{"id":2153,"date":"2020-12-02T11:50:04","date_gmt":"2020-12-02T14:50:04","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/?page_id=2153"},"modified":"2021-02-07T21:37:22","modified_gmt":"2021-02-08T00:37:22","slug":"hr-numero-25-2-dezembro-de-2020","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/hr-numero-25-2-dezembro-de-2020\/","title":{"rendered":"HR \u2013 N\u00famero 25\/2 \u2013 Agosto de 2020"},"content":{"rendered":"<p>Dossi\u00ea: <strong>Ensino de Hist\u00f3ria e Educa\u00e7\u00e3o em Tempos de Incerteza<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/periodicos.ufpel.edu.br\/ojs2\/index.php\/HistRev\/issue\/view\/1003\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"2155\" data-permalink=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/hr-numero-25-2-dezembro-de-2020\/folha-de-rosto\/#main\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2020\/12\/folha-de-rosto.png?fit=619%2C771&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"619,771\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"folha de rosto\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2020\/12\/folha-de-rosto.png?fit=255%2C318&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2020\/12\/folha-de-rosto.png?fit=619%2C220&amp;ssl=1\" class=\"alignleft size-medium wp-image-2155\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2020\/12\/folha-de-rosto.png?resize=255%2C318&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"255\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2020\/12\/folha-de-rosto.png?resize=255%2C318&amp;ssl=1 255w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2020\/12\/folha-de-rosto.png?resize=128%2C159&amp;ssl=1 128w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2020\/12\/folha-de-rosto.png?w=619&amp;ssl=1 619w\" sizes=\"auto, (max-width: 255px) 100vw, 255px\" \/><\/a>A ideia de que os brancos europeus podiam sair colonizando o resto do mundo estava sustentada na premissa de que havia uma humanidade esclarecida que precisava ir ao encontro da humanidade obscurecida, trazendo-a para essa luz incr\u00edvel. Esse chamado para o seio da civiliza\u00e7\u00e3o sempre foi justificado pela no\u00e7\u00e3o de que existe um jeito de estar aqui na Terra, uma certa verdade, ou uma concep\u00e7\u00e3o de verdade, que guiou muitas das escolhas feitas em diferentes per\u00edodos da hist\u00f3ria.\u201d (KRENAK, 2019, p. 3).<\/p>\n<p>Assim como Ailton Krenak nos informa e nos questiona sobre a no\u00e7\u00e3o de &#8220;que existe um jeito de estar aqui na Terra&#8221;, tamb\u00e9m existe uma concep\u00e7\u00e3o e um jeito de ensinar, e de ensinar Hist\u00f3ria, a priori, independente do tempo, dos sujeitos, dos territ\u00f3rios, das sociabilidades e dos pertencimentos. Essas concep\u00e7\u00f5es de Hist\u00f3ria, de conhecimento e de verdade tamb\u00e9m s\u00e3o frutos da colonialidade do ser e do saber, como \u00e9 posto e problematizado por Krenak.<\/p>\n<p>J\u00e1 se v\u00e3o duas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI, s\u00e9culo que nos trouxe muitas interroga\u00e7\u00f5es acerca da validade de nossos conhecimentos, da acelera\u00e7\u00e3o do tempo, concreta ou imagin\u00e1ria, e\u00a0 que nos colocou, como nunca,\u00a0 diante da obsolesc\u00eancia das coisas, do conhecimento e,\u00a0 por que n\u00e3o,\u00a0 da obsolesc\u00eancia\u00a0 de em torno de tr\u00eas quartos da humanidade. Seres humanos que est\u00e3o inclu\u00eddos na sociedade capitalista e do consumo desenfreado nas franjas, nas ocupa\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias, na cata\u00e7\u00e3o de rebotalhos dos grandes consumidores, das elites, em sociedades marcadas pelo racismo estrutural &#8211; conceito criado pelo fil\u00f3sofo e jurista brasileiro Silvio Almeida (2018). Mas inclu\u00eddos na engrenagem capitalista, como nos ensina Francisco de Oliveira (2008).