{"id":4489,"date":"2022-09-01T11:29:34","date_gmt":"2022-09-01T14:29:34","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=4489"},"modified":"2023-04-03T23:47:08","modified_gmt":"2023-04-04T02:47:08","slug":"texto-santo-eusebio-de-cesareia-atraves-dos-seculos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-santo-eusebio-de-cesareia-atraves-dos-seculos\/","title":{"rendered":"Texto: Santo Eus\u00e9bio de Cesareia Atrav\u00e9s dos S\u00e9culos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Robson Murilo Grando Della Torre<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A devo\u00e7\u00e3o santoral sempre traz em si as marcas de seus devotos. Sejam eles reis ou meros \u201cpopulares\u201d, damas ou prostitutas, escravos ou libertos, todos t\u00eam um santo ou santa para chamar de seu ou sua. Para al\u00e9m de um elemento de coes\u00e3o e identidade social, os santos encarnam em si virtudes e ideais almejadas por tais grupos que nem sempre s\u00e3o bem-vistos pelas autoridades eclesi\u00e1sticas. Pouco importa. O espectro de idealismo crist\u00e3o aceita de tudo um pouco, desde m\u00e1rtires suicidas at\u00e9 figuras bastante \u201cpoliticamente incorretas\u201d (com o perd\u00e3o do eufemismo\u2026) como um Santiago Matamoros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Peter Brown j\u00e1 teorizava h\u00e1 meio s\u00e9culo acerca da import\u00e2ncia do \u201chomem santo\u201d na Antiguidade Tardia como um elemento necess\u00e1rio de liga\u00e7\u00e3o entre c\u00e9u e terra para uma popula\u00e7\u00e3o carente de refer\u00eancias e de lideran\u00e7as em um mundo em dissolu\u00e7\u00e3o (BROWN, 1971). Para tanto, o tal \u201chomem santo\u201d deveria se mostrar ao mundo como algu\u00e9m capaz de abdicar de muitas coisas que as pessoas comuns almejavam justamente para demonstrar essa sua liga\u00e7\u00e3o especial com as coisas celestes, por\u00e9m, em contrapartida, assumindo para si atributos bastante mundanos de poder e influ\u00eancia. Em outras palavras, era preciso renunciar ao mundo para poder control\u00e1-lo. Nessa lista de ren\u00fancia ao mundo, havia de tudo um pouco: abstin\u00eancia sexual, jejuns extremos, noites em vig\u00edlia e ora\u00e7\u00e3o, banhos congelantes\u2026 havia exemplos muito chocantes, como o dos estilitas da S\u00edria, que passavam a vida inteira em cima de um pilar em ora\u00e7\u00e3o profunda, a ponto mesmo de verem seus membros inferiores apodrecendo devido \u00e0 gangrena sem um pingo de reclama\u00e7\u00e3o (CAMERON, 1991).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sem querer polemizar com Peter Brown aqui, gostaria apenas de acrescentar que o tal \u201chomem santo\u201d faz mais do que ligar c\u00e9u e terra por meio de sua manifesta\u00e7\u00e3o asc\u00e9tica no mundo. Ele tamb\u00e9m liga o indiv\u00edduo a si mesmo por meio da cria\u00e7\u00e3o de um ideal de vida que se almeja atingir. Santos de fato se manifestam ao mundo em seu triunfo sobre o corpo e as mazelas da sociedade, mas s\u00e3o as pessoas comuns que os escolhem como modelo de vida. Ademais, o modelo asc\u00e9tico de santidade (que \u00e9 do qual Peter Brown invariavelmente se ocupa) sempre fez muito sucesso em comunidades mon\u00e1sticas, aquelas respons\u00e1veis por produzir os textos que tanto estudamos para falar desses mesmos santos e de seus cultos. Quando nos voltamos para a sermon\u00edstica dos padres e bispos, que de fato viviam no s\u00e9culo, encontramos mir\u00edades de exemplos de devo\u00e7\u00e3o santoral muito mais carnal do que esses. Esse \u00faltimo tipo de devo\u00e7\u00e3o santoral tamb\u00e9m se manifesta em c\u00edrculos eruditos, aqueles dos quais esperar\u00edamos uma maior valoriza\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o espiritual e asc\u00e9tica. \u00c9 exatamente esse dom\u00ednio que me interessa discutir aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eruditos crist\u00e3os ao longo dos s\u00e9culos tamb\u00e9m tiveram seus santos de devo\u00e7\u00e3o ligados a uma dimens\u00e3o mais pr\u00e1tica de sua vida cotidiana. Quando olhamos para a rever\u00eancia aos ditos \u201cpais da Igreja\u201d \u2013 gente do calibre de Ambr\u00f3sio de Mil\u00e3o, Jer\u00f4nimo, Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, Agostinho de Hipona, etc. \u2013, percebemos que ela n\u00e3o est\u00e1 ligada a milagres ou atos sobrenaturais que teriam realizado em vida. Sequer o ascetismo dessas figuras era necessariamente um ponto relevante de seu culto. Aquilo que chamava a aten\u00e7\u00e3o na devo\u00e7\u00e3o a essas figuras era sua autoridade tanto de lideran\u00e7a de uma comunidade (episcopal e\/ou mon\u00e1stica) quanto de pensamento. Agostinho nunca foi conhecido por ser um santo milagreiro (muito menos como exemplo de vida asc\u00e9tica\u2026), por\u00e9m seu ar de santidade nunca foi questionado por seus devotos. Se algum hagi\u00f3grafo lhe atribu\u00eda um milagre ou outro, isso era uma quest\u00e3o marginal. O que importava era a impon\u00eancia de sua mem\u00f3ria, que se impunha de forma autoritativa pelas gera\u00e7\u00f5es seguintes de modo quase que inquestion\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 dif\u00edcil medirmos qu\u00e3o \u201cpopular\u201d era a devo\u00e7\u00e3o a esse tipo de personagem mais intelectualizado. Afora rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es, a maioria deles s\u00f3 desfrutou de uma popularidade mais extendida por poucas gera\u00e7\u00f5es ap\u00f3s sua morte, e mesmo assim, de prefer\u00eancia, na regi\u00e3o em que exerceu sua vida p\u00fablica. Na maioria das vezes, sua mem\u00f3ria era cultuada por gente como eles \u2013 bispos, monges ou crist\u00e3os eruditos em geral, que se inspiravam neles como exemplo de vida tomando por base seu trabalho. N\u00e3o estamos falando aqui, em hip\u00f3tese nenhuma, de liga\u00e7\u00e3o entre c\u00e9u e terra ou mesmo de modelo de salva\u00e7\u00e3o. Estamos pensando em referenciais de conduta terrena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 H\u00e1, por certo, momentos em que esse modelo de santidade mais \u201cintelectualizado\u201d fazia mais sucesso. Os s\u00e9culos IV e V, por exemplo, que assistiram ao decl\u00ednio dos mart\u00edrios como referencial de perfei\u00e7\u00e3o de f\u00e9, tiveram que recorrer a padr\u00f5es mais mundanos de vida santa (MARKUS, 1990). Eus\u00e9bio de Cesareia, o protagonista deste nosso texto, tinha devo\u00e7\u00e3o extrema para com duas figuras desse tipo: Or\u00edgenes (c. 185-253) e P\u00e2nfilo (morto em 310), seu mestre. Ambos tinham algum destaque em sua condu\u00e7\u00e3o de uma vida asc\u00e9tica, por\u00e9m Eus\u00e9bio se encantava mesmo era com a autoridade com que pregavam e a dilig\u00eancia de seu estudo das Escrituras. Ele era at\u00e9 capaz de censurar Or\u00edgenes por seus \u201cexcessos de ascetismo\u201d, como no epis\u00f3dio em que o cl\u00e9rigo alexandrino decidiu se autocastrar por conta de uma interpreta\u00e7\u00e3o muito literal feita de Mt 19, 12 (comentada em sua <em>Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica<\/em>, livro 