{"id":2705,"date":"2021-10-23T04:00:55","date_gmt":"2021-10-23T07:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/?p=2705"},"modified":"2021-10-23T18:33:38","modified_gmt":"2021-10-23T21:33:38","slug":"jornalismo-internacional-e-bem-mais-amplo-que-o-correspondente-internacional-diz-eduardo-ritter-em-entrevista-ao-pelotasmun","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/2021\/10\/23\/jornalismo-internacional-e-bem-mais-amplo-que-o-correspondente-internacional-diz-eduardo-ritter-em-entrevista-ao-pelotasmun\/","title":{"rendered":"Jornalismo internacional \u00e9 &#8220;bem mais amplo&#8221; que o correspondente internacional, diz Eduardo Ritter em entrevista ao PelotasMUN"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong>Tempo de leitura: <\/strong>Se eu disser que s\u00e3o apenas cinco minutos voc\u00ea fica? Desculpe-me, n\u00e3o posso dizer isso, mas recomendo uma boa dose de caf\u00e9. Se preferir, prepare um mate.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify\">Com a chegada do PelotasMUN 2021, internamente surgiu a necessidade de trabalhar mais o aspecto jornal\u00edstico da Press, pois durante o ano inteiro e tamb\u00e9m no ano anterior, a comunica\u00e7\u00e3o tem sido parte da nossa rotina. S\u00e3o posts, e-mails, edi\u00e7\u00f5es, v\u00eddeos, mensagens, convites, lives, mas o jornalismo havia ficado de fora. Jornalismo fora da Press? Sim, eu sei que pode parecer contradit\u00f3rio, caro leitor. Do caos tudo floresce, mas n\u00e3o, n\u00e3o havia caos, tinhamos d\u00favidas &#8211; todos temos. Ent\u00e3o era o momento de procurar algu\u00e9m, um jornalista n\u00e3o para noticiar, e sim para conversar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim, surgiu a ideia de que fosse algu\u00e9m da UFPel, por que n\u00e3o? Como um projeto de extens\u00e3o, \u00e9 natural buscar se apropriar das oportunidades locais para lidar com quest\u00f5es mais amplas. A parte jornal\u00edtica do Guia de Estudos j\u00e1 havia sido escrita, n\u00e3o, n\u00e3o era mais sobre esse conte\u00fado, queriamos agregar ainda mais conhecimento, experi\u00eancia, contato aos nossos &#8220;jornalistas&#8221;. Tornar a experi\u00eancia deles, assim como dos delegados, a mais completa poss\u00edvel &#8211; e que tarefa, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Bem, em meados do final de setembro tinhamos o nome. Eduardo Ritter, um professor que escrevia sobre jornalismo internacional, mas n\u00e3o era sua \u00e1rea de pesquisa. A Press \u00e9 uma \u00e1rea que carrega o nome da imprensa em seu nome, mas n\u00e3o \u00e9 nosso objeto principal. Se houver semelhan\u00e7a, certamente \u00e9 uma mera coincid\u00eancia provocada pelo Cosmos &#8211; sim leitor, o autor \u00e9 um grande f\u00e3 do espa\u00e7o e ama usar analogias question\u00e1veis em qualquer oportunidade. Por raz\u00f5es pessoais, a entrevista teria de ficar para o in\u00edcio de outubro, n\u00e3o havia problema, a simula\u00e7\u00e3o ainda estava longe. Havia tempo. A primeira semana de outubro chegou, logo depois retornamos o contato, o t\u00e3o sonhado contato presencial, frente a frente, voz com voz, olhar com olhar, fora cogitado, mas foi por meio de uma chamada do Meet &#8211; quase encerrada pelo limite de tempo aos 60 minutos &#8211; que a entrevista aconteceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dia 19\/10\/2021, em uma ter\u00e7a-feira ensolarada, Gustavo Ferreira, Bento Sena e Eduardo Ritter conversaram, fruto desta troca de palavras, tal como um papo com um colega &#8211; pela flu\u00eddez e quantidade de temas trabalhados -, a presente entrevista nasceu. Fora concebida por volta das 14h00 do tal dia ensolarado, sendo uma materializa\u00e7\u00e3o em <em>timing<\/em> perfeito para os nossos &#8220;jornalistas por dois dias&#8221;, delegados e outros apaixonados por simula\u00e7\u00f5es que nos acomapanham.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em entrevista ao PelotasMUN, Eduardo Ritter conta como o jornalismo internacional faz parte de sua vida, reflete sobre seus trabalhos, nos conta sobre seu novo livro, sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica, profissional e pessoal enquanto um homem chegando na casa dos 40 anos. Com certa curiorisidade, nos questionou porque ele, como haviamos chegado ao seu nome. N\u00e3o, essa explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz parte da entrevista, mas acreditamos que ao final deste post voc\u00ea ir\u00e1 entender. \u00c0s vezes, precisamos nos encontrar, descobrir o que j\u00e1 est\u00e1 instaurado, o que j\u00e1 fazemos, o que j\u00e1 carregamos, bem, talvez este final de par\u00e1grafo seja a segunda op\u00e7\u00e3o no final da mini biografia que deixei ao fim do post, mas as palavras s\u00e3o o que sentimos e esperamos que sintam ao ler a transcri\u00e7\u00e3o abaixo.<\/p>\n<p>Confira a seguir, os principais trechos da entrevista:<\/p>\n<p><strong>Gustavo Ferreira &#8211; Antes de iniciarmos com as perguntas, gostaria de agradecer novamente ao senhor por aceitar o convite para conversar conosco! Voc\u00ea \u00e9 professor no curso de jornalismo na UFPel, tamb\u00e9m tem experi\u00eancia em portais de not\u00edcia, r\u00e1dios, j\u00e1 publicou diversos artigos e escreveu dois livros. \u00c9 uma grande hist\u00f3ria, o senhor poderia contar para n\u00f3s e nossos leitores quem \u00e9 Eduardo Ritter?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Eduardo Ritter<\/strong> &#8211; Sou formado em jornalismo, sou do interior do Estado, nasci em Santo \u00c2ngelo na 1981. Inclusive dia 21 de outubro, quinta-feira, \u00e9 meu anivers\u00e1rio de 40 anos. Eu fiz a gradua\u00e7\u00e3o na minha regi\u00e3o, sou natural de Santo \u00c2ngelo e me formei em jornalismo na UNIJU\u00cd, em Iju\u00ed no noroeste do estado. As \u00fanicas federais que tinham jornalismo era UFSM de Santa Maria e a UFRGS, ent\u00e3o o pr\u00f3prio FIES (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior) acabou sendo fundamental para eu poder fazer a gradua\u00e7\u00e3o. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Eu trabalhei j\u00e1 durante a gradua\u00e7\u00e3o praticamente desde o in\u00edcio do curso em r\u00e1dio na \u201cR\u00e1dio Jornal da Manh\u00e3\u201d no \u201cJornal da Manh\u00e3\u201d de Iju\u00ed. Quando estava me formando, fiz um est\u00e1gio curto de 6 meses no (setor de) esportes da R\u00e1dio Ga\u00facha, Porto Alegre.