{"id":116,"date":"2016-06-14T08:15:52","date_gmt":"2016-06-14T11:15:52","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nnugs\/?p=116"},"modified":"2016-06-14T08:15:52","modified_gmt":"2016-06-14T11:15:52","slug":"estudo-alerta-para-o-risco-de-aquecer-o-adocante-sucralose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nnugs\/2016\/06\/14\/estudo-alerta-para-o-risco-de-aquecer-o-adocante-sucralose\/","title":{"rendered":"Estudo alerta para o risco de aquecer o ado\u00e7ante sucralose"},"content":{"rendered":"<div class=\"last_news\">\n<div class=\"carousel\">\n<div class=\"overview\">\n<ul class=\"wrap_carousel\">\n<li class=\"item\">\n<h4 class=\"h4\"><a class=\"link_img\" style=\"margin: 0px;padding: 0px;border: none;text-decoration: none;cursor: zoom-in\" href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/agencia-novo\/imagens\/noticia\/23278.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/agencia-novo\/lib\/timthumb.php?src=\/agencia-novo\/Control\/..\/imagens\/noticia\/23278.jpg&amp;w=395\" \/><\/a><\/h4>\n<p>Grupo da Unicamp mostra que a subst\u00e2ncia se degrada a 98\u00baC, liberando compostos organoclorados com potencial a\u00e7\u00e3o irritante e cancer\u00edgena (<i>Foto: Jornal da Unicamp<\/i>)<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"grid\">\n<div class=\"content full\">\n<h1 class=\"h1\"><\/h1>\n<p><b>Karina Toledo\u00a0<\/b> | \u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP &#8211;\u00a0<\/b>Um estudo feito na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que o ado\u00e7ante artificial sucralose \u2013 o mais consumido no mundo e, at\u00e9 agora, considerado pelas ag\u00eancias sanit\u00e1rias o mais seguro \u2013 pode se tornar inst\u00e1vel e liberar compostos potencialmente t\u00f3xicos ao ser aquecido a 98 \u00baC.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os resultados do estudo, <b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/152248\/identificacao-de-adulteracoes-e-determinacao-simultanea-de-nutrientes-e-contaminantes-em-alimentos-p\" target=\"_blank\">apoiado pela FAPESP<\/a><\/b>, foram publicados na revista <b><a href=\"http:\/\/www.nature.com\/articles\/srep09598\" target=\"_blank\"><i>Scientific Reports<\/i><\/a><\/b>, do grupo <i>Nature<\/i>.<\/p>\n<p>\u201cTrabalhos anteriores haviam mostrado que a sucralose se degrada em altas temperaturas \u2013 n\u00e3o usuais no dia a dia. Por\u00e9m, observamos que isso tamb\u00e9m ocorre a 98 \u00baC, calor facilmente ating\u00edvel durante o preparo de alimentos. Foi uma surpresa\u201d, disse Rodrigo Ramos Catharino, professor na Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas (FCF) e coordenador do Laborat\u00f3rio Innovare de Biomarcadores da Unicamp.<\/p>\n<p>A sucralose \u00e9 uma subst\u00e2ncia criada em laborat\u00f3rio a partir da modifica\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da mol\u00e9cula de sacarose, o a\u00e7\u00facar de mesa. \u00c0 estrutura original s\u00e3o acrescentados tr\u00eas \u00e1tomos de cloro, o que aumenta em 400 vezes o dul\u00e7or e impede a sucralose de se decompor durante a digest\u00e3o e de ser usada como fonte de energia pelo organismo.<\/p>\n<p>Seu uso \u00e9 liberado sem restri\u00e7\u00f5es pelos principais \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a alimentar no mundo, incluindo o Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, o Joint Expert Committee on Food Additivies (JECFA), da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO), e a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), no Brasil.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ao aquecer a subst\u00e2ncia em banho-maria por cerca de 2 minutos, os pesquisadores da Unicamp notaram a libera\u00e7\u00e3o de compostos organoclorados tanto no g\u00e1s proveniente da fervura como na fase s\u00f3lida, ou seja, no caramelo que se formou ap\u00f3s a fus\u00e3o da sucralose.<\/p>\n<p>Essa classe de compostos \u00e9 considerada potencialmente t\u00f3xica e tem efeito cumulativo no organismo. As an\u00e1lises foram feitas com aux\u00edlio de t\u00e9cnicas como termogravimetria, espectrometria de massas e espectroscopia no infravermelho.<\/p>\n<p>\u201cNo g\u00e1s, observamos a presen\u00e7a de \u00e1cido clor\u00eddrico, que pode ser irritante se inalado. Na fase s\u00f3lida, encontramos hidrocarbonetos polic\u00edclicos arom\u00e1ticos clorados (HPACs), uma classe de subst\u00e2ncias recentemente descoberta, sobre a qual se sabe muito pouco\u201d, disse Catharino.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, o efeito mutag\u00eanico e carcinog\u00eanico de compostos correlatos aos HPACs, como os HPAs (hidrocarbonetos polic\u00edclicos arom\u00e1ticos), j\u00e1 est\u00e1 bem estabelecido na literatura cient\u00edfica. As principais fontes de exposi\u00e7\u00e3o a esses mutag\u00eanicos s\u00e3o a polui\u00e7\u00e3o ambiental proveniente da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis e o cigarro.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o necess\u00e1rios novos estudos para avaliar os efeitos dos HPACs no organismo humano. Mas \u00e9 bem prov\u00e1vel que, por causa da presen\u00e7a de \u00e1tomos de cloro nas mol\u00e9culas, elas sejam ainda mais reativas que os HPAs cl\u00e1ssicos\u201d, disse.