{"id":4800,"date":"2022-11-10T12:00:40","date_gmt":"2022-11-10T15:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=4800"},"modified":"2023-04-04T22:00:34","modified_gmt":"2023-04-05T01:00:34","slug":"e-o-que-acontece-com-os-barbaros","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/e-o-que-acontece-com-os-barbaros\/","title":{"rendered":"Texto: E o que Acontece com os B\u00e1rbaros?[1]"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Fernando Ruchesi<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas muitas vezes me perguntam pelos b\u00e1rbaros, mas n\u00e3o usam esta palavra para se referir a eles. Estudantes e pessoas que possuem interesse geral em hist\u00f3ria se aproximam de mim me falando dos \u201cgermanos\u201d. Eu somente respondo com uma pergunta provocadora: \u201cOs germanos? Quem eram esses?\u201d. \u00c9 uma resposta com um pouco de trapa\u00e7a, sim, mas tem o objetivo de motivar uma reflex\u00e3o geral. Normalmente, associamos a estes \u201cb\u00e1rbaros\u201d v\u00e1rios conceitos ou imagens: em primeiro lugar, os germanos \u2013 ou seja, que todos eram <em>germanos<\/em> e que, consequentemente, falavam algo parecido com o alem\u00e3o \u2013. Em segundo lugar, as invas\u00f5es e, finalmente, a \u201cdestrui\u00e7\u00e3o\u201d de Roma. N\u00e3o foi por acaso que a cultura popular ajudou a difundir estas imagens ao longo do s\u00e9culo XX, algo que continua na atualidade. Pensemos em Conan, o B\u00e1rbaro ou nos muitos filmes de aventura e a\u00e7\u00e3o na gloriosa d\u00e9cada dos anos 1980, os filmes pouco conhecidos do g\u00eanero \u201c<em>sword &amp; sorcery<\/em>\u201d, por exemplo. \u00c9 um fen\u00f4meno que tomou for\u00e7as nas \u00faltimas d\u00e9cadas, gra\u00e7as \u00e0 apari\u00e7\u00e3o de s\u00e9ries de televis\u00e3o (e, na atualidade, principalmente por <em>streaming<\/em>). Mas ele foi tamb\u00e9m impulsionado pelo surgimento de grupos de <em>hard rock<\/em> ou <em>heavy metal<\/em>, que adotam tem\u00e1ticas l\u00edricas baseadas nas hist\u00f3rias e mitos destas comunidades, junto com elementos est\u00e9ticos tamb\u00e9m baseados vagamente em como teriam se parecido esses indiv\u00edduos (os selvagens vestidos com peles de lobos ou ursos\u2026 ou de roedores dos bosques, como a caracteriza\u00e7\u00e3o que fez Amiano Marcelino sobre os hunos, no fim do s\u00e9culo IV). Claro, circulam outros pressupostos e cren\u00e7as sobre estas comunidades, mas acredito que, para come\u00e7ar, podemos nos concentrar nestes pontos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Iniciaremos abordando o primeiro aspecto, o dos \u201cgermanos\u201d que, ademais, nos possibilitar\u00e1 adentrarmos um pouco nas quest\u00f5es identit\u00e1rias. O termo n\u00e3o est\u00e1 sendo utilizado de maneira err\u00f4nea, pois ainda se encontra em uso por uma parte importante da comunidade acad\u00eamica e de docentes universit\u00e1rios (especialmente, os hispan\u00f3fonos). Mas, apesar disso, temos de nos perguntar: se eram \u201cgermanos\u201d, ent\u00e3o por que n\u00e3o nos deparamos com praticamente nenhum testemunho, da parte deles, que nos prove que se consideravam a si mesmos como germanos? Claro, a exce\u00e7\u00e3o poderia ser a inscri\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo IV encontrada na Pan\u00f4nia, um epit\u00e1fio daquele soldado franco que disse <em>Francus ego cives romanus miles in armis<\/em> e que se poderia traduzir literalmente como \u201csou um cidad\u00e3o franco [mas] quando [tenho] as armas, sou um soldado romano\u201d. Contudo, utiliza o termo <em>Francus<\/em> e n\u00e3o o termo <em>germanus<\/em>. Assim, podemos come\u00e7ar a entender que se tratou de um termo utilizado pelos romanos para designar a um conjunto muito amplo de povos que, digamos, falavam l\u00ednguas similares entre si. Os <em>germanos<\/em> n\u00e3o escreveram, n\u00e3o nos deixaram textos, e o pouco que sabemos sobre eles e que, em seu turno, nos d\u00e1 p\u00e9 para dizer quem eram os germanos, s\u00e3o alguns de seus nomes que, claramente, tem rela\u00e7\u00e3o com l\u00ednguas <em>germ\u00e2nicas<\/em> antigas. Bem, vejamos, tamb\u00e9m