{"id":5610,"date":"2023-08-22T12:00:24","date_gmt":"2023-08-22T15:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=5610"},"modified":"2023-10-10T09:35:36","modified_gmt":"2023-10-10T12:35:36","slug":"blog-especial-basdeo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/blog-especial-basdeo\/","title":{"rendered":"Blog Especial: Anti-medievalismo e Republicanismo nas Obras de Eugene Sue e Victor Hugo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Stephen Basdeo<br \/>\n(Trad. por Luiz Guerra)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/strong>No Brasil, em 1850, um curioso novo romance apareceu \u00e0 venda no Rio de Janeiro intitulado <em>Mist\u00e9rios do Povo; ou uma hist\u00f3ria duma fam\u00edlia de prolet\u00e1rios<\/em>. <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> Sucesso mundial e traduzido para v\u00e1rios idiomas al\u00e9m do portugu\u00eas, o romance foi originalmente escrito em franc\u00eas (como <em>Mysteres du Peuple<\/em>) ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 1848 pelo escritor e pol\u00edtico Republicano Vermelho Eugene Sue (1804-1857). O livro contava a hist\u00f3ria de uma \u201cfam\u00edlia prolet\u00e1ria\u201d e seus descendentes ao longo dos s\u00e9culos que se envolveram em todas as revoltas da hist\u00f3ria francesa. Quando traduzido para o ingl\u00eas como <em>Mysteries of the People<\/em>, o romance abrange 21 volumes e a maior parte da a\u00e7\u00e3o ocorre durante o per\u00edodo medieval. Eu argumento aqui, que o romance de Sue fazia parte de uma tend\u00eancia geral entre os intelectuais socialistas e liberais ap\u00f3s 1848 que buscava reavaliar o lugar das classes trabalhadoras na hist\u00f3ria europeia e, de forma mais geral, mundial. No entanto, como Sue reconheceu em seu romance, seu conto a hist\u00f3ria das prova\u00e7\u00f5es e infort\u00fanios de uma fam\u00edlia francesa sob o jugo de uma sucess\u00e3o de governantes desp\u00f3ticos e capitalistas pretendia ser uma fonte de esperan\u00e7a para trabalhadores de todo o mundo: O caminho para uma vida melhor a sociedade n\u00e3o seria f\u00e1cil e haveria muitas insurrei\u00e7\u00f5es que foram esmagadas, mas cada revolta sucessiva estava levando a humanidade, peda\u00e7o por peda\u00e7o, para um futuro melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eugene Sue: O Mestre dos Mist\u00e9rios<br \/>\n<\/strong>O g\u00eanero &#8220;mist\u00e9rios&#8221; nasceu em 1839, quando Eugene Sue come\u00e7ou a escrever um romance, originalmente intitulado <em>Paris en 1839<\/em>, que pretendia ser uma narrativa de como as vidas dos ricos, pobres e criminosos na Paris do s\u00e9culo XIX estavam interligadas.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> Sue come\u00e7ou a publicar seu romance na se\u00e7\u00e3o de folhetins do <em>Journal des Debats<\/em> &#8211; renomeado como <em>Mysteres de Pari<\/em>s &#8211; em fasc\u00edculos semanais em 1842.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> O romance causou sensa\u00e7\u00e3o em toda a sociedade francesa, e logo romancistas de outros pa\u00edses come\u00e7aram a escrever seus pr\u00f3prios romances de \u201cmist\u00e9rios\u201d que expandiram o g\u00eanero: <a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> Na Inglaterra, o incendi\u00e1rio radical George W.M. Reynolds escreveu <em>The Mysteries of London<\/em> (1844-1848) e <em>The Mysteries of the Court of <\/em><em>London<\/em> (1849-1856). Em Portugal, Camilo Castelo Branco escreveu <em>Os Mist\u00e9rios de Lisboa<\/em> (1854) e <em>Mist\u00e9rios de Fafe<\/em> (1868). No Brasil temos <em>Os Mist\u00e9rios del Plata<\/em> (1852), de Juana Manso.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> A ideologia de rebeli\u00e3o sustentava a maioria dos romances de mist\u00e9rio que floresceram neste momento: Sue era socialista e apoiador da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de 1848. Reynolds foi uma figura importante no movimento cartista na Inglaterra e um orador regular em com\u00edcios, incluindo o &#8216;Monster Meeting&#8217; das Cartistas em abril de 1848.