{"id":4782,"date":"2022-10-27T12:00:43","date_gmt":"2022-10-27T15:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=4782"},"modified":"2023-04-03T23:36:04","modified_gmt":"2023-04-04T02:36:04","slug":"texto-santa-olga-regente-de-kiev-969-astucia-vingativa-e-sabedoria-crista","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-santa-olga-regente-de-kiev-969-astucia-vingativa-e-sabedoria-crista\/","title":{"rendered":"Texto: Santa Olga, Regente de Kiev (\u2020 969): Ast\u00facia Vingativa e Sabedoria Crist\u00e3"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Leandro C\u00e9sar Santana Neves (LATHIMM\/UFRJ)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fim de angariar fundos para o ex\u00e9rcito ucraniano ap\u00f3s a ofensiva militar russa no territ\u00f3rio em 2022, o jornalista canadense Christian Borys criou uma linha de roupas e acess\u00f3rios<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> baseados no <em>meme <\/em>St. Javelin (GAULT, 2022). H\u00e1 v\u00e1rios personagens representados no site, em sua grande maioria santos portando o equipamento militar que lhes nomeia, mas uma figura destoa das demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma mulher est\u00e1 vestida com uma farda das for\u00e7as armadas ucranianas, uma coroa e um v\u00e9u. Dois elementos parecem ser antag\u00f4nicos, mas aparecem na maioria dos outros produtos: a presen\u00e7a de um lan\u00e7a-foguetes e de uma aur\u00e9ola. Chamada de <em>Warrior Queen of Kyiv, <\/em>ou \u201crainha guerreira de Kiev\u201d no portugu\u00eas, a personagem em quest\u00e3o \u00e9 Olga<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, regente da Rus<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> no s\u00e9culo X. A imagem vendida nada mais \u00e9 do que a imagem espelhada de uma pintura eclesi\u00e1stica colada em um corpo de soldado.<\/p>\n<div id=\"attachment_4784\" style=\"width: 294px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4784\" class=\"wp-image-4784 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/10\/Imagem1.jpg\" alt=\"\" width=\"294\" height=\"305\" \/><p id=\"caption-attachment-4784\" class=\"wp-caption-text\">[Figura 1: Sviataia Velikaia Kniaguinia Olga (1901), de Nikolai Bruni (1835-1935). https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/d\/d1\/\u0421\u0432\u044f\u0442\u0430\u044f_\u0432\u0435\u043b\u0438\u043a\u0430\u044f_\u043a\u043d\u044f\u0433\u0438\u043d\u044f_\u041e\u043b\u044c\u0433\u0430.jpg].<\/p><\/div><div id=\"attachment_4785\" style=\"width: 297px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4785\" class=\"wp-image-4785 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/10\/Imagem3.jpg\" alt=\"\" width=\"297\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/10\/Imagem3.jpg 297w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/10\/Imagem3-200x200.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 297px) 100vw, 297px\" \/><p id=\"caption-attachment-4785\" class=\"wp-caption-text\">[Figura 2: Adesivo Saint Olha \u2013 Warrior Queen. https:\/\/bit.ly\/3RW6rD2].