{"id":743,"date":"2022-10-10T10:11:21","date_gmt":"2022-10-10T13:11:21","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/?p=743"},"modified":"2022-10-19T12:52:55","modified_gmt":"2022-10-19T15:52:55","slug":"a-homossexualidade-na-antiguidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/2022\/10\/10\/a-homossexualidade-na-antiguidade\/","title":{"rendered":"A homossexualidade na antiguidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 2.500 anos&#8230;<\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">\u00c9 hist\u00f3rico o processo onde a homossexualidade era um assunto tratado com naturalidade e visto at\u00e9 como um ato sagrado em algumas culturas antigas. <\/span><span class=\"JsGRdQ\">Na Gr\u00e9cia Antiga, a homossexualidade era t\u00e3o valorizada a ponto de ter sido criado o Batalh\u00e3o Sagrado de Tebas: uma tropa de elite, composta inteiramente de casais homossexuais. <\/span><span class=\"JsGRdQ\">Sua import\u00e2ncia era determinante e significativa na sociedade grega, tendo um papel fundamental no processo de inser\u00e7\u00e3o social dos cidad\u00e3os, como tamb\u00e9m, na forma de rito de passagem da sexualidade do homem.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">OS EFEBOS<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\"><span class=\"JsGRdQ\">&#8220;<\/span><span class=\"JsGRdQ\">A<\/span><span class=\"JsGRdQ\"> efebia \u2014 rela\u00e7\u00e3o homossexual grega b\u00e1sica \u2014 se dava entre um homem mais velho e um jovem. Enquanto o jovem tinha qualidades masculinas: for\u00e7a, velocidade, habilidade, resist\u00eancia e beleza, o mais velho, por sua vez, possu\u00eda experi\u00eancia, sabedoria e comando. <\/span><span class=\"JsGRdQ\">O efebo \u2014 p\u00fabere \u2014, entregue a um tutor, era treinado, educado e protegido, transformando-se em cidad\u00e3o grego. Ambos desenvolviam paix\u00e3o m\u00fatua, mas sabiam dominar essa atra\u00e7\u00e3o. Esse controle era a base do sistema de efebia. Havia rela\u00e7\u00e3o sexual, mas quando o efebo crescia e se tornava um cidad\u00e3o grego, ele deixava de ser o amante-pupilo e tornava-se amigo do tutor; portanto, casava-se, tinha filhos e buscava seus pr\u00f3prios efebos.&#8221;<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">Na Gr\u00e9cia, al\u00e9m do car\u00e1ter pedag\u00f3gico, onde jovens rapazes de 12 a 18 anos eram preparados para a vida politica e social por homens mais velhos \u2014 os patronos \u2014, representava tamb\u00e9m um est\u00e1gio importante de sua sexualidade. <\/span><span class=\"JsGRdQ\">No processo de inicia\u00e7\u00e3o da vida adulta, os jovens eram ensinados sobre a arte da guerra, orat\u00f3ria e pol\u00edtica; dessa maneira, ao finalizarem todo esse processo, eram considerados aptos para a viv\u00eancia na sociedade grega. A relev\u00e2ncia era tanta para a polis, que as pr\u00e1ticas homossexuais chegaram a serem atribu\u00eddas a caracter\u00edsticas relacionadas a intelectualidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">Enquanto isso, na Roma, a homossexualidade era envolvida com valores relacionados \u00e0 moral e tinha uma variedade de padr\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es. Diferente dos gregos, eles n\u00e3o tinham interesse em conquistar os jovens, preferiam seduzi-los e se envolver sem preocupa\u00e7\u00f5es intelectuais. <\/span><span class=\"JsGRdQ\">A hist\u00f3ria da homossexualidade come\u00e7a a ganhar outras fei\u00e7\u00f5es quando ocorre a assimila\u00e7\u00e3o do valor estritamente procriador do sexo.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">Se antes a homossexualidade era normalidade e at\u00e9 cultuada em diversas culturas e em diversas \u00e9pocas, ela passa a se tornar uma transgress\u00e3o. O cristianismo come\u00e7a a se popularizar e junto dele \u00e9 trazida a ideia de que o sexo entre iguais seria pecado. <\/span><span class=\"JsGRdQ\">Dessa forma, desde o final do Imp\u00e9rio Romano, v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es de reis e cl\u00e9rigos tentaram suprimir a homossexualidade. Mas ainda assim \u2014 ao longo da Idade Moderna \u2014 tivemos v\u00e1rios relatos de representantes da nobreza que tiveram casos com parceiros e parceiras do mesmo sexo.