contamos com c\u00f3pias do s\u00e9culo VI da <em>B\u00edblia G\u00f3tica<\/em>: a tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia que o bispo ariano Ulfila e seus seguidores realizaram a fim de cristianizar os godos durante o s\u00e9culo IV. Mas, apesar disso, n\u00f3s n\u00e3o podemos conhecer como se auto-identificavam estes grupos. O termo <em>germano<\/em> \u00e9 um \u201ctermo guarda-chuva\u201d (<em>umbrella term<\/em>) utilizado pelos romanos para generalizar a todas aquelas comunidades situadas ao norte da fronteira natural que constitu\u00edam os rios Reno e Dan\u00fabio. Se trata de um voc\u00e1bulo que aparece j\u00e1 na \u00e9poca de J\u00falio C\u00e9sar, mais precisamente em seu <em>Coment\u00e1rio da Guerra G\u00e1lica<\/em>. C\u00e9sar diferenciava, por exemplo, os germanos dos celtas. Assim, pod\u00edamos dizer que <em>germano<\/em> \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o historiogr\u00e1fica para nos facilitar a compreens\u00e3o e o estudo destes temas (como ocorria, de maneira similar, com o termo <em>bizantino<\/em>). De qualquer forma, nem todos seremos ou termos que ser <em>experts<\/em> em Hist\u00f3ria da Antiguidade Tardia ou da Alta Idade M\u00e9dia. Apesar deste \u00faltimo, creio que refletir sobre estas quest\u00f5es pode nos ser \u00fatil para compreender como funcionam as constru\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias e o uso de estere\u00f3tipos em nosso presente pois, afinal de contas, se tratam de mecanismos ideol\u00f3gicos utilizados pelos c\u00edrculos hegem\u00f4nicos da vez para designar ao \u201coutro\u201d e a todo aquele que n\u00e3o se encaixa em sua esfera cultural ou de interesse. Temos que considerar que as identidades s\u00e3o fluidas e vari\u00e1veis. E tamb\u00e9m o eram na Antiguidade Tardia e na Alta Idade M\u00e9dia, como muitos dos trabalhos da <em>Escola de Viena<\/em> j\u00e1 o demonstraram. As identidades formam parte da cultura e, por isso, assim como se sucede com as l\u00ednguas, se encontram em constante modifica\u00e7\u00e3o. Por isso temos este epit\u00e1fio do soldado franco que dizia ser franco, mas que se convertia em um romano quando portava armas. N\u00e3o conhecemos o nome deste indiv\u00edduo, mas sabemos de outros personagens por seus nomes, gra\u00e7as aos trabalhos de prosopografia, especialmente a <em>Prosopography of Later Roman Empire<\/em> (1980) (que, quero acreditar, \u00e9 uma das mais conhecidas e citadas). Os nomes s\u00e3o importantes, pois podem nos dar a entender, com uma primeira impress\u00e3o, que algum personagem havia sido romano, ou <em>germano<\/em>, ou <em>b\u00e1rbaro<\/em>. No entanto, Guy Halsall (2007) j\u00e1 deu a entender que a onom\u00e1stica n\u00e3o \u00e9 um caminho completamente v\u00e1lido e desprovido de problemas para reconstruir ou compreender as identidades e filia\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas destas pessoas. Um indiv\u00edduo poderia ter um nome n\u00e3o-romano, mas atuar como um romano e ser parte desse sistema s\u00f3cio-cultural e de valores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, bem, o segundo ponto, como dissemos, tem a ver com as mencionadas invas\u00f5es germ\u00e2nicas. Em muitos dos programas de Hist\u00f3ria da Idade M\u00e9dia nas universidades latino-americanas ainda se fala da \u201cprimeira onda\u201d de invas\u00f5es. O termo <em>invas\u00f5es<\/em>, ent\u00e3o, pode nos fazer pensar \u2013 ou n\u00e3o \u2013 em duas coisas. Em primeiro lugar, que existia uma unidade absoluta entre todas as comunidades e que, ademais, haviam planejado estas incurs\u00f5es e <em>invas\u00f5es<\/em>, pois se trata disso: uma a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica planejada em conjunto para tomar um territ\u00f3rio \u00e0 for\u00e7a. Se olharmos para tr\u00e1s no tempo, esta proposta n\u00e3o \u00e9 desprovida de sentido, posto que foi sustentada por historiadores p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial que viam os <em>germanos<\/em> nos invasores nazistas, sua expans\u00e3o por meio da guerra e as atrocidades bem conhecidas que cometeram. Isto t\u00e3o pouco era dif\u00edcil de considerar se termos em conta que o nacional-socialismo alem\u00e3o utilizou o antigo passado germ\u00e2nico para alicer\u00e7ar o presente e as a\u00e7\u00f5es do Terceiro <em>Reich <\/em>como forma de propaganda ideol\u00f3gica. Neste processo, o <em>Reich<\/em> afundava suas ra\u00edzes no passado remoto e seus cidad\u00e3os eram os descendentes diretos dos germanos que T\u00e1cito havia descrito em sua <em>Germania<\/em> (e a Arqueologia, sendo m\u00e1 utilizada, cumpriu, lamentavelmente, um papel fundamental deste processo.