6, cap. 8). Nem Or\u00edgenes nem P\u00e2nfilo se destacavam aos olhos de Eus\u00e9bio como realizadores de milagres \u2013 ele pr\u00f3prio raras vezes se ocupava desse tipo de relato. Em mais de um aspecto, eles apenas materializavam aquilo que o bispo de Cesareia sempre quis ser: um erudito respeitado por seu conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O problema no que diz respeito \u00e0 quest\u00e3o da santidade sobre Eus\u00e9bio de Cesareia \u00e9 que ele pr\u00f3prio \u2013 assim como seus baluartes \u2013 nunca foi venerado em vida, muito menos imediatamente ap\u00f3s sua morte. Or\u00edgenes era neoplat\u00f4nico demais em sua exegese aleg\u00f3rica, a ponto de rapidamente muitas de suas teses serem tachadas como her\u00e9ticas ainda em vida e outras tantas merecerem condena\u00e7\u00e3o similar nos s\u00e9culos. O pr\u00f3prio Eus\u00e9bio trabalhou junto com seu mestre P\u00e2nfilo na reda\u00e7\u00e3o de uma <em>Apologia a Or\u00edgenes<\/em> para defender a mem\u00f3ria de seu her\u00f3i \u2013 sem sucesso (BARNES, 1996, p. 199). O pr\u00f3prio P\u00e2nfilo, que foi preso e executado durante a Grande Persegui\u00e7\u00e3o (303-311), nunca foi considerado digno de receber a honra dos altares porque\u2026 bom, a pecha de origenismo de sua parte sempre foi mais forte!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 Eus\u00e9bio carregava contra si m\u00e1culas ainda mais graves. Desde o in\u00edcio da querela ariana, ele tinha se aliado ao famigerado presb\u00edtero \u00c1rio na defesa de que Pai e Filho n\u00e3o partilhavam da mesma ess\u00eancia (<em>ousia<\/em>, em grego) e que, por isso, haveria algum grau de desigualdade entre as diferentes manifesta\u00e7\u00f5es (<em>hypostaseis<\/em>, em grego) da Trindade. Sim, Eus\u00e9bio recuou desse tipo de proposi\u00e7\u00e3o a partir do conc\u00edlio de Niceia de 325 \u2013 do qual ele participou como signat\u00e1rio \u2013, mas nunca a ponto de se alinhar \u00e0 mais pura ortodoxia nicena que prevaleceu nos s\u00e9culos seguintes. Havia tamb\u00e9m o fato de Eus\u00e9bio ter sido preso durante a persegui\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, de forma misteriosa, ter escapado ileso desse perigo. Como notava com ironia um monge chamado Pot\u00e2mio, que tamb\u00e9m esteve em Niceia e pode confront\u00e1-lo face-a-face, Eus\u00e9bio saiu da pris\u00e3o \u201cileso demais\u201d, sem uma cicatriz sequer, enquanto o pr\u00f3prio monge (assim como a maioria dos sobreviventes) teve um olho cegado (BARNES, 1996, p. 388).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Apesar desse modo de vida n\u00e3o muito alinhado a um modelo de santidade, pesava forte a favor da mem\u00f3ria o fato de ter sido um escritor muito prol\u00edfico e inovador. Sua <em>Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica<\/em>, pioneira no g\u00eanero, j\u00e1 seria o suficiente para fazer dele refer\u00eancia no campo da erudi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, por\u00e9m ele foi al\u00e9m e se dedicou tamb\u00e9m \u00e0 apolog\u00e9tica, ao coment\u00e1rio b\u00edblico (um sobre Isa\u00edas e outro sobre os Salmos, ambos refer\u00eancia na Antiguidade Tardia), \u00e0 hagiografia e a outros tantos g\u00eaneros liter\u00e1rios. Apesar dos pesares, Eus\u00e9bio se consolidou como refer\u00eancia liter\u00e1ria para gera\u00e7\u00f5es de crist\u00e3os nos s\u00e9culos seguintes. Como n\u00e3o o tratar com um m\u00ednimo de respeito devocional?