{"id":4209,"date":"2022-06-13T12:00:21","date_gmt":"2022-06-13T15:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=4209"},"modified":"2023-04-04T00:13:02","modified_gmt":"2023-04-04T03:13:02","slug":"texto-raca-em-as-cronicas-de-gelo-e-fogo-medievalismo-posando-como-autenticidade","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-raca-em-as-cronicas-de-gelo-e-fogo-medievalismo-posando-como-autenticidade\/","title":{"rendered":"Texto: Ra\u00e7a em As Cr\u00f4nicas de Gelo e Fogo: Medievalismo posando como autenticidade[1]"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Shiloh Carroll, <em>the Public Medievalist<\/em><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><br \/>\nTrad. por Luiz Guerra<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><\/a>\u00a0 \u00a0A ideia da Idade M\u00e9dia como uma cultura branca uniforme \u00e9 provavelmente um dos equ\u00edvocos mais arraigados sobre o per\u00edodo medieval. Isso \u00e9 especialmente verdadeiro quando se trata de literatura de fantasia. A literatura de fantasia medievalista ocidental baseia-se fortemente na hist\u00f3ria europeia e nas tradi\u00e7\u00f5es mitol\u00f3gicas. Quando as pessoas de cor<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> aparecem em textos cl\u00e1ssicos de fantasia, elas s\u00e3o muitas vezes retratadas como um \u201cOutro\u201d. Eles s\u00e3o <em>O Inimigo<\/em>, ou pelo menos um grupo contra o qual se espera que o leitor compare a cultura dominante, branca.<\/p>\n<div id=\"attachment_4216\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/06\/Mapa-da-Terra-Media.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4216\" class=\"wp-image-4216 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/06\/Mapa-da-Terra-Media-400x367.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/06\/Mapa-da-Terra-Media-400x367.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/06\/Mapa-da-Terra-Media.png 596w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4216\" class=\"wp-caption-text\">[Figura 1: Legenda: Detalhe de um mapa da Terra M\u00e9dia, anotado por J.R.R. Tolkien. Observe Haradwaith no sul e Khand no leste. Bodleian, MS. Desenhos de Tolkien 132.]<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Helen Young, estudiosa de interpreta\u00e7\u00f5es de fantasia da Idade M\u00e9dia e autora de <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Race-Popular-Fantasy-Literature-Interdisciplinary-ebook\/dp\/B013RC62JA\/ref=mt_kindle?_encoding=UTF8&amp;me=\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Race and Popular Fantasy Literature<\/em><\/strong><\/a>, oferece v\u00e1rios exemplos disso em nossa literatura de fantasia mais popular. Ela apontou que a fantasia \u00e9 constru\u00edda sobre uma base de estere\u00f3tipos racistas no <em>Senhor dos An\u00e9is<\/em>, de J.R.R. Tolkien, e <em>Conan o B\u00e1rbaro<\/em>, de Robert E. Howard. Embora nenhum deles seja tecnicamente medievalistas, pretendendo-se mais como hist\u00f3rias fant\u00e1sticas pr\u00e9-hist\u00f3ricas do que fantasias medievais, eles ainda tiveram uma profunda influ\u00eancia na maneira como a fantasia medievalista aborda a ra\u00e7a. Por exemplo, em <em>O Senhor dos An\u00e9is, <\/em>voc\u00ea n\u00e3o precisa ir al\u00e9m do tratamento de Tolkien de Orcs, Uruk-hai e Haradrim, todos eles maus, e os \u00fanicos descritos como tendo pele escura. Havia tamb\u00e9m uma divis\u00e3o geogr\u00e1fica muito clara entre os elfos \u201cbrancos\u201d, humanos, an\u00f5es e hobbits e as terras sombrias e malignas dos Orcs (Mordor) e dos Haradrim (Harad), ao sul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0 \u00a0As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia<\/em> de C.S. Lewis tamb\u00e9m fazem isso. Os <em>Calormenes <\/em>de Lewis, uma cultura pseudo-Oriente M\u00e9dio, s\u00e3o os vil\u00f5es em The Horse and His Boy e The Last Battle.