{"id":5471,"date":"2023-07-11T11:50:22","date_gmt":"2023-07-11T14:50:22","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=5471"},"modified":"2023-07-11T11:51:55","modified_gmt":"2023-07-11T14:51:55","slug":"texto-deste-castelo-ecoa-a-voz-que-nos-diz-nao-desistam-a-idade-media-e-a-extrema-direita-portuguesa","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-deste-castelo-ecoa-a-voz-que-nos-diz-nao-desistam-a-idade-media-e-a-extrema-direita-portuguesa\/","title":{"rendered":"Texto: \u201cDeste Castelo Ecoa a Voz Que nos Diz: N\u00e3o Desistam\u201d: A Idade M\u00e9dia e a  Extrema-Direita Portuguesa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Thiago Pereira da Silva Magela (UNEMAT)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marc Bloch ap\u00f3s a derrota francesa para os nazistas em 1940 realizou uma an\u00e1lise sobre a cat\u00e1strofe que se abateu sobre a Fran\u00e7a. Nestas mem\u00f3rias publicadas posteriormente com o t\u00edtulo de Estranha Derrota (2013), o grande medievalista citando Henri Pirenne nos diz que o dever primeiro de todo historiador \u00e9 se interessar pela VIDA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele mesmo ano, 1940, Walter Benjamin escreveu o texto <em>Sobre o conceito de Hist\u00f3ria<\/em> (2020). Neste escrito, as reflex\u00f5es benjaminianas na tese II nos entrela\u00e7am com o alerta blochiano. Segundo ele, a esperan\u00e7a da nova gera\u00e7\u00e3o \u00e9 olhar para o passado para pensar alternativas mais felizes para os seres humanos. Cada gera\u00e7\u00e3o tem a chance de fazer hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lamentavelmente Benjamin temendo ser pego pela Gestapo tirou a vida naquele fat\u00eddico ano, j\u00e1 Marc Bloch lutou na resist\u00eancia francesa at\u00e9 ser capturado em 1944 pelos <span style=\"font-style: normal !msorm;\"><em>nazi<\/em><\/span>. O medievalista franc\u00eas foi torturado e assassinado pelos nazistas. Dois autores marcantes para a hist\u00f3ria da historiografia, e que no momento da cat\u00e1strofe nos alertaram que o dever dos historiadores \u00e9 com a \u201cvida\u201d e que o passado pode servir para pensar alternativas de futuro mais felizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito embora, os alertas dos consagrados Marc Bloch e Walter Benjamin sobre o dever dos historiadores e o potencial do passado, o que encontramos hoje \u00e9 uma verdadeira tergiversa\u00e7\u00e3o do passado. O passado \u00e9 usado e abusado constantemente no mundo contempor\u00e2neo. Diferentes apropria\u00e7\u00f5es das mais diversas fatias do pret\u00e9rito est\u00e3o sendo alvo de investiga\u00e7\u00e3o pelos historiadores ao redor do globo. No caso dos usos do passado medieval o cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 diferente. Diversos colegas est\u00e3o preocupados com as formas de representa\u00e7\u00e3o da Idade M\u00e9dia no mundo atual, em especial, os usos pol\u00edticos do passado medieval.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo Pach\u00e1 (2019), Carlile Lanzieri J\u00fanior (2021) e Felipe Ribeiro \u2013 neste blog \u2013 j\u00e1 refletiram sobre os usos e abusos realizados pela extrema-direita brasileira acerca do per\u00edodo medieval. A Idade M\u00e9dia foi, como demonstraram os trabalhos destes autores,\u00a0 embranquecida, transformada em homogeneamente crist\u00e3 e patriarcal para atender os projetos de futuro da extrema-direita brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil teria nesta vers\u00e3o tergiversada o seu v\u00ednculo com a Idade M\u00e9dia portuguesa. O Portugal Medieval foi forjado nestas narrativas da extrema-direita como a \u00fanica raiz cultural brasileira excluindo assim elementos ind\u00edgenas e africanos do processo de forma\u00e7\u00e3o das brasilidades. A Idade M\u00e9dia lusitana seria o \u201clugar\u201d onde os crist\u00e3os lusitanos formaram um reino na luta contra os inimigos da f\u00e9 (mu\u00e7ulmanos). Aqui est\u00e1 o elemento unificador do del\u00edrio extremista, a Reconquista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja nos usos