{"id":3942,"date":"2022-05-07T01:56:00","date_gmt":"2022-05-07T04:56:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=3942"},"modified":"2023-04-04T00:19:41","modified_gmt":"2023-04-04T03:19:41","slug":"texto-as-bruxas-e-aquelarres-na-obra-de-francisco-de-goya","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-as-bruxas-e-aquelarres-na-obra-de-francisco-de-goya\/","title":{"rendered":"Texto: As Bruxas e Aquelarres na Obra de Francisco de Goya: Inspira\u00e7\u00f5es e Possibilidades Interpretativas (Espanha, S\u00e9culos XVIII e XIX)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Edison Cruxen (LAPEHME\/UNIPAMPA)[\u00b9]\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Somente aos 50 anos de idade, em 1795, no \u00c1lbum B, as bruxas aparecem na obra do pintor espanhol Francisco Jos\u00e9 de Goya y Lucientes (1746-1828) mas, a partir desse momento, sob diferentes abordagens, elas estar\u00e3o presentes at\u00e9 o fim de sua vida. Existem dois per\u00edodos em que Goya se dedica com mais intensidade a este tema, o primeiro entre 1797 e 1798, onde produz <em>Los Caprichos <\/em>e os quadros de <em>La Alameda<\/em>, para os Duques Osuna e o segundo entre 1815 e 1824, onde produz <em>Las Pinturas Negras<\/em>, na Quinta del Sordo e o \u00c1lbum D (<em>de las Brujas y de las Viejas<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Na Espanha, at\u00e9 Goya, n\u00e3o existia a tradi\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o de bruxas na arte. Essa tradi\u00e7\u00e3o pertence ao norte da Europa, onde durante s\u00e9culos se desenvolveu a tem\u00e1tica imag\u00e9tica das bruxas. \u00c9 poss\u00edvel que Goya tenha sofrido influ\u00eancias da obra de Hyeronimus Bosch, na representa\u00e7\u00e3o de monstros, criaturas que causavam espanto e que viviam em um universo imagin\u00e1rio. Mas, as imagens de Goya eram de uma categoria diferente das de Bosch, pois representavam seres que habitavam nossa realidade, por\u00e9m com formas grotescas e aterrorizantes. Estes seres n\u00e3o provinham de outro mundo, de outra realidade, mas eram a outra face da humanidade. \u201cBosch introduz os homens em seu universo infernal, Goya introduz o infernal no universo humano\u201d (TODOROV, 2014, p. 43-44).<\/p>\n<div id=\"attachment_3952\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/El-aquelarre-o-El-gran-cabron.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3952\" class=\"wp-image-3952 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/El-aquelarre-o-El-gran-cabron-400x128.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"128\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/El-aquelarre-o-El-gran-cabron-400x128.jpg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/El-aquelarre-o-El-gran-cabron-1024x327.jpg 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/El-aquelarre-o-El-gran-cabron-768x245.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/El-aquelarre-o-El-gran-cabron-1536x490.jpg 1536w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/El-aquelarre-o-El-gran-cabron-750x239.jpg 750w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/El-aquelarre-o-El-gran-cabron.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3952\" class=\"wp-caption-text\">[Figura 1 &#8211; El Akelarre\/Pintura Negras, GOYA Y LUCIENTES, 1820-1823]<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0As bruxas de Goya podem ser interpretadas (pelo menos) sob tr\u00eas express\u00f5es. A primeira, que atende ao gosto da aristocracia ilustrada da capital Madrid, que via nas bruxas e sab\u00e1s motivos para curiosidade e divers\u00e3o. Os Duques de Osuna foram os grandes mecenas de Goya, assim como de muitos outros artistas. Embora fosse considerada como ignor\u00e2ncia popular, a aristocracia ilustrada espanhola, no final do s\u00e9culo XVIII, sentia