{"id":3378,"date":"2022-02-08T14:13:24","date_gmt":"2022-02-08T17:13:24","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/?page_id=3378"},"modified":"2022-02-08T18:05:24","modified_gmt":"2022-02-08T21:05:24","slug":"folelhos_positivistas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/folelhos_positivistas\/","title":{"rendered":"As publica\u00e7\u00f5es dos positivistas religiosos brasileiros sobre quest\u00f5es m\u00e9dico-sanit\u00e1rias (1885-1927)"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 10pt;background-color: #ffff99\"><strong>Nota da Edi\u00e7\u00e3o On-line: <span style=\"color: #008000\">Ao final da p\u00e1gina encontram-se os links para acesso aos folhetos, bem como a indica\u00e7\u00e3o de como citar a publica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<table class=\"alignleft\" style=\"height: 866px;width: 99.9052%;border-collapse: collapse;border-style: none\" border=\"1\">\n<tbody>\n<tr style=\"height: 864px\">\n<td style=\"width: 50%;border-style: none;height: 864px\">\n<p><strong>Obra publicada pela Universidade Federal de Pelotas<\/strong><\/p>\n<p>Reitor: Prof. Antonio Cesar G. Borges<br \/>\nVice-Reitor: Prof. Telmo Pagana Xavier<br \/>\nPr\u00f3-Reitor de Extens\u00e3o e Cultura: Prof. Vitor Hugo Borba Manzke<br \/>\nPr\u00f3-Reitor de Gradua\u00e7\u00e3o: Prof. Eliana P\u00f3voas Brito<br \/>\nPr\u00f3-Reitor de Pesquisa e P\u00f3sGradua\u00e7\u00e3o: Prof. Manoel de Souza Maia<br \/>\nPr\u00f3-Reitor Administrativo: Francisco Carlos Gomes Luzzardi<br \/>\nPr\u00f3-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento: Prof. \u00c9lio Paulo Zonta<br \/>\nDiretor da Editora e Gr\u00e1fica Universit\u00e1ria: Prof. Volmar Geraldo da Silva Nunes<\/p>\n<p><strong>Conselho Editorial<\/strong><\/p>\n<p>Prof: Dr. Antonio Jorge Amaral Bezerra<br \/>\nProf. Dr. Elomar Antonio Callegaro Tambara<br \/>\nProf. Dra. Isabel Porto Nogueira<br \/>\nProf Dr. Jos\u00e9 Justino Faleiros<br \/>\nProfa. L\u00edgia Antunes Leivas<br \/>\nProfa Dra. Neusa Mariza Leite Rodrigues Felix<br \/>\nProf. Dr.Renato Luiz Mello Varoto<br \/>\nProf. Ms. Valter Eliogabalos Azambuja<br \/>\nProf. Dr. Volmar Geraldo Nunes<br \/>\nProf. Dr.Wilson Marcelino Miranda<\/p>\n<p><strong>N\u00facleo de Documenta\u00e7\u00e3o Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Coordenadora: Prof\u00aa Dra. Beatriz Ana Loner<\/td>\n<td style=\"width: 50%;border-style: none;height: 864px\">\n<p><strong>Membros do NDH:<\/strong><\/p>\n<p>Prof. Dr. Adhemar Louren\u00e7o da Silva Jr.<br \/>\nProf\u00aa Dra. Beatriz Ana Loner<br \/>\nProf\u00aa Dra. Lorena Almeida Gill<br \/>\nProf. Ms. Mario Osorio Magalh\u00e3es<br \/>\nProf. Dr. Paulo Ricardo Pezat<\/p>\n<p>T\u00e9cnicos Administrativos:<br \/>\nPaulo Luiz Crizel Koschier<br \/>\nIvoni Fuentes Motta<\/p>\n<p><strong>Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais\u00a0<\/strong><br \/>\nCoordenadora: Profa. Dra. Beatriz Ana Loner<br \/>\nVice-Coordenadora: Profa. Dra. Maria Thereza da Rosa Ribeiro<\/p>\n<p><strong>Editores<\/strong><br \/>\nProf. Dra. Lorena Almeida Gill<br \/>\nProf. Dr. Paulo Ricardo Pezat<\/p>\n<p><strong>Editora\u00e7\u00e3o e Capa<\/strong><br \/>\nPaulo Luiz Crizel Koschier<\/p>\n<p><strong>Equipe de Trabalho<\/strong><br \/>\nDaiana Bonetto<br \/>\nF\u00e1bio Souza das Neves<br \/>\nJuliana Cabistany Marcello<\/p>\n<p><strong>Editora e Gr\u00e1fica Universit\u00e1ria<\/strong><br \/>\nR Lobo da Costa, 447 \u2013 Pelotas, RS \u2013 CEP 96010-150 |<br \/>\nFone\/fax:(53)3227 8411<br \/>\ne-mail: editora@ufpel.edu.brImpresso no Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: 2008<br \/>\nISSN \u2013 978-85-7192-384-3<br \/>\nTiragem: 260 exemplares<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"3388\" data-permalink=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/folelhos_positivistas\/ficha-catalografica-cd-positivista\/#main\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2022\/02\/ficha-catalografica-cd-positivista.png?fit=571%2C515&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"571,515\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"ficha catalogr\u00e1fica cd positivista\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2022\/02\/ficha-catalografica-cd-positivista.png?fit=353%2C318&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2022\/02\/ficha-catalografica-cd-positivista.png?fit=571%2C220&amp;ssl=1\" class=\"aligncenter wp-image-3388 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2022\/02\/ficha-catalografica-cd-positivista.png?resize=571%2C515&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"571\" height=\"515\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2022\/02\/ficha-catalografica-cd-positivista.png?w=571&amp;ssl=1 571w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2022\/02\/ficha-catalografica-cd-positivista.png?resize=353%2C318&amp;ssl=1 353w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2022\/02\/ficha-catalografica-cd-positivista.png?resize=176%2C159&amp;ssl=1 176w\" sizes=\"auto, (max-width: 571px) 100vw, 571px\" \/><\/p>\n<p><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong><strong>As publica\u00e7\u00f5es dos positivistas religiosos brasileiros sobre quest\u00f5es m\u00e9dico-sanit\u00e1rias (1885-1927)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Lorena Almeida Gill*<br \/>\nPaulo Ricardo Pezat**<\/p>\n<p><strong>O pensamento de Auguste Comte e os prim\u00f3rdios da difus\u00e3o do positivismo no Brasil.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Constitui\u00e7\u00e3o outorgada de 1824 nomeou expressamente a Igreja Cat\u00f3lica como representante da religi\u00e3o oficial do Imp\u00e9rio brasileiro &#8211; o cristianismo -, ratificando assim o regime do \u201cpadroado\u201d e a interpenetra\u00e7\u00e3o entre as estruturas do poder temporal e do poder espiritual. Com esta superposi\u00e7\u00e3o de atribui\u00e7\u00f5es entre o governo imperial e a Igreja Cat\u00f3lica, as resolu\u00e7\u00f5es do papado, para entrarem em vigor no Brasil oitocentista, necessitavam receber a chancela do Imperador, que, por sua vez, encarregava-se do sustento material do clero e das par\u00f3quias, nomeando ou destituindo os religiosos de acordo com seus interesses. A maior evid\u00eancia da miscigena\u00e7\u00e3o entre as duas estruturas de poder \u00e9 que ent\u00e3o n\u00e3o havia registro civil (de nascimento, casamento, etc), sendo v\u00e1lidos apenas os registros religiosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As institui\u00e7\u00f5es brasileiras de ensino superior, criadas tardiamente, apenas depois da vinda da fam\u00edlia real portuguesa para o Brasil, em 1808, acabaram refletindo tal rela\u00e7\u00e3o de imbrica\u00e7\u00e3o, sendo que boa parte de seus professores pertenciam ao clero cat\u00f3lico ou mantinham-se apegados \u00e0s antigas doutrinas teol\u00f3gicas. Deste modo, a renova\u00e7\u00e3o do ambiente intelectual brasileiro no s\u00e9culo XIX se deveu, em boa parte, aos jovens que foram realizar seus estudos na Europa, particularmente na Fran\u00e7a, na Inglaterra e na B\u00e9lgica, de onde importaram uma s\u00e9rie de id\u00e9ias que estavam em voga no velho continente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em busca de novos paradigmas que orientassem as transforma\u00e7\u00f5es que pretendiam implementar no pa\u00eds \u2013 que mantinha o regime de trabalho escravo e o sistema pol\u00edtico mon\u00e1rquico, al\u00e9m do regime do padroado \u2013, os jovens m\u00e9dicos, advogados, engenheiros, jornalistas e professores voltavam-se para a Europa, onde uma ampla variedade de teorias procurava estabelecer cientificamente as leis que presidiriam o progresso das na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dentre os te\u00f3ricos europeus que passaram a ser lidos pela comunidade acad\u00eamica brasileira nas \u00faltimas d\u00e9cadas do Imp\u00e9rio estavam Auguste Comte (1798-1857), \u00c9mile Littr\u00e9 (1801-1881), John Stuart Mill (1806-1873), Pierre-Guillaume Le Play (1806-1882), Charles Darwin (1809- 1882), Arthur de Gobineau (1816-1882), Herbert Spencer (1820-1903), Ernest Renan (1823-1892), Hippolyte Taine (1828-1893), Ernst Haeckel (1834-1919) e Gustave Le Bon (1841-1931). Referindo-se ao ambiente intelectual na Faculdade de Direito de Recife na d\u00e9cada de 1870, S\u00edlvio Romero mencionou que um bando de id\u00e9ias novas esvoa\u00e7ou sobre todos n\u00f3s de todos os