realizados pela extrema-direita brasileira ou portuguesa a concep\u00e7\u00e3o de um \u201cchoque de civiliza\u00e7\u00f5es\u201d \u00e9 muito presente. Assim, a ideia de Reconquista Ib\u00e9rica possui centralidade nas explica\u00e7\u00f5es e representa\u00e7\u00f5es que procuram apresentar este per\u00edodo como exemplo de luta pela f\u00e9 contra os \u201cinimigos\u201d da \u201cf\u00e9 verdadeira\u201d ou da \u201cverdadeira\u201d cultura ocidental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso portugu\u00eas merece aten\u00e7\u00e3o tendo em vista o avan\u00e7o de uma \u201cinternacional fascista\u201d na \u00faltima d\u00e9cada. No caso portugu\u00eas que trataremos daqui em diante o alerta foi disparado para os historiadores quando no dia 12 de agosto de 2020 uma organiza\u00e7\u00e3o de extrema direita intitulada Nova Ordem de Avis amea\u00e7ou de morte tr\u00eas deputadas negras -obviamente de partidos de esquerda- caso elas n\u00e3o deixassem Portugal em 48 horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este acontecimento me pareceu decisivo para a reflex\u00e3o sobre os usos pol\u00edticos do passado medieval em Portugal. Afinal, um grupo se denominar Nova Ordem de Avis indicava que na sociedade lusitana existiam representa\u00e7\u00f5es latentes sobre a Idade M\u00e9dia na cultura hist\u00f3rica e que uma vis\u00e3o nacionalista predominava no imagin\u00e1rio social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O car\u00e1ter racista e anti-imigra\u00e7\u00e3o desta organiza\u00e7\u00e3o se espraiava por uma concep\u00e7\u00e3o difundida no senso comum de que o reino portugu\u00eas nasceu da Reconquista, e mais especificamente da luta contra o n\u00e3o-crist\u00e3o. Criando assim uma idealiza\u00e7\u00e3o da Idade M\u00e9dia que encontra suas bases no nacionalismo do s\u00e9culo XIX e sua amplia\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o durante o salazarismo. Portanto, o uso da Idade M\u00e9dia para fins nacionalistas n\u00e3o \u00e9 uma novidade. Entretanto, as formas de apresenta\u00e7\u00e3o deste passado s\u00e3o requentadas para as lutas do presente, e precisamos compreender como estas for\u00e7as pol\u00edticas t\u00eam utilizado o passado medieval.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, antes de avan\u00e7ar \u00e9 preciso inserir algumas vari\u00e1veis fundamentais para entendermos quais fatores podem explicar este anseio pelo passado medieval. A meu ver, as \u00faltimas crises de reprodu\u00e7\u00e3o ampliada do Capital, o processo de deslegitima\u00e7\u00e3o das democracias liberais e a acelera\u00e7\u00e3o do tempo em conjunto produziram efeitos significativos nas consci\u00eancias hist\u00f3ricas. Os tr\u00eas fatores est\u00e3o conectados no processo hist\u00f3rico que nos trouxe at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como Josep Fontana (2017), Walter Scheidel (2020) e Thomas Piketty (2014) indicaram desde a crise de 2008 a confian\u00e7a na capacidade do Capitalismo global de fornecer uma vida digna aos cidad\u00e3os comuns e os n\u00edveis de concentra\u00e7\u00e3o de renda chegaram a escalas ultrajantes. Assim, os setores m\u00e9dios da popula\u00e7\u00e3o que antes se beneficiavam de algum tipo de Estado de Bem Estar Social cada vez mais sentiram o peso dos arrochos fiscais ditados por institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais, e l\u00f3gico estes homens e mulheres viram progressivamente sua qualidade de vida e acesso ao consumo se reduzir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A (in)capacidade da pol\u00edtica de solucionar os problemas urgentes da popula\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ganhar ares de um \u00f3dio \u00e0 democracia e mesmo uma repulsa ao fazer pol\u00edtico e \u00e0 pol\u00edtica. Temas como corrup\u00e7\u00e3o, inefici\u00eancia e crise tomaram a cena do debate intelectual. Autores como Steven Levitsky e Daniel Ziblatt (2018), David Runciman (2018) e Jacques Ranci\u00e8re (2014) colocaram na ordem do dia uma quest\u00e3o central: a democracia n\u00e3o \u00e9 eterna e suas bases institucionais