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> Camilo Branco participou da Revolu\u00e7\u00e3o Maria da Fonte em 1846. A argentina Juana Manso fez uma campanha de propaganda contra o ditador argentino Juan Rosas com <em>Misterios del Plata<\/em> depois que foi for\u00e7ada a fugir da Argentina para o Imp\u00e9rio do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sue se converteu a uma forma pr\u00e9-marxista de socialismo chamada republicanismo vermelho &#8211; fortemente influenciada por Pierre Joseph Proudhon<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> &#8211; enquanto conduzia pesquisas para <em>Mysteres de Paris<\/em>. Ficar cara a cara com a extrema pobreza e criminalidade nos guetos de Paris, aparentemente esquecidas pela elite francesa, o convenceu da necessidade de reformas sociais e pol\u00edticas. Ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de 1848 e a funda\u00e7\u00e3o da Segunda Rep\u00fablica, Sue foi eleito para a Assembleia Nacional Francesa e juntou-se \u00e0s fileiras do &#8216;Partido da Montanha&#8217; dos Republicanos Vermelhos. Resumindo, os republicanos vermelhos &#8211; que tinham adeptos na Alemanha, B\u00e9lgica e \u00c1ustria &#8211; defendiam o sufr\u00e1gio universal, a nacionaliza\u00e7\u00e3o de todas as terras e f\u00e1bricas e educa\u00e7\u00e3o gratuita para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi em 1849, quando foi eleito para a assembl\u00e9ia legislativa, que Sue come\u00e7ou a escrever as primeiras partes de <em>Mysteres du Peuple<\/em>, que apresentaram aos leitores o gaul\u00eas Joel, o Brenn, e sua fam\u00edlia, que bravamente, mas desamparadamente, ajudaram Vercingetorix a resistir \u00e0 invas\u00e3o de C\u00e9sar. S\u00e3o as hist\u00f3rias dos descendentes de Joel que seriam contadas em parcelas subsequentes enquanto eles enfrentavam a escravid\u00e3o, a servid\u00e3o e a opress\u00e3o nas m\u00e3os da classe dominante ao longo dos s\u00e9culos at\u00e9 1848. Essas primeiras partes tiveram tanto sucesso na Fran\u00e7a que foram traduzidas por George W. M. Reynolds e publicadas em s\u00e9rie no <em>Reynolds&#8217;s Miscellany<\/em> entre 1849 e 1850. No entanto, ambos os principais partidos &#8211; os republicanos vermelhos e a oposi\u00e7\u00e3o &#8216;Partido de l&#8217;Ordre&#8217; &#8211; e o povo franc\u00eas em geral, n\u00e3o iriam estar em uma rep\u00fablica por muito tempo, devido ao golpe de Estado de Napole\u00e3o III em 1851. Napole\u00e3o III, apesar de inicialmente afirmar em 1849 que tamb\u00e9m era um socialista para ganhar votos, partiu para a ofensiva contra os republicanos (com r min\u00fasculo) tanto no Parti de l&#8217;Ordre quanto na Montanha . Sue foi um dos alvos de Napole\u00e3o. As remessas de <em>Mysteres du Peuple <\/em>foram apreendidas e livreiros foram impedidos de vend\u00ea-las.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> Muitos pol\u00edticos franceses foram for\u00e7ados ao ex\u00edlio como resultado do golpe; tal destino se abateu sobre Victor Hugo &#8211; outro &#8220;romancista social&#8221; franc\u00eas &#8211; e tamb\u00e9m sobre Sue. Tendo fugido para Savoy, ent\u00e3o parte do Reino de Savoy, Sue come\u00e7ou a terminar seu \u00e9pico romance socialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A imensa rep\u00fablica humana e o medievalismo de Sue<br \/>\n<\/strong>Quando examinamos a ideologia pol\u00edtica de Sue a partir de 1842, vemos uma transforma\u00e7\u00e3o ocorrendo. Em seus primeiros dias de socialismo, ele se preocupava apenas com o progresso social na Fran\u00e7a. Na verdade, ele era conhecido, antes dos <em>Mysteres<\/em>, como um escritor de hist\u00f3rias de aventuras navais imperialistas francesas. Em 1849, ele era um internacionalista.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> As palavras de Hugo a respeito do revolucion\u00e1rio estudantil republicano vermelho Enjolras em <em>Os miser\u00e1veis<\/em> (1862) podem ser facilmente aplicadas a Sue: \u2018[ele aceitou], como evolu\u00e7\u00e3o definitva e magn\u00edfica, a transforma\u00e7\u00e3o da grande rep\u00fablica francesa em imensa rep\u00fablica humana\u2019.