{"id":510,"date":"2019-05-28T12:29:35","date_gmt":"2019-05-28T15:29:35","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/?p=510"},"modified":"2019-05-30T09:47:15","modified_gmt":"2019-05-30T12:47:15","slug":"dica-de-leitura-o-deserto-dos-tartaros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/2019\/05\/28\/dica-de-leitura-o-deserto-dos-tartaros\/","title":{"rendered":"Dica de leitura: &#8220;O deserto dos t\u00e1rtaros&#8221;."},"content":{"rendered":"<p>BUZZATI, Dino. <strong>O deserto dos t\u00e1rtaros<\/strong>. Rio de Janeiro: Rio Gr\u00e1fica, 1986.<\/p>\n<p>O Deserto dos T\u00e1rtaros conta a hist\u00f3ria de Giovanni Drogo, um jovem nomeado oficial, que deixa sua cidade natal para assumir o posto de tenente em um forte na fronteira, \u00e0 margem de um deserto. A princ\u00edpio, Drogo fica empolgado com a nova vida que ir\u00e1 iniciar, ap\u00f3s anos de estudos, ainda que uma leve incerteza sobre o futuro o acompanhe.<\/p>\n<p>Em dire\u00e7\u00e3o ao forte, a cavalo, lentamente Giovanni Drogo vai se afastando de sua antiga vida; a intensa solid\u00e3o e quietude no trajeto levam-no a imaginar como ser\u00e1 o lugar para onde est\u00e1 indo. Ao se deparar com o forte, a expectativa se esvai ante a imagem desoladora de um lugar aparentemente abandonado ao sil\u00eancio. T\u00e3o logo adentra o ambiente, toma a decis\u00e3o de n\u00e3o permanecer por muito tempo, j\u00e1 que o local \u00e9 completamente in\u00f3spito, muito diferente da vida de alegrias que projetava com o in\u00edcio da carreira militar. E \u00e9 para n\u00e3o prejudic\u00e1-la que Drogo se deixa convencer por um superior a aguardar quatro meses apenas, quando poder\u00e1 requerer sua transfer\u00eancia para a cidade. Todavia, ao final do tempo determinado, nosso amigo j\u00e1 est\u00e1 entorpecido pelo mist\u00e9rio do lugar, acostumado \u00e0 monotonia da rotina no forte, tanto que j\u00e1 se sente em casa. Na esperan\u00e7a de poder fazer algo nobre pelo seu pa\u00eds, guardando aquela fronteira, ainda que totalmente desabitada, Drogo toma a decis\u00e3o de permanecer, afinal, ainda \u00e9 jovem: \u201c<em>A vida parecia-lhe inesgot\u00e1vel<\/em>\u201d, o bom da vida pode esperar.<\/p>\n<p>Assim, o tempo vai passando, cada dia exatamente igual ao outro, exceto raros eventos com suspeitas de invas\u00e3o da fronteira deserta, que n\u00e3o se confirmam. Nas poucas visitas que faz \u00e0 cidade, Drogo come\u00e7a a sentir-se um estranho, pois o tempo lentamente trata de deixar-lhe esquecido pelos amigos e at\u00e9 mesmo pela fam\u00edlia: \u201c<em>um mundo alheio em que seu lugar fora facilmente ocupado<\/em>\u201d. Sente que seu lugar agora \u00e9 o forte, e passa a deix\u00e1-lo por menos per\u00edodos, chegando mesmo a retornar antes do prazo previsto, como se algo o prendesse \u00e0quele lugar e o chamasse ao seu posto, como se sua vida fosse esperar a invas\u00e3o da fronteira que talvez nunca fosse acontecer.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s trinta anos, o agora major Giovanni Drogo encontra-se enfraquecido e tomado por uma inc\u00f4moda doen\u00e7a que n\u00e3o se revela totalmente, por\u00e9m tira suas for\u00e7as para combater, caso necess\u00e1rio. Nesse per\u00edodo de sua vida, a t\u00e3o esperada guerra se apresenta, deixando a todos euf\u00f3ricos com a possibilidade de finalmente combater e honrar seu pa\u00eds. Em lugar das gl\u00f3rias do combate, Drogo \u00e9 conduzido para a cidade em uma carruagem, \u00faltima defer\u00eancia a um oficial moribundo em fim de carreira: \u201c<em>No fim ele estava s\u00f3 no mundo<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>A obra nos faz refletir acerca de nossas pr\u00f3prias vidas. Como Giovanni Drogo, quantos de n\u00f3s deixamos a vida passar, esperando uma guerra, que talvez n\u00e3o venha e, se vier, pode nos encontrar j\u00e1 derrotados? Ser\u00e1 que a t\u00e3o esperada guerra j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 presente todos os dias e n\u00f3s, na expectativa de algo mais grandioso, n\u00e3o a percebemos? O que estamos esperando para viver?