estavam sendo fragilizadas por pol\u00edticos eleitos com apoio popular contra o \u201csistema\u201d e contra a fraqueza e ligeireza da democracia em solucionar problemas concretos dessas pessoas comuns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, as emo\u00e7\u00f5es entraram no radar daqueles intelectuais que tentavam compreender como pol\u00edticos autorit\u00e1rios eram eleitos democraticamente e esgar\u00e7avam a democracia at\u00e9 onde a corda podia ser puxada. \u00d3dio, raiva, rancor, e ressentimento se mesclavam com esperan\u00e7a, fanatismo e brutalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somando-se a estes fatores temos a acelera\u00e7\u00e3o do tempo e a redu\u00e7\u00e3o dos horizontes de expectativa para usar o termo de Reinhard Koselleck (2006). Quando Fran\u00e7ois Hartog (2013) tratou do problema do presentismo, ou seja, de um regime de historicidade que encurtou a percep\u00e7\u00e3o humana sobre a rela\u00e7\u00e3o entre passado, presente e futuro. As demandas da \u201ctirania do instante\u201d ou do amplo presente como defende Hans Ulrich Gumbrecht (2015) reduziram significativamente o futuro como alvo de projetos pol\u00edticos de longo prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos acrescentar que n\u00e3o se tratou apenas de uma nova forma de se relacionar com a temporalidade ou uma altera\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre o espa\u00e7o de experi\u00eancia e o horizonte de expectativa. Segundo Rodrigo Turin (2019), a din\u00e2mica neoliberal promoveu uma acelera\u00e7\u00e3o social intensificada pelas novas tecnologias que dessincronizou as estruturas sociais e pulverizou o tempo hist\u00f3rico em ritmos desconexos. Assim, a pr\u00f3pria contemporaneidade se tornou assim\u00e9trica e m\u00faltipla. Muito embora, a din\u00e2mica neoliberal esteja promovendo uma tentativa de sincroniza\u00e7\u00e3o do tempo que for\u00e7a a sociedade a uma temporalidade disruptiva que n\u00e3o permite tempo para que projetos coletivos apare\u00e7am dado sua demanda acelerada e destrutiva. Diante deste cen\u00e1rio me parece que h\u00e1 uma crise de representa\u00e7\u00e3o do tempo. Ou seja, a crise do tempo neoliberal levou diferentes grupos sociais a buscarem uma forma alternativa de ressincronizar as suas experi\u00eancias no tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quero dizer com isto que hoje as dimens\u00f5es pol\u00edticas do tempo s\u00e3o fundamentais para desvelarmos os usos do passado medieval. Tendo em vista que diferentes grupos sociais procuram temporalizar-se e conferir sentido ao seus mundos sociais. Assim, a temporaliza\u00e7\u00e3o e as formas de representa\u00e7\u00e3o do tempo s\u00e3o campos da luta pol\u00edtica nos quais os grupos sociais procuram ressincronizar os indiv\u00edduos fraturados pela multiplicidade do tempo contempor\u00e2neo e a destruidora (des)temporaliza\u00e7\u00e3o neoliberal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema \u00e9 que a crise que vivemos n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f4mica, ela se apresenta como desastre ecol\u00f3gico que pode levar a pr\u00f3pria esp\u00e9cie humana \u00e0 extin\u00e7\u00e3o. O advento do Antropoceno projeta para o futuro a destrui\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, logo o futuro como elemento fundamental da experi\u00eancia temporal humana se encontra tamb\u00e9m em d\u00favida. Desta forma, o futuro passou a ser representado na ind\u00fastria cultural atrav\u00e9s de distopias e o passado se apresentou como alternativa para o presentismo que sufoca os sonhos humanos e os desejos de alternativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, a Idade M\u00e9dia surge como um vazio, um <em>topos<\/em>, uma fantasia escapista do \u201cdeserto do real\u201d como diz Zizek (2015). O conservadorismo e a extrema-direita se reencontram com a Idade M\u00e9dia, e a recriam \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a em diferentes espa\u00e7os do globo. N\u00e3o se trata da Idade M\u00e9dia dos historiadores, mas daquela que \u00e9 recriada