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_2729\" style=\"width: 366px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2729\" class=\"size-full wp-image-2729\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/files\/2021\/10\/servletrecuperafoto-3.jpg\" alt=\"\" width=\"366\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/files\/2021\/10\/servletrecuperafoto-3.jpg 366w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/files\/2021\/10\/servletrecuperafoto-3-200x200.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 366px) 100vw, 366px\" \/><p id=\"caption-attachment-2729\" class=\"wp-caption-text\">Eduardo Ritter, jornalista, colunista e professor na UFPel &#8211; Foto: Eduardo Ritter\/Internet.<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Nesse per\u00edodo eu j\u00e1 tinha interesse pela pesquisa, tive incentivo grande de alguns professores na universidade pela parte da pesquisa. Ent\u00e3o eu sempre tamb\u00e9m gostei de jornalismo liter\u00e1rio. Meu TCC foi sobre o \u00c9rico Ver\u00edssimo, ent\u00e3o j\u00e1 tive, digamos assim, a ideia e a vontade de fazer o mestrado na \u00e1rea, seguindo com a pesquisa sobre jornalismo liter\u00e1rio. Nesse meio tempo, no ano do Centen\u00e1rio do \u00c9rico Ver\u00edssimo, eu tive contato com o professor Ant\u00f4nio Hohlfeldt. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">[&#8230;] Nessa altura eu tive a ideia de fazer meu mestrado na PUC, em Porto Alegre. Acabei levando 3 anos para ser selecionado, claro porque eu dependia de bolsa tamb\u00e9m. No final consegui a bolsa s\u00f3 na terceira sele\u00e7\u00e3o l\u00e1 por 2010, nesse tempo eu trabalhei tamb\u00e9m numa ag\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o, mas o foco principal era r\u00e1dio em Bento Gon\u00e7alves na Serra. Fiz um mestrado com professor Hohlfeldt, originando o (meu) primeiro livro do \u00c9rico Ver\u00edssimo, Tribo Jornal\u00edstica de Erico Verissimo. Voltei a trabalhar no mercado, voltei para minha cidade, para o \u201cJornal da Manh\u00e3\u201d, minha filha ent\u00e3o tinha rec\u00e9m-nascido. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Antes de eu entrar no doutorado, abriu concurso para substituto aqui na UFPel (Universidade Federal de Pelotas) em 2011. Vim para Pelotas como substituto, ent\u00e3o tamb\u00e9m entrei no doutorado na PUC, com a orienta\u00e7\u00e3o da professora Beatriz Dornelles. Acabou coincidindo com o fim do meu contrato de substituto, ent\u00e3o a possibilidade da bolsa sandu\u00edche (Programa de Doutorado-sandu\u00edche no Exterior &#8211; PDSE) possibilitou que eu fosse para a universidade de Nova York, com orienta\u00e7\u00e3o do professor Robert Boynton. Nova York tem um departamento espec\u00edfico do jornalismo liter\u00e1rio, eu fiquei um ano em Nova York, tive a oportunidade tamb\u00e9m de visitar a sede da ONU, seguindo aquela programa\u00e7\u00e3o tradicional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;padding-left: 80px\"><strong><span style=\"color: #000000\"><em>Com empolga\u00e7\u00e3o que parecia reviver os momentos de outrora, Eduardo compartilhou detalhes do per\u00edodo em que esteve nos Estados Unidos &#8211; tema que seria a segunda pergunta de nossa entrevista. Sua anima\u00e7\u00e3o, o afinco com que contava, era, certamente, o relembrar de uma parte importante de sua vida. Um jornalista, que por for\u00e7a da profiss\u00e3o costuma contar a hist\u00f3ria e os fatos da vida de outros, nos contava sobre si mesmo com a naturalidade de quem est\u00e1 acostumado com as palavras, de quem vive delas &#8211; Gustavo Ferreira.<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Pesquisei o jornalismo Gonzo que d\u00e1 origem ao meu segundo livro e, enquanto eu tive nos Estados Unidos, acabei no primeiro semestre frequentando aulas tanto do professor Boynton, quanto as do professor Rodney Benson &#8211; que \u00e9 mais da comunica\u00e7\u00e3o no NYU (New York Univesity). <\/span><span style=\"font-size: 12pt\">Quando eu acabei o segundo semestre, viajei pelo pa\u00eds, entrevistei a vi\u00fava do Hunter Thompson no Colorado, em Aspen. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Fui nos lugares onde ele atuou mais marcantemente, ent\u00e3o tamb\u00e9m passei por Washington. Em resumo, cruzei de \u00f4nibus parando nas cidades no caminho at\u00e9 chegar em San Diego, do outro lado. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Entrevistei o professor Henry Jenkis, autor da \u201cCultura da converg\u00eancia\u201d e outras obras. Subi at\u00e9 o Colorado fiz a entrevista com a vi\u00fava do Hunter Thompson e\u00a0 fui voltando. Passei por Holcombi, o que \u00e9 a cidade onde aconteceu a chacina que originou o livro \u201cA sangue-frio\u201d do Truman Capote.<\/span><\/p>\n<div class=\"pullquote aligncenter\" style=\"text-align:center;width:80%;\"><p>&#8220;Nunca parei para pensar tanto sobre alguns pontos que se conectam com jornalismo internacional, agora com voc\u00eas \u00e9 que estou me dando conta, at\u00e9 inclusive com os artigos que escrevi,\u00a0 porque \u00e0s vezes eu fiz, mas com foco, por exemplo, no jornalismo liter\u00e1rio. [&#8230;] Muitas vezes se tem uma ideia do jornalismo internacional como o correspondente, o sujeito que est\u00e1 l\u00e1 trabalhando fora do pa\u00eds, s\u00f3 que acaba sendo bem mais amplo.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Quando eu voltei, finalizei o doutorado e nesse per\u00edodo tamb\u00e9m deu para trabalhar como professor substituto na UNIPAMPA. Relacionado um pouco com o jornalismo internacional, nesse per\u00edodo que eu estava l\u00e1, contribui esporadicamente com alguns ve\u00edculos. Eu mantive uma coluna em alguns jornais e fiz algumas contribui\u00e7\u00f5es da Revista Bula, por exemplo, mais de circula\u00e7\u00e3o nacional. \u00a0Ap\u00f3s essa experi\u00eancia, eu fui para a UFSM de Frederico, j\u00e1 como professor adjunto, mas por quest\u00f5es pessoais minha fam\u00edlia e eu optamos por pedir a transfer\u00eancia para Pelotas em 2019.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Hoje, tenho a coluna no Di\u00e1rio Popular mais sobre literatura, que fazia parte do projeto de extens\u00e3o, um programa na r\u00e1dio da UFPel sobre literatura. Mas eu sempre tento manter assim de certa forma, um v\u00ednculo com a pr\u00e1tica jornal\u00edstica. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Em resumo, essa foi a minha trajet\u00f3ria. E agora, at\u00e9 como o Gustavo falou, eu tive dois livros publicados e est\u00e1 em processo de edi\u00e7\u00e3o o terceiro. Por\u00e9m, \u00e9 mais literatura mesmo com mais contos e cr\u00f4nicas. Ele vai ser publicado pela editora Insular de Florian\u00f3polis e est\u00e1 em processo final de edi\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o eu completo em 2021, 15 anos de contribui\u00e7\u00e3o com colunas para imprensa, para diversos ve\u00edculos. Eu resolvi fazer uma colet\u00e2nea, revisando os textos e espero que at\u00e9 dezembro esteja pronto, mas eu j\u00e1 t\u00f4 come\u00e7ando a achar que vai ficar para 2022 o lan\u00e7amento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Gustavo Ferreira &#8211; <b>Como jornalista, o senhor tamb\u00e9m deve ser um grande consumidor de conte\u00fado jornal\u00edstico. Estando em New York, poderia ter acesso \u00e0s vers\u00f5es impressas de jornais como o New York Times e outros peri\u00f3dicos de grande circula\u00e7\u00e3o. O senhor sentiu diferen\u00e7a ao consumir conte\u00fado jornal\u00edstico durante o per\u00edodo que esteve em New York?<\/b><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Eduardo Ritter<\/strong> &#8211; Sim,\u00a0 teve at\u00e9 um artigo que eu apresentei no Intercom de 2015, no Rio de Janeiro, sobre o canal New York One &#8211; um canal de not\u00edcia local. Ele \u00e9 um canal de TV com 24 horas de not\u00edcia, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">hard news<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. A diferen\u00e7a, por exemplo, dos nossos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o como Band news, Globo News, CNN entre outros, \u00e9 que ele s\u00f3 trata de Nova York. Ent\u00e3o ali fiz at\u00e9 a contextualiza\u00e7\u00e3o da empresa, de outras cidades que trabalham com o mesmo modelo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Eu aproveitei em Nova York, mas acabei pecando no sentido de visitar o The New York Times, procurei para agendar uma visita na minha \u00faltima semana, ent\u00e3o eu n\u00e3o consegui ir. Mas visitei a reda\u00e7\u00e3o do Chicago Tribune e tamb\u00e9m do Jornal de San Diego, que agora me fugiu o nome. <\/span><span style=\"font-weight: 400\"> Foram experi\u00eancias legais, eu\u00a0 conversei com os editores, participei de uma reuni\u00e3o de pauta em Chicago e quando eu passei por l\u00e1 eu fiz esse adiantamento pr\u00e9vio [&#8230;] acabei contatando antes e fiz essas visitas, conversei com os editores. Cheguei a visitar l\u00e1 o pr\u00e9dio Watergate que aconteceu todo epis\u00f3dio contado no filme e no livro \u201cTodos os homens do presidente\u201d, sendo um s\u00edmbolo do jornalismo investigativo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Eu fiquei s\u00f3 dois dias em Washington e acabei tamb\u00e9m perdendo a oportunidade de visitar o Washington Post, mas Chicago e San Diego foi legal ter conhecido. San Diego tem uma editoria que seria <\/span><span style=\"font-weight: 400\">editoria militar, focando assim naquela quest\u00e3o da fronteira com o M\u00e9xico, sendo ela a fronteira com maior circula\u00e7\u00e3o no mundo, ent\u00e3o eles t\u00eam uma editoria espec\u00edfica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mas em rela\u00e7\u00e3o ao consumo, al\u00e9m principalmente dos websites, eu usava muito o jornalismo l\u00e1 &#8211; principalmente nesse ponto mais de servi\u00e7o e de programa\u00e7\u00e3o cultural. H\u00e1 algumas diferen\u00e7as culturais que d\u00e1 para sentir, nas pr\u00f3prias pautas. [&#8230;] Eu comecei a ver que, claro l\u00e1 tem muita seguran\u00e7a, ent\u00e3o acaba sendo mais comum um assalto em Iju\u00ed do que em Nova Iorque. Ent\u00e3o s\u00e3o quest\u00f5es que chamam aten\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 outra realidade, o mesmo vale para na Europa. O que chama a aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o quest\u00f5es de problemas estruturais dos pa\u00edses, claro, principalmente os que est\u00e3o mais em desenvolvimento. Alguns problemas que l\u00e1 est\u00e3o resolvidos praticamente, n\u00f3s n\u00e3o estamos nem muito perto de resolver algumas quest\u00f5es sociais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Gustavo Ferreira &#8211; <b>Este ano foi publicado um artigo do senhor analisando a cobertura dos sites dos principais jornais da Am\u00e9rica do Sul sobre a elei\u00e7\u00e3o do atual presidente do nosso pa\u00eds. O senhor tamb\u00e9m nos informou que sua \u00e1rea de pesquisa \u00e9 Jornalismo liter\u00e1rio, assim, como surgiu esse interesse por explorar esse lado mais relacionado ao jornalismo internacional e ao jornalismo pol\u00edtico? No ano passado, o senhor tamb\u00e9m publicou um artigo sobre a cobertura do Clar\u00edn &#8211; peri\u00f3dico argentino &#8211; cobrindo a Covid-19 e o governo.<\/b><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Eduardo Ritter<\/strong> &#8211; <span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o, como falei, \u00e0s vezes n\u00f3s nem percebemos o tema da pesquisa e depois fazendo \u00e9 que nos damos conta. O jornalismo internacional acaba passando para al\u00e9m dessa quest\u00e3o do correspondente, contratado por um jornal e vai trabalhar em outro pa\u00eds, que \u00e9 o que geralmente as pessoas pensam quando se fala em jornalismo internacional.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro antigo de 2018, eu lembro que foi no dia da elei\u00e7\u00e3o mesmo, foi at\u00e9 a partir de um ponto quase que pessoal, de eu ir ver por curiosidade o\u00a0 que os ve\u00edculos estavam falando sobre a elei\u00e7\u00e3o. Porque se falava muito na pr\u00f3pria campanha de Venezuela, de Argentina e de Uruguai e talvez meio que esse &#8220;instinto&#8221; jornal\u00edstico, assim, eu quis checar para ver. A\u00ed eu pensei que poderia dar um artigo, ent\u00e3o no dia mesmo separai esse material. Acabei entrando em todos os sites, fiz essa sele\u00e7\u00e3o dos que tinham maior circula\u00e7\u00e3o. No dia eu fiquei ali trabalhando nessa apura\u00e7\u00e3o do material, depois eu acabei usando o material para escrever o artigo. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><div class=\"pullquote alignleft\" style=\"width:30%;\"><p>&#8220;Claro h\u00e1 a quest\u00e3o da import\u00e2ncia que teve, import\u00e2ncia hist\u00f3rica e era algo que estava acontecendo e que certamente vai ser estudado daqui a muitas gera\u00e7\u00f5es, para as pessoas tentarem entender o que aconteceu, tentar dar um sentido para tudo isso.&#8221; <\/p>\n<\/div><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Tamb\u00e9m tem a quest\u00e3o das revistas acad\u00eamicas que eu submeti ainda no final de 2018, era para sair bem antes, mas se voc\u00ea acompanha esse mundo acad\u00eamico tem esse \u201cprobleminha\u201d que muitas vezes demora. At\u00e9 ser avaliado, at\u00e9 ser feito as altera\u00e7\u00f5es, at\u00e9 ser editado acabando saindo um ano, \u00e0s vezes dois anos depois o artigo. Ent\u00e3o, na verdade, quando n\u00f3s produzimos, j\u00e1 tem que pensar para n\u00e3o ficar muito factual. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O segundo artigo foi sobre o Clarin, sobre a covid tamb\u00e9m foi parecido, a pandemia estava rolando e tinha essa diferen\u00e7a nos n\u00fameros, o Brasil disparado na compara\u00e7\u00e3o com toda Am\u00e9rica Latina. Isso chama muita aten\u00e7\u00e3o, como a popula\u00e7\u00e3o reagiu tendo uma divis\u00e3o assim, mas isso j\u00e1 \u00e9 outra conversa. Os n\u00fameros de mortes disparando e as pessoas de certa forma defendendo uma continuidade da pol\u00edtica que tava sendo adotado aqui, enfim. Tamb\u00e9m despertou a curiosidade como que os outros pa\u00edses estavam olhando para o Brasil, acabei at\u00e9 vendo como levaram pol\u00edticas diferentes adotadas pelos governos brasileiro e argentino. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o surgiu essa curiosidade de ver como um pa\u00eds estava cobrindo o outro, claro, acabou envolvendo jornalismo internacional e jornalismo pol\u00edtico tamb\u00e9m. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mas a curiosidade nasceu a partir desse momento, um pouco tamb\u00e9m antes devido ao fato que eu acabei ministrando a disciplina que eu comentei antes de Comunica\u00e7\u00e3o e fronteira quando eu fui substituto UNIPAMPA, onde j\u00e1 estava pesquisando a Am\u00e9rica Latina, jornalismo e literatura no per\u00edodo. E, nessa altura, dentro disso tamb\u00e9m de buscar e acompanhar o que\u00a0 estava contando no momento, tendo todo esse hist\u00f3rico que \u00e9 refletido a\u00ed pelos autores que tratam essa tem\u00e1tica como o Galeano, ent\u00e3o entender um pouco a sociedade tanto do Brasil quanto da Am\u00e9rica Latina.<\/span><\/p>\n<p><strong>Gustavo Ferreira &#8211; Foi bom o senhor falar isso, porque realmente, a gente vai <em>linkando<\/em> os assuntos que estamos tratando e acabamos abordando outros que a gente nem percebe.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Eduardo Ritter<\/strong> &#8211; Vou s\u00f3 acrescentar um ponto, a (respeito da) pesquisa que eu fiz sobre o Hunter Thompson, que \u00e9 o jornalista que criou o jornalismo Gonzo\u00a0 &#8211; que foi uma vertente ali dos anos 60\/70. Tem uma passagem dele no in\u00edcio da carreira que os leitores de maneira geral n\u00e3o conhecem, porque acabam conhecendo muito mais das obras que ficaram mais famosas dele, como \u201cMedo e Del\u00edrio em Las Vegas\u201d. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ele ficou um ano como correspondente do jornal Wall Street na Am\u00e9rica Latina. [&#8230;] Ali tamb\u00e9m tem muitos pontos que \u00e9 interessante desses textos dele, que s\u00e3o do in\u00edcio da carreira e que tamb\u00e9m ajudam a entender, porque \u00e9 um olhar de algu\u00e9m de fora, um americano, que veio por conta pr\u00f3pria, na vontade de ser escritor, de viajar, que quis vir para a Am\u00e9rica do Sul.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ele critica muito os correspondentes americanos que escrevem da Am\u00e9rica do Sul a partir dos Estados Unidos. E muitas dessas descri\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito atuais em rela\u00e7\u00e3o a essas diferen\u00e7as que n\u00f3s comentamos antes, ent\u00e3o ele coloca de uma maneira \u00e0s vezes at\u00e9 engra\u00e7ada esse choque cultural &#8211; que acontece tanto quando a gente vai para outros pa\u00edses quando acontece o inverso. \u00c9 muito atual, s\u00e3o textos dos anos 60\/70, que ajudam tamb\u00e9m de certa forma a entender, como boa parte da literatura, feita sobre determinados lugares, em determinados momentos. A biografia do Pablo Neruda, Confesso que vivi, \u00e9 muito explicativa, a gente l\u00ea e ajuda explicar o momento que vivemos hoje no mundo, na Am\u00e9rica Latina.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Eu comentava no passado, quando aconteceu a elei\u00e7\u00e3o do Biden contra o Trump, e o Hunter Thompson cobriu tamb\u00e9m pol\u00edtica no per\u00edodo da reelei\u00e7\u00e3o do Nixon, ele odiava o Nixon, e lendo a obra dele, d\u00e1 para dizer que reviveu quase o que aconteceu nos anos 70, cinquenta anos depois os mesmos discursos, \u00e9 praticamente uma repeti\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">E eu at\u00e9 acabei de assistir \u00e0 s\u00e9rie \u201cThe Godfather of Harlem\u201d, \u201cO Poderoso Chef\u00e3o do Harlem\u201d, trata de um gangster do Harlem que dominava o tr\u00e1fico na \u00e9poca dos anos 60.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;padding-left: 80px\"><strong><em>Ao abordar o Harlem, fizemos alguns coment\u00e1rios e Eduardo mencionou que morou no bairro em quest\u00e3o enquanto estava em New York. Como um lampenjo, mantendo a mesma empolga\u00e7\u00e3o de muitos minutos antes, Ritter compartilhava sua hist\u00f3ria alternando entre as perguntas e coment\u00e1rios &#8211; estes, que nos permitem conhecer n\u00e3o apenas mais sobre ele, mas sobre o pr\u00f3prio per\u00edodo conturbado que dia ap\u00f3s dia observamos e, inevitavelmente, tamb\u00e9m somos atores &#8211; Gustavo Ferreira.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O Bumpy Johnson \u00e9 o personagem principal, \u00e9 o chef\u00e3o do Harlem e o Malcolm X como o personagem da s\u00e9rie, os dois s\u00e3o personagens que existiram, mas mostra como era a discuss\u00e3o dos americanos que defendiam o segregacionismo na \u00e9poca, um discurso que voltou em 2020 com a campanha do Trump, e que&#8230; (houve durante) o governo Trump muitas repeti\u00e7\u00f5es de discurso. Realmente, a literatura da \u00e9poca ajuda muito a gente entender, e se a gente voltar mais, ler Tolstoi, \u201cGuerra e Paz\u201d, a gente v\u00ea, uma descri\u00e7\u00e3o dele em determinado momento que a Fran\u00e7a est\u00e1 invadindo com o Napole\u00e3o \u00e0 R\u00fassia, e uma parte da alta sociedade russa torcia para os franceses dominarem, para eles serem Fran\u00e7a. A gente v\u00ea que se repete essas hist\u00f3rias, assim, a gente \u00e0s vezes tem dificuldade de entender, ent\u00e3o (tem) a literatura e essas quest\u00f5es de diferen\u00e7as culturais, mas que, no fundo, acaba revelando um lado humano. Independente da regi\u00e3o, problemas acabam se repetindo em v\u00e1rios pontos do globo, em culturas bem diferentes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Gustavo Ferreira &#8211; Professor, o senhor tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por ministrar a disciplina de \u201cProdu\u00e7\u00e3o da Not\u00edcia\u201d e de \u201cTeorias do Jornalismo\u201d?