{"id":3767,"date":"2022-04-11T12:00:49","date_gmt":"2022-04-11T15:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/?page_id=3767"},"modified":"2023-04-04T00:24:27","modified_gmt":"2023-04-04T03:24:27","slug":"texto-eram-os-deficientes-um-grupo-marginalizado-no-ocidente-medieval","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-eram-os-deficientes-um-grupo-marginalizado-no-ocidente-medieval\/","title":{"rendered":"Texto: Eram os Deficientes um Grupo Marginalizado no Ocidente Medieval?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">L\u00e9o Ara\u00fajo Lacerda (POIEMA\/UFPel)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0A pergunta provocativa que abre o t\u00edtulo deste breve texto j\u00e1 remete a uma defini\u00e7\u00e3o complicada e dif\u00edcil de ser aplicada \u00e0s sociedades que se desenvolveram no Ocidente medieval visto n\u00e3o se tratar de algo consensual a conforma\u00e7\u00e3o das pessoas deficientes em um grupo identit\u00e1rio particular. Sequer existe um termo amplo e equivalente ao de deficiente (<em>disabled<\/em>) em latim medieval ou nas formas vernaculares. As pessoas que viveram nas espacialidades durante a cronologia estabelecida nos marcos temporais, vari\u00e1veis, do que se nomeou \u201c<em>media aetas<\/em>\u201d, nessa idade do meio, em seu tempo jamais se reconheceram como sendo medievais. Este argumento, do grupo identit\u00e1rio, esbarra na multiplicidade de condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, sensoriais e cognitivas, que determinaram a imputa\u00e7\u00e3o de termos incapacitantes. O voc\u00e1bulo mais aproximado de uma no\u00e7\u00e3o de \u201cdefici\u00eancia\u201d \u00e9 o de <em>infirmus<\/em>, isto \u00e9, enfermo. Por sua vez, o delineamento que sujeita aos indiv\u00edduos que define quando utilizado \u00e9 limitado: j\u00e1 que estas pessoas n\u00e3o est\u00e3o, efetivamente, doentes. N\u00e3o se trata de um estado transit\u00f3rio, seja tempor\u00e1ria ou permanente, o fato biol\u00f3gico condicionou conforma\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias que, frequentemente, propiciaram locais incapacitantes e discursos sobre a incapacidade que restringiram em alguma medida a experi\u00eancia destes indiv\u00edduos. Dessa forma, a diversidade de termos encontrados nos textos medievais indicam, de fato, n\u00e3o constitu\u00edrem um grupo coeso e homog\u00eaneo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Entender as atitudes pr\u00e9-modernas dispensadas a esses indiv\u00edduos, recompor sequ\u00eancias inexatas e imprecisas deste cap\u00edtulo da Hist\u00f3ria, hoje se constitui um enorme desafio. A iconografia medieval, sobretudo das marginais manuscritas, atesta a exist\u00eancia de dispositivos de acessibilidade, ou, o que em nossa \u00e9poca nomear\u00edamos como tecnologias assistivas, conhecidas e utilizadas como recursos de mobilidade: bengalas, cavaletes de andar, muletas e c\u00e3es-guias, dentre outras. Por\u00e9m, o campo dos Estudos Medievais ainda necessita de uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a cultura material associada \u00e0 defici\u00eancia. No per\u00edodo, muitas les\u00f5es resultavam em efeitos permanentes. Uma perna mal curada regularmente poderia ocasionar um problema de mobilidade. Patrick McDonagh (2008) problematizou esta quest\u00e3o amplamente debatida sobre o <em>impairment:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201c[&#8230;] como saber com certeza se algu\u00e9m chamado de &#8216;tolo&#8217; no s\u00e9culo XVI, se transportado no tempo, seria chamado de \u201csimples\u201d em s\u00e9culo XVIII, um \u201cimbecil\u201d na d\u00e9cada de 1890, ou \u201cmoderadamente ou levemente retardado\u201d na d\u00e9cada de 1960; nem sabemos se algu\u00e9m chamado de \u201cidiota\u201d em 1760 ainda seria um em 1860, ou \u2018severamente retardado\u201d em 1960\u2019\u201d (McDONAGH, 2008, p.6).