{"id":319,"date":"2017-09-14T14:00:03","date_gmt":"2017-09-14T17:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/museumaciel\/?page_id=319"},"modified":"2017-09-14T17:48:10","modified_gmt":"2017-09-14T20:48:10","slug":"historico-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/museumaciel\/historico-2\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">At\u00e9 iniciar a segunda metade do s\u00e9culo XVIII, a regi\u00e3o de Pelotas era um vasto territ\u00f3rio coberto de matas, habitado apenas por algumas tribos ind\u00edgenas, com economia baseada na ca\u00e7a e na pesca (ARRIADA, 1994).<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">Ap\u00f3s a assinatura do Tratado de Santo Ildefonso (1777), a posse do territ\u00f3rio ga\u00facho foi assegurada pela coroa portuguesa (MAESTRI, 2010), iniciando desta forma a concess\u00e3o de sesmarias, que tinham como objetivo fortalecer, ocupar e explorar o estado.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">Com a divis\u00e3o do territ\u00f3rio em sesmarias, Pelotas, ent\u00e3o chamada de S\u00e3o Francisco de Paula, come\u00e7ou a ser povoada. O surgimento das primeiras Charqueadas<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, e o consequente aumento da demanda de m\u00e3o-de-obra escrava para atuar nestes estabelecimentos, fez com que a cidade tivesse um grande crescimento em poucos anos.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">Este crescimento possibilitou que muitos filhos de charqueadores e pecuaristas estudassem em outras cidades e pa\u00edses (MAGALH\u00c3ES, 1993) e, com o seu retorno, voltassem com ideais abolicionistas.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">Al\u00e9m disso, o surgimento de uma s\u00e9rie de leis que anunciavam a futura extin\u00e7\u00e3o do trabalho escravo<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> imp\u00f4s a Pelotas a necessidade de buscar novas possibilidades para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, uma vez que a economia da cidade girava em torno da produ\u00e7\u00e3o do charque. Este foi um dos fatores que levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias de imigra\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o rural do munic\u00edpio (ANJOS, 2006).<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">Al\u00e9m desta necessidade interna, a regi\u00e3o que havia recebido os primeiros imigrantes no Rio Grande do Sul estava ficando saturada, e, com o forte crescimento das correntes migrat\u00f3rias, tornou-se necess\u00e1ria a busca de novos territ\u00f3rios (MANFROI, 2001). Este crescente interesse pela coloniza\u00e7\u00e3o se deu tamb\u00e9m devido \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da Lei de Terras, que possibilitava, atrav\u00e9s da venda dos lotes, a obten\u00e7\u00e3o de grandes lucros, por parte dos propriet\u00e1rios (MAESTRI, 2000).<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">O munic\u00edpio de Pelotas, que no s\u00e9culo XIX vivia no auge da produ\u00e7\u00e3o saladeiril, cujos empreendimentos se concentravam nas margens do Arroio Pelotas, tinha, assim, grande parte do territ\u00f3rio em situa\u00e7\u00e3o de relativo abandono. Muitas terras n\u00e3o eram adequadas nem \u00e0 pecu\u00e1ria, nem ao plantio, devido ao grande n\u00famero de cursos d\u2019\u00e1gua e ao declive acentuado de certas regi\u00f5es (ULLRICH, 1999).<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">Visando \u00e0 posterior comercializa\u00e7\u00e3o destes lotes, os latifundi\u00e1rios promoveram a demarca\u00e7\u00e3o\/ocupa\u00e7\u00e3o de grandes faixas destas terras localizadas na Serra dos Tapes (ANJOS, 2006).<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">No sentido de diversifica\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas, criou-se, em 1882, a primeira col\u00f4nia de imigrantes fundada pelo poder p\u00fablico no munic\u00edpio de Pelotas, a chamada Col\u00f4nia Municipal. Em 1885 o Governo Imperial implantou outros tr\u00eas n\u00facleos: a Col\u00f4nia Maciel, Accioli e Affonso Penna (FETTER, 2006), uma vez que iniciativas anteriores j\u00e1 haviam mostrado resultados positivos<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">Percebe-se claramente a inten\u00e7\u00e3o de diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, pois as terras recebidas pelos imigrantes do Governo Imperial eram destinadas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o independente de cada fam\u00edlia, e estes deveriam dedicar-se inicialmente \u00e0 agricultura e \u00e0 suinocultura (PEIXOTO, 2003, p. 8).<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">Apesar de estes anos serem considerados os marcos da imigra\u00e7\u00e3o, deve-se considerar o fato de que, em Pelotas, na zona urbana, era marcante a presen\u00e7a de estrangeiros, anteriormente a este per\u00edodo (ANJOS, 2006). Esta presen\u00e7a, segundo alguns autores, foi uma das grandes respons\u00e1veis pela vinda de mais imigrantes, devido ao fato destes imigrantes aqui estabelecidos fazerem uma intensa propaganda do Novo Mundo, como \u00e9 o caso do texto de Ullrich (1999), escrito originalmente em 1898, e publicado em Berlin no mesmo ano.