<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio dos outros santos do cat\u00e1logo de Borys, Olga se destaca por n\u00e3o ser uma arma e por ser realmente uma santa venerada pelos ortodoxos de rito grego e russo. Na verdade, al\u00e9m de ser uma das primeiras crist\u00e3s nomeadas do per\u00edodo na Rus, a regente \u00e9 uma das personalidades rus mais celebradas tanto por sua governan\u00e7a (KARPOV, 2012), quanto por ser a primeira mulher \u2013 ou arqu\u00e9tipo feminino \u2013 not\u00e1vel da Rus que se tem not\u00edcia (DEWEY &amp; KLEIMOLA, 1983, p. 191-194; PUCHKARIOVA, 1989, p. 12-22). Uma quest\u00e3o paira no ar, contudo: Por que Olga foi escolhida? Por que ela porta uma arma e uma aur\u00e9ola? Tentemos uma reconstru\u00e7\u00e3o da vida da regente a partir da pouca documenta\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel a fim de responder os questionamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu nome \u00e9 considerado como uma corruptela do germ\u00e2nico <em>Helga, <\/em>possivelmente compartilhando a mesma origem n\u00f3rdica com os variagues que se sedentarizaram na Rus ao longo do s\u00e9culo IX e X (BRZOZOWSKA, 2014, p. 12). N\u00e3o h\u00e1 fontes nativas anteriores ao s\u00e9culo XI que falem sobre a vida de Olga, e nenhuma delas se dedica ao per\u00edodo anterior a 945 com detalhes. Sua primeira men\u00e7\u00e3o na <em>Narrativa dos Anos Passados <\/em>(<em>Povest Vremmenykh Let, <\/em>ou <em>PVL) <\/em>ocorre no ano de 903, quando ela \u00e9 trazida de Pskov para desposar Igor (\u2020 c. 944\/5), governante de Kiev (SIMONE, 2019, p. 86). Relatos do XVI pintam o encontro entre ambos com cores rom\u00e2nticas, com Igor se apaixonando imediatamente pela beleza e pela ast\u00facia da jovem (<em>SKTsR, <\/em>2007, p. 151-152). H\u00e1 tamb\u00e9m interpreta\u00e7\u00f5es afirmando que Olga foi uma sacerdotisa da divindade n\u00f3rdica Freyja (KOVALEV, 2015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande chance narrativa de Olga acontece nas entradas de 945 da <em>PVL. <\/em>No documento, Igor cobrara \u00e0 tribo dos derevlianos um segundo tributo, consecutivo ao \u00faltimo, mas acaba morto de maneira brutal pelos tributados. A viuvez de Olga tamb\u00e9m a transforma em regente de Kiev, pois seu filho Sviatoslav I Igorevitch (\u2020 c. 972) ainda era menor de idade. Ademais, a morte de Igor motivou os pr\u00f3prios derevlianos \u00e0 tentativa de casar Olga com seu chefe, Mal. Uma primeira leva de legados faz a proposta, e Olga a princ\u00edpio aceita a oferta derevliana, mas pede para que retornem no dia seguinte. Na mesma noite, por\u00e9m, a regente ordenou que um buraco fosse cavado em seu pal\u00e1cio, e quando os legados retornaram, a vi\u00fava comandou que fossem atirados no fosso e enterrados vivos. H\u00e1 uma provoca\u00e7\u00e3o de Olga segundo a PVL: &#8220;E Olga, inclinando-se, disse-lhes: \u201cParece-vos boa a honra?\u201d. Eles, ent\u00e3o, disseram: \u201c\u00c9-nos mais amarga que a morte de Igor\u201d. E ordenou que os enterrassem vivos, e foram enterrados&#8221; (SIMONE, 2019, 107-108).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A regente aparentemente gostaria que os derevlianos enviassem-na seus aristocratas, e assim o fizeram. Dessa vez, Olga comandou que um banho fosse preparado aos novos legados em uma cabana e que eles deveriam se lavar antes de encontrar a vi\u00fava. Mas Olga tinha um plano para os novos enviados: ela ordenou que seus soldados ateassem a cabana com os derevlianos dentro, queimando todos (SIMONE, 2019, p. 108). O pr\u00f3ximo passo da regente foi visitar Iskorosten, a capital dos derevlianos e onde o corpo assassinado de Igor ainda estava localizado. Antes de sua viagem, Olga ordenou que os derevlianos fizessem um funeral em homenagem ao governante morto, e que preparassem uma grande quantidade de hidromel. A regente n\u00e3o permitiu que seus guerreiros bebessem, mas ordenou que eles embriagassem os derevlianos. Quando estes ficaram enebriados, Olga ordenou um ataque feroz, tirando a vida de cinco mil derevlianos nas palavras do cronista (SIMONE, 2019, 108-109).