todas as vezes que a mis\u00e9ria fascista se apresenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste contexto que se enquadra o caso portugu\u00eas. O partido Chega surge em 2019 da fragmenta\u00e7\u00e3o das fileiras do CDS e do PSD, partidos tradicionais da direita lusitana. O pol\u00eamico l\u00edder do partido Chega chama-se Andr\u00e9 Ventura. Ele foi eleito vereador pelo PSD em Loures em 2017 numa campanha marcada pelo ataque aos ciganos e outras pol\u00eamicas. No entanto, no ano seguinte ele rompeu com o PSD alegando que o partido tinha abandonado suas bases e se tornado de centro-esquerda, e que ele procurava criar um partido que atendesse os \u201cinteresses\u201d dos portugueses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a sua cria\u00e7\u00e3o podemos dizer que o Chega se apresenta como um partido antissistema, e foi assim interpretado por Riccardo Marchi (2020) um investigador que se dedica a estudar a direita lusitana. Apesar disso, este autor recebeu cr\u00edticas duras de diversos intelectuais portugueses por tentar escamotear o racismo e o fascismo que constituem os discursos e pr\u00e1ticas dos membros e apoiadores deste partido.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto estamos falando de um partido pol\u00edtico que nasceu inserido nas din\u00e2micas das redes sociais e que utiliza sistematicamente os recursos dispon\u00edveis no Facebook e no Instagram para difundir suas ideias e projetos.\u00a0 Como sabemos o marketing digital tem influenciado significativamente os resultados eleitorais em diversos pa\u00edses onde a extrema-direita tem avan\u00e7ado. Fica a d\u00favida, como os historiadores podem contribuir para desvelar estas estrat\u00e9gias?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A meu ver, o cuidado dos historiadores com os usos do passado nas redes sociais pode ser uma contribui\u00e7\u00e3o importante no combate aos abusos realizados por tentativas ultra-nacionalistas de distorcer a hist\u00f3ria de acordo com seus desejos e anseios pol\u00edticos do momento. E os usos da Idade M\u00e9dia constituem parte significativa do processo de legitima\u00e7\u00e3o desses grupos pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta forma, analisei o perfil do Instagram do partido Chega com o objetivo de compreender como a Idade M\u00e9dia portuguesa era mobilizada naquela rede. Atrav\u00e9s da ferramenta de an\u00e1lise de mercado digital <em>Not Just Analytics<\/em> procurei entender o alcance daquele perfil e pude verificar que a taxa de engajamento era acima da m\u00e9dia apesar de contar naquela data com 41.802 seguidores. No que diz respeito \u00e0s publica\u00e7\u00f5es, o universo que se apresentava ainda era modesto com apenas 1.446 publica\u00e7\u00f5es, e aquelas que possu\u00edam alguma refer\u00eancia ao per\u00edodo medieval eram apenas 0,55% publica\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, mais importante do que a quantidade era quando a Idade M\u00e9dia era mobilizada nas redes do partido Chega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a campanha para as elei\u00e7\u00f5es legislativas de 2019 Andr\u00e9 Ventura visitou a cidade de Tomar, &#8220;antiga sede dos templ\u00e1rios\u201d. Ele fez quest\u00e3o de tirar uma foto em frente \u00e0 est\u00e1tua de Gualdim Pais e publicar nas redes [Fig.1]. Qual motivo explicaria a escolha por uma foto com a est\u00e1tua de um templ\u00e1rio naquele contexto?\u00a0 \u00c9 importante dizer que Gualdim Pais participou ativamente ao lado de Afonso Henriques de diversas campanhas militares, entre elas a mais c\u00e9lebre foi a batalha de Ourique que ocupa um espa\u00e7o no imagin\u00e1rio social da \u201cReconquista\u201d portuguesa. Somando-se a isto, como cavaleiro da ordem dos templ\u00e1rios esteve no Reino de Jerusal\u00e9m participando, por exemplo, do cerco da cidade de Jafa. Ou seja, tratava-se de associar Andr\u00e9 Ventura aos s\u00edmbolos \u201cnacionais\u201d constru\u00eddos ao longo do s\u00e9culo XIX e do Salazarismo.