{"id":5309,"date":"2023-05-30T12:00:37","date_gmt":"2023-05-30T15:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=5309"},"modified":"2023-11-08T12:50:31","modified_gmt":"2023-11-08T15:50:31","slug":"no-mercado-das-memorias-dos-mestres-dos-seculo-xi-e-xii","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/no-mercado-das-memorias-dos-mestres-dos-seculo-xi-e-xii\/","title":{"rendered":"Texto: No Mercado das Mem\u00f3rias dos Mestres dos S\u00e9culo XI e XII[1]"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Carlile Lanzieri J\u00fanior (UFMT \u2013 <em>Vivarium<\/em>)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Um para\u00edso do estudante: ensinar e debater na Paris medieval<\/em> \u00e9 um dos livros mais recentes de Olga Weijers (2015). Professora da Universidade de Paris, Weijers h\u00e1 d\u00e9cadas leciona e produz pesquisas voltadas para a vida intelectual na Idade M\u00e9dia, mais especificamente entre os s\u00e9culos XII e XIII. Como o t\u00edtulo sugere, o livro em quest\u00e3o \u00e9 um convite ao leitor que deseja conhecer detalhes do cotidiano da Universidade de Paris em seus prim\u00f3rdios. Dos rituais de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 divis\u00e3o b\u00e1sica dos curr\u00edculos a passar pela organiza\u00e7\u00e3o da vida administrativa, pelo trabalho docente e pelas etapas da forma\u00e7\u00e3o discente, Olga Weijers trouxe a p\u00fablico a hist\u00f3ria exemplar de uma das institui\u00e7\u00f5es que \u00e9 tratada pelos medievalistas como uma das maiores e mais not\u00e1veis cria\u00e7\u00f5es da Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em diversas l\u00ednguas, existe uma gama enorme de publica\u00e7\u00f5es cujo objetivo \u00e9 apresentar a hist\u00f3ria das universidades, das raz\u00f5es m\u00faltiplas para o seu surgimento e gradual estrutura\u00e7\u00e3o \u00e0 sua dissemina\u00e7\u00e3o por diferentes regi\u00f5es da Europa medieval. Mesmo os historiadores e demais pesquisadores que se debru\u00e7am sobre a hist\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o como um todo, d\u00e3o a elas um grande destaque a reafirmar a sua condi\u00e7\u00e3o de legado da Idade M\u00e9dia. Todavia, n\u00e3o raramente como uma esp\u00e9cie de antecipa\u00e7\u00e3o apressada da modernidade, a escrita dessa hist\u00f3ria costuma trazer em si muitas vezes o esquecimento ou o tratamento menos acurado daquilo que foi feito em s\u00e9culos anteriores em termos de forma\u00e7\u00e3o discente, forma\u00e7\u00e3o esta produzida em escolas ligadas a mosteiros e a catedrais urbanas, quando n\u00e3o eram aquelas que mantidas por mestres avulsos a oferecer em locais improvisados os seus conhecimentos a jovens estudantes em troca de algum de algum fomento material e prote\u00e7\u00e3o pessoal (RUBENSTEIN &amp; VAUGHN, 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, mais do que testemunhas de um momento de passagem ou de prepara\u00e7\u00e3o para a chegada de algo maior e mais vistoso, as hist\u00f3rias que temos em m\u00e3os est\u00e3o distantes daquelas que Olga Weijers disp\u00f4s em seu livro que at\u00e9 aqui nos serviu como contraponto did\u00e1tico-argumentativo. Se o s\u00e9culo XIII foi o per\u00edodo no qual a licen\u00e7a e as primeiras regras para ensinar em todos os lugares foram estabelecidas e aninhadas nas nascentes universidades, pouco mais de cem anos antes, as rela\u00e7\u00f5es eram outras, mais diretas e pessoais, portanto, mais fr\u00e1geis, tensas e inst\u00e1veis. Certamente, as condena\u00e7\u00f5es, por exemplo, de alguns mestres dos s\u00e9culos XI e XII por pr\u00e1tica de heresia est\u00e3o entre as \u201cdores de crescimento da teologia ocidental\u201d (STECKEL, 