{"id":270,"date":"2019-12-27T15:43:19","date_gmt":"2019-12-27T18:43:19","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ofm\/?p=270"},"modified":"2020-01-06T22:03:15","modified_gmt":"2020-01-07T01:03:15","slug":"estudos-de-centralidade-de-sao-lourenco-do-sul-com-o-urbanmetrics","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ofm\/2019\/12\/27\/estudos-de-centralidade-de-sao-lourenco-do-sul-com-o-urbanmetrics\/","title":{"rendered":"Estudos de centralidade de S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul com o UrbanMetrics"},"content":{"rendered":"<p>Por: <strong>Bruna Disconzi Meotti<\/strong><\/p>\n<p>O presente trabalho tem como objetivo o estudo de centralidade de S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul, utilizando o software UrbanMetrics, o qual \u00e9 baseado na teoria dos grafos, podendo utilizar representa\u00e7\u00f5es por linhas, pontos e \u00e1reas. Para o estudo, est\u00e3o representadas as ruas da cidade atrav\u00e9s de linhas cont\u00ednuas (Figura 01). S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul \u00e9 um munic\u00edpio localizado na regi\u00e3o Sul do Rio Grande do Sul, na margem ocidental da Lagoa dos Patos, sendo conhecido por belas paisagens, terras f\u00e9rteis e \u00e1gua em abund\u00e2ncia (PREFEITURA DE S\u00c3O LOUREN\u00c7O DO SUL, 2019). A Figura 1, abaixo, mostra a \u00e1rea arruada urbana de S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul, com linhas desenhadas sobre as ruas, as quais ser\u00e3o utilizadas como <em>input<\/em> no UrbanMetrics.<\/p>\n<div id=\"attachment_272\" style=\"width: 698px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-272\" class=\"wp-image-272 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ofm\/files\/2019\/12\/1.png\" alt=\"Figura 01.\" width=\"688\" height=\"607\" \/><p id=\"caption-attachment-272\" class=\"wp-caption-text\">Figura 01. Imagem de sat\u00e9lite e input da \u00e1rea de trabalho em S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul com (desenho da autora, sobre imagem World Imagery, com acesso em julho de 2019).<\/p><\/div>\n<p>A grandeza de centralidade est\u00e1 considerada como sendo a medida morfol\u00f3gica conectada pelo tecido urbano que participa com mais intensidade da rota de liga\u00e7\u00e3o, sendo mais eficaz entre os espa\u00e7os e considerando caminhos preferenciais e atritos de percurso (POLIDORI, 2010). A medida de centralidade \u00e9 calculada com base na teoria de grafos, mediante as seguinte equa\u00e7\u00f5es: CiI = (P. Q) . (m\u00edn dt pq)-1 (centralidade da entidade i na intera\u00e7\u00e3o I \u00e9 igual ao produto dos carregamentos das entidades p e q multiplicado pelo inverso da m\u00ednima dist\u00e2ncia entre as entidades p e q). CtI = E CiI (centralidade total da entidade i \u00e9 igual ao somat\u00f3rio das centralidades de todas as intera\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>O software UrbanMetrics permite informar a capacidade de atra\u00e7\u00e3o causada pelo uso do solo e a influ\u00eancia das caracter\u00edsticas do sistema vi\u00e1rio e circula\u00e7\u00e3o urbana, o que \u00e9 chamado de carregamento e imped\u00e2ncia, respectivamente. Adiante aparecem experimentos explorando essas possibilidades.<\/p>\n<p>Em todos os processamentos foram utilizados os valores topol\u00f3gicos para cada linha que representa as ruas, o que implicou que todas foram assumidas com valores iguais a 1, independentemente de suas dimens\u00f5es geogr\u00e1ficas reais.<\/p>\n<p>No primeiro processo, permaneceram iguais os carregamentos para todos os eixos, demonstrando o potencial de centralidade da estrutura interna da cidade, como est\u00e1 na Figura 02, adiante. Destaca-se a centralidade na via principal de acesso \u00e0 cidade, bem como a primeira via perpendicular.<\/p>\n<div id=\"attachment_273\" style=\"width: 697px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-273\" class=\"wp-image-273 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ofm\/files\/2019\/12\/2.jpg\" alt=\"Figura 02. \" width=\"687\" height=\"609\" \/><p id=\"caption-attachment-273\" class=\"wp-caption-text\">Figura 02. Centralidade utilizando valores de carregamento e imped\u00e2ncias de 1 para todos (com visualiza\u00e7\u00e3o em 5 classes, por intervalos naturais, em paleta de cores hier\u00e1rquica em tons de azul, conforme legenda (da autora, 2019).<\/p><\/div>\n<p>Atrav\u00e9s da primeira simula\u00e7\u00e3o (Figura 02, anteriormente) onde os valores de carregamento e imped\u00e2ncias s\u00e3o iguais a 1, pode-se observar a concentra\u00e7\u00e3o da medida de centralidade na via de acesso norte da cidade e em eixo leste-oeste na borda da \u00e1rea arruada. Embora esse resultado represente o potencial do tecido urbano, em fun\u00e7\u00e3o da morfologia das ruas e de suas conex\u00f5es, o resultado esperado era diferente, assumido as viv\u00eancias no local como padr\u00e3o para a legitima\u00e7\u00e3o dos resultados. Sendo desse modo, est\u00e3o propostas outras simula\u00e7\u00f5es acrescentando valores de carregamento e imped\u00e2ncia, de modo a calibrar o modelo e aproximar os resultados da percep\u00e7\u00e3o da autora.