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> Isso aparece em grande parte do romance de Sue. Muito da obra dele ocorre na Fran\u00e7a e na G\u00e1lia, mas a hist\u00f3ria da opress\u00e3o \u00e9 universal: \u201cum resumo da luta secular entre os vencedores e os vencidos, os opressores e os oprimidos\u201d.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> Assim, grande parte da narrativa se passa fora da Fran\u00e7a: os descendentes de Joel, o Brenn, encontram-se na Jud\u00e9ia, onde um deles testemunha a morte do \u201csocialista dos socialistas\u201d Jesus Cristo. Em volumes posteriores, os descendentes de Brenn s\u00e3o encontrados na Alemanha, Inglaterra e nos Pa\u00edses Baixos. A rela\u00e7\u00e3o dos descendentes com as hist\u00f3rias da Am\u00e9rica do Norte e do Sul, \u00c1frica e \u00cdndias Orientais tamb\u00e9m \u00e9 destacada em volumes posteriores. Verdadeiramente, a hist\u00f3ria da fam\u00edlia prolet\u00e1ria de Sue era a hist\u00f3ria do mundo, um fato reconhecido pelo tradutor do romance para o ingl\u00eas no s\u00e9culo XX, o ativista socialista Daniel de Leon, que observou que o romance era &#8220;um presente inestim\u00e1vel para todos cujo pa\u00eds o priva de fundo hist\u00f3rico&#8217;.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos agora focar no medievalismo de Sue ou seu \u2018Anti-Medievalismo\u2019. Sue n\u00e3o acreditava, como muitos de seus colegas republicanos, que o per\u00edodo cl\u00e1ssico representava uma era de esclarecimento \u201crepublicano\u201d e nem acreditava, como muitos de seus contempor\u00e2neos conservadores, que o per\u00edodo medieval representava o melhor da heran\u00e7a da Fran\u00e7a. Em vez disso, os dois grandes pontos da hist\u00f3ria para Sue foram o tempo antes da invas\u00e3o de C\u00e9sar e a Revolu\u00e7\u00e3o de 1789.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Sue, a hist\u00f3ria gaulesa progrediu em tr\u00eas est\u00e1gios: nos primeiros tempos, antes da conquista de C\u00e9sar, os gauleses desfrutavam de uma liberdade incompar\u00e1vel devido ao seu modo de vida &#8220;comunit\u00e1rio&#8221;, no qual cada homem desfrutava dos frutos de seu trabalho. Ent\u00e3o os romanos e os francos vieram e impuseram a escravid\u00e3o e a servid\u00e3o aos amantes da paz gauleses. N\u00e3o seria at\u00e9 a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de 1789 quando a &#8220;G\u00e1lia&#8221; &#8211; representante do esp\u00edrito de liberdade &#8211; ressurgiu e varreu diante de si o romanismo e o medievalismo de eras passadas. A concep\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria de Sue \u00e9 bem resumida em uma profecia relatada por uma mulher chamada Victoria na obra intitulada &#8216;The Casque&#8217;s Lark&#8217;:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00c9 este o futuro que se revela aos meus olhos? Quem \u00e9 aquela mulher &#8211; t\u00e3o p\u00e1lida, prostrada, deitada? O seu manto \u00e9 manchado pelo sangue. Tamb\u00e9m, sua capa de folhas de carvalho tem gotas de sangue; a espada, que sua m\u00e3o viril uma vez segurara, est\u00e1 quebrada ao seu lado. Um desses francos selvagens, com a cabe\u00e7a ornamentada com uma coroa, segura a nobre mulher debaixo dos joelhos; ele olha com um semblante leve e t\u00edmido para um homem esplendidamente vestido como um pont\u00edfice&#8230; A mulher sangrenta &#8211; \u00e9 gaulesa! O b\u00e1rbaro que se ajoelha sobre ela &#8211; \u00e9 um rei franco! O pont\u00edfice &#8211; \u00e9 o bispo de Roma! O sangue escorre! Uma corrente de sangue! Leva em seu curso, \u00e0 luz das chamas das conflagra\u00e7\u00f5es, uma massa de ru\u00ednas, milhares de cad\u00e1veres! Oh! A mulher Gaulesa, vejo-a de novo a definhar, desgastada, revestida de trapos, a colar de ferro da servid\u00e3o no pesco\u00e7o; ela se arrasta de joelhos; dobrando-se sob uma pesada carga! O rei franco e o bispo romano aceleram a marcha da G\u00e1lia escravizada com seus chicotes! Outra torrente de