{"id":5122,"date":"2023-04-18T11:40:16","date_gmt":"2023-04-18T14:40:16","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=5122"},"modified":"2023-05-10T19:42:48","modified_gmt":"2023-05-10T22:42:48","slug":"texto-translatio-beowulfii-traduzindo-monstros-e-herois-em-nossa-contemporaneidade","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-translatio-beowulfii-traduzindo-monstros-e-herois-em-nossa-contemporaneidade\/","title":{"rendered":"Texto: Translatio Beowulfii: Traduzindo monstros e her\u00f3is em nossa contemporaneidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Elton Medeiros (UFPR)<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong><sup>[1]<\/sup><\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde sua descoberta, <em>Beowulf<\/em> tem atra\u00eddo a aten\u00e7\u00e3o de diversos pesquisadores e tradutores. A hist\u00f3ria dessas tradu\u00e7\u00f5es para o ingl\u00eas moderno e para outros idiomas reflete n\u00e3o apenas o desenvolvimento dos estudos lingu\u00edsticos e hist\u00f3ricos em torno da obra, mas tamb\u00e9m as mudan\u00e7as de atitude dos pesquisadores ao encararem o poema, o que se evidencia pela terminologia empregada e pelo estilo das tradu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As primeiras tradu\u00e7\u00f5es de <em>Beowulf<\/em> foram realizadas por Humfrey Wanley em 1705 (que traduziu n\u00e3o mais do que alguns versos), na Inglaterra, e por Gr\u00edmur J\u00f3nsson Thorkelin em 1815, na Dinamarca. Thorkelin foi o primeiro a traduzir todo o poema para outro idioma: o latim. Apesar de seu pioneirismo nas tradu\u00e7\u00f5es do poema, o resultado foi extremamente insatisfat\u00f3rio. Thorkelin n\u00e3o tinha grandes conhecimentos do ingl\u00eas antigo e n\u00e3o compreendeu a narrativa da obra claramente, o que o levou a considera\u00e7\u00f5es err\u00f4neas de tradu\u00e7\u00e3o sobre a trama do poema. Sua tradu\u00e7\u00e3o traz a seguinte narrativa: os jutos e os fr\u00edsios, unidos sob a lideran\u00e7a de Grendel, decidem investir contra os scyldingas do rei Hrothgar. Beowulf vai at\u00e9 a corte de Hrothgar para ajud\u00e1-lo e enfrenta Grendel por tr\u00eas vezes, ferindo-o na segunda vez e matando-o na terceira (quando s\u00e3o relatadas as hist\u00f3rias de Sigemund e Heremod). Mas Grendel retorna \u00e0 vida e ataca novamente, sendo auxiliado por sua m\u00e3e numa batalha naval, quando Beowulf o derrota mais uma vez. Beowulf, ent\u00e3o, volta para a sua terra natal cheio de tesouros, torna-se rei por cinquenta anos e, em sua velhice, enfrenta e derrota o drag\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s Thorkelin, a segunda tradu\u00e7\u00e3o de maior import\u00e2ncia foi realizada por N. F. S. Grundtvig em 1820, tamb\u00e9m na Dinamarca, sob o t\u00edtulo <em>Bjovulfs Drape: Et Gothisk Helte-Digt fra forrige Aartusinde af Angelsaxisk paa Danske Rim<\/em>;<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> mais tarde, em 1841, ele alterou o t\u00edtulo para <em>Bjovulfs Drape eller det Oldnordiske Heltedigt<\/em>,<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> reafirmando assim suas convic\u00e7\u00f5es sobre as supostas \u201cverdadeiras origens\u201d do poema. Apesar de reconhecer as falhas da edi\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o de Thorkelin, Grundtvig era um admirador dela. Ainda assim, decidiu realizar sua pr\u00f3pria tradu\u00e7\u00e3o. Para que pudesse ter um maior entendimento e precis\u00e3o sobre o conte\u00fado do poema, ele estudou ingl\u00eas antigo e, supostamente, memorizou o texto inteiro. Isso teria lhe dado uma vis\u00e3o muito mais completa da narrativa, do contexto do poema