2020). Para an\u00e1lises um pouco mais justas, estas n\u00e3o podem ser dissociadas das urdiduras de seus ambientes f\u00edsicos, pol\u00edticos e sociais (BOSCH, 2021). Portanto, os atos de lembrar e escrever a respeito do que foi lembrado podem n\u00e3o ter sido conduzidos por raz\u00f5es apenas de aconselhamento \u00e9tico exemplar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, frisamos que este tamb\u00e9m era o tempo no qual mestres e disc\u00edpulos seguiam com suas atividades a estabelecer v\u00ednculos variados em escolas episcopais e mon\u00e1sticas e tamb\u00e9m em outras pequenas de exist\u00eancia \u00e0s vezes ef\u00eamera e mantidas por alguns abnegados cujo trabalho e a fama pessoal costumavam ser os \u00fanicos indicadores do sucesso dos locais nos quais ministravam suas aulas. N\u00e3o foram raros os casos em que a morte ou a partida de um renomado mestre para um outro lugar sem um devido sucessor significaram a decad\u00eancia de uma escola outrora famosa e por muita gente requisitada. Por fim, quando duradouros, esses v\u00ednculos poderiam ser o in\u00edcio de carreiras de sucesso; quando n\u00e3o, poderiam significar fracasso e ostracismo. Por isso, a import\u00e2ncia de rememora-los e compartilha-los a depender das circunst\u00e2ncias, obviamente (MEWS, 2020).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, \u00e9 importante chamar a aten\u00e7\u00e3o para um fato n\u00e3o menos relevante e comum ao per\u00edodo anterior ao supracitado advento das primeiras universidades e da respectiva institucionaliza\u00e7\u00e3o do ensino que elas ajudaram a construir: a transmiss\u00e3o da autoridade de um antigo mestre para um sucessor costumava ocorrer de forma gradual e n\u00e3o havia um momento ou um ritual para marcar quando e como essa transfer\u00eancia estava completa. Por conseguinte, a cria\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos pessoais e afetivos com um ou v\u00e1rios mestres e as boas rela\u00e7\u00f5es com os poderes locais eram importantes para a ascens\u00e3o de algu\u00e9m antes disc\u00edpulo a este posto ou algo correlato. E este poderia ou n\u00e3o obter sucesso em sua miss\u00e3o que costumava seguir ao sabor das referidas rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a por ele estabelecidas e por outras presentes nos diferentes contextos nos quais ele se inseria ou desejava se inserir. Essas rela\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m se mostraram assaz importantes para os mestres que conseguiram alcan\u00e7ar o <em>status<\/em> um dia desejado e que precisavam mant\u00ea-lo ao longo dos anos ou das d\u00e9cadas subsequentes (LONG, SNIJDERS &amp; VANDERPUTTEN, 2019).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m \u00e9 de suma import\u00e2ncia explicitar que as estruturas educacionais que existiram nos s\u00e9culos que antecederam o surgimento das universidades eram amplamente baseadas no estreito v\u00ednculo entre um mestre e seus estudantes. Uma rela\u00e7\u00e3o de bases hier\u00e1rquicas, mas, ao mesmo tempo, marcada pela reciprocidade. Embora houvesse uma fissura aqui ou uma outra ali fruto de algum desentendimento ou desgastes pontuais, algo normal se levarmos em considera\u00e7\u00e3o o grande n\u00famero de jovens envolvidos, o natural era que esses relacionamentos se tornassem perp\u00e9tuos. Mesmo quando o estudante de outrora era finalmente al\u00e7ado ao posto de mestre, o relacionamento anterior n\u00e3o era dissolvido, pelo menos n\u00e3o era esse o habitual. Em outros termos, o novo mestre ainda era disc\u00edpulo de seu velho mestre enquanto assumia a condi\u00e7\u00e3o de mestre dos pr\u00f3prios estudantes agrupados sob sua responsabilidade