{"id":4972,"date":"2023-04-04T12:00:39","date_gmt":"2023-04-04T15:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=4972"},"modified":"2023-04-04T14:32:46","modified_gmt":"2023-04-04T17:32:46","slug":"seja-marginal-seja-heroi-por-uma-ampliacao-do-campo-de-estudo-da-historia-das-imagens-medievais","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/seja-marginal-seja-heroi-por-uma-ampliacao-do-campo-de-estudo-da-historia-das-imagens-medievais\/","title":{"rendered":"Texto: \u201cSeja Marginal, Seja Her\u00f3i\u201d: Por uma amplia\u00e7\u00e3o do campo de estudo da Hist\u00f3ria das Imagens Medievais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Maria Cristina Correia Leandro Pereira<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um dos romances ambientados na Idade M\u00e9dia mais famosos do s\u00e9culo passado (assim como sua vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica), Umberto Eco (1980) cria uma trama policial em que o riso \u00e9 pass\u00edvel de morte, como experimentam alguns irm\u00e3os de uma fict\u00edcia abadia beneditina nos Alpes italianos no s\u00e9culo XIV. Parte do sucesso dessa obra junto ao grande p\u00fablico se justifica pelos ecos na narrativa de alguns dos lugares-comuns sobre o per\u00edodo medieval, considerado uma \u201cidade das trevas\u201d, quando uma sisuda Igreja cat\u00f3lica controlaria a qualquer custo mentes, livros e saberes. Essa vis\u00e3o n\u00e3o poderia estar mais equivocada, como qualquer estudante de Hist\u00f3ria sabe e pode divertir-se mesmo assim (ou por isso mesmo) com o pastiche criado por Eco. Caso seja medievalista, a primeira morte lhe deve ter sido particularmente significativa: a de um monge iluminador que criava imagens em margens de manuscritos que faziam rir seus companheiros. Nessa passagem h\u00e1 a demonstra\u00e7\u00e3o \u2013 correta do ponto de vista hist\u00f3rico \u2013 de que a sisudez e as trevas estavam longe de ser a regra na Idade M\u00e9dia e, ao mesmo tempo, o refor\u00e7o do <em>topos<\/em> \u2013 historicamente equivocado \u2013 do humor subversivo e escondido. Afinal, nos \u00faltimos s\u00e9culos medievais, em especial no XIII e no XIV, era relativamente comum encontrar nas margens de manuscritos iluminados (isto \u00e9, livros copiados \u00e0 m\u00e3o contendo imagens), mesmo de tem\u00e1tica religiosa, cenas e personagens que poderiam fazer rir e que chocariam um espectador nosso contempor\u00e2neo. Nem por isso, contudo, eram imagens condenadas ou criticadas: elas faziam parte dos livros, e sua presen\u00e7a em v\u00e1rios deles at\u00e9 hoje \u00e9 prova disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parafraseando um dos inspiradores de Eco, o abade Bernardo de Claraval, a pergunta que inexoravelmente aflora diante de tais imagens \u00e9: O que fazem aqui tantas e t\u00e3o maravilhosas imagens?<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> Para ajudar a responder essa quest\u00e3o, tomemos a descri\u00e7\u00e3o dada por uma entidade virtual afinada com o estado da arte atual a respeito dessas imagens: \u201c[elas] eram empregadas para refor\u00e7ar o apelo visual do manuscrito e oferecer um coment\u00e1rio ou li\u00e7\u00e3o moral relacionada ao texto\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. A resposta do programa de IA ChatGPT pode servir de ponto de partida para nosso breve exame das motiva\u00e7\u00f5es para a ocorr\u00eancia das imagens marginais, tamb\u00e9m conhecidas como <em>marginalia<\/em>, em manuscritos medievais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas antes de passarmos a esse exame, tr\u00eas observa\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias s\u00e3o necess\u00e1rias. A primeira delas, e que serve de alerta para qualquer estudo sobre imagens, \u00e9 o cuidado com generaliza\u00e7\u00f5es. As imagens marginais s\u00e3o de diferentes tipos (inclusive iconogr\u00e1ficos), do mesmo modo que os manuscritos que as cont\u00eam, e isso frustra necessariamente qualquer tentativa de explica\u00e7\u00e3o un\u00edvoca. A segunda observa\u00e7\u00e3o \u00e9 que as fun\u00e7\u00f5es t\u00eam de ser analisadas juntamente com seus modos de funcionamento: as perguntas \u201cpor qu\u00ea?