<\/p>\n<div id=\"attachment_5473\" style=\"width: 274px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/07\/fig1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5473\" class=\"wp-image-5473 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/07\/fig1-274x400.png\" alt=\"\" width=\"274\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/07\/fig1-274x400.png 274w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/07\/fig1.png 290w\" sizes=\"auto, (max-width: 274px) 100vw, 274px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5473\" class=\"wp-caption-text\">[Fig. 1. PARTIDO CHEGA. Andr\u00e9 Ventura e Pedro Cassiano Neves em campanha na maravilhosa Cidade Templ\u00e1ria, TOMAR! Faz parte do percurso de campanha no distrito de Santar\u00e9m&#8230; Se est\u00e1 por perto ser\u00e1 bem-vindo!. Tomar. 13 set. 2019. Instagram: @partidochega. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.instagram.com\/p\/B2WIlTxnB3-\/. Acesso em: 13 abr. 2023]<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em janeiro de 2022 novamente em campanha pelas elei\u00e7\u00f5es legislativas Andr\u00e9 Ventura visitou o t\u00famulo de Afonso Henriques e se colocou em posi\u00e7\u00e3o de rever\u00eancia ao primeiro rei de Portugal [Fig.2]. E n\u00e3o por acaso alguns dias depois realizou um grande discurso em Guimar\u00e3es em frente a parte das muralhas \u201cmedievais\u201d da cidade em que foi colocado os seguintes dizeres \u201cAqui nasceu Portugal\u201d [Fig.3].<\/p>\n<div id=\"attachment_5474\" style=\"width: 365px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/07\/Fig2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5474\" class=\"wp-image-5474 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/07\/Fig2.png\" alt=\"\" width=\"365\" height=\"335\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5474\" class=\"wp-caption-text\">[Fig. 2. PARTIDO CHEGA. Andr\u00e9 Ventura esteve ontem no t\u00famulo de D. Afonso Henriques, em Coimbra, a prestar homenagem ao pai da nossa grande Na\u00e7\u00e3o! . Coimbra. 06 jan. 2022. Instagram: @partidochega. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.instagram.com\/p\/CYZdeQeo-xS\/. Acesso em: 13 abr. 2023]<\/p><\/div><div id=\"attachment_5475\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/07\/Fig3.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5475\" class=\"wp-image-5475 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/07\/Fig3-200x200.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5475\" class=\"wp-caption-text\">[Fig. 3. PARTIDO CHEGA. Mais uma grande arruada, desta vez, no ber\u00e7o da Na\u00e7\u00e3o. Obrigado, Guimar\u00e3es!. Guimar\u00e3es. 24 jan. 2022. Instagram: @partidochega. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.instagram.com\/p\/CZH79e0r_Uk\/. Acesso em: 13 abr. 2023]<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">As visitas a Coimbra e a Guimar\u00e3es \u2013 cidades de forte apelo simb\u00f3lico por seus pap\u00e9is no medievo portugu\u00eas \u2013 n\u00e3o eram novidades tendo em vista que nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais em 2021 ele realizou o mesmo percurso. Inclusive a frase que d\u00e1 t\u00edtulo a esta breve reflex\u00e3o foi dita em frente ao Castelo de Guimar\u00e3es quando anunciou aos seus apoiadores que estava bem perto \u201cde uma palavra: reconquista\u201d.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, os usos da Idade M\u00e9dia nas redes sociais do partido Chega s\u00e3o pontuais, por\u00e9m, aparecem em momentos chaves da disputa eleitoral para reativar na mem\u00f3ria o nacionalismo portugu\u00eas e recompor um horizonte de \u201cguerra\u201d entre cruzados x inimigos.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Mas tamb\u00e9m de reconstruir na mem\u00f3ria coletiva um modelo de sociedade pautado na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, na branquitude e no patriarcalismo. \u00c9 bem verdade que outros elementos do passado s\u00e3o mobilizados como a Expans\u00e3o Mar\u00edtima, mas este \u00e9 tema para uma outra conversa.