<\/p>\n<div id=\"attachment_4219\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/06\/Calormenes.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4219\" class=\"wp-image-4219 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/06\/Calormenes-400x360.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/06\/Calormenes-400x360.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/06\/Calormenes.png 507w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4219\" class=\"wp-caption-text\">[Figura 2: Calormenes]<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Esses autores podem n\u00e3o ter pretendido que seu trabalho fosse racista. Se estivessem vivos, talvez ficassem horrorizados com essas alega\u00e7\u00f5es. Mas se esses autores <em>pretenderam<\/em> que seu trabalho fosse racista, n\u00e3o muito importa. As obras desses autores iniciaram uma tradi\u00e7\u00e3o que moldou profundamente (embora, espera-se, n\u00e3o irrevogavelmente) a forma como a ra\u00e7a \u00e9 tratada na fantasia at\u00e9 os dias atuais. Isso manteve o tratamento das ra\u00e7as em nossa literatura fant\u00e1stica enraizado no pensamento das d\u00e9cadas de 1930, 40 e 50.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0O retrato de Tolkien do mundo \u201cpseudo-medieval\u201d da Terra-M\u00e9dia influenciou fortemente a literatura de fantasia subsequente. Consequentemente, isso teve um impacto significativo no entendimento p\u00fablico mais amplo sobre a Idade M\u00e9dia Este \u00e9 o come\u00e7o do que Young, em seus estudos de fandoms de fantasia,\u00a0 descreveu como um \u201cloop de feedback\u201d. Neste ciclo de feedback, os leitores s\u00e3o expostos a uma vers\u00e3o medievalista da Idade M\u00e9dia atrav\u00e9s da fantasia. Eles ent\u00e3o passam a acreditar que esta vers\u00e3o medievalista \u00e9 um retrato \u201cacurado\u201d da Idade M\u00e9dia. Volta e meia, eventualmente, todas as vers\u00f5es de fantasia da Idade M\u00e9dia se parecem mais ou menos as mesmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0E poucos livros de fantasia s\u00e3o mais um produto desse processo de auto-refor\u00e7o do que a s\u00e9rie <em>As Cr\u00f4nicas de Gelo e Fogo<\/em> de George R.R. Martin.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>As Cr\u00f4nicas de Pessoas Brancas e Fogo<\/em><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0A s\u00e9rie de fantasia \u00e9pica de George R.R. Martin, <em>As Cr\u00f4nicas de Gelo e Fogo<\/em>, foi, mais do que qualquer outra obra de fantasia na hist\u00f3ria moderna, <a href=\"https:\/\/www.livescience.com\/44599-medieval-reality-game-of-thrones.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>examinada<\/strong><\/a> por seu <a href=\"https:\/\/www.publicmedievalist.com\/got-rape-and-middle-ages\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>embasamento<\/strong><\/a> na <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/tv-and-radio\/2013\/mar\/24\/game-of-thrones-realistic-history\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>hist\u00f3ria<\/strong><\/a> <a href=\"http:\/\/www.vulture.com\/2016\/06\/battle-of-the-bastards-game-of-thrones-historical-accuracy.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>medieval<\/strong><\/a> <a href=\"https:\/\/www.empireonline.com\/movies\/features\/game-thrones-history\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>real<\/strong><\/a>. O pr\u00f3prio Martin afirmou que seus romances s\u00e3o mais solidamente baseados na hist\u00f3ria do que qualquer outro trabalho de fantasia, at\u00e9 mesmo Tolkien. Ele disse a John Hodgeman <a href=\"https:\/\/www.pri.org\/stories\/2011-09-21\/john-hodgman-interviews-george-rr-martin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>em uma entrevista<\/strong><\/a><strong>:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">Eu meio que tive um problema com muitas das fantasias que estava lendo, porque me parecia que a Idade M\u00e9dia ou alguma