sangue; ainda o glamour da conflagra\u00e7\u00e3o&#8230; Basta de ru\u00ednas e massacres! &#8230; [mas] que o c\u00e9u seja louvado! &#8230; A nobre mulher se levantou aos seus p\u00e9s! Contemplem-na mais bela, mais orgulhosa do que nunca! Sua cabe\u00e7a \u00e9 coroada por uma coroa de folhas de carvalho fresco! Em uma m\u00e3o ela segura um molho de gr\u00e3os, uvas e flores; na outra, uma bandeira vermelha, superada pelo galo g\u00e1lico. Soberbamente, ela pisoteia os fragmentos de sua coleira de escravid\u00e3o, a coroa dos reis francos e a dos pont\u00edfices romanos! Sim, essa mulher, finalmente livre, majestosa, gloriosa e frut\u00edfera &#8211; ela \u00e9 gaulesa!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O per\u00edodo medieval n\u00e3o era nada al\u00e9m de papismo, barb\u00e1rie e opress\u00e3o &#8211; de acordo com Sue. Houve vislumbres de esperan\u00e7a para a fam\u00edlia Brenn durante o per\u00edodo antigo e medieval, quando eles assumiram o poder e se levantaram contra seus opressores. Houve o separatista Imp\u00e9rio G\u00e1lico do s\u00e9culo III sob Vit\u00f3ria, a Grande &#8211; uma uni\u00e3o da G\u00e1lia e da Brit\u00e2nia na qual, muito brevemente, a liberdade gaulesa foi arrancada dos romanos e na funda\u00e7\u00e3o da qual os Brenns desempenham um papel importante. Havia tamb\u00e9m o Mosteiro de Charolles, fundado por um dos descendentes de Brenn, que foi um lugar que recebeu sua pr\u00f3pria carta de comuna, e cujos habitantes s\u00e3o autossuficientes e trabalham apenas para o bem da comunidade. Ao longo de todo o per\u00edodo medieval, as revoltas em que os descendentes de Joel o Brenn est\u00e3o envolvidos est\u00e3o fadadas ao fracasso, porque s\u00e3o desorganizadas. A \u00fanica vez que a fam\u00edlia Brenn participou de uma revolta bem-sucedida foi em 1848, porque fazia parte de uma resist\u00eancia organizada mais ampla que inclu\u00eda toda a classe trabalhadora e resultou, parafraseando Karl Marx, em uma reconstitui\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da sociedade em geral que resultou na funda\u00e7\u00e3o da Segunda Rep\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O <em>Noventa e Tr\u00eas<\/em> de Victor Hugo\u2019s (1874)<br \/>\n<\/strong>A concep\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria de Sue era \u00fanica para ele em um aspecto: tanto quanto pode ser apurado, ele \u00e9 o \u00fanico que voltou at\u00e9 a G\u00e1lia pr\u00e9-romana para encontrar um exemplo de uma sociedade comunista. Mas deve-se notar que outros escritores franceses tamb\u00e9m desprezaram o per\u00edodo medieval. Victor Hugo, por exemplo, em seu romance <em>Noventa e Tr\u00eas (<\/em>1874) &#8211; um conto hist\u00f3rico da guerra na Vend\u00e9ia &#8211; explicou de forma semelhante que a Revolu\u00e7\u00e3o de 1789 marcou um ponto alto na hist\u00f3ria porque foi &#8220;a vasta regenera\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana&#8221;.<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> Nesse romance, de fato, os rebeldes vendeanos que lutam pela restaura\u00e7\u00e3o da monarquia s\u00e3o medievalistas atrasados:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em frente \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, que representa uma imensa incurs\u00e3o de todos os benef\u00edcios &#8211; civiliza\u00e7\u00e3o em acesso de raiva &#8211; um excesso de progresso enlouquecido &#8211; melhorias que excedem a medida e a compreens\u00e3o &#8211; voc\u00ea deve colocar esses selvagens estranhos e graves, com olhos claros e cabelos soltos, vivendo de leite e castanhas, suas id\u00e9ias limitadas por seus telhados de palha, suas cercas e seus fossos &#8230; falando uma l\u00edngua morta, que era como for\u00e7ar seus pensamentos a habitar um t\u00famulo; conduzindo seus bois, afiando suas foices, peneirando seu gr\u00e3o preto, amassando sua massa de trigo sarraceno, venerando primeiro seu arado e depois suas av\u00f3s; acreditando na Sant\u00edssima Virgem e na Senhora Branca&#8230; amando seu rei, seu senhor, seu sacerdote, seus