grande curiosidade pela bruxaria. Existia uma atra\u00e7\u00e3o por quest\u00f5es relacionadas ao ocultismo e mist\u00e9rios paranormais. Muitos eram os nobres e abastados que, por divers\u00e3o, colecionavam obras sobre o tema. A bruxaria era assunto compartilhado com grande interesse nas rodas de conversas das altas classes sociais. Desta moda, prov\u00e9m o interesse dos esclarecidos Duques de Osuna em comprar de Goya uma s\u00e9rie de seis quadros sobre bruxaria, os <em>Asuntos de Brujas <\/em>(1798), que enfeitaram sua biblioteca e o gabinete pessoal da duquesa, no <em>Palacio de la Alameda <\/em>(VALLE, 2010).<\/p>\n<div id=\"attachment_3953\" style=\"width: 280px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/el-aquelarre-de-goya-museo-lazaro-galdiano-imagen-foto-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3953\" class=\"wp-image-3953 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/el-aquelarre-de-goya-museo-lazaro-galdiano-imagen-foto-1-280x400.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/el-aquelarre-de-goya-museo-lazaro-galdiano-imagen-foto-1-280x400.jpg 280w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/el-aquelarre-de-goya-museo-lazaro-galdiano-imagen-foto-1.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3953\" class=\"wp-caption-text\">[Figura 2 \u2013 Akelarre\/Asuntos de Brujas, GOYA Y LUCIENTES, 1798]<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0A segunda, de cr\u00edtica social, partia de uma perspectiva ilustrada contra o obscurantismo da Igreja, as supersti\u00e7\u00f5es do povo e o autoritarismo dos poderes seculares e religiosos. Durante muito tempo em sua vida Goya dedicou-se a servir aos poderes estabelecidos, traduzindo em imagens os princ\u00edpios que sustentavam o sistema (religi\u00e3o, nobreza e monarquia). Vale lembrar que ele foi o pintor da corte em Carlos III, Carlos IV e Jos\u00e9 Bonaparte, al\u00e9m de atender \u00e0s encomendas da mais alta aristocracia madrilenha. Goya foi o Primeiro Pintor da C\u00e2mera do Rei (1785) e Diretor da Real Academia de Belas Artes de San Fernando (1795). Mas ele conseguiu inverter essa l\u00f3gica e utilizar sua obra como instrumento questionador da sociedade e dos poderes, atacando os princ\u00edpios ideol\u00f3gicos dominantes. Uma vez que na perspectiva ilustrada as bruxas eram farsantes mal intencionadas, marginais que exploravam e sugavam o dinheiro do povo pobre e cr\u00e9dulo, essa \u00e9 a imagem que Goya utiliza para representar os poderes secular e clerical que sugavam e exploravam o povo (GUIDOLIN; FIANCO, 2017).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 Para Argan (1992), Goya acreditava que monstros tamb\u00e9m poderiam ser gerados pela raz\u00e3o do pensamento ilustrado. As cr\u00edticas que direcionava ao obscurantismo e \u00e0 irracionalidade da Igreja e do Absolutismo tamb\u00e9m realizava \u00e0 desumaniza\u00e7\u00e3o e terror criados pela busca racionalidade absoluta. As luzes do pensamento ilustrado tamb\u00e9m poderiam ser geradoras de tempos violentos e obscuros. Para Goya, o projeto da racionalidade ilustrada n\u00e3o passava de uma supersti\u00e7\u00e3o laica em confronto com uma supersti\u00e7\u00e3o religiosa. Este pensamento est\u00e1 representado na cole\u00e7\u00e3o de 80 gravuras <em>Los Caprichos <\/em>(1799) e, de forma mais incisiva, na cole\u00e7\u00e3o de 85 gravuras <em>Los desastres de la Guerra <\/em>(1810\/15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 A terceira, intimista, \u00e9 onde o artista purga seus pr\u00f3prios monstros. Uma express\u00e3o onde n\u00e3o h\u00e1 condena\u00e7\u00e3o, mas aceita\u00e7\u00e3o de que o obscuro faz parte dos seres humanos e que o fant\u00e1stico \u00e9 parte da exist\u00eancia. Goya contempla os dem\u00f4nios da humanidade. As denominadas <em>Pinturas