{"id":244,"date":"2020-08-11T18:47:34","date_gmt":"2020-08-11T21:47:34","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nemplus\/?page_id=244"},"modified":"2021-07-30T16:32:46","modified_gmt":"2021-07-30T19:32:46","slug":"x-simp","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nemplus\/simp-seminario-internacional-memoria-e-patrimonio\/x-simp\/","title":{"rendered":"10 SIMP"},"content":{"rendered":"<p><img class=\"aligncenter size-full wp-image-320\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nemplus\/files\/2020\/08\/simpx.png\" alt=\"\" width=\"2014\" height=\"502\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nemplus\/files\/2020\/08\/simpx.png 2014w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nemplus\/files\/2020\/08\/simpx-400x100.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nemplus\/files\/2020\/08\/simpx-1024x255.png 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nemplus\/files\/2020\/08\/simpx-768x191.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nemplus\/files\/2020\/08\/simpx-1536x383.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 2014px) 100vw, 2014px\" \/><\/p>\n<hr \/>\n<h2>X SIMP &#8211; Semin\u00e1rio Internacional Mem\u00f3ria e Patrim\u00f4nio<\/h2>\n<p>Revisitar. Revisitar o passado ou, sendo fiel ao grande soci\u00f3logo da mem\u00f3ria, reconstru\u00ed-lo com os instrumentos do que somos no presente.<\/p>\n<p>Revisitar, rever, reviver, mas nunca ver ou viver o mesmo e sendo o mesmo. Revisitemos, ent\u00e3o, pelo olhar e palavras de Jorge Sempr\u00fan, o que seriam os \u00faltimos momentos de Maurice Halbwachs em uma enfermaria do campo de concentra\u00e7\u00e3o de Buchenwald, no dia 16 de mar\u00e7o de 1945. Sempr\u00fan, estudante de filosofia e prisioneiro do mesmo campo, torna-se um observador e narrador do mart\u00edrio de Halbwachs e, tomado pelo p\u00e2nico diante da agonia final do antigo mestre, murmura no ouvido do moribundo, alguns versos de Baudelaire: \u201c(&#8230;)<em>Si le ciel et la mer sont noirs comme de l&#8217;encre, nos coeurs que tu connais sont remplis de rayons !&#8230;<\/em>Um leve estremecimento se delineia nos l\u00e1bios de Maurice Halbwachs. Ele sorri, morrendo, lan\u00e7ando sobre mim seu olhar fraternal\u201d(MONTLIBERT,1997<em>).<\/em><\/p>\n<p>A cena descrita por Jorge Sempr\u00fan, relato impactante do destino de milh\u00f5es de pessoas vitimadas dentro dos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas, adquire um tom ainda mais dram\u00e1tico pelas \u00faltimas palavras: \u201cele sorri, morrendo, lan\u00e7ando sobre mim seu olhar fraternal\u201d. Eis ai o retrato vivo do grande intelectual cuja dignidade, sabedoria e generosidade, fizeram converter o momento do doloroso final em uma li\u00e7\u00e3o de profunda humanidade. O olhar fraternal, o olhar do homem que, tendo se debru\u00e7ado sobre temas fundamentais da vida humana, escolheu a mem\u00f3ria como forma de pensar a sociedade, o indiv\u00edduo e as conex\u00f5es com o passado.<\/p>\n<p>Tempo, que para Halbwachs se definia como a dura\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de cada grupo, \u00e9 hoje para n\u00f3s a ocasi\u00e3o para revisitar sua obra p\u00f3stuma, <em>A Mem\u00f3ria Coletiva<\/em>, uma s\u00e9rie de textos escritos entre 1925 e 1944 e compilados, de forma bastante personalizada e como uma esp\u00e9cie de testamento ao futuro, por sua irm\u00e3 Jeanne Halbwachs (BECKER, 2003).<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo da mem\u00f3ria nos deixa sua mem\u00f3ria e nos leva a pensar na forma como nos chegam as recorda\u00e7\u00f5es, na for\u00e7a de coes\u00e3o que ela, mem\u00f3ria, assume dentro dos grupos sociais. Na obra, que nesse ano de 2020 completa seu septuag\u00e9simo anivers\u00e1rio, Halbwachs busca, sem no entanto conseguir finalizar, posto que interrompido pela barb\u00e1rie, refletir como os sujeitos, agora j\u00e1 de forma mais individualizada e singular, s\u00e3o, em \u00faltima inst\u00e2ncia, os que recordam, ainda que apoiando-se nas recorda\u00e7\u00f5es dos outros.