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, voltando \u00e0 quest\u00e3o das invas\u00f5es, dentro desta perspectiva historiogr\u00e1fica os <em>germanos<\/em> destru\u00edram a civiliza\u00e7\u00e3o romana, que tanto proveito havia trazido ao bem-estar da humanidade gra\u00e7as aos avan\u00e7os em engenharia e literatura que esta \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d havia contribu\u00eddo ao mundo conhecido. Ap\u00f3s a morte de Roma, o mundo mergulhou na tenebrosa Idade M\u00e9dia, cheia de supersti\u00e7\u00e3o, obscurantismo, selvageria, viol\u00eancia absoluta e cores cinzentas que j\u00e1 conhecemos todos gra\u00e7as \u00e0 Hollywood. E isto ocorreu de maneira t\u00e3o r\u00e1pida e simples como algu\u00e9m pode acender o interruptor da ilumina\u00e7\u00e3o de uma casa. Assim, pelo menos, s\u00f3 o compreendem a maioria dos estudantes iniciantes no estudo da Idade M\u00e9dia, para quem os <em>processos<\/em> ainda s\u00e3o dif\u00edceis de compreender. E n\u00e3o nos enganemos, <em>processo<\/em> \u00e9 uma das palavras mais recorrentes e utilizadas no jarg\u00e3o dos historiadores. Ademais, quem pode definir <em>processo<\/em> de maneira simples, efetiva e r\u00e1pida? Seria t\u00e3o dif\u00edcil quanto definir <em>homem<\/em> ou <em>humano<\/em> (faremos exce\u00e7\u00e3o aqui a cl\u00e1ssica frase que afirma que um homem \u00e9 \u201cuma miser\u00e1vel e pequena pilha de segredos\u201d). E o fato \u00e9 que, neste \u00e2mbito, qualquer processo \u00e9 facilmente deslocado por nosso interruptor da ilumina\u00e7\u00e3o que, neste caso, n\u00e3o \u00e9 outro que uma grande data para conhecer a morte de Roma: 476, mais precisamente, 4 de setembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem, mas al\u00e9m do fato de que a prosa que estou levando est\u00e1 carregada de ironia (e na verdade estou me divertindo bastante com ela), ent\u00e3o vamos nos perguntar: o que aconteceu em 476? Normalmente, uma grande parte dos estudantes que est\u00e3o cursando Hist\u00f3ria Medieval ou que iniciam a carreira na Hist\u00f3ria diriam que Roma caiu pois, ao menos em (muitas partes da) Argentina, \u00e9 isso o que se ensina na escola secund\u00e1ria. O processo \u00e9, obviamente, muito mais complexo e o s\u00e9culo V \u00e9 um per\u00edodo grande e apaixonante de estudar-se profundamente. E est\u00e1 carregado de eventos e sutilezas que, lamentavelmente, n\u00e3o costumam ser abordadas em profundidade nas c\u00e1tedras universit\u00e1rias devido \u00e0 perp\u00e9tua car\u00eancia de tempo. 476 representa a deposi\u00e7\u00e3o do \u00faltimo \u201cimperador\u201d romano, um jovem conhecido como R\u00f4mulo Aug\u00fastulo, nome que foi traduzido como R\u00f4mulo, o pequeno imperador, ou o \u201cimperadorzinho\u201d, por alguns autores. Era o filho de um militar chamado Orestes, que tinha o cargo de <em>magister militum<\/em> (algo como comandante-geral do ex\u00e9rcito) e que n\u00e3o possu\u00eda muita legitimidade (Aug\u00fastulo, por exemplo, nao foi reconhecido pelo imperador da <em>Pars Orientalis<\/em>). Temos de levar em conta que, pela segunda metade do s\u00e9culo V, a parte ocidental do Imp\u00e9rio se limitava \u00e0 It\u00e1lia e algumas possess\u00f5es ao sul da G\u00e1lia. O resto dos territ\u00f3rios foi ocupado paulatinamente pelos <em>germanos<\/em>. O ir\u00f4nico \u00e9 que, atualmente, j\u00e1 temos teorias bem s\u00f3lidas que provam que estes <em>invasores<\/em> foram estabelecidos nestas jurisdi\u00e7\u00f5es pelas mesmas autoridades