No ano de 2025, o PET Fronteiras: Saberes e Práticas Populares marcou presença na Semana Integrada de Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão (SIIEPE) da Universidade Federal de Pelotas, reafirmando seu compromisso com a educação popular, com a produção de conhecimento crítico e com a valorização das memórias e saberes que sustentam a vida. Entre os trabalhos apresentados, dois receberam destaque no Congresso de Extensão e Cultura (CEC), reconhecimento que celebra não apenas a qualidade acadêmica das pesquisas, mas sobretudo a força política, estética e social das ações realizadas pelo grupo. Um dos destaques foi o trabalho “Comunicar para Subverter: o design como dispositivo de enfrentamento político e diálogo popular”, de autoria de Maria Eduarda de Souza Costa, sob orientação de Denise Marcos Bussoletti. A pesquisa, desenvolvida pela integrante responsável pela comunicação do PET Fronteiras, discute o design e a comunicação visual como ferramentas de enfrentamento político, resistência e diálogo popular. Inspirado em perspectivas decoloniais, o estudo compreende o design como prática social e pedagógica, capaz de dar visibilidade a vozes e memórias marginalizadas. Através de materiais gráficos, redes sociais e produções audiovisuais, o PET transforma a comunicação em espaço de crítica, afeto e construção coletiva do conhecimento, reafirmando que o design comprometido com justiça social ultrapassa a técnica e se torna resistência. O segundo destaque foi o trabalho “Batucantada: pedagogia, cultura popular e protagonismo na percussão”, de Maíra Gonçalves Coelho, também orientado por Denise Marcos Bussoletti. A pesquisa apresenta o protagonismo feminino na percussão a partir da experiência do coletivo Batucantada em parceria com o PET Fronteiras. Formado majoritariamente por mulheres, o grupo transforma música em resistência, aprendizado e afirmação identitária, rompendo com tradições marcadas por hierarquias de gênero e transformando tambores em instrumentos de luta e liberdade. Mais que música, a Batucantada é movimento pedagógico e político, em que cada ensaio é um gesto de ancestralidade, pertencimento e transformação social.
Além dos dois trabalhos premiados, o PET Fronteiras apresentou oito produções acadêmicas no SIIEPE 2025 um marco que evidencia o crescimento e a maturidade do grupo em suas ações extensionistas, de pesquisa e formação. Entre elas, está “Territórios da Memória Negra em Pelotas: Quilombo do Algodão – Lastros do Tempo”, resultado de uma visita técnica ao quilombo, realizada para valorizar o território como espaço de aprendizagem e resistência. Inspirado em autores como Conceição Evaristo, Nego Bispo e Dilermando Freitas, o estudo defende uma pedagogia que reconhece o saber ancestral e a oralidade como fundamentos da memória negra na cidade. A partir dessa vivência, Elizandra produziu um ensaio poético-visual que narra a história viva do quilombo e de seus moradores, mostrando que educar também é escutar e reconhecer. Outro trabalho apresentado foi “Café com o PET: Quando as Histórias Ecoam, a Memória Permanece Viva”, que descreve a ação de extensão realizada no Bar Utopia com o professor Francisco Vitória, discutindo corpos-território, resistência negra e memória silenciada em Pelotas. O estudo reforça a importância dessas rodas de conversa para a formação crítica dos estudantes e para a aproximação entre universidade e comunidade.
No campo do audiovisual, o trabalho “Ciclo de Cinema Ainda Estamos Aqui: relato da exibição do cinema indígena brasileiro” apresentou a exibição do curta “Tupinambá: O Grito Ancestral do Tapajós”, dirigido pela indígena Milena Benvinda Tupinambá. A ação propôs o cinema como instrumento de denúncia, memória e autonomia narrativa, aproximando a universidade das lutas dos povos originários. Também foi apresentado o trabalho “Encontro com o Griô: Saberes do Mestre Dilermando Freitas”, que relata a ação de extensão realizada com o mestre e criador da Pedagogia da Mironga. A atividade destacou a potência da oralidade, da escuta e da memória na formação de estudantes, transformando o encontro em um ato de reconhecimento e pertencimento. Na interface entre saúde, cultura e tecnologia, o estudo “Práticas Populares de Cuidado na Era Digital: desafios para a psicologia e a saúde coletiva” analisou como saberes tradicionais se reinventam em ambientes digitais, discutindo seus potenciais e riscos, e defendendo uma prática de saúde mais plural, crítica e emancipatória. Por fim, o trabalho “Entre a dor e a ausência: o corpo negro como ficção de memória e (re)existência”, desenvolvido pela estudante Madu Costa, apresentou uma reflexão profunda sobre representação racial na fotografia e na arte. Utilizando imagens de sua família e de seu próprio corpo, a autora transformou o estudo em gesto político, estético e afetivo, reinscrevendo presenças negras em um campo historicamente marcado pelo apagamento. Inspirada por autoras como bell hooks, Rosana Paulino e Aline Motta, Madu defende a arte como espaço de cura e reparação simbólica. A participação do PET Fronteiras na Semana Integrada de Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão (SIIEPE) reafirma a potência de um grupo que pesquisa, aprende e age em movimento. Um grupo que reconhece a universidade como território de disputa e transformação, e que, através de suas ações e pesquisas, contribui para ampliar narrativas, fortalecer memórias, valorizar saberes populares e construir formas mais justas, críticas e sensíveis de produzir conhecimento. Cada trabalho apresentado é testemunho de uma pedagogia viva, coletiva e insurgente uma pedagogia que coloca a vida no centro e desafia fronteiras.
Produção Textual: Madu Costa (@orangeteears)
Fotografias: Madu Costa (@orangeteears) e Eliza Peres (@elizarperes)
PET Fronteiras: Saberes e Práticas Populares





