A segunda edição do Café com PET de 2025 aconteceu no dia 3 de dezembro, às 14h, no Utopia Casa Bar, e marcou um encontro que atravessou memórias, territórios e histórias. Intitulada “Caminhos cruzados: mulheres indígenas em partilha”, a atividade foi pensada a partir da força simbólica da água, elemento que, para muitos povos indígenas, é mais que matéria: é corpo vivo, memória em movimento, território que sente e guia. Assim como a água que guarda recados e transforma margens, muitas mulheres indígenas caminham pelo mundo com essa mesma potência, defendendo rios ameaçados, preservando nascentes, denunciando crimes ambientais, protegendo seus corpos-territórios e mantendo vivas as tradições de seus povos. Inspirado por essa força, o PET Fronteiras reuniu quatro mulheres indígenas para compartilharem suas histórias, resistências e modos próprios de existir: Adriana Gonzáles Burgos, liderança do povo Kolla e pesquisadora na Argentina; Milena Raquel Benvinda Tupinambá, integrante do PET Fronteiras, jovem liderança Tupinambá e pesquisadora do Bem Viver; Maria Loandra Azevedo de Oliveira, estudante de Medicina da UFPEL, pertencente ao povo Tariano e moradora do Alto Rio Negro; e Ana Flávia Vanfej Manoel Antônio, estudante Kaingang e ativista na defesa dos direitos indígenas dentro e fora da universidade. Cada fala formou uma corrente distinta: memórias de cuidado, experiências de enfrentamento, lutas por permanência, histórias de retomadas, denúncias urgentes e saberes ancestrais que seguem vivos nas vozes das mais jovens. O encontro, tecido de escutas e afetos, transformou-se em espaço de fortalecimento coletivo, onde fluxos individuais se encontraram para formar um rio maior de resistência, movimento e presença. Esta edição do Café com PET foi organizada pelo Programa de Educação Tutorial PET Fronteiras: Saberes e Práticas Populares, em parceria com o PET Pedagogia e o PET GAPE, e contou com o vínculo institucional do Ministério da Educação, do FNDE, da Universidade Federal de Pelotas, da Universidade Nacional de Jujuy e do Instituto Rodolfo Kusch. O apoio do Utopia Casa Bar foi fundamental espaço que, inclusive, acolheu também a primeira edição do ano, realizada em 21 de maio, quando discutimos a temática “Corpos-território: a lógica da resistência negra em Pelotas” com o professor de História Chico Vitória. Nessa edição quando mulheres indígenas partilham suas águas, e quando nos reunimos para ouvir, pensar e agir, reafirmamos que proteger a memória é proteger o futuro. Seguimos fazendo do Café com PET um espaço de acolhimento e escuta viva, onde saberes ancestrais e lutas contemporâneas fluem juntas, como rios que se encontram para seguir adiante.
Produção Textual: Madu Costa (@orangeteears)
Fotografias: Madu Costa (@orangeteears
PET Fronteiras: Saberes e Práticas Populares