vers\u00e3o da quase Idade M\u00e9dia era o cen\u00e1rio preferido da grande maioria dos romances de fantasia que eu estava lendo. Imitadores de Tolkien e outros fantasistas, mas eles estavam entendendo tudo errado<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Em uma entrevista da<em> Publishers Weekly<\/em> de 1996, Martin tamb\u00e9m <a href=\"http:\/\/connection.ebscohost.com\/c\/articles\/9609047750\/george-r-r-martin-dreamer-fantastic-worlds\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>disse<\/strong><\/a>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">Tolkien teve uma grande influ\u00eancia em mim, mas a outra influ\u00eancia em As Cr\u00f4nicas de Gelo e Fogo foi fic\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, o que eu n\u00e3o acho que seja realmente verdade para muitas outras fantasias que est\u00e3o surgindo. Seu pano de fundo hist\u00f3rico, a textura de seus mundos, tende a ser bastante t\u00eanue<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Ele frequentemente critica os \u201cimitadores de Tolkien\u201d com sua \u201cIdade M\u00e9dia de Feiras Renascentistas\u201d, porque eles incluem tend\u00eancias que ele v\u00ea como imprecisas: \u201c<a href=\"https:\/\/www.sfsite.com\/01a\/gm95.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>camponeses atrevidos com princesas<\/strong><\/a>\u201d, <a href=\"https:\/\/www.publishersweekly.com\/pw\/by-topic\/authors\/interviews\/article\/27319-of-hybrids-and-clich-s.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>moralidade preta no branco<\/strong><\/a>, <a href=\"http:\/\/www.ew.com\/article\/2007\/11\/27\/george-rr-martin-answers-your-questions\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>her\u00f3is indestrut\u00edveis<\/strong><\/a> e uma cren\u00e7a inabal\u00e1vel em ades\u00e3o a um c\u00f3digo de cavalaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0A autenticidade hist\u00f3rica \u00e9 o po\u00e7o ao qual ele retorna v\u00e1rias vezes para explicar quest\u00f5es em sua constru\u00e7\u00e3o da cultura Westerosi. Quando os f\u00e3s expressaram decep\u00e7\u00e3o por n\u00e3o haver mais pessoas de cor nos livros (ou que essas pessoas de cor \u2013 como os dorneses \u2013 sejam t\u00e3o mais brancas do que esperavam na s\u00e9rie de TV), ele tenta <a href=\"http:\/\/observationdeck.kinja.com\/george-r-r-martin-the-complete-unedited-interview-886117845\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>explicar<\/strong><\/a>. Sua explica\u00e7\u00e3o: na Inglaterra medieval, Fran\u00e7a e Esc\u00f3cia \u201chavia uma ocasional pessoa de cor, mas certamente n\u00e3o em grande n\u00famero\u201d, devido \u00e0 dificuldade de viajar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Mas Martin n\u00e3o \u00e9 um historiador medievalista muito bom. Embora ele tenha um claro fasc\u00ednio pela Hist\u00f3ria, sua abordagem se concentra nos \u201c<a href=\"http:\/\/www.westeros.org\/Citadel\/SSM\/Entry\/1170\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>pontos suculentos<\/strong><\/a>\u201d \u2013 grandes movimentos hist\u00f3ricos como a Guerra dos Cem Anos e a Guerra das Rosas \u2013 evitando \u201ctomos acad\u00eamicos sobre mudan\u00e7as nos padr\u00f5es de uso da terra\u201d. Ele prontamente <a href=\"http:\/\/www.amazon.co.uk\/exec\/obidos\/tg\/feature\/-\/49161\/026-1281322-7450821?tag=westeros-21\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>admite<\/strong><\/a>, em entrevistas, mudar ou \u201c<a href=\"https:\/\/www.westeros.org\/Citadel\/SSM\/Entry\/1427\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>aumentar<\/strong><\/a>\u201d a hist\u00f3ria para torn\u00e1-la mais interessante e fant\u00e1stica. Em outras entrevistas, especialmente quando questionado sobre <a href=\"http:\/\/www.geekwire.com\/2015\/george-r-r-martin-at-norwescon-talks-comics-got-and-his-new-hbo-series-yes-captain-cosmos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>viol\u00eancia<\/strong><\/a>, <a