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sabemos que houve\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0alguma tentativa de culto \u00e0 mem\u00f3ria de Eus\u00e9bio, inicialmente limitada \u00e0s imedia\u00e7\u00f5es de Cesareia e com for\u00e7a maior nas d\u00e9cadas imediatamente seguintes \u00e0 sua morte. Seu sucessor em Cesareia, inclusive, escreveu uma hagiografia sua (hoje infelizmente perdida) para propagar o culto \u2013 pelo visto, n\u00e3o deu muito certo\u2026 (LEROUX, 1963). O apelo \u201cpopular\u201d do culto de sua mem\u00f3ria era nulo, mas a sua relev\u00e2ncia para a consolida\u00e7\u00e3o da legitimidade da \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Igreja de Cesareia o fazia indispens\u00e1vel. Sabemos por meio de um relato de Severo de Antioquia (512-518), por exemplo, que ao longo do s\u00e9culo seguinte \u00e0 sua morte, o nome de Eus\u00e9bio estava inscrito em d\u00edpticos conservados sobre o altar da igreja local a fim de que fosse lido em toda celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica a\u00ed realiza\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 da e que, de forma simb\u00f3lica, se fizesse presente no meio da comunidade. O problema \u00e9 que s\u00f3 sabemos dessa informa\u00e7\u00e3o porque Severo relata que, no ano de 431, a caminho de \u00c9feso para participar do conc\u00edlio em que as doutrinas cristol\u00f3gicas de Nest\u00f3rio seriam condenadas, Cirilo de Alexandria (412-444) aproveitou para passar em Cesareia e destruir os ditos d\u00edpticos para eliminar qualquer vest\u00edgio da mem\u00f3ria eusebiana do lugar. O motivo? Oficialmente, porque se tratava de um ariano. Na pr\u00e1tica, a ideia era apenas fazer um agrado a Juvenal, bispo de Jerusal\u00e9m, que ent\u00e3o era um dos principais apoiadores de Cirilo e que estava em campanha para consolidar a autoridade da igreja hierosolimitana na Palestina, em detrimento de Cesareia\u2026 (HONIGMANN, 1963).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Se a hist\u00f3ria contada por Severo \u00e9 fidedigna ou n\u00e3o, ou mesmo se de fato teve tanto impacto assim no culto eusebiano local, isso nos \u00e9 de import\u00e2ncia menor aqui. Basta-nos saber que o culto a Eus\u00e9bio desapareceu a partir de 431, n\u00e3o sem antes deixar um tra\u00e7o muito significativo na documenta\u00e7\u00e3o. Um martirol\u00f3gio \u2013 basicamente, um texto comemorativo das datas de celebra\u00e7\u00e3o de santos diversos, contendo breves notas sobre o personagem do dia \u2013 escrito em sir\u00edaco e datado do ano de 411 comemorava o dia de \u201cSanto Eus\u00e9bio de Cesareia\u201d no equivalente do nosso calend\u00e1rio a 30 de maio (MILLAR, 1993, p. e DUBOIS, 1963, p. ). At\u00e9 hoje, esta data \u00e9 retida pela historiografia como um marco importante na vida de nosso personagem, provavelmente como sendo o dia de sua morte (em 339 ou 340). Dif\u00edcil dizer o quanto uma c\u00f3pia de um martirol\u00f3gio seja representativa sobre o culto de uma personagem (ainda mais redigido em uma l\u00edngua mais \u201cpopular\u201d, que n\u00e3o a da erudi\u00e7\u00e3o do Oriente helenizado desse per\u00edodo). Para nosso prop\u00f3sito, ao menos, ela foi influente como modelo de martirol\u00f3gio que foi muito imitado ao redor do Mediterr\u00e2neo nos s\u00e9culos seguintes. Havia inclusive um \u201cmartirol\u00f3gio de Jer\u00f4nimo\u201d (erroneamente atribu\u00eddo ao belemita), traduzido para o latim, que circulou com muita intensidade pelo Ocidente latino e que serviu de modelo para dezenas de