pontos do horizonte: positivismo, evolucionismo, darwinismo, cr\u00edtica religiosa, naturalismo (\u2026)<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tais teorias chegavam ao Brasil envoltas em modismos, sendo assimiladas de forma desordenada, misturando-se autores e conceitos incompat\u00edveis entre si, o que refletia a imaturidade do ambiente intelectual do pa\u00eds naquele contexto hist\u00f3rico. As institui\u00e7\u00f5es brasileiras de ensino superior, nas quais aquelas id\u00e9ias cientificistas passaram a ser difundidas eram rarefeitas, resumindo-se, basicamente, \u00e0 Escola Polit\u00e9cnica do Rio de Janeiro, \u00e0 Escola Militar daquela mesma cidade, \u00e0 Escola de Minas de Ouro Preto, \u00e0 Faculdade de Direito de Recife, \u00e0 Academia de Direito de S\u00e3o Paulo, \u00e0 Faculdade de Medicina de Salvador e \u00e0 Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No tocante ao positivismo, em particular, o sucesso de sua difus\u00e3o no Brasil deveu-se, em boa parte, ao seu car\u00e1ter simultaneamente moderado e modernizante, consubstanciado na m\u00e1xima comtiana \u201cConservar, melhorando\u201d. Deste modo, tal sistema de id\u00e9ias era bastante atrativo aos jovens bem nascidos que pretendiam promover transforma\u00e7\u00f5es no pa\u00eds, pondo fim ao escravismo, implantando o regime pol\u00edtico republicano e promovendo a laiciza\u00e7\u00e3o do Estado, isso tudo, no entanto, sem p\u00f4r em risco a ascend\u00eancia pol\u00edtica e econ\u00f4mica que seus pais tinham dentro da estrutura do Imp\u00e9rio e que eles mesmos pretendiam manter no \u00e2mbito do novo sistema pol\u00edtico que seria implantado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No que concerne ao pensamento de Auguste Comte, inicialmente o positivismo foi difundido no Brasil de maneira dilu\u00edda, distante do aspecto ortodoxo que assumiria posteriormente. Em linhas gerais, o positivismo pode ser definido como uma corrente de pensamento que prima pela defesa da raz\u00e3o e da ci\u00eancia como instrumentos para explicar os mais variados aspectos da realidade. Comte formulou sua filosofia da hist\u00f3ria baseando-se na id\u00e9ia de que, no seu devir hist\u00f3rico, a humanidade deve passar necessariamente por tr\u00eas est\u00e1gios de desenvolvimento intelectual \u2013 o teol\u00f3gico, o metaf\u00edsico e o positivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No seu entender, desde as origens da humanidade at\u00e9 o final da Idade M\u00e9dia prevaleceram as concep\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas (que se subdividiriam em cren\u00e7as fetichistas, polite\u00edstas e monote\u00edstas), sendo que estas entraram em crise com a reforma protestante, quando houve a fragmenta\u00e7\u00e3o da cristandade ocidental, o que caracterizaria o in\u00edcio do predom\u00ednio de no\u00e7\u00f5es metaf\u00edsicas, percebidas por Comte como essencialmente cr\u00edticas e negativas. Deste modo, a metaf\u00edsica seria apenas uma etapa intermedi\u00e1ria entre o teologismo inicial (em suas diversas formas) e a ascens\u00e3o do positivismo, que seria o terceiro e \u00faltimo est\u00e1gio do desenvolvimento intelectual da humanidade. Para Comte, a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa indicaria o \u00e1pice da anarquia decorrente do conflito envolvendo as antigas doutrinas teol\u00f3gicas, as id\u00e9ias metaf\u00edsicas e as concep\u00e7\u00f5es positivas, calcadas na observa\u00e7\u00e3o e na raz\u00e3o. Tal teoria recebeu de Comte o nome de \u201clei dos tr\u00eas estados\u201d, base sobre a qual o fil\u00f3sofo franc\u00eas edificou sua filosofia da hist\u00f3ria e sua concep\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es cerebrais humanas<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em um segundo momento, Comte elaborou um projeto pol\u00edtico apoiado em sua filosofia da hist\u00f3ria, propondo a ado\u00e7\u00e3o de um modelo pol\u00edtico republicano, que seria mais adequado ao \u201cestado positivo\u201d em que a humanidade estaria ingressando em decorr\u00eancia do desenvolvimento cient\u00edfico, contrapondo-se \u00e0 monarquia, forma de governo pr\u00f3pria do est\u00e1gio teol\u00f3gico, e, mais especificamente, do est\u00e1gio metaf\u00edsico. Para consolidar o novo regime pol\u00edtico, Comte prop\u00f4s a ado\u00e7\u00e3o de uma ditadura republicana como forma de evitar a \u201cretrograda\u00e7\u00e3o\u201d ao modelo pol\u00edtico anterior.<sup>3<\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Embora tenha esbo\u00e7ado uma \u201cmoral cient\u00edfica\u201d ainda em seus escritos da juventude, foi apenas na maturidade que Comte se prop\u00f4s a criar uma \u201creligi\u00e3o cient\u00edfica\u201d, para o que foi fundamental o seu conv\u00edvio no \u201cano sem par\u201d, entre 1845 e 1846, com Clotilde de Vaux, sua musa inspiradora<sup>4<\/sup>. Tal heterogeneidade do pensamento de Comte se refletiu entre seus seguidores na Europa. De fato, ainda antes de sua morte, ocorrida em 1857, j\u00e1 existia uma clara divis\u00e3o entre os adeptos de seu pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De um lado, havia uma ampla maioria que aceitava o positivismo enquanto m\u00e9todo cient\u00edfico e enquanto doutrina de culto \u00e0 raz\u00e3o e \u00e0 ci\u00eancia. Um n\u00famero menor de adeptos aceitava, al\u00e9m deste aspecto, tamb\u00e9m o projeto pol\u00edtico de estabelecimento de uma ditadura republicana. Finalmente, um reduzido n\u00famero de seguidores vivenciava o positivismo em sua totalidade, ou seja, enquanto m\u00e9todo cient\u00edfico, enquanto projeto pol\u00edtico e enquanto doutrina religiosa. Por\u00e9m, mesmo entre estes \u00faltimos existiam divis\u00f5es, como se ver\u00e1 mais adiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dentre os precursores da difus\u00e3o do positivismo no Brasil deve-se, necessariamente, referir os nomes de Lu\u00eds Pereira Barreto e de Benjamin Constant Botelho de Magalh\u00e3es. Pereira Barreto formou-se em Medicina pela Universidade de Bruxelas, posteriormente desenvolvendo sua atividade profissional em S\u00e3o Paulo. Ele pode ser considerado um adepto do positivismo cient\u00edfico, como se percebe em diversas de suas obras, como em As tr\u00eas filosofias (1874) <sup>5<\/sup>. De outra parte, Benjamin Constant, formado em engenharia pela Escola Militar do Rio de Janeiro, onde posteriormente lecionou na condi\u00e7\u00e3o de oficial do Ex\u00e9rcito, pode ser considerado o primeiro positivista ortodoxo brasileiro, visto que deixou expl\u00edcita sua ades\u00e3o ao positivismo religioso.<sup>6<\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">At\u00e9 o princ\u00edpio da d\u00e9cada de 1870, a divulga\u00e7\u00e3o do pensamento de Comte no Brasil ocorria de forma irregular, dependendo de esfor\u00e7os individuais. Este quadro alterou-se com a cria\u00e7\u00e3o, em 1\u00ba de abril de 1876, no Rio de Janeiro, da Sociedade Positivista, institui\u00e7\u00e3o heterog\u00eanea, agregando pessoas que se confessavam positivistas em graus diversos, alguns aceitando apenas a parte cient\u00edfica da doutrina, outros indo al\u00e9m e absorvendo tamb\u00e9m seu aspecto pol\u00edtico, enquanto que alguns poucos aceitavam integralmente a obra de Comte, inclusive a parte final, onde o pensador franc\u00eas concebeu a Religi\u00e3o da Humanidade. Esta agremia\u00e7\u00e3o propunha-se a organizar uma biblioteca positivista, segundo as indica\u00e7\u00f5es de Auguste Comte, e a promover cursos cient\u00edficos. Seus fundadores foram Benjamin Constant, \u00c1lvaro Joaquim de Oliveira, Joaquim Ribeiro de Mendon\u00e7a, Antonio Carlos de Oliveira Guimar\u00e3es, Oscar de Ara\u00fajo, Miguel Lemos e Raymundo Teixeira Mendes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por esta \u00e9poca, Miguel Lemos<sup>7<\/sup> e Teixeira Mendes<sup>8<\/sup> rejeitavam a vertente religiosa do pensamento de Comte, de cuja obra conheciam apenas o Cours de philosophie positive (1830\/42) e as considera\u00e7\u00f5es feitas por \u00c9mile Littr\u00e9, principal lideran\u00e7a do positivismo cient\u00edfico de ent\u00e3o e que considerava a Religion de l\u00b4Humanit\u00e9 como obra de um insano. Estudantes da Escola Polit\u00e9cnica do Rio de Janeiro, Miguel Lemos e Teixeira Mendes tiveram suas matr\u00edculas canceladas em fun\u00e7\u00e3o de problemas pol\u00edticos e disciplinares, decidindo-se ambos a