href=\"https:\/\/www.thedailybeast.com\/game-of-thrones-sexual-politics\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>estupro<\/strong><\/a>, <a href=\"https:\/\/www.theatlantic.com\/entertainment\/archive\/2011\/07\/george-rr-martin-on-sex-fantasy-and-a-dance-with-dragons\/241738\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>agress\u00e3o sexual<\/strong><\/a>, <a href=\"http:\/\/www.westeros.org\/Citadel\/SSM\/Entry\/1050\"><strong>casamento<\/strong> <strong>infantil<\/strong><\/a> e outros elementos perturbadores nos romances, ele recorre \u00e0 suposta autenticidade hist\u00f3rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Ele tem uma tend\u00eancia a generalizar, pegando a cultura de um lugar ou tempo espec\u00edfico na Idade M\u00e9dia e usando-a como um marcador para a totalidade da \u00e9poca. Quando ele fala sobre hist\u00f3ria, raramente \u00e9 mais espec\u00edfico do que \u201ca Idade M\u00e9dia\u201d (ele nunca diz, por exemplo, \u201ca era Tudor\u201d), e faz afirma\u00e7\u00f5es amplas e gerais sobre o per\u00edodo, <a href=\"http:\/\/www.ew.com\/article\/2015\/06\/03\/george-rr-martin-thrones-violence-women\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>como<\/strong><\/a> \u201cEra muito classista, dividindo as pessoas em tr\u00eas classes. E eles tinham ideias r\u00edgidas sobre os pap\u00e9is das mulheres.\u201d Portanto, embora seus argumentos de que as viagens e imigra\u00e7\u00e3o eram raras na Idade M\u00e9dia possam ser verdadeiros em alguns lugares e \u00e9pocas, eles n\u00e3o s\u00e3o verdade (como esta <a href=\"https:\/\/www.publicmedievalist.com\/greatest-medieval-map\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>s\u00e9rie de artigos<\/strong><\/a> <a href=\"https:\/\/www.publicmedievalist.com\/uncovering-african\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>mostrou<\/strong><\/a> <a href=\"https:\/\/www.publicmedievalist.com\/where-middle-ages\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>repetidas<\/strong><\/a> <a href=\"https:\/\/www.publicmedievalist.com\/view-road\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>vezes<\/strong><\/a>) em <em>toda<\/em> a Idade M\u00e9dia, seja temporal ou geograficamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Claro, Martin n\u00e3o est\u00e1 escrevendo hist\u00f3ria, ou mesmo fic\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Ele n\u00e3o \u00e9 obrigado a ser historicamente preciso. A fantasia \u00e9, por sua natureza, transformadora e especulativa. Ela nos permite criar mundos melhores, explorar a vida dos outros, despir as banalidades da vida cotidiana e mergulhar fundo em nossas esperan\u00e7as, medos, sonhos, psiques, passados e futuros. O pr\u00f3prio Martin foi po\u00e9tico sobre o poder da fantasia em <em>The Faces of Fantasy<\/em>, de Patti Parret, dizendo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">N\u00f3s lemos fantasia para encontrar as cores novamente, eu acho. Degustar temperos fortes e ouvir o canto das sereias. H\u00e1 algo antigo e verdadeiro na fantasia que fala com algo profundo dentro de n\u00f3s, com a crian\u00e7a que sonhou que um dia ca\u00e7aria as florestas da noite, festejaria sob as colinas ocas e encontraria um amor para durar para sempre em algum lugar ao sul de Oz e norte de Shangri-La.