{"id":784,"date":"2022-10-24T11:34:49","date_gmt":"2022-10-24T14:34:49","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/?p=784"},"modified":"2022-10-24T11:34:49","modified_gmt":"2022-10-24T14:34:49","slug":"velhices-lgbti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/2022\/10\/24\/velhices-lgbti\/","title":{"rendered":"Velhices LGBTI+"},"content":{"rendered":"<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses com o maior n\u00famero de pessoas idosas, tendo atualmente, cerca de 28 milh\u00f5es de idosas, idosos e idoses. Estima-se que esse n\u00famero v\u00e1 duplicar nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, criando uma necessidade de construir novos olhares sobre esse assunto.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">Nesse cen\u00e1rio, a figura dessas pessoas est\u00e1 associada a diversos estigmas, como seu modo de ser e de viver. Quando consideramos os sujeitos que destoam da narrativa heterossexual, que \u00e9 colocada socialmente como um padr\u00e3o a ser seguido, o envelhecimento tende a ser ainda mais limitado pelas barreiras do preconceito. \u00c9 poss\u00edvel, da mesma forma, ver ainda mais disso quando se trata de sexualidade, excluindo a &#8220;pessoa velha&#8221; da est\u00e9tica, dos desejos e das pr\u00e1ticas sexoafetivas.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">H\u00e1, portanto, uma <\/span><span class=\"JsGRdQ\">dupla estigmatiza\u00e7\u00e3o<\/span><span class=\"JsGRdQ\">: a velhice, de fato \u2014 e preconceitos etaristas \u2014 e a LGBTfobia \u2014 diversidade de sexo e g\u00eanero e a discrimina\u00e7\u00e3o que a sociedade faz com as pessoas LGBTI+; ou seja,<\/span> <span class=\"JsGRdQ\">acabam por sofrer mais que os mais jovens.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">Para a maioria dos 60+, o reconhecimento de seus direitos s\u00f3 chegou na d\u00e9cada de 1970, quando, aos poucos, os paradigmas foram mudando. Al\u00e9m disso, muitos viveram na \u00e9poca da Ditadura Militar, e assim, conviveram com o surgimento da AIDS nos anos 80, associada aos gays de fora preconceituosa e sem fundamento cient\u00edfico, colocando essas pessoas numa situa\u00e7\u00e3o maior de neglig\u00eancia e exclus\u00e3o, coagindo muitos homens gays a viver sua sexualidade em segredo, distante dos olhos da sociedade.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">N\u00e3o se fala muito sobre a vida sexual de pessoas idosas \u2014 principalmente quando s\u00e3o LGBTI+ \u2014, mas independente disso, o desejo sexual existe e continua existindo no envelhecimento. A ideia de que as pessoas mais velhas perdem a libido e t\u00eam limita\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas e sexuais n\u00e3o passa de tabu. O que ocorre \u00e9 uma readequa\u00e7\u00e3o corporal, altera\u00e7\u00e3o comum e estrutural do ser humano, com o corpo se modificando principalmente de acordo com o estilo de vida e o acesso das condi\u00e7\u00f5es de subsist\u00eancia ao longo do tempo.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">Ou seja, a sexualidade das pessoas idosas acaba sendo reprimida por conta dos tabus, discrimina\u00e7\u00e3o e estere\u00f3tipos constru\u00eddos pela sociedade e que colocam a velhice num lugar de finitude, de desilus\u00e3o com a vida; tornando o cotidiano de idosas, idosos e idoses ainda mais solit\u00e1rio e acarretando a perda do direito de desejar e de se relacionar.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">Ao abordar a sexualidade de mulheres l\u00e9sbicas idosas, pela neglig\u00eancia e desconsidera\u00e7\u00e3o das necessidades espec\u00edficas de g\u00eanero, existe uma dificuldade ainda maior: essas mulheres n\u00e3o lidam s\u00f3 com o etarismo e a LGBTfobia, mas tamb\u00e9m com o machismo e a misoginia; que, por exemplo, intensificam a invisibilidade e a viol\u00eancia na fam\u00edlia e nos servi\u00e7os de sa\u00fade.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">O medo da hostilidade pelos servi\u00e7os p\u00fablicos provoca uma avers\u00e3o e &#8220;n\u00e3o busca&#8221; pelos profissionais adequados. Essa falta de confian\u00e7a pode agravar problemas de sa\u00fade f\u00edsicos e emocionais, como o n\u00e3o acesso a exames preventivos \u2014 sem falar do despreparo de profissionais da ginecologia para abordar as especificidades das mulheres l\u00e9sbicas.