{"id":5519,"date":"2023-08-08T12:00:31","date_gmt":"2023-08-08T15:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=5519"},"modified":"2023-10-10T09:33:21","modified_gmt":"2023-10-10T12:33:21","slug":"texto-guilherme-ix-duque-da-aquitania-e-conde-de-poitiers-o-primeiro-trovador","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-guilherme-ix-duque-da-aquitania-e-conde-de-poitiers-o-primeiro-trovador\/","title":{"rendered":"Texto: Guilherme IX, Duque da Aquit\u00e2nia e Conde de Poitiers: O Primeiro Trovador"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Nilton Mullet Pereira<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em torno do s\u00e9culo XII, na Europa Ocidental, surgiu uma s\u00e9rie de trovadores e de trovadoras, que escreviam versos para serem cantados. Um dos primeiros trovadores foi Guilherme IX, duque da Aquit\u00e2nia e Conde de Poitiers (1071-1127), ele era av\u00f4 de uma mulher proeminente na sociedade europeia de sua \u00e9poca, Leonor da Aquit\u00e2nia (1122-1204), que fora matrona de muitos trovadores, como por exemplo, um dos mais conhecidos, Bernard de Ventadour.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme IX pode ter sido um paradoxo, daqueles que a Hist\u00f3ria procura explicar como parte de um contexto determinado, mas que, ao mesmo tempo, foge e escapa desse contexto, fazendo desmoronar as s\u00ednteses e as caracteriza\u00e7\u00f5es gerais. Este artigo poderia se ocupar da pr\u00f3pria Leonor, neta de Guilherme, para mostrar como uma sociedade masculina e mis\u00f3gina, conviveu com uma mulher, cujo poder atravessou os nascentes reinos de Fran\u00e7a e Inglaterra; ou se ocupar das trovadoras \u2013 <em>Trobairitz <\/em>\u2013 poetisas que inverteram a corte do amor, dando protagonismo para as mulheres, mas essas s\u00e3o hist\u00f3rias que j\u00e1 vem sendo contadas pela medieval\u00edstica, ainda que pouco conhecidas nas salas de aula da Escola B\u00e1sica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que a ideia do paradoxo? Para pensar uma escrita da hist\u00f3ria em que os contextos n\u00e3o possam diminuir a for\u00e7a de formas de exist\u00eancia que destoam das caracteriza\u00e7\u00f5es gerais que fazemos dos per\u00edodos hist\u00f3ricos. Exist\u00eancias como as Trovadoras, Leonor ou mesmo Guilherme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando nos pomos a contar uma hist\u00f3ria, seja na sala de aula ou fora dela, tendemos a expor um fragmento de vida, que adquire sentido quando explicado por um contexto. Ou seja, o contexto como um conjunto de elementos sociais, econ\u00f4micos, ideol\u00f3gicos, culturais que explica e d\u00e1 sentido \u00e0 exist\u00eancia daquele fragmento de vida (fen\u00f4meno ou acontecimento). Aprendemos assim e repetimos, como se essa fosse a \u00fanica forma existente de rela\u00e7\u00e3o com o passado e de produ\u00e7\u00e3o do sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, pensamos, hoje, em uma descri\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica menos preocupada em apresentar apenas e simplesmente fen\u00f4menos explic\u00e1veis pelos seus contextos. A escrita da Hist\u00f3ria e sua express\u00e3o na sala de aula est\u00e1 mais atenta a ultrapassar o limite de sentido e mostrar que os contextos s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es, repletas de figuras de raz\u00e3o, que integram e sistematizam os acontecimentos de forma sempre arbitr\u00e1ria. Esse processo de integra\u00e7\u00e3o e sistematiza\u00e7\u00e3o, realizado pelas historiadoras e professores de Hist\u00f3ria, deixa rastros que s\u00e3o exist\u00eancias, formas de vida, pr\u00e1ticas sociais, pessoas, que, ou foram