{"id":5658,"date":"2024-07-19T18:21:31","date_gmt":"2024-07-19T21:21:31","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/?p=5658"},"modified":"2024-07-19T18:29:38","modified_gmt":"2024-07-19T21:29:38","slug":"todos-tem-as-mesmas-oportunidades-na-area-das-relacoes-internacionais-uma-reflexao-sobre-o-dia-mundial-das-habilidades-dos-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/2024\/07\/19\/todos-tem-as-mesmas-oportunidades-na-area-das-relacoes-internacionais-uma-reflexao-sobre-o-dia-mundial-das-habilidades-dos-jovens\/","title":{"rendered":"Todos t\u00eam as mesmas oportunidades na \u00e1rea das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais? Uma reflex\u00e3o sobre o Dia Mundial das Habilidades dos Jovens."},"content":{"rendered":"<p>No dia 15 de julho, foi comemorado o Dia Mundial das Habilidades dos Jovens. A data, criada pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, incentiva a import\u00e2ncia de preparar os jovens para o futuro com mais oportunidades de emprego, condi\u00e7\u00f5es dignas de trabalho e capacita\u00e7\u00e3o para o empreendedorismo. Assim, \u00e9 fundamental\u00a0 proporcionar a educa\u00e7\u00e3o de qualidade como ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o dos mesmos. O tema deste ano, \u201cHabilidades dos Jovens para a Paz e o Desenvolvimento\u201d destaca a import\u00e2ncia crucial que os jovens desempenham no desenvolvimento e, principalmente, na busca pela paz atrav\u00e9s da resolu\u00e7\u00e3o de conflitos.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-geral da ONU, Ant\u00f3nio Guterres, ressalta que os atuais conflitos que o mundo enfrenta hoje interrompem a educa\u00e7\u00e3o e a estabilidade, e n\u00e3o s\u00e3o um problema somente para o futuro individual dos jovens, mas, tamb\u00e9m, para o futuro das sociedades. Guterres afirma que \u00e9 preciso equipar os jovens com habilidades essenciais que fomentem uma cultura de Paz, al\u00e9m de formar cidad\u00e3os globais respons\u00e1veis que promovam o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Segundo dados da ONU, 600 milh\u00f5es de empregos devem ser criados, nos pr\u00f3ximos 15 anos, para atender \u00e0s necessidades de emprego dos jovens. Ainda segundo a ONU, a popula\u00e7\u00e3o de jovens crescer\u00e1, em mais de 78 milh\u00f5es, entre 2021 e 2030, e os pa\u00edses considerados de baixa renda ser\u00e3o respons\u00e1veis por quase metade desse aumento. Justamente por isso as Na\u00e7\u00f5es Unidas ressaltam que os sistemas educacionais e de capacita\u00e7\u00e3o profissional precisam se preparar para esse desafio.<\/p>\n<p>Por isso, o blog de hoje do PelotasMUN pretende analisar o qu\u00e3o excludente a \u00e1rea de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais \u00e9 para aqueles que n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddos nos grandes centros dos debates, e levanta a import\u00e2ncia de mudar as estruturas excludentes para que os futuros jovens consigam se desenvolver profissionalmente na \u00e1rea.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_5660\" style=\"width: 627px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5660\" class=\"size-full wp-image-5660\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/files\/2024\/07\/IMG_0426.jpeg\" alt=\"\" width=\"627\" height=\"417\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/files\/2024\/07\/IMG_0426.jpeg 627w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/files\/2024\/07\/IMG_0426-400x266.jpeg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 627px) 100vw, 627px\" \/><p id=\"caption-attachment-5660\" class=\"wp-caption-text\">FOTO: Escrit\u00f3rio do Enviado Especial do Secret\u00e1rio-Geral para a Juventude<\/p><\/div>\n<p><strong>A \u00e1rea das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, \u00e9 excludente ?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 muito importante que existam iniciativas, como a das Na\u00e7\u00f5es Unidas, de olhar com preocupa\u00e7\u00e3o para a situa\u00e7\u00e3o do jovem do s\u00e9culo XXI e incentivar ferramentas de apoio \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade e iniciativas de melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Por\u00e9m, \u00e9 mais importante ainda que existam debates que elucidem o qu\u00e3o excludente a \u00e1rea das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais \u00e9 para aqueles que n\u00e3o possuem as mesmas oportunidades de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acharya (2014), levanta que a disciplina das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais n\u00e3o reflete as experi\u00eancias, contribui\u00e7\u00f5es e conhecimentos da grande maioria das sociedades no mundo, al\u00e9m de marginalizar os que est\u00e3o fora dos grandes centros ocidentais &#8211; Europa e os Estados Unidos. Vale ressaltar que Acharya n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico a trabalhar com a concep\u00e7\u00e3o de que a \u00e1rea das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais \u00e9 excludente.