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">A discrimina\u00e7\u00e3o e estigmatiza\u00e7\u00e3o de idosas, idosos e idoses LGBTI+ os coloca em um lugar de apagamento dos afetos, transformando sua identidade e singularidade em mera condi\u00e7\u00e3o estat\u00edstica. As aus\u00eancias normalmente comuns na velhice, como solid\u00e3o e abandono, ganham novos tons e n\u00e3o despertam a devida preocupa\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">As atitudes das pessoas idosas LGBTI+ frente \u00e0s quest\u00f5es de preconceito dizem muito da maneira com que elas experienciaram a sua juventude e isso pode ter rela\u00e7\u00e3o com o grande n\u00famero de casais de homossexuais que ainda vivem a rela\u00e7\u00e3o em segredo. Dependendo da rea\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, idosas, idosos e idoses se veem for\u00e7ades a \u201cvoltar pro arm\u00e1rio\u201d, mesmo que isso signifique um retrocesso e desrespeite a sua singularidade. Essa falta de suporte e apoio se configura como um dos maiores problemas no processo de envelhecimento dessas pessoas.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">Cultural e socialmente, as pessoas velhas LGBTI+ s\u00e3o duplamente apagados; o que implica num modo de vida<\/span> <span class=\"JsGRdQ\">solit\u00e1rio, sendo agravado pela invisibilidade e retirada do seu direito de pensar, sentir e vivenciar a sua sexualidade.<\/span> <span class=\"JsGRdQ\">Isso se mostra ao analisarmos os \u00edndices de depress\u00e3o e outros transtornos que t\u00eam sido significativamente maiores na popula\u00e7\u00e3o LGBTI+ idosa.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">O Brasil atualmente se configura como um lugar propagador de preconceitos e neutralizador das viv\u00eancias das pessoas idosas no geral. Torna-se, portanto, necess\u00e1rio construir espa\u00e7os de acolhimento n\u00e3o-discriminat\u00f3rios para promover a escuta e ressignifica\u00e7\u00e3o, potencializando a viv\u00eancia mais livre de todos os \u00e2mbitos da vida humana na velhice, incluindo a sexualidade, e assegurando a plenitude dos direitos humanos, civis e existenciais na velhice.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">INDICA\u00c7\u00c3O DE LEITURA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">O brilho das velhices LGBT+<\/span><span class=\"JsGRdQ\">, com depoimentos de l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transg\u00eaneros e pansexuais entre 47 e 72 anos. Sobre esse grupo, pesam diversas camadas de estigmas: al\u00e9m do etarismo ou idadismo, tamb\u00e9m o preconceito contra sua orienta\u00e7\u00e3o sexual. O livro retrata o enfrentamento desse duplo preconceito: contra o envelhecimento e a orienta\u00e7\u00e3o sexual.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\" style=\"text-align: justify;\">\n<div dir=\"auto\"><span class=\"x3nfvp2 x1j61x8r x1fcty0u xdj266r xhhsvwb xat24cr xgzva0m xxymvpz xlup9mm x1kky2od\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/te2\/1\/16\/270d.png\" alt=\"\u270d\ufe0f\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/span> Esse texto \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o conjunta de Patrick Gomes e Etiane Pons<\/div>\n<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\" style=\"text-align: justify;\">\n<div dir=\"auto\"><span class=\"x3nfvp2 x1j61x8r x1fcty0u xdj266r xhhsvwb xat24cr xgzva0m xxymvpz xlup9mm x1kky2od\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.xx.fbcdn.net\/images\/emoji.php\/v9\/tbd\/1\/16\/1f5c3.png\" alt=\"\ud83d\uddc3\ufe0f\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/span> Refer\u00eancias:<\/div>\n<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div class=\"x11i5rnm xat24cr x1mh8g0r x1vvkbs xtlvy1s x126k92a\" style=\"text-align: justify;\">\n<div dir=\"auto\">REBELLATA, C.; GOMES, M.; CRENITTE, M. Introdu\u00e7\u00e3o as velhices LGBTI+. 1\u00ba ed. Rio de Janeiro 2021<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses com o maior n\u00famero de pessoas idosas, tendo atualmente, cerca de 28 milh\u00f5es de idosas, idosos e idoses. 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