e dos elementos que teriam faltado no trabalho de Thorkelin. Por estar familiarizado com a antiguidade, com a hist\u00f3ria dinamarquesa e o folclore germ\u00e2nico, Grundtvig foi capaz de corrigir v\u00e1rios equ\u00edvocos de Thorkelin. Ele identificou diversos nomes pr\u00f3prios que Thorkelin n\u00e3o tinha identificado. Mesmo sem ter contato com o manuscrito, p\u00f4de deduzir trechos perdidos do poema e identificar a figura do rei Hygelac com a do hist\u00f3rico Chochilaicus, que teria atacado a regi\u00e3o da Fr\u00edsia no come\u00e7o do s\u00e9culo VI, ligando-o, assim, \u00e0 narrativa de <em>Beowulf<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de ser, em v\u00e1rios aspectos, superior \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o de Thorkelin, o trabalho de Grundtvig n\u00e3o agradou aos pesquisadores da \u00e9poca. Naquele momento, os interessados em <em>Beowulf<\/em> desejavam ter um contato literal, direto, com o conte\u00fado do poema, diferentemente do que aquela nova tradu\u00e7\u00e3o lhes oferecia. Grundtvig traduziu o poema para o dinamarqu\u00eas (a primeira tradu\u00e7\u00e3o de <em>Beowulf<\/em> para um idioma moderno) e classificou o poema como uma hist\u00f3ria a ser oferecida aos jovens, como um exemplo do passado de seu pa\u00eds. Considerava <em>Beowulf<\/em> uma obra com grande e belo potencial art\u00edstico, mas mal executada como um todo. Segundo ele, comparado \u00e0s obras de Homero, este seria um poema heroico simpl\u00f3rio, at\u00e9 mesmo infantil. Desta forma, alguns estudiosos veem a edi\u00e7\u00e3o de Grundtvig mais como uma par\u00e1frase do que como uma tradu\u00e7\u00e3o, uma vez que ela seria uma tentativa de retificar as supostas falhas e imperfei\u00e7\u00f5es do poema original (segundo seu ponto de vista neocl\u00e1ssico), adaptando-o a uma forma mais adequada a sua \u00e9poca e a seus prop\u00f3sitos pessoais nacionalistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1820, al\u00e9m da de Grundtvig, outra tradu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estava sendo elaborada, mas n\u00e3o na Dinamarca. Tratava-se da tradu\u00e7\u00e3o de Sharon Turner para o ingl\u00eas moderno. Embora tivesse realizado a tradu\u00e7\u00e3o de alguns trechos do poema em 1805, Turner n\u00e3o compreendia o poema suficientemente. Para sua obra de 1820, os erros e a falta de precis\u00e3o sobre a narrativa continuaram. Um de seus erros mais not\u00f3rios foi ter interpretado o combate de Beowulf contra Grendel como sendo Hrothgar cometendo um assassinato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Independentemente das tradu\u00e7\u00f5es de Grundtvig e Turner, no mesmo ano de 1820 um terceiro trabalho era conclu\u00eddo, que, no entanto, s\u00f3 seria publicado em 1826. Tratava-se da tradu\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m para o ingl\u00eas, de John Josias Conybeare, que j\u00e1 em 1814 havia publicado uma tradu\u00e7\u00e3o da <em>Batalha de Finnsburh<\/em> em latim (com uma par\u00e1frase em ingl\u00eas). Ele manteve alguns dos erros de Thorkelin e produziu uma tradu\u00e7\u00e3o carregada de um linguajar po\u00e9tico semelhante ao <em>Para\u00edso perdido<\/em> de Milton. Ao contr\u00e1rio de Grundtvig, que via o poema simplesmente como uma bela obra art\u00edstica, Conybeare encarava-o como um documento hist\u00f3rico que retratava a antiguidade dos povos germ\u00e2nicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vis\u00e3o de <em>Beowulf<\/em> como mera obra art\u00edstica primitiva ou como documento hist\u00f3rico da antiguidade do norte europeu s\u00f3 come\u00e7aria a mudar a partir de Mitchell Bruce