<\/p>\n<p>A partir disso foi gerado um novo processo com carregamento nas vias principais, que s\u00e3o BR-116, RS-265, a via de acesso Av. Non\u00f4 Centeno, vias pr\u00f3ximas \u00e0 pra\u00e7a, \u00e0 prefeitura e \u00e0 praia da Barrinha. Ainda foram adotados valores de imped\u00e2ncia a estradas rurais, que apresentam pavimenta\u00e7\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es gerais de trafegabilidade inferiores \u00e0s demais, como est\u00e1 na Figura 03, abaixo.<\/p>\n<div id=\"attachment_274\" style=\"width: 697px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-274\" class=\"wp-image-274 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ofm\/files\/2019\/12\/3.jpg\" alt=\"Figura 03. \" width=\"687\" height=\"608\" \/><p id=\"caption-attachment-274\" class=\"wp-caption-text\">Figura 03. Centralidade utilizando valores de carregamento 10 nas vias principais e imped\u00e2ncias 10 nas vias rurais ((com visualiza\u00e7\u00e3o em 5 classes, por intervalos naturais, em paleta de cores hier\u00e1rquica em tons de azul, conforme legenda (da autora, 2019).<\/p><\/div>\n<p>Esse novo resultado, confirmou o experimento anterior, com o seguintes aspectos principais: a) foi confirmado o potencial da alta centralidade da via de acesso norte da cidade e do eixo leste-oeste na borda da \u00e1rea arruada; b) abaixo desse eixo de borda aparecem 5 ruas de elevada centralidade, o que caracteriza uma zona central; c) destacam-se duas vias de liga\u00e7\u00e3o com a praia, perpendiculares \u00e0 zona citada anteriormente; d) \u00e9 not\u00e1vel a concentra\u00e7\u00e3o de centralidade na via da orla, com valores em extratos superiores.<\/p>\n<p>Um terceiro experimento foi realizado com o intuito de valorizar ou destacar, a praia das Nereidas, simulando uma revitaliza\u00e7\u00e3o desse lugar, que se destaca pela beleza natural, import\u00e2ncia hist\u00f3rica e presen\u00e7a de turistas no ver\u00e3o. Esse delineamento se d\u00e1 de modo a acompanhar o que ocorreu na praia da Barrinha, foi revitalizada h\u00e1 pouco tempo, atraindo a maior parte de turistas, valorizando a praia da Nereidas e inserindo maior infraestrutura na via beira-lagoa. Para isso foi gerado um novo processo (Figura 04, adiante) com carregamento tamb\u00e9m nessa via (valor igual a 10). O resultado demonstrou que a din\u00e2mica de centralidade mudou, com concentra\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o da praia das Nereidas, mas sem alcan\u00e7ar os valores maiores, que continuam nas vias pr\u00f3ximas \u00e0 Prefeitura, \u00e0 Pra\u00e7a Central e ao de acesso \u00e0 cidade, como nas simula\u00e7\u00f5es anteriores. Um destaque pode ser feito em fun\u00e7\u00e3o da continuidade espacial urbana, pois nesse experimento apareceu uma conex\u00e3o entre as vias da orla e as outras que concentram centralidade, gerando desfragmenta\u00e7\u00e3o do sistema urbano.<\/p>\n<div id=\"attachment_275\" style=\"width: 698px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-275\" class=\"wp-image-275 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ofm\/files\/2019\/12\/4.jpg\" alt=\"Figura 4\" width=\"688\" height=\"607\" \/><p id=\"caption-attachment-275\" class=\"wp-caption-text\">Figura 04. Centralidade utilizando valores de carregamento 50 nas vias com interven\u00e7\u00e3o (com visualiza\u00e7\u00e3o em 5 classes, por intervalos naturais, em paleta de cores hier\u00e1rquica em tons de azul, conforme legenda (da autora, 2019).<\/p><\/div>\n<p>As simula\u00e7\u00f5es mostraram que modifica\u00e7\u00f5es no uso do solo e nas caracter\u00edsticas das vias interferem na distribui\u00e7\u00e3o de centralidade na cidade, atrav\u00e9s de carregamento e imped\u00e2ncias. Com melhorias e aumento das facilidades urbanas e externalidades \u00e9 poss\u00edvel criar novos pontos de centralidade na cidade. Todavia, \u00e9 not\u00e1vel a import\u00e2ncia do tra\u00e7ado mais geral da cidade, que em todas os experimentos determinou as regi\u00f5es de concentra\u00e7\u00e3o de vias mais centrais, o que refor\u00e7a a ideia de que a morfologia urbana tende a ser fundamental para a estrutura intraurbana e para o entendimento da cidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Bruna Disconzi Meotti O presente trabalho tem como objetivo o estudo de centralidade de S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul, utilizando o software UrbanMetrics, o qual \u00e9 baseado na teoria dos grafos, podendo utilizar representa\u00e7\u00f5es por linhas, pontos e \u00e1reas. 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