{"id":4547,"date":"2022-09-29T12:00:18","date_gmt":"2022-09-29T15:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=4547"},"modified":"2023-04-03T23:42:19","modified_gmt":"2023-04-04T02:42:19","slug":"mais-emocao-por-favor","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/mais-emocao-por-favor\/","title":{"rendered":"Texto: Mais Emo\u00e7\u00e3o, Por Favor!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Gabriel Castanho (LATHIMM\/UFRJ)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0\u201c<em>Hoje voc\u00eas riem. Durante mil anos n\u00e3o se riu. Chorou-se amargamente<\/em>\u201d. Assim Michelet (1966) definiu todo um per\u00edodo da hist\u00f3ria europeia. O texto \u00e9 de meados do s\u00e9culo XIX, o per\u00edodo que inventou todos os outros, como li certa vez em uma postagem no Twitter<sup>\u00ae<\/sup>. As tr\u00eas frases p\u00f5em por terra anos, d\u00e9cadas, s\u00e9culos de escrita da Hist\u00f3ria; uma escrita que elevava as guerras, os regimes pol\u00edticos e os sistemas econ\u00f4micos \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de motores da Hist\u00f3ria, agindo como verdadeiras navalhas do tempo respons\u00e1veis por dissecar o passado em busca de elementos definidores de uma \u00e9poca. Bem diferente foi a proposta rom\u00e2ntica de Michelet ao situar entre o riso e o choro o movimento da Hist\u00f3ria. O que diferenciava seu s\u00e9culo dos medievais n\u00e3o seria tanto o embate entre pot\u00eancias imperialistas, o poder estatal ou o dinamismo capitalista, mas sim um apanhado dessas caracter\u00edsticas reunidas sob a aura da alegria expressa pelo riso. Em oposi\u00e7\u00e3o, a catividade, a submiss\u00e3o e a servid\u00e3o marcariam a experi\u00eancia melanc\u00f3lica, cruel e amarga que oprimiria os cora\u00e7\u00f5es e as mentes das pessoas durante os mil anos de uma Idade M\u00e9dia obscura e triste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Sob o v\u00e9u das emo\u00e7\u00f5es, suas virtudes e seus males, emerge, nesta brev\u00edssima passagem de um cl\u00e1ssico da literatura hist\u00f3rica francesa, uma vis\u00e3o progressista da hist\u00f3ria. Se, evidentemente, a passagem n\u00e3o resume toda a complexidade da escrita hist\u00f3rica de Michelet, nem por isso o papel das emo\u00e7\u00f5es \u00e9 ai menor. Isso, pois, \u00e9 digno de nota, o emprego de um recurso ret\u00f3rico ancorado em lugar comum t\u00e3o caro a historiadores nos \u00faltimos anos: a experi\u00eancia como evid\u00eancia, prova, documento de uma \u00e9poca. Se a preocupa\u00e7\u00e3o com a vivacidade das narrativas hist\u00f3ricas visando, de algum modo, transportar leitores\/auditores ao \u00e2mago da <em>est\u00f3ria<\/em> j\u00e1 \u00e9, h\u00e1 muito tempo, uma preocupa\u00e7\u00e3o entre especialistas do passado, recentemente esse trabalho de transfer\u00eancia (ou de tradu\u00e7\u00e3o, prefiro eu) tem sido concebido nos moldes da experi\u00eancia. Prova disso \u00e9 o sucesso de \u201creconstitui\u00e7\u00f5es\u201d virtuais de passados em jogos de videogame ou em realidades virtuais ou expandidas: a escrita e a imagina\u00e7\u00e3o do leitor n\u00e3o bastam mais; \u00e9 preciso ver, escutar, agir, em suma, simular e emular o passado para compreend\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 Estamos a um pulo do argumento de que a experi\u00eancia do passado valeria mais do que an\u00e1lises\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0cient\u00edficas, pois as experi\u00eancias, marcadas pelos sentidos e pelas sensibilidades seriam mais reais do que construtos cient\u00edficos artificiais que, por sua vez, seriam mais abertos \u00e0s ideologias. Assim nascem muitos dos atuais usos do passado. Em especial, os abusos medievalescos (recep\u00e7\u00f5es do medievo, neomedievalismos ou mesmo medievalismos, se preferirem). Diante deles, a historiografia, atacada em seus princ\u00edpios cient\u00edficos (fundados na documenta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e no m\u00e9todo) e liter\u00e1rios (da ret\u00f3rica \u00e0 narrativa, l\u00e1 e de volta outra vez), se encontra hoje de joelhos, pois desconectada da forma como uma grande parcela do p\u00fablico busca se relacionar com o passado, desejando experiment\u00e1-lo mais do que explic\u00e1-lo. Diante desse quadro desafiador (para usar outro termo vedete de nossos dias) \u00e9 preciso, ent\u00e3o, que os profissionais do passado pensem criticamente o papel da experi\u00eancia nos estudos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Tal estudo cr\u00edtico tem pelo menos duas balizas: a experi\u00eancia como t\u00e9cnica e a experi\u00eancia como sensibilidade. A primeira baliza n\u00e3o sendo o objeto destas minhas breves notas, mesmo assim, algumas palavras a respeito se fazem necess\u00e1rias. Todos n\u00f3s somos dependentes das tecnologias de informa\u00e7\u00f5es (not\u00f3rias atualmente sob a sigla TI). Sabemos que toda informa\u00e7\u00e3o depende de tecnologias, ou seja, de t\u00e9cnicas, que sirvam de meio ou de suporte para sua difus\u00e3o. Por outro lado, nem sempre dedicamos aten\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria ao fato de que tal imbricamento torna artificial qualquer forma de compreens\u00e3o que desarticule tais dimens\u00f5es ou n\u00e3o perceba como um elemento altera constantemente o outro. Nesse sentido, n\u00e3o h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o entre a informa\u00e7\u00e3o e suas formas de express\u00e3o. Por exemplo, ao sumarizar a experi\u00eancia medieval, Michelet n\u00e3o apenas precisa fazer uso de uma tecnologia (a escrita), como estabelece uma cadeia relacional emotiva ao opor certos Regimes Emotivos (REDDY, 2001): a experi\u00eancia da tristeza medieval se op\u00f5e \u00e0 alegria contempor\u00e2nea. E mais! Tais emo\u00e7\u00f5es aparecem impl\u00edcitas na express\u00e3o narrativa, pois subentendidas (por n\u00f3s) a partir de uma sem\u00e2ntica dos gestos que associa, de modo universalizante, o riso \u00e0 alegria e o choro \u00e0 tristeza. Ora, quantos de n\u00f3s j\u00e1 n\u00e3o \u201cchoramos de alegria\u201d ou \u201crimos de nervoso\u201d? De fato, a exist\u00eancia dessas duas \u00faltimas express\u00f5es verbais, verdadeiros lugares comuns emotivos em nossos tempos, s\u00f3 fazem sentido se aceitarmos que emotividade e sua express\u00e3o s\u00e3o insepar\u00e1veis e necessariamente hist\u00f3ricas. Retirado de seu contexto, o riso pode ser express\u00e3o de alegria ou de ansiedade e o choro pode ser sinal de tristeza ou de alegria. Objeto relacional, uma emo\u00e7\u00e3o nunca \u00e9 a simples manifesta\u00e7\u00e3o interior e individual de uma suposta universalidade humana, mas sim a realiza\u00e7\u00e3o aqui e agora de respostas a experi\u00eancias hist\u00f3ricas; uma resposta cognitiva dependente de redes de valores e metas socialmente constru\u00eddas (ROSENWEIN, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Devemos ent\u00e3o reconhecer que as experi\u00eancias hist\u00f3ricas n\u00e3o s\u00e3o meras sensibilidades fruto de individualidades aut\u00f4nomas e independentes, pois os significados de tais sensibilidades dependem fortemente das din\u00e2micas rela\u00e7\u00f5es sociais onde elas existem. Vejamos, brevemente, dois casos em que a compreens\u00e3o de uma emo\u00e7\u00e3o s\u00f3 se torna poss\u00edvel quando analisamos suas formas hist\u00f3ricas. Em latim, o verbo <em>contristare<\/em>, em sua polissemia, remete ao campo da tristeza: entristecer, afligir, abater ou contristar, em suma. Uma tristeza entendida como a\u00e7\u00e3o diretamente ligada a outrem. Se em nosso mundo a tristeza \u00e9, muitas vezes, associada a desequil\u00edbrios ou doen\u00e7as ps\u00edquicas ou fisiol\u00f3gicas, o cristianismo medieval criou um lugar virtuoso para essa emo\u00e7\u00e3o. Em uma \u00f3tica asc\u00e9tica, o sofrimento de hoje torna poss\u00edvel a purifica\u00e7\u00e3o de amanh\u00e3 (Cristo, em sua paix\u00e3o, que o diga!).