pr\u00f3prios piolhos; pensativo sem pensar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns camponeses, como a boa Michelle, ao que parece, est\u00e3o dispostos e s\u00e3o capazes de aceitar a ajuda que a revolu\u00e7\u00e3o lhes oferece. Embora seja uma mulher simples, suas ideias n\u00e3o s\u00e3o \u201climitadas por telhados de palha\u201d. N\u00e3o \u00e9 assim com o ex\u00e9rcito campon\u00eas que parece, na opini\u00e3o de Hugo, estar verdadeiramente perdido na escurid\u00e3o. A cr\u00edtica anticat\u00f3lica e, portanto, antimedieval, contra a venera\u00e7\u00e3o da &#8220;Virgem Sant\u00edssima&#8221; \u00e9 recorrente ao longo do romance. Em outros lugares, Hugo declara que a revolta Vend\u00e9an \u00e9 tamb\u00e9m uma \u201crevolta dos sacerdotes\u201d; \u00e9 &#8216;escurid\u00e3o auxiliando a escurid\u00e3o&#8217; e os camponeses est\u00e3o na escurid\u00e3o mental e est\u00e3o lutando com as for\u00e7as das trevas.<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> De fato, em um ponto do romance, os padres enganam os camponeses simpl\u00f3rios para que apoiem a causa monarquista &#8211; durante uma missa, v\u00e1rias pessoas aparecem com marcas vermelhas no pesco\u00e7o e os padres dizem aos camponeses simples que os homens que aparecem diante deles s\u00e3o os esp\u00edritos dos padres guilhotinados que voltaram para exort\u00e1-los a lutar contra a revolu\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a> Quando Hugo come\u00e7ou a escrever poesia na d\u00e9cada de 1820, ele era um monarquista e medievalista. O romance <em>Notre Dame de Paris<\/em> (1831) ele chega a lamentar a rejei\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a \u00e0 sua heran\u00e7a medieval. Na \u00e9poca em que escreveu <em>Os Miser\u00e1veis<\/em> em 1862, ele havia abra\u00e7ado o republicanismo, uma ideologia que se estendeu em <em>Noventa e Tr\u00eas<\/em>, e seus sentimentos antimedievais foram claramente uma ruptura com o catolicismo de sua juventude.<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hugo fica perplexo com o por que qualquer campon\u00eas ficaria do lado dos monarquistas, e ele tamb\u00e9m nunca parece ser capaz de explicar isso a seus leitores, a n\u00e3o ser para dizer que eles eram simples selvagens.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>\u00a0 A hist\u00f3ria fornece uma resposta potencial, no entanto. Em 1789, a maioria dos nobres franceses eram propriet\u00e1rios ausentes e geralmente residiam longe de suas propriedades rurais, resultado do governo absolutista de Lu\u00eds XIV e da centraliza\u00e7\u00e3o do governo. Querendo concentrar o poder em suas pr\u00f3prias m\u00e3os, Lu\u00eds governou de seu rec\u00e9m-constru\u00eddo Pal\u00e1cio de Versalhes. A maneira de qualquer nobre ganhar o favor real era estar perto de Lu\u00eds, o que para a nobreza francesa exigia sua resid\u00eancia em ou perto de Versalhes. A exce\u00e7\u00e3o a isso, no entanto, eram os nobres bret\u00f5es que frequentemente evitavam a vida na corte e, at\u00e9 a revolucao, geralmente viviam em suas propriedades ao lado de seus camponeses.<sup> <a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/sup> Quando o t\u00edpico ressentimento &#8216;gaul\u00eas&#8217; dos bret\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a todas as coisas parisienses tamb\u00e9m \u00e9 considerado &#8211; pois a Bretanha, como Hugo observou, sempre teve um esp\u00edrito &#8216;independente&#8217; &#8211; ent\u00e3o a imposi\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio pelos revolucion\u00e1rios parisienses e seu ataque \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es dos bret\u00f5es forneceram um terreno f\u00e9rtil para o crescimento da rebeli\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa tem\u00e1tica, de que o mundo feudal representa o atraso, ocorre ao longo do 93 de Hugo. Ele argumenta que a &#8220;guerra civil&#8221; da Vend\u00e9ia foi essencialmente uma luta entre a &#8220;civiliza\u00e7\u00e3o&#8221; (a revolu\u00e7\u00e3o) e a &#8220;barb\u00e1rie&#8221; retr\u00f3grada (realeza). A revolu\u00e7\u00e3o foi, portanto, uma \u201cguerra contra o passado\u201d; uma na\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode renascer se se livrar do peso morto de suas tradi\u00e7\u00f5es e heran\u00e7a monarquistas. Como Hugo afirma em sua descri\u00e7\u00e3o do julgamento de Lu\u00eds XVI, a revolu\u00e7\u00e3o representou<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSopros fatais que ventaram sobre a velha tocha da monarquia, que ardeu por dezoito s\u00e9culos, e a apagaram. O julgamento decisivo de todos os reis neste \u00fanico rei, foi como o ponto de partida na grande guerra contra o Passado.\u201d<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro, Hugo observa que a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi uma destrui\u00e7\u00e3o <em>total<\/em> do passado. Ele conta que foi durante a revolu\u00e7\u00e3o que Duboe come\u00e7ou a catalogar todos os tesouros guardados nos arquivos franceses.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\"><sup>[20]<\/sup><\/a> Outros frutos da revolu\u00e7\u00e3o inclu\u00edam academias de m\u00fasica e museus. Ao lado de algumas coisas antigas, poderiam coexistir coisas novas: novos c\u00f3digos de leis, unidade de pesos e medidas e c\u00e1lculo com o sistema decimal.<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\"><sup>[21]<\/sup><\/a> As <em>estruturas sociais<\/em> feudais precisavam ser varridas. Mas o que a revolu\u00e7\u00e3o faz, ou deveria fazer, na vis\u00e3o de Hugo \u00e9 reter o melhor do passado, mas seguir em frente com novas ideias. A revolu\u00e7\u00e3o era o progresso personificado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse antimedievalismo n\u00e3o se limitava aos escritores franceses, mas era uma caracter\u00edstica de outros escritores de romances de &#8220;mist\u00e9rio&#8221;. Juana Manso, uma admiradora de Sue e Reynolds, tamb\u00e9m denegriu o per\u00edodo medieval quando elogiou a \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d do s\u00e9culo XIX por dissipar tudo o que era \u201cg\u00f3tico\u201d. <a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a> Edwin B. Roberts, escritor da s\u00e9rie &#8216;Nova Hist\u00f3ria da Inglaterra&#8217; pretendia reeducar o p\u00fablico leitor da classe trabalhadora e faz\u00ea-los perceber o desd\u00e9m de sua heran\u00e7a medieval em favor do socialismo republicano. James Bronterre O&#8217;Brien escreveu &#8216;A aristocracia: sua origem, progresso e decad\u00eancia&#8217;, e com isso Bronterre procurou dissipar o mito &#8211; comum entre os radicais brit\u00e2nicos de meio s\u00e9culo antes &#8211; de que o per\u00edodo anglo-sax\u00e3o foi uma \u00e9poca em que os ingleses gozavam de uma liberdade incompar\u00e1vel. Para O&#8217;Brien, o per\u00edodo anglo-sax\u00e3o foi simplesmente outra era em que os plebeus foram escravizados.<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a> N\u00e3o houve idade de ouro no passado; que viria no futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<br \/>\n<\/strong>Eugene Sue e Victor Hugo apresentam-nos, portanto, o que se poderia chamar de \u201canti-medievalismo\u201d. Eles exploram, como fizeram muitos grandes romancistas do passado e do presente, a hist\u00f3ria medieval para fins de entretenimento. Eles tamb\u00e9m usaram o per\u00edodo para defender uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, como fizeram muitos apropriadores do per\u00edodo medieval desde o in\u00edcio do per\u00edodo moderno. No entanto, o romance altamente popular, mas agora esquecido, de Sue pode ampliar nossa compreens\u00e3o do medievalismo do s\u00e9culo XIX. A &#8220;recupera\u00e7\u00e3o&#8221; do romance <em>Mysteres du Peuple <\/em>de Sue deve lembrar aos estudiosos que nem <em>todas<\/em> as apropria\u00e7\u00f5es do per\u00edodo medieval no s\u00e9culo XIX promoveram o imperialismo e a superioridade racial branca, que \u00e9 uma vis\u00e3o um tanto caricaturada do medievalismo vitoriano que tem sido promovida nos \u00faltimos anos. De fato, quando o sucesso <em>mundial<\/em> de livros como o romance de Sue \u00e9 levado em considera\u00e7\u00e3o, \u00e9 evidente que os estudiosos devem dar espa\u00e7o em suas pr\u00f3prias conversas sobre medievalismo, nacionalismo e racialismo do s\u00e9culo XIX para interpreta\u00e7\u00f5es concorrentes do per\u00edodo que, enquanto o per\u00edodo foi retratado como opressor, n\u00e3o foi empregado para fins desagrad\u00e1veis, mas pretendia destacar os abusos da opress\u00e3o das elites.