seguir para Paris, visando retomar seus estudos na mesma Escola Polit\u00e9cnica em que Auguste Comte havia estudado e trabalhado algumas d\u00e9cadas antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Chegando em Paris em fins de 1877, Miguel Lemos e Teixeira Mendes aproximaram-se de \u00c9mile Littr\u00e9. Em 1878 Teixeira Mendes retornou ao Brasil, na expectativa de ser readmitido na Escola Polit\u00e9cnica do Rio de Janeiro. Continuando em Paris, Miguel Lemos desiludiu-se com Littr\u00e9, a quem considerou um erudito est\u00e9ril. Miguel Lemos aproximou-se ent\u00e3o de Pierre Laffitte, um dos treze testamenteiros nomeados por Comte para que tivesse continuidade a prega\u00e7\u00e3o do positivismo religioso ap\u00f3s sua morte. Ainda em 1878, Miguel Lemos converteu-se \u00e0 Religion de l\u2019Humanit\u00e9, aceitando a dire\u00e7\u00e3o espiritual de Laffitte. Naquele mesmo ano ocorreu a morte de Oliveira Guimar\u00e3es, presidente da Sociedade Positivista fundada dois anos antes. Ent\u00e3o, os demais membros resolveram fundar, em 5 de setembro de 1878 (data em que se comemorava o 21\u00ba anivers\u00e1rio da morte de Comte), a Sociedade Positivista do Rio de Janeiro, de car\u00e1ter francamente religioso e filiada \u00e0 dire\u00e7\u00e3o espiritual de Laffitte, sendo escolhido para seu presidente o Dr. Joaquim Ribeiro de Mendon\u00e7a. Por carta enviada de Paris, Miguel Lemos aderiu a esta sociedade no princ\u00edpio de 1879.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enquanto Miguel Lemos desenvolvia atividades em Paris, em abril de 1880 os membros da Sociedade Positivista do Rio de Janeiro inauguraram a exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica da Religi\u00e3o da Humanidade segundo o Catecismo Positivista de Comte, realizadas inicialmente na escola do Clube Republicano de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o. Em fevereiro de 1881 Miguel Lemos chegou ao Rio de Janeiro vindo de Paris, onde alguns meses antes recebera de Pierre Laffitte o t\u00edtulo de \u201caspirante ao sacerd\u00f3cio da Humanidade\u201d e realizara juramento junto ao t\u00famulo de Auguste Comte (no Cemit\u00e9rio de P\u00e9re Lachaise) no sentido de consagrar sua vida \u00e0 regenera\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 11 de maio de 1881 realizou-se uma reuni\u00e3o na casa do Dr. Joaquim Ribeiro de Mendon\u00e7a, presidente da Sociedade Positivista do Rio de Janeiro, ocasi\u00e3o em que este passou a dire\u00e7\u00e3o daquela institui\u00e7\u00e3o a Miguel Lemos, contando para isso com a autoriza\u00e7\u00e3o de Pierre Laffitte, a cuja dire\u00e7\u00e3o se filiavam. Tal data assinala a funda\u00e7\u00e3o da Igreja e Apostolado Positivista do Brasil, institui\u00e7\u00e3o que desenvolveu a mais duradoura e radical experi\u00eancia, em \u00e2mbito mundial, de divulga\u00e7\u00e3o da Religi\u00e3o da Humanidade, fundada por Auguste Comte sob a inspira\u00e7\u00e3o de Clotilde de Vaux. Poucos anos ap\u00f3s, em 1884, ocorreu a ruptura entre Miguel Lemos, l\u00edder dos positivistas religiosos brasileiros, e Pierre Laffitte, l\u00edder dos adeptos da Religion de l\u2019Humanit\u00e9 na Fran\u00e7a, motivada pela recusa de Laffitte em criticar publicamente a Ribeiro de Mendon\u00e7a pelo fato deste possuir escravos, em desacordo com princ\u00edpios elementares do pensamento de Auguste Comte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A partir de ent\u00e3o, em um movimento liderado por Miguel Lemos e por Teixeira Mendes, a Igreja e Apostolado Positivista do Brasil iniciou uma luta pela conquista da hegemonia sobre a propaganda do positivismo no pa\u00eds, tecendo cr\u00edticas e desautorizando a todos aqueles que n\u00e3o reconhecessem a primazia da institui\u00e7\u00e3o. A digitaliza\u00e7\u00e3o das publica\u00e7\u00f5es dos positivistas religiosos brasileiros Entre as duas \u00faltimas d\u00e9cadas do Imp\u00e9rio e o final da Rep\u00fablica Velha, a Igreja e Apostolado Positivista do Brasil desenvolveram uma intensa atividade editorial, publicando mais de quinhentos t\u00edtulos e intervindo em todos os debates p\u00fablicos ocorridos no pa\u00eds e no mundo, como os que se referiam \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, \u00e0s rela\u00e7\u00f5es do Brasil com seus pa\u00edses lim\u00edtrofes, \u00e0 quest\u00e3o educacional, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas no pa\u00eds, \u00e0 ortografia da l\u00edngua portuguesa, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da mulher na sociedade contempor\u00e2nea, ao imperialismo dos pa\u00edses europeus, \u00e0 Primeira Guerra Mundial, dentre in\u00fameros outros, sempre procurando adequar os ensinamentos do criador da filosofia positivista ao contexto hist\u00f3rico vivenciado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Hoje tais publica\u00e7\u00f5es s\u00e3o bastante raras e, geralmente, encontram-se afetadas pela a\u00e7\u00e3o do tempo, que provocou o ressecamento do papel, tornando-o bastante quebradi\u00e7o. Neste sentido, o trabalho de digitaliza\u00e7\u00e3o de tais folhetos torna-se importante para a preserva\u00e7\u00e3o dos originais em rela\u00e7\u00e3o ao manuseio constante e para fomentar a realiza\u00e7\u00e3o de novas pesquisas sobre o papel fundamental desempenhado pelos positivistas ortodoxos brasileiros no estabelecimento das bases do regime republicano no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os originais digitalizados foram localizados na Capela Positivista de Porto Alegre durante pesquisa para a elabora\u00e7\u00e3o de disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, gerando paralelamente um trabalho de organiza\u00e7\u00e3o de seu acervo bibliogr\u00e1fico, documental e iconogr\u00e1fico (LEAL &amp; PEZAT, 1996). Deste trabalho de digitaliza\u00e7\u00e3o do acervo de publica\u00e7\u00f5es positivistas<sup>9<\/sup>, anteriormente foi disponibilizado um outro conjunto documental. Em 2007 foi publicado o livro O positivismo: teoria e pr\u00e1tica, organizado por H\u00e9lgio Trindade, do qual consta em anexo um DVD contendo um conjunto de 41 folhetos publicados entre 1881 e 1913, as Circulares da Igreja e Apostolado Positivista do Brasil, tanto em portugu\u00eas como em franc\u00eas, al\u00e9m de dois document\u00e1rios (um filmado no Brasil e outro na Fran\u00e7a) sobre o positivismo (TRINDADE, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os positivistas religiosos e a quest\u00e3o m\u00e9dico-sanit\u00e1ria Os folhetos que o leitor ter\u00e1 a possibilidade de conhecer foram escritos, em sua maioria, pelos ap\u00f3stolos Miguel Lemos e Teixeira Mendes, respectivamente o diretor e o vice-diretor da Igreja Positivista do Brasil, secundados pelo m\u00e9dico militar Joaquim Bagueira Leal, cujos escritos vinculam-se, na maior parte das vezes, ao que chamava de despotismo sanit\u00e1rio e tamb\u00e9m ao livre exerc\u00edcio da Medicina. H\u00e1 dois casos de artigos traduzidos: o primeiro do Dr. J. F. Robinet, intitulado \u201cOs Cemit\u00e9rios ser\u00e3o foco de infec\u00e7\u00e3o?\u201d, cuja vers\u00e3o para o portugu\u00eas foi feita por Miguel Lemos em 1893, e o segundo chamado \u201cA Vacina\u00e7\u00e3o Obrigat\u00f3ria\u201d, de Mikha\u00ebl Suni, extra\u00eddo da Nouvelle Revue de Paris, em 1903, e traduzido por Bagueira Leal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os 42 folhetos reunidos neste CD foram originalmente publicados entre 1885 e 1927. Versando sobre diversos assuntos, os folhetos giram em torno de quest\u00f5es m\u00e9dico-sanit\u00e1rias, tais como a Revolta da Vacina, o uso de animais em experimentos cient\u00edficos, o vegetarianismo, a situa\u00e7\u00e3o desfrutada pela corpora\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Com a finalidade de apresentar o eixo central das discuss\u00f5es, ser\u00e3o abordados tr\u00eas assuntos, pela recorr\u00eancia com que aparecem na maioria desses escritos positivistas: a vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, as pr\u00e1ticas m\u00e9dicas e a vivisse\u00e7\u00e3o de animais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos primeiros anos do s\u00e9culo XX, o Brasil apresentava um alto \u00edndice de mortalidade, causado pela prolifera\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias doen\u00e7as, como a tuberculose, o tifo e a hansen\u00edase. Havia tamb\u00e9m as epidemias de peste bub\u00f4nica, febre amarela e