seguiram as reflex\u00f5es de Plat\u00e3o que Agostinho constr\u00f3i a sua metaf\u00edsica, sua ontologia <em>pr\u00e9-social<\/em>, a sua superf\u00edcie pol\u00edticamente <em>neutra<\/em> para a a\u00e7\u00e3o daqueles que seriam os des\u00edgnos divinos e tamb\u00e9m os humanos, quando estes se afastam daqueles. \u00c9 gra\u00e7as \u00e0 proposi\u00e7\u00e3o de que <em>o Uno \u00e9<\/em>, que a ontologia nicena \u00e9 associada \u00e0 estabilidade e \u00e0 subst\u00e2ncia, caracter\u00edsticas estas que estruturam a concep\u00e7\u00e3o de ortodoxia, o discurso de <em>verdade<\/em> que fabrica a fic\u00e7\u00e3o de natureza que seria aplicada pelo hiponense no gerenciamento de sua diocese e na sua proposta de identidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bibliografia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AGOSTINHO, Santo. <em>A Cidade de Deus<\/em>: Contra os Pag\u00e3os. Bragan\u00e7a Paulista: Editora Universit\u00e1ria S\u00e3o Francisco, 2008. (Cole\u00e7\u00e3o Pensamento Humano). 2 v.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AGOSTINHO, Santo. <em>Confiss\u00f5es<\/em>. Petr\u00f3polis, Rio de Janeiro: Vozes, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AGUSTIN, San. Las Retractaciones. In: <em>Obras de San Agustin<\/em>. Texto Biling\u00fce. Madrid: La Editorial Cat\u00f3lica, 1995. (Biblioteca de Autores Cristianos, Tomo XL)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AMARAL, Ronaldo. <em>As Origens Plat\u00f4nicas da Cosmovis\u00e3o Crist\u00e3<\/em>: a G\u00eanese do Universo e do Homem entre o \u00daltimo Per\u00edodo Antigo e o Alvorecer da Cristandade. Mato Grosso do Sul: Life, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ANDO, Clifford. Pagan Apologetics and Christian Intolerance in the Ages of Themistius and Augustine. <em>Journal of Early Christian Studies<\/em>, Baltimore: The Johns Hopkins University Press, v. 4, n. 2, p. 171-207, jun-set. 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BROWN, Peter. <em>Power and persuation in Late Antiquity towards a Christian Empire.<\/em> Wisconsin: The University of Wisconsin Press, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BROWN, Peter. <em>Santo Agostinho<\/em>: uma Biografia. Rio de Janeiro: Record, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CHADWICK, Henry. <em>Augustine of Hippo<\/em>: a Life. Oxford\/New York: Oxford University Press, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COSTA, Marcos Roberto Nunes. <em>10 Li\u00e7\u00f5es sobre Santo Agostinho.<\/em> Rio de Janeiro: Vozes, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DAM, R. V. Bishops and society. In: CASIDAY, A.; NORRIS, F. W. (Eds.). <em>Constantine to c. 600<\/em>. Cambridge: Cambridge University Press, 2007, p. 343-366.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FITZGERALD, Allan D. Retractaciones. In: FITZGERALD, A. (Dir.) <em>Diccionario de San August\u00edn<\/em>. San Agust\u00edn a trav\u00e9s del Tiempo. Burgos: Monte Carmelo, 2006, p. 1142-1144.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GARCIA MORENTE, Manuel. <em>Fundamentos de Filosofia I<\/em><strong>: <\/strong>li\u00e7\u00f5es preliminares. S\u00e3o Paulo: Mestre Jou, 1980.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PUERTAS, Alberto J. Quiroga. El Obispo como Orator <em>Christianus<\/em>. In: ACERBI, Silvia; MARCOS, Mar; TORRES, Juana. <em>El Obispo en la Antiguidad Tard\u00eda. Homenaje A Ram\u00f3n Teja<\/em>. Madrid: Editorial Trotta, 2016, p. 247-258.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SPINELLI, Miguel. Do Manto do Fil\u00f3sofo ao do Monge. In: ______. <em>Heleniza\u00e7\u00e3o e Recria\u00e7\u00e3o de Sentidos<\/em>: a Filosofia na \u00c9poca da Expans\u00e3o do Cristianismo \u2013 S\u00e9culos II, III e IV. 2\u00aa Ed. Caxias do Sul: Educs, 2015, p. 723-737.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ULLMANN, Reinholdo Aloysio. Plotino: a Rela\u00e7\u00e3o do Uno (<em>Arch\u00ea<\/em>) com o Mundo. In: STEIN, Ernildo. (Org.) <em>A Cidade de Deus e a Cidade dos Homens<\/em>: de Agostinho a Vico. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VELOSO, Wendell dos Reis. O Cristianismo Maniqueu e o Cristianismo Cat\u00f3lico na Antiguidade Tardia: Apontamentos sobre Estatutos Diferenciados de Humanidade a partir do &#8216;De Vera Religione&#8217; de Agostinho de Hipona. In: CORSI SILVA, Sem\u00edramis; ESTEVES, Anderson Martins. (Org.). <em>Fronteiras Culturais no Mundo Antigo<\/em>: Ensaios sobre Identidades, G\u00eanero e Religiosidades. Rio de Janeiro: Ed. Letras\/UFRJ, 2018, p. 181-193.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Doutor em Hist\u00f3ria (PPHR\/UFRuralRJ); Professor Adjunto de Hist\u00f3ria Medieval da Universidade do Estado do Rio de Janeiro\/UERJ (wendell.veloso@uerj.br). Curr\u00edculo Lattes: <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8708923340473079\">http:\/\/lattes.cnpq.br\/8708923340473079<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 05 de setembro de 2023.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> VELOSO, Wendell dos Reis. Aur\u00e9lio Agostinho, leitor de Plat\u00e3o e Ep\u00edscopo de Hipona. <strong>Blog do POIEMA.<\/strong> Pelotas 05 set 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-aurelio-agostinho-leitor-de-platao-e-episcopo-de-hipona\/ Acessado em: Data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wendell dos Reis Veloso[1] Tamb\u00e9m n\u00e3o gosto, e n\u00e3o sem raz\u00e3o, &#8220;dos elogios com que exaltei Plat\u00e3o, os plat\u00f4nicos e os fil\u00f3sofos acad\u00eamicos&#8221;, mais do que o que \u00e9 l\u00edcito aos homens \u00edmpios, principalmente por causa de seus grandes erros dos quais a doutrina crist\u00e3 deve ser defendida. 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