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucedeu-se ent\u00e3o um longo cerco a Iskorosten sem uma aparente vit\u00f3ria dos rus, irritando Olga: \u201cPelo que esperais? Pois todas as vossas cidades j\u00e1 se renderam a mim e concordaram com o tributo, e j\u00e1 cultivam seus campos e sua terra; v\u00f3s, por\u00e9m, morrereis de fome ao recusardes o tributo\u201d (SIMONE, 2019, 110). Os derevlianos argumentaram que Olga ainda estaria se vingando deles, mas a regente argumentou que tudo que ela queria eram tr\u00eas pombos e tr\u00eas pardais de cada casa. Novamente, os derevlianos ca\u00edram na armadilha da regente. Diz a <em>PVL,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 200px;\">Olga, ent\u00e3o, tendo distribu\u00eddo a alguns dos soldados um pombo, e a outros, um pardal, ordenou que a cada pombo e a cada pardal fosse atada uma mecha, envolta em pequenos embrulhos, com um fio atado a cada uma delas. E ordenou Olga, quando anoiteceu, que seus soldados soltassem os pombos e os pardais. Os pombos e os pardais, ent\u00e3o, voaram para seus ninhos: uns para os pombais, os pardais para os telhados. E assim come\u00e7aram a arder os pombais, ora os celeiros, ora os pai\u00f3is, ora os palheiros, e n\u00e3o havia casa que n\u00e3o ardesse, e n\u00e3o se podia apagar (o fogo), pois todos os lares come\u00e7aram a arder. E o povo fugiu da cidade, e Olga ordenou a seus soldados que os apanhassem. Tendo tomado a cidade, incendiou-a; os anci\u00e3os da cidade, pois, aprisionou, e matou as demais pessoas, e outras ainda entregou a seus 30 homens como escravas, e as remanescentes deixou para que pagassem tributo (SIMONE, 2019, p. 110-111).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 200px;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tributo imposto por Olga foi maior que o tentado por Igor, diga-se de passagem. Claro, a destrui\u00e7\u00e3o completa dos derevlianos em uma vingan\u00e7a de quatro atos \u00e9 ficcional, bebendo bastante de lendas similares especialmente da tradi\u00e7\u00e3o germ\u00e2nica (BUTLER, 2004, p. 781-785), j\u00e1 que as palavras s\u00e3o as mais poderosas armas de Olga (BUTLER, 2004, p. 793). Sabemos, contudo, que a regente de fato expandiu seu territ\u00f3rio ao oeste em uma tentativa de reforma tribut\u00e1ria, dando certa confiabilidade em uma guerra contra os derevlianos (DYBA, 2013).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois bem, como uma governante assassina se torna uma santa? Conta a <em>PVL <\/em>que, no ano de 955<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>, Olga visitou Constantinopla. O Imperador Constantino VII Porfirog\u00eanito (913-959) ficou encantado com a beleza da regente e queria fazer dela imperatriz. Olga recusou, argumentando que ainda era pag\u00e3, mas que n\u00e3o recusaria o batismo contanto que fosse feito pelas m\u00e3os do imperador, e o <em>basileos <\/em>apressou-se para batiz\u00e1-la. Ap\u00f3s a convers\u00e3o da regente em uma narrativa derivada de servi\u00e7os lit\u00fargicos louvando sua sabedoria antes e depois do ocorrido(GRIFFIN, 2019, 124, p. 117-125), Olga se torna mais que crist\u00e3. \u201cBendita entre as mulheres da Rus\u201d (SIMONE, 2019, p. 112), a primeira governante assumidamente crist\u00e3 da Rus nomeada pela documenta\u00e7\u00e3o. Constantino flertou mais uma vez com a regente rec\u00e9m batizada, somente para ser iludido por Olga: \u201cComo queres tomar-me, tendo tu mesmo me