romanas, muitas vezes atrav\u00e9s de mecanismos fiscais (como j\u00e1 o havia estudado em profundidade Walter Goffart (1980), h\u00e1 bastante tempo). Obviamente, as fontes tamb\u00e9m descrevem epis\u00f3dios que podem ser categorizados como \u201cincurs\u00f5es\u201d ou \u201cinvas\u00f5es\u201d e, se somos cuidadosos, podemos utilizar esta terminologia. Se tratam dos eventos que envolvem Odoteu, no s\u00e9culo IV, e aos suevos, v\u00e2ndalos, alanos e burg\u00fandios na conhecida travessia do Reno, em 405. Podemos incluir, igualmente, a conhecida marcha de Radagaiso (\u201cque era cita e pag\u00e3o\u201d, como Or\u00f3sio o caracterizou) rumo \u00e0 It\u00e1lia com seus godos. Tamb\u00e9m houveram incurs\u00f5es violentas, saques, e enfrentamentos com os ex\u00e9rctiso romanos. E com os ex\u00e9rcitos \u201cb\u00e1rbaros\u201d que os romanos utilizavam (principalmente o visigodo), na qualidade de <em>foederati<\/em>, para combater a estes outros \u201cb\u00e1rbaros\u201d. Em outras palavras, nem tudo foi cor-de-rosa, tampouco este tipo de situa\u00e7\u00f5es violentas n\u00e3o s\u00e3o algo exclusivo da hist\u00f3ria do s\u00e9culo V. O que devemos ter em conta \u00e9 que, ao longo deste s\u00e9culo, o Imp\u00e9rio do Ocidente foi cedendo territ\u00f3rios e estabelecendo neles estas <em>gentes<\/em> em troca da ajuda militar que proporcionavam ao Estado romano. E a partir de tudo isso, Halstall (2007) indicou que as migra\u00e7\u00f5es b\u00e1rbaras ocorreram em virtude da crise do Imp\u00e9rio romano tardio, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. E ambas partes se beneficiaram mutuamente, em certo sentido: o Imp\u00e9rio utilizou \u00e0 muitos destes grupos como m\u00e3o-de-obra militar, para desfazer-se de opositores e contendentes romanos ao trono ou outros grupos b\u00e1rbaros e, por sua vez, os b\u00e1rbaros lograram adquirir terras para assentar-se nos territ\u00f3rios do Imp\u00e9rio, escapando das amea\u00e7as dos hunos e imbuindo-se da cultura mediterr\u00e2nea que tanto fasc\u00ednio os havia provocado. N\u00e3o por acaso, Patrick Geary (1988, p. vi) cunhou a lend\u00e1ria frase: \u201co mundo germ\u00e2nico foi quem sabe a maior e mais perdur\u00e1vel cria\u00e7\u00e3o do g\u00eanio pol\u00edtico e militar romano\u201d (\u201c<em>The Germanic world was perhaps the greatest and most enduring creation of the Roman political end military genius<\/em>\u201d). Creio que, mais de tr\u00eas d\u00e9cadas depois, \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o que ainda d\u00e1 pra ser pensada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, para concluir, podemos voltar a perguntarmos ent\u00e3o: o que acontece com os b\u00e1rbaros? Por que encontramos tanta curiosidade e atrativo por estas comunidades que, muitas vezes, se encontram cercadas pela n\u00e9voa dos tempos e da escassez de documenta\u00e7\u00e3o? Ser\u00e1 pela aura de <em>liberdade<\/em> que os rodeia? A ideia de que lutavam por seus valores e costumes (algo que n\u00e3o podemos provar)? Devido a que representam uma parte <em>\u00e9pica<\/em> do passado da humanidade (ou assim queremos entend\u00ea-la muitas vezes)? S\u00e3o perguntas que, em muitas ocasi\u00f5es, n\u00e3o possuem respostas l\u00f3gicas. No entanto, podemos ser capazes de construir uma l\u00f3gica que nos permite compreender quem haviam sido estes b\u00e1rbaros e que papel tiveram no s\u00e9culo V. E, para isso, creio, n\u00e3o temos outro rem\u00e9dio que tentar conhecer e ler as fontes, os testemunhos desta \u00e9poca, junto com a bibliografia atualizada sobre o tema. N\u00e3o \u00e9 uma tarefa simples e muitos n\u00e3o estar\u00e3o dispostos a lev\u00e1-la a cabo. E isso tampouco \u00e9 ruim, posto que n\u00e3o \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o. Na atualidade, com a quantidade de recursos que dispomos, gra\u00e7as \u00e0 <em>internet<\/em>, tampouco \u00e9 uma coisa imposs\u00edvel. Neste ponto, hav\u00edamos de advogar por tentar ler e entender o passado sem recorrer \u00e0s estruturas e imagin\u00e1rios de nosso presente (algo que tampouco \u00e9 simples). E limpar os