<\/p>\n<p>No blog do PelotasMUN, j\u00e1 trabalhou-se com a perspectiva feminista das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, trazendo as contribui\u00e7\u00f5es que as mulheres realizaram nos \u00faltimos anos para a \u00e1rea, e ressaltando que a igualdade de g\u00eanero, dentro das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, ainda est\u00e1 muito longe do ideal &#8211; visto que a maior parte dos estudos cl\u00e1ssicos, utilizados como base te\u00f3rica para a \u00e1rea, foram desenvolvidos por homens.<\/p>\n<p>Trabalhou-se tamb\u00e9m a perspectiva \u2018Queer\u2019, que enfatiza que as no\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, sexo e sexualidade n\u00e3o ocuparam debates na constru\u00e7\u00e3o da \u00e1rea no s\u00e9culo XX, sendo tamb\u00e9m marginalizadas pelas principais teorias cl\u00e1ssicas que fundamentaram a \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u00c9 muito comum para o jovem, que est\u00e1 na gradua\u00e7\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, assistir a uma palestra, aula ou analisar, por exemplo, a bibliografia b\u00e1sica do curso e deparar-se com leituras, principalmente, em ingl\u00eas. Isso deve-se ao fato de que as grandes revistas t\u00e9cnicas da \u00e1rea, centro de produ\u00e7\u00f5es de conhecimento, e, claro, as teorias-base, que fundamentam as Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, ignoram as produ\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o desses grandes centros ao norte global.<\/p>\n<p>Para fundamentar isso, Kristensen em seu artigo \u201cRevisiting the American Social Science \u2014 Mapping the Geography of International Relations\u201d (Revisitando a ci\u00eancia social Americana &#8211; Mapeando a geografia das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais), publicado em 2015, levanta que quase 50% das produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas das 10 principais revistas da \u00e1rea s\u00e3o oriundas dos Estados Unidos, outros pa\u00edses do mundo anglo-sax\u00e3o englobam pouco mais de 25%, a Europa com pouco mais de 15%, e o restante do mundo com menos de 10%.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio olhar com aten\u00e7\u00e3o para discuss\u00f5es que elucidem o qu\u00e3o excludente a \u00e1rea de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais ainda \u00e9. Em uma maneira de solucionar tal problema, Acharya (2014), j\u00e1 mencionado anteriormente, traz um conceito de \u201cEstudo global das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais\u201d que, em uma s\u00edntese muito simplificada, debru\u00e7a-se na hist\u00f3ria mundial para redefinir os m\u00e9todos e teorias em RI, e pretende construir novos a partir de sociedades ignoradas dos assuntos mainstream, que desconsideram outras regi\u00f5es, e os regionalismos existentes no mundo.<\/p>\n<p><strong>Olhando para as oportunidades do jovem nas Rela\u00e7\u00f5es Internacionais.<\/strong><\/p>\n<p>A marginaliza\u00e7\u00e3o de um debate mais inclusivo dentro das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais n\u00e3o se limita somente \u00e0 diversidade e pluralidade dentro da \u00e1rea, mas tamb\u00e9m, ajuda a perpetuar as estruturas dominantes restringindo aqueles que n\u00e3o est\u00e3o inseridos nos centros &#8211; e aqui \u00e9 necess\u00e1rio focar principalmente nos jovens -, de um acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o mais igualit\u00e1rio e melhores oportunidades profissionais.<\/p>\n<p>As Na\u00e7\u00f5es Unidas, com o Dia Mundial das Habilidades dos Jovens, trazem para o debate a import\u00e2ncia de desenvolver pol\u00edticas de acesso do jovem a melhores oportunidades de emprego e, principalmente, de educa\u00e7\u00e3o. Trazendo para a \u00e1rea das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, torna-se crucial incentivar debates que tragam a amplia\u00e7\u00e3o da inclus\u00e3o e a import\u00e2ncia da representatividade dentro da \u00e1rea das Rela\u00e7\u00f5es Internacionais.<\/p>\n<p>Por fim, ressalta-se que a necessidade que esses debates n\u00e3o sirvam apenas de contribui\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, mas, sim, de ferramentas de transforma\u00e7\u00e3o dos quadros te\u00f3ricos e bibliogr\u00e1ficos da \u00e1rea, justamente, para incluir os jovens que n\u00e3o est\u00e3o inseridos nos grandes centros dos debates, e oportunizar para os jovens que pretendem se tornar futuros profissionais da \u00e1rea melhores oportunidades de educa\u00e7\u00e3o e, consequentemente, desenvolvimento profissional.<\/p>\n<p><strong>Texto por:<\/strong> Jo\u00e3o Vitor Baptista &#8211; <span style=\"font-size: 12pt;\"><em>Diretor de Press<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 15 de julho, foi comemorado o Dia Mundial das Habilidades dos Jovens. 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