batizado, e me chamado de filha? Pois, entre os crist\u00e3os, tal n\u00e3o \u00e9 a lei, e tu mesmo o sabes\u201d. E disse o imperador: \u201cFoste mais astuta que eu, Olga\u201d (SIMONE, 2019, p. 112). Assim como a vingan\u00e7a, esse \u00e9 um relato ficcional, mas ambos n\u00e3o se contradizem. Se complementam na verdade, pois o batismo cristianiza o poder de Olga sobre as palavras (BUTLER, 2008, p. 242), e ela \u00e9 apresentada como uma defensora da comunidade de f\u00e9, mesmo antes de se cristianizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua nova f\u00e9 n\u00e3o foi uma alian\u00e7a de subservi\u00eancia \u00e0 Constantinopla, e Olga sabia que a vers\u00e3o bizantina do cristianismo n\u00e3o era a \u00fanica dispon\u00edvel. Em um documento alem\u00e3o h\u00e1 o relato de uma rainha dos Rus chamada Helena que solicitara \u201cfalsamente\u201d bispos ao rei alem\u00e3o Oto I (936-973), em 959 (MACLEAN, 2009, p. 260). A miss\u00e3o ocorreu em 961 ou 962 e foi liderada pelo eclesi\u00e1stico Adalberto, mas fracassou possivelmente gra\u00e7as a Sviatoslav, que j\u00e1 governava Kiev e n\u00e3o queria abandonar sua cren\u00e7a nativa (MACLEAN, 2009, p. 263; KARPOV, 2012, p. 216-242). Ademais, segundo a <em>PVL<\/em> seu batismo teria motivado a convers\u00e3o do seu neto Vladimir I Sviatoslavitch (980-1015) ao cristianismo de rito constantinopolitano em 988, com os boiardos<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> dizendo ao governante: \u201cSe fosse m\u00e1 a lei dos gregos, ent\u00e3o Olga, tua av\u00f3, n\u00e3o a teria tomado, pois era mais s\u00e1bia que todos os homens\u201d (SIMONE, 2019, p. 147).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olga teria falecido em 969 de causas naturais. H\u00e1 um enc\u00f4mio na <em>PVL <\/em>ap\u00f3s sua morte tamb\u00e9m inspirado por v\u00e1rios servi\u00e7os lit\u00fargicos (GRIFFIN, 2019, p. 125-132), transformando a regente uma precursora da f\u00e9 crist\u00e3 na Rus:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 200px;\">Ela foi a anunciadora de uma terra crist\u00e3, como a estrela da manh\u00e3 que antecede o sol, como a aurora que antecede o romper do dia. Ela brilhou como a lua na madrugada; assim em meio aos infi\u00e9is, ela cintilou, como uma p\u00e9rola no lodo; pois eram sujos pelos pecados, n\u00e3o foram lavados pelo santo batismo. Ela, por\u00e9m, foi lavada na santa pia batismal. Tirou de si a pecaminosa vestimenta do primeiro homem, Ad\u00e3o, e vestiu-se com o novo Ad\u00e3o, que \u00e9 Cristo. N\u00f3s clamamos a ela: \u201cRegozija-te, primeira da Rus a conhecer a Deus, foste o in\u00edcio da reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d. Ela foi a primeira dentre os russos a adentrar o reino dos c\u00e9us, e \u00e9 louvada pelos filhos dos russos como sua principiadora, pois at\u00e9 a morte orou a Deus pela Rus. Pois a alma dos justos n\u00e3o perece. Como disse Salom\u00e3o: \u201cCom o louvor ao justo, o povo se alegra, pois imortal \u00e9 sua mem\u00f3ria, posto que \u00e9 reconhecida por Deus e pelo homem\u201d. Eis que todas as pessoas louvam-na, vendo que ela jaz h\u00e1 muitos anos incorrupta. Pois disse o profeta: \u201cAos que me honram, honrarei\u201d. A respeito deles, disse Davi: \u201cO justo ser\u00e1 tido em mem\u00f3ria eterna, n\u00e3o se atemoriza de m\u00e1s not\u00edcias. O seu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 firme, confiante no Senhor: o seu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 bem firmado, e n\u00e3o teme\u201d. Pois Salom\u00e3o disse: \u201cOs justos vivem para sempre, recebem do Senhor sua recompensa, cuida deles o Alt\u00edssimo. Receber\u00e3o a magn\u00edfica coroa real, e, das m\u00e3os do Senhor, o diadema de beleza; com sua direita ele os proteger\u00e1, com seu bra\u00e7o os escudar\u00e1\u201d. Pois escudou ele essa aben\u00e7oada Olga, do inimigo e do advers\u00e1rio, o diabo (SIMONE, 2019, p. 117-118).