outros martirol\u00f3gios nos s\u00e9culos seguintes. Detalhe: com a not\u00edcia sobre \u201csanto Eus\u00e9bio de Cesareia\u201d sendo preservada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A virada importante que gostaria de ressaltar neste meu texto \u00e9 que, quando chegamos ao per\u00edodo carol\u00edngio, h\u00e1 uma ressignifica\u00e7\u00e3o muito importante dessa mem\u00f3ria cultual de Eus\u00e9bio. Com efeito, com a ascens\u00e3o de um novo tipo de erudi\u00e7\u00e3o praticada nos mosteiros reformados por Carlos Magno e mesmo na corte imperial, um novo ideal de vida dedicada \u00e0s letras emergiu entre os escritores do per\u00edodo de tal modo que ocorreu uma busca por \u201csantos\u201d antigos que balizassem e legitimassem esse modo de vida. Os \u201cpais da Igreja\u201d tradicionais eram escolhas \u00f3bvias, por\u00e9m limitadas. Foi a ocasi\u00e3o para que se \u201cinventassem\u201d novos velhos santos eruditos. E Eus\u00e9bio de Cesareia, apesar de todos os pesares, foi agraciado com uma devo\u00e7\u00e3o bastante peculiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 At\u00e9 onde nos permite ir nossa documenta\u00e7\u00e3o, podemos dizer que esse culto carol\u00edngio a Eus\u00e9bio de Cesareia era bastante circunscrito a essa elite letrada, que s\u00f3 era capaz de nele admirar a erudi\u00e7\u00e3o b\u00edblica e hist\u00f3rica. Nem tra\u00e7o de milagre interessava a essa gente, nem vida asc\u00e9tica (a n\u00e3o ser que se entenda o estudo infatig\u00e1vel como um tipo disso), muito menos corre\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria e defesa da f\u00e9. Esses letrados carol\u00edngios s\u00f3 queriam um modelo renomado antigo em que se espelhar. Todavia, eu n\u00e3o menosprezaria o ardor de tal devo\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo IX, ainda mais porque as refer\u00eancias nas obras desses autores a respeito pululam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fato intrigante antes de prosseguirmos: por raz\u00f5es desconhecidas, a comemora\u00e7\u00e3o da festa de Santo Eus\u00e9bio de Cesareia entre os carol\u00edngios era em 21 de junho, n\u00e3o em 30 de maio. Dif\u00edcil dizer que se trate de um erro de copista, pois o registro dessa festividade aparece em dezenas de martirol\u00f3gios diferentes, cada qual com suas dezenas de c\u00f3pias diferentes produzidas ao longo dos s\u00e9culos VIII a X (cf. DUBOIS, 1963). Em um Brevi\u00e1rio lit\u00fargico posterior (possivelmente do s\u00e9culo XII?), conservado na igreja de Beauvais, havia at\u00e9 mesmo liturgia pr\u00f3pria para a festa de Santo Eus\u00e9bio nesse dia! Para al\u00e9m de uma breve not\u00edcia sobre a vida do comemorado, esse Brevi\u00e1rio trazia ainda uma ora\u00e7\u00e3o da coleta (aquela logo antes da liturgia da palavra) nos seguintes termos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 200px;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Todo-poderoso e eterno Deus, que nos concedes celebrar a festividade de santo Eus\u00e9bio, Teu confessor e pont\u00edfice, nos conduza, [Te] pedimos, \u00e0 comunh\u00e3o das alegrias celestes por seus m\u00e9ritos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, etc. (apud VALOIS, 1720)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todavia, t\u00e3o logo esse ardor erudito carol\u00edngio perdeu espa\u00e7o, junto dele se foi a mem\u00f3ria santoral de Eus\u00e9bio. Contribuiu para tanto tamb\u00e9m uma aprecia\u00e7\u00e3o mais ampla de sua obra teol\u00f3gica, cujos tra\u00e7os