{"id":1248,"date":"2017-10-30T15:07:09","date_gmt":"2017-10-30T17:07:09","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/?page_id=1248"},"modified":"2017-11-06T16:30:15","modified_gmt":"2017-11-06T18:30:15","slug":"apresentacao-hr-20","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/apresentacao-hr-20\/","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o &#8211; HR &#8211; 20"},"content":{"rendered":"<p>Prezado (a) leitor (a),<\/p>\n<p>Rememorar a Guerra do Contestado \u00e9 um dever, um compromisso \u00e9tico e pol\u00edtico com aqueles que morreram. Esse compromisso n\u00e3o se restringe \u00e0 mem\u00f3ria dos mortos. Ele est\u00e1 vinculado ao desejo de conferir visibilidade a situa\u00e7\u00e3o dos remanescentes do Contestado na atualidade.<\/p>\n<p>O movimento do Contestado foi duramente reprimido. A viol\u00eancia contra os sujeitos que atuaram nessa experi\u00eancia hist\u00f3rica complexa e ousada,\u00a0 foi tanto f\u00edsica quanto simb\u00f3lica. Ocorreu no campo de batalha, mas tamb\u00e9m nas trincheiras do discurso e da mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Movidos pelos lemas de progresso e esclarecimento, institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e militares moveram seu arsenal b\u00e9lico contra homens, mulheres e crian\u00e7as que ousaram colocar em pr\u00e1tica um mundo novo.\u00a0 Neste, seriam abolidas a domina\u00e7\u00e3o dos coron\u00e9is, da igreja oficial e dos advers\u00e1rios de cristo e dos santos. Findaria tamb\u00e9m a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica personificada, na regi\u00e3o, pelas empresas <a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2017\/11\/folha-de-rosto-edi%C3%A7%C3%A3o-20.jpg?ssl=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1294\" data-permalink=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/hr-numero-20\/folha-de-rosto-edicao-20\/#main\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2017\/11\/folha-de-rosto-edi%C3%A7%C3%A3o-20.jpg?fit=1754%2C2482&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1754,2482\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Gabinete_Assessoria&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"folha de rosto edi\u00e7\u00e3o 20\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2017\/11\/folha-de-rosto-edi%C3%A7%C3%A3o-20.jpg?fit=225%2C318&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2017\/11\/folha-de-rosto-edi%C3%A7%C3%A3o-20.jpg?fit=660%2C148&amp;ssl=1\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1294\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2017\/11\/folha-de-rosto-edi%C3%A7%C3%A3o-20.jpg?resize=225%2C318&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2017\/11\/folha-de-rosto-edi%C3%A7%C3%A3o-20.jpg?resize=225%2C318&amp;ssl=1 225w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2017\/11\/folha-de-rosto-edi%C3%A7%C3%A3o-20.jpg?resize=112%2C159&amp;ssl=1 112w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2017\/11\/folha-de-rosto-edi%C3%A7%C3%A3o-20.jpg?resize=768%2C1087&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2017\/11\/folha-de-rosto-edi%C3%A7%C3%A3o-20.jpg?resize=619%2C876&amp;ssl=1 619w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2017\/11\/folha-de-rosto-edi%C3%A7%C3%A3o-20.jpg?w=1754&amp;ssl=1 1754w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/files\/2017\/11\/folha-de-rosto-edi%C3%A7%C3%A3o-20.jpg?w=1320&amp;ssl=1 1320w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a>internacionais Brazil Railway Company e sua subsidi\u00e1ria Southern Brazil Lumberand Colonization Company. A organiza\u00e7\u00e3o de comunidades santas avessas ao propalado progresso era algo ousado demais para ser aceito. A reprimenda n\u00e3o tardou. No primeiro ato o governo catarinense enviou for\u00e7as policiais contra Jos\u00e9 Maria e seus seguidos que estavam reunidos em Curitibanos. No segundo ato (outubro de 1912), tropas da for\u00e7a policial paranaense atacaram o mesmo grupo nos campos do Irani. Resultado: dezenas de mortos e feridos. Entre eles Jos\u00e9 Maria. No terceiro ato os habitantes do planalto catarinense se reuniram em Taquaruss\u00fa para aguardar o retorno dos monges, dos santos e de todos os mortos. Seguiram-se novos ataques militares orquestrados pelos governantes em conluio com os coron\u00e9is locais. No quarto ato for\u00e7as b\u00e9licas federais foram organizadas para destruir as cidades santas que se alastravam como barril de p\u00f3lvora pelo planalto catarinense. Um dos quadros mais dram\u00e1ticos dessa trag\u00e9dia foi a organiza\u00e7\u00e3o de uma verdadeira campanha de guerra contra popula\u00e7\u00f5es brasileiras. Um ter\u00e7o do efetivo do ex\u00e9rcito foi mobilizado para a regi\u00e3o. O desfecho foi a destrui\u00e7\u00e3o de milhares de casas, pessoas presas e assassinadas. Tudo em nome da ordem, da justi\u00e7a e do progresso. Com essas estrat\u00e9gias os coron\u00e9is locais refor\u00e7aram sua lideran\u00e7a, as empresas internacionais foram protegidas e as elites brasileiras celebraram o combate ao malfadado fanatismo que imperava nos sert\u00f5es brasileiros.