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hugo, assim como Sue, acreditava firmemente que a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa representava um progresso. O medievalismo em seu texto era realmente anti-medievalismo e marca a mudan\u00e7a final de Hugo do medievalismo e do catolicismo de sua juventude para o secularismo e o socialismo. Suas observa\u00e7\u00f5es sobre os camponeses de Vend\u00e9an e o passado medieval em geral revelam pouco que simpatiza com a \u00e9poca. O motivo predominante em todo o romance \u00e9 o da barb\u00e1rie medieval e do atraso versus a civiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e o progresso. A revolu\u00e7\u00e3o foi uma guerra contra o passado e a guerra precisava ser travada para que a Fran\u00e7a pudesse ser regenerada.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Helena Bonito Couto Pereira and Maria Luiza Guarnieri Atik,<em> Intermedia\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias: Brasil, Fran\u00e7a<\/em> (S\u00e3o Paulo: Scorterri Editoria, 2005), 169. I have not found a copy of this Portuguese translation yet; its existence seems only to be attested to in Brazilian newspaper and magazine advertisements.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Eugene Sue, \u2018\u00c1 Charles Gosselin, 20 avril 1839\u2019, in <em>Correspondance G\u00e9n\u00e9rale d\u2019Eugene Sue<\/em>, ed. by Jean-Pierre Galvan, 4 vols (Paris: Honor\u00e9 Champion, 2010\u201318), I, p. 28<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> For a definition of \u2018mystery novels\u2019 see Stephen Knight, <em>Mysteries of the Cities: Urban Crime Fiction in the Nineteenth Century<\/em> (Jefferson, NC: Macfarland, 2012), 184.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> On Sue\u2019s worldwide popularity see the following: Hernan P\u00e1z, \u2018Eug\u00e8ne Sue en Buenos Aires: Edici\u00f3n, circulaci\u00f3n y comercializaci\u00f3n del follet\u00edn durante el rosismo\u2019, <em>Varia Historia<\/em>, 34: 64 (2018), 193\u2013225;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> On Manso and the literary context of Brazilian mysteries novels see Alexandro Henrique Paix\u00e3o, \u2018The Literary Taste for Novels in the Portuguese Subscription Library in Rio de Janeiro\u2019, in <em>The Transatlantic Circulation of Novels Between Europe and Brazil, 1789-1914<\/em>, ed. by Marc\u00eda Abreu (Basingstoke: Palgrave, 2017), 39\u201360; Nelson Schapochnik, \u2018Edi\u00e7\u00e3o, recep\u00e7\u00e3o e mobilidade do romance Les myst\u00e8res de Paris no Brasil oitocentista\u2019, <em>Varia Historia<\/em>, 26: 44 (2010), 591\u2013617. On the history of the Argentine May Revolution see Jorge Gelman and Ra\u00fal Fradkin, <em>Doscientos a\u00f1os pensando la Revoluci\u00f3n de Mayo<\/em> (Buenos Aires: Sudamericana, 2010). English-language overviews of Argentine history include Nicolas Shumway, <em>The Invention of Argentina<\/em> (Berkeley: University of California Press, 1991). See also Santiago Diaz Lage [online], \u2018For a History of the Spanish Urban Mysteries\u2019, <em>M19. Medias 19: Litt\u00e9rature et culture m\u00e9diatique<\/em>, 12 December 2021, accessed 29 December 2021, available at: https:\/\/www.medias19.org\/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> See Stephen Basdeo and Mya Driver, <em>Victorian England\u2019s Best-Selling Author: The Revolutionary Life of G.W.M. Reynolds<\/em> (Barnsley: Pen and Sword, 2022), 79\u201381.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> See William Clare Roberts, <em>Marx&#8217;s Inferno: The Political Theory of Capital<\/em> (Princeton University Press, 2016).