Kemble, que, em 1833, publicou uma edi\u00e7\u00e3o do poema, revisada e atualizada em 1835, seguida, em 1837, de uma tradu\u00e7\u00e3o em prosa. Sem qualquer outra pretens\u00e3o al\u00e9m de tornar o poema mais acess\u00edvel ao p\u00fablico em geral, Kemble traduziu o poema em prosa para o ingl\u00eas, de forma t\u00e3o literal quanto lhe foi poss\u00edvel, mas mantendo-o compreens\u00edvel; acrescentou um gloss\u00e1rio que fosse \u00fatil como elo com o original, uma forma de os leitores poderem interpretar o poema por si mesmos. A tradu\u00e7\u00e3o de Kemble fez o interesse por <em>Beowulf<\/em> crescer, possibilitou melhores condi\u00e7\u00f5es para trabalhar com o poema e tornou-o acess\u00edvel \u00e0queles que n\u00e3o eram especialistas na obra e n\u00e3o conheciam o ingl\u00eas antigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde Thorkelin, <em>Beowulf<\/em> foi chamado de \u201c\u00e9pico\u201d e comparado a obras da antiguidade cl\u00e1ssica, como a <em>Odisseia<\/em> e a <em>Eneida<\/em>. Ap\u00f3s a tradu\u00e7\u00e3o de Kemble, surgiu a tend\u00eancia de ver <em>Beowulf<\/em> como um \u00e9pico desvinculado da tradi\u00e7\u00e3o mediterr\u00e2nea e at\u00e9 mesmo da crist\u00e3. Um \u00e9pico da cultura germ\u00e2nica. Para tanto, em 1839 e 1840, surgem as duas primeiras tradu\u00e7\u00f5es de <em>Beowulf<\/em> para um idioma moderno que n\u00e3o o ingl\u00eas ou uma l\u00edngua escandinava: o alem\u00e3o. Em 1839, Heinrich Leo afirmava que o texto era na verdade alem\u00e3o, como se pode ver no t\u00edtulo de sua tradu\u00e7\u00e3o: B\u00eb\u00f3wulf, dasz \u00e4lteste Deutsche, in angels\u00e4chsicher Mundart erhaltene, Heldengedicht. Por\u00e9m, foi a tradu\u00e7\u00e3o de Ludwig Ettm\u00fcller, de 1840 \u2014 Beowulf: Heldengedicht des achten Jahrhunderts \u2014, que se revelou a de maior relev\u00e2ncia desde a de Kemble, na qual ele se baseou. Para sua edi\u00e7\u00e3o do poema, Ettm\u00fcller tentou separar as supostas camadas do poema. Uma camada mais antiga (\u201coriginal\u201d) e uma mais tardia (\u201ccrist\u00e3\u201d). Em 1875, ele publicou uma nova edi\u00e7\u00e3o, onde s\u00e3o omitidas as passagens que ele acreditava serem interpola\u00e7\u00f5es de um autor crist\u00e3o. Ettm\u00fcller buscava o \u201ctexto original\u201d, e para isso ele ofereceu a tradu\u00e7\u00e3o mais fiel poss\u00edvel, com versos que tentavam imitar a m\u00e9trica aliterativa original. Sua tradu\u00e7\u00e3o costuma ser criticada por utilizar palavras estranhas, muitas vezes as pr\u00f3prias palavras originais em ingl\u00eas antigo (seguidas de notas explicativas). Apesar disso, Ettm\u00fcller foi um dos primeiros a elaborar a hip\u00f3tese de m\u00faltiplos autores da obra, e trazer o poema para a esfera dos pesquisadores alem\u00e3es, respons\u00e1veis por uma parte consider\u00e1vel dos estudos sobre <em>Beowulf<\/em> at\u00e9 o final daquele s\u00e9culo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de Ettm\u00fcller, em 1855, Benjamin Thorpe realizou uma nova tradu\u00e7\u00e3o para o ingl\u00eas, mas cheia de erros e sem grande impacto entre os pesquisadores do poema. Em 1857, C. W. M. Grein traduziu os versos de <em>Beowulf<\/em> linha por linha, realizando assim a primeira tradu\u00e7\u00e3o do poema para o alem\u00e3o diretamente do ingl\u00eas antigo. Sua tradu\u00e7\u00e3o foi publicada novamente em 1863 e mais uma vez em 1883, revisada por Richard Paul W\u00fclker. Alguns anos depois, em 1859, Karl Simrock (que j\u00e1 havia traduzido a <em>Nibelungenlied<\/em>) produziu a terceira tradu\u00e7\u00e3o de <em>Beowulf<\/em> em alem\u00e3o. E, em 1863 (com reedi\u00e7\u00e3o em 1898), Moritz