de heterodoxia (ao menos para os padr\u00f5es a partir do s\u00e9culo XI) come\u00e7avam a ficar muito mais flagrantes. Independentemente do fato de os carol\u00edngios terem feito vista grossa para isso ou n\u00e3o, o que podemos afirmar com certeza \u00e9 que as c\u00f3pias mais recentes dos martirol\u00f3gios carol\u00edngios (nos s\u00e9culos XII e XIII, por exemplo) eliminavam consistentemente a entrada referente ao bispo de Cesareia. Jacques Dubois nota que eram poucas as entradas eliminadas nesse processo de expurgo, todas relacionadas a uma reavalia\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica dos personagens. Quando da reda\u00e7\u00e3o do Martirol\u00f3gio Romano de 1583, que unificou todas essas tradi\u00e7\u00f5es devocionais e as chancelou com a autoridade da Contra-Reforma, j\u00e1 n\u00e3o havia sequer espa\u00e7o para se cogitar um lugarzinho para nosso Eus\u00e9bio no coro dos santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ainda que o final dessa hist\u00f3ria n\u00e3o tenha sido dos mais felizes para nossa\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0personagem, gostaria de encerrar aqui com uma cita\u00e7\u00e3o de Haymon de Auxerre (morto entre 865 e 875), um historiador carol\u00edngio menos famoso, mas n\u00e3o menos entusiasta do culto eusebiano. Em muitos sentidos, ele me parece emblem\u00e1tico do tipo de concep\u00e7\u00e3o carol\u00edngia do que seria a \u201csantidade\u201d do bispo de Cesareia \u2013 no final das contas, n\u00e3o mais que um espelho para a vaidade desses eruditos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 200px;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Quanta erudi\u00e7\u00e3o, quantas not\u00edcias sobre as coisas divinas e humanas [nos] confere a <em>Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica<\/em> [de Eus\u00e9bio de Cesareia] quando se a l\u00ea de modo pio! N\u00f3s garantimos a v\u00f3s mesmos que tivemos essa experi\u00eancia ao l\u00ea-la muitas vezes e de forma industriosa. Para a recomendarmos brevemente, [ela] ensina a verdade das coisas passadas desde o in\u00edcio, relata os pios atos da Igreja primitiva, descreve os feitos dos grandes homens, se exaure nas disputas dos m\u00e1rtires, exalta os m\u00e9ritos dos confessores e relembra os ditos e escritos dos doutores, que tamb\u00e9m s\u00e3o chamados \u201cpais\u201d. Mas j\u00e1 que, devido \u00e0 multiplicidade e imensid\u00e3o do volume, [ela] fatiga o intelecto, sobrecarrega a audi\u00eancia e obscurece a mem\u00f3ria, cogitamos fazer, se o Senhor quiser, que esse livro imenso seja reduzido a um libelo. Portanto, considerando-se sua utilidade, queremos fazer dele um manual para, quando leres Eus\u00e9bio \u2013 certamente eloquente na fala e fecundo em erudi\u00e7\u00e3o, mas, por causa da verbosidade da l\u00edngua grega, da qual foi traduzido, labir\u00edntico e prolixo na escrita e, por causa disso, que se perde facilmente da mem\u00f3ria \u2013 que te agrade ver isso e examinar nosso excerto dele para reformar a integridade da mem\u00f3ria. Perd\u00e3o, bem-aventurado Eus\u00e9bio, perd\u00e3o! Pois n\u00e3o me dedico a isso para te afrontar. Tem paci\u00eancia, pe\u00e7o, e observa, pois repito seu texto, amigo, n\u00e3o te fa\u00e7o inj\u00faria, [pois] assim fizeram os homens eclesi\u00e1sticos antes de n\u00f3s: recolhendo excertos superabundantes dos livros, esclareceram o que era obscuro e abreviaram o que era prolixo. Desse modo, n\u00e3o confiro a mim teu divino trabalho, mas a ti mesmo o atribuo, tendo