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 Portanto, \u00e9 preciso se atentar para a inadequa\u00e7\u00e3o do modelo m\u00e9dico como interpretativo das rela\u00e7\u00f5es que pretende cobrir, j\u00e1 que n\u00e3o podemos elaborar com a seguran\u00e7a devida um detalhamento preciso do quadro de enfermidades e de sintomas que pudessem ter produzido a diferen\u00e7a f\u00edsica. Afora esta quest\u00e3o espec\u00edfica, este modelo \u00e9 largamente rejeitado por considerar e vincular a defici\u00eancia como um aspecto particular e privado de um indiv\u00edduo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Ainda que o prisma do pecado constitua um eixo explicativo evocado em muitos textos medievais, j\u00e1 na Antiguidade Tardia encontramos entre autores crist\u00e3os exemplos que desvinculam a defici\u00eancia do pecado, como em Irineu de Lyon (c. 130-202). O modelo religioso buscou explicar teologicamente as diferen\u00e7as corporais atrav\u00e9s do desvio moral e a pr\u00e1tica de atos pecaminosos. Em alguns aspectos coincidente ao modelo m\u00e9dico, que teve seu auge no s\u00e9culo XIX, e ainda hoje est\u00e1 presente no cotidiano das pessoas deficientes como uma entre as formas compreensivas do fen\u00f4meno. Ambos os modelos percebiam a defici\u00eancia, a les\u00e3o incapacitante, como um fator individual e n\u00e3o um problema coletivo, de um grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Jacques Le Goff (1985) apresentou uma tipologia precisa da marginalidade social em quatro categorias. Em duas delas podemos enquadrar as pessoas deficientes os desprezados e os marginalizados propriamente dito. A aloca\u00e7\u00e3o dos deficientes em duas classifica\u00e7\u00f5es deve-se \u00e0s distin\u00e7\u00f5es consider\u00e1veis entre a les\u00e3o incapacitante (<em>impairment<\/em>) encontradas nas defici\u00eancias sensoriais e motoras, e entre a loucura e os leprosos particularmente pr\u00f3ximos a exclus\u00e3o, merecendo frequentemente o tratamento de um p\u00e1ria social. Ainda que tenham existido deficientes em todos os extratos sociais, h\u00e1 muito mais informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis sobre as elites que de personagens oriundos de outros segmentos sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Na Cristandade viu-se o apoio \u00e0 pr\u00e1tica dos mendicantes, sendo as pessoas deficientes, juntamente aos mais pobres e os velhos nas comunidades em que residiam. No mundo isl\u00e2mico, ao contr\u00e1rio, era o ato de mendigar proibido. Era a pobreza tema recorrente de pregadores medievais que costumavam distinguir a pobreza redentora da pobreza vergonhosa, vinculada \u00e0 pregui\u00e7a. A dicotomia entre falsos pobres e pobres verdadeiros, enfermos, se acentua principalmente ap\u00f3s a Guerra dos Cem anos (1337-1453), merecendo atitudes ambivalentes que oscilavam entre o medo e a compaix\u00e3o. Segundo observou-se, apenas s\u00e9culos depois, durante a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, a mendic\u00e2ncia tornou-se um problema social, demandando interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica, como a cria\u00e7\u00e3o de Comit\u00eas de mendic\u00e2ncia.