{"id":4004,"date":"2022-05-23T12:00:31","date_gmt":"2022-05-23T15:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=4004"},"modified":"2023-05-10T19:34:15","modified_gmt":"2023-05-10T22:34:15","slug":"texto-do-balancar-de-penas-ao-entoar-cantigas-os-prestigios-dos-troubadours-e-dos-minnesanger","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-do-balancar-de-penas-ao-entoar-cantigas-os-prestigios-dos-troubadours-e-dos-minnesanger\/","title":{"rendered":"Texto: Do balan\u00e7ar de penas ao entoar cantigas: os prest\u00edgios dos troubadours e dos Minnes\u00e4nger"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Roberta Bentes<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> (UFPR)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0\u201cToss a coin to your Witcher, o\u2019 Valley of Plenty\u201d cantava Jaskier, enquanto seguia seu rumo para uma taverna ou para uma corte, brandando os feitos da \u00faltima aventura que Gerald of Rivia teria vivenciado juntamente com o \u201cbardo\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, como ele mesmo se denominava na can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Jaskier &#8211; na s\u00e9rie \u201cThe Witcher\u201d ou Dandelion no jogo \u201cThe Witcher\u201d &#8211; \u00e9 a personagem que vem apresentar ao p\u00fablico leigo a figura dos agentes culturais que vagavam de cortes em cortes em busca de valorizar feitos de grandes senhores, homenagear damas e seus amores, ou ent\u00e3o mesmo, tecer duras e \u00e1cidas cr\u00edticas \u00e0 sociedade que esses homens viviam. Eles poderiam ser conhecidos como trovadores ou jograis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Os trovadores seriam homens e mulheres letrados<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> que tinham a capacidade de elaborar a poesia, bem como a sua musicalidade da l\u00edrica. Ou seja, eram homens e mulheres que tinham conhecimento da l\u00edngua e de m\u00fasica. Enquanto jograis e jogralesas eram aqueles homens e mulheres que realizavam a performance do recitar e do entoar poesias.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> Todos esses diferenciais poderiam ser vistos no <em>Langue d\u2019Oc<\/em>, bem como na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, n\u00e3o se vendo essa diferencia\u00e7\u00e3o nos <em>Minnes\u00e4nger<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0O primeiro contato que o estudante no Brasil tem com os trovadores \u00e9 dado atrav\u00e9s da Literatura, e a tem\u00e1tica do trovadorismo. Com o avan\u00e7ar dos interesses pela Idade M\u00e9dia, os pesquisadores encontram novamente estes <em>performers <\/em>em diferentes lugares do Ocidente Latino. O trovadorismo que nos \u00e9 introduzido brevemente na \u00e9poca do col\u00e9gio, traz os versos e rimas da l\u00edrica galego-portuguesa a partir do s\u00e9culo XIII, contudo, historiadores apresentam atrav\u00e9s dos cancioneiros<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> que a l\u00edrica amorosa \u2013 e a n\u00e3o amorosa &#8211; j\u00e1 era cantada no s\u00e9culo XI em occitano<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Atrav\u00e9s da figura de Guilherme IX, Duque d\u2019Aquit\u00e2nia e Conde de Poitiers (1071-1127) e de seus versos \u00e9 que temos a materializa\u00e7\u00e3o da poesia em occitano a partir do s\u00e9culo XI. Juntamente com ele, outros homens e mulheres cantaram este modo de viver \u2013 l\u00edrico e cort\u00eas &#8211; ao longo do s\u00e9culo XII at\u00e9 o s\u00e9culo XIV no sul da Fran\u00e7a. Os homens elaboradores de poesia eram conhecidos como <em>troubadours<\/em>, enquanto as mulheres poetas eram conhecidas como <em>trobairitz<\/em>.