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Berry Palmer Chevasco, <em>Mysterymania: The Reception of Eugene Sue in Britain, 1838\u201360<\/em> (Bern: Peter Lang, 2003), 57.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Jean-Louis Bory, <em>Eugene Sue: Le Roi de la Roman Populaire<\/em> (Paris: Hachette, 1962), 331.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.cm-cantanhede.pt\/mcsite\/media\/biblioteca\/OsMiseraveis_VictorHugo.pdf\">https:\/\/www.cm-cantanhede.pt\/mcsite\/media\/biblioteca\/OsMiseraveis_VictorHugo.pdf<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Eugene Sue, <em>The Galley Slave\u2019s Ring; or, The Family of LeBrenn. A Tale of the French Revolution of 1848<\/em>, Trans. Daniel de Leon (New York Labor News, 1911), 223.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Daniel de Leon, \u2018Translator\u2019s Preface\u2019, in Eugene Sue, <em>The Gold Sickle<\/em>, Trans. Daniel de Leon (New York Labour News, 1904), i\u2013ii.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Victor Hugo, <em>Ninety-Three<\/em> [no Trans. listed] (London: Richard Edward King, c.1890), 66.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Ibid. 20.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Ibid., 137.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> John Andrew Frey, <em>A Victor Hugo Encyclopedia<\/em> (Westport, CT: Greenwood, 1999), 148. In an 1862 letter to M. Daelli, the Italian translator of <em>Les Mis\u00e9rables<\/em>, Hugo declared his regret that Italy, France, England, and indeed the whole of Europe, \u2018have prejudices, superstitions, tyrannies, fanaticisms \u2026 you have [the figure of] a barbarian, the monk\u2019\u2014See Victor Hugo, \u201cLetter to M. Daelli, 18 October 1862,\u201d in <em>Les Miserables<\/em>, Trans. Isabel Hapgood, vol. 2 (London: Walter Scott, n.d.), 281.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Victor Hugo, <em>Les Mis\u00e9rables<\/em>, vol. 5 (Philadelphia: David MacKay, n.d.), 1. He had earlier attempted to answer this question in more depth in <em>Les Mis\u00e9rables<\/em> when he said that \u2018it sometimes happens that the rabble \u2026 offers battle to the people\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Donald M. G. Sutherland, <em>The French Revolution and Empire: The Quest for a Civic Order <\/em>(Blackwell Publishing, 2003), 155.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Ibid., 107.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> On French archival practices since the revolution see \u00c9douard Vasseur, \u201cFrench archivists, the management of records and records management since the nineteenth century: are French recordkeeping tradition and practice incompatible with records management?\u201d <em>Archives and Manuscripts<\/em>, 49 no. 1\u20132 (2021): 107\u201332.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Hugo, <em>Ninety-Three<\/em>, 105, 107.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Juana Manso, \u2018Misterios del Plata\u2019, <em>Jornal das Senhores<\/em>, 1 January 1852, 7.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> James Bronterre O\u2019Brien, \u2018The Aristocracy: Its Origin, Progress, and Decay\u2019, <em>Reynold\u2019s Political Instructor<\/em>, 10 November 1849, 5.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 22 de agosto de 2023.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> BASDEO, Stephen. Anti-medievalismo e Republicanismo nas Obras de Eugene Sue e Victor Hugo. (trad. Luiz Guerra). <strong>Blog do POIEMA.<\/strong> Pelotas 22 ago 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/blog-especial-basdeo\/. Acessado em: Data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Stephen Basdeo (Trad. por Luiz Guerra) Introdu\u00e7\u00e3o No Brasil, em 1850, um curioso novo romance apareceu \u00e0 venda no Rio de Janeiro intitulado Mist\u00e9rios do Povo; ou uma hist\u00f3ria duma fam\u00edlia de prolet\u00e1rios. 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