<\/p>\n<p>Esses grandes contingentes humanos, no caso do Brasil, especialmente os afro-brasileiros e ind\u00edgenas, continuam a ser, continuam a resistir e continuam a se organizar, como \u00e9 o caso da Central \u00danica das Favelas, que se articulou sem a ajuda dos poderes p\u00fablicos para fazer frente \u00e0 pandemia da Covid 19. A popula\u00e7\u00e3o negra, as \u00a0pessoas que vivem nas periferias das cidades, os ind\u00edgenas brasileiros, foram, mais uma vez, as v\u00edtimas preferenciais da pandemia e da pol\u00edtica genocida do estado brasileiro. Um genoc\u00eddio que s\u00f3 foi amenizado pela auto-organiza\u00e7\u00e3o dessas comunidades.<\/p>\n<p>No contexto de uma sociedade profundamente desigual, desta sociedade pluri\u00e9tnica, multicultural, etnoc\u00eantrica e racista, e diante da emerg\u00eancia de uma s\u00e9rie de discursos negacionistas e de tentativas de controle sobre o curr\u00edculo e o fazer docente, o que significa ensinar, aprender e pesquisar Hist\u00f3ria na escola b\u00e1sica e na forma\u00e7\u00e3o inicial de professores e professoras?<\/p>\n<p>Pensando nesses desafios, o GT de Ensino de Hist\u00f3ria e Educa\u00e7\u00e3o da ANPUH\/RS organizou sua XXIV Jornada de Ensino de Hist\u00f3ria e Educa\u00e7\u00e3o: \u201c<em>Ensino de Hist\u00f3ria e Educa\u00e7\u00e3o em Tempos de Incerteza<\/em>&#8220;, realizada de 7 a 10 de outubro de 2019 na Universidade Federal da Fronteira Sul &#8211; UFFS\/Erechim\/RS.<\/p>\n<p>A Jornada oportunizou espa\u00e7os de reflex\u00e3o acerca das profundas transforma\u00e7\u00f5es e disputas no campo da educa\u00e7\u00e3o e do Ensino de Hist\u00f3ria, buscando compreender a dimens\u00e3o destas mudan\u00e7as e seus desdobramentos na escola, na forma\u00e7\u00e3o docente e nas pr\u00e1ticas educativas que professores e professoras desenvolvem cotidianamente em sala de aula.<\/p>\n<p>Este conjunto de artigos que ora apresentamos s\u00e3o oriundos de trabalhos apresentados durante a XXIV Jornada de Ensino de Hist\u00f3ria e Educa\u00e7\u00e3o e fazem parte das reflex\u00f5es e dos debates que pautaram nosso encontro.<\/p>\n<p>O artigo<strong>\u00a0<\/strong><em>Forma\u00e7\u00e3o de Professores: Rompendo as fronteiras hist\u00f3ricas sobre o fazer docente,\u00a0<\/em>de Shirlei Alexandra Fetter, Raquel Karpinski e Denise Regina Quaresma da Silva, trata da forma\u00e7\u00e3o de professores e professoras no Brasil. As autoras apresentam uma breve s\u00edntese do processo hist\u00f3rico de forma\u00e7\u00e3o docente, no sentido de ampliar a compreens\u00e3o sobre a qual se constituiu a profissionaliza\u00e7\u00e3o dos\/as professores\/as, entrecruzando problemas hist\u00f3ricos com quest\u00f5es que marcam o tempo presente. O artigo objetiva, assim, discutir sobre as possibilidades de formar professores\/as-pesquisadores\/as atrav\u00e9s da composi\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica entre o campo docente, te\u00f3rico e pr\u00e1tico. No texto\u00a0<em>Ser professor de Hist\u00f3ria em tempos de criminaliza\u00e7\u00e3o do fazer docente,\u00a0<\/em>Elvis Patrik Katz e Andresa Silva da Costa Mutz abordam os desafios no fazer docente de professores e professoras de Hist\u00f3ria, especialmente no que se refere \u00e0s tentativas de controle presentes no cen\u00e1rio atual, entre as quais se destacam as a\u00e7\u00f5es do Escola Sem Partido. Para tanto, se amparam nas discuss\u00f5es do campo dos Estudos Culturais e nas contribui\u00e7\u00f5es de Michel Foucault, no sentido de explicitar esses desafios e as estrat\u00e9gias de resist\u00eancia que tem sido mobilizadas por professoras e professoras de Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Este dossi\u00ea apresenta tamb\u00e9m importantes contribui\u00e7\u00f5es no que se refere a ensinar Hist\u00f3ria em uma perspectiva antirracista. Luciana da Veiga<em>,\u00a0<\/em>em seu texto<em>\u00a0O ensino de hist\u00f3ria da \u00c1frica e da cultura afro-brasileira: os desafios de uma educa\u00e7\u00e3o antirracista na regi\u00e3o de Erechim,\u00a0<\/em>apresenta resultados de uma pesquisa que teve como objetivo compreender a representa\u00e7\u00e3o de estudantes do 9\u00ba ano do Ensino Fundamental, de 10 escolas da regi\u00e3o do Alto Uruguai do Rio Grande do Sul, sobre pessoas negras. A autora discute o car\u00e1ter dessas representa\u00e7\u00f5es e os estere\u00f3tipos reproduzidos pelos\/as estudantes, evidenciando os desafios que se colocam para o cumprimento da Lei 10.639\/03 e para a constru\u00e7\u00e3o de uma educa\u00e7\u00e3o antirracista.