Heyne realizou a quarta vers\u00e3o do poema, em versos livres. Assim, a partir do final do s\u00e9culo XIX, surgiu uma tradi\u00e7\u00e3o de tradu\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis de <em>Beowulf<\/em> em alem\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se os alem\u00e3es se voltavam cada vez mais para o poema em novas tradu\u00e7\u00f5es, na Inglaterra as coisas n\u00e3o eram muito diferentes. Em 1857, John Earle publicou uma vers\u00e3o de <em>Beowulf<\/em> intitulada <em>A Primitive Old Epic<\/em>, na revista <em>Household Words<\/em>, de Charles Dickens. Seria apenas em 1892 que publicaria oficialmente sua tradu\u00e7\u00e3o, utilizando um linguajar arcaico, na tentativa de dar um aspecto heroico ao poema. Mas foi a tradu\u00e7\u00e3o de William Morris e A. J. Wyatt que mais se utilizou de um linguajar formal e arcaico para o poema. Wyatt era o acad\u00eamico, e Morris, o poeta (conhecido por ter traduzido obras como a <em>Eneida<\/em> e a <em>Nibenlugenlied<\/em>). Wyatt havia feito uma vers\u00e3o em prosa do poema, e em 1895 William Morris realizou sua tradu\u00e7\u00e3o em versos, com base nela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m daquelas para o ingl\u00eas moderno e para o alem\u00e3o, novas tradu\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a surgir no final do s\u00e9culo XIX para outros idiomas. Em franc\u00eas, no ano de 1877, L. Botkine realizou a tradu\u00e7\u00e3o parcial de <em>Beowulf<\/em>. Hubert Pierquin, em 1912, fez uma tradu\u00e7\u00e3o completa em prosa e publicou-a lado a lado com o texto original; em 1991, Andr\u00e9 Cr\u00e9pin publicou uma edi\u00e7\u00e3o em verso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na It\u00e1lia, Giuseppe Pecchio publicou uma vers\u00e3o parcial do poema em 1833, seguindo a tradu\u00e7\u00e3o de Sharon Turner de 1820. Mas foi apenas em 1882 que uma tradu\u00e7\u00e3o completa e mais precisa foi publicada por Giuseppe Schumann. Esta edi\u00e7\u00e3o foi logo seguida pela de Giusto Grion, em 1883. Entretanto, foi apenas em 1934, com a tradu\u00e7\u00e3o literal em prosa de Federico Olivero, que <em>Beowulf<\/em> se tornou mais popular entre o p\u00fablico italiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira tradu\u00e7\u00e3o do poema para o sueco foi realizada em 1889, por Rudolf Wickberg, em versos, evitando imitar a alitera\u00e7\u00e3o do texto original e visando \u00e0 composi\u00e7\u00e3o de uma vers\u00e3o de f\u00e1cil leitura e moderna. Em 1954, Bj\u00f6rn Collinder publicou uma nova tradu\u00e7\u00e3o de maior qualidade; em 1958, o arque\u00f3logo Sune Lindqvist excluiu, em sua vers\u00e3o, todas as passagens que considerava de car\u00e1ter crist\u00e3o, e publicou o restante na forma de uma cr\u00f4nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Holanda, a primeira tradu\u00e7\u00e3o de <em>Beowulf<\/em> \u00e9 de 1896, feita por L. Simons; uma segunda viria em 1930, e uma terceira em 1977 por Jan Jonk. Na Noruega, a primeira tradu\u00e7\u00e3o foi em 1921, por Henrik Rytter. Na Finl\u00e2ndia em 1927, por R. Dillstr\u00f6m. A primeira tradu\u00e7\u00e3o no Jap\u00e3o foi feita por Fumio Kuriyagawa, em prosa, em 1931. Na R\u00fassia, a primeira tradu\u00e7\u00e3o foi realizada por Boris Iarkho, em 1934, e uma segunda, mais completa, em 1975, por V. Tikhomirova. Na Bulg\u00e1ria, os primeiros trechos de <em>Beowulf<\/em> foram traduzidos em 1937, por R. Rusev. Em 1966, Anna Przedpelska-Trzeciakowska realizou na Pol\u00f4nia uma vers\u00e3o para crian\u00e7as, baseada na tradu\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas de Rosemary Sutcliff, de 1961. Em 1964, Y. Magdi Wahba traduziu, no Egito, o poema para o \u00e1rabe. A primeira tradu\u00e7\u00e3o para o island\u00eas \u00e9 de 1983, por Halld\u00f3ra B. Bj\u00f6rnsson, e na Hungria a primeira tradu\u00e7\u00e3o s\u00f3 surgiria em 1994, por Szeg\u0151 Gy\u00f6rgy.