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\" colspan=\"2\" width=\"566\">Guilherme IX, Duque d\u2019Aquit\u00e2nia<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Farai chansoneta nueva<\/td>\n<td>Farei uma pequena can\u00e7\u00e3o antes que chova<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">Farai chansoneta nueva<br \/>\nAns que vent ni gel ni plueva\u00a0;<br \/>\nMa dona m\u2019assai\u2019e.m prueva<br \/>\nQuossi de qual guiza l\u2019am;<br \/>\nE j\u00e1 per plag que me\u2019n mueva<br \/>\nNo.m solverai de son liam.<\/td>\n<td width=\"283\">Farei uma pequena can\u00e7\u00e3o antes que chova, gele ou bata o vento; minha dama me experimenta a fim de ver a maneira como a amo; e por mais que entre em lit\u00edgio comigo, jamais me desprenderei dos seus elos.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<style>\n     table { border: 1px solid; padding: 5px; }<br \/>     th { border: 1px solid; color: black; padding: 5; }<br \/>     tr { border: 1px solid black; padding: 5px; }<br \/>     td { border: 1px solid; padding: 5px; color: black; }<br \/>  <\/style>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Fonte: SPINA, 1991, p. 99<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Imagem 1 \u2013 Guilherme d\u2019Aquit\u00e2nia no Cancioneiro I<\/p>\n<div id=\"attachment_4077\" style=\"width: 358px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Cancioneiro-I.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4077\" class=\"wp-image-4077 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Cancioneiro-I.png\" alt=\"\" width=\"358\" height=\"335\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4077\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Cancioneiro I (Ms. BnF, Fr. 854) na Biblioth\u00e8que National de France.<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0O <em>fin\u2019amors<\/em> tamb\u00e9m conhecido como amor cort\u00eas foi um divisor de \u00e1guas para a etiqueta, a poesia e at\u00e9 para as batalhas<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. O occitano se tornou a l\u00edngua de prest\u00edgio perante os pr\u00f3prios tratados elaborados no s\u00e9culo XIII sobre a l\u00edrica<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. O impacto dessa l\u00edngua p\u00f4de ser visto atrav\u00e9s das cortes italianas que replicavam e produziam o <em>fin\u2019amors<\/em> em occitano at\u00e9 o s\u00e9culo XIV<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Tamanha admira\u00e7\u00e3o \u00e9 registrada na <em>vida <\/em>\u2013 pequena biografia \u2013 do trovador Ferrarino de Ferrara:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Mestre Ferrarino foi de Ferrara. Foi jogral e era capaz de trovar em proven\u00e7al melhor que qualquer outro na Lombardia e compreender a l\u00edngua proven\u00e7al. (&#8230;) Depressa e voluntariamente seria aos bar\u00f5es e cavaleiros. Todo tempo esteve na Casa da Fam\u00edlia Este. E quando vinha \u00e0s festas e \u00e0 corte dos marqueses, os jograis chegavam a ele e o compreendiam expressar-se em proven\u00e7al e todos eles o chamavam de seu mestre. (GUIMAR\u00c3ES, 2021, p.40)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Devido \u00e0s necessidades da sobreviv\u00eancia e do prest\u00edgio, esses agentes culturais tamb\u00e9m eram respons\u00e1veis pela circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e do nascimento de uma \u201cmistura\u201d de culturas. Assim como o <em>fin\u2019amors<\/em> chegou \u00e0s cortes italianas, no s\u00e9culo XII encontramos produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias semelhantes no Sacro Imp\u00e9rio Romano. Diferentemente do que acontece nas cortes italianas, em solo germ\u00e2nico a produ\u00e7\u00e3o l\u00edrica se d\u00e1 na l\u00edngua vernacular \u2013 semelhante ao ocorrido na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica -, ou seja, a poesia \u00e9 registrada e cantada em m\u00e9dio \u2013 alto &#8211; alem\u00e3o. Assim, como aconteceu com os admiradores do <em>fin\u2019amors<\/em> occitano, o <em>Minnesang <\/em>\u2013 canto do amor \u2013 foi registrado, mostrando que tanto sua poesia quanto sua melodia eram respons\u00e1veis pela