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 N\u00e3o se trata aqui de conjecturas racionais de um historiador no conforto de seu escrit\u00f3rio; esta \u00e9 uma an\u00e1lise (ainda que preliminar) ancorada no estudo da express\u00e3o dessa emo\u00e7\u00e3o em uma massa consider\u00e1vel de textos produzidos na Idade M\u00e9dia. De fato, a busca pelos usos do termo <em>contristare <\/em>em bases documentais compostas por vastas cole\u00e7\u00f5es como a Patrologia Latina (mas n\u00e3o restritas a esta \u00faltima) revela que, na Idade M\u00e9dia latina, o termo foi largamente empregado a partir de modelos b\u00edblicos, em especial Ef\u00e9sios 4:30 e 2 Cor\u00edntios 7:9. Juntas, as duas passagens aparecem em pouco mais de 200 ocorr\u00eancias em todo o <em>corpus<\/em> estudado. Seu amplo uso remete \u00e0 express\u00e3o comum da experi\u00eancia desta emo\u00e7\u00e3o no per\u00edodo. Note-se bem: n\u00e3o se trata de naturalizar essa emotividade para todos os indiv\u00edduos, mas sim de perceber a exist\u00eancia de um Regime Emocional a ser reproduzido e\/ou contestado; seu completo desconhecimento estando ligado ao desconhecimento da B\u00edblia. Mas, finalmente, o que dizem essas importantes express\u00f5es do entristecimento medieval? Em Ef\u00e9sios 4:30 lemos: \u201cE n\u00e3o entriste\u00e7ais o Esp\u00edrito Santo de Deus, pelo qual fostes selados para o dia da reden\u00e7\u00e3o\u201d. Trata-se de n\u00e3o entristecer o outro; sendo esse outro a pr\u00f3pria divindade, entristecer Deus \u00e9 ato contr\u00e1rio \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Em 2 Cor\u00edntios 7:9, lemos: \u201calegro-me agora, n\u00e3o por vos ter contristado, mas porque a vossa tristeza vos levou ao arrependimento. V\u00f3s vos entristecestes segundo Deus, e assim n\u00e3o sofrestes dano algum da nossa parte.\u201d Novamente \u00e9 o entristecimento de outrem que se encontra no foco da express\u00e3o desta emo\u00e7\u00e3o. Contudo, sua experi\u00eancia \u00e9 diferente, pois aqui se trata de uma emo\u00e7\u00e3o virtuosa tida como forma de penit\u00eancia\/arrependimento que pode levar \u00e0 salva\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 is. Nos dois casos, retiremos o horizonte salv\u00edfico no qual se enquadram as express\u00f5es dessa emo\u00e7\u00e3o e deixaremos de compreender um aspecto importante da historicidade da tristeza na Idade M\u00e9dia latina, a saber, sua profunda rela\u00e7\u00e3o com a alegria, ou melhor, a beatitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 O segundo caso que eu gostaria de apresentar brevemente demonstra n\u00e3o apenas como uma emo\u00e7\u00e3o possui significados diferentes ao longo do tempo (como no caso citado do entristecimento), mas como uma mesma express\u00e3o pode remeter a experi\u00eancias diferentes, ou seja, como uma express\u00e3o tida em nossos dias como sendo emotiva pode n\u00e3o o ser em outros contextos hist\u00f3ricos. Em uma carta atribu\u00edda a Jer\u00f4nimo, encontramos uma express\u00e3o interessante: \u201cO isolamento e n\u00e3o a coisa p\u00fablica faz o monge e o cl\u00e9rigo\u201d (<em>Monachum vel clericum solitudo facit, non publicum<\/em>). De tradu\u00e7\u00e3o apenas aparentemente simples, a frase nos apresenta o termo <em>solitudo<\/em>, geralmente traduzido por \u201csolid\u00e3o\u201d, desprovido de significado emotivo. Em sua express\u00e3o verbal, a solid\u00e3o latina medieval n\u00e3o seria, ent\u00e3o, uma emo\u00e7\u00e3o! N\u00e3o se trata mais de refletir sobre como os medievais experimentavam a solid\u00e3o, mas sim de buscar compreender como a <em>solitudo<\/em> se transformou, ao longo dos s\u00e9culos em solid\u00e3o; como um termo que remetia diretamente a significados