var\u00edola, as quais faziam com que se efetivasse um amplo debate na imprensa sobre as melhores alternativas para mudar o estado de calamidade na sa\u00fade. Os jornais enfatizavam a necessidade de a\u00e7\u00f5es pontuais, tomadas no sentido de diminuir o n\u00famero de mortes e n\u00e3o de reverter as condi\u00e7\u00f5es de pen\u00faria vivenciadas pela maioria da popula\u00e7\u00e3o. Estas pr\u00e1ticas seriam a desinfec\u00e7\u00e3o de casas, o isolamento dos doentes, a abertura de pavilh\u00f5es espec\u00edficos para o tratamento das doen\u00e7as contagiosas, a exist\u00eancia de redes de esgotos e abastecimento de \u00e1gua e a vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os positivistas religiosos se mostravam avessos a v\u00e1rias dessas a\u00e7\u00f5es pontuais, especialmente aquelas que iam contra a liberdade individual, t\u00e3o cara a eles, como as desinfec\u00e7\u00f5es obrigat\u00f3rias, o isolamento for\u00e7ado, as quarentenas e a notifica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria das mol\u00e9stias. A decis\u00e3o de tornar a vacina contra a var\u00edola obrigat\u00f3ria no pa\u00eds foi considerada como uma tirania higi\u00eanica e acad\u00eamica. Os textos positivistas apontam v\u00e1rios acidentes que ocorriam quando as vacinas eram ministradas, levando, muitas vezes, uma pessoa s\u00e3 \u00e0 morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No folheto 217, \u201cA vacina e sua obrigatoriedade\u201d, escrito por Miguel Lemos em 1903, s\u00e3o listados alguns problemas advindos dessa pr\u00e1tica, tais como abcessos, convuls\u00f5es, contra\u00e7\u00e3o permanente de m\u00fasculos do bra\u00e7o, diarr\u00e9ia, epilepsia, hemorragia, edema dos pulm\u00f5es, septicemia, t\u00e9tano, \u00falceras profundas. A vacina levaria a uma debilidade corporal, o que faria com que houvesse a predisposi\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a. Nesse sentido, relacionam a vacina a um dos principais fatores para o desencadeamento da tuberculose, por exemplo.<sup>10<\/sup> O ato de vacinar iria contra a liberdade civil e espiritual dos cidad\u00e3os, o que n\u00e3o poderia ser permitido em uma verdadeira Rep\u00fablica. \u201cA vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria \u00e9 mais que um atentado a tudo que devemos respeitar: \u00e9 um erro\u201d (Folheto 214, ano de 1903, p\u00e1gina 16). Embora a maior parte dos folhetos sobre o tema tenha sido escrita antes de 1904, ano em que ocorreu a Revolta da Vacina<sup>11<\/sup> (Folhetos 213, 214, 217, 222, 223 e 224), o tema sempre foi tratado como tendo uma grande import\u00e2ncia, assim os artigos continuam abordando o assunto ao longo dos anos (exemplos seriam os folhetos de n\u00fameros 259 e 264, de 1908, al\u00e9m do n\u00famero 319, de 1911).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tendo em vista este amplo engajamento dos positivistas religiosos brasileiros durante a Rep\u00fablica Velha no sentido de combaterem a vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, n\u00e3o deixa de ser ir\u00f4nico o fato de que atualmente a sede da Igreja Positivista do Brasil, no Rio de Janeiro, sirva de posto de vacina\u00e7\u00e3o durante as campanhas promovidas pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, como evidencia uma das imagens que constam da galeria de fotografias presente neste CD.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um outro assunto que merece destaque \u00e9 a pr\u00e1tica m\u00e9dica. Segundo Rejane Carrion \u201c[&#8230;] o lugar da Medicina no pensamento de Comte n\u00e3o \u00e9 o de uma ci\u00eancia fundamental\u201d<sup>12<\/sup>, cabendo \u00e0 Biologia este papel. O fil\u00f3sofo chega mesmo a duvidar da capacidade te\u00f3rica dos m\u00e9dicos, dizendo que estes n\u00e3o conseguiam perceber o indiv\u00edduo em toda a sua ess\u00eancia, mas, antes, apenas como um corpo. \u201cO bem da sociedade exige que desapare\u00e7a essa classe de m\u00e9dicos que procuram cuidar do corpo desprezando a alma, sem possu\u00edrem ao menos uma doutrina positiva da natureza humana\u201d (Folheto 47, ano de 1899, p. 28). Para a autora: \u201cDois fatores influem desfavoravelmente sobre os m\u00e9dicos [&#8230;]: o exerc\u00edcio privado de uma fun\u00e7\u00e3o que deveria ser p\u00fablica, e uma prepara\u00e7\u00e3o irracional, que os predisp\u00f5e ao materialismo\u201d<sup>13<\/sup>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A cr\u00edtica \u00e0 quest\u00e3o dos honor\u00e1rios de um m\u00e9dico aparece em v\u00e1rios folhetos, como o de n\u00famero 214, de 1903, p. 4, o qual diz: \u201cN\u00e3o se poderia negar que os nossos doutores tendem a tornar-se, em nome de uma miser\u00e1vel ci\u00eancia e a pretexto de higiene e preserva\u00e7\u00e3o social, os senhores absolutos de nossas pessoas, os ministros de uma verdadeira teocracia, imitada da antiga, \u00e0 qual teremos de nos submeter, corpo e bens\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dentre os positivistas ortodoxos, o m\u00e9dico militar Bagueira Leal foi o mais enf\u00e1tico na defesa do livre exerc\u00edcio da Medicina. Segundo ele, seu argumento baseava-se na Constitui\u00e7\u00e3o Republicana de 24 de fevereiro de 1891, que em seu artigo 72, par\u00e1grafo 24, enunciava: \u201c\u00c9 permitido o livre exerc\u00edcio de qualquer profiss\u00e3o moral, intelectual e industrial\u201d. Esse n\u00e3o era, entretanto, o entendimento dos opositores do positivismo, que afirmavam que o texto da Constitui\u00e7\u00e3o apenas abordava \u2013 em seu aspecto mais amplo \u2013 a possibilidade de qualquer pessoa adotar o modo l\u00edcito de vida que lhe conviesse para o seu sustento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Trabalhando com a m\u00e1xima prevista na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, os positivistas ortodoxos criticavam o \u201cmedicalismo\u201d da sociedade, que proporcionaria um monop\u00f3lio na arte de curar a alguns poucos privilegiados: \u201cA primeira conseq\u00fc\u00eancia do privil\u00e9gio \u00e9 armar certa classe de indiv\u00edduos com meios de oprimir os seus concidad\u00e3os, porque coloca a estes na alternativa de ficarem ao desamparo ou de aceitarem os cuidados de um membro qualquer dessa classe, ainda quando prefiram entregar-se a qualquer outra pessoa em cuja pr\u00e1tica confiam\u201d (Folheto 47, ano de 1899, p. 9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No mesmo folheto, p. 19, \u00e9 usada uma frase do Dr. Robinet que buscava desconstituir o poder da corpora\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. \u201cN\u00e3o h\u00e1 curandeiro que n\u00e3o possa contar boas curas; n\u00e3o h\u00e1 um doutor, por mais ilustre que seja, que n\u00e3o tenha de confessar cru\u00e9is revezes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Baseados no princ\u00edpio da liberdade individual insistiam que um doente poderia procurar um m\u00e9dico ou qualquer outro curador, at\u00e9 mesmo porque a maioria dos m\u00e9dicos oficiais n\u00e3o tinha interesse em atender em lugarejos do interior, assim como em \u00e1reas rurais e suburbanas. Os positivistas religiosos muitas vezes tratavam os outros curadores como \u201cm\u00e9dicos espont\u00e2neos\u201d e n\u00e3o como charlat\u00e3es ou curandeiros, como eram facilmente denominados pela imprensa di\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o comuns as defesas de curadores sem forma\u00e7\u00e3o espec\u00edficas, como no caso das senhoras chinesas que atuavam no Brasil, cuidando das mol\u00e9stias dos olhos. Neste caso criticam a viol\u00eancia \u00e0s quais as senhoras estavam sendo v\u00edtimas no Rio de Janeiro, capital da Rep\u00fablica, e que por isso deveria ser modelo para outras regi\u00f5es. Defendem que, exercendo ou n\u00e3o com compet\u00eancia a atividade que escolheram, as chinesas \u201ca exercitam \u00e0s claras, sem fazer m\u00ednima viol\u00eancia a ningu\u00e9m\u201d. Dessa forma, quando algu\u00e9m imagina que pode ser curado e as procura, assim o faz porque tem e deve ter liberdade para isso, garantida por documento legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Algumas quest\u00f5es chamam a aten\u00e7\u00e3o na discuss\u00e3o, como o fato dos positivistas destacarem a pudic\u00edcia e a delicadeza feminina, que deveriam ser respeitadas, n\u00e3o s\u00f3 pela pol\u00edcia, mas por toda a sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aqui cabe um par\u00eantese para dizer da import\u00e2ncia das mulheres para os positivistas, pois al\u00e9m de serem consideradas como os anjos protetores dos homens, eram a salvaguarda moral da esp\u00e9cie.