\u00a0 Ap\u00f3s a conquista crist\u00e3 da cidade de Sevilha, h\u00e1 uma prolifera\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es hospitalares de tamanho reduzido, dentre as quais destaca-se o Hospital Real. Reservado a uma clientela espec\u00edfica, particularmente feridos de guerras e desvalidos em fun\u00e7\u00e3o da idade avan\u00e7ada e pessoas pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Na Fran\u00e7a medieval, o rei Lu\u00eds IX (1214-1270), canonizado como S\u00e3o Lu\u00eds, fundou em 1260 um hospital destinado ao cuidado de pessoas cegas, o <em>Quinze-Vingts<\/em>. Localizado originalmente no centro parisiense, o nome do hospital que deu nome ao bairro em que foi constru\u00eddo, em franc\u00eas significa 300, uma refer\u00eancia ao n\u00famero de leitos existentes no estabelecimento hospitalar, foi transladado, em 1779, ao quartel dos mosqueteiros reais no mesmo bairro. Dentre as formas de provimento do <em>Quinze-vingts<\/em>, destacou-se, principalmente, a mendic\u00e2ncia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201cOs mendigos licenciados do hosp\u00edcio eram geralmente cegos, cada um acompanhado por um residente vidente; a dupla se posicionava nas portas da igreja ao lado de caixas de dinheiro cujo conte\u00fado era destinado \u00e0s necessidades da par\u00f3quia. Todas as esmolas tinham que ser entregues ao ministro no final de cada dia, embora os arquivos mostrem que os moradores ocasionalmente tentavam manter uma parte para si mesmos\u201d (WHEATLEY, 2002, p. 9, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Por que ocorre a interna\u00e7\u00e3o de cegos antes da era do \u201cgrande confinamento\u201d descrita por Foucault? Foucault argumentou que os hospitais medievais se diferenciavam substancialmente daqueles modernos, sendo lugares em que n\u00e3o apenas idosos eram encaminhados para a morte, mas tamb\u00e9m um espa\u00e7o para a transforma\u00e7\u00e3o espiritual, visto que a fronteira entre doen\u00e7a corporal e enfermidade espiritual eram pouco vis\u00edveis, e frequentemente podiam estar vinculadas. A preocupa\u00e7\u00e3o com a reabilita\u00e7\u00e3o de cegos produziu generosas doa\u00e7\u00f5es \u00e0s institui\u00e7\u00f5es hospitalares. N\u00e3o se trata de um caso particular de exclus\u00e3o, pois, segundo Wheatley, destaca predominava uma forma mais social do que religiosa de organiza\u00e7\u00e3o destes estabelecimentos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 160px;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">[&#8230;] embora a institui\u00e7\u00e3o inclu\u00edsse uma capela sob o controle de pelo menos um capel\u00e3o, e os moradores tivessem licen\u00e7a para mendigar nas portas das igrejas parisienses, a raz\u00e3o geral da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o era religiosa, mas social. N\u00e3o era um hospital no qual os cl\u00e9rigos cuidavam dos moradores, mas sim uma comunidade na qual cegos e videntes viviam e trabalhavam juntos em todos os aspectos da vida comunal, da agricultura ao governo (WHEATLEY, 2002, p. 3, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Por\u00e9m, Wheatley (2002) observa que havia impl\u00edcito interesses econ\u00f4micos e benef\u00edcios direcionados \u00e0 igreja, sendo o <em>Quinze-vingts<\/em> apenas uma outra institui\u00e7\u00e3o disciplinadora, com reuni\u00f5es semanais, relat\u00f3rios financeiros e pedidos de ingressos e doa\u00e7\u00f5es de heran\u00e7as dos internos. Para Wheatley, o aspecto disciplinador de Lu\u00eds IX permanece inserido nos fundamentos do <em>Quinze-vingts<\/em>, e pode ser observado tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a outros segmentos sociais, como as mulheres. Nesse sentido, tamb\u00e9m direcionou estas \u00e0 Casa das Filhas de Deus (<em>Maison des Filles-Dieu<\/em>). Fundada em 1260, essa casa conventual destinava-se a abrigar mulheres pobres que se entregaram ao pecado da lux\u00faria, antes trabalhadoras sexuais, cujos proventos destas mulheres arrependidas agora advinham