e assim por diante. Ademais, esses relacionamentos eram a estrutura subjacente de toda uma rede de rela\u00e7\u00f5es constitu\u00edda por linhas geneal\u00f3gicas que se cruzavam e se multiplicavam a ligar gera\u00e7\u00f5es e criar sistemas variados de filia\u00e7\u00f5es \u00e9ticas, religiosas e intelectuais que, em \u00faltima an\u00e1lise, transcendiam as fronteiras espaciais e temporais at\u00e9 ent\u00e3o existentes. E como as escolas n\u00e3o estavam limitadas ao conte\u00fado textual do que nelas era ensinado, \u00e9 fact\u00edvel supor que a vida escolar da \u00e9poca seguia em variadas dire\u00e7\u00f5es pela difus\u00e3o dos seus ensinamentos, por sua recep\u00e7\u00e3o por outros mestres e pelo uso da reputa\u00e7\u00e3o destes dentro da sociedade, sobretudo em seus extratos mais elevados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, em paralelo com a falta dos mencionados elementos institucionais, a dificuldade de se estabelecer o reconhecimento de ritos de passagem capazes de marcar a mudan\u00e7a da condi\u00e7\u00e3o intelectual de um estudante que conseguiu se tornar um mestre traz uma s\u00e9rie de problemas interpretativos para os que desejam estudar a educa\u00e7\u00e3o que existiu antes das universidades. No entanto, os problemas maiores talvez n\u00e3o estejam exatamente a\u00ed, mas na procura por semelhan\u00e7as em algo que dever\u00edamos tratar por meio de uma abordagem que se mostre capaz de enfatizar a alteridade. Sem d\u00favida, isso nos ajudaria a pensar com a devida contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e conceitual o qu\u00e3o foram diretas as rela\u00e7\u00f5es que ent\u00e3o eram constru\u00eddas e o quanto a trajet\u00f3ria de cada um e os conhecimentos e experi\u00eancias acumuladas no curso de v\u00e1rios anos e d\u00e9cadas poderiam pesar nesse processo de transi\u00e7\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o e o quanto tudo isso tamb\u00e9m teria a capacidade de interferir e moldar as mem\u00f3rias posteriormente criadas acerca de situa\u00e7\u00f5es rememoradas em textos que ganharam forma muitos anos depois nos quais essas se deram (LANZIERI J\u00daNIOR, 2014).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, acreditamos que, depois de serem longamente guardadas na mem\u00f3ria e transformadas em texto em algum momento e por algum motivo, essas \u201cheran\u00e7as negociadas\u201d foram significativas para a transmiss\u00e3o de v\u00e1rios tipos de legados de um mestre ao seu disc\u00edpulo (ou aos seus disc\u00edpulos). E uma vez transmitida \u00e0 sua descend\u00eancia intelectual, essa \u201cheran\u00e7a\u201d poderia implicar no estabelecimento de uma s\u00e9rie de conex\u00f5es ao longo do tempo. Por conseguinte, explorar como uma determinada heran\u00e7a foi empregada com o objetivo de constituir ideias de legitimidade, autoridade e afinidade \u00e9 de vital import\u00e2ncia. No caso dos personagens com os quais trabalhamos de maneira mais detida, todos eles mestres (novos ou n\u00e3o no exerc\u00edcio de seu of\u00edcio) e que de uma forma ou de outra estiveram ligados em algum momento de suas vidas \u00e0s escolas mon\u00e1sticas e das catedrais urbanas do s\u00e9culo XII, essas mem\u00f3rias podem ser basicamente agrupadas em pelo menos seis n\u00edveis complementares e n\u00e3o hier\u00e1rquicos, a saber: saberes letrados acumulados a respeito das sete artes liberais, t\u00e9cnicas de ensino, experi\u00eancias de vida marcantes, mestres dos quais um dia foram disc\u00edpulos, lugares por onde passaram em busca de conhecimentos e cr\u00edticas \u00e0 degeneresc\u00eancia dos locais nos quais estavam instalados (BRUUN &amp; GLASER, 