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Ao escrever <em>As Cr\u00f4nicas de Gelo e Fogo<\/em>, Martin n\u00e3o escolheu ficar preso \u00e0 Guerra das Rosas; ele escolheu escrever um mundo de fantasia medievalista. E seu mundo n\u00e3o inclui muito espa\u00e7o para a mistura de ra\u00e7as. Esse \u00e9 o problema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Isso foi decepcionante para seus f\u00e3s, muitos dos quais s\u00e3o pessoas de cor que gostariam de se ver refletidas em seu mundo. Al\u00e9m disso, esses f\u00e3s de fantasia n\u00e3o brancos adorariam ver mais bons personagens de cor em obras t\u00e3o importantes e influentes quanto <em>As Cr\u00f4nicas de Gelo e Fogo<\/em>. Mas n\u00e3o os incluir \u00e9 prerrogativa de Martin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0O problema realmente surge quando seus f\u00e3s acreditam (com seu encorajamento) que seu mundo neomedieval \u00e9 autenticamente medieval e usam essa cren\u00e7a para moldar sua ideia de hist\u00f3ria e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0O problema \u00e9 o ciclo de <em>feedback<\/em>. Martin argumenta que uma Idade M\u00e9dia primariamente branca \u00e9 historicamente precisa. Isso leva alguns de seus leitores a acreditar que Westeros \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o precisa da Idade M\u00e9dia (porque Martin diz que \u00e9). Assim, qualquer coisa que Martin escreve \u00e9 uma descri\u00e7\u00e3o precisa da Idade M\u00e9dia. Isso \u00e9, \u00e9 claro, totalmente baseado no que o leitor \u201csente\u201d que foi a Idade M\u00e9dia, e muito desse \u201csentimento\u201d vem da leitura de fantasia medievalista. \u00c9 claro que <a href=\"http:\/\/asoiafuniversity.tumblr.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>muitos<\/strong><\/a> <a href=\"https:\/\/www.thefandomentals.com\/?s=a+song+of+ice+and+fire\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>leitores<\/strong><\/a> se op\u00f5em a isso, defendendo uma vis\u00e3o mais nuan\u00e7ada da Idade M\u00e9dia, ou (como fiz aqui) que a fantasia medievalista n\u00e3o \u00e9 fic\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Mas ler criticamente e contra o texto pode ser muito dif\u00edcil, e muitas vezes as vozes mais altas na sala s\u00e3o daqueles que se recusam a questionar suas no\u00e7\u00f5es preconcebidas.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>Game<\/em> of Brancos<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_4220\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/06\/Dothraki.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4220\" class=\"wp-image-4220 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/06\/Dothraki-300x400.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/06\/Dothraki-300x400.png 300w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/06\/Dothraki.png 601w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4220\" class=\"wp-caption-text\">[Figura 3: Dothraki em Westeros. Artista: Micha\u0142 Sztuka. Veja mais de seu trabalho em: https:\/\/pusiaty.deviantart.com\/]<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Dessa forma, \u00e9 claro, os problemas de Martin com ra\u00e7a s\u00e3o bem diferentes dos de Tolkien. Tolkien, como mencionei no in\u00edcio deste artigo, tem problemas com sua simples dicotomia de pele branca\/pele escura, bem\/mal. O trabalho de Martin sofre de quest\u00f5es um pouco mais sutis, ou seja, falta de representa\u00e7\u00e3o, e quando ele escolhe incluir pessoas de cor, ele tamb\u00e9m inclui alguns estere\u00f3tipos bastante feios sobre eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Esses estere\u00f3tipos s\u00e3o mais evidentes no enredo de Daenerys Targaryen. Sua hist\u00f3ria come\u00e7a com seu casamento com um Senhor dos Cavalos Dothraki \u2013 o que, sem \u201cpelo menos tr\u00eas mortes\u201d, dizem a ela, \u201cseria um acontecimento sem gra\u00e7a\u201d. Ela acaba se tornando uma \u201csalvadora branca\u201d [\u201cwhite savior\u201d] para os povos escravizados da Ba\u00eda dos Escravos. Martin reagiu a uma <a href=\"https:\/\/www.dropbox.com\/referrer_cleansing_redirect?hmac=0ufZf95A4RX5cXEtx0I4EWbZFwZnpDWv9yVpHbEqVO8%3D&amp;url=http%3A%2F%2Fobservationdeck.kinja.com%2Fgeorge-r-r-martin-the-complete-unedited-interview-886117845\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>pergunta<\/strong><\/a> sobre o retrato estereotipado dos Dothraki argumentando que ele n\u00e3o tem nenhum personagem com um ponto de vista Dothraki, indicando que os Dothraki podem ser muito diferentes por dentro. <em>Mas ele tamb\u00e9m n\u00e3o expressa nenhuma inten\u00e7\u00e3o de adicionar um personagem do ponto de vista Dothraki, ou, presumivelmente, um Meereenense ou um Astapori.