Foto dos membros do Pet Fronteiras: Saberes e Práticas Sociais junto aos estudantes residente da Casa do Estudante Indígena e Quilombola

Entre sons, memórias e resistência: PET Fronteiras realiza oficina na Casa do Estudante Indígena e Quilombola

Nós carregamos em nosso nome a palavra “Fronteiras” — e, mais do que isso, carregamos o seu conceito. Fronteiras que ultrapassam os limites geográficos e representam também as barreiras entre culturas, saberes e vivências. Fronteiras como lugares de tensão, sim, mas também de encontro; espaços onde algo novo pode emergir do cruzamento entre mundos distintos.

É nesse entre-lugar que o PET Fronteiras habita: o espaço das resistências e dos saberes populares, onde se escutam vozes sistematicamente silenciadas — vozes indígenas, quilombolas, periféricas —, reconhecendo nelas formas legítimas e necessárias de conhecimento.

No dia 7 de maio, foi nesse espírito que realizamos, em parceria com a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (PROAFE) e com o educador musical Roberto Souza, uma oficina de musicalização, canto e percussão coletiva na Casa do Estudante Indígena e Quilombola da UFPel.

Mais do que uma roda de conversa ou uma aula, o encontro foi uma verdadeira ocupação do espaço acadêmico: um lugar que, historicamente, tenta silenciar nossas vozes. A atividade se transformou em um momento potente de troca, afeto e memória, onde a escuta se fez política.

Tainara, estudante quilombola e mulher negra, veste uma camiseta cinza e olha para baixo com expressão alegre

Uma das dinâmicas propôs que cada participante se apresentasse sem usar o próprio nome — apenas por meio de sons. A partir do som favorito de cada pessoa, memórias emergiram: Theo, por exemplo, lembrou-se do canto dos pássaros durante caminhadas na floresta com o avô; Helena recordou o apito do carrinho de algodão doce que marcava sua infância; Tainara compartilhou a lembrança dos passos arrastados do avô, evocando a sensação, ao mesmo tempo dura e bonita, de deixar o lugar onde se cresceu para trilhar novos caminhos. Entre tantas outras histórias que ecoaram na roda, criou-se um espaço de escuta profunda e construção coletiva.

Agradecemos especialmente à Milena, ao Theo, à Tainara e a toda a equipe da PROAFE por nos receberem com tanto carinho, e ao professor Roberto Souza, por guiar o encontro com tamanha sensibilidade.

Que venham mais momentos como este: cheios de som, de sentido e de resistência.

Texto e fotos por: João Miguel Bueno

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