estere\u00f3tipos e treinar para compreender como funcionam os <em>processos<\/em> deveria ser outra meta que n\u00f3s, os docentes, haver\u00edamos de propor a nossos estudantes com mais frequ\u00eancia (ou, ao menos, com mais tenacidade). O imagin\u00e1rio antigo e atual sobre os <em>b\u00e1rbaros<\/em> e a conseguinte <em>queda<\/em> de Roma s\u00e3o uma prova eloquente de que estas medidas s\u00e3o necess\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GEARY, Patrick J.. <strong>Before France and Germany<\/strong>: The Creation and Transformation of the Merovingian World. Oxford: Oxford University Press, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______,____. <strong>The Myth of Nations<\/strong>: The Medieval Origins of Europe. Princeton: Princeton University Press, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GOETZ, Hans-Werner, JARNUT, J. e POHL, Walter (ed.). <strong>Regna and Gentes<\/strong>. The Relationship between Late Antique and Early Medieval Peoples and Kingdoms in the Transformation of the Roman World. 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Cambridge: Cambridge University Press, 1980.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">POHL, Walter. \u201cEthnicity, Theory, and Tradition: A Response\u201d. In: GUILLET, Andrew (ed.). <strong>On Barbarian Identity<\/strong>: Critical Approaches to Ethnogenesis Theory. Turnhout: Brepols, 2002. pp. 221-239.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______,____ (ed.), Kingdoms of the Empire: The Integration of Barbarians in Late Antiquity, Leiden: Brill, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______,____ e HEYDEMANN, Gerda (ed.). <strong>Strategies of Identification<\/strong>: Ethnicity and Religion in Early Medieval Europe. Turnhout: Brepols, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______,____. Telling the Difference: Signs of Ethnic Identity. In: ______,____ e REIMITZ, Helmut (ed.). <strong>Strategies of Distinction<\/strong>: The Construction of Ethnic Communities, 300-800. 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Los Angeles: University of California Press, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Tradu\u00e7\u00e3o de Gregory Ramos Oliveira (IFSUL), bacharel em Hist\u00f3ria pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Universitat de Lleida \/ Universidad Nacional del Nordeste.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 10 de Novembro de 2022.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> RUCHESI, Fernando. E o que Acontece com os B\u00e1rbaros. Tradu\u00e7\u00e3o: Gregory Oliveira. <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 10 nov. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/y-que-pasa-con-los-barbaros\/. Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Ruchesi[2] As pessoas muitas vezes me perguntam pelos b\u00e1rbaros, mas n\u00e3o usam esta palavra para se referir a eles. Estudantes e pessoas que possuem interesse geral em hist\u00f3ria se aproximam de mim me falando dos \u201cgermanos\u201d. Eu somente respondo com uma pergunta provocadora: \u201cOs germanos? Quem eram esses?\u201d. \u00c9 uma resposta com um pouco &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/e-o-que-acontece-com-os-barbaros\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1170,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"template-onecolumn.php","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-4800","page","type-page","status-publish","hentry","nodate","item-wrap"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.7 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Texto: E o que Acontece com os B\u00e1rbaros?[1] - POIEMA<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/e-o-que-acontece-com-os-barbaros\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Texto: E o que Acontece com os B\u00e1rbaros?[1] - POIEMA\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Fernando Ruchesi[2] As pessoas muitas vezes me perguntam pelos b\u00e1rbaros, mas n\u00e3o usam esta palavra para se referir a eles. 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