esquecidas em fun\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es pol\u00edticas e de poder ou foram simplesmente exclu\u00eddas porque eram <em>simulacros<\/em> estranhos \u00e0 l\u00f3gica e \u00e0 sistematiza\u00e7\u00e3o realizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, se constru\u00edmos a ideia de que o mundo medieval era dominado pela moral crist\u00e3\/cat\u00f3lica e que n\u00e3o havia espa\u00e7o para desvios, esquecemos e exclu\u00edmos, pessoas e pr\u00e1ticas que foram deixadas pelo caminho, n\u00e3o somente inexplic\u00e1veis ou vistas como \u201ca frente de seu tempo\u201d, mas tamb\u00e9m esquecidas e invisibilizadas, como \u00e9 o caso, por exemplo, das mulheres trovadoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, faz muito que a medieval\u00edstica, a pesquisa em Idade M\u00e9dia, tem se ocupado de vidas pouco explicadas pela ideia geral que temos, hoje, sobre o medievo (misoginia, moral crist\u00e3, guerras e pestes \u2013 ainda que esses elementos fizessem parte sim da vida das pessoas daquela \u00e9poca, assim como tamb\u00e9m de outros momentos hist\u00f3ricos). A pesquisa tem se ocupado em descolonizar a Idade M\u00e9dia; em pensar a ra\u00e7a na Idade M\u00e9dia; em tematizar as rela\u00e7\u00f5es entre os sexos; em realizar uma hist\u00f3ria das mulheres e uma infinidade de quest\u00f5es, estranhas a ideia de medievo que ainda hoje transita, mesmo nas escolas, mas tamb\u00e9m em jogos, em s\u00e9ries ou no cinema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme IX era um personagem fugidio. Explic\u00e1vel pelo contexto em que a sistematiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica criou para ele, e, ao mesmo tempo, fora e exteriorizado em rela\u00e7\u00e3o tanto \u00e0 moral crist\u00e3, quanto \u00e0s pr\u00f3prias regras do amor cortes\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme n\u00e3o era apenas um trovador, o primeiro, talvez, que se tenha not\u00edcia, ele era tamb\u00e9m um grande senhor, tinha dom\u00ednios mais extensos do que o rei da Fran\u00e7a, superando esse em poder e riqueza. Ademais, Guilherme era um senhor da Fran\u00e7a meridional, sempre em rota de colis\u00e3o com o Clero Cat\u00f3lico. Fora excomungado por duas vezes dos quadros do catolicismo. Em uma das vezes em que foi excomungado, conforme se l\u00ea na Vida<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> do trovador, satirizou o bispo, em fun\u00e7\u00e3o do fato de o religioso ser careca. Visto como desordeiro e brincalh\u00e3o, escreveu versos sensuais, jocosos, mas, tamb\u00e9m, delicados, que deram forma ao amor fino, ao amor cort\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos 11 cansos de Guilherme IX, escritas em Lingua <em>D\u2019oc<\/em> e traduzidas para o portugu\u00eas. Nessas 11 cansos, Guilherme foi, ao mesmo tempo, fanfarr\u00e3o, sensual e cort\u00eas. Ele criou versos que podem ser vistos como sat\u00edricos, sensuais, corteses e um canto de arrependimento. O senhor da Aquit\u00e2nia, portanto, vai do burlesco ao amor fino; da cr\u00edtica \u00e0 Igreja ao arrependimento. A organiza\u00e7\u00e3o das cansos, do n\u00famero 01 at\u00e9 o n\u00famero 11, em tr\u00eas grupos, sendo o primeiro grupo de poesias sat\u00edricas, o segundo grupo de versos corteses e o \u00faltimo grupo de cansos de arrependimento, n\u00e3o demonstra uma evolu\u00e7\u00e3o do lirismo do trovador, nem nos permite supor uma sequ\u00eancia de cria\u00e7\u00e3o, pois essa organiza\u00e7\u00e3o foi feita pelo cr\u00edtico Alfred Jeanroy, na primeira metade do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No canto I, Guilherme mostra aos seus companheiros de mesa e