\u201d e \u201cpara qu\u00ea?\u201d devem ser conjugadas \u00e0 \u201ccomo?\u201d. E a terceira \u00e9 que ju\u00edzos de valor e interpreta\u00e7\u00f5es exclusivamente anacr\u00f4nicas e subjetivas devem ser deixadas de lado. Isso vale, certamente, mesmo para a IA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a resposta por ela oferecida, a primeira fun\u00e7\u00e3o das imagens marginais \u00e9 aumentar o \u201capelo visual\u201d do manuscrito. Ela n\u00e3o indica como nem faz refer\u00eancia expl\u00edcita \u00e0 dimens\u00e3o est\u00e9tica, n\u00e3o mencionando por exemplo nem a beleza, nem a feiura dessas imagens. Tal op\u00e7\u00e3o \u00e9 bem-vinda, como vimos acima, sobretudo porque at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX as imagens nas margens foram consideradas grotescas, rudimentares, n\u00e3o sendo dignas da aten\u00e7\u00e3o dos historiadores da arte. Nossa interlocutora virtual frisa, quase ao contr\u00e1rio \u2013 e acertadamente \u2013, o poder que essas imagens t\u00eam de atrair a aten\u00e7\u00e3o para o manuscrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poder\u00edamos mesmo dizer que essa seria uma de suas principais motiva\u00e7\u00f5es. As imagens marginais invocam o olhar do espectador n\u00e3o s\u00f3 pela tem\u00e1tica como tamb\u00e9m por uma s\u00e9rie de opera\u00e7\u00f5es, a come\u00e7ar por sua posi\u00e7\u00e3o deslocada da mancha do texto ou do centro da p\u00e1gina. Elas tamb\u00e9m escapam das bordas e dos fundos pintados, estando mais pr\u00f3ximas da pele do livro, do pr\u00f3prio pergaminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao invocar o olhar e a aten\u00e7\u00e3o do espectador, o que se pretenderia? Em um n\u00edvel bem amplo, exibir a riqueza do manuscrito e de seu possuidor, que se permitiu um gasto a mais com imagens que em princ\u00edpio n\u00e3o seriam necess\u00e1rias \u00e0 composi\u00e7\u00e3o do livro (e que poderiam mesmo ser vistas como meras macaquices, como reclamou um pai dos gastos que teve seu filho para fazer seus livros \u201cbabuinarem\u201d \u2013 \u201c<em>fecit libros suos babuinare<\/em>\u201d. BRANNER, 1977, p. 2). Ou seja, de certa forma essas imagens tamb\u00e9m ajudavam a criar la\u00e7os entre o objeto e o dono e a mostrar sua identidade \u2013 que pode ir al\u00e9m de ser uma pessoa rica (ou esbanjadora, de acordo com o supramencionado pai). Um exemplo bastante expl\u00edcito s\u00e3o os bras\u00f5es encontrados em margens, um ind\u00edcio claro da preocupa\u00e7\u00e3o em demonstrar a quem \u2013 ou a que fam\u00edlia \u2013 pertencia o manuscrito. Isso fica ainda mais patente em casos em que os bras\u00f5es foram modificados para se adequarem a novos propriet\u00e1rios do manuscrito<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas passemos \u00e0 segunda parte da resposta da IA: as imagens marginais se reportariam ao texto, fazendo coment\u00e1rios ou dando li\u00e7\u00f5es de moral. Este \u00faltimo ponto \u00e9 fulcral nas an\u00e1lises sobre esse tipo de imagem \u2013 e a pr\u00f3pria autora j\u00e1 se dedicou \u00e0 dimens\u00e3o moralizante dessas imagens em outra ocasi\u00e3o (PEREIRA, 2018). Contudo, vale sublinhar a \u00eanfase que a IA d\u00e1 ao texto \u2013 e nisso ela n\u00e3o se afasta do comum dos historiadores, que tendem a supervalorizar o escrito em detrimento das imagens (seria nossa IA uma historiadora?).