<\/p>\n<p>Retomando o come\u00e7o dessa apresenta\u00e7\u00e3o, atestamos essa tese do outro ou os outros, como vetores da mem\u00f3ria pois \u00e9 atrav\u00e9s de Jorge Sempr\u00fan que elaboramos nossa recorda\u00e7\u00e3o de Halbwachs, ou mesmo desse tempo sombrio do qual ele foi vitimado.<\/p>\n<p>O X SIMP \u00e9, portanto, uma esp\u00e9cie de homenagem ao intelectual vigoroso que foi Maurice Halbwachs, capaz de, com sua for\u00e7a de pensamento e sua lucidez, se tornar um gigante frente \u00e0 m\u00e1quina de destrui\u00e7\u00e3o nazista, apesar de seu organismo esqu\u00e1lido e atormentado pelos sofrimentos.<\/p>\n<p>Nesse evento encontraremos Halbwachs, mesmo quando n\u00e3o for ele o tema gerador das confer\u00eancias ou das discuss\u00f5es nos simp\u00f3sios tem\u00e1ticos.<\/p>\n<p>As confer\u00eancias ser\u00e3o ministradas por intelectuais de diferentes \u00e1reas do conhecimento, a saber: Jos\u00e9 Rilla, hist\u00f3ria, Uruguai; Edson Sousa, psican\u00e1lise, Brasil; Vera Dodebei, comunica\u00e7\u00e3o, Brasil; Renato Cymbalista, arquitetura, Brasil; Jens Anderman, literatura comparada, EUA.<\/p>\n<p>Veremos Halbwachs ao apresent\u00e1-lo em sua obra, ao pensar mem\u00f3ria na perspectiva individual, ao refletir sobre as formas contempor\u00e2neas de construir essas mem\u00f3rias na virtualidade e nas disputas memoriais no espa\u00e7o urbano, bem como o encontraremos na discuss\u00e3o sobre mem\u00f3ria\/inclus\u00e3o\/ exclus\u00e3o dentro do templo de Mnemosyne, o museu.<\/p>\n<p>Estas tem\u00e1ticas, que ser\u00e3o abordadas em confer\u00eancias, seguir\u00e3o para discuss\u00e3o nos simp\u00f3sios tem\u00e1ticos que ocorrer\u00e3o durante o evento.<\/p>\n<p>2020, pandemia, quarentena, Brasil de mais de cem mil mortos pelo v\u00edrus. Esse \u00e9 o contexto no qual pensamos os 70 anos da obra de Halbwachs, justamente porque n\u00e3o sabemos como essas vivencias de agora se converter\u00e3o- ou n\u00e3o- em uma mem\u00f3ria coletiva, quando o futuro chegar.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>BECKER, Annette. <strong>Maurice Halbwachs: un intellectuel en guerres mondiales<\/strong> <strong>1914-1945<\/strong><em>. <\/em>Paris, Agn\u00e8s Vi\u00e9not\u00a0 \u00c9ditions, 2003.<\/p>\n<p>MONTLIBERT, Christian. <strong>Maurice Halbwachs, 1877-1945.<\/strong> Strasbourg, Presses Universitaires de Strasbourg, 1997.<\/p>\n<hr \/>\n<h3>Realiza\u00e7\u00e3o:\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Financiamento:<\/h3>\n<p><img class=\"alignleft wp-image-377 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nemplus\/files\/2020\/08\/Rodap\u00e9-e1597840662145.png\" alt=\"\" width=\"1900\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nemplus\/files\/2020\/08\/Rodap\u00e9-e1597840662145.png 1900w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nemplus\/files\/2020\/08\/Rodap\u00e9-e1597840662145-400x59.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nemplus\/files\/2020\/08\/Rodap\u00e9-e1597840662145-1024x151.png 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nemplus\/files\/2020\/08\/Rodap\u00e9-e1597840662145-768x113.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/nemplus\/files\/2020\/08\/Rodap\u00e9-e1597840662145-1536x226.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 1900px) 100vw, 1900px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>X SIMP &#8211; Semin\u00e1rio Internacional Mem\u00f3ria e Patrim\u00f4nio Revisitar. 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