Negras <\/em>(1819\/23) foram realizadas nas paredes de sua casa, na <em>Quinta del Sordo<\/em>, nos arredores de Madrid, em um per\u00edodo de distanciamento e reclus\u00e3o do artista. O fato de n\u00e3o pintar sobre uma tela transport\u00e1vel marca a ren\u00fancia de Goya em difundi-las. Elas n\u00e3o foram destinadas para serem vistas por outras pessoas, al\u00e9m do pr\u00f3prio pintor e seus \u00edntimos. As <em>Pinturas Negras <\/em>s\u00e3o a externaliza\u00e7\u00e3o do lado obscuro do pintor, uma forma de plasmar e purgar seus pr\u00f3prios fantasmas, medos e terrores. Nesta obra, ao contr\u00e1rio das bruxas de <em>Los Caprichos <\/em>ou <em>Asuntos de Brujas <\/em>n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a s\u00e1tira e o c\u00f4mico, caracteriza-se n\u00e3o como uma pintura fant\u00e1stica, mas fantasmag\u00f3rica, que apresenta uma atmosfera, sufocante, macabra e obscura, com multid\u00f5es de personagens grotescos e deformados. O <em>Album D <\/em>(<em>de las Brujas y de las Viejas<\/em>, 1819\/23) faz parte dos oito \u00e1lbuns pessoais de desenhos de Goya, nominados de A a H. As imagens representam as bruxas, a decrepitude f\u00edsica do passar dos anos e a vulnerabilidade da exist\u00eancia humana, fortemente marcada pelo macabro e grotesco. Conforme a especialista em Goya, Juliet Wilson-Bareau (2015), estas eram obras \u00edntimas, pessoais, sem objetivo de mostrar ao p\u00fablico. Estas bruxas e criaturas fant\u00e1sticas tamb\u00e9m estavam\u00a0dadas apenas aos olhos do artista e de seu c\u00edrculo pr\u00f3ximo de amigos, o que permitiu que Goya desse r\u00e9deas soltas \u00e0 sua imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_3954\" style=\"width: 295px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Mucho-hay-que-chupar.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3954\" class=\"wp-image-3954 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Mucho-hay-que-chupar-295x400.jpg\" alt=\"\" width=\"295\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Mucho-hay-que-chupar-295x400.jpg 295w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Mucho-hay-que-chupar-754x1024.jpg 754w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Mucho-hay-que-chupar-768x1043.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Mucho-hay-que-chupar-1131x1536.jpg 1131w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Mucho-hay-que-chupar-750x1018.jpg 750w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Mucho-hay-que-chupar.jpg 1414w\" sizes=\"auto, (max-width: 295px) 100vw, 295px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3954\" class=\"wp-caption-text\">[Figura 3 \u2013 Mucho hay que chupar\/Los Caprichos, GOYA Y LUCIENTES, 1797-1799]<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Parte da inspira\u00e7\u00e3o das <em>brujas <\/em>e <em>aquelarres <\/em>(sab\u00e1s) de Goya tem origem no contato com a obra de seu amigo Leandro Fern\u00e1ndez de Morat\u00edn, estudioso da hist\u00f3ria da bruxaria na Espanha, que em 1811 publicou uma edi\u00e7\u00e3o comentada (e sarc\u00e1stica) sobre o processo das bruxas de Zugarramurdi (Navarra), publicado pela primeira vez por Juan Mongast\u00f3n, na cidade de Logro\u00f1o (La Rioja), em 1611. A bruxaria e os sab\u00e1s j\u00e1 estavam rica e profundamente arraigados no imagin\u00e1rio popular da \u00e9poca e, com certeza, deviam ser de conhecimento de Goya, mas autores como Carmelo Lis\u00f3n Tolosana (<em>Las brujas en la historia de Espa\u00f1a<\/em>, 1996), Julio Caro Baroja (<em>Las brujas y su mundo<\/em>, 2011), Tzvetan Todorov (<em>Goya: A Sombra das Luzes<\/em>, 2014), Josephe Perez (<em>La brujeria em Espanha<\/em>, 2010) e Gustav Henningsen (<em>El abogado de las brujas<\/em>, 2010), concordam em apontar a proximidade com Morat\u00edn e o acesso aos seus