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m dessas situa\u00e7\u00f5es exemplificadas, as mem\u00f3rias reavivadas tamb\u00e9m poderiam indicar tens\u00f5es e disputas existentes entre mestres e destes com alguns dos pr\u00f3prios disc\u00edpulos, disputas que em algumas ocasi\u00f5es derivaram para acusa\u00e7\u00f5es de heresia cuja confirma\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o revelaria muito acerca das condi\u00e7\u00f5es de um mestre e da efici\u00eancia ou n\u00e3o de suas redes de apoios pol\u00edticos e econ\u00f4micos que poderiam assegurar uma posi\u00e7\u00e3o de autoridade dentro do mercado acad\u00eamico por eles acessado (BOSCH, 2021, especialmente o cap\u00edtulo 5; MEWS, 2020, p. 15 e 28). E tamb\u00e9m atrav\u00e9s da qualidade de seus ensinamentos e do <em>status<\/em> concedido sobre eles por seus alunos e ex-alunos, os mestres poderiam adquirir uma reputa\u00e7\u00e3o que os investia com uma autoridade reconhecida al\u00e9m das escolas nas quais um dia atuaram. Com sorte e talento, alguns alcan\u00e7aram a condi\u00e7\u00e3o de conduzir bispos e papas com os seus conhecimentos, assim como pr\u00edncipes e autoridades urbanas seguiram a buscar suas opini\u00f5es e aconselhamentos (VERGER, 2020).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rios mestres que um dia tamb\u00e9m foram disc\u00edpulos constru\u00edram um imenso legado de ensinamentos e experi\u00eancias de vida que dividiram com os seus e com os p\u00f3steros em suas aulas, nos exemplos pessoais, nas exorta\u00e7\u00f5es, nos serm\u00f5es e nos escritos que deixaram. Em diversos casos, esse legado alcan\u00e7ou diferentes gera\u00e7\u00f5es de novos disc\u00edpulos a tornar-se um produto exposto a negocia\u00e7\u00f5es constantes. A partir destas, verdadeiras linhagens intelectuais foram constru\u00eddas. E com estas, aspectos do passado foram manipulados e distorcidos e eventos e nomes conscientemente apagados enquanto outros foram privilegiados pelas mais diversas inten\u00e7\u00f5es (BRUUN &amp; GLASER, 2008). Como resultado disso, buscar novos <em>insights<\/em> interpretativos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00e1ticas sociais que conduziam o ensino e a aprendizagem no medievo tornou-se sin\u00f4nimo de trazer \u00e0 cena as poss\u00edveis inten\u00e7\u00f5es de quem entrou nesses jogos e optou por jog\u00e1-los (M\u00dcNSTER-SWENDSEN, 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como uma express\u00e3o do uso das pr\u00f3prias mem\u00f3rias e ressignifica\u00e7\u00f5es destas como um capital, podemos tamb\u00e9m pensar na exist\u00eancia de uma \u201clinguagem de mem\u00f3ria\u201d compartilhada por diferentes autores (no caso, mestres e disc\u00edpulos) a criar n\u00e3o apenas textos, mas contextos (POCOCKI, 2003). Como explicitamos, estes ganharam forma em uma \u00e9poca na qual a teologia e o trabalho dos mestres estavam a assumir fei\u00e7\u00f5es novas e careciam de orienta\u00e7\u00f5es minimamente institucionais. Vistas em conjunto, as fontes dispon\u00edveis indicam a exist\u00eancia dessa linguagem constru\u00edda nas rela\u00e7\u00f5es cotidianas de mestres e alunos e destes com os ambientes nos quais precisaram se inserir e se estabelecer. E as mem\u00f3rias compartilhadas e instrumentalizadas em muito do que foi por eles escrito constitu\u00edam um elemento aglutinador que conectava presente e passado a extrair deste os conhecimentos e a autoridade que sustentavam o primeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, diferente de um suposto nascimento do indiv\u00edduo e da individualidade como uma das marcas do renascimento do s\u00e9culo XII, acreditamos que muitas das refer\u00eancias com tra\u00e7os