geogr\u00e1ficos (deserto, por exemplo) e demogr\u00e1ficos (isolamento, como no caso aqui citado) p\u00f4de dar origem a uma experi\u00eancia emotiva como a solid\u00e3o de nossos dias. Seja como for, uma Hist\u00f3ria da solid\u00e3o deve levar em conta que esta emo\u00e7\u00e3o, hoje tida como universal e atemporal (supostamente sentida por homens e mulheres em todos os cantos do globo e em todas as \u00e9pocas) \u00e9, na verdade, uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica marcadamente ocidental e relativamente recente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Certamente h\u00e1 mais exemplos da profunda rela\u00e7\u00e3o entre emo\u00e7\u00e3o e sua express\u00e3o, entre experi\u00eancia e sociedade, entre sensibilidades e cogni\u00e7\u00e3o. Para terminar (e em um registro menos tr\u00e1gico do que minhas queridas tristeza e solid\u00e3o), eu gostaria de mencionar brevemente um velho conhecido de todos n\u00f3s, medievalistas ou simples apaixonados pelo medievalesco: o chamado \u201camor cort\u00eas\u201d. Em bela postagem recentemente produzida por este <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/CetaAoHNQyo\/?utm_source=ig_web_copy_link\"><em><u>Polo Interdisciplinar de Estudos do Medievo e da Antiguidade<\/u><\/em><\/a>, o tema foi abordado e desconstru\u00eddo. Como bem demonstrado ali, para al\u00e9m do fato de se tratar de express\u00e3o emotiva possuidora de marcas p\u00f3s-medievais, o \u201camor cort\u00eas\u201d deve ser compreendido de forma plural, j\u00e1 que plurais eram as formas de amor na Idade M\u00e9dia: do amor carnal ao amor espiritual, da amizade \u00e0 utilidade do outro, da fidelidade feudal \u00e0 infidelidade religiosa etc., a Idade M\u00e9dia foi marcada por experi\u00eancias amorosas que podem nos afastar de imagens sombrias como a de Michelet. Assim, entre o amor, a tristeza e a solid\u00e3o, nos resta, ao final desse breve percurso, pelo menos uma certeza: a necessidade de se incluir o estudo cr\u00edtico das emo\u00e7\u00f5es no of\u00edcio de historiador. Por isso, mais emo\u00e7\u00e3o, por favor!<\/p>\n<h4><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">BODDICE, R.; SMITH, M.. <em>Emotion, Sense, Experience<\/em>. Cambridge: Cambridge University Press, 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Corpus Corporum. <\/em><em>Repositorium operum Latinorum apud universitatem Turicensem<\/em>: https:\/\/www.mlat.uzh.ch\/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JER\u00d4NIMO (atribu\u00eddo a). Ep\u00edstola<em>. <\/em>42, 9. In: <em>PL<\/em>, 30, col 297-301.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MICHELET, J.. <em>La Sorci\u00e8re<\/em>. Paris: Garnier-Flammarion, 1966 [1862].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REDDY, W.. <em>The Navigation of Felling. A Framework for the History of Emotions<\/em>. Cambridge: Cambridge University Press, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ROSENWEIN, B. H.. <em>Hist\u00f3ria das emo\u00e7\u00f5es: problemas e m\u00e9todos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Letra e Voz, 2011 [2010].<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 29 de Setembro de 2022.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> CASTANHO, Gabriel. Mais Esmo\u00e7\u00e3o, Por Favor! <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 29 set. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/mais-emocao-por-favor\/. Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gabriel Castanho (LATHIMM\/UFRJ) &nbsp; \u00a0 \u00a0\u201cHoje voc\u00eas riem. Durante mil anos n\u00e3o se riu. Chorou-se amargamente\u201d. Assim Michelet (1966) definiu todo um per\u00edodo da hist\u00f3ria europeia. O texto \u00e9 de meados do s\u00e9culo XIX, o per\u00edodo que inventou todos os outros, como li certa vez em uma postagem no Twitter\u00ae. 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