escritos como grande influ\u00eancia para criar suas bruxas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Conforme Gustav Henningsen (2012) e Mikel Azurmendi (2012), quando o processo de Logro\u00f1o inicia, em 1609, a palavra <em>aquelarre <\/em>s\u00f3 existia como top\u00f4nimo, como nome de determinados prados: <em>akelarre <\/em>(prado do <em>macho cabr\u00edo<\/em>\/bode) ou <em>alkelarre <\/em>(prado das flores de alka). Esta palavra aparece por primeira vez na documenta\u00e7\u00e3o da Inquisi\u00e7\u00e3o em uma carta do Tribunal, em Maio de 1609, em que os inquisidores escrevem que est\u00e3o ocupados com <em>juntas de brujas y aquelarres<\/em>, celebrados por toda Navarra. Na tradi\u00e7\u00e3o campesina de Navarra existiam bruxos e bruxas, mas estes nada tinham a ver com o dem\u00f4nio. Eles eram <em>brujos y brujas de aldea<\/em>, ou seja, a cren\u00e7a ancestral em pessoas com capacidade de colocar mal olhada nas outras, nas planta\u00e7\u00f5es e animais, mas sem qualquer interven\u00e7\u00e3o de for\u00e7as demon\u00edacas. Da mesma forma, essas mesmas pessoas tinham a capacidade de desfazer o mal olhado, curar e proteger. A bruxaria sat\u00e2nica ou as bruxas como uma seita secreta mal\u00e9fica eram desconhecidas no Pa\u00eds Basco e Navarra antes do Processo de Logro\u00f1o. Este conceito foi introduzido pelos inquisidores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Ginzburg, em sua obra <em>Hist\u00f3ria Noturna <\/em>(2007), constitui uma genealogia do sab\u00e1 e das bruxas revisitando e analisando perspectivas da Igreja, estudos inquisitoriais e tradi\u00e7\u00f5es populares crist\u00e3s e pr\u00e9-crist\u00e3s, em diversas regi\u00f5es da Europa. O autor se empenha em constituir, de forma coerente, um complexo mosaico de informa\u00e7\u00f5es que possibilitou, a partir do s\u00e9culo XVI, a Inquisi\u00e7\u00e3o cristalizar e popularizar estere\u00f3tipos sobre o sab\u00e1 e suas rela\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas com as bruxas, apostasia e pacto demon\u00edaco.<\/p>\n<div id=\"attachment_3959\" style=\"width: 247px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Sueno-de-hechicera.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3959\" class=\"wp-image-3959 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Sueno-de-hechicera-247x400.jpg\" alt=\"\" width=\"247\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Sueno-de-hechicera-247x400.jpg 247w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Sueno-de-hechicera.jpg 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 247px) 100vw, 247px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3959\" class=\"wp-caption-text\">[Figura 4 \u2013 Sue\u00f1o de hechicera\/Album D, GOYA Y LUCIENTES, 1819-1823]<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0No livro <em>El abogado de las brujas <\/em>(2010), Henningsen apresenta a atua\u00e7\u00e3o do inquisidor D. Alonso de Salazar Fr\u00edas, nos tribunais contra as bruxas em Navarra e no Pa\u00eds Basco. Pouco depois do Auto de F\u00e9, o padre produziu um relato e enviou para o Inquisidor Geral, denunciando as irregularidades ocorridas durante os processos. Salazar realizou visitas nas ditas zonas infectadas por bruxaria e pode constatar pessoalmente que\u00a0naquelas regi\u00f5es n\u00e3o existiam bruxos ou embruxados, at\u00e9 que os inquisidores come\u00e7assem a escrever sobre eles. Salazar apontou em seus escritos a injusti\u00e7a cometida nas condena\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de confiss\u00f5es for\u00e7adas e declara\u00e7\u00f5es induzidas pela ret\u00f3rica dos inquisidores, que se aproveitavam de pessoas humildes e assustadas. Possivelmente, a identifica\u00e7\u00e3o entre <em>aquelarre <\/em>e junta de bruxas seja fruto de uma