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">Na chamada Col\u00f4nia Maciel, localizada no atual 8\u00ba Distrito do Munic\u00edpio de Pelotas, o marco da coloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 o ano de 1883, quando o Governo Imperial acabou por promover a vinda do que viria a ser a Primeira leva de imigrantes italianos. H\u00e1 uma breve descri\u00e7\u00e3o sobre a chegada dos imigrantes, nas primeiras p\u00e1ginas do Livro Tombo da Igreja da Par\u00f3quia de Sant\u2019Anna:<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">No ano de 1883 (ou 1884 \u2013 in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o) mais ou menos, mandaram dividir esta data de matos em lotes coloniais, e um ano depois introduziram alguns colonos (imigrantes) italianos da regi\u00e3o do V\u00eaneto, em sua maioria da Prov\u00edncia de Treviso. No centro desta col\u00f4nia, o governo mandou construir um <em>Barrac\u00e3o<\/em>, onde os emigrantes moraram por algum tempo, at\u00e9 coloc\u00e1-los nos lotes coloniais. Aos primeiros que aqui chegaram, deu-se um lote urbano, perto de onde constru\u00edram o dito Barrac\u00e3o. Mais tarde [este] serviu de capela. Na mesma ocasi\u00e3o o governo designou 4 lotes urbanos para o Cemit\u00e9rio da Col\u00f4nia e um lote para a Igreja, que era o lote em que se achava o Barrac\u00e3o. Foi nos anos de 1884 a 1886 que vieram os primeiros colonos, para a Maciel. No primeiro ano, tiveram aux\u00edlio do governo tanto dos v\u00edveres, como das ferramentas para os trabalhos (LIVRO TOMBO, 1883).<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">Conforme percebemos na cita\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s a chegada dos imigrantes \u00e0 Col\u00f4nia Maciel, os mesmos foram colocados em um barrac\u00e3o, cuja constru\u00e7\u00e3o foi realizada pelo pr\u00f3prio governo, com o objetivo de alojar estes provisoriamente, at\u00e9 o momento em que os mesmos tivessem constru\u00eddo as suas casas, nos lotes que lhes foram designados.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">De acordo com Peixoto (2005, p. 13), mesmo apesar de terem tido o apoio do Governo, estes imigrantes enfrentaram uma s\u00e9rie de dificuldades. Encontraram, aqui, uma realidade bastante diferente daquela que imaginavam: um local desprovido de qualquer infraestrutura, matas a serem derrubadas, estradas p\u00e9ssimas, etc. As pedras espalhadas pelas terras eram retiradas, para permitir o plantio e depois utilizadas na constru\u00e7\u00e3o das casas.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">A constru\u00e7\u00e3o das casas geralmente se dava em terrenos com declive acentuado, justamente para que tivessem um bom por\u00e3o, que seria utilizado para armazenamento do vinho, cereais e carnes.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">Enfrentadas as dificuldades de viagem e assim que chegaram ao local onde deveriam se estabelecer, a primeira provid\u00eancia foi o corte do mato, para em seguida realizarem as outras atividades. Depois come\u00e7avam a cultivar as lavouras com milho, o qual foi, nos primeiros anos, a base da alimenta\u00e7\u00e3o de todos os imigrantes, sendo a palha utilizada tanto na alimenta\u00e7\u00e3o de animais, quanto no enchimento de colch\u00f5es, conforme percebemos analisando os relatos.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">Com o passar dos anos e o seu desenvolvimento, a Maciel passou a ter a economia baseada na agricultura. Os pequenos lotes eram respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de quase todos os g\u00eaneros consumidos na localidade. O excedente era comercializado e com o dinheiro eram adquiridos os produtos que n\u00e3o podiam ser produzidos naquele local (PEIXOTO, 2003), como o sal e tecidos.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Para mais informa\u00e7\u00f5es consultar: MAGALH\u00c3ES, Mario Os\u00f3rio. <strong>Opul\u00eancia e Cultura na Prov\u00edncia de S\u00e3o Pedro do Rio Grande do Sul: um estudo sobre a hist\u00f3ria de Pelotas (1860-1890). <\/strong>Pelotas: Editora da UFPel\/Livraria Mundial, 1993.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Lei do Ventre Livre, Lei do Sexagen\u00e1rio, Lei Eus\u00e9bio de Queir\u00f3s e por fim, a Lei \u00c1urea.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Referindo-se \u00e0 Col\u00f4nia de S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul, de car\u00e1ter particular, fundada por Jacob Rheingantz, em 1858.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif\">Fonte: GEHRKE, Cristiano. <strong><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ppgmp\/files\/2016\/11\/Cristiano-Gehrke.pdf\">Imigrantes italianos e seus descendentes na zona rural de Pelotas\/RS: representa\u00e7\u00f5es do cotidiano nas fotografias e depoimentos orais do Museu Etnogr\u00e1fico da Col\u00f4nia Maciel<\/a>.<\/strong> Programa de P\u00f3sGradua\u00e7\u00e3o em Mem\u00f3ria Social e Patrim\u00f4nio Cultural\u00a0 Universidade Federal de Pelotas [Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado] Pelotas, 2013 (p. 65-68).<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 iniciar a segunda metade do s\u00e9culo XVIII, a regi\u00e3o de Pelotas era um vasto territ\u00f3rio coberto de matas, habitado apenas por algumas tribos ind\u00edgenas, com economia baseada na ca\u00e7a e na pesca (ARRIADA, 1994). 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