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como profetizado pelo cronista, a mem\u00f3ria de Olga jamais deixou de ser acionada pelos rus. Iconograficamente, talvez a primeira representa\u00e7\u00e3o da regente seja em um afresco contendo a genealogia de Vladimir na Catedral de Santa Sofia de Kiev. De fato, Olga quase sempre \u00e9 mencionada com seu neto nos textos de cunho confessional, tendo a fun\u00e7\u00e3o ret\u00f3rica de \u201cmulher persuasiva\u201d (HOMZA, 2017, p. 143-156). A t\u00f3pica \u00e9 comum em hagiografias e homilias criadas em reinos rec\u00e9m-cristianizados da Europa Centro-Oriental como Bo\u00eamia e Hungria, retomando a narrativa da convers\u00e3o de Constantino o Grande e a influ\u00eancia que sua m\u00e3e Helena Augusta teria exercido sobre sua nova f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que sua \u201ccanoniza\u00e7\u00e3o\u201d tenha sido bem tardia<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>, Olga j\u00e1 circulava como santa desde o s\u00e9culo XI. No <em>Serm\u00e3o sobre a Lei e a Gra\u00e7a <\/em>(<em>Slovo o Zakone i Blagodati<\/em>), composto em meados do s\u00e9culo XI pelo metropolita Hilari\u00e3o de Kiev, Olga e Vladimir s\u00e3o os respons\u00e1veis por transportar a Vera Cruz de Jerusal\u00e9m para Rus, em an\u00e1logo \u00e0 lenda de Constantino e Helena (HILARI\u00c3O, 1991, p. 23). A regente tamb\u00e9m ganha uma subse\u00e7\u00e3o dentro de um enc\u00f4mio para Vladimir escrito por volta do s\u00e9culo XIII por um tal monge Tiago. L\u00e1, ela \u00e9 constantemente referida por seu nome batismal e \u201cembora fosse uma mulher, ela teve a coragem de um homem\u201d (TIAGO, 1992, p. 169). Haveria at\u00e9 relatos de milagres atribu\u00eddos ao seu corpo incorrupto transformado em rel\u00edquia (TIAGO, 1992, p. 170-171). Sua mem\u00f3ria santificada tamb\u00e9m circulava por diversos servi\u00e7os lit\u00fargicos criados em sua homenagem, sendo o mais antigo possivelmente composto no s\u00e9culo XII na regi\u00e3o de Turov (SVETLOVA, 2018, p. 31-33). Todas as fontes mencionadas omitem o lado vingativo de Olga, que circulou por meio da tradi\u00e7\u00e3o oral at\u00e9 chegar na cron\u00edstica (SIMONE, 2019, p. 38).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz sentido ent\u00e3o que um armamento pesado e uma aur\u00e9ola n\u00e3o sejam paradoxais em uma santa venerada. Olga \u00e9 t\u00e3o celebrada por seu banho de sangue derevliano quanto por sua convers\u00e3o nas mais diversas representa\u00e7\u00f5es posteriores. Entre os assassinatos e a cruz, a ast\u00facia vingativa e a sabedoria crist\u00e3 h\u00e1 uma defensora de uma comunidade (de f\u00e9), perfeita para <em>merchandising <\/em>de guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRZOZOWSKA, Zofia. <strong>\u015awi\u0119ta ksi\u0119\u017cna kijowska Olga \u2013 wyb\u00f3r tekst\u00f3w \u017ar\u00f3d\u0142owych. <\/strong>\u0141\u00f3d\u017a: Wydawnictwo Uniwersytetu \u0141\u00f3dzkiego, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BUTLER, Francis. A Woman of Words: Pagan Ol\u2019ga in the Mirror of Germanic Europe. <strong>Slavic Review,<\/strong> Vol. 63, No. 4, 2004, p. 771-793.