m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o do declarado pelos interrogados. Nenhum deles falava castelhano, mas o vascuense\/euskara e todos os interrogat\u00f3rios foram conduzidos com a media\u00e7\u00e3o de int\u00e9rpretes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Para Azurmendi (2013), o fato de em suas falas os acusados indicarem a exist\u00eancia de um \u201cprado do bode\u201d, onde as pessoas se reuniam, serviu para uma identifica\u00e7\u00e3o err\u00f4nea (proposital ou n\u00e3o) por parte dos inquisidores. Na cultura tradicional basca, o bode ocupava valores simb\u00f3licos positivos de for\u00e7a, vitalidade e fartura, al\u00e9m de estar relacionado a quest\u00f5es identit\u00e1rias e festivas das comunidades campesinas. A partir desta perspectiva o pesquisador define que o sab\u00e1\/<em>aquelarre <\/em>foi uma coprodu\u00e7\u00e3o entre tradi\u00e7\u00f5es bascas pr\u00e9-existentes e uma constru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e intelectual de integrantes da Igreja e da justi\u00e7a, que gradualmente se imp\u00f4s a partir do s\u00e9culo XVII. Gustav Henningsen (2012), apresenta que o nome <em>aquelarre <\/em>seria consagrado no Relato do Auto de F\u00e9 de Logro\u00f1o (1611) pelo impressor Mongast\u00f3n, onde aparece definido como a forma que os bascos chamavam os ajuntamentos, convent\u00edculos e juntas de bruxas para adorar o dem\u00f4nio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Dois dos principais esteri\u00f3tipos de demoniza\u00e7\u00e3o da bruxaria s\u00e3o o infantic\u00eddio e o canibalismo de crian\u00e7as, fartamente representados em <em>Asuntos de Brujas<\/em>, <em>Los Caprichos <\/em>e <em>Album D<\/em>. A bruxa inverte por completo a l\u00f3gica das virtudes universais impostas \u00e0s mulheres da procria\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de filhos. Com isso, a bruxa tornava-se uma criatura hedionda, antinatural, que se empenhava em provocar abortos, roubar crian\u00e7as de seus ber\u00e7os, mat\u00e1-las e devor\u00e1-las. Este ato significava uma agress\u00e3o direta \u00e0 comunidade, principalmente em um per\u00edodo (s\u00e9c. XVIII e XIX) que a inf\u00e2ncia era t\u00e3o fr\u00e1gil, onde o n\u00famero de crian\u00e7as que n\u00e3o vingavam era muito grande. Nada poderia ser mais demon\u00edaco. No Auto de Logro\u00f1o, assim como na obra de Goya, s\u00e3o constantes as refer\u00eancias dos cestos com al\u00e7a (t\u00edpico dos trabalhos das mulheres das aldeias), utilizados para colocar ossos de tumbas profanadas, carne humana, carregar dem\u00f4nios, juntar sapos e carregar crian\u00e7as que seriam devoradas. Para Pilar Predraza (1999), bruxas e velhas eram sin\u00f4nimos na fala popular e, com certeza, na imagina\u00e7\u00e3o de Goya. Na Espanha dos s\u00e9culos XVIII e XIX a velha era um objeto f\u00f3bico e abjeto. A feiura do corpo de uma mulher pobre, velha e sozinha estava ligada a quest\u00f5es morais e espirituais, n\u00e3o apenas est\u00e9ticas.<\/p>\n<div id=\"attachment_3960\" style=\"width: 275px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3960\" class=\"wp-image-3960 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Mala-mujer-275x400.jpg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Mala-mujer-275x400.jpg 275w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/files\/2022\/05\/Mala-mujer.jpg 528w\" sizes=\"auto, (max-width: 275px) 100vw, 275px\" \/><p id=\"caption-attachment-3960\" class=\"wp-caption-text\">[Figura 5 \u2013 Mala mujer\/Album D, GOYA Y LUCIENTES, 1819-1823]<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Amaia Naussia, em seu artigo <em>Mujeres solas y brujeria en Navarra <\/em>(2012) utiliza como refer\u00eancia as gravuras de Goya que representam a feiura e decrepitude da bruxa velha, da <em>mala mujer<\/em>, para argumentar