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante lembrar que um manuscrito poderia n\u00e3o ser composto apenas de textos, mas tamb\u00e9m de imagens (al\u00e9m das que est\u00e3o nas margens). Assim, as imagens marginais poderiam estabelecer rela\u00e7\u00f5es com essas imagens \u201ccentrais\u201d (ou com outras imagens marginais), e n\u00e3o s\u00f3 com o texto. Al\u00e9m disso, \u00e9 fundamental quebrar o paradigma de que uma imagem necessariamente tem que \u201cilustrar\u201d um texto (comentando-o ou dando li\u00e7\u00f5es a partir dele). As rela\u00e7\u00f5es entre eles podem ser bastante mais complexas, ou mesmo incompreens\u00edveis para n\u00f3s, que perdemos o contexto preciso em que foram feitas. E n\u00e3o precisamos nos remeter \u00e0 descri\u00e7\u00e3o de Eco do cotidiano de um <em>scriptorium<\/em> mon\u00e1stico para tentar evocar isso que perdemos. Podemos ter um vislumbre quando lemos coment\u00e1rios escritos nas margens de manuscritos reclamando da qualidade da tinta, do cansa\u00e7o do trabalho, da falta de ilumina\u00e7\u00e3o ou da vontade de beber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Citemos dois exemplos dessas rela\u00e7\u00f5es complexas. Em um manuscrito com romances arturianos do s\u00e9culo XIII (New Haven, Beinecke Rare Book Library, Yale University, Ms. 229), no f\u00f3lio 220r, que pertence \u00e0 obra Queste del Graal, ao lado da imagem que mostra um cavaleiro tipicamente paramentado \u2013 Percival \u2013 saudando a dama que se encontra no barco, \u00e0 margem da p\u00e1gina est\u00e1 um cavaleiro nu, portando apenas uma cota de malha \u00e0 cabe\u00e7a, flechado no \u00e2nus por um homem laico h\u00edbrido [Fig. 1]. Todos os c\u00f3digos da cavalaria s\u00e3o rompidos, a margem mostra um mundo de ponta-cabe\u00e7a, que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel naquele espa\u00e7o da margem. Importa menos, aqui, encontrar um texto que tenha servido de inspira\u00e7\u00e3o para a imagem marginal que perceber essa justaposi\u00e7\u00e3o (PEREIRA, 2018, p. 26).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_4975\" style=\"width: 278px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/04\/Romances-Arturianos.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4975\" class=\"wp-image-4975 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/04\/Romances-Arturianos.png\" alt=\"\" width=\"278\" height=\"267\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4975\" class=\"wp-caption-text\">[Fig. 1. Romances arturianos, s\u00e9c. XIII. New Haven, Beinecke Rare Book Library, Yale University, Ms. 229, fol. 220r. https:\/\/collections.library.yale.edu\/catalog\/2004282.]<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo exemplo, que envolve ainda mais n\u00edveis, \u00e9 o de um manuscrito do Romance de Alexandre (Oxford, Bodleian Library, Ms. Bod. 264<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>), da metade do s\u00e9culo XIV: no f\u00f3lio 98v, no centro da p\u00e1gina est\u00e3o dois casais montando a cavalo <em>belement<\/em>, como diz o texto no final da segunda coluna. Na margem h\u00e1 tamb\u00e9m cenas de \u201cmontaria\u201d: de um lado, dois casais, formados cada um deles por um monge e uma freira, em que aqueles as carregam nos ombros, e, de outro, um macaco carregando outros dois macacos em um carrinho de m\u00e3o [Fig. 2]. A rela\u00e7\u00e3o entre a imagem central e o texto \u00e9 de equival\u00eancia, quase de ilustra\u00e7\u00e3o, mas as imagens marginais desmontam a ambos, texto e imagem. Em vez da \u201cbela cavalgada\u201d, h\u00e1 uma esp\u00e9cie de jogo com insinua\u00e7\u00f5es er\u00f3ticas entre monges e freiras, onde o cavaleiro torna-se cavalo. Na outra cena, a ideia de invers\u00e3o est\u00e1 nos animais antropomorfizados, fazendo uso de um transporte muito pouco elegante, burlando com o termo <em>belement<\/em> escrito logo acima dos macacos (PEREIRA, 2018, p. 26-27).<\/p>\n<div id=\"attachment_4976\" style=\"width: 342px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/04\/Romance-de-Alexandre.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4976\" class=\"wp-image-4976 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/04\/Romance-de-Alexandre.png\" alt=\"\" width=\"342\" height=\"482\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/04\/Romance-de-Alexandre.png 342w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2023\/04\/Romance-de-Alexandre-284x400.png 284w\" sizes=\"auto, (max-width: 342px) 100vw, 342px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4976\" class=\"wp-caption-text\">[Fig. 2. Romance de Alexandre, s\u00e9c. XIV. Oxford, Bodleian Library, Ms. Bod. 264, folo. 98v. https:\/\/digital.bodleian.ox.ac.uk\/objects\/ae9f6cca-ae5c-4149-8fe4-95e6eca1f73c\/surfaces\/aad7bb3f-bf10-4d2e-9865-37970eeabfac\/#.]