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Espanha, uma tradu\u00e7\u00e3o voltada para crian\u00e7as foi publicada em 1934, por Manuel Vallv\u00e9. Mas a primeira tradu\u00e7\u00e3o direta de passagens do poema foi feita por Maria Manent em 1947; j\u00e1 a primeira tradu\u00e7\u00e3o completa, em prosa, foi realizada em 1959 (republicada em 1962), por Orestes Vera P\u00e9rez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em l\u00edngua portuguesa, a primeira vers\u00e3o da narrativa de <em>Beowulf<\/em> apareceu no Brasil em 1955, numa revista em quadrinhos. Essa vers\u00e3o foi originalmente escrita em italiano, por Enrico Basari, para uma revista em quadrinhos, em 1941, e em 1955 a hist\u00f3ria surgiu, traduzida anonimamente para o portugu\u00eas, sob o t\u00edtulo <em>O monstro de Caim<\/em>. Dentre todas as vers\u00f5es j\u00e1 produzidas com base no poema (livros, filmes, quadrinhos etc.) est\u00e1 \u00e9 a mais \u201ccriativa\u201d de todas.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de esta ter sido a primeira vez em que a hist\u00f3ria de <em>Beowulf<\/em> apareceu em l\u00edngua portuguesa, foi s\u00f3 em 1992 que surgiu, no Brasil, sua primeira tradu\u00e7\u00e3o de fato, realizada por Ary Gonz\u00e1les Galv\u00e3o. Esta tem o m\u00e9rito de ser a primeira tradu\u00e7\u00e3o completa do poema para o portugu\u00eas; entretanto, apresenta problemas. Galv\u00e3o optou por uma tradu\u00e7\u00e3o em versos livres, tentando por vezes imitar a alitera\u00e7\u00e3o do poema original (nem sempre com sucesso) e lembrando em certa medida as primeiras tradu\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XIX. Al\u00e9m disso, por vezes ele utiliza termos anacr\u00f4nicos que n\u00e3o condizem em nada com o contexto e com o cen\u00e1rio do poema, lembrando muito mais as gestas de cavalaria do s\u00e9culo XII-XIII do que o mundo norte-europeu dos s\u00e9culos VI-X. Entretanto, o maior problema da obra de Galv\u00e3o se refere aos versos do poema. Enquanto o texto original do <em>manuscrito de Beowulf<\/em> possui 3182 versos, a tradu\u00e7\u00e3o de Galv\u00e3o termina com 3129 versos, sem maiores explica\u00e7\u00f5es sobre os 53 versos faltantes, fato que, numa leitura mais atenta, pode ser explicado pela omiss\u00e3o de partes da narrativa original ao longo da tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda tradu\u00e7\u00e3o de <em>Beowulf<\/em> em l\u00edngua portuguesa \u2014 e a primeira integral \u2014 ocorreu em 2007, realizada dessa vez por Erick Ramalho.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> A obra de Erick Ramalho \u00e9 inegavelmente superior \u00e0 de Galv\u00e3o. Contudo, \u00e9 necess\u00e1rio ressaltar que o autor claramente optou por priorizar, na tradu\u00e7\u00e3o, os aspectos est\u00e9ticos do poema, em detrimento de seus aspectos sem\u00e2nticos, fato que fica claro logo na introdu\u00e7\u00e3o, que revela sua inten\u00e7\u00e3o de dar ao texto em l\u00edngua portuguesa um ar altivo, ao verter o poema anglo-sax\u00f4nico para versos decass\u00edlabos, e valendo-se de um linguajar que lembra muito o estilo l\u00edrico de Cam\u00f5es em <em>Os Lus\u00edadas<\/em>, ou ainda as obras shakespearianas. O resultado, ainda que interessante, \u00e9 bastante peculiar e anacr\u00f4nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2014, tivemos a publica\u00e7\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o realizada por J. R. R. Tolkien, que at\u00e9 ent\u00e3o encontrava-se in\u00e9dita.