{"id":5356,"date":"2023-06-13T12:00:59","date_gmt":"2023-06-13T15:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=5356"},"modified":"2023-12-11T07:34:57","modified_gmt":"2023-12-11T10:34:57","slug":"a-pervivencia-do-amor-cortes-em-poemas-de-fins-da-idade-media-portuguesa","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/a-pervivencia-do-amor-cortes-em-poemas-de-fins-da-idade-media-portuguesa\/","title":{"rendered":"Texto: A Perviv\u00eancia do Amor Cort\u00eas em Poemas de Fins da Idade M\u00e9dia Portuguesa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Geraldo Augusto Fernandes<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor cort\u00eas tem origem na <em>Ars amatoria<\/em> e nos <em>Amores<\/em> do poeta latino Ov\u00eddio (43 a.C.-17 d.C.). O manual de Ov\u00eddio ensina a arte da sedu\u00e7\u00e3o, da infidelidade, do engano e da obten\u00e7\u00e3o do m\u00e1ximo prazer sexual, tudo elaborado a partir de suas pr\u00f3prias experi\u00eancias (que est\u00e3o descritas em <em>Amores<\/em>).\u00a0 Esse manual versa sobre as regras da procura e da escolha da\/do amante, os c\u00f3digos de beleza da mulher e do homem, o desejo da mulher, o ci\u00fame, o dom\u00ednio da linguagem, o poder do vinho como aliado na sedu\u00e7\u00e3o, o fingimento, a lisonja, as promessas, como presentear, a t\u00e9cnica da car\u00edcia; a necessidade de conc\u00f3rdia, paci\u00eancia e altern\u00e2ncia entre insistir e ceder (<em>Cf<\/em>. OV\u00cdDIO, 2013). Todo esse manual ovidiano serve de tem\u00e1tica para os dois primeiros livros do T<em>ratado do amor cort\u00eas<\/em> de Andr\u00e9 Capel\u00e3o (s\u00e9c. XII, Proven\u00e7a). Para Capel\u00e3o, o amor teria a virtude de ser a raiz da cortesia, a fonte de todo bem, conforme atesta Claude Buridant, introdutor do <em>Tratado<\/em> e seu tradutor do latim (BURIDANT, 2000, p. XXXVIII); e nas palavras de Capel\u00e3o: \u201ctodos os homens sabem que nenhuma a\u00e7\u00e3o virtuosa ou cort\u00eas poder\u00e1 ser realizada neste mundo se sua fonte n\u00e3o for o amor\u201d (CAPEL\u00c3O, 2000, p. 30). S\u00e3o caracter\u00edsticas desse amor: a mulher \u00e9 equiparada a uma suserana, o amante mostra submiss\u00e3o total \u00e0 mulher, exprime o desejo de ser aceito como seu vassalo e oferece-lhe seus servi\u00e7os. (BURIDANT, 2000, p. XXXIX). Exigem-se do amante a mais profunda humildade e a obedi\u00eancia mais estrita. A mulher tem a liberdade de conceder ou n\u00e3o a seu servidor a recompensa que ele espera. O amor n\u00e3o pode ser obtido sem os penares, os sofrimentos e os tormentos que lhe d\u00e3o valor, mas \u00e9 ele que<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cune o cora\u00e7\u00e3o de dois seres por tal sentimento de afei\u00e7\u00e3o que eles n\u00e3o desejam as car\u00edcias de outros; ao contr\u00e1rio, cuidam de esquivar-se aos prazeres que poderiam gozar em outros bra\u00e7os, por acharem que s\u00e3o detest\u00e1veis, e reservar-se um para o outro\u201d (CAPEL\u00c3O, 2000, p. 205-206).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Amor \u00e9 feito da tens\u00e3o perp\u00e9tua, do desejo sempre exacerbado que \u00e9 fonte de aperfei\u00e7oamento. Contudo, o amor conjugal est\u00e1 exclu\u00eddo do amor cort\u00eas (IDEM, 2000, p. 125; 219; DIAS, 1998, p. 259-260).