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BUTLER, Francis. Ol\u2019ga\u2019s Conversion and the Construction of Chronicle Narrative. <strong>The Russian Review,<\/strong> Vol. 67, n. 2, 2008, p. 230-242.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DEWEY, Horace W.; KLEIMOLA, Ann M. Muted Eulogy: Women Who Inspired Men in Medieval Rus\u2019. <strong>Russian History,<\/strong> 10, 2, 1983, p. 188-200.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DYBA, Yuriy R. Administrative and Urban Reforms by Princess Olga: Geography, Historical and Economic Background. <strong>Latvijas arh\u012bvi \/ Latvijas Nacion\u0101lais arh\u012bvs. Galv. red. V. P\u0113tersone,<\/strong> \u2116 1 \u2012 2, 2013, p. 30-71.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANKLIN, Simon; SHEPARD, Jonathan. <strong>The Emergence of Rus, 750\u20131200.<\/strong> Essex: Longman, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GAULT, Matthew. Who Is St. Javelin and Why Is She a Symbol of the War in Ukraine? <strong>Vice,<\/strong> 25\/02\/2022. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/vice.com\/en\/article\/akvyjj\/who-is-st-javelin-and-why-is-she-a-symbol-of-the-war-in-ukraine\">vice.com\/en\/article\/akvyjj\/who-is-st-javelin-and-why-is-she-a-symbol-of-the-war-in-ukraine<\/a>. Acesso em: 14 de setembro de 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GRIFFIN, Sean. <em>The Liturgical Past in Byzantium and Early Rus. <\/em>Cambridge: Cambridge University Press, 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HILARI\u00c3O DE KIEV. Sermon on Law and Grace. In: <strong>Sermons and Rhetoric of Kievan Rus\u2019.<\/strong> Edi\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o de Simon Franklin. Cambridge: Harvard University Press, 1991, p. 3-29.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HOMZA, Martin. <strong><em>Mulieres Suadentes<\/em> \u2012 Persuasive Women: Female Royal Saints in Medieval East Central and Eastern Europe.<\/strong> Leiden: Koninklijke Brill NV, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KARPOV, A. Iu. <strong>Kniaguinia Olga. <\/strong>Moscou: Molodaia Gvardiia, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KOVALEV, Roman K. Where Did Rus\u2019 Grand Princess Olga\u2019s Falcon Find Its Cross? <strong>Archivum Eurasiae Medii Aevi,<\/strong> n. 21, 2015, p. 161-181.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MACLEAN, Simon. <strong>History and Politics in Late Carolingian and Ottonian Europe: The Chronicle of Regino of Pr\u00fcm and Adalbert of Magdeburg.<\/strong> Manchester: Manchester University Press, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PUCHKARIOVA, N. L. <strong>Jenschiny Drevnei Russi. <\/strong>Moscou: Mysl, 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SIMONE, Lucas Ricardo. <strong>Recontar o tempo: apresenta\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o da Narrativa dos anos passados.<\/strong> Tese de Doutorado (Doutorado em Literatura e Cultura Russa) &#8211; Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas, Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo: 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Stepennaia Kniga Tsarskogo Rodosloviia po drevneichim spiskam. <\/strong><strong>Teksty i kommentarii v triokh tomakh.<\/strong> Editado por Gail D. Lenhoff e Nikolai N. Pokrovskii. Tomo I. Moscou: Iazyk slavianskikh kultur, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SVETLOVA, O. V. <strong>Istoriia teksta i iazyka slujby kniaguinie Olge: iz Srednevekovia v XXI vek.