<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses exemplos deixam ver tamb\u00e9m uma das fun\u00e7\u00f5es mais evidentes das imagens marginais: fazer rir. Elas d\u00e3o mostra do humor medieval que pode, por vezes, ser facilmente compreendido, por ser pr\u00f3ximo ao nosso, e por outras vezes nos escapar absolutamente, considerando sua ancoragem no contexto hist\u00f3rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra caracter\u00edstica do humor \u00e9 ter frequentemente um fundo moralizante. Ri-se do que \u00e9 ris\u00edvel. Conhecem-se mais facilmente os valores morais de dada sociedade quando se conhece aquilo de que se pode rir, ou como, quando e onde se pode rir. Um cavaleiro nu, e portanto sem sua armadura, ou um cavaleiro fugindo de um caracol<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> \u00e9 algo digno de riso, assim como uma freira amamentando um macaco<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, e assim por diante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com frequ\u00eancia, essa fun\u00e7\u00e3o moralizante do humor se exerce por meio da invers\u00e3o \u2013 de pap\u00e9is, de expectativas, de a\u00e7\u00f5es. No texto acima mencionado propusemos mesmo uma tipologia dessas invers\u00f5es: a) invers\u00e3o de uma imagem no centro; b) invers\u00e3o de comportamentos virtuosos; c) invers\u00e3o de comportamentos naturais; d) invers\u00e3o no uso ou no funcionamento do corpo; e) invers\u00e3o de pap\u00e9is de g\u00eanero (PEREIRA, 2018, p. 25-37). Dito de modo breve: por contraste, o invertido refor\u00e7a aquilo que est\u00e1 no lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A refer\u00eancia a lugar n\u00e3o \u00e9 por acaso: na economia da p\u00e1gina, o lugar \u00e9 fundamental e da\u00ed decorre a diferen\u00e7a entre centro e margem. Assim, se uma imagem b\u00edblica pode at\u00e9 ser colocada na margem (afinal, n\u00e3o h\u00e1 limita\u00e7\u00e3o para essa dimens\u00e3o fundante da sociedade crist\u00e3 medieval<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>), uma imagem que mostra um macaquinho exibindo o traseiro<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> ou um coelho ca\u00e7ando um cachorro<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> n\u00e3o pode estar no centro da p\u00e1gina. H\u00e1, portanto, tipos, ou categorias, de imagens que s\u00f3 podem estar neste lugar, nas margens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, considerando os diferentes tipos de imagens que podem ser encontradas nas margens, estes podem derivar n\u00e3o de tem\u00e1ticas, mas de temporalidades distintas. Ou seja, n\u00e3o necessariamente as imagens marginais s\u00e3o contempor\u00e2neas ao resto do manuscrito. Elas podem ter sido acrescentadas depois, e isso as torna testemunhos importantes da recep\u00e7\u00e3o e da utiliza\u00e7\u00e3o dos livros. Esse \u00e9 o caso das garatujas desenhadas por leitores (SILVA, 2021) ou, ainda, um exemplo ainda mais significativo e recorrente, as man\u00edculas: pequenas m\u00e3os com o dedo apontando usadas para indicar pontos que se quer destacar no texto (e aqui a rela\u00e7\u00e3o entre imagem marginal e texto \u00e9 certamente direta, talvez a mais direta de todas). Essas imagens, ali\u00e1s, ter\u00e3o vida longa, perpetuadas no nosso mundo virtual como as m\u00e3ozinhas ou mesmo flechas que servem de cursor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Roda da Fortuna segue girando para as imagens medievais marginais. De objetos de estudo desprestigiados, hoje s\u00e3o cada vez mais foco de aten\u00e7\u00e3o de trabalhos acad\u00eamicos s\u00e9rios e do p\u00fablico em geral, que se diverte com as p\u00e1ginas na internet e perfis em redes sociais a elas dedicadas. Mais que nunca, o mote do famoso trabalho de H\u00e9lio Oiticica, de 1968, citado no t\u00edtulo deste artigo, mostra-se adequado: as imagens marginais s\u00e3o novas hero\u00ednas do mundo acad\u00eamico e do mundo virtual<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bibliografia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRANNER, Robert. <em>Manuscript Painting in Paris during the Reign of Saint-Louis<\/em>: A Study of Styles. Berkeley, Los Angeles: University of California Press, 1977.