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0N\u00e3o antes do <em>O Festim dos Corvos<\/em>, o quarto livro da s\u00e9rie, que temos uma pessoa de cor como um personagem de ponto de vista (Arianne Martell), embora ela ainda seja tecnicamente Westerosi, sendo de Dorne. Na verdade, apenas uma personagem de ponto de vista (Melisandre) \u00e9 de fora de Westeros, e al\u00e9m de ter apenas um cap\u00edtulo at\u00e9 agora, ela \u00e9 branca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Quando se trata de retratar o mundo de fantasia de Martin na s\u00e9rie de TV da HBO, os problemas ficam ainda piores. Quando John Boyega (estrela de, entre outras coisas, os \u00faltimos filmes de <em>Star Wars<\/em>) <a href=\"https:\/\/www.gq.com\/story\/john-boyega-star-wars-detroit-and-robert-downey-jr\"><strong>mencionou<\/strong><\/a> o qu\u00e3o esmagadoramente branco \u00e9 o elenco de <em>Game of Thrones<\/em> (junto com <em>O Senhor dos An\u00e9is<\/em> e <em>Star Wars<\/em>), a se\u00e7\u00e3o de coment\u00e1rios no site de f\u00e3s <a href=\"https:\/\/winteriscoming.net\/2017\/07\/20\/celebs-loved-dragonstone-but-star-wars-star-john-boyega-criticizes-game-of-thrones-casting\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Winter is Coming<\/em><\/strong><\/a> espiralou para coment\u00e1rios hostis e pontua\u00e7\u00f5es, muitas vezes abertamente, racistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Eles argumentavam que a Idade M\u00e9dia n\u00e3o era diversa. Eles argumentavam que tentar \u201cfor\u00e7ar\u201d a diversidade \u00e9 \u201cbesteira politicamente correta\u201d que favorece \u201cmimizeiros\u201d. E inclusive acusaram Boyega de ser racista simplesmente por trazer esse problema \u00e0 tona. Em suas mentes, at\u00e9 mesmo discutir a desigualdade racial \u00e9 racista. Pela sua l\u00f3gica distorcida, a \u00fanica maneira de n\u00e3o ser racista \u00e9 fingir que n\u00e3o existem quest\u00f5es raciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Um problema semelhante ocorreu em outro site da comunidade de f\u00e3s de <em>Game of Thrones<\/em>: <em>Watchers on the Wall<\/em>. Quando Lupita Nyong\u2019o mencionou \u2013 de passagem \u2013 que gostaria de fazer uma participa\u00e7\u00e3o especial em <em>Game of Thrones<\/em>, um dos colaboradores escreveu um <a href=\"http:\/\/watchersonthewall.com\/lupita-nyongo-game-of-thrones-and-the-diversity-question\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo<\/strong><\/a> reflexivo discutindo as quest\u00f5es de representa\u00e7\u00e3o no programa. Essas atitudes levantaram a quest\u00e3o de quanto das expectativas dos espectadores para uma Westeros branca v\u00eam de uma no\u00e7\u00e3o preconcebida de uma \u201cIdade M\u00e9dia branca\u201d, e quanto delas s\u00e3o resist\u00eancia ao chamado \u201cpoliticamente correto\u201d \u2013 ou seja, quando pessoas de cor pedem um lugar \u00e0 mesa. A se\u00e7\u00e3o de coment\u00e1rios, embora n\u00e3o t\u00e3o horr\u00edvel quanto no <em>Winter is Coming<\/em>, novamente se apoiou fortemente nos argumentos de \u201cprecis\u00e3o hist\u00f3rica\u201d, liberdade art\u00edstica e \u201cnem tudo precisa ser sobre ra\u00e7a\u201d para descartar as preocupa\u00e7\u00f5es do colaborador.