<\/p>\n<p><b>Doce risco<\/b><\/p>\n<p>As an\u00e1lises que deram origem ao artigo foram feitas durante o doutorado de Diogo Noin de Oliveira, no \u00e2mbito de um Projeto Tem\u00e1tico dedicado a investigar disfun\u00e7\u00f5es mitocondriais e processos metab\u00f3licos associados a doen\u00e7as como diabetes, obesidade e dislipidemia\u00a0\u2013 &#8220;<b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/45469\/metabolismo-energetico-estado-redox-e-funcionalidade-mitocondrial-na-morte-celular-e-em-desordens-c\/\" target=\"_blank\">Metabolismo energ\u00e9tico, estado redox e funcionalidade mitocondrial na morte celular e em desordens cardiometab\u00f3licas e neurodegenerativas<\/a><\/b>&#8220;.<\/p>\n<p>\u201cDecidimos estudar os ado\u00e7antes por serem produtos muito usados por portadores dessas doen\u00e7as. Come\u00e7amos pela sucralose, o mais consumido de todos. Como temos a inten\u00e7\u00e3o de usar a subst\u00e2ncia em experimentos com animais, na formula\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o, achamos melhor antes caracterizar o produto e fazer testes de estabilidade\u201d, contou Catharino.<\/p>\n<p>Uma das principais formas de se medir a estabilidade de um composto, explicou o pesquisador, \u00e9 aquec\u00ea-lo. No experimento feito em laborat\u00f3rio, foi usada a sucralose comercial pura \u2013 a mesma empregada pela ind\u00fastria farmac\u00eautica e aliment\u00edcia no preparo de seus produtos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um pouco diferente da sucralose encontrada nas g\u00f4ndolas dos supermercados, que vem misturada com outros aditivos para ganhar corpo. Se esses aditivos protegem a sucralose da degrada\u00e7\u00e3o pelo aquecimento ou se potencializam o efeito t\u00f3xico do ado\u00e7ante \u00e9 algo que ainda n\u00e3o sabemos. Precisa ser estudado\u201d, explicou o pesquisador.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima etapa da pesquisa, o grupo pretende testar o efeito do caramelo formado pela fus\u00e3o da sucralose em culturas de c\u00e9lulas humanas e em experimentos com camundongos. Al\u00e9m disso, os cientistas intencionam verificar se, ao ser aquecida junto com alimentos, a sucralose tamb\u00e9m se degrada e libera compostos organoclorados.<\/p>\n<p>Entre os passos futuros est\u00e1 ainda a an\u00e1lise da estabilidade e dos subprodutos gerados pela degrada\u00e7\u00e3o de outras classes de ado\u00e7antes artificiais.<\/p>\n<p>Em um estudo <b><a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0308814611005115\" target=\"_blank\">publicado em 2012<\/a><\/b> na revista <i>Food Chemistry<\/i>, o grupo mostrou que a est\u00e9via \u2013 ado\u00e7ante natural extra\u00eddo da planta<i>Stevia rebaudiana<\/i> \u2013 torna-se inst\u00e1vel em contato com alimentos \u00e1cidos, como refrigerante ou caf\u00e9, liberando glicose e tamb\u00e9m um esteviol com potencial efeito cancer\u00edgeno e abortivo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante frisar que nosso objetivo n\u00e3o \u00e9 prejudicar os produtores desses produtos ou a ind\u00fastria de alimentos e sim alertar o consumidor para que fa\u00e7a um uso consciente\u201d, disse Catharino.<\/p>\n<p>O artigo <i>Thermal degradation of sucralose: a combination of analytical methods to determine stability and chlorinated byproducts<\/i>(doi:10.1038\/srep09598), de Diogo N. de Oliveira, Maico de Menezes e Rodrigo R. Catharino, pode ser lido em<b><a href=\"http:\/\/www.nature.com\/articles\/srep09598\" target=\"_blank\">www.nature.com\/articles\/srep09598<\/a><\/b>.<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0http:\/\/agencia.fapesp.br\/estudo_alerta_para_o_risco_de_aquecer_o_adocante_sucralose\/23278\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grupo da Unicamp mostra que a subst\u00e2ncia se degrada a 98\u00baC, liberando compostos organoclorados com potencial a\u00e7\u00e3o irritante e cancer\u00edgena (Foto: Jornal da Unicamp) Karina Toledo\u00a0 | \u00a0Ag\u00eancia FAPESP &#8211;\u00a0Um estudo feito na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que o ado\u00e7ante artificial sucralose \u2013 o mais consumido no mundo e, at\u00e9 agora, considerado pelas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":546,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-116","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nnugs\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nnugs\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nnugs\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nnugs\/wp-json\/wp\/v2\/users\/546"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nnugs\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=116"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nnugs\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":119,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nnugs\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116\/revisions\/119"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nnugs\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nnugs\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nnugs\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}