que, entre os s\u00e9culos XVI e XVIII, a mulher jovem era s\u00edmbolo da beleza f\u00edsica e moral, do\u00a0amor e do prazer terreno. Mas, com o passar dos anos, essa mesma mulher se convertia em um s\u00edmbolo de feiura, \u00f3dio e sofrimento. O corpo nu de uma anci\u00e3 era um tabu, algo diab\u00f3lico. O corpo feminino envelhecido, sem fertilidade e sem desejo sexual se convertia em algo maligno e contaminante. Kayser (1986) define que o grotesco gera estranhamento e sensa\u00e7\u00e3o de absurdo. O corpo grotesco \u00e9 amb\u00edguo, monstruoso, deformado e desprez\u00edvel. Ele \u00e9 capaz de gerar horror e sorriso pois \u00e9 desconcertante, desarticula as refer\u00eancias confi\u00e1veis do mundo conhecido. O grotesco \u00e9 desarmonioso, gera uma percep\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel do real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Segundo Julio Caro Baroja (2011), Goya utilizou a bruxaria para criticar os poderes institu\u00eddos e conseguiu perceber que o problema da bruxaria n\u00e3o se solucionava \u00e0 luz de an\u00e1lises racionalistas. Nessa tentativa, Goya deixou imagens muito intensas, que s\u00e3o capazes de produzir p\u00e2nico. O autor ainda observa que a pr\u00f3pria Inquisi\u00e7\u00e3o gostaria de ter Goya em suas fileiras, pois seus gravados apresentavam todo terror e monstruosidade da bruxaria aos fi\u00e9is cat\u00f3licos. Nesta linha de pensamento os desenhos de Goya, mesmo com a inten\u00e7\u00e3o de cr\u00edtica social, tamb\u00e9m podem ser utilizados para a observa\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas estereotipadas sobre a bruxaria sat\u00e2nica, criadas pelas autoridades e fixadas em autos de f\u00e9 e tratados de demonologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Goya se prop\u00f5e a tornar vis\u00edvel o invis\u00edvel, convida a ver al\u00e9m do que est\u00e1 posto, valendo-se de met\u00e1foras para advertir, afetar, questionar e desestabilizar. Com suas bruxas e <em>aquelarres <\/em>ele busca gerar diferentes sentidos, valendo-se de refer\u00eancias eruditas e populares. Trazendo sombras para a \u00e9poca das luzes, Goya utilizou a pot\u00eancia da arte para exercitar seu olhar cr\u00edtico e sua imagina\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica (TODOROV, 2014).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0No fim de sua vida, Goya, embora participante do movimento ilustrado espanhol, n\u00e3o tinha a inten\u00e7\u00e3o de destruir as fantasias e supersti\u00e7\u00f5es, mas compreend\u00ea-las, saber de que forma fazem parte da vida das pessoas, porque geram medo, pavor e, ao mesmo tempo seduzem e fazem rir. A racionalidade pura n\u00e3o dava conta de compreender as facetas da irracionalidade humana. O fant\u00e1stico, o incr\u00edvel, o imaterial, o on\u00edrico eram formas que Goya utilizava para se aproximar cada vez mais do que conhecemos como realidade. Uma realidade muitas vezes dura, sem esperan\u00e7as e agressiva, que favorecia uma minoria e explorava e tritura a maioria, mantida sob controle. Esta realidade era representada pela bruxa, aquela que na tradi\u00e7\u00e3o popular era condenada por sua perversidade demon\u00edaca, a serva de satan\u00e1s, que na obra de Goya simbolizava os poderes laicos e religiosos da Espanha dos s\u00e9culos XVIII e XIV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>REFER\u00caNCIAS:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">ARGAN, Giulio Carlo. A Arte Moderna. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">AZURMENDI, Mikel. Las brujas de Zugarramurdi. Cordoba: Editorial Almuzara, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">AZURMENDI,\u00a0\u00a0 Mikel.\u00a0\u00a0 A\u00a0\u00a0 vueltas\u00a0\u00a0 con el t\u00e9rmino aquelarre. In.