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Fantasias Racistas vs. Hist\u00f3rias Inclusivas<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Westeros, obviamente, \u00e9 um mundo de fantasia. Assim como a Terra M\u00e9dia de Tolkien, pode-se argumentar que ela n\u00e3o deve nada a nenhum per\u00edodo hist\u00f3rico real na Terra. Mas \u00e9 a insist\u00eancia cont\u00ednua, por parte de Martin e muitos f\u00e3s, de que Westeros <em>\u00e9 <\/em>uma representa\u00e7\u00e3o relativamente precisa da Idade M\u00e9dia que torna essa discuss\u00e3o necess\u00e1ria. Voc\u00ea n\u00e3o pode ter a cereja e o bolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Muitas pessoas tiram suas ideias de como era a Idade M\u00e9dia em obras de fantasia como <em>As Cr\u00f4nicas de Gelo e Fogo<\/em>. Portanto, \u00e9 importante para os medievalistas apontarem que o tipo de precis\u00e3o hist\u00f3rica pela qual Martin se esfor\u00e7a \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, imposs\u00edvel; obras como <em>Game of Thrones<\/em> s\u00e3o, fundamentalmente, fantasias. Isso \u00e9 especialmente verdade agora, com a tentativa renovada dos supremacistas brancos de cooptar a Idade M\u00e9dia. O mito de uma \u201cIdade M\u00e9dia s\u00f3 para brancos\u201d que se perpetua atrav\u00e9s do g\u00eanero de fantasia em geral (e atrav\u00e9s de programas massivamente populares como <em>Game of Thrones<\/em>), \u00e9 de fato apenas um mito. O passado \u00e9 muito mais complicado e inclusivo do que muitos acreditam.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Texto originalmente publicado em: <a href=\"https:\/\/www.publicmedievalist.com\/race-in-asoif\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.publicmedievalist.com\/race-in-asoif\/<\/a> (28\/11\/2017) e traduzido aqui por Luiz Guerra com autoriza\u00e7\u00e3o da autora Shiloh Carroll.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> PhD in English Literature, <span class=\"JsGRdQ\">Tennessee State University<\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Mestrando Unimontes; Gehm.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> <em>People of Colour<\/em>, ou <em>PoC<\/em>, express\u00e3o do ingl\u00eas utilizada por movimentos sociais para se referir a pessoas n\u00e3o-brancas como um todo. Todavia, no Brasil o termo <em>PoC <\/em>adquiriu um sentido completamente distinto e a express\u00e3o \u201cpessoas de cor\u201d costuma ser carregada de um tom pejorativo. Na falta de uma alternativa, mantivemos a express\u00e3o original, mas com essa pondera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> No original: I sort of had a problem with a lot of the fantasy I was reading, because it seemed to me that the middle ages or some version of the quasi middle ages was the preferred setting of a vast majority of the fantasy novels that I was reading by Tolkien imitators and other fantasists, yet they were getting it all wrong.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> No original: Tolkien had a great influence on me, but the other influence on\u00a0A Song of Ice and Fire\u00a0was historical fiction, which I don\u2019t think is really true for a lot of the other fantasies that are coming out. Their historical background, the texture of their worlds, tends to be rather thin.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cr\u00e9ditos da imagem no blog: Marc Simonetti\/Penguin Random House<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\">Publicado em 13 de Junho de 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> CARROLL, Shiloh. Ra\u00e7a em As Cr\u00f4nicas de Gelo e Fogo: Medievalismo posando como autenticidade. Tradu\u00e7\u00e3o: Luiz Guerra. <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 13 jun. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-raca-em-as-cronicas-de-gelo-e-fogo-medievalismo-posando-como-autenticidade\/. Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Shiloh Carroll, the Public Medievalist[2] Trad. por Luiz Guerra[3] \u00a0 \u00a0A ideia da Idade M\u00e9dia como uma cultura branca uniforme \u00e9 provavelmente um dos equ\u00edvocos mais arraigados sobre o per\u00edodo medieval. Isso \u00e9 especialmente verdadeiro quando se trata de literatura de fantasia. 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