<\/p>\n<p><em>Falta muito? N\u00e3o, basta atravessar aquele rio l\u00e1 longe, no fundo, ultrapassar aquelas verdes colinas. Ou j\u00e1 n\u00e3o se chegou, por acaso? [&#8230;] Por alguns instantes tem-se a impress\u00e3o que sim, e quer-se parar ali. Depois ouve-se dizer que o melhor est\u00e1 mais adiante, e retoma-se despreocupadamente a estrada. Assim, continua-se o caminho numa espera confiante, e os dias s\u00e3o longos e tranquilos, o sol brilha alto no c\u00e9u e parece n\u00e3o ter mais vontade de desaparecer no poente.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas a uma certa altura, quase instintivamente, vira-se para tr\u00e1s e v\u00ea-se que uma porta foi trancada \u00e0s nossas costas, fechando o caminho de volta. [&#8230;] compreende-se que o tempo passa e que a estrada, um dia, dever\u00e1 inevitavelmente acabar.<\/em><\/p>\n<p><em>A um certo momento batem \u00e0s nossas costas um pesado port\u00e3o, fecham-no a uma velocidade fulminante, e n\u00e3o h\u00e1 tempo de voltar.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>K\u00e1tia Rosita<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-512\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/files\/2019\/05\/tartaros-282x400.jpg\" alt=\"\" width=\"282\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/files\/2019\/05\/tartaros-282x400.jpg 282w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/files\/2019\/05\/tartaros-141x200.jpg 141w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/files\/2019\/05\/tartaros.jpg 353w\" sizes=\"auto, (max-width: 282px) 100vw, 282px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUZZATI, Dino. O deserto dos t\u00e1rtaros. Rio de Janeiro: Rio Gr\u00e1fica, 1986. O Deserto dos T\u00e1rtaros conta a hist\u00f3ria de Giovanni Drogo, um jovem nomeado oficial, que&hellip; <span class=\"read-more\"><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/2019\/05\/28\/dica-de-leitura-o-deserto-dos-tartaros\/\" rel=\"bookmark\">Leia Mais <span class=\"screen-reader-text\">&#8220;Dica de leitura: &#8220;O deserto dos t\u00e1rtaros&#8221;.&#8221;<\/span><\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":775,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[14,8],"tags":[56,53,54,55],"class_list":["post-510","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-atividades","category-forum","tag-dicadelivro","tag-leitura","tag-leituras","tag-resenha"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p8U5jz-8e","publishpress_future_action":{"enabled":false,"date":"2026-05-15 23:49:59","action":"change-status","newStatus":"draft","terms":[],"taxonomy":"category","extraData":[]},"publishpress_future_workflow_manual_trigger":{"enabledWorkflows":[]},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/510","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/wp-json\/wp\/v2\/users\/775"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=510"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/510\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":513,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/510\/revisions\/513"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=510"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/observatoriocuid\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}