<\/p>\n<p>Em outro artigo intitulado\u00a0<em>Hist\u00f3ria da \u00c1frica e afro-brasileira: autonomia no ensinar e aprender,<\/em>\u00a0Aristeu Castilhos da Rocha tamb\u00e9m aborda as inquieta\u00e7\u00f5es e percal\u00e7os encontrados para a aplica\u00e7\u00e3o da Lei 10.639\/2003 na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. Amparado em uma pesquisa bibliogr\u00e1fica e documental e em suas viv\u00eancias enquanto docente e pesquisador, o autor apresenta proposi\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas para o estudo de Hist\u00f3rias da \u00c1frica e Afro-brasileiras a partir de um entrela\u00e7amento do ensino de Hist\u00f3ria com a Literatura, o Cinema e a M\u00fasica. Deste modo, prop\u00f5e caminhos para uma reconfigura\u00e7\u00e3o curricular e para a inser\u00e7\u00e3o dessas tem\u00e1ticas na sala de aula e nas pr\u00e1ticas educativas.<\/p>\n<p>O artigo<strong>\u00a0<\/strong><em>Ensino de Hist\u00f3ria Afro-Brasileira atrav\u00e9s de maquetes do LASCA-UFSM<\/em>, de Valeska Garbinatto e Andr\u00e9 Luis R. Soares, trata do uso de maquetes produzidas pelo Laborat\u00f3rio de Arqueologia, Sociedades e Culturas das Am\u00e9ricas \u2013 LASCA, ligado ao Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Federal de Santa Maria, nas aulas de Hist\u00f3ria do Col\u00e9gio Estadual Elp\u00eddio Ferreira Paes, localizado em Porto Alegre. Tais maquetes, que tratam de diferentes tem\u00e1ticas vinculadas \u00e0 hist\u00f3ria da \u00c1frica e dos africanos e seus descendentes no Brasil, foram apresentadas e discutidas com estudantes do Ensino Fundamental e M\u00e9dio. Assim, o texto discute sobre as potencialidades do uso de maquetes enquanto uma ferramenta did\u00e1tica para o ensino de Hist\u00f3ria e para a aplica\u00e7\u00e3o da Lei 10.639\/03.<\/p>\n<p><em>Saberes e valores das pessoas negras em movimento: ensinar hist\u00f3ria em coletividades emancipat\u00f3rias<\/em>, de<strong>\u00a0<\/strong>Carla Beatriz Meinerz e Maur\u00edcio da Silva Dorneles, aborda o ensino de Hist\u00f3ria a partir de uma perspectiva experimentada nas coletividades negras agremiadas em Porto Alegre, com suporte no pressuposto curricular que estabelece uma estreita rela\u00e7\u00e3o de aprendizagem com os saberes produzidos pelo movimento negro, regulado pelas Diretrizes para a Educa\u00e7\u00e3o das Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais.<\/p>\n<p>No artigo\u00a0<em>Como trabalhar com a educa\u00e7\u00e3o patrimonial produzida nos museus e em outros espa\u00e7os? Uma experi\u00eancia entre o Memorial da Resist\u00eancia de S\u00e3o Paulo e o Curso Pr\u00e9-Universit\u00e1rio Popular UP, Cap\u00e3o do Le\u00e3o-RS<\/em><strong>,\u00a0<\/strong>Milena Rosa Ara\u00fajo Ogawae Amanda Nunes Moreira discutem sobre os usos de materiais educativos produzidos por museus como ferramentas para a educa\u00e7\u00e3o patrimonial. Para isso, apresentam um relato de experi\u00eancia sobre a utiliza\u00e7\u00e3o do \u201cMaterial de Apoio ao Professor\u201d produzido pelo Memorial da Resist\u00eancia de S\u00e3o Paulo nas aulas do Curso Pr\u00e9-Universit\u00e1rio Popular UP. O Memorial, que est\u00e1 localizado nas antigas instala\u00e7\u00f5es do Departamento Estadual de Ordem Pol\u00edtica e Social (DEOPS-SP), se constitui em um dos mais importantes espa\u00e7os de preserva\u00e7\u00e3o das mem\u00f3rias da resist\u00eancia e da repress\u00e3o ditatorial no Brasil. O texto relata ent\u00e3o quais os materiais disponibilizados pelo Memorial e quais suas potencialidades no que se refere \u00e0 educa\u00e7\u00e3o patrimonial.