conserva\u00e7\u00e3o de uma identidade e modo de viver, bem como pela mobilidade cultural trovadoresca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Se a figura feminina ganhava a possibilidade de n\u00e3o ser somente almejada e desejada, mas tamb\u00e9m de ter sua voz ecoada e sua l\u00edrica reconhecida, no contexto do <em>Minnesang <\/em>as mulheres n\u00e3o tiveram autoria ou ent\u00e3o, seu reconhecimento. O que \u00e9 encontrado com semelhan\u00e7a s\u00e3o algumas classifica\u00e7\u00f5es, como se pode ver abaixo:<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"283\">Fin\u2019amors<\/td>\n<td width=\"283\">Minnesang<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">\n<p>Alba \u2013 poesia amorosa que tem seu cen\u00e1rio no alvorecer.<\/p>\n<p>Cans\u00f3 \u2013 poesia amorosa de maior prest\u00edgio occitano.<\/p>\n<p>Pastorela \u2013 poema que tem como cen\u00e1rio o campo.<\/p>\n<p>Planh \u2013 poesia de lamento e pranto.<\/p>\n<p>Retroencha \u2013 poesia de origem francesa, mas que chegou a produ\u00e7\u00e3o occitana que segue um padr\u00e3o de rimas, lembrando um refr\u00e3o.<\/p>\n<p>Sirvant\u00eas \u2013 poemas de tem\u00e1ticas pol\u00edticas, sat\u00edricas e pol\u00eamicas.<\/p>\n<p>Tens\u00f3 \u2013 disputa po\u00e9tica entre poetas.<\/td>\n<td width=\"283\">\n<p>Minneklage \u2013 poesia de lamento.<\/p>\n<p>Minnepreis \u2013 poesia amorosa de louvor \u00e0 dama<\/p>\n<p>Minneabsage \u2013 poesia de recusa \u00e0 dama.<\/p>\n<p>Dialoglied \u2013 poesia amorosa dialogada entre o <em>minnes\u00e4nger<\/em> e a dama.<\/p>\n<p>Kreuzlieder \u2013 poesia com a tem\u00e1tica das Cruzadas.<\/p>\n<p>M\u00e4dchenlieder &#8211; cantiga da donzela; s\u00e3o cantadas \u201cjovens de baixo estamento, das<\/p>\n<p>quais, tamb\u00e9m, s\u00e3o exigidas lealdade e mesura\u201d<\/p>\n<p>D\u00f6rperlieder &#8211; par\u00f3dias ao Minnesang tradicional<\/p>\n<p>Pastourellen \u2013 poesia amorosa com pastoras.<\/p>\n<p>Tagelieder &#8211; poesia amorosa que tem seu cen\u00e1rio no alvorecer<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: center;\">Fonte: Adapta\u00e7\u00e3o realizada pela autora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Os <em>Minnes\u00e4nger<\/em> poderiam gozar de quaisquer <em>status<\/em> social, sabemos de duques, pr\u00edncipes, condes, grandes senhores, burgueses e religiosos. O maior e mais prestigioso marco do lirismo podia ser rastreado da alta nobreza, aristocracia e dos cavaleiros, enquanto sobre a produ\u00e7\u00e3o das classes mais inferiores era esperado uma produ\u00e7\u00e3o gn\u00f4mica <a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0O <em>Minnesang<\/em> cont\u00e9m um arco temporal entre 1170 at\u00e9 1340, enquanto o <em>fin\u2019amors<\/em> do s\u00e9culo XI at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XIV. Do mesmo jeito que Guilherme d\u2019Aquit\u00e2nia foi considerado um dos grandes marcos na l\u00edrica occit\u00e2nica, Walther von der Vogelweide (1170-1230) se tornou aclamado por muitos, sendo considerado o maior dos trovadores. Sendo um dos respons\u00e1veis por mostrar a resili\u00eancia do poeta como um talento, pois ele suportava com uma certa eleva\u00e7\u00e3o, o sofrimento amoroso, pela mulher que tanto almejava.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"566\">Walther von der Vogelweide<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">Herzeliebez frouwelin<\/td>\n<td width=\"283\">Jovem querida (do meu cora\u00e7\u00e3o)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"283\">Herzeliebez frouwelin,<br \/>\nGot gebe dir hiute und iemer guot.<br \/>\nKund ich baz gedenren din,<br \/>\nDes hete ich willeclichen muot.<br \/>\nWaz sol ich dir sagen me,<br \/>\nWan daz dir nieman holder ist? Da von ist mir vil we.<\/td>\n<td width=\"283\">Jovem querida (do meu cora\u00e7\u00e3o), Deus te d\u00ea sempre uma felicidade eterna. Se eu pudesse dizer-te melhor meu pensamento, com que contentamento ent\u00e3o diria. Mas para que dizer-te mais? Ningu\u00e9m mais do que te ama, e para dano meu!