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> Tradu\u00e7\u00e3o pol\u00eamica e que dividiu opini\u00f5es. Para o p\u00fablico em geral, sem sombra de d\u00favida, a publica\u00e7\u00e3o desse novo volume do autor de <em>O senhor dos an\u00e9is<\/em> \u00e9 muito mais do que bem-vinda, por ser mais uma joia para o acervo da <em>memorabilia<\/em> tolkieniana. Para os estudiosos da biografia do autor, o <em>Beowulf<\/em> de Tolkien \u2014 assim como outros de seus trabalhos \u2014 \u00e9 extremamente importante para a compreens\u00e3o de seu processo criativo e da forma pela qual as obras do passado norte-europeu serviram como fonte de inspira\u00e7\u00e3o para o nascimento de suas obras de fic\u00e7\u00e3o. Sendo assim, essa nova publica\u00e7\u00e3o torna-se mais uma pe\u00e7a do mosaico que comp\u00f5e a vida e a obra de seu autor, e, por meio desse enfoque, n\u00e3o apenas esse texto, como outros que fazem parte do <em>corpus<\/em> de Tolkien e que ainda permanecem in\u00e9ditos, n\u00e3o apenas seriam muito bem recebidos, como deveriam ser publicados o quanto antes. Contudo, para o p\u00fablico acad\u00eamico voltado aos estudos medievais, o livro realmente tem muito pouco a oferecer. Em primeiro lugar, Tolkien concluiu sua tradu\u00e7\u00e3o de <em>Beowulf<\/em> em 1926,<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> e apenas quase noventa anos depois ela foi publicada. Al\u00e9m disso, apesar de a tradu\u00e7\u00e3o ter sido conclu\u00edda, ela nunca foi revisada por Tolkien. E, ao que tudo indica, nunca foi inten\u00e7\u00e3o do autor public\u00e1-la. Uma das raz\u00f5es seria o perfeccionismo do autor e sua incapacidade de encontrar uma vers\u00e3o definitiva do texto que lhe agradasse, como ele explica em uma carta ao colega Kenneth Sisam, datada do mesmo ano: \u201cEu tenho <em>Beowulf<\/em> totalmente traduzido, mas dificilmente est\u00e1 de meu agrado. Eu lhe enviarei uma \u2018amostra\u2019 para sua livre aprecia\u00e7\u00e3o \u2014 apesar de gostos divergirem e, de fato, ser dif\u00edcil agradar a mente de algu\u00e9m&#8230;\u201d (TOLKIEN, 2014, p. 2). Isso poderia explicar muitas das \u201cimprecis\u00f5es\u201d e o estilo antiquado, at\u00e9 mesmo pedante, que algumas vezes se encontra no texto, muito pr\u00f3ximo do estilo das tradu\u00e7\u00f5es do final do s\u00e9culo XIX. E \u00e9 este o grande e principal problema a respeito do <em>Beowulf<\/em> de Tolkien: trata-se de uma tradu\u00e7\u00e3o de certa forma inconclusa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos quiseram traduzir <em>Beowulf<\/em> num estilo que acreditavam ser reconhecido como \u201cheroico\u201d. Outros tentaram reproduzir a alitera\u00e7\u00e3o e a est\u00e9tica da poesia do texto. J\u00e1 outros evitaram qualquer tipo de imita\u00e7\u00e3o do estilo original da obra e tentaram recriar o poema num idioma moderno, enquanto outros ignoraram completamente o estilo po\u00e9tico e decidiram reconstruir o poema em prosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, mais importante do que tudo isso \u00e9 o fato de que, em todas as tradu\u00e7\u00f5es, sempre estar\u00e1 presente o conflito entre um antigo poema num idioma germ\u00e2nico arcaico, que representa um universo e uma sociedade que remontam a um tempo m\u00edtico, e um p\u00fablico moderno. Ao traduzir um texto como <em>Beowulf<\/em>, \u00e9 uma tarefa quase imposs\u00edvel impedir que o mundo e a \u00e9poca que nos cercam influenciem na tradu\u00e7\u00e3o, assim como, em contrapartida, tamb\u00e9m \u00e9 quase imposs\u00edvel n\u00e3o ser influenciado pelo poema. Desta forma, a tarefa de traduzir uma obra como <em>Beowulf<\/em> poderia ser muito bem resumida atrav\u00e9s das palavras de Friedrich Nietzsche ao dizer que \u201caquele que luta contra monstros deve cuidar para que, na luta, n\u00e3o se transforme tamb\u00e9m em monstro\u201d (2001, p. 89).