<\/p>\n<p>O texto\u00a0<em>Aprendizagem hist\u00f3rica e g\u00eanero: uma experi\u00eancia com aula oficina,\u00a0<\/em>de Amanda Nunes Moreira, apresenta uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a constru\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia hist\u00f3rica de alunos\/as de uma turma do 9\u00ba ano do Ensino Fundamental de uma escola p\u00fablica estadual, na cidade de Pelotas\/RS. Esse estudo est\u00e1 fundamentado nas concep\u00e7\u00f5es dos estudos sobre Educa\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica, Ensino de Hist\u00f3ria e Consci\u00eancia Hist\u00f3rica, utilizando como cen\u00e1rio para a an\u00e1lise a presen\u00e7a, ou n\u00e3o, do sujeito feminino em narrativas sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa.\u00a0 No artigo \u201c<em>N\u00e3o \u00e9 preciso queimar suti\u00e3s em pra\u00e7a p\u00fablica\u201d: o Dia Internacional da Mulher atrav\u00e9s do Jornal Pioneiro,\u00a0<\/em>de R\u00fabia Hoffmann Ribeiro e Eliana Gasparini Xerri, as autoras discutem o Dia Internacional da Mulher, a forma como a data \u00e9 tratada historicamente e como \u00e9 apresentada no\u00a0<em>Jornal Pioneiro<\/em>, de grande circula\u00e7\u00e3o na serra ga\u00facha. O artigo est\u00e1 integrado ao Projeto Narrativas Presentes no Jornal Pioneiro &#8211; Caxias do Sul (HISENSPI).<\/p>\n<p><em>Uma imagem vale mais do que mil palavras: considera\u00e7\u00f5es acerca do uso da fotografia no ensino da Hist\u00f3ria<\/em>, de Isabella Czamanski Rota, visa apresentar as mudan\u00e7as ocorridas na maneira de se entender o conhecimento hist\u00f3rico e como isto afeta a maneira que a Hist\u00f3ria pode ser ensinada em sala de aula, com foco no uso da fotografia e suas possibilidades no ensino de acontecimentos dos \u00faltimos dois s\u00e9culos, bem como nas mudan\u00e7as ocorridas na paisagem urbana, nas rela\u00e7\u00f5es sociais e quaisquer outras informa\u00e7\u00f5es que os\/as historiadores\/as sejam capazes de ler a partir das fotografias.<\/p>\n<p>Esperamos que a leitura dos artigos traga novas interroga\u00e7\u00f5es e que tamb\u00e9m contenha uma pot\u00eancia transformadora. Ensinar Hist\u00f3ria em tempos de incerteza requer comprometimento com o\/a outro\/a, com as gera\u00e7\u00f5es em forma\u00e7\u00e3o. Ensinar Hist\u00f3ria em tempos de incerteza solicita uma pequena pausa para reflex\u00e3o; olhar para n\u00f3s mesmos, para os fundamentos te\u00f3ricos e epistemol\u00f3gicos que acreditamos, revisitar as nossas posturas pol\u00edticas, nossas perspectivas de futuro, a nossa rela\u00e7\u00e3o com a doc\u00eancia, para mais uma vez, planejarmos as nossas aulas. E ter consci\u00eancia que a a\u00e7\u00e3o docente \u00e9 um ato pol\u00edtico, um exerc\u00edcio que contribui para a forma\u00e7\u00e3o das pessoas, da cidadania, da humanidade; \u00e9 semear esperan\u00e7as no ch\u00e3o das salas de aula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelotas, Primavera de 2020.<\/p>\n<p>Sirlei Teresinha Gedoz, Halferd Carlos Ribeiro Junior e Alessandra Gasoarotto (Org.)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>ALMEIDA, Silvio.\u00a0<em>O que \u00e9 racismo estrutural.<\/em>\u00a0Belo Horizonte: Letramento, 2018.<\/p>\n<p>OLIVEIRA, Francisco.\u00a0<em>Ornitorrinco: Ser\u00e1 esse um objeto de desejo?<\/em>\u00a0Entrevista Caf\u00e9 Filos\u00f3fico, TV Cultura. 2008.<\/p>\n<p>KRENAK, Ailton.\u00a0<em>Ideias para adiar o fim do mundo.<\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">| <strong><a href=\"https:\/\/periodicos.ufpel.edu.br\/ojs2\/index.php\/HistRev\/issue\/view\/1003\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Acessar Revista<\/a><\/strong> |<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dossi\u00ea: Ensino de Hist\u00f3ria e Educa\u00e7\u00e3o em Tempos de Incerteza A ideia de que os brancos europeus podiam sair colonizando o resto do mundo estava sustentada na premissa de que havia uma humanidade esclarecida que precisava ir ao encontro da humanidade obscurecida, trazendo-a para essa luz incr\u00edvel. 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