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Revista Internacional de Estudios Vascos. Cuad., 9, 2012, pp. 42-53. Dispon\u00edvel em:\u00a0 <a href=\"http:\/\/www.eusko-ikaskuntza.eus\/PDFAnlt\/rievcuadernos\/09\/09042053.pdf\"><u>http:\/\/www.eusko-ikaskuntza.eus\/PDFAnlt\/rievcuadernos\/09\/09042053.pdf<\/u><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">BAROJA, Julio Caro. Las brujas y su mundo: Un estudio antropol\u00f3gico de la sociedad en una \u00e9poca oscura. Madrid: Alianza Editorial, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">CASTELLARY, Arturo Colorado. Goya y las Brujas. In. Teatro: Revista de Estudios Culturales \/A Journal of Cultural Studies, 2009: N\u00ba 23, pp.217-229.\u00a0Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/digitalcommons.conncoll.edu\/teatro\/vol23\/iss23\/21\/\"><u>https:\/\/digitalcommons.conncoll.edu\/teatro\/vol23\/iss23\/21\/<\/u><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">GUIDOLIN, Camila; FIANCO, Francisco. As ambiguidades do Iluminismo em algumas obras de Francisco de Goya: leitura de imagens. Revista do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras da Universidade de Passo Fundo. v. 13 \u2013 n. 2 \u2013 p. 328-348 \u2013 maio\/ago. 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">GINZBURG, Carlo. Hist\u00f3ria Noturna: Decifrando o Sab\u00e1. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">HEMMINGSEN, Gustav. El invento de la palabra Aquelarre. In. Revista Internacional de Estudios Vascos. Cuad., 9, 2012, pp. 54-65. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.eusko-ikaskuntza.eus\/PDFAnlt\/rievcuadernos\/09\/09054065.pdf\"><u>http:\/\/www.eusko-ikaskuntza.eus\/PDFAnlt\/rievcuadernos\/09\/09054065.pdf<\/u><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">HENNINGSEN, Gustav. El abogado de las brujas: Brujer\u00eda vasca e Inquisici\u00f3n espa\u00f1ola. Madrid: Alianza Editorial, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">KAYSER, Wolfgang. O Grotesco na Pintura e na Literatura, Perspectiva, S\u00e3o Paulo, 1986.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">NAUSIA, Amaia. Mujeres solas y brujer\u00eda en la Navarra de los siglos XVI y XVII. In. Revista Internacional de Estudios Vascos Cuaderno, n\u00ba 9, 2012, pp. 216-239. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.eusko-ikaskuntza.eus\/es\/publicaciones\/mujeres-solas-y-brujeria-en-la-navarra-de-los-siglos-xvi-y-xvii\/art-21907\/#\"><u>https:\/\/www.eusko-ikaskuntza.eus\/es\/publicaciones\/mujeres-solas-y-brujeria-en<\/u><u>-la-navarra-de-los-siglos-xvi-y-xvii\/art-21907\/#<\/u><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">PEDRAZA, Pilar. La vieja desnuda: Brujer\u00eda y abyecci\u00f3n. In. Atti del XIX Convegno [Associazione ispanisti italiani]: Roma, 16-18 settembre 1999 \/ vol. 1, 2001 (Le arti figurative nelle letterature iberiche e iberoamericane), pp. 5-18.\u00a0Dispon\u00edvel em : <a href=\"https:\/\/cvc.cervantes.es\/literatura\/aispi\/pdf\/13\/13_011.pdf\"><u>https:\/\/cvc.cervantes.es\/literatura\/aispi\/pdf\/13\/13_011.pdf<\/u><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">P\u00c9REZ, Joseph. Historia de la brujer\u00eda en Espa\u00f1a. Madrid: Espasa Livros, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">TODOROV,\u00a0\u00a0 Tzvetan.\u00a0\u00a0\u00a0 Goya\u00a0\u00a0\u00a0 \u00e0\u00a0\u00a0 Sombra\u00a0\u00a0 das\u00a0\u00a0\u00a0 Luzes,\u00a0\u00a0 S\u00e3o\u00a0\u00a0 Paulo:\u00a0\u00a0 Editora Companhia das Letras, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">VALLE, Gonzalo Mart\u00ednez Del. Goya y los IX Duques de Osun: Pinturas para el Palacio de la Alameda. Cuadernos de los Amigos de los Museos de Osuna, n\u00ba 12, 2010, pp. 31-32.