<\/b><\/p>\n<p><strong>Eduardo Ritter<\/strong> &#8211; <span style=\"font-weight: 400\">Sim, esse semestre eu estou ministrando essas duas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Gustavo Ferreira &#8211; Em nosso Guia de Estudos, que o Bento falou anteriormente, a gente fornece esse documento para que os nossos participantes possam estudar os temas que ser\u00e3o trabalhados por cada comit\u00ea. Este ano, a gente tamb\u00e9m escreveu uma pequena parte sobre a imprensa internacional, e explicamos o conceito de linha editorial enquanto pol\u00edtica de posicionamento de um peri\u00f3dico. Usamos como exemplo o fato do Le Monde se referir ao l\u00edder de Belarus como <i>ditador<\/i>, enquanto o China Daily se referia ao mesmo como <i>presidente<\/i>. O senhor poderia nos explicar um pouco mais como funciona essa quest\u00e3o de linha editorial? E porque os jornais adotam uma linha editorial?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Eduardo Ritter &#8211; <span style=\"font-weight: 400\">O editorial dos ve\u00edculos nos g\u00eaneros jornal\u00edsticos fica no jornalismo opinativo, ent\u00e3o em uma divis\u00e3o mais b\u00e1sica, a gente tem o jornalismo informativo e o jornalismo opinativo. Tem autores que desdobram de diferentes maneiras, o Jos\u00e9 Marques de Melo, um dos grandes nomes da pesquisa do jornalismo brasileiro &#8211; foi fundador da Intercom e um dos l\u00edderes da cria\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria escola de comunica\u00e7\u00e3o de artes da USP. Ele tem um livro que se chama \u201cG\u00eaneros Jornal\u00edsticos\u201d, onde vai dividir em jornalismo opinativo, informativo, tem outras categorias, que podem entrar das outras, que seria o diversional, de servi\u00e7o e agora o \u00faltimo me fugiu aqui, mas enfim, os principais s\u00e3o o jornalismo opinativo e o informativo.\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o, o editorial est\u00e1 dentro do opinativo, ele \u00e9 um texto que vai apresentar a opini\u00e3o do jornal, da empresa. Pensando no jornal como empresa ou como institui\u00e7\u00e3o, mesmo que seja uma institui\u00e7\u00e3o governamental, ent\u00e3o o editorial \u00e9 um texto opinativo que representa a posi\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo diante dos acontecimentos, diante dos fatos, das not\u00edcias, etc.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Pensando nos ve\u00edculos jornal\u00edsticos que s\u00e3o empresas, vai ter aquela estrutura administrativa, mas vai ter muito a quest\u00e3o, \u00e0s vezes, do hist\u00f3rico familiar. O New York Times, por exemplo, come\u00e7a quando compra o jornal falido e depois vai seguindo at\u00e9 hoje, a fam\u00edlia dos descendentes. O Roberto Marinho, a fam\u00edlia Marinho na Globo, ent\u00e3o tem muito disso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Por exemplo, em um editorial, pensar num jornal mais local aqui, a Zero Hora, vai ser a posi\u00e7\u00e3o da empresa Zero Hora, do jornal, sobre algum acontecimento. Alguns editoriais s\u00e3o emblem\u00e1ticos, \u00e0s vezes at\u00e9 o ve\u00edculo apoia, por exemplo, um candidato publicamente ou n\u00e3o, se posiciona diante dos fatos. O editorial \u00e9 esse espa\u00e7o onde o ve\u00edculo se posiciona publicamente sobre os temas, ent\u00e3o a utiliza\u00e7\u00e3o dessas palavras \u00e9 como o ve\u00edculo, como o Le Monde no caso, como ele entende, no caso \u00e9 a opini\u00e3o dele. \u00c9 o posicionamento dele de chamar a figura ou de presidente, ou de ditador, ent\u00e3o \u00e9 de jornalismo opinativo, o editorial.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Bento Sena &#8211; Sim, eu queria te fazer uma pergunta, professor. Na nossa simula\u00e7\u00e3o, assim como na vida real, os delegados que v\u00e3o, digamos assim, interpretar jornalistas, diplomatas, muitas vezes v\u00e3o estar em uma posi\u00e7\u00e3o em que eles n\u00e3o concordam com aquelas pol\u00edticas da sua delega\u00e7\u00e3o. O delegado que vai estar representando na Assembleia Geral o pa\u00eds que desrespeita os direitos humanos, ele como pessoa n\u00e3o concorda com isso, mas ele tem que estar ali vestindo aquele car\u00e1ter. No jornalismo, o senhor j\u00e1 teve alguma experi\u00eancia assim? E como existe essa intera\u00e7\u00e3o de jornalista com a linha editorial do Jornal? O jornalista como pessoa pensante, tem uma opini\u00e3o e a\u00ed ela no jornal que tem uma linha talvez n\u00e3o divergente, mas n\u00e3o \u00e9 bem aquela, ele precisa se realocar e lidar com essa situa\u00e7\u00e3o. Como funciona?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Eduardo Ritter<\/strong> &#8211; <span style=\"font-weight: 400\">Dentro das teorias do jornalismo, h\u00e1 uma teoria que se chama,\u00a0 na verdade \u00e9 uma teoria da administra\u00e7\u00e3o, mas que foi trazida pelos pesquisadores do jornalismo para a \u00e1rea do jornalismo, a teoria organizacional. Vai falar justamente disso, da cultura da organiza\u00e7\u00e3o, das press\u00f5es externas ou internas, sobre o jornalista que vai tratar da autonomia, sendo uma autonomia relativa. Ele n\u00e3o tem uma autonomia total, a n\u00e3o ser que ele esteja fazendo um trabalho independente, como no livro \u201cReportagem\u201d em que ele n\u00e3o vai ter ningu\u00e9m para se justificar, vai ter o p\u00fablico, mas n\u00e3o vai ter ningu\u00e9m no sentido de cargos de chefia, ent\u00e3o o jornalista pensando em uma situa\u00e7\u00e3o tradicional, ele realmente tem que se adaptar, tem duas situa\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Tem a situa\u00e7\u00e3o em que, por exemplo, a folha de S\u00e3o Paulo tem uma folha que ali vai est\u00e1 tudo explicitado, desde a maneira de escrever, estilo, quest\u00f5es \u00e9ticas, etc. Ent\u00e3o vai ter, \u00e0s vezes, essa orienta\u00e7\u00e3o mais expl\u00edcita, pode estar no manual, pode estar em reuni\u00f5es, etc. E tem aquela quest\u00e3o mais da cultura da empresa, que \u00e0s vezes o jornalista chega e ele vai sentindo aquela situa\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica que a gente tem, \u00e0s vezes, em um ve\u00edculo que o prefeito da cidade \u00e9 dono, ou a oposi\u00e7\u00e3o do prefeito \u00e9 o dono. Ele se auto censura, \u00e0s vezes ele tem uma den\u00fancia, mas se a prefeitura est\u00e1 envolvida ele j\u00e1 nem vai ver, porque ele imagina que se ele for pode perder o emprego. Mas o jornalista tem que se adaptar, o que tem acontecido principalmente nos \u00faltimos anos com a possibilidade online, \u00e0s vezes o jornalista se valer de outros espa\u00e7os para colocar a opini\u00e3o dele, como blogs, canais no Youtube etc. [&#8230;] O Caco Barcellos tamb\u00e9m nas entrevistas, tem v\u00e1rias no Youtube, tem uma que ele coloca de uma maneira bem enf\u00e1tica assim, que ele passou a escrever livros de reportagem, \u201cO Abusado\u201d, \u201cRota 66\u201d. Porque ele falou que ia surtar, ele ia abandonar a profiss\u00e3o, ele via tudo aquilo que acontecia e n\u00e3o tinha espa\u00e7o na TV para expor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mas de maneira geral, quando h\u00e1 essa diverg\u00eancia mais forte, as empresas jornal\u00edsticas s\u00e3o como outras empresas, no sentido de que muda muito de uma para outra [&#8230;] vai da quest\u00e3o muito pessoal do jornalista de aceitar ou n\u00e3o, o Hunter Thompson, por exemplo, a biografia dele, \u00e9 toda nesse sentido de confronto. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">por isso que eu uso termo da parr\u00e9sia. No trabalho dele, porque ele se colocava muito em risco, n\u00e3o s\u00f3, n\u00e3o risco necessariamente de\u00a0 f\u00edsico, mas de perder emprego, de perder dinheiro, etc. Ele comprava muita briga, porque ele meio que n\u00e3o se adaptava, ele brigava com praticamente todo mundo e por isso que ele at\u00e9 de certa forma ele \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o. [&#8230;] <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o tem uma s\u00e9rie de quest\u00f5es complexas que d\u00e1 pra se pensar e se discutir, mas quando tem essa necessidade, a\u00ed realmente \u00e9 uma quest\u00e3o pessoal do jornalista aceitar ou n\u00e3o, ele pode ou confrontar e ver o que d\u00e1, ver se vai ser demitido ou ele mesmo sair ou ele se adaptar. S\u00e3o as op\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Gustavo Ferreira &#8211; Professor, este ano, infelizmente, a gente n\u00e3o selecionou nenhum peri\u00f3dico latino-americano para compor os nossos jornais da Press. Temos o norte-americano Vox,\u00a0 o estatal chin\u00eas China Daily, o Le Monde, o brit\u00e2nico The Guardian e o Al Jazeera do Oriente M\u00e9dio (da regi\u00e3o).\u00a0 Em seu artigo sobre Covid-19 e o Governo o senhor usou a frase do Galeano para se referir a Am\u00e9rica Latina, <\/b><b><i>\u201cum arquip\u00e9lago de pa\u00edses desconectados entre si\u201d<\/i><\/b><b>. Essa certa desconex\u00e3o, ela tamb\u00e9m se reflete nas not\u00edcias que s\u00e3o produzidas e consumidas aqui na regi\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Eduardo Ritter<\/strong> &#8211; <span style=\"font-weight: 400\">Sim e n\u00e3o. D\u00e1 para dizer que por um lado se tem uma padroniza\u00e7\u00e3o, que observando os sites se tem uma padroniza\u00e7\u00e3o, claro que \u00e9 referente a quest\u00e3o profissional, mas se tem muito a utiliza\u00e7\u00e3o de textos de ag\u00eancias de not\u00edcias. Ent\u00e3o em alguns casos \u00e9 para o mesmo texto dois ve\u00edculos de pa\u00edses diferentes porque eles publicaram os textos das ag\u00eancias. Por outros sim, t\u00eam ainda suas particularidades e quest\u00f5es culturais e tamb\u00e9m muito pensando nessa quest\u00e3o mais geogr\u00e1fica, tem isso de que se muda muito. Mesmo dentro de uma mesma regi\u00e3o, h\u00e1 universos totalmente diferentes, \u00e0s vezes entre dois ve\u00edculos, a gente pode ter dois ve\u00edculos em Porto Alegre que podem ter abordagens totalmente diferentes, a gente pode ter dois ve\u00edculos em qualquer cidade. Se voc\u00ea pegar um vai ficar com uma impress\u00e3o e se pegar outro vai ficar com outra em rela\u00e7\u00e3o a essa abordagem sobre os acontecimentos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Agora, a gente de novo tem uma separa\u00e7\u00e3o do jornalismo opinativo do informativo. No opinativo, vai se ter essa diferen\u00e7a maior, mas aqui estou falando, s\u00f3 para frisar, acho que n\u00e3o falei em nenhum momento, eu estou falando de jornalismo no sentido tradicional. Ent\u00e3o principalmente ve\u00edculos que tem uma hist\u00f3ria dentro do seu pa\u00eds, dentro da sua regi\u00e3o. Aqui n\u00e3o estou incluindo sites de fake news, esses blogs, que est\u00e3o transvestidos de jornalismo, que est\u00e3o disfar\u00e7ados de jornalismo. Enfim, pode se falar que tem mais audi\u00eancia do que o jornalismo tradicional, mas eu estou falando do jornalismo praticado pelos ve\u00edculos jornal\u00edsticos, pelas empresas jornal\u00edsticas&#8230; se for entrar na quest\u00e3o de site criados com o intuito de criar fake news, eu n\u00e3o estou considerando (abordar esses sites).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Gustavo Ferreira &#8211; Professor, muitos dos nossos participantes n\u00e3o s\u00e3o alunos de jornalismo, ent\u00e3o eles n\u00e3o possuem conhecimento pr\u00e9vio de como escrever uma not\u00edcia. <\/b><strong>Gosto de chamar eles de \u201cjornalistas por dois dias\u201d, j\u00e1 que nosso evento online ter\u00e1 somente dois dias. <\/strong><b>Quais dicas sobre como produzir uma not\u00edcia o senhor poderia dar para os nossos participantes? Tem algum cuidado essencial que eles n\u00e3o podem deixar de ter? Ainda que eles n\u00e3o sejam jornalistas.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Eduardo Ritter<\/strong> &#8211; <span style=\"font-weight: 400\">Sim, tem algumas. Dando essas disciplinas de primeiro semestre durante v\u00e1rios anos, a gente acaba percebendo aqueles v\u00edcios mais comuns de quando a pessoa entra no curso. A primeira dica que eu dou para o pessoal que entra \u00e9 adquirir o costume muito justamente de ler os sites de empresas jornal\u00edsticas tradicionais, j\u00e1 consolidadas, independente de concordar ou discordar da pol\u00edtica editorial.