das costuras e mendic\u00e2ncia. Portanto, a marginaliza\u00e7\u00e3o da figura da prostituta adotada via direito romano recusava, por exemplo, aceitar testemunhos fornecidos por prostitutas em julgamentos. Assim, a lux\u00faria evocava o pecado da carne, tornando marginaliz\u00e1vel, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Cristandade, mulheres que faziam usos n\u00e3o-convencionais do corpo para obten\u00e7\u00e3o do prazer como atividade remunerada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Essa longa discuss\u00e3o poss\u00edvel entre integra\u00e7\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o das pessoas deficientes deve admitir que as motiva\u00e7\u00f5es extrapolavam em larga medida a mera preocupa\u00e7\u00e3o social. A gest\u00e3o dos recursos financeiros e sua destina\u00e7\u00e3o cabia aos membros da <em>ecclesia<\/em>, bem como os tratamentos e paliativos m\u00e9dicos e a compreens\u00e3o das defici\u00eancias e das pessoas deficientes foi ajustado a compreens\u00e3o teol\u00f3gica da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Deste modo, consideramos a <em>disability<\/em> uma lente de an\u00e1lise fundamental de ser utilizada n\u00e3o apenas visando compreender as atitudes e as inter-rela\u00e7\u00f5es entre pessoas deficientes e n\u00e3o-deficientes nos processos sociais, mas fundamentalmente um recurso indispens\u00e1vel para demarca\u00e7\u00e3o das defici\u00eancias como categoriais arbitr\u00e1rias, e n\u00e3o fixas, constru\u00eddas social e culturalmente de formas diferentes em cada temporalidade e cultura. Assim, as defici\u00eancias n\u00e3o constituem um dado universal, mas uma constru\u00e7\u00e3o discursiva que acabou influenciando e cerceando os limites da experi\u00eancia individual de crian\u00e7as, mulheres, homens, doentes e idosos. A perspectiva que adotamos surge das reflex\u00f5es propiciadas pelo modelo sociocultural defendido por Snyder e Mitchell, que n\u00e3o separa o <em>impairment<\/em> (fato biol\u00f3gico) da <em>disability<\/em> (opress\u00e3o social) j\u00e1 que ambos atuam, reservadas \u00e0s propor\u00e7\u00f5es de cada um, para produzir a incapacidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0As pessoas deficientes que viveram nos s\u00e9culos ditos \u201cmedievais\u201d n\u00e3o estavam largadas \u00e0 pr\u00f3pria sorte, havia uma rede de rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias que garantiam o cuidado e assist\u00eancia de que supostamente precisavam. Nem eram as crian\u00e7as deficientes regularmente assassinadas por seus pais. Sobre a cortina de mitos sobrepostos sobre a compreens\u00e3o mais aproximada da situa\u00e7\u00e3o, defende-se a perspectiva destas sociedades como sistemas sociais que privilegiavam mais uma habilidade que outra. A prescri\u00e7\u00e3o de paliativos m\u00e9dicos e a busca pela cura milagrosa de enfermidades incapacitantes permeia os relatos de milagres marianos. Contudo, deve-se esclarecer que a grande maioria das defici\u00eancias n\u00e3o surgem de doen\u00e7as incapacitantes, e boa parte das defici\u00eancias n\u00e3o produzem efeitos f\u00edsicos. Todas essas quest\u00f5es colocadas nos distanciam da forma do \u201cmarginal\u2019 ou \u201cmarginalizado\u201d de Bronislaw Geremek (1989) definido por Isidoro de Sevilha em suas Etimologias como pessoas em <em>exsilium<\/em>, desenraizadas: \u201c[&#8230;] o <em>exsilium<\/em> que ele faz derivar de \u2018extra solem\u2019: ex\u00edlio significa viver fora do seu solo, da sua terra, para l\u00e1 das fronteiras da sua p\u00e1tria\u201d (GEREMECK, 1989, p. 233). Ou de formas como o louco errante de Foucault, a imagem da nave dos loucos ou nau dos insensatos (<em>Narrenschiff<\/em>, em alem\u00e3o), permeada de suposi\u00e7\u00f5es equivocadas: trata-se de uma alegoria liter\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o direta com a cr\u00edtica a Arca de No\u00e9, dialogando com o texto plat\u00f4nico <em>A Rep\u00fablica<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Os estudos sobre defici\u00eancias atualmente consideram que, al\u00e9m do aspecto f\u00edsico\/biol\u00f3gico envolvido, as determina\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o tanto ou mais determinantes na vida e nas limita\u00e7\u00f5es e barreiras que estes indiv\u00edduos enfrentam em seu cotidiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Uma das primeiras formas de se pensar a condi\u00e7\u00e3o do deficiente surgiu do modelo m\u00e9dico. Este modelo rompeu com as explica\u00e7\u00f5es religiosas que, dentre tantos aspectos, vinculava a defici\u00eancia ao pecado. Este modelo poderia ser localiz\u00e1vel nas sociedades pr\u00e9-modernas e modernas. O modelo m\u00e9dico entende a defici\u00eancia como uma \u201cenfermidade\u201d, e o deficiente enquanto um paciente que precisa e quer ajuda. Portanto, oferece tratamentos m\u00e9dicos que pretendem reabilitar o corpo dos indiv\u00edduos. Outra perspectiva proposta foi o modelo social que surgiu confrontando e questionando os postulados do modelo m\u00e9dico, definindo a defici\u00eancia como \u201copress\u00e3o social\u201d, evidenciam as barreiras ambientais que as sociedades, ao longo dos tempos, definiram para as pessoas deficientes. Portanto, a defici\u00eancia teria uma natureza profundamente social: uma pessoa, portanto, \u00e9 deficiente devido a sociedade que restringe e limita suas a\u00e7\u00f5es. Enquanto o modelo m\u00e9dico pode ser observado na escolha sem\u00e2ntica para definir a condi\u00e7\u00e3o desses indiv\u00edduos \u2013 pessoas com defici\u00eancia \u2013 distintamente do modelo social em que s\u00e3o nomeadas pessoas deficientes devido \u00e0s conforma\u00e7\u00f5es sociais que estabelecem sua incapacidade funcional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0O modelo social originou-se dos movimentos ativistas e apenas muito posteriormente alcan\u00e7ou a academia e universidades. A defesa por um mundo sem barreiras e as lutas contra a discrimina\u00e7\u00e3o tiveram \u00eaxito na defesa pelos direitos civis dos deficientes. A grande relev\u00e2ncia deste modelo foi instaurar discuss\u00f5es em torno da acessibilidade, fornecendo independ\u00eancia e capacitando estes sujeitos. Segundo essa perspectiva, a condi\u00e7\u00e3o de incapacidade deve ser modificada j\u00e1 que as barreiras ambientais e atitudinais podem e devem ser eliminadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0Por fim, a pessoa deficiente no Ocidente medieval n\u00e3o estava fora dos la\u00e7os sociais convencionais. Ela \u00e9 parte de uma comunidade, e ocupa todas as posi\u00e7\u00f5es sociais poss\u00edveis na sociedade medieval: pode ser laico ou membro clerical; um personagem da nobreza particular ou um campon\u00eas an\u00f4nimo. Por outro lado, a preocupa\u00e7\u00e3o com a reabilita\u00e7\u00e3o corporal e a exist\u00eancia de tecnologias assistivas poderia ser considerada uma preocupa\u00e7\u00e3o com a inclus\u00e3o? Como admitir esta preocupa\u00e7\u00e3o cientes que a teologia e as pr\u00e1ticas sociais do per\u00edodo contribu\u00edram para tornar incapacitado algu\u00e9m em virtude do <em>impairment<\/em>? Seguindo a perspectiva de Le Goff, podemos aloc\u00e1-los dentro das categorias de desprezados e de exclu\u00eddos. Outra possibilidade \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o liminal ou lim\u00edtrofe como sugere Metzler (2012): estes indiv\u00edduos n\u00e3o seriam nem plenamente aceitos nem estariam fora das margens do aceit\u00e1vel socialmente, mas nas bordas de uma e outra condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GEREMEK, Bronislaw. O marginal. In: LE GOFF, Jacques (Dir.). <strong>O Homem Medieval<\/strong>. Lisboa: Editorial Presen\u00e7a, 1989, p. 233-248.