\u00a0Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/dialnet.unirioja.es\/servlet\/articulo?codigo=3664606\"><u>https:\/\/dialnet.unirioja.es\/servlet\/articulo?codigo=3664606<\/u><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">WILSON-BAREAU, Juliet.\u00a0\u00a0\u00a0 Londres expone el in\u00e9dito \u201cAlbum D\u201d. Entrevista concedida \u00e0 B\u00e1rbara Celis, In. El Confidencial, 24\/02\/2015. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.elconfidencial.com\/cultura\/2015-02-24\/goya-se-rebela-contra-el-blockbuster_717589\/\"><u>https:\/\/www.elconfidencial.com\/cultura\/2015-02-24\/goya-se-rebela-contra-el-blo<\/u><\/a> <a href=\"https:\/\/www.elconfidencial.com\/cultura\/2015-02-24\/goya-se-rebela-contra-el-blockbuster_717589\/\"><u>ckbuster_717589\/<\/u><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Figuras<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">[Figura 1 &#8211; El Akelarre\/Pintura Negras] <a href=\"https:\/\/www.museodelprado.es\/coleccion\/obra-de-arte\/el-aquelarre-o-el-gran-cabron\/09559184-cfeb-48fe-8acc-89b070b64d92?searchMeta=el%20aquelarre\">https:\/\/www.museodelprado.es\/coleccion\/obra-de-arte\/el-aquelarre-o-el-gran-cabron\/09559184-cfeb-48fe-8acc-89b070b64d92?searchMeta=el%20aquelarre<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">[Figura 2 \u2013 Akelarre\/Asuntos de Brujas] <a href=\"https:\/\/museolazarogaldiano.blog\/2011\/10\/18\/el-aquelarre-goya-mejores-pinturas-museo-lazaro-galdiano\/\">https:\/\/museolazarogaldiano.blog\/2011\/10\/18\/el-aquelarre-goya-mejores-pinturas-museo-lazaro-galdiano\/<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">[Figura 3 \u2013 Mucho hay que chupar\/Los Caprichos] <a href=\"https:\/\/www.museodelprado.es\/coleccion\/obra-de-arte\/mucho-hay-que-chupar\/67b6ca83-4bad-4375-b47e-92766adde7ae\">https:\/\/www.museodelprado.es\/coleccion\/obra-de-arte\/mucho-hay-que-chupar\/67b6ca83-4bad-4375-b47e-92766adde7ae<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">[Figura 4 \u2013 Sue\u00f1o de hechicera\/Album D] <a href=\"https:\/\/fundaciongoyaenaragon.es\/obra\/sueno-de-buena-hechicera-d-15\/1368\"><u>https:\/\/fundaciongoyaenaragon.es\/obra\/sueno-de-buena-hechicera-d-15\/1368<\/u><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">[Figura 5 \u2013 Mala mujer\/Album D]\u00a0<a href=\"http:\/\/arts-graphiques.louvre.fr\/detail\/oeuvres\/3\/22103-Mala-muger-Mauvaise-femme-max\"><u>http:\/\/arts-graphiques.louvre.fr\/detail\/oeuvres\/3\/22103-Mala-muger-Mauvaise-fe<\/u><\/a> <a href=\"http:\/\/arts-graphiques.louvre.fr\/detail\/oeuvres\/3\/22103-Mala-muger-Mauvaise-femme-max\"><u>mme-max<\/u><\/a><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">[1] Doutor em Hist\u00f3ria pela Pontif\u00edcio Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUC\/RS) (<a href=\"mailto:edisoncruxen@unipampa.edu.br\"><u>edisoncruxen@unipampa.edu.br<\/u><\/a>) <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8112576746642168\">http:\/\/lattes.cnpq.br\/8112576746642168<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Publicado em 07 de Maio de 2022.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> CRUXEN, Edison Bisso. As Bruxas e Aquelarres na Obra de Francisco de Goya: Inspira\u00e7\u00f5es e Possibilidades Interpretativas (Espanha, S\u00e9culos XVIII e XIX). <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 07 mai. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-as-bruxas-e-aquelarres-na-obra-de-francisco-de-goya\/. Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edison Cruxen (LAPEHME\/UNIPAMPA)[\u00b9] &nbsp; \u00a0 \u00a0Somente aos 50 anos de idade, em 1795, no \u00c1lbum B, as bruxas aparecem na obra do pintor espanhol Francisco Jos\u00e9 de Goya y Lucientes (1746-1828) mas, a partir desse momento, sob diferentes abordagens, elas estar\u00e3o presentes at\u00e9 o fim de sua vida. 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