<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: center;\">Fonte: SPINA, 1991, p.217<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Figura 2 \u2013 Walther von der Vogelweide no Codex Manesse<\/p>\n<div id=\"attachment_4080\" style=\"width: 271px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Walther-von-der-Vogelweide-no-Codex-Manesse.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4080\" class=\"wp-image-4080 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Walther-von-der-Vogelweide-no-Codex-Manesse-271x400.png\" alt=\"\" width=\"271\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Walther-von-der-Vogelweide-no-Codex-Manesse-271x400.png 271w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Walther-von-der-Vogelweide-no-Codex-Manesse.png 278w\" sizes=\"auto, (max-width: 271px) 100vw, 271px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4080\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Universit\u00e4tsbibliothek Heidelberg, Cod. Pal. germ. 848.<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Para al\u00e9m do lirismo, o g\u00eanero que traduzia e materializava o gosto pela <em>m\u00eal\u00e9e<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><strong>[11]<\/strong><\/a><\/em> e pelas grandes batalhas \u2013 valorizando a cultura cavaleiresca \u2013 podiam ser conhecidos como \u00e9picos corteses<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Esse g\u00eanero tamb\u00e9m bebia dos ideais do amor cort\u00eas, e estava presente com mais frequ\u00eancia nos versos produzidos pelos <em>trouv\u00e8res<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><strong>[13]<\/strong><\/a><\/em>, sendo um dos mais famosos representantes Chr\u00e9tien de Troyes (c.1160-1191), atuante da corte de Marie de France, condessa de Champagne, e bisneta de Guilherme d\u2019Aquit\u00e2nia e filha de Leonor d\u2019Aquit\u00e2nia. Ele foi amplamente conhecido por ter produzido esses versos de tem\u00e1tica da <em>mati\u00e8re de bretagne<\/em>, ou seja, falando sobre a tem\u00e1tica da origem da Bretanha, mais especificamente sobre o reinado e as aventuras do Rei Arthur e de demais cavaleiros<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. Enquanto na produ\u00e7\u00e3o do m\u00e9dio \u2013 alto -alem\u00e3o era conhecido como <em>H\u00f6fische Epik<\/em>. Um dos grandes representantes dessa produ\u00e7\u00e3o foi Wolfram von Eschenbach (c. 1170-1220), sendo um dos primeiros a trazer o Santo Graal como tem\u00e1tica em vernacular da regi\u00e3o com o seu \u00e9pico <em>Parzival<\/em> (1200-1210). A tem\u00e1tica do Rei Arthur n\u00e3o marcou apenas a poesia e a prosa, servindo tamb\u00e9m como individuo importante na genealogia inglesa, como uma fonte de importante legitima\u00e7\u00e3o de poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Do mesmo jeito que a cultura cortes\u00e3 e a identidade cavaleiresca permearam a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria medieval, elas retornaram com uma forte presen\u00e7a no imagin\u00e1rio do contempor\u00e2neo. Jeskier e Gerald retomaram uma imagem heroica que bebeu dos ideais, das \u201cmorais\u201d e virtudes que inicialmente foram pensados em um recorte hist\u00f3rico que lembra o que seria o medieval europeu, tanto no livro, quanto no jogo e at\u00e9 mesmo na s\u00e9rie da plataforma <em>online<\/em>. Um cavaleiro que tinha ao seu lado, um trovador que poderia cantar suas fa\u00e7anhas e gl\u00f3rias \u2013 ainda que nem sempre fosse assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0A transposi\u00e7\u00e3o multimidi\u00e1tica ocorrida com esses personagens trouxe consigo ideologias e discuss\u00f5es adequadas aos contextos da \u00e9poca de sua produ\u00e7\u00e3o, gerando ent\u00e3o, o \u201cnascimento\u201d de um her\u00f3i com vestimenta medieval para enfrentar novas