bebida, elementos de lux\u00faria, de prazer e de adult\u00e9rio, refor\u00e7ando suas desaven\u00e7as com o Clero Cat\u00f3lico e estando bem longe do que se convencionou chamar de amor cort\u00eas (uma forma de amor pura e delicada, caracterizada pelo enaltecimento da Dama e por um amor puro, quase sem rela\u00e7\u00e3o carnal). Diz ele: \u201c<strong>I<\/strong>. Companheiro, farei um verso conveniente,\/Que ter\u00e1 mais loucura, n\u00e3o sensatez,\/E ser\u00e1 todo mesclado de amor, de alegria e de juventude\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na canso V, o car\u00e1ter luxurioso assume protagonismo, pois Guilherme conta a hist\u00f3ria de duas mulheres casadas com um peregrino supostamente mudo. O tom luxurioso pode ser observado pelas seguintes estrofes:<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>VI.\/ <\/strong>\u201cIrm\u00e3\u201d, disse Dona Agnes \u00e0 Dona Ermesina,\/<br \/>\n\u201cEncontramos o que quer\u00edamos!\u201d\/<br \/>\n\u201cIrm\u00e3, pelo amor de Deus, o alberguemos,\/<br \/>\nPois ele \u00e9 totalmente mudo,\/<br \/>\nE por ele nosso prop\u00f3sito\/<br \/>\nN\u00e3o ser\u00e1 conhecido\u201d.\/<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>VII.\/ <\/strong>Uma me tomou sob seu manto\/<br \/>\nE me colocou em seu quarto, perto da lareira.\/<br \/>\nSaibais que a mim foi bonito e belo,\/<br \/>\nO fogo foi bom,\/<br \/>\nE me esquentei \u00e0 vontade\/<br \/>\nJunto aos grossos carv\u00f5es.\/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O canto X, considera-se ser a obra prima do trovador e senhor, Guilherme IX, em fun\u00e7\u00e3o do seu car\u00e1ter cort\u00eas. \u00c9 nessa canso que Guilherme, diferentemente da canso I e da canso V, abandona a fanfarronice e a lux\u00faria, e constr\u00f3i um poema l\u00edrico e delicado, enaltecendo um amor puro por uma Dama inating\u00edvel. E na promessa do amor da Dama, que tem seu nome mantido em segredo, que o trovador se torna virtuoso, como se a espera, talvez infinita, pudesse regular seus sentidos e suas aventuras, fazendo do amor uma experi\u00eancia de sofrimento alegre.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>I.<\/strong> Com a do\u00e7ura do novo tempo,\/<br \/>\nO bosque se cobre de folhas, e os p\u00e1ssaros\/<br \/>\nCantam, cada um em seu latim,\/<br \/>\nConforme o verso do novo canto,\/<br \/>\nQuando est\u00e1 bem que cada um se torne,\/<br \/>\nAquilo que mais deseja.\/<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>II.\/ <\/strong>Do lugar que me parece bom e belo,\/<br \/>\nN\u00e3o vejo chegar nem carta, nem mensageiro.\/<br \/>\nPor isso, meu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o dorme, nem ri,\/<br \/>\nNem me atrevo a seguir adiante,\/<br \/>\nAt\u00e9 que esteja certo do fim,\/<br \/>\nSe ele ser\u00e1 assim como eu desejo.\/<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>III.\/ <\/strong>Com nosso amor ocorre o mesmo\/<br \/>\nQue o galho branco do espinheiro\/<br \/>\nQue est\u00e1 queimando sobre a \u00e1rvore,\/<br \/>\nDe noite, com a chuva congelada,\/<br \/>\nAt\u00e9 que no dia seguinte o Sol se ponha,\/<br \/>\nPelas folhas verdes e a relva.\/<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>IV.\/ <\/strong>Ainda me lembro de uma manh\u00e3,\/<br \/>\nEm que n\u00f3s pusemos fim \u00e0 nossa guerra,\/<br \/>\nEla me deu um dom t\u00e3o grande\/<br \/>\nQue se deu a mim como amante, e tamb\u00e9m seu anel.\/<br \/>\nQue Deus me deixe viver ainda,\/<br \/>\nPara que eu ponha minhas m\u00e3os sob seu mantel!\/<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>V.