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAMILLE, Michael. <em>Image on the Edge<\/em>: the margins of medieval art. Cambridge, Mass: Harvard University Press, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ECO, Umberto. <em>Il nome della rosa<\/em>. Milano: Bompiani, 1980. Tradu\u00e7\u00e3o brasileira: <em>O Nome da Rosa<\/em>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PEREIRA, Maria Cristina. O discurso moralizador das margens dos manuscritos iluminados no Ocidente Medieval. <em>In<\/em>: FRAN\u00c7A, Jean Marcel; PEREIRA, Milena Silveira (org.). <em>Por escrito<\/em>: li\u00e7\u00f5es e relatos do mundo luso-brasileiro. S\u00e3o Carlos: Edufscar, 2018. p. 15-41.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RANDALL, Lilian. <em>Images in the Margins of Gothic Manuscripts<\/em>. Berkeley: University of California Press, 1966.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SANDLER, Lucy Freeman. \u201cThe Study of Marginal Imagery: Past, Present, and Future\u201d. <em>Studies in Iconography<\/em> 18, 1997, p. 1-49.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SANTOS, Stefanny B. Sobre m\u00faltiplos sentidos: imagens de cavaleiros e carac\u00f3is nas margens de manuscritos do s\u00e9culo XIII ao XV. <em>In<\/em>: PEREIRA, Maria Cristina; SOUZA, Maria Izabel (org.). <em>Encontros com as imagens medievais<\/em>: volume II. S\u00e3o Paulo: FFLCH, 2021. p. 215-227.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCHAPIRO, Meyer. Marginal images and dr\u00f4lerie. <em>In<\/em>: Id. <em>Late Antique, Early Christian and Medieval Art<\/em>. New York: George Braziller, 1979. p. 197-198.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SILVA, Pedro de Oliveira e. Garatuja como categoria para o trabalho com imagens medievais. <em>In<\/em>: PEREIRA, Maria Cristina; SOUZA, Maria Izabel (org.). <em>Encontros com as imagens medievais<\/em>: volume II. S\u00e3o Paulo: FFLCH, 2021. p. 184-199.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WIRTH, Jean (ed.). <em>Les marges \u00e0 dr\u00f4leries dans les manuscrits gothiques<\/em> (1250-1350). Gen\u00e8ve: Droz, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8212;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Doutora em Hist\u00f3ria pela \u00c9cole des Hautes \u00c9tudes en Sciences Sociales. <a href=\"mailto:mcclp@usp.br\">mcclp@usp.br<\/a>. http:\/\/lattes.cnpq.br\/6153091381585654.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> O in\u00edcio da famosa <em>Apologia<\/em> do abade de Claraval assim diz: \u201cQue v\u00eam fazer em vossos claustros, onde os irm\u00e3os fazem suas leituras, esses monstros rid\u00edculos, essas extraordin\u00e1rias belezas disformes e essas belas deformidades? Para que s\u00e3o aqueles imundos s\u00edmios, aqueles ferozes le\u00f5es, aqueles monstruosos centauros, aqueles semi-homens, aqueles tigres listrados, aqueles cavaleiros combatendo, aqueles ca\u00e7adores tocando nas suas cornetas? Veem-se a\u00ed muitos corpos com uma s\u00f3 cabe\u00e7a, ou ent\u00e3o muitas cabe\u00e7as para um s\u00f3 corpo [&#8230;]\u201d. <em>SANCTI BERNARDI ABBATIS CLARAE-VALLENSIS. Apologia ad Guillelmum Sancti-Theoderici Abbatem<\/em> 12, 29 (PL 182, col. 895-918, col. 916).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u201c<em>These images were used to enhance the visual appeal of the manuscript and to provide a commentary or a moral lesson related to the text<\/em>\u201d. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/chat.openai.com\/chat\">https:\/\/chat.openai.com\/chat<\/a>, acesso em: 6 fev. 2023. Lan\u00e7ado recentemente, o programa de Intelig\u00eancia Artificial para elabora\u00e7\u00e3o de textos ChatGPT vem movimentando a comunidade acad\u00eamica, gerando preocupa\u00e7\u00f5es por seu uso indevido na produ\u00e7\u00e3o de textos de alunos. Mas o exemplo aqui utilizado mostra possibilidades positivas de se trabalhar com a IA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Um exemplo \u00e9 um manuscrito da obra <em>Noctes Atticae<\/em>, de <em>Aulus Gellius<\/em>, de meados do s\u00e9culo XV (Chicago, Newberry Library, Ms. 90), em que se pode ver, na margem inferior do f\u00f3lio 18r, a silhueta de um bras\u00e3o apagado e substitu\u00eddo por outro, de tamanho menor, da fam\u00edlia Finardi, de B\u00e9rgamo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/digital.bodleian.ox.ac.uk\/objects\/ae9f6cca-ae5c-4149-8fe4-95e6eca1f73c\/\">https:\/\/digital.bodleian.ox.ac.uk\/objects\/ae9f6cca-ae5c-4149-8fe4-95e6eca1f73c\/<\/a>. Acesso em: 2 mar. 2023.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> A exemplo do Salt\u00e9rio de Ormesby, do s\u00e9c. XIII (Ms. Douce 366, fol. 109r). O combate entre cavaleiros e carac\u00f3is \u00e9 um tema usual nas margens, e est\u00e1 sendo estudado por Stefanny Batista dos Santos em sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado junto ao PPGHS da USP. Uma pr\u00e9via pode ser vista em: SANTOS, 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Como pode ser visto em um manuscrito do Romance de Lancelot du Lac de c. 1300 conservado em Manchester, na John Rylands Library, com a cota Ms. fr 1, no fol. 212r.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Um entre v\u00e1rios exemplos \u00e9 o livro de Horas dito de Taymouth, do segundo quarto do s\u00e9culo XIV (Londres, British Library, Ms. Yates Thompson 13), em quatro de seus f\u00f3lios (120v, 122v, 123v e 125v).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Como ocorre em um missal do s\u00e9c. XIV (La Haye, Koninklijke Bibliotheek, Ms. D40, fol. 124r).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> A exemplo dos Decretais Smithfield, de fim do s\u00e9c. XIII ou in\u00edcio do s\u00e9c. XIV, conservado em Londres (British Library, Ms. Royal 10 E IV, fol. 62r).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> As opera\u00e7\u00f5es de invers\u00e3o, de que s\u00e3o pr\u00f3digas as imagens nas margens, s\u00e3o tamb\u00e9m evocadas na obra de Oiticica \u201cSeja marginal seja her\u00f3i\u201d. A contrapelo da tristemente c\u00e9lebre f\u00f3rmula \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d, o artista faz do marginal um her\u00f3i: o malandro Cara de Cavalo acusado de matar um policial e que foi executado por um grupo de exterm\u00ednio formado por policiais em 1964. \u00c9 ele, o \u201cbandido\u201d, e n\u00e3o os \u201cmocinhos\u201d, a pol\u00edcia, o homenageado. As invers\u00f5es n\u00e3o param a\u00ed: Oiticica coloca o marginal no centro da bandeira-poema, enquanto o texto est\u00e1 mais para a margem. No entanto, a maior invers\u00e3o ocorre na pr\u00f3pria imagem: na fotografia serigrafada em que jaz morto, Cara de Cavalo tem os bra\u00e7os abertos tal um Cristo crucificado. A imagem marginal passou para o centro, o marginal se transformou em her\u00f3i, ou no pr\u00f3prio crucificado.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 04 de Abril de 2023.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> PEREIRA, Maria Cristina Correia Leandro: \u201cSeja Marginal, Seja Her\u00f3i\u201d: Por uma amplia\u00e7\u00e3o do campo de estudo da Hist\u00f3ria das Imagens Medievais. <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 04 abr. 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/seja-marginal-seja-heroi-por-uma-ampliacao-do-campo-de-estudo-da-historia-das-imagens-medievais\/. Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Cristina Correia Leandro Pereira[1] &nbsp; Em um dos romances ambientados na Idade M\u00e9dia mais famosos do s\u00e9culo passado (assim como sua vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica), Umberto Eco (1980) cria uma trama policial em que o riso \u00e9 pass\u00edvel de morte, como experimentam alguns irm\u00e3os de uma fict\u00edcia abadia beneditina nos Alpes italianos no s\u00e9culo XIV. 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