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BJORK, Robert E. e NILES, John D. <em>A Beowulf Handbook<\/em>. Lincoln: Nebraska University Press, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MEDEIROS, Elton. Beowulf e outros poemas anglo-sax\u00f4nicos (s\u00e9culos VIII \u2013 X). S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NIETZSCHE, Friedrich. Para al\u00e9m do bem e do mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TOLKIEN, J. R. R. <em>Beowulf:<\/em><em> A Translation and Commentary together with Sellic Spell<\/em><em>.<\/em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Londres:\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0HarperCollins, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><sup>[1]\u00a0<\/sup>Professor Adjunto do Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) na \u00e1rea de Hist\u00f3ria Medieval.\u00a0 Lattes: http:\/\/lattes.cnpq.br\/0301440474007673<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><\/a><sup>[2]<\/sup> \u201cO poema de Beowulf: um poema heroico g\u00f3tico do mil\u00eanio passado traduzido do anglo-sax\u00e3o para versos dinamarqueses.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><\/a><sup>[3]<\/sup> \u201cO poema de Beowulf ou o antigo poema heroico n\u00f3rdico.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><\/a><sup>[4]<\/sup> \u201cBeowulf, o mais antigo poema heroico alem\u00e3o, composto no dialeto anglo-sax\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><\/a><sup>[5]<\/sup> \u201cBeowulf: poema heroico do s\u00e9culo VIII.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><\/a><sup>[6]<\/sup> A reconstru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria pode ter sido concebida sob a influ\u00eancia da tradu\u00e7\u00e3o de Sharon Turner e de Giuseppe Pecchio e \u00e9 extremamente distorcida em rela\u00e7\u00e3o ao poema original. Por exemplo, a hist\u00f3ria come\u00e7a com o pag\u00e3o \u201cRogar\u201d (Hrothgar) assassinando seu bom irm\u00e3o crist\u00e3o \u201cEtheow\u201d (Ecgtheow) numa disputa por terras, incentivada pelo maligno esp\u00edrito Grendel; Beowulf, como filho do rei morto, \u00e9 ent\u00e3o obrigado a servir Rogar para pag\u00e1-lo pelos ritos f\u00fanebres realizados. Temendo que Beowulf usurpe seu trono, Rogar envia-lhe uma mensagem em runas, dizendo-o para matar Grendel. Grendel intercepta a mensagem e promete matar Beowulf, mencionando o poder m\u00e1gico de sua m\u00e3e, Frotha. Uma grande batalha envolve os \u201cringuedanos\u201d (\u201cRing-Danes\u201d, os daneses) contra os \u201cgeatos\u201d (os geatas), enquanto Beowulf e Grendel (este, sob a influ\u00eancia da magia protetora de Frotha) confrontam-se a certa dist\u00e2ncia da batalha. Durante a luta, o sangue crist\u00e3o de Beowulf espirra sobre o monstro, anulando a magia pag\u00e3. Isso possibilita a Beowulf cortar a cabe\u00e7a de Grendel, e depois lev\u00e1-la para o rei Rogar. Ao final da hist\u00f3ria, Rogar se torna um monge penitente e deixa seu reino para Gunnar. A hist\u00f3ria termina com o moribundo Beowulf carregado aos c\u00e9us por um coro de anjos e sentado no trono de Thor. Como podemos ver, \u00e9 \u00f3bvia a completa deturpa\u00e7\u00e3o da narrativa original do poema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><\/a><sup>[7]<\/sup> Um fato