Membros do PET Fronteiras: Saberes e Práticas Populares e membros da comunidade quilombola do Algodão, Pelotas - RS

Visita ao Quilombo do Algodão Fortalece Laços entre universidade e Comunidades Tradicionais

Pelotas, 13 de março. Grupo PET Fronteiras: Saberes e Práticas Populares realizou uma visita técnica ao Quilombo do Algodão, localizado na zona rural de Pelotas/RS. A ação integra o conjunto de atividades formativas do grupo e reafirma seu compromisso com práticas educativas que valorizam os saberes populares e tradicionais, promovendo o diálogo entre universidade e comunidade.

O Quilombo do Algodão é um território de resistência negra no sul do estado, onde a ancestralidade, a agricultura familiar e a organização coletiva seguem vivas, apesar das inúmeras dificuldades enfrentadas. Recebidos por Nilo Dias, uma das lideranças locais, e por outros membros da comunidade, os integrantes do PET puderam conhecer a história do quilombo, sua dinâmica de funcionamento e os desafios enfrentados para garantir o acesso à terra, às políticas públicas e, sobretudo, o direito de existir com autonomia.

Durante a visita, o grupo conheceu a horta comunitária — espaço de cultivo geração de renda por meio da venda de alimentos em feiras locais — e participou de uma refeição preparada pela própria comunidade. Esse gesto, mais do que acolhimento, reafirma a identidade quilombola, em que o alimento carrega saber, memória e afeto.

A experiência foi articulada com uma segunda atividade formativa, realizada à tarde na Charqueada São João, espaço marcado pela memória da escravidão no estado. O objetivo foi tensionar a forma como narramos o passado e refletir sobre o papel dos espaços educativos na escuta e na valorização de vozes historicamente silenciadas.

A aproximação entre esses dois territórios — o quilombo e a charqueada — não foi casual, mas metodológica e política. A proposta foi criar um percurso que instigasse a escuta, a presença e a reflexão sobre as fronteiras entre memória e esquecimento, entre saberes vivos e narrativas oficiais. Ao conectar resistência e denúncia, o PET Fronteiras reafirma seu papel como espaço de construção coletiva, crítica e comprometida com a transformação social.

Texto por: Madu Costa
Fotos por: Eliza R. Peres
PET Fronteiras: Saberes e Práticas Populares

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