situa\u00e7\u00f5es. Antes mesmo de iniciar uma discuss\u00e3o sobre a recep\u00e7\u00e3o do medievo \u2013 o que n\u00e3o ocorrer\u00e1 neste texto \u2013, deve-se lembrar do grande papel que essas personagens det\u00eam: elas despertam a curiosidade de muitos para o recorte hist\u00f3rico, iniciando-os em um mergulho profundo no que foi de fato a hist\u00f3ria, a sociedade e os mitos medievais. Ou seja, por mais que Jeskier possa ser em determinados momentos um buf\u00e3o e um companheiro de encrencas, ele exerce o papel social do jogral e do trovador, refor\u00e7ando a cultura e identidade m\u00f3vel cort\u00eas medieval.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENTES, Roberta. O Fin\u2019amors Occitano e a sua n\u00e3o-idealiza\u00e7\u00e3o. In: NASCIMENTO, Renata Cristina. (Org.) Sacralidades Medievais. Textos e temas. Goi\u00e2nia: Tempestiva, 2021, pp. 33-36.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENTES, Roberta. Textos e imagens nos Cancioneiros Occitanos Mss. BnF, Fr. 854 e 12.473. 2019. 117f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria). UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARAN\u00c1 \u2013 Paran\u00e1, 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GUIMAR\u00c3ES, Marcella. As vidas dos trovadores medievais: quem foram esses homens e mulheres que cantam o amor. Curitiba: M\u00e1quina de Escrever, 2021<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MORET, Andr\u00e9. Les d\u00e9buts du lyrisme em Allemagne. Lille, Biblioth\u00e8que Universitaire, 1951.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SALVAT, Joseph. Proven\u00e7al ou occitan ?. Annales du Midi, v. 66, n.27, 1954, pp. 229-241. Dispon\u00edvel em\u00a0: &lt; https:\/\/www.persee.fr\/doc\/anami_0003-4398_1954_num_66_27_5998&gt;. Acesso em 18 de Abril de 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SILVA, Daniele Gallindo Gon\u00e7alves. QUINTANA, Tiago. Entre Deuses e her\u00f3is: a ressignifica\u00e7\u00e3o do universo n\u00f3rdico em Odd e os Gigantes de Gelo de Neil Gaiman. Revista Signum, vol. 16, n. 3, 2015, pp. 8-23.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SILVA, Daniele Gallindo Gon\u00e7alves; SOBRAL, Adail. Para Uma Po\u00e9tica Do Amanhecer; A Recep\u00e7\u00e3o Da Tagelied Na L\u00edrica De Amor Moderna. Boitat\u00e1 Revista, v. 10, n. 19, 2015, pp. 82-95.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SILVA, Daniele Gallindo Gon\u00e7alves. WOLFRAM VON ESCHENBACH. In: SOUZA, Guilherme Queiroz de; NASCIMENTO, Renata Cristina (Org.). Dicion\u00e1rio: cem fragmentos biogr\u00e1ficos. A idade m\u00e9dia em trajet\u00f3rias. Goi\u00e2nia: Tempestiva, 2020, pp. 337-342.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SPINA, Segismundo. A l\u00edrica trovadoresca. S\u00e3o Paulo: Edunesp, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ZINK, Michel. Les troubadours \u2013 une histoire po\u00e9tique. Paris: Perrin, 2017.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Docente I pela Prefeitura de Curitiba. Doutoranda e mestra em Hist\u00f3ria pela Universidade Federal do Paran\u00e1. Especialista em Hist\u00f3ria da Arte pelo Centro Universit\u00e1rio Claretiano. NEMED\/UFPR; Grupo Insulae e Arturus Insularum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Termo emprestado das l\u00ednguas c\u00e9lticas que tinha como significado uma antiga ordem profissional de poeta e cantor, que tinha como fun\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria compor e cantar versos celebrando as conquistas de chefes e guerreiros, em sua produ\u00e7\u00e3o poderia abranger in\u00fameros t\u00f3picos como linhagens, fatos po\u00e9ticos ou hist\u00f3ricos, costumes, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Sabe-se da discuss\u00e3o sobre os <em>litteratus<\/em> e os <em>illitteratus<\/em>. Em que o primeiro seria aquele que teria uma forma\u00e7\u00e3o formal \u2013 podendo ser entre o <em>Trivium<\/em> e <em>Quadrivium<\/em> &#8211; , enquanto o segundo seria aquele que n\u00e3o teria conhecimento formal, mas que seria capaz de produzir nas l\u00ednguas vulgares. Exemplos sobre essa possibilidade de produ\u00e7\u00e3o (n\u00e3o) estar ligada a uma educa\u00e7\u00e3o formal: Bernard de Ventadorn era filho de uma padeira do castelo de Ventadorn em Corr\u00e8ze, e no entando \u00e9 conhecido como um dos maiores <em>troubadours<\/em>; o <em>Minnes\u00e4nger <\/em>Wolfram von Eschenbach em Parzival afirma n\u00e3o conhecer qualquer \u201cletra\u201d, se colocando como um \u201ciletrado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Na produ\u00e7\u00e3o galego-portuguesa encontramos as demais categorias de segrel e menestrel, classes sociais que ainda que tivessem certo conhecimento cultural, estavam em uma escala inferior. Sabe-se tamb\u00e9m da presen\u00e7a das soldadeiras, que eram mulheres que realizavam dan\u00e7as e tocavam instrumentos musicais, sendo remuneradas com um soldo. A sua autonomia financeira fez com que ficassem conhecidas como soldadeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Plataforma de registro das poesias, podendo ou n\u00e3o conter as nota\u00e7\u00f5es musicais das poesias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Tamb\u00e9m pode ser conhecido como <em>Langue d\u2019Oc<\/em>, diferentemente do <em>Langue d\u2019O\u00efl<\/em> falado ao norte da Fran\u00e7a, que seria equivalente a um franc\u00eas antigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Esperava que os homens agissem de maneira cort\u00eas na presen\u00e7a de senhores, nobres e reis, bem como, seguisse a mesma etiqueta de respeito \u00e0s quest\u00f5es sociais em \u00e2mbitos de batalhas campais, evitando execu\u00e7\u00f5es de grandes nobres, dando-lhe um cativeiro confort\u00e1vel a espera de um resgate.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Na cita\u00e7\u00e3o da vida de Ferrarino de Ferrara o occitano ser\u00e1 apresentado como proven\u00e7al, como era conhecido no s\u00e9culo XIII pelos tratados da l\u00edngua como <em>Donat Proensal <\/em>de Uc Faidit. Muito se discutiu sobre o uso do termo occitano ou proven\u00e7al para falar sobre o registro dos <em>troubadours. <\/em>Cf. SALVAT, Joseph. Proven\u00e7al ou occitan ?. Annales du Midi, v. 66, n.27, 1954, pp. 229-241. Dispon\u00edvel em\u00a0: &lt; https:\/\/www.persee.fr\/doc\/anami_0003-4398_1954_num_66_27_5998&gt;. Acesso em 18 de Abril de 2022. Utiliza-se o termo occitano para delimitar a regi\u00e3o, mas grande parte da produ\u00e7\u00e3o registrada nos cancioneiros occitanos presentes na <em>Biblioth\u00e8que National de France <\/em>est\u00e3o no dialeto occitano do Limousin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Tanto a queda do <em>Langue d\u2019Oc<\/em>, assim como, a expans\u00e3o dos trovadores para pen\u00ednsula it\u00e1lica s\u00e3o marcados por dois grandes marcos hist\u00f3ricos: a Cruzada Albigense (1209-1244) e a Batalha de Muret (1213). \u00c9 na \u00faltima batalha \u2013 extremamente decisiva para a Cruzada Albigense \u2013 que o rei de Arag\u00e3o, Pedro II, morre. Pedro II foi reconhecido \u2013 em poesia e em cr\u00f4nicas \u2013 como um dos maiores protetores de trovadores e amante da cultura. Ele foi um importante aliado e protetor dos Condados constantemente atacados durante a Cruzada, cabendo destaque para os Condados de Toulouse, Foix e Cominges, vassalos do Rei aragon\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> A poesia gn\u00f4mica detinha ditos significativos inseridos em versos que poderiam auxiliar na mem\u00f3ria da narrativa. Normalmente trazendo verdades generalistas do mundo. Cf. MORET, Andr\u00e9. Les d\u00e9buts du lyrisme em Allemagne. Lille, Biblioth\u00e8que Universitaire, 1951, p. 30.