autobiogr\u00e1ficos deixadas por esses personagens, quando tomadas sem a necessidade de antecipa\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, atenderam a demandas espec\u00edficas de contextos espec\u00edficos nos quais as disputas entre diferentes mestres e seus muitos disc\u00edpulos que tamb\u00e9m se tornariam mestres a lutar por um lugar ao sol ou neste se manter impuseram maneiras muito peculiares de enxergar e dissertar acerca da pr\u00f3pria trajet\u00f3ria e dos saberes e experi\u00eancias acumuladas no decorrer desta. Embora n\u00e3o possamos negar a exist\u00eancia de uma nova percep\u00e7\u00e3o de si no per\u00edodo com o qual trabalhamos, o foco de ent\u00e3o parece ter sido outro, n\u00e3o o nosso (JAEGER, 2003; WEI, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De forma complementar, \u00e9 sempre importante pensar em que (ou em quais) momento(s) essas mem\u00f3rias foram reavivadas e sob quais interesses. Normalmente, isso se deu quando seus portadores se encontravam diante de novas pessoas, situa\u00e7\u00f5es e oportunidades, entre estas, a chagada em um novo ambiente de corte, a confirma\u00e7\u00e3o de uma elei\u00e7\u00e3o abacial, o in\u00edcio de uma tutoria. Assim, diante de novos contatos, tensos ou n\u00e3o, e diante de novos ambientes, tensos ou n\u00e3o, os antecedentes poderiam funcionar como uma valiosa carta de apresenta\u00e7\u00e3o (ou mesmo de pertencimento). Em di\u00e1logo com a recente tese de Rafael Bosch (2021), o valor desse capital era inst\u00e1vel e dependia do talento e do carisma particular de seus portadores, mas tamb\u00e9m da acomoda\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o das placas formadas pelas for\u00e7as pol\u00edticas e sociais vigentes. Mas o simples fato de essas mem\u00f3rias terem sido um dia sacadas e compartilhada significa que elas possu\u00edam um alto valor intr\u00ednseco que n\u00e3o poderia ser desprezado. E n\u00e3o foi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOSCH, Rafael. Hereges dial\u00e9ticos: um estudo sobre a escol\u00e1stica nos s\u00e9culos XI e XII. (Tese de Doutorado). Universidade Estadual de Campinas \u2013 Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas e Filosofia, 455 fls, 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRUUN, Mette B. &amp; GLASER, Stephanie (eds.). <em>Negotiating heritage<\/em>: memories of the Middle Ages. Turnhout: Brepols, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JAEGER, Stephen C. Pessimism in the twelfth-century \u201crenaissance\u201d. <em>Speculum<\/em>, volume 78, n. 4, p. 1151-1183, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LANZIERI J\u00daNIOR, Carlile. \u201cNo tesouro seguro de nossa mem\u00f3ria\u201d: a mem\u00f3ria na concep\u00e7\u00e3o de tr\u00eas personagens do s\u00e9culo XII. In:\u00a0 ALMEIDA, Rodrigo Davi &amp; LANZIERI J\u00daNIOR, Carlile (orgs.). <em>Intelectuais<\/em>: conceito e hist\u00f3ria. Curitiba: CRV, 2014, p. 15-35.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LONG, Micol, SNIJDERS, Tjamke &amp; VANDERPUTTEN, Steven (eds.). <em>Horizontal learning in the high Middle Ages<\/em>: peer-to-peer knowledge transfer in religious communities. Amsterdam: Amsterdam University Press, 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MEWS, Constant J. The schools and intellectual renewal in the twelfth century: a cocial approach. In: GIRAUD, C\u00e9dric (ed.). <em>A companion to twelfth-century schools<\/em>. Boston\/Leiden: Brill, 2020, p. 10-29.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00dcNSTER-SWENDSEN, Mia. Medieval \u201cvirtuosity\u201d: classroom practice and the transfer of the charismatic power in medieval scholarly culture c. 1000-1230. In: BRUUN, Mette B. &amp; GLASER, Stephanie (eds.). <em>Negotiating heritage<\/em>: memories of the Middle Ages. Turnhout: Brepols, 2008, p. 43-63.