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m para os trovadores, a oposi\u00e7\u00e3o entre <em>fin\u2019amors<\/em> e amor conjugal \u00e9 absoluta e irredut\u00edvel. O amor conjugal \u00e9 tranquilo e mon\u00f3tono; o corpo da mulher pertence a seu dono (essa mesma concep\u00e7\u00e3o prevalece nos s\u00e9culos XV\/XVI, como registrada no <em>Cancioneiro Geral<\/em> de Garcia de Resende, como se ver\u00e1 em seguida). Conforme Buridant, Alexander Joseph Denomy no estudo dedicado \u00e0s origens do <em>Tratado<\/em>, diz que o amor cort\u00eas consiste em tr\u00eas coisas fundamentais: a posi\u00e7\u00e3o elevada do ser amado, a eleva\u00e7\u00e3o do amante em dire\u00e7\u00e3o ao ser amado, o amor como desejo e anseio (BURIDANT, 2000, p. XLII). Em <em>Lancelote<\/em> de Chr\u00e9tien de Troyes, por exemplo, este amor corresponde em tudo ao <em>fin\u2019amors<\/em> dos trovadores. Os atos de Lancelote pelo amor \u00e0 rainha foram ditados por esse amor (IDEM, p. XLIII). Capel\u00e3o, ent\u00e3o, assim define o amor:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAmor \u00e9 uma paix\u00e3o natural que nasce da vis\u00e3o da beleza do outro sexo e da lembran\u00e7a obsedante dessa beleza. Passamos a desejar, acima de tudo, estar nos bra\u00e7os do outro e a desejar que, nesse contato, sejam respeitados por vontade comum todos os mandamentos do amor\u201d (CAPEL\u00c3O, 2000, p. 5-6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o que pregou Ov\u00eddio, essas s\u00e3o as virtudes que um amante deve possuir: generosidade, prodigalidade, caridade (prova de cortesia), obedi\u00eancia aos superiores, respeito a Deus e seus santos, humildade, absten\u00e7\u00e3o da maledic\u00eancia, esp\u00edrito de concilia\u00e7\u00e3o, modera\u00e7\u00e3o no rir, frequenta\u00e7\u00e3o dos grandes, pr\u00e1tica comedida do jogo de dados, coragem, fidelidade a uma s\u00f3 mulher, sobriedade no vestir, amabilidade, modera\u00e7\u00e3o nas promessas, sinceridade, distin\u00e7\u00e3o na linguagem, hospitalidade, defer\u00eancia para com os ministros de Deus, religiosidade. Discri\u00e7\u00e3o e prud\u00eancia s\u00e3o crit\u00e9rios dessa sapi\u00eancia amat\u00f3ria. S\u00e3o esses os elementos basilares do amor cort\u00eas (Idem, 2000, p. 59-62; 212-213).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro grande poeta que cultivou o amor cort\u00eas foi Petrarca, para quem amar \u00e9 uma pris\u00e3o em que a figura amada det\u00e9m a chave da liberta\u00e7\u00e3o do amante, mas como n\u00e3o h\u00e1 correspond\u00eancia, ele viver\u00e1 preso eternamente. Petrarca criou v\u00e1rios lugares comuns sobre o amor: a dor de amar faz o amante chorar a noite inteira sem encontrar paz e a musa amada, virgem, que \u00e9 sempre inacess\u00edvel e inalcan\u00e7\u00e1vel seja no c\u00e9u, seja na terra, apenas mais perto do poeta depois da morte ou atrav\u00e9s do sonho. O amor suplicado e n\u00e3o atendido, a dor que se iguala a uma morte em vida, leva o poeta a confrontar tend\u00eancias opostas, nas quais se eleva um desejo de supera\u00e7\u00e3o das oposi\u00e7\u00f5es para transform\u00e1-las em imagem e sonho indo al\u00e9m das apar\u00eancias (<em>Cf<\/em>. MORELATO, 2011, online).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa poesia trovadoresca brevemente descrita at\u00e9 agora come\u00e7a a declinar durante o reinado de D. Dinis, conhecido como \u00faltimo trovador. Os poetas, a partir de ent\u00e3o, come\u00e7am a ser seduzidos por novas formas liter\u00e1rias. Assim afirma Aida Fernanda Dias sobre estas novidades do s\u00e9culo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cComo a \u00e9poca que se vive \u00e9 de novidades, como se manifesta outra mentalidade, como os esp\u00edritos se mostram receptivos a novas formas de arte \u2013 sejam as visuais, as auditivas ou as letras \u2013, no campo da escrita s\u00e3o os ditames e os modelos do Humanismo e do Renascimento italianos