digno de nota \u00e9 que, ao menos at\u00e9 o momento da reda\u00e7\u00e3o final deste texto, todas as tradu\u00e7\u00f5es do poema em l\u00edngua portuguesa s\u00e3o de autoria brasileira. N\u00e3o foi poss\u00edvel localizar nenhuma tradu\u00e7\u00e3o de <em>Beowulf<\/em> realizada em solo portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><\/a><sup>[8]<\/sup> J. R. R. Tolkien, <em>Beowulf: A Translation and Commentary together with Sellic Spell<\/em>, Londres, HarperCollins, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><\/a><sup>[9]<\/sup> Tolkien, que j\u00e1 lecionava na Universidade de Oxford, tinha por volta de 34 anos.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 18 de abril de 2023.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar: <\/strong>MEDEIROS, Elton Oliveira Souza de. Translatio Beowulfii: Traduzindo monstros e her\u00f3is em nossa contemporaneidade. <strong>Blog do Poiema<\/strong>. Pelotas: 18 abr. 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-translatio-beowulfii-traduzindo-monstros-e-herois-em-nossa-contemporaneidade\/. Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>CURTIU O TEXTO? VOC\u00ca TAMB\u00c9M PODER\u00c1 GOSTAR DE:<\/strong><\/p>\n<p><center><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/y-que-pasa-con-los-barbaros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4808 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/11\/Artes-dos-Textos-23-200x200.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/11\/Artes-dos-Textos-23-200x200.png 200w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/11\/Artes-dos-Textos-23-400x400.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/11\/Artes-dos-Textos-23-1024x1024.png 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/11\/Artes-dos-Textos-23-768x768.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/11\/Artes-dos-Textos-23-750x750.png 750w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/11\/Artes-dos-Textos-23.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a>\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-vikings-entre-o-senso-comum-e-a-construcao-historiografica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4082 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/1-1-200x200.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/1-1-200x200.png 200w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/1-1-400x400.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/1-1-1024x1024.png 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/1-1-768x768.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/1-1-750x750.png 750w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/1-1.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a>\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-nosso-saxao-thor-e-senhor-novamente-nossa-inglaterra-sera-livre-cartismo-e-nacionalismo-progressivo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4886 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/271-200x200.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/271-200x200.png 200w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/271-400x400.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/271-1024x1024.png 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/271-768x768.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/271-750x750.png 750w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/271.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elton Medeiros (UFPR)[1] \u00a0 Desde sua descoberta, Beowulf tem atra\u00eddo a aten\u00e7\u00e3o de diversos pesquisadores e tradutores. 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