considera\u00e7\u00e3o por ti, assim reverenciando aquele que sigo pelas pegadas mal completamente, mas por um caminho mais curto. Portanto, que aquele teu livro seja o modelo e este [meu], a c\u00f3pia. Que aquele seja mais expressivo na forma e este, representa\u00e7\u00e3o e imagem. Que aquele seja a not\u00edcia das coisas e este, a mem\u00f3ria: pois o que aquele trouxe \u00e0 not\u00edcia, este reduziu \u00e0 mem\u00f3ria (HAYMON DE AUXERRE, <strong>Historiae sacrae epitome<\/strong>, praefatio \u2013 <strong>Patrologia Latina<\/strong>, v. 118, col. 817-820 \u2013 tradu\u00e7\u00e3o do autor).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARNES, Timothy D. <strong>Constantine and Eusebius<\/strong>. Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1996 (1\u00aa edi\u00e7\u00e3o: 1981).<br \/>\nBROWN, Peter. The Rise and Function of the Holy Man in Late Antiquity. London, <strong>Journal of Roman Studies, <\/strong>v. 61, p. 80-101, 1971.<br \/>\nCAMERON, Averil. <strong>Christianity and the Rhetoric of Empire<\/strong>: The development of Christian Discourse. Los Angeles; Berkeley: University of California Press, 1991.<br \/>\nDUBOIS, Jacques. <strong>Le Martyrologe d\u2019Usuard<\/strong>. Texte et commentaire. Bruxelles: Soci\u00e9t\u00e9 des Bollandistes, 1963.<br \/>\nEUS\u00c9BIO DE CESAREIA. The Ecclesiastical History. With an english translation by Kirsopp Lake and J. E. L. Oulton. Cambridge, Mass: Harvard University Press; London: W. Heinemann, 1998 (The Loeb Classical Library), 2v.<br \/>\nHONIGMANN, Ernest. Eusebius Pamphili\u00a0; The removal of his name from the diptychs of Caesarea in Palestine in 431 A.D. <em>In<\/em>: <strong>Patristic Studies<\/strong>. Citt\u00e0 del Vaticano\u00a0: Biblioteca Apostolica Vaticana, 1963, p. 59-70.<br \/>\nLEROUX, J.-M. Acace, \u00e9v\u00eaque de C\u00e9sar\u00e9e de Palestine (341-365). In: CROSS, F. L. (ed.). <strong>Studia Patristica<\/strong>, vol. VIII. Berlin: Akademie Verlag, p. 82-85.<br \/>\nMARKUS, Robert. <strong>The End of Ancient Christianity<\/strong>. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.<br \/>\nMILLAR, Fergus. <strong>The Roman Near East<\/strong>: 31 BC-AD 337. Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1993.<br \/>\nMIGNE, J.-P. Patrologiae cursus completus, series Latina. Tomus CXVIII: Haymonis tomus tertius. Paris: J-P. Migne, 1852.<br \/>\nVALOIS, Henri de. Eusebii Pamphili, Socratis Scholastici, Hermiae Sozomeni etc. Cambridge: Cornelius Crownfield, 1720.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Professor de Hist\u00f3ria Antiga e Medieval da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) &#8211; Campus S\u00e3o Francisco. Doutor em Hist\u00f3ria Cultural pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 01 de Setembro de 2022.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> TORRE, Robson Murilo Grando Della. Santo Eus\u00e9bio de Cesareia Atrav\u00e9s dos S\u00e9culos. <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 01 set. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-santo-eusebio-de-cesareia-atraves-dos-seculos\/. Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Robson Murilo Grando Della Torre[1] &nbsp; \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A devo\u00e7\u00e3o santoral sempre traz em si as marcas de seus devotos. Sejam eles reis ou meros \u201cpopulares\u201d, damas ou prostitutas, escravos ou libertos, todos t\u00eam um santo ou santa para chamar de seu ou sua. 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