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">POCOCK, John C. A. <em>Linguagens do ide\u00e1rio pol\u00edtico<\/em>. S\u00e3o Paulo: Edusp, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RUBENSTEIN, Jay &amp; VAUGHN, Sally N. (eds.). <em>Teaching and learning in northern Europe<\/em>: 1000-1200. Turnhout: Brepols, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">STECKEL, Sita. Submission to the authority of the masters: transformations of a symbolic practice during the long twelfth century. In: GIRAUD, C\u00e9dric (ed.). <em>A companion to twelfth-century schools<\/em>. Boston\/Leiden: Brill, 2020, p. 69-94.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VERGER, Jacques. The World of Cloisters and Schools. GIRAUD, C\u00e9dric (ed.). <em>A companion to twelfth-century schools<\/em>. Boston\/Leiden: Brill, 2020, p. 49-68.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WEI, Ian. From twelfth-century schools to thirteenth-century universities: the disappearance of biographical and autobiographical representations of scholars. <em>Speculum<\/em>, volume 86, p. 42-78, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WEIJERS, Olga. <em>A scholar\u2019s paradise<\/em>: teaching and debating in medieval Paris. Turnholt: Brepols, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0&#8212;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Este texto \u00e9 uma s\u00edntese do cap\u00edtulo II de meu livro mais recente: LANZIERI J\u00daNIOR, Carlile. <em>O renascimento do s\u00e9culo XII<\/em>: a longa e sinuosa trajet\u00f3ria de um conceito e suas novas possibilidades de abordagem. Serra: Milfontes, 2023.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 30 de maio de 2023.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> LANZIERI J\u00daNIOR, Carlile. No Mercado das Mem\u00f3rias dos Mestres dos S\u00e9culos XI e XII. <strong>Blog do Poiema.\u00a0<\/strong>Pelotas, 30 mai 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/no-mercado-das-memorias-dos-mestres-dos-seculo-xi-e-xii\/ Acessado em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlile Lanzieri J\u00fanior (UFMT \u2013 Vivarium) &nbsp; Um para\u00edso do estudante: ensinar e debater na Paris medieval \u00e9 um dos livros mais recentes de Olga Weijers (2015). Professora da Universidade de Paris, Weijers h\u00e1 d\u00e9cadas leciona e produz pesquisas voltadas para a vida intelectual na Idade M\u00e9dia, mais especificamente entre os s\u00e9culos XII e XIII. &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/no-mercado-das-memorias-dos-mestres-dos-seculo-xi-e-xii\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1170,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"template-onecolumn.php","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-5309","page","type-page","status-publish","hentry","nodate","item-wrap"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Texto: No Mercado das Mem\u00f3rias dos Mestres dos S\u00e9culo XI e XII[1] - POIEMA<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/no-mercado-das-memorias-dos-mestres-dos-seculo-xi-e-xii\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Texto: No Mercado das Mem\u00f3rias dos Mestres dos S\u00e9culo XI e XII[1] - POIEMA\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Carlile Lanzieri J\u00fanior (UFMT \u2013 Vivarium) &nbsp; Um para\u00edso do estudante: ensinar e debater na Paris medieval \u00e9 um dos livros mais recentes de Olga Weijers (2015). 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