que v\u00e3o tamb\u00e9m imperar\u201d (DIAS, 1998, p. 42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A poesia do <em>fin\u2019amors<\/em> trovadoresco era compor letra e som; agora, a m\u00fasica n\u00e3o mais deveria ser obrigat\u00f3ria nas composi\u00e7\u00f5es; era para ser dita, explanando doutrinas religiosas, morais, amorosas, em trovas, perguntas e respostas, cantigas, esparsas e vilancetes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A poesia nesta \u00e9poca \u00e9 complemento da galanteria em que o centro \u00e9 a mulher. Requisitos que devem responder os enamorados: n\u00e3o serem muito mo\u00e7os nem passarem dos 36 anos; descenderem de boa estirpe; serem virtuosos, discretos, de gentil condi\u00e7\u00e3o; possu\u00edrem suas divisas; serem graciosos em perguntas e respostas; serem bem falantes; motejarem ligeiramente; vestirem-se de acordo com o tempo, corpo e idade. (DIAS, 1998, p. 248). Note-se que esses requisitos t\u00eam por base os conselhos de Ov\u00eddio, Andr\u00e9 Capel\u00e3o e Petrarca, como dito acima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas um gal\u00e3 s\u00f3 o ser\u00e1 se for um perfeito amador, confessar ser servidor de uma dama, a qual poder\u00e1 ser sua inimiga e senhora (como canta Fern\u00e3o da Silveira na cantiga 56, I: Que de tal troca se siga \/ ser de todo meu bem fora, \/ pois me vejo em tanta briga \/ quero vos trocar d&#8217;amiga \/ por immiga e por senhora). A dama \u00e9 sua vida e sua morte, como era na <em>fin\u2019amors<\/em>. A perfei\u00e7\u00e3o, o poeta a alcan\u00e7ar\u00e1 se seu cora\u00e7\u00e3o for nobre e generoso, o que faz com que ele ame dentro dos princ\u00edpios do amor cortesanesco. A dama do s\u00e9culo XV continua sendo a <em>dame sans merci<\/em> cantada pelos proven\u00e7ais, pelos trovadores galego-portugueses e por Petrarca e que continuar\u00e1 a ser cantada por Cam\u00f5es, Cervantes, Garcilaso e outros (<em>Cf<\/em>. DIAS, 1998, p. 250). No <em>CGGR<\/em> quase todas as composi\u00e7\u00f5es de amor s\u00e3o inspiradas por damas do mesmo n\u00edvel social do poeta, diferente do amor trovadoresco e celebr\u00e1-las era o uso (IDEM, p. 252), como no excerto de Jo\u00e3o Barbato (I, 182): \u201cSe quiseres servir amores, \/ tu sabe tomar aqui \/ tua ventagem, \/ <em>esta dama que servires \/ nam valha menos que ti \/ por linhagem<\/em>.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema da partida (chegar e partir, tema medieval por excel\u00eancia) ressurge no <em>CGGR<\/em>; \u00e9 uma partida que separa dois seres que se amam ou que corta a sequ\u00eancia do servir. Partida \u00e9 fonte de desalento e de tristeza, refletidos nos olhos e no cora\u00e7\u00e3o de quem a experimenta. No comp\u00eandio de Resende, h\u00e1 composi\u00e7\u00f5es bem sentidas como a antol\u00f3gica cantiga de Jo\u00e3o Ruiz de Castel Branco (<em>CGGR, <\/em>396\/324\/II).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CANTIGA SUA, PARTINDO-SE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhora, partem tam tristes<br \/>\nmeus olhos por v\u00f3s, meu bem,<br \/>\nque nunca tam tristes vistes<br \/>\noutros nenh\u0169s por ninguem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tam tristes, tam saudosos,<br \/>\ntam doentes da partida,<br \/>\ntam cansados, tam chorosos,<br \/>\nda morte mais desejosos<br \/>\ncem mil vezes que da vida.