<\/strong> S\u00e3o Petersburgo: Dmitrii Bulanin, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TIAGO, O MONGE. Memorial and Encomium for Prince Volodimer of Rus\u2019. In: <strong>The Hagiography of Kievan Rus\u2019.<\/strong> Edi\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o de Paul A. Hollingsworth. Cambridge: Harvard University Press, 1992, p. 165-181.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Doutorando pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGHIS\/UFRJ). Membro do LATHIMM \u2013 Laborat\u00f3rio de Teoria e Hist\u00f3ria das M\u00eddias Medievais (UFRJ\/USP). E-mail: <a href=\"mailto:lcneves.clio@gmail.com\">lcneves.clio@gmail.com<\/a>. Lattes: <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1647296759249155\">http:\/\/lattes.cnpq.br\/1647296759249155<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> <a href=\"https:\/\/www.saintjavelin.com\/collections\/saint-olha\">https:\/\/www.saintjavelin.com\/collections\/saint-olha<\/a>. Acesso em 14 de setembro de 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Na translitera\u00e7\u00e3o do ucraniano para o ingl\u00eas, a letra <em>\u0413\/\u0433<\/em> \u00e9 transformada em \u201ch\u201d. Como em portugu\u00eas n\u00e3o h\u00e1 sistema de translitera\u00e7\u00e3o do ucraniano, e considerando que a variante \u00e9 comum no idioma de Cam\u00f5es, preferimos transliterar como <em>Olga.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Por Rus, entendemos uma confedera\u00e7\u00e3o de reinos ao longo dos territ\u00f3rios das atuais Bielorr\u00fassia, R\u00fassia e Ucr\u00e2nia, unidos ao menos a partir do s\u00e9culo XI em torno da ancestralidade comum de seus governantes, os <em>kniazi\u00b8<\/em>e com um povo que se identifica\/\u00e9 identificado como <em>rus <\/em>(em letra min\u00fascula). Sobre o per\u00edodo abordado neste texto, ver FRANKLIN &amp; SHEPARD, 1996, p. 112-151.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> H\u00e1 um debate historiogr\u00e1fico sobre quando realmente o evento teria ocorrido, com hip\u00f3teses sobre 944, 946, 954, 957 e 960 sendo argumentadas (KARPOV, 2012, p. 151-158). Atualmente, a hip\u00f3tese mais aceita seria 957.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Aristocracia ligada \u00e0 atividade guerreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> N\u00e3o havia uma canoniza\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica no rito constantinopolitano, assim como existia no rito latino. Olga provavelmente s\u00f3 foi inclu\u00edda no sinax\u00e1rio da Rus durante o final do s\u00e9culo XIII, juntamente com seu neto Vladimir.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 27 de Outubro de 2022.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> NEVES, Leandro C\u00e9sar Santana. Santa Olga, Regente de Kiev (\u2020 969): Ast\u00facia Vingativa e Sabedoria Crist\u00e3. <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 27 out. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-santa-olga-regente-de-kiev-969-astucia-vingativa-e-sabedoria-crista\/. Acesso em: data em que voc\u00ea acessou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leandro C\u00e9sar Santana Neves (LATHIMM\/UFRJ)[1] &nbsp; A fim de angariar fundos para o ex\u00e9rcito ucraniano ap\u00f3s a ofensiva militar russa no territ\u00f3rio em 2022, o jornalista canadense Christian Borys criou uma linha de roupas e acess\u00f3rios[2] baseados no meme St. Javelin (GAULT, 2022). 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