\u00a0 Se tem um consenso que a objetividade pura n\u00e3o existe, a escolha de palavra j\u00e1 vai ser subjetiva, ent\u00e3o se tentar\u00e1, no poss\u00edvel, buscar uma ideia de objetividade, de isen\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, para isso, tem algumas t\u00e9cnicas que se consolidaram temporalmente como, por exemplo, evitar o uso de adjetivos, e essa \u00e9 uma coisa muito comum que acontece quando o pessoal entra (no curso de jornalismo). <\/span><span style=\"font-weight: 400\">O jornalismo esportivo \u00e9 talvez a exce\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 comum o jornalista dizer que o time jogou bem, que jogou mal. Ent\u00e3o tu vais usar adjetivo mais facilmente no jornalismo esportivo, mas fora o jornalismo esportivo n\u00e3o vai usar adjetivos, colocar a opini\u00e3o, frases, palavras que s\u00e3o de opini\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o, \u00e0s vezes s\u00e3o quest\u00f5es mais sutis, \u00e0s vezes mais expl\u00edcitas, como por exemplo dizer que tu tens uma situa\u00e7\u00e3o que tu vais optar, tem v\u00e1rios caminhos, tu podes optar por v\u00e1rias possibilidades e digamos o governo, independentemente de esfera, fez uma op\u00e7\u00e3o e da\u00ed o jornalista pode pensar que foi uma op\u00e7\u00e3o errada, mas ele n\u00e3o vai poder dizer isso na not\u00edcia, ele vai poder dizer isso na coluna de opini\u00e3o. Ele ter\u00e1 que ouvir fontes, analistas, especialistas dos quais dar\u00e3o a opini\u00e3o, a\u00ed vai us\u00e1-la na not\u00edcia. Ouvir o outro lado tamb\u00e9m, nesse caso teria que ouvir, por exemplo, o lado do governo. Temos as famosas \u201cperguntinhas\u201d do Lide, aquelas: O que \u00e9? Quem? Como? Quando? Onde? e, por que? As seis perguntas que devem respondidas na not\u00edcia como texto informativo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><div class=\"pullquote alignright\" style=\"width:30%;text-align:right;\"><p>&#8220;O t\u00edtulo tamb\u00e9m, sempre optar por verbo no presente na voz ativa de prefer\u00eancia, ent\u00e3o vai ter elei\u00e7\u00e3o domingo, ent\u00e3o ao inv\u00e9s de UFPel realizar\u00e1 elei\u00e7\u00f5es no domingo, optar pelo presente e evitar tamb\u00e9m a voz passiva, principalmente nos t\u00edtulos, ent\u00e3o, ao inv\u00e9s de &#8216;elei\u00e7\u00f5es ser\u00e3o realizadas pela UFPel&#8217;, (\u00e9 prefer\u00edvel) &#8216;UFPel realiza as elei\u00e7\u00f5es&#8217;. N\u00e3o que seja um crime ou proibido, mas s\u00e3o t\u00e9cnicas para o texto ficar mais claro e ser entendido mais facilmente&#8221;<\/p>\n<\/div><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Outro ponto \u00e9 cuidado para citar cargo da pessoa e o nome completo, escrever certo, perguntar como se escreve. O cargo tem que ser checado com a fonte, qual \u00e9 o cargo dela exatamente, se o cara \u00e9 ou como que ele quer ser chamado, se ele \u00e9 secret\u00e1rio, se ele \u00e9 diretor, ent\u00e3o, checar quest\u00f5es de grafia e o texto com o portugu\u00eas correto. Optar por palavras de f\u00e1cil entendimento, que possam ser lido tanto pelo porteiro como pelo dono da empresa, mas sem ser uma linguagem chula, ent\u00e3o \u00e9 uma linguagem correta, mas n\u00e3o aquele jornalismo de 1910 que a literatura adorava usar palavras dif\u00edceis para ficar bonito. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o tem que ser um texto claro, de f\u00e1cil entendimento, mas com o portugu\u00eas correto. E uma pergunta que sempre surge \u00e9 se a fonte falou errado, \u00e0s vezes d\u00e1 para dar essa \u201carrumadinha\u201d no texto, a n\u00e3o ser que o foco seja destacar um sotaque local, que seja o foco do texto chamar a aten\u00e7\u00e3o para aquela forma de falar, mas geralmente quando s\u00e3o mat\u00e9rias at\u00e9 mais formais \u00e9 feita essa corre\u00e7\u00e3o e essa altern\u00e2ncia tamb\u00e9m de usar a fala como cita\u00e7\u00e3o direta com as aspas, ou \u00e0s vezes colocar segundo fulano ou fulano destaca.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mas o principal, \u00e9 claro, \u00e9 a precis\u00e3o e a corre\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o tem d\u00favidas na hora de escrever, se precisar ter o contato da fonte, se tiver d\u00favidas, se precisar checar com a fonte, corre\u00e7\u00e3o dos nomes, corre\u00e7\u00e3o dos cargos. Falo por experi\u00eancia, quando a gente trabalha para um ve\u00edculo e comete um errinho desses, s\u00f3 a gente sabe o que \u00e9, porque ficam bravos&#8230; Eu sempre cito um epis\u00f3dio que aconteceu comigo, que prenderam o sujeito que roubou um celular no centro, l\u00e1 em Iju\u00ed e, eu fiz a not\u00edcia, vi o boletim, liguei para a Brigada Militar, me passaram todas as informa\u00e7\u00f5es. S\u00f3 que no texto ficou que a Brigada Militar prendeu e n\u00e3o foi a Brigada, mas sim a Pol\u00edcia Civil. No outro dia, umas 10 pessoas da Pol\u00edcia Civil tinham me ligado&#8230; reclamando. Foi uma falha, fui pegando todas as informa\u00e7\u00f5es e na hora de escrever foi algo natural, mas teve que ser feito uma mat\u00e9ria &#8220;b\u00f4nus&#8221; digamos assim, destaque na edi\u00e7\u00e3o seguinte onde saiu a errata daquela not\u00edcia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Gustavo Ferreira &#8211; Os portais de not\u00edcias tem a possibilidade de corrigir o que estiver errado, coisa que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel no impresso, que \u00e9 publicado, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Eduardo Ritter<\/strong> &#8211; <span style=\"font-weight: 400\">Exato, tinha que fazer a ata e explicar, enfim, mas eu me lembro porque foi assim uma coisa super simples e deu o maior \u201cborrogod\u00f3\u201d, o leitor n\u00e3o ficou sabendo, mas n\u00f3s sab\u00edamos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Gustavo Ferreira &#8211; Professor, para encerrarmos nossa entrevista o senhor gostaria de deixar alguma mensagem aos nossos jornalistas, por favor fica \u00e0 vontade. a gente acredita que \u00e9 importante pontuar, que mesmo que nossos participantes n\u00e3o sejam da \u00e1rea do jornalismo, enfim, que sejam de rela\u00e7\u00f5es internacionais, direito, economia, hist\u00f3ria, a gente tem participantes de v\u00e1rios cursos, \u00e0s vezes de jornalismo tamb\u00e9m, mas \u00e9 importante que eles, enfim, busquem mais sobre jornalismo &#8211; seja ele internacional, nacional &#8211; e bem como reflitam os temas globais e locais que influenciam nas suas vidas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Eduardo Ritter<\/strong> &#8211; Ent\u00e3o, a gente ouve muito os dois lados, o lado da cr\u00edtica pertinente e o lado de que o jornalismo se imaginou que com a internet pudesse ser &#8220;extinto&#8221;, perder a import\u00e2ncia e etc. Mas diante do cen\u00e1rio que a gente vive hoje, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">fake news, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">principalmente a mudan\u00e7a, pegar um recorte espec\u00edfico, torcer completamente e editar um v\u00eddeo, uma fala e colocar em grupos de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">whatsapp, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">ou mesmo aplicativos em que tu falas e fica com a voz id\u00eantica da pessoa. O jornalismo, talvez nunca teve tanta import\u00e2ncia, no sentido de separar o joio do trigo, de fazer um trabalho s\u00e9rio e voltar a ter a credibilidade para poder realmente ajudar a popula\u00e7\u00e3o no sentido do que \u00e9 verdade e do que n\u00e3o \u00e9. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Hoje est\u00e1 muito dif\u00edcil das pessoas entenderem, das pessoas checarem as informa\u00e7\u00f5es, elas acabam se apegando a uma fonte, que s\u00e3o muitas vezes pol\u00edticos. S\u00f3 acompanho o canal do fulano, s\u00f3 acompanho o canal do presidente, por exemplo, s\u00f3 o que est\u00e1 l\u00e1 \u00e9 verdade? <\/span><span style=\"font-weight: 400\">As pessoas n\u00e3o checam, tem mat\u00e9rias tanto do Trump (durante seu mandato), quanto do Bolsonaro, que os ve\u00edculos (jornalis\u00edticos) fizeram de quantas mentiras cada um divulgou at\u00e9 o momento. Eu me lembro do Trump, principalmente, que eram muitas postagens no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">twitter, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">em declara\u00e7\u00f5es. Em fun\u00e7\u00e3o da pandemia, a gente teve aqui muitos casos de distor\u00e7\u00f5es, de omiss\u00f5es de dados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Enfim, ent\u00e3o o jornalismo ganha import\u00e2ncia, a quest\u00e3o \u00e9 como fazer as pessoas terem essa capacidade de discernimento de ver n\u00fameros, de avaliar os n\u00fameros e de comparar mesmo os ve\u00edculos, pois tu podes ter v\u00e1rios ve\u00edculos de v\u00e1rias linhas editoriais [&#8230;] Ent\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o tem (a possibilidade para) o discernimento de comparar e dela ter base para poder fazer a pr\u00f3pria, poder tirar as pr\u00f3prias conclus\u00f5es. O jornalismo vive esse momento, que eu diria ser importante e que de certa forma mudou algumas perspectivas que se tinham, que o jornalismo ia ter menos import\u00e2ncia ou ia ser menos consultado. Surge todo esse cen\u00e1rio, na verdade, o jornalismo acaba tendo uma grande import\u00e2ncia, principalmente o jornalismo s\u00e9rio, mais profissional, no sentido de credibilidade, para ajudar a popula\u00e7\u00e3o em um momento onde as pessoas n\u00e3o sabem em quem acreditar e acreditam no que querem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Para finalizar, digo para acreditarem na import\u00e2ncia do jornalismo e terem essa vis\u00e3o cr\u00edtica de discernimento de tudo aquilo que chega, at\u00e9 a fonte, o jornalista, tamb\u00e9m tem que ter essa desconfian\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o que chega at\u00e9 ele. O jornalista vai sempre ter que checar a fonte, ver e ouvir o outro lado, ent\u00e3o tem uma s\u00e9rie de procedimentos a serem tomados antes de se escrever a not\u00edcia, mas o recado final \u00e9 para n\u00e3o desistir mesmo, diante de todo cen\u00e1rio que a gente vive, mas, ao mesmo tempo, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o novo, revendo momentos cr\u00edticos da hist\u00f3ria s\u00e3o cen\u00e1rios que v\u00e3o se repetindo de tempos em tempos.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Nota do autor<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um agradecimento especial ao time de 2021 da Press, que por meio delas foi poss\u00edvel que esta entrevista ganhasse vida como palavras, sobretudo de forma t\u00e3o breve. Bruna Tolfo, Sabrina Barcelos e Larrisa Morais tornaram este post poss\u00edvel. Agrade\u00e7o tamb\u00e9m ao Secret\u00e1rio Administrativo do projeto, Bento Sena, pela colabora\u00e7\u00e3o durante a reuni\u00e3o e entrevista. Indistintamente, agrade\u00e7o em nome de todos os colaborades do PelotasMUN ao Prof. Dr. Eduardo Ritter por aceitar compartilhar alguns minutos de sua vida, que nos fizeram viajar da Am\u00e9rica Latina \u00e0 Europa, do portugu\u00eas ao alem\u00e3o, do nost\u00e1lgico ao nefasto tempo c\u00edclico de nossa esp\u00e9cie.<\/p>\n<hr \/>\n<table style=\"height: 170px;width: 100%;border-collapse: collapse;border-color: #ffffff;background-color: #ffffff\" border=\"1\">\n<tbody>\n<tr style=\"height: 81px\">\n<td style=\"width: 184px;border-color: #ffffff;background-color: #ffffff;height: 10px\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-1567\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/files\/2020\/06\/gu_miniatura.png\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"140\" \/><\/td>\n<td style=\"width: 565px;border-color: #ffffff;background-color: #ffffff;height: 10px\"><strong>Gustavo Ferreira Felisberto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 muitos meses tenho a mesma biografia neste site, melhor dizendo, este blog que j\u00e1 escrevi algumas vezes. Fic\u00e7\u00e3o-cient\u00edfica ainda \u00e9 meu g\u00eanero preferido, Duna finalmente ganhou um filme \u00e0 altura da obra liter\u00e1ria e a vida segue. Alterno entre escrever coisas boas e meros desvaneios, espero que este texto seja a primeira op\u00e7\u00e3o, caro leitor.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: Se eu disser que s\u00e3o apenas cinco minutos voc\u00ea fica? Desculpe-me, n\u00e3o posso dizer isso, mas recomendo uma boa dose de caf\u00e9. Se preferir, prepare um mate. Com a chegada do PelotasMUN 2021, internamente surgiu a necessidade de trabalhar mais o aspecto jornal\u00edstico da Press, pois durante o ano inteiro e tamb\u00e9m &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/2021\/10\/23\/jornalismo-internacional-e-bem-mais-amplo-que-o-correspondente-internacional-diz-eduardo-ritter-em-entrevista-ao-pelotasmun\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":764,"featured_media":2794,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[69],"tags":[],"class_list":["post-2705","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","nodate","item-wrap"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/files\/2021\/10\/unknown-12.png","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p8QcCB-HD","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2705","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/wp-json\/wp\/v2\/users\/764"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2705"}],"version-history":[{"count":82,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2705\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2792,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2705\/revisions\/2792"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2794"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2705"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2705"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/pelotasmun\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2705"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}