<sup>14 <\/sup>De outra parte, os positivistas demonstram a situa\u00e7\u00e3o de debilidade em que as chinesas se encontravam por n\u00e3o conhecerem nem mesmo a l\u00edngua do pa\u00eds e por isso n\u00e3o terem a possibilidade de uma defesa efetiva diante dos abusos da autoridade. Chamam a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que se algum erro de tratamento fosse cometido, isso poderia acontecer em qualquer outra situa\u00e7\u00e3o, mesmo com os chamados m\u00e9dicos oficiais, pois um mesmo quadro cl\u00ednico pode suscitar uma diversidade de opini\u00f5es, e que o melhor m\u00e9todo de verificar se s\u00e3o\u00a0 eficazes as descobertas anunciadas por elas \u00e9 justamente deix\u00e1-las atuar livremente. Revelam ainda que \u201cfalhar\u00edamos aos nossos deveres se n\u00e3o vi\u00e9ssemos dirigir este apelo ao p\u00fablico e ao Presidente da Rep\u00fablica solicitando a sua interven\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 para que seja escrupulosamente garantida a liberdade profissional, mas tamb\u00e9m para que seja reparada, tanto quanto poss\u00edvel, a afronta feita a duas Senhoras indefesas e \u00e0 Sociedade\u201d (Folheto 345, ano de 1912, p. 9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na parte final do artigo foram apresentadas explica\u00e7\u00f5es oferecidas pelos Drs. Jos\u00e9 Francisco de Cunha Cruz e Henrique Rodrigues Ca\u00e9, do Servi\u00e7o M\u00e9dico Legal do Distrito Federal, os quais relataram que n\u00e3o havia sido cometida nenhuma viol\u00eancia contra as curadoras. Tais argumentos foram aceitos por Teixeira Mendes, embora este tenha criticado o fato das senhoras terem sido convidadas a comparecer na pol\u00edcia, a fim de que fossem examinados os processos de tratamento adotados por elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O debate foi bastante conveniente para a propaganda positivista, uma vez que in\u00fameros artigos sobre as senhoras chinesas foram publicados pela imprensa em todo o Brasil. Dessa forma, no referido folheto, que foi bastante divulgado, consta tamb\u00e9m que havia confer\u00eancias p\u00fablicas todos os domingos ao meio-dia no Templo Positivista do Rio de Janeiro, explicando o Catecismo de Augusto Comte e suas concep\u00e7\u00f5es posteriores, al\u00e9m de aparecer um calend\u00e1rio com as comemora\u00e7\u00f5es mais importantes para o grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O \u00faltimo assunto a ser tratado \u00e9 a vivisse\u00e7\u00e3o de animais. A decis\u00e3o de debater a quest\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1 pelo n\u00famero de folhetos que enfocam o tema, mas pela atualidade deste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os positivistas condenavam as vivisse\u00e7\u00f5es e as experi\u00eancias com animais, baseados na teoria de Augusto Comte, para quem o homem n\u00e3o diferia de outros animais, sen\u00e3o por ter algumas de suas faculdades mais desenvolvidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Comte chamava os animais de \u201cministros inferiores da Humanidade\u201d, afirmando que \u201cser\u00e3o tratados pela moral positiva de conformidade com os mesmos princ\u00edpios por que s\u00e3o tratados os \u00f3rg\u00e3os principais, apreciando sempre al\u00e9m do of\u00edcio efetivo, o valor pr\u00f3prio, f\u00edsico, intelectual e, sobretudo, afetivo\u201d (Pol\u00edtica Positiva, I, p. 615, citado no Folheto 212, do ano de 1902, p. 6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para Bagueira Leal, autor do artigo, \u201cas vivisse\u00e7\u00f5es constituem o mais complexo exerc\u00edcio do instinto destruidor. Para sentir todo o alcance desta considera\u00e7\u00e3o, conv\u00e9m recordar que se desenvolve a crueldade, a indiferen\u00e7a pelos sentimentos e pela vida de outrem, justamente nas pessoas cuja profiss\u00e3o exige mais bondade e cujo destino \u00e9 aliviar os sofrimentos e conservar as vidas\u201d (Idem, p. 7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 importante frisar, no entanto, que a cr\u00edtica n\u00e3o se d\u00e1 apenas pelo aspecto moral, mas tamb\u00e9m pelo aspecto intelectual, \u201cem virtude da impossibilidade de instituir em biologia uma verdadeira experi\u00eancia, isto \u00e9, uma compara\u00e7\u00e3o entre dois casos que s\u00f3 diferir\u00e3o pelo fen\u00f4meno que se quer estudar\u201d (Idem, p. 8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vinculado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o aos animais, h\u00e1 a defesa do vegetarianismo. Em alguns folhetos aparece o esfor\u00e7o de movimentos criados na Europa e nos Estados Unidos em defesa da aboli\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas abusivas com rela\u00e7\u00e3o aos animais, o que inclui a maneira como alguns destes seriam mortos para o consumo humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos escritos positivistas, o que poderia parecer uma contradi\u00e7\u00e3o revela-se como uma livre iniciativa de disc\u00edpulos. \u00c9 que como Comte defendia uma alimenta\u00e7\u00e3o carn\u00edvora, seus seguidores, adeptos do vegetarianismo, concluem que ele se submetia \u00e0 carne \u201ccom viol\u00eancia inequ\u00edvoca dos seus sentimentos\u201d (Idem, p. 5) e que se tivesse vivido mais tempo, de modo a estudar melhor a quest\u00e3o, provavelmente se juntaria aos mais pr\u00f3ximos, defensores de uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel. O debate sobre a vivisse\u00e7\u00e3o foi impulsionado recentemente no Brasil depois que um estudante de Biologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul obteve na justi\u00e7a o direito de participar de aulas pr\u00e1ticas sem a utiliza\u00e7\u00e3o de animais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Atualmente duas posi\u00e7\u00f5es sobre a vivisse\u00e7\u00e3o polarizam o cen\u00e1rio mundial: a primeira aposta em regulamenta\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s de c\u00f3digos de \u00e9tica que proporcionariam um maior cuidado no uso de animais para experi\u00eancias; a segunda luta pela total aboli\u00e7\u00e3o, buscando maneiras alternativas de estudos de natureza anat\u00f4mica e fisiol\u00f3gica. Embora esta discuss\u00e3o n\u00e3o esteja terminada, as Universidades t\u00eam procurado alterar suas condutas no que diz respeito \u00e0s aulas pr\u00e1ticas com animais. Of\u00edcio enviado pela Pr\u00f3-Reitoria de Gradua\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Pelotas aos coordenadores de curso, no dia 16 de julho de 2008, por exemplo, informa que est\u00e1 suspensa a vivisse\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da UFPel, evidenciando a exist\u00eancia de recursos<br \/>\nalternativos que podem substituir tais pr\u00e1ticas, como filmes interativos, simula\u00e7\u00e3o computadorizada, estudos in vitro e assim por diante. Tal of\u00edcio ressalta o artigo 225, par\u00e1grafo 1\u00ba, se\u00e7\u00e3o VII, que veda pr\u00e1ticas que submetam animais \u00e0 crueldade e a Lei n\u00ba 9605\/98, artigo 32, par\u00e1grafo, 1\u00ba, que incrimina aqueles que realizam experi\u00eancias dolorosas ou cru\u00e9is em animais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desse modo, convidamos a todos para uma leitura atenta do material, que, embora datado, tem uma grande atualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Algumas vezes, quando nos deixamos mergulhar na leitura, \u00e9 como se n\u00e3o estiv\u00e9ssemos no s\u00e9culo XIX ou no in\u00edcio do XX. Em nossos dias, nos deparamos freq\u00fcentemente com governos que quebram preceitos legais existentes, verificamos a for\u00e7a de algumas categorias profissionais em detrimento de outras, percebemos as mudan\u00e7as que ocorreram com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s chamadas \u201cfun\u00e7\u00f5es sociais\u201d da mulher, pensamos em alternativas para nos relacionar com outros seres vivos, enfim, encontramos temas que, al\u00e9m de hist\u00f3ricos, s\u00e3o bastante presentes.<\/p>\n<p>A todos, portanto, um bom uso do material de pesquisa agora organizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Notas<br \/>\n<\/strong><br \/>\n* Doutora em Hist\u00f3ria pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul. Professora do Departamento de Hist\u00f3ria e Antropologia e do Mestrado em Ci\u00eancias Sociais da Universidade Federal de Pelotas.