<\/p>\n<p>Passada a luta armada, intensificou-se a batalha de desqualifica\u00e7\u00e3o do movimento e dos sujeitos que nele atuaram. Fan\u00e1ticos, beligerantes, b\u00e1rbaros, ignorantes, ing\u00eanuos, v\u00edtimas, desordeiros, bandidos. S\u00e3o esses os qualificativos erguidos na vasta produ\u00e7\u00e3o memorial sobre o Contestado. Esses adjetivos comp\u00f5em um cortejo triunfal que, sob a m\u00e1scara da imparcialidade, mant\u00e9m uma guerra cruel contra os rebeldes do Contestado.\u00a0\u00a0 Essa guerra desqualifica a experi\u00eancia passada, mas tamb\u00e9m destitui de autoridade todo e qualquer movimento que se organize em termos semelhantes ao do Contestado na atualidade. Trata-se, portanto, de uma guerra contra o sonho de mudan\u00e7a, contra a experi\u00eancia de luta, contra a possibilidade de um mundo novo. Nesse sentido, uma batalha atemporal que lan\u00e7a m\u00e3o de todos os instrumentos dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Contra essa iniciativa, algumas vozes se ergueram. Pesquisadores identificados com a causa sertaneja tem revisitado os arquivos, revisado a hist\u00f3ria, criticado a mem\u00f3ria dos vencedores. O dossi\u00ea que ora apresentamos, contempla, em sua composi\u00e7\u00e3o, artigosdesses novos sujeitos. Podemos dizer que eles fazem parte da romaria de pesquisadores contr\u00e1rios ao cortejo dos vencedores. S\u00e3o descendentes de intelectuais identificados com a causa dos sertanejos do Contestado que remonta aosinovadores trabalhos publicados entre as d\u00e9cadas de 60 e 70 do s\u00e9culo XX por Maur\u00edcio Vinhas de Queiroz e por Duglas Teixeira Monteiro.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso salientar que a proposta desse dossi\u00ea est\u00e1 relacionada \u00e0s iniciativas promovidas pelo grupo de pesquisa certificado pelo CNPq\u00a0 intitulado Movimento do Contestado. Trata-se de uma rede de pesquisadores de diversas institui\u00e7\u00f5es (UFPEL, UFSC, UDESC, UFFS) que desde 2012 tem organizado semin\u00e1rios, promovido debates na imprensa e na academia e incentivado a pesquisa e publica\u00e7\u00e3o sobre o Contestado.<\/p>\n<p>Contra o cortejo triunfal que teima em desqualificar a mem\u00f3ria dos fi\u00e9is de Jo\u00e3o Maria, acreditamos congregar uma romaria de pesquisadores identificados com os mortos do Contestado, mas tamb\u00e9m com aqueles que ainda hoje sofrem as agruras da viol\u00eancia movida contra as popula\u00e7\u00f5es pobres do interior do pa\u00eds. Talvez nosso cortejo pare\u00e7a pequeno e insignificante na atualidade, mas ele cresce, a cada ano, em n\u00famero de pessoas, de publica\u00e7\u00f5es e de iniciativas acad\u00eamicas. Temos esperan\u00e7a que esse grupo consiga vencer a batalha pela mem\u00f3ria do conflito e, com isso, reverter a interpreta\u00e7\u00e3o que desqualifica as experi\u00eancias de luta do passado. Quem sabe, dessa forma, conseguiremos repensar n\u00e3o s\u00f3 o que passou, mas tamb\u00e9m abrir nossas cabe\u00e7as para refletir sobre o tempo presente, as lutas presente, o mundo presente. O Contestado \u00e9 um convite \u00e0 reflex\u00e3o ao universo m\u00edstico, mas tamb\u00e9m pol\u00edtico e ut\u00f3pico.<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Boa leitura!<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">| <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ndh\/hr-numero-20\/\">voltar <\/a>|<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prezado (a) leitor (a), Rememorar a Guerra do Contestado \u00e9 um dever, um compromisso \u00e9tico e pol\u00edtico com aqueles que morreram. Esse compromisso n\u00e3o se restringe \u00e0 mem\u00f3ria dos mortos. Ele est\u00e1 vinculado ao desejo de conferir visibilidade a situa\u00e7\u00e3o dos remanescentes do Contestado na atualidade. O movimento do Contestado foi duramente reprimido. 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