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">Na Europa, a hist\u00f3ria dita oficial distorceu ou desconsiderou a exist\u00eancia dessas pr\u00e1ticas, sendo<\/span> <span class=\"JsGRdQ\">pouqu\u00edssimos e raros os registros de homossexualidade, apesar de existirem casos esparsos relatados. <\/span><span class=\"JsGRdQ\">Entre os povos africanos, como entre os <\/span><span class=\"JsGRdQ\">Iango<\/span><span class=\"JsGRdQ\">, de Uganda, \u00e9 aceita a escolha masculina de viver como mulher, onde implica se vestir e agir socialmente como &#8220;f\u00eamea&#8221;, inclusive simulando menstrua\u00e7\u00e3o. J\u00e1 os <\/span><span class=\"JsGRdQ\">Nyakyusa<\/span><span class=\"JsGRdQ\"> permitem a homossexualidade masculina na adolesc\u00eancia, na qual tal pr\u00e1tica \u00e9 considerada parte da forma\u00e7\u00e3o do homem. <\/span><span class=\"JsGRdQ\">Entre os ilh\u00e9us de Oceania, a homossexualidade masculina \u00e9 condenada, enquanto a feminina \u00e9 aceita. Em Samoa, a rela\u00e7\u00e3o sexual entre jovens do mesmo sexo n\u00e3o era reprimida, pois eram vistas somente como jogos sem import\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">Nas Am\u00e9ricas, os ind\u00edgenas aceitam a homossexualidade quando um dos parceiros est\u00e1 travestido. Os ind\u00edgenas brasileiros, da tribo tupinamb\u00e1s, reconhecem o casamento homossexual entre as mulheres. No interior desse grupo \u00e9tnico (que ocupavam a maior parte da costa brasileira), os &#8220;\u00edndios efeminados&#8221; eram chamados de <\/span><em><span class=\"JsGRdQ\">tibira<\/span><\/em><span class=\"JsGRdQ\">, e as mulheres com preferencias sexuais por mulheres eram as <\/span><em><span class=\"JsGRdQ\">\u00e7acoaimbeguira<\/span><\/em><span class=\"JsGRdQ\">, tendo tais pr\u00e1ticas sexuais descritas no Tratado Descritivo do Brasil em 1587. <\/span><span class=\"JsGRdQ\">No interior de diversas sociedades ind\u00edgenas existiam sociedades secretas destinadas a realiza\u00e7\u00e3o dos rituais de inicia\u00e7\u00e3o que inclu\u00edam a rela\u00e7\u00e3o sexual entre indiv\u00edduos do mesmo sexo; sendo essas, por sua vez, mais comuns entre os do sexo masculino, n\u00e3o sendo, entretanto, uma exclusividade.<\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">\u00c9 not\u00f3rio que os dados, fatos e contextos hist\u00f3ricos da hist\u00f3ria da sexualidade, s\u00e3o extensos de detalhes e costumes, estando presentes em todas as culturas e em todas as \u00e9pocas. <\/span><span class=\"JsGRdQ\">Hoje vemos que o sexo ensaia para a sua liberta\u00e7\u00e3o h\u00e1 bastante tempo, \u00e9 cada vez mais crescente as novas formas de ser e expressar a sexualidade nas rela\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas. Novas formas de amar surgem e novas formas de se relacionar s\u00e3o criadas. <\/span><\/p>\n<p class=\"_04xlpA direction-ltr align-justify para-style-body\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"JsGRdQ\">E ent\u00e3o&#8230; o que esperar do futuro da sexualidade? Maior liberdade? Menos repress\u00e3o? Novas formas? Novas express\u00f5es?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u270d\ufe0f Texto escrito pela bolsista Jayne Gabriela<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\ud83d\uddc3\ufe0f Refer\u00eancias:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GOMES, Aguinaldo Rodrigues; NOVAIS, Sandra Nara da Silva. Pr\u00e1ticas Sexuais e homossexualidade entre os ind\u00edgenas brasileiros. Caderno Espa\u00e7o Feminino &#8211; Uberl\u00e2ndia-MG &#8211; v. 26, n. 2 &#8211; Jul\/Dez. 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LINS, Regina Navarro. O livro do amor: da Pr\u00e9-hist\u00f3ria \u00e0 Renascen\u00e7a. Rio de Janeiro: Best Seller, 2012. vol. 1; pag. 52.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LINS, Regina Navarro; BRAGA, F\u00e1bio. O livro de ouro do sexo. Rio de Janeiro: Ediouro. 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOUZA, Gabriel Soares de. Tratado Descritivo do Brasil. (1587). Belo Horizonte: Itatiaia, 2001, p. 308.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 2.500 anos&#8230; \u00c9 hist\u00f3rico o processo onde a homossexualidade era um assunto tratado com naturalidade e visto at\u00e9 como um ato sagrado em algumas culturas antigas. Na Gr\u00e9cia Antiga, a homossexualidade era t\u00e3o valorizada a ponto de ter sido&#8230; <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/2022\/10\/10\/a-homossexualidade-na-antiguidade\/\">Continue lendo &rarr;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":801,"featured_media":744,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-743","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/files\/2022\/10\/posts.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/743","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/wp-json\/wp\/v2\/users\/801"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=743"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/743\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":771,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/743\/revisions\/771"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/wp-json\/wp\/v2\/media\/744"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=743"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=743"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nugen\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=743"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}