<br \/>\n** Doutor em Hist\u00f3ria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professor do Departamento de Hist\u00f3ria e Antropologia e do Mestrado em Mem\u00f3ria Social e Patrim\u00f4nio Cultural da Universidade Federal de Pelotas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1. Apud. SCHWARCZ, Lilia Moritz. O espet\u00e1culo das ra\u00e7as &#8211; cientistas, institui\u00e7\u00f5es e quest\u00e3o racial no Brasil (1870-1930). S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 148.<br \/>\n2. COMTE, Auguste. \u201cPlano dos trabalhos cient\u00edficos necess\u00e1rios para reorganizar a sociedade\u201d. In:. Op\u00fasculos de filosofia s\u00f3cia (1819-1828). Porto Alegre\/S\u00e3o Paulo: Editora Globo\/Editora da USP, 1972 (tradu\u00e7\u00e3o de Ivan Lins).<br \/>\n3. COMTE, Auguste. Apelo aos conservadores. Rio de Janeiro: Igreja e Apostolado Pozitivista do Brazil, 1899 (tradu\u00e7\u00e3o de Miguel Lemos).<br \/>\n4. COMTE, Auguste. Catecismo Pozitivista &#8211; ou sum\u00e1ria espozi\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o universal. 4\u00aa ed. Rio de Janeiro: Apostolado Pozitivista do Brazil, 1934 (tradu\u00e7\u00e3o de Miguel Lemos).<br \/>\n5. ALONSO, \u00c2ngela. Positivismo: uso t\u00f3pico &#8211; O projeto civilizat\u00f3rio de Luis Pereira Barreto. S\u00e3o Paulo: PPG em Sociologia \/ USP, 1995 (disserta\u00e7\u00e3o de mestrado).<br \/>\n6. LEMOS, Renato. Benjamin Constant: vida e hist\u00f3ria. Rio de Janeiro: Topbooks, 2004.<br \/>\n7. Miguel Lemos nasceu em Niter\u00f3i, em 25 de novembro de 1854, filho de um tenente da Armada. Passando a inf\u00e2ncia em Montevid\u00e9u (onde a fam\u00edlia de sua m\u00e3e residia), retornou ao Brasil na adolesc\u00eancia, j\u00e1 convertido ao republicanismo. Ingressou na Escola Polit\u00e9cnica em 1873, l\u00e1 realizando as primeiras leituras da obra de Comte e recebendo os ensinamentos de Benjamin Constant, seu professor de matem\u00e1tica, que influenciou em sua ades\u00e3o ao positivismo (rejeitando, nesta \u00e9poca, sua vertente religiosa). Desligado daquela institui\u00e7\u00e3o de ensino em fins de 1876, devido a um conflito com seu diretor, o Visconde de Rio Branco, Miguel Lemos partiu para Paris, onde aceitou a Religi\u00e3o da Humanidade e a lideran\u00e7a de Pierre Laffitte. Ao criar a Igreja e Apostolado Positivista do Brasil, em 1881, contava com 26 anos.<br \/>\n8. Raymundo Teixeira Mendes nasceu em Caxias, no Maranh\u00e3o, em 5 de janeiro de 1855, filho de um engenheiro formado pela Escola Polit\u00e9cnica de Paris, sendo sua m\u00e3e uma cat\u00f3lica fervorosa. Em 1867, Teixeira Mendes foi para o Rio de Janeiro para estudar no Col\u00e9gio dos Jesu\u00edtas e, em seguida, no Col\u00e9gio D. Pedro II. Nesta institui\u00e7\u00e3o converteu-se ao republicanismo, tendo recusado-se a fazer o juramento de fidelidade ao Imperador. Entrando para a Escola Polit\u00e9cnica do Rio de Janeiro, em 1874, aproximou-se da obra de Comte atrav\u00e9s do estudo da matem\u00e1tica (assim como Miguel Lemos e seu mestre Benjamin Constant). Juntamente com Lemos, foi suspenso pela dire\u00e7\u00e3o daquela institui\u00e7\u00e3o, acompanhando-o em sua viagem \u00e0 Paris. Ao ser fundada a Igreja e Apostolado Positivista do Brasil contava com 26 anos rec\u00e9m completados.<br \/>\n9. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o de obras impressas e sua posterior difus\u00e3o, cabe lembrar os termos da Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que estabelece o per\u00edodo de 70 anos ap\u00f3s a morte de seu autor para que a obra se torne de dom\u00ednio p\u00fablico. Sobre o tema, ver tamb\u00e9m LANGE, 1996. No caso espec\u00edfico das publica\u00e7\u00f5es dos positivistas religiosos brasileiros, havia uma peculiaridade: Auguste Comte era contr\u00e1rio \u00e0 exist\u00eancia de direitos autorais, pois entendia que o interesse da coletividade deveria sempre prevalecer sobre os interesses do indiv\u00edduo. Neste sentido, em 1894, Teixeira Mendes, vice-diretor da IAPB, publicou um folheto intitulado Nota sobre a propriedade liter\u00e1ria em que dizia que \u201cA chamada propriedade liter\u00e1ria constitui uma das mais perniciosas aberra\u00e7\u00f5es do nosso tempo\u201d, explicando que tudo o que existe na Terra pertence \u00e0 Humanidade, n\u00e3o aos indiv\u00edduos, \u00e0s fam\u00edlias ou \u00e0s p\u00e1trias (MENDES, 1894, p. 5-6).<br \/>\n10. GILL, L. O mal do s\u00e9culo: tuberculose, tuberculosos e pol\u00edticas de sa\u00fade em Pelotas (RS), 1890-1930. Pelotas: Educat, 2007.<br \/>\n11. A Revolta da Vacina teve como causa imediata a Lei n. 1261 de 31 de outubro de 1904, que tornava obrigat\u00f3ria a vacina\u00e7\u00e3o e revacina\u00e7\u00e3o contra a var\u00edola em toda a Rep\u00fablica, mas na verdade foi um movimento de maior amplitude, que conseguiu aglutinar aqueles que se sentiam marginalizados pelas propostas efetivadas pelo Estado. Para maiores informa\u00e7\u00f5es ver SEVCENKO, N. A Revolta da Vacina: Mentes insanas em corpos rebeldes. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1984; COSTA, N. Lutas urbanas e controle sanit\u00e1rio. Petr\u00f3polis: Vozes, 1985 e MEIHY, J. e BERTOLLI FILHO, C. Revolta da Vacina. S\u00e3o Paulo: Editora \u00c1tica, 2001.<br \/>\n12. CARRION, R. A ideologia m\u00e9dico-social no sistema de A. Comte. Porto Alegre: Cadernos do IFCH\/UFRGS, 1977, p. 58.<br \/>\n13. CARRION, R. Op. Cit, p. 59.<br \/>\n14. PEZAT, P. Carlos Torres Gon\u00e7alves e o sexo altru\u00edsta: a convers\u00e3o feminina \u00e0 Religi\u00e3o da Humanidade em Porto Alegre no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Anos 90, Porto Alegre, v. 14, n. 25, p. 99-138, jul. 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><br \/>\nALONSO, \u00c2ngela. Positivismo: uso t\u00f3pico &#8211; O projeto civilizat\u00f3rio de Luis Pereira Barreto. S\u00e3o Paulo: PPG em Sociologia \/ USP, 1995 (disserta\u00e7\u00e3o de mestrado).<br \/>\nCARRION, Rejane. A ideologia m\u00e9dico-social no sistema de A. Comte. Porto Alegre: Cadernos do IFCH\/UFRGS, 1977.<br \/>\nCOMTE, Auguste. Apelo aos conservadores. Rio de Janeiro: Igreja e Apostolado Pozitivista do Brazil, 1899.<br \/>\nCOMTE, Auguste. Catecismo Pozitivista &#8211; ou sum\u00e1ria espozi\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o universal. 4\u00aa ed. Rio de Janeiro: Apostolado Pozitivista do Brazil, 1934 (tradu\u00e7\u00e3o de Miguel Lemos).<br \/>\nCOMTE, Auguste. \u201cPlano dos trabalhos cient\u00edficos necess\u00e1rios para reorganizar a sociedade\u201d. In: \u00be\u00be\u00be. Op\u00fasculos de filosofia s\u00f3cia (1819-1828). Porto Alegre: Editora Globo; S\u00e3o Paulo: Editora da USP, 1972.<br \/>\nCOSTA, N. Lutas urbanas e controle sanit\u00e1rio. Petr\u00f3polis: Vozes, 1985.<br \/>\nGILL, Lorena Almeida. O mal do s\u00e9culo: tuberculose, tuberculosos e pol\u00edticas de sa\u00fade em Pelotas (RS), 1890-1930. Pelotas: Educat, 2007.<br \/>\nLEAL, Elisabete &amp; PEZAT, Paulo. Capela Positivista de Porto Alegre: acervo bibliogr\u00e1fico, documental e iconogr\u00e1fico. Porto Alegre: Fumproarte \/ PPG-Hist\u00f3ria da UFRGS, 1996.<br \/>\nLEMOS, Renato. Benjamin Constant: vida e hist\u00f3ria. Rio de Janeiro: Topbooks, 2004.<br \/>\nMEIHY, J. e BERTOLLI FILHO, C. Revolta da Vacina. S\u00e3o Paulo: Editora \u00c1tica, 2001.<br \/>\nMENDES, Raymundo Teixeira. Nota sobre a propriedade liter\u00e1ria. Rio de Janeiro: Igreja e Apostolado Pozitivista do Brazil, 1894.<br \/>\nPEZAT, Paulo Ricardo. \u201cCarlos Torres Gon\u00e7alves e o sexo altru\u00edsta: a convers\u00e3o feminina \u00e0 Religi\u00e3o da Humanidade em Porto Alegre no in\u00edcio do s\u00e9culo XX\u201d. Anos 90. Porto Alegre, v. 14, n. 25, p. 99-138, jul. 2007.<br \/>\nSCHWARCZ, Lilia Moritz. O espet\u00e1culo das ra\u00e7as &#8211; cientistas, institui\u00e7\u00f5es e quest\u00e3o racial no Brasil (1870-1930). S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1993.<br \/>\nSEVCENKO, Nicolau. A Revolta da Vacina: Mentes insanas em corpos rebeldes. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1984.<br \/>\nTRINDADE, H\u00e9lgio (org). O positivismo: teoria e pr\u00e1tica. 3\u00aa ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2007 (inclui dvd).