<br \/>\nPartem tam tristes os tristes,<br \/>\ntam fora d&#8217;esperar bem<br \/>\nque nunca tam tristes vistes<br \/>\noutros nenh\u0169s por ninguem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro <em>leitmotiv<\/em> da l\u00edrica amorosa \u00e9 o morrer de amor, o viver-morrendo, tudo porque a dama \u00e9 cruel, altiva, desdenhosa. Os poetas da l\u00edngua d\u2019oc e da l\u00edngua d\u2019o\u00efl, os trovadores galego-portugueses, os do <em>Cancionero<\/em> de Baena e os poetas do <em>dolce stil nuovo<\/em> tamb\u00e9m refletem esse morrer-vivendo, assim como os autores do <em>CGGR<\/em>, prosseguindo esta tradi\u00e7\u00e3o de s\u00e9culos falando da sua morte, provocada pela alegria de haver contemplado a amada, ou pelo fato de n\u00e3o haverem gozado da sua presen\u00e7a. A doce inimiga se deleita com as penas de seu servidor, ent\u00e3o \u00e9 a morte que poder\u00e1 dar prazer ao amante, como no excerto dum poema de Jo\u00e3o de Meneses (<em>CGGR<\/em>, 10, I):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E pois vejo que em morrer<br \/>\nlevais groria nom pequena,<br \/>\nantes nam quero viver<br \/>\nque vive[r]des v\u00f3s em pena.<br \/>\nQuero triste sepultura,<br \/>\nquero fim sem mais tardan\u00e7a,<br \/>\npois nunca tive esperan\u00e7a<br \/>\nque nam fosse de trestura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na quase totalidade, os poetas celebram a mulher solteira que leva a composi\u00e7\u00f5es sat\u00edricas ou sentimentos lamentosos, quando privados da sua presen\u00e7a e terem de continuar a vassalagem amorosa. O amor verdadeiro n\u00e3o pode existir entre os esposos, seguindo as normas do tratado de Andr\u00e9 Capel\u00e3o, como dito supra. Mas aparece uma novidade: o amor conjugal \u00e9 exaltado e o marido tem por senhora aquela com quem se casou, numa identifica\u00e7\u00e3o perfeita de dois seres, que Cam\u00f5es definiu no soneto \u201cTransforma-se o amador na cousa amada\u201d. Essa identifica\u00e7\u00e3o perfeita aparece na cantiga de Nuno Pereira que escreve:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-95-\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (Nuno Pereira)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 -295\/ I<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">OUTRA SUA A ESTA SENHORA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos \u0169a cousa n\u00f3s,<br \/>\nem ambos \u0169a soo fim,<br \/>\neu nam sam em mim sem v\u00f3s,<br \/>\nnem v\u00f3s nam estais sem mim<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em ambos \u0169a soo vida<br \/>\na como cahir em soorte,<br \/>\nque nam pode ser partida<br \/>\nantre n\u00f3s vida nem morte.<br \/>\nTodo o ser que for de n\u00f3s<br \/>\nde qualquer cousa em fim,<br \/>\neu nam sam em mi sem v\u00f3s,<br \/>\nnem v\u00f3s nunca soo sem mim<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota-se, tamb\u00e9m, que a casu\u00edstica amorosa adquiriu, no fim da Idade M\u00e9dia, um tom mais melanc\u00f3lico, pr\u00f3prio da alma portuguesa, o que j\u00e1 se sentia nas antigas <em>cantigas de amor e de amigo<\/em>, e que se depurou pelas sutilezas e pelo requinte formal. A express\u00e3o amorosa apresenta-se, no <em>CGGR<\/em>, em formas po\u00e9ticas musicais, em compara\u00e7\u00e3o com seus vizinhos castelhanos, e essa musicalidade vem renovada do lirismo galego, reproduzindo um certo romantismo melanc\u00f3lico, parte do <em>ethos<\/em> portugu\u00eas. Isso est\u00e1, de certa forma, presente nos dominantes do Cancioneiro individual de Duarte de Brito, em que as express\u00f5es remetem a um amor que mata. \u00c0 forma inovadora, s\u00e3o acrescidos elementos de individualidade, sinceridade e espiritualidade, pois a l\u00edngua, agora, permite ao poeta expandir sua sentimentalidade, aliada ao exerc\u00edcio do <em>poietes<\/em>, por meio de muitos artif\u00edcios