{"id":1178,"date":"2021-06-01T17:53:19","date_gmt":"2021-06-01T20:53:19","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/museudodoce\/?page_id=1178"},"modified":"2021-10-28T21:48:02","modified_gmt":"2021-10-29T00:48:02","slug":"entrevista01","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/museudodoce\/entrevista01\/","title":{"rendered":"ENTREVISTA COM LETICIA"},"content":{"rendered":"<div id=\"pl-1178\"  class=\"panel-layout\" ><div id=\"pg-1178-0\"  class=\"panel-grid panel-no-style\" ><div id=\"pgc-1178-0-0\"  class=\"panel-grid-cell\" ><div id=\"panel-1178-0-0-0\" class=\"so-panel widget widget_headline-widget panel-first-child\" data-index=\"0\" >\t\t<h1>ENTREVISTA COM MARIA LET\u00cdCIA MAZZUCCHI FERREIRA <\/h1>\n\t\t<div class=\"decoration\"><div class=\"decoration-inside\"><\/div><\/div>\n\t\t<h3>Invent\u00e1rio Nacional de Refer\u00eancias Culturais (INRC) das tradi\u00e7\u00f5es doceiras de Pelotas e regi\u00e3o.<\/h3>\n\t\t<\/div><div id=\"panel-1178-0-0-1\" class=\"so-panel widget widget_sow-headline\" data-index=\"1\" ><div\n\t\t\t\n\t\t\tclass=\"so-widget-sow-headline so-widget-sow-headline-default-6b8f69dbe452-1178\"\n\t\t\t\n\t\t><div class=\"sow-headline-container \">\n\t<\/div>\n<\/div><\/div><div id=\"panel-1178-0-0-2\" class=\"so-panel widget widget_sow-editor panel-last-child\" data-index=\"2\" ><div\n\t\t\t\n\t\t\tclass=\"so-widget-sow-editor so-widget-sow-editor-base\"\n\t\t\t\n\t\t>\n<div class=\"siteorigin-widget-tinymce textwidget\">\n\t<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">Nessa entrevista a Professora Dra. Maria Let\u00edcia Mazzucchi Ferreira relata sua experi\u00eancia de participa\u00e7\u00e3o na realiza\u00e7\u00e3o do Invent\u00e1rio Nacional de Refer\u00eancias Culturais (INRC) das tradi\u00e7\u00f5es doceiras de Pelotas e regi\u00e3o. Ferreira fala sobre como se deu sua inser\u00e7\u00e3o na equipe e do modo como sua trajet\u00f3ria enquanto pesquisadora relacionou-se aos rumos tomados por sua atua\u00e7\u00e3o no INRC. Junto a esse relato s\u00e3o tamb\u00e9m apresentadas reflex\u00f5es a respeito do processo de patrimonializa\u00e7\u00e3o de um bem cultural imaterial a partir de suas dimens\u00f5es institucionais, hist\u00f3ricas e sociais. A leitura da entrevista trar\u00e1 elementos para pensarmos aquilo que configura as tradi\u00e7\u00f5es doceiras da Pelotas e da antiga Pelotas uma express\u00e3o com singularidades tais que garantiram sua inscri\u00e7\u00e3o no Livro de Registro dos Saberes do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Por Roberto Heiden<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Como se deu a sua vincula\u00e7\u00e3o na equipe de pesquisa para a elabora\u00e7\u00e3o do Invent\u00e1rio Nacional de Refer\u00eancias Culturais (INRC) sobre as Tradi\u00e7\u00f5es Doceiras da Regi\u00e3o de Pelotas e Antiga Pelotas (Arroio do Padre, Cap\u00e3o do Le\u00e3o, Morro Redondo, Turu\u00e7u)?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Minha integra\u00e7\u00e3o \u00e0 equipe deu-se pelo fato de j\u00e1 estar trabalhando com temas relacionados ao patrim\u00f4nio imaterial, mem\u00f3ria e narrativas orais, fosse em pesquisas que realizava ou mesmo na doc\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Como foi a sua experi\u00eancia de participa\u00e7\u00e3o nas atividades de elabora\u00e7\u00e3o do referido invent\u00e1rio? Voc\u00ea concentrou suas atividades em algum aspecto em especial das tradi\u00e7\u00f5es? Em caso afirmativo, que aspecto foi esse e o que voc\u00ea consideraria importante destacar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">J\u00e1 quando da forma\u00e7\u00e3o da equipe de pesquisa, em raz\u00e3o de trabalhos anteriores inclusive relacionados \u00e0 velhice, optei por direcionar minha atua\u00e7\u00e3o junto \u00e0s doceiras urbanas e com a caracter\u00edstica de terem uma longa trajet\u00f3ria na atividade. Considerando as duas tradi\u00e7\u00f5es - doces finos ou de bandeja e doces coloniais ou de frutas - coube a mim investigar as doceiras antigas que atuavam na cidade e que foram fundamentais para a constru\u00e7\u00e3o de uma identifica\u00e7\u00e3o de Pelotas como cidade