<br \/>\nWEBER, Beatriz Teixeira. As artes de curar: medicina, religi\u00e3o, magia e positivismo na Rep\u00fablica Rio-grandense, 1889-1928. Santa Maria: Ed. da UFSM; Bauru: Edusc, 1999.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong><span style=\"background-color: #000000;color: #ffffff\">Acesse os folhetos clicando na refer\u00eancia do mesmo.<\/span><\/strong><\/p>\n<table style=\"height: 1327px\" width=\"108%\">\n<tbody>\n<tr style=\"height: 47px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 47px\"><strong><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djknNtdRzyF67nioL?e=hWiAOk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MENDES, Raimundo Teixeira. <em>A harmonia mental: sum\u00e1rias indica\u00e7\u00f5es acerca da teoria positiva dos estados cerebrais denominados raz\u00e3o, loucura, aliena\u00e7\u00e3o e idiotismo, segundo Augusto Comte\u00a0 \u2013<\/em> 1885 (n\u00ba 30).<\/a><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><strong><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djk2SswG3JTLvp-s_?e=zY0fQd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">LEMOS, Miguel. <em>A liberdade espiritual e o exerc\u00edcio da medicina<\/em> \u2013 1887 (n\u00ba 47).<\/a><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><strong><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djkp9_MgXYTeLUwBN?e=8j9c9M\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MENDES, Raimundo Teixeira. <em>A liberdade espiritual e a vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria \u2013 <\/em>1888 (n\u00ba 56).<\/a><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djktYfdZE1VoSIOPn?e=nhi4o9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEMOS, Miguel. <em>O livre exerc\u00edcio da medicina<\/em> \u2013 1890 (n\u00ba 87).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djkzmMU8J0OdezljH?e=0bi6wY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEAL, Dr. Joaquim Bagueira. <em>O regime republicano e o livre exerc\u00edcio da medicina \u2013 <\/em>1890 (n\u00ba 88).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djk90afx5R4xvL146?e=Gg1SAy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEMOS, Miguel. <em>A prop\u00f3sito de uma quest\u00e3o de moral m\u00e9dica \u2013 <\/em>1893 (n\u00ba 128).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djk4aQG9xriKa2KwU?e=xPhuzJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>ROBINET, Dr. J. F. <em>Os cemit\u00e9rios ser\u00e3o focos de infec\u00e7\u00e3o? \u2013 <\/em>1893 (n\u00ba 136).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djlUkCOiBUHhWS1x-?e=VCU9yR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEAL, Dr. Joaquim Bagueira. <em>O despotismo sanit\u00e1rio perante a medicina<\/em> \u2013 1901 (n\u00ba 205).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djlBFm6bP3ls5UZ10?e=RCA4RA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEAL, Dr. Joaquim Bagueira. <em>O positivismo e os animais \u2013 Carta ao Dr. Eduardo Berdoe \u2013\u00a0 <\/em>1902 (n\u00ba 212).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djlEe9tMhgrqd3I4n?e=cTLGAf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEMOS, Miguel. <em>Positivismo e vegetarismo<\/em> \u2013 1902 (n\u00ba 213).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djlIu35gjGgvLRS9Z?e=YdPW6i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>SUNI, Mikael. <em>A vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria \u2013 <\/em>1902 (n\u00ba 214).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djlP7SOfJ2V7XDBjH?e=EMOTYL\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Miguel &amp; LEAL, Joaquim Bagueira. <em>A vacina e sua obrigatoriedade; A vacina e a var\u00edola<\/em> \u2013 1903 (n\u00ba 217).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djlScXTaX2CvU5JGR?e=1ensb1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>Ainda a prop\u00f3sito do despotismo sanit\u00e1rio \u2013 <\/em>1903 (n\u00ba 217-a).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 47px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 47px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djlakAuM2Bo2W8v1Q?e=dSzlzd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>Contra a vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria \u2013 a prop\u00f3sito do parecer da Comiss\u00e3o de Instru\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade P\u00fablica da C\u00e2mara dos Deputados<\/em> \u2013\u00a0 1904 (n\u00ba 222).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djlyzEi5URC7Es0-S?e=ZZMe3N\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEAL, Dr. Joaquim Bagueira &amp; MENDES, Raimundo Teixeira. <em>A quest\u00e3o da vacina; A opini\u00e3o de Augusto Comte sobre a vacina \u2013 <\/em>1904 (n\u00ba 223).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djle6T5X_lHwWximR?e=jky8m0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>Contra a vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria \u2013 a prop\u00f3sito do projeto do Governo \u2013 <\/em>1904 (n\u00ba 224).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 47px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 47px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djlhlJYJlBkpvOwBm?e=FVsLrY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>O despotismo m\u00e9dico-jurista e a reorganiza\u00e7\u00e3o social \u2013 a prop\u00f3sito da inqualific\u00e1vel pretens\u00e3o de conferir ao poder temporal a compet\u00eancia para decidir dos casos de dem\u00eancia quando esta se n\u00e3o manifesta por crimes<\/em> \u2013 1906 (n\u00ba 239).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 47px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 47px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djlqwoMBncdnDrWRD?e=ebRmAq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>O despotismo sanit\u00e1rio exercido contra os funcion\u00e1rios p\u00fablicos e especialmente prolet\u00e1rios ao servi\u00e7o do Estado \u2013\u00a0 <\/em>1907 (n\u00ba 250).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 47px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 47px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djllv74D2og-OBHPj?e=SOeE1D\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>A higiene oficial e a verdadeira higiene \u2013 algumas reflex\u00f5es acerca do estado sanit\u00e1rio do Rio de Janeiro, segundo os quadros da mortalidade nos anos de 1903 a 1906 \u2013 <\/em>\u00a01908 (n\u00ba 258).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djltuN3NiyKnLXqIN?e=kJcDWM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>Ainda a vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria e a pol\u00edtica republicana \u2013 a obrigatoriedade nas escolas\u00a0 p\u00fablicas \u2013 <\/em>1908 (n\u00ba 259).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djl9QcleN0e1Y6XHr?e=n9Ay6G\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>Ainda a quest\u00e3o da var\u00edola e da vacina \u2013 a prop\u00f3sito de ataques contra o Apostolado Positivista \u2013\u00a0 <\/em>1908 (n\u00ba 264).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djl1s7Xx0ulRQZoGB?e=HlEsUP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>Ainda em defesa da pol\u00edtica republicana atrai\u00e7oada pela higiene oficial \u2013 <\/em>1908 (n\u00ba 266).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djl7yDBO9d0GFDtsY?e=E0XgE6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEMOS, Miguel. <em>A vacina e a prote\u00e7\u00e3o aos animais \u2013 carta ao Dr. Carlos Costa, presidente da Sociedade Protetora dos Animais \u2013 <\/em>1908 (n\u00ba 267).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 47px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 47px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djmBLWsiTSyDIAvtx?e=hR5bYs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>Uma decis\u00e3o do poder Judici\u00e1rio contra o despotismo higi\u00eanico \u2013 a prop\u00f3sito das visitas domiciliares da autoridade sanit\u00e1ria \u2013 <\/em>1908 (n\u00ba 272).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 47px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 47px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djmJHh3lKuIZRvF8g?e=YdOzlb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>Mais um atentado do despotismo sanit\u00e1rio \u2013 transporte violento para o hospital, sujei\u00e7\u00e3o a\u00ed a inocula\u00e7\u00f5es tir\u00e2nicas, morte da v\u00edtima, profana\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver\u00a0 \u2013 <\/em>1908 (n\u00ba 274).