\/ <\/strong>Que eu n\u00e3o me preocupe com estranhos latidos\/<br \/>\nQue me separem de meu Bom Vizinho;\/<br \/>\nPois sei como as palavras vem e v\u00e3o,\/<br \/>\nE, como diz um breve serm\u00e3o\/<br \/>\n\u201cQue outros se gabem de seus amores,\/<br \/>\nQue n\u00f3s temos o p\u00e3o e a faca.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A breve demonstra\u00e7\u00e3o da obra do primeiro trovador \u00e9 revelador de um grande senhor, acostumado com as festas de corte, com os tribunais de amor e, sobretudo, com o car\u00e1ter singular dos grandes senhores do mundo Occit\u00e2nico, de suas desaven\u00e7as com a Igreja e da singularidade de suas rela\u00e7\u00f5es feudais. Mas, Guilherme ultrapassa os limites contextuais e comp\u00f5e versos \u00e0s vezes sat\u00edricos, outras vezes, corteses e tamb\u00e9m de arrependimento, transitando em um mundo no qual est\u00e1, ao mesmo tempo, dentro e fora, ora apaziguado por um contexto que lhe d\u00e1 sentido, ora, exteriorizado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00f3gica predominante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme IX de Aquit\u00e2nia. <strong>Poesia<\/strong><strong>.<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Tradu\u00e7\u00e3o e introdu\u00e7\u00e3o de Arnaldo Saraiva.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Lisboa:\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Ass\u00edrio &amp; Alvim, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JEANROY, Alfred. <strong>La poesie lyrique des troubadours<\/strong>. Paris:\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Henri Didier, 1934. 2v.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PEREIRA, Nilton Mullet. Amor e interioridade no Ocidente Medieval: as <em>cansos<\/em> de Guilherme IX\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 , <strong><em>Ler Hist\u00f3ria<\/em><\/strong> [Online], n. 57, \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a02009, pp. 33-57. Acesso \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0em 17\/04\/23. Dispon\u00edvel em \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<a href=\"http:\/\/journals.openedition.org\/lerhistoria\/1818\">http:\/\/journals.openedition.org\/lerhistoria\/1818<\/a>. DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.4000\/lerhistoria.1818\">https:\/\/doi.org\/10.4000\/lerhistoria.1818<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RIQUER, Martin. <strong>Los trovadores<\/strong>: historia literaria y textos. Tomo I. Barcelona: Editorial Ariel,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a02001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8212;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><sup>[1]<\/sup> Doutor em Educa\u00e7\u00e3o (UFRGS). <a href=\"https:\/\/lattes.cnpq.br\/2674881975631801\">https:\/\/lattes.cnpq.br\/2674881975631801<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> As Vidas s\u00e3o pequenas cr\u00f4nicas que narram elementos biogr\u00e1ficos, dispostas antes das cansos de um trovador.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 08 de agosto de 2023.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar<\/strong>: PEREIRA, Nilton Mullet. Guilherme IX, Duque da Aquit\u00e2nia e Conde de Poitiers: O Primeiro Trovador. <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas 08 ago 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-guilherme-ix-duque-da-aquitania-e-conde-de-poitiers-o-primeiro-trovador\/ Acessado em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nilton Mullet Pereira[1] &nbsp; Em torno do s\u00e9culo XII, na Europa Ocidental, surgiu uma s\u00e9rie de trovadores e de trovadoras, que escreviam versos para serem cantados. 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