doceira. \u00c9 importante ressaltar que muitas das doceiras que pesquisei faziam parte do que a metodologia considerava \u201cmem\u00f3ria\u201d, visto que haviam atuado num passado j\u00e1 long\u00ednquo e, para recuperar suas trajet\u00f3rias, utilizamos o que se denomina de fontes indiretas, ou seja, parentes pr\u00f3ximos, tais como filhas, netas, como informantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O INRC como metodologia possibilitou uma abordagem mais ampla do fen\u00f4meno cultural? Como foi inventariar v\u00e1rios bens culturais no mesmo INRC? Quais n\u00e3o foi poss\u00edvel inserir na descri\u00e7\u00e3o das tuas fichas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O fato de inventariar v\u00e1rios bens culturais, e n\u00e3o apenas um como ocorre com a maior parte dos INRC, foi realmente um desafio. Entretanto, o INRC Tradi\u00e7\u00f5es doceiras de Pelotas e Antiga Pelotas n\u00e3o foi o \u00fanico a ter esse car\u00e1ter de m\u00faltiplos universos. Como exemplo temos a linguagem dos sinos de Minas Gerais, um invent\u00e1rio que abarcou v\u00e1rias cidades de uma determinada regi\u00e3o do estado, nas quais a tradi\u00e7\u00e3o da linguagem dos sinos e dos of\u00edcios relacionados a isso, eram ainda considerados como mem\u00f3ria viva e circulavam no processo de transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Voltando ao caso das tradi\u00e7\u00f5es doceiras \u00e9 importante observar que o invent\u00e1rio n\u00e3o se ateve exatamente ao doce em si mas \u00e0s formas de fazer, os saberes que o envolvem, os processos de aprendizado e transmiss\u00e3o, as circularidades culturais das quais faz parte, os sentidos atribu\u00eddos a eles. Entretanto, foram selecionados alguns doces, tanto no meio rural quanto urbano, que apareciam como recorrentes numa escala de tempo, ou seja, eram doces preparados j\u00e1 nos finais do s\u00e9culo XIX e que se mantinham, apesar de algumas altera\u00e7\u00f5es, como refer\u00eancias de doces tradicionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Em rela\u00e7\u00e3o ao universo pesquisado, como se deu esse contato entre pesquisadores e atores sociais?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O INRC como metodologia, prev\u00ea o estabelecimento de um protocolo de pesquisa que s\u00e3o as etapas. Na etapa preliminar \u00e9 formada a equipe, delimitado os universos de investiga\u00e7\u00e3o, estabelecidos os instrumentos da pesquisa propriamente dita, sejam os instrumentos de abordagem como question\u00e1rios, ou mesmo aqueles de car\u00e1ter mais t\u00e9cnico como o registro dos depoimentos, os documentos formais de anu\u00eancia, etc. \u00c9 nessa etapa que ser\u00e3o definidas as redes de informantes, o que se obt\u00e9m atrav\u00e9s de contatos pr\u00e9vios com os chamados \u201cinformantes-chave\u201d. Tamb\u00e9m \u00e9 na fase preliminar que \u00e9 realizado o levantamento de todo material bibliogr\u00e1fico, iconogr\u00e1fico, f\u00edlmico, referente ao tema central da pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A segunda etapa \u00e9 do trabalho de campo. \u00c9 nessa fase que os contatos com os informantes s\u00e3o estabelecidos, as entrevistas s\u00e3o realizadas e a rede \u00e9 ampliada pelas indica\u00e7\u00f5es de cada entrevistado. \u00c9 a etapa mais longa e mais importante do INRC pois permite a incurs\u00e3o do pesquisador no interior de seu objeto que \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria viva e sua perman\u00eancia. No caso em quest\u00e3o, tal incurs\u00e3o se deu de forma direta pois as doceiras que pesquisei atuavam no espa\u00e7o dom\u00e9stico, ou seja, o fazer doceiro era indissoci\u00e1vel do ambiente da casa, incluindo neste o c\u00edrculo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">familiar. O contato com as doceiras mais antigas, ainda em atua\u00e7\u00e3o, levou a que compartilh\u00e1ssemos espa\u00e7os como as cozinhas, o preparo dos doces, mas tamb\u00e9m o ambiente no qual isso ocorria, as intera\u00e7\u00f5es com membros da fam\u00edlia, as degusta\u00e7\u00f5es dos doces preparados, a observa\u00e7\u00e3o de elementos da cultura material associados ao fazer