ret\u00f3ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em poemas dos fins da Idade M\u00e9dia portuguesa, nomeadamente alguns que aparecem no <em>Cancioneiro Geral <\/em>de Garcia de Resende, observa-se que, de um conceito de amor em que o poeta \u00e9 ainda submisso \u00e0 dama servida, surgem outros casos, um sentimento mais realista, j\u00e1 com germes das novidades que ser\u00e3o cantadas no Renascimento. Por exemplo, aqueles em que, abandonando o ideal da cortesia amorosa, da coita de amor especialmente, o poeta se confessa livre da crueldade da dama que deveria servir, como no vilancete 687 de Jorge de Resende, \u00edcone de toda a mudan\u00e7a que perpassou a po\u00e9tica \u00e0 \u00e9poca do <em>CGGR<\/em>, com germes das futuras est\u00e9ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VILANCETE, DESAVINDO-SE DE \u0168A MOLHER QUE SERVIA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00f3s me quisestes perder,<br \/>\neu, senhora, me guanhei,<br \/>\npos de voss me livre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu cumpri quanto abastasse<br \/>\ncomo quem vos muito amava,<br \/>\nv\u00f3s quisestes que cuidasse<br \/>\nquanto contra mim errava.<br \/>\nContudo nam me pesava,<br \/>\nmas agora qu\u2019acordei,<br \/>\nconhe\u00e7o que me salvei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>CANCIONEIRO Geral de Garcia de Resende.<\/em> Fixa\u00e7\u00e3o do texto e estudo por Aida Fernanda Dias. Maia: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1990-1993. Volumes I a IV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAPEL\u00c3O, Andr\u00e9. <em>Tratado do amor cort\u00eas.<\/em> Trad. Ivone Castilho Benedetti. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DIAS, Aida Fernanda. <em>Cancioneiro Geral de Garcia de Resende<\/em> \u2013 A Tem\u00e1tica. Maia: Imprensa Nacional \u2013 Casa da Moeda, 1998. Volume V.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MORELATO. Adrienne K\u00e1tia Savazoni. <em>A inven\u00e7\u00e3o do amor em Petrarca.<\/em> 2011. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.recantodasletras.com.br\/artigos-de-literatura\/3162590#:~:text=O%20ser%20%E2%80%93%20humano%20como%20centro,sentimentos%20mais%20profundos%20do%20ser\">https:\/\/www.recantodasletras.com.br\/artigos-de-literatura\/3162590#:~:text=O%20ser%20%E2%80%93%20humano%20como%20centro,sentimentos%20mais%20profundos%20do%20ser<\/a>. Acesso em 10 mar., 2023.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">OV\u00cdDIO. <em>A arte de amar<\/em>. Trad. D\u00fania Marinho da Silva. Porto Alegra: L&amp;PM Pocket, 2013.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Doutor em Letras pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Professor da Federal do Cear\u00e1 (UFC). <a href=\"mailto:geraldoaugust@uol.com.br\">geraldoaugust@uol.com.br<\/a> Lattes: <a href=\"https:\/\/lattes.cnpq.br\/3081836249489094\">https:\/\/lattes.cnpq.br\/3081836249489094<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 13 de junho de 2023.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> FERNANDES, Geraldo Augusto. A Perviv\u00eancia do Amor Cort\u00eas em Poemas de Fins da Idade M\u00e9dia Portuguesa. <strong>Blog do Poiema<\/strong>. Pelotas, 13 jun 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/a-pervivencia-do-amor-cortes-em-poemas-de-fins-da-idade-media-portuguesa\/ Acessado em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Augusto Fernandes[1] &nbsp; O amor cort\u00eas tem origem na Ars amatoria e nos Amores do poeta latino Ov\u00eddio (43 a.C.-17 d.C.). 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