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 47px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 47px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djmGvQY_N18LyZLuI?e=gxM3Om\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>Ainda o despotismo sanit\u00e1rio e a pol\u00edtica republicana \u2013 a prop\u00f3sito da projetada expuls\u00e3o tir\u00e2nica dos prolet\u00e1rios moradores no morro de Santo Antonio \u2013 <\/em>\u00a01910 (n\u00ba 295).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 47px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 47px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djjzXGFNFKkMFmsQV?e=0sMbAm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>O ensino p\u00fablico e o despotismo sanit\u00e1rio \u2013 a prop\u00f3sito do decreto do atual prefeito do Distrito Federal, n\u00ba 778, de 9 de maio, que pretende dar instru\u00e7\u00f5es para o servi\u00e7o de inspe\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria escolar \u2013 <\/em>1910 (n\u00ba 302).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 47px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 47px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djjsbwMMFqvqLPbsj?e=NfNkkx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>A pol\u00edtica republicana e a tirania vacinista \u2013 a prop\u00f3sito do recente oficio do diretor geral da Sa\u00fade P\u00fablica sugerindo ao governo p\u00f4r em pr\u00e1tica a lei da vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria \u2013 <\/em>1910 (n\u00ba 308).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 47px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 47px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djjru-NziRYSDWPXM?e=dhiJqP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>Ainda um apelo ao Governo e ao P\u00fablico no intuito de auxiliarem, quanto lhes cabe, a regenera\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o m\u00e9dica \u2013 a prop\u00f3sito do preparado 606 \u2013 <\/em>\u00a01910 (n\u00ba 310).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djj7DqRUxjjwrWmxw?e=KFbpeR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEAL, Dr. Joaquim Bagueira. <em>Notice historique sur la question de la vaccination obligatoire au Br\u00e9sil \u2013 <\/em>\u00a01911 (n\u00ba 319).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 47px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 47px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djj9NcBkJYvMFZeYt?e=tAJFuW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>O respeito \u00e0 pudic\u00edcia e \u00e0 delicadeza femininas, \u00e0 liberdade espiritual, ao prest\u00edgio da fun\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, ao decoro do poder temporal e \u00e0 dignidade do p\u00fablico \u2013 a prop\u00f3sito dumas Senhoras chinesas que se prop\u00f5em a curar mol\u00e9stias dos olhos \u2013\u00a0 <\/em>1912 (n\u00ba 345).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 47px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 47px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djj3lHiUauvwLxNGC?e=upSqib\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>Ainda o despotismo sanit\u00e1rio e a regenera\u00e7\u00e3o social \u2013 a prop\u00f3sito do novo regulamento da Diretoria de Sa\u00fade P\u00fablica \u2013 <\/em>1914 (n\u00ba 370).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djkE4kefG7V28xGQI?e=PZk6Jc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>Ainda pela organiza\u00e7\u00e3o republicana da higiene p\u00fablica \u2013 <\/em>1915 (n\u00ba 384).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 47px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 47px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djkAPbXTfjuSIGKED?e=l8DMAF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>Mais um esfor\u00e7o em defesa do regime republicano violado pelo despotismo sanit\u00e1rio; O isolamento domiciliar e a pretens\u00e3o de obrigar os cidad\u00e3os a assinarem boletins da Sa\u00fade P\u00fablica \u2013 <\/em>1917 (n\u00ba 405).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 47px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 47px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djkJmCW0O-b4pZpXj?e=3FeG58\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>Outra vez pela organiza\u00e7\u00e3o republicana da higiene p\u00fablica \u2013 a prop\u00f3sito de uma nova tentativa de estabelecer a vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria \u2013 <\/em>1917 (n\u00ba 410).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 47px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 47px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djkZADHncKDdT6hYB?e=BwHYbp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MENDES, Raimundo Teixeira. <em>O despotismo m\u00e9dico-legista e a dignidade humana, especialmente feminina \u2013 a prop\u00f3sito de exames ofensivos \u00e0 dignidade humana e que se pretendem fazer nas v\u00edtimas de atentados, quando as v\u00edtimas se neg\u00e3o a tais exames \u2013 <\/em>1917 (n\u00ba 412).<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djjmXmpSwy5OKPkl0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEAL, Dr. Joaquim Bagueira. <em>Despotismo sanit\u00e1rio \u2013 a vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de forma torpe (uma senten\u00e7a do Supremo Tribunal Federal)<\/em> \u2013 1920.<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djkNUUOej8-klfYTO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEAL, Dr. Joaquim Bagueira. <em>A segunda confer\u00eancia sobre sa\u00fade p\u00fablica<\/em> \u2013 1921.<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djkSJbl74ZeHuYr_o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEAL, Dr. Joaquim Bagueira. <em>O c\u00f3digo negro \u2013 alguns dados sobre os males da confus\u00e3o dos dois poderes \u2013 <\/em>1921.<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djkW2JPAaakyVXXEb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEAL, Dr. Joaquim Bagueira. <em>Pela liberdade espiritual \u2013 a vacina obrigat\u00f3ria nas Ilhas Filipinas <\/em>\u2013 1922.<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 23px\">\n<td style=\"width: 1130.12px;text-align: justify;height: 23px\"><a href=\"https:\/\/1drv.ms\/b\/s!AsKsQIYxF60djke42jKIaRXwfV-m\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEAL, Dr. Joaquim Bagueira. <em>O bolchevismo no Brasil e os exames m\u00e9dicos pr\u00e9-nupciais<\/em> \u2013 1927.<\/strong><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong><span style=\"background-color: #333333;color: #ffffff\">Como Citar:<\/span><\/strong>\u00a0GILL, Lorena; PEZAT, Paulo Ricardo (Orgs.). <strong>As publica\u00e7\u00f5es dos positivistas religiosos brasileiros sobre quest\u00f5es m\u00e9dico-sanit\u00e1rias (1885-1927)<\/strong>. Pelotas: Editora da UFPel, 2008. 1 CD-ROM. Dispon\u00edvel em &lt;https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/folelhos_positivistas\/&gt;. Acesso em [colocar a data da \u00faltima consulta].<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota da Edi\u00e7\u00e3o On-line: Ao final da p\u00e1gina encontram-se os links para acesso aos folhetos, bem como a indica\u00e7\u00e3o de como citar a publica\u00e7\u00e3o. Obra publicada pela Universidade Federal de Pelotas Reitor: Prof. Antonio Cesar G. Borges Vice-Reitor: Prof. Telmo Pagana Xavier Pr\u00f3-Reitor de Extens\u00e3o e Cultura: Prof. Vitor Hugo Borba Manzke Pr\u00f3-Reitor de Gradua\u00e7\u00e3o: [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":718,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"footnotes":""},"class_list":["post-3378","page","type-page","status-publish","hentry"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/P9qy4R-Su","jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3378","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/wp-json\/wp\/v2\/users\/718"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3378"}],"version-history":[{"count":55,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3378\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3435,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3378\/revisions\/3435"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}