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> A express\u00e3o de origem francesa normalmente se refere a conflitos que podem ser de curta dist\u00e2ncia com v\u00e1rios combatentes, com a possibilidade de se tornar desorganizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Tamb\u00e9m podem ser conhecidos como romances corteses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Eram os trovadores e autores que produziam no <em>Langue d\u2019O\u00efl<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Chr\u00e9tien traz em sua produ\u00e7\u00e3o Erec e Enide, Lancelot, Perceval e Yvain.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 23 de Maio de 2022.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> BENTES, Roberta. Do balan\u00e7ar de penas ao entoar cantigas: os prest\u00edgios dos troubadours e dos Minnes\u00e4nger. <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 23 mai. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-do-balancar-de-penas-ao-entoar-cantigas-os-prestigios-dos-troubadours-e-dos-minnesanger\/. Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>CURTIU O TEXTO? VOC\u00ca TAMB\u00c9M PODER\u00c1 GOSTAR DE:<\/strong><\/p>\n<p><center><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-uma-curiosidade-por-vidas-alheias-minha-incursao-pelas-biografias-dos-troubadours-e-das-trobairitz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4853 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/Artes-dos-Textos-29-200x200.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/Artes-dos-Textos-29-200x200.png 200w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/Artes-dos-Textos-29-400x400.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/Artes-dos-Textos-29-1024x1024.png 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/Artes-dos-Textos-29-768x768.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/Artes-dos-Textos-29-750x750.png 750w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/Artes-dos-Textos-29.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a>\u00a0 <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-entre-eddas-y-sagas-el-mundo-literario-del-norte-medieval\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4843 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/11\/Artes-dos-Textos-26-200x200.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/11\/Artes-dos-Textos-26-200x200.png 200w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/11\/Artes-dos-Textos-26-400x400.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/11\/Artes-dos-Textos-26-1024x1024.png 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/11\/Artes-dos-Textos-26-768x768.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/11\/Artes-dos-Textos-26-750x750.png 750w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/11\/Artes-dos-Textos-26.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a>\u00a0 <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-a-lei-e-os-mecanismos-juridicos-medievais-como-objetos-de-estudo-um-breve-balanco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4877 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/24-200x200.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/24-200x200.png 200w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/24-400x400.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/24-1024x1024.png 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/24-768x768.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/24-750x750.png 750w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/12\/24.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><\/center><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roberta Bentes[1] (UFPR) \u00a0 \u00a0\u201cToss a coin to your Witcher, o\u2019 Valley of Plenty\u201d cantava Jaskier, enquanto seguia seu rumo para uma taverna ou para uma corte, brandando os feitos da \u00faltima aventura que Gerald of Rivia teria vivenciado juntamente com o \u201cbardo\u201d[2], como ele mesmo se denominava na can\u00e7\u00e3o. \u00a0 \u00a0Jaskier &#8211; 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