<sup><a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em vias de conclus\u00e3o, \u00e9 preciso realizar um amplo estudo comparado que se dedique a cotejar as diferentes formas e estrat\u00e9gias utilizadas pelas extremas-direitas em suas mobiliza\u00e7\u00f5es do passado medieval. Desafio este que s\u00f3 podemos realizar atrav\u00e9s de uma ampla coopera\u00e7\u00e3o dos historiadores que, como Bloch, se comprometem com a vida e daqueles que, como Benjamin, desejam sonhar com futuros mais felizes. Desvelar <strong>quando<\/strong> e <strong>como<\/strong> s\u00e3o acionadas nas lutas do presente as Idades M\u00e9dias tergiversadas pode contribuir e muito para uma defesa da democracia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENJAMIN, Walter. <span style=\"font-style: normal !msorm;\"><em>Sobre o conceito de Hist\u00f3ria<\/em><\/span>: edi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Alameda, 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BLOCH, Marc. <span style=\"font-style: normal !msorm;\"><em>A Estranha Derrota<\/em><\/span>. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FONTANA,\u00a0 Josep. <span style=\"font-style: normal !msorm;\"><em>\u00a0El\u00a0 Siglo\u00a0 de\u00a0 la\u00a0 Revoluci\u00f3n<\/em><\/span>:\u00a0 Una\u00a0 Historia\u00a0 del\u00a0 mundo desde 1914. Barcelona: Cr\u00edtica, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GUMBRECHT, Hans Ulrich. <span style=\"font-style: normal !msorm;\"><em>Nosso amplo presente<\/em><\/span>: O tempo e a cultura contempor\u00e2nea. S\u00e3o Paulo: Editora Unesp, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HARTOG, Fran\u00e7ois.<span style=\"font-style: normal !msorm;\"><em> Regimes de historicidade<\/em><\/span>: presentismo e experi\u00eancias do tempo. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00daNIOR,\u00a0 Carlile\u00a0 Lanzieri.\u00a0 <span style=\"font-style: normal !msorm;\"><em>Cavaleiros\u00a0 de\u00a0 cola,\u00a0 papel\u00a0 e\u00a0 pl\u00e1stico<\/em><\/span>:\u00a0 Sobre\u00a0 os\u00a0 usos\u00a0 do passado medieval na contemporaneidade. Campinas\/SP: D7 Editora, 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KOSELLECK, Reinhard. <span style=\"font-style: normal !msorm;\"><em>Futuro Passado<\/em><\/span>: contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 sem\u00e2ntica dos tempos hist\u00f3ricos. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUC-Rio, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. <span style=\"font-style: normal !msorm;\"><em>Como as democracias morrem<\/em><\/span>. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MARCHI, Riccardo.<span style=\"font-style: normal !msorm;\"><em> A nova direita anti-sistema<\/em><\/span>: o caso do Chega. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PACH\u00c1, Paulo Henrique de Carvalho. Por que a extrema direita brasileira ama a Idade M\u00e9dia\u00a0 europeia?\u00a0 Dispon\u00edvel\u00a0 em: &lt;\u00a0<a href=\"https:\/\/www.viomundo.com.br\/politica\/paulo-pacha-por-que-a-extrema-direita-brasileira-ama-a-idade-media-europeia.html\">https:\/\/www.viomundo.com.br\/politica\/paulo-pacha-por-que-a-extrema-direita-brasileira-ama-a-idade-media-europeia.html<\/a>&gt;. Acesso em 11 de junho de 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PIKETTY, Thomas. <span style=\"font-style: normal !msorm;\"><em>O Capital no s\u00e9culo XXI<\/em><\/span>. Rio de Janeiro: intr\u00ednseca, 2014.<\/p>\n<p>RIBEIRO. Felipe Augusto. Brasil (Neo)Medieval: Idiossincrasias de um uso do passado.\u00a0<strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 20 jun. 2022. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-brasil-neomedieval-idiossincrasias-de-um-uso-do-passado\/\">https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-brasil-neomedieval-idiossincrasias-de-um-uso-do-passado\/<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RANCI\u00c8RE, Jacques. <span style=\"font-style: normal !msorm;\"><em>O \u00f3dio \u00e0 democracia<\/em><\/span>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RUNCIMAN, David. <span style=\"font-style: normal !msorm;\"><em>Como a democracia chega ao fim<\/em><\/span>. S\u00e3o Paulo: Todavia, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCHEIDEL, Walter. <span style=\"font-style: normal !msorm;\"><em>Viol\u00eancia e a Hist\u00f3ria da desigualdade<\/em><\/span>: Da Idade da pedra ao s\u00e9culo XXI. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TURIN, Rodrigo. <span style=\"font-style: normal !msorm;\"><em>Tempos prec\u00e1rios<\/em><\/span>: acelera\u00e7\u00e3o, historicidade e sem\u00e2ntica neoliberal. Rio de Janeiro\/ Copenhagen: Zazie Edi\u00e7\u00f5es, 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ZIZEK, Slavoj. <span style=\"font-style: normal !msorm;\"><em>Bem-vindo ao deserto do real!<\/em><\/span>: Estado de s\u00edtio. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2015.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Doutor em Hist\u00f3ria Social pela Universidade Federal Fluminense.\u00a0 (thiago.magela@unemat.br). Link do curr\u00edculo lattes: \u00a0http:\/\/lattes.cnpq.br\/1853923328846987<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> CAMPOS, Adriano. Et. al. Contra a higieniza\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica do racismo e fascismo do Chega. Jornal P\u00fablico, Lisboa, 11 de julho de 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> FERNANDES, Jos\u00e9; GOMES, H\u00e9lder. Ventura apela a \u201cnova reconquista\u201d, chama \u201ctravesti de direita\u201d a Rio (e n\u00e3o se demarca de atos hostis contra jornalistas). Jornal Expresso, Lisboa, 18 de janeiro de 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> O CHEGA se coloca como defensor da hist\u00f3ria portuguesa, ou seja, esse passado recortado e fatiado a sua imagem e semelhan\u00e7a que joga para fora a presen\u00e7a dos ciganos, negros e demais imigrantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> \u00c9 o caso de celebra\u00e7\u00f5es da Batalha de Aljubarrota e da recorda\u00e7\u00e3o da Batalha de Alc\u00e1cer-Quibir. Refor\u00e7os do patriotismo atrav\u00e9s da cavalaria e da guerra.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 11 de julho de 2023.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> MAGELA, Thiago Pereira da Silva. <strong>Blog do Poiema.<\/strong> Pelotas, 11 jul 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-deste-castelo-ecoa-a-voz-que-nos-diz-nao-desistam-a-idade-media-e-a-extrema-direita-portuguesa\/ . Acessado em: data em que voc\u00ea acessou este artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Thiago Pereira da Silva Magela (UNEMAT)[1] &nbsp; Marc Bloch ap\u00f3s a derrota francesa para os nazistas em 1940 realizou uma an\u00e1lise sobre a cat\u00e1strofe que se abateu sobre a Fran\u00e7a. Nestas mem\u00f3rias publicadas posteriormente com o t\u00edtulo de Estranha Derrota (2013), o grande medievalista citando Henri Pirenne nos diz que o dever primeiro de todo &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-deste-castelo-ecoa-a-voz-que-nos-diz-nao-desistam-a-idade-media-e-a-extrema-direita-portuguesa\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1170,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"template-onecolumn.php","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-5471","page","type-page","status-publish","hentry","nodate","item-wrap"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.7 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Texto: \u201cDeste Castelo Ecoa a Voz Que nos Diz: N\u00e3o Desistam\u201d: A Idade M\u00e9dia e a Extrema-Direita Portuguesa - POIEMA<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-deste-castelo-ecoa-a-voz-que-nos-diz-nao-desistam-a-idade-media-e-a-extrema-direita-portuguesa\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Texto: \u201cDeste Castelo Ecoa a Voz Que nos Diz: N\u00e3o Desistam\u201d: A Idade M\u00e9dia e a Extrema-Direita Portuguesa - POIEMA\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Thiago Pereira da Silva Magela (UNEMAT)[1] &nbsp; Marc Bloch ap\u00f3s a derrota francesa para os nazistas em 1940 realizou uma an\u00e1lise sobre a cat\u00e1strofe que se abateu sobre a Fran\u00e7a. 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