doceiro, fotografias, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">J\u00e1 a terceira etapa consiste na Documenta\u00e7\u00e3o, ou seja, \u00e9 quando o pesquisador busca inserir os dados obtidos no trabalho de campo nas fichas que comp\u00f5em o invent\u00e1rio. Tamb\u00e9m esta \u00e9 uma etapa fundamental pois \u00e9 o momento da s\u00edntese propriamente dita, da constru\u00e7\u00e3o discursiva do que denominamos tradi\u00e7\u00e3o doceira, com argumentos consistentes para justific\u00e1-la como patrim\u00f4nio imaterial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Considerando o exemplo do INRC sobre a Tradi\u00e7\u00f5es Doceiras como ponto de partida para uma reflex\u00e3o, como voc\u00ea v\u00ea os resultados dos vinte anos de publica\u00e7\u00e3o do Decreto n\u00ba 3551 ocorridos no ano de 2020?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O INRC \u00e9 um instrumento fundamental para a identifica\u00e7\u00e3o e documenta\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio imaterial no Brasil. \u00c9 importante destacar que fomos um dos Estados Nacionais pioneiros na institui\u00e7\u00e3o de um instrumento normativo e legal para identificar e proteger o PCI, antecipando em tr\u00eas anos a Conven\u00e7\u00e3o da UNESCO para Salvaguarda do Patrim\u00f4nio Imaterial, datada de 2003. O INRC tem como um dos princ\u00edpios organizadores a no\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias culturais, o que remete aos sentidos e significados que sujeitos, grupos, comunidades, atribuem a determinados elementos culturais. As refer\u00eancias culturais identificam e s\u00e3o igualmente fatores de coes\u00e3o dentro de determinados contextos sociais, logo contradizem a l\u00f3gica hier\u00e1rquica e vertical que historicamente definia o patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em que pese a grande import\u00e2ncia de tal instrumento, passados vinte anos algumas reflex\u00f5es se tornam fundamentais e uma delas diz respeito ao fator de continuidade da tradi\u00e7\u00e3o que ocorre pela transmiss\u00e3o, em suas diversas modalidades. Para que tal processo n\u00e3o sofra rupturas e descontinuidades, \u00e9 prevista a salvaguarda como um an\u00e1logo aos instrumentos de prote\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio material. A salvaguarda se constitui por diferentes mecanismos e dispositivos que atuem para a perman\u00eancia de determinada tradi\u00e7\u00e3o e \u00e9 de compet\u00eancia do poder p\u00fablico, o mesmo que efetivou o registro de tal bem como patrim\u00f4nio imaterial, fornecer os instrumentos e meios para garanti-la. Vemos que tal processo n\u00e3o se efetiva ainda de forma regular e sistem\u00e1tica pois, al\u00e9m de envolver atores sociais, a\u00e7\u00f5es educativas, formas org\u00e2nicas de transmiss\u00e3o, deve prever investimentos p\u00fablicos, logo um or\u00e7amento voltado ao campo patrimonial, o que vemos acontecer cada vez menos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m disso, mas n\u00e3o menos importante, \u00e9 fundamental entender que o ente p\u00fablico, quando se trata de um bem inventariado nacionalmente, \u00e9 representado pelos \u00f3rg\u00e3os de patrim\u00f4nio, sendo o IPHAN o mais importante. O quadro atual n\u00e3o permite uma abordagem mais otimista, considerando os desgastes, ataques e esvaziamentos que vem sofrendo esta institui\u00e7\u00e3o octogen\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Considerando o exemplo das Tradi\u00e7\u00f5es Doceiras de Pelotas quais voc\u00ea considera que foram os resultados a serem destacados que foram obtidos com a realiza\u00e7\u00e3o do INRC espec\u00edfico para o tema?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um dos resultados mais significativos para a tradi\u00e7\u00e3o doceira e para a cidade de Pelotas foi o Museu do Doce. Esta institui\u00e7\u00e3o ocupa im\u00f3vel hist\u00f3rico, restaurado pelo Monumenta e com supervis\u00e3o direta do IPHAN que o cedeu \u00e0 UFPel para que<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">nele fosse criado o museu. Logo, tal cria\u00e7\u00e3o foi colocada como uma das metas e produto do Invent\u00e1