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LE GOFF, Jacques. Os marginalizados no Ocidente medieval. In: Id. <strong>O maravilhoso e o quotidiano no Ocidente Medieval<\/strong>. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, 1985, p. 176-184.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">McDONAGH, Patrick. <strong>Idiocy<\/strong>: A Cultural History. Liverpool: Liverpool University Press, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">METZLER, Irina. Liminality and Disability: spatial and conceptual aspects of physical impairment in Medieval Europe. In: BAKER, Patricia A.; NIJDAM, Ham e LAND, Karine van\u2019t (Eds.). <strong>Medicine and Space<\/strong>. Body, Surroundings and Borders in Antiquity and the Middle Ages. Leiden\/Boston: Brill, 2012, p. 273\u2013296.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><u>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/u>. <strong>Fools and Idiots?<\/strong> Intellectual disability in the Middle Ages. Manchester: Manchester University Press, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WHEATLEY, Edward. Blindness, Discipline, and Reward: Louis IX and the Foundation of the Hospice des Quinze-Vingts. <strong>Disability Studies Quarterly<\/strong>: v. 22, n. 4, 2002, p. 194-212.<\/p>\n<p>Refer\u00eancia da Imagem:<br \/>\nVincent de Beauvais, Miroir historial, traduction en fran\u00e7ais par Jean de Vignay, Livres IX-XVI, fol. 373r. Online. Gallica. Biblioth\u00e8que Num\u00e9rique.: <span role=\"gridcell\"><a class=\"oajrlxb2 g5ia77u1 qu0x051f esr5mh6w e9989ue4 r7d6kgcz rq0escxv nhd2j8a9 nc684nl6 p7hjln8o kvgmc6g5 cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x jb3vyjys rz4wbd8a qt6c0cv9 a8nywdso i1ao9s8h f1sip0of lzcic4wl gpro0wi8 oo483o9r gmql0nx0\" tabindex=\"-1\" role=\"link\" href=\"https:\/\/gallica.bnf.fr\/ark:\/12148\/btv1b7100627v\/f751?fbclid=IwAR1wd6EEhn6xEjM0XRZuKQlkxmxELBHXndexMb7FFSWUIzHlmJVShKSPdmI\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">https:\/\/gallica.bnf.fr\/ark:\/12148\/btv1b7100627v\/f751<\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Doutorando na Universidade Federal de Pelotas (<a href=\"mailto:leoaraujolacerda@gmail.com\">leoaraujolacerda@gmail.com<\/a>).<br \/>\n<a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2806479062219307\">http:\/\/lattes.cnpq.br\/2806479062219307<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\">Publicado em 11 de Abril de 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como citar:<\/strong> LACERDA, L\u00e9o Ara\u00fajo. Eram os Deficientes um Grupo Marginalizado no Ocidente Medieval? <strong>Blog do POIEMA<\/strong>. Pelotas: 11 abr. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/poiema\/texto-eram-os-deficientes-um-grupo-marginalizado-no-ocidente-medieval\/. Acesso em: data em que voc\u00ea acessou o artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00e9o Ara\u00fajo Lacerda (POIEMA\/UFPel)[1] &nbsp; \u00a0 \u00a0 \u00a0A pergunta provocativa que abre o t\u00edtulo deste breve texto j\u00e1 remete a uma defini\u00e7\u00e3o complicada e dif\u00edcil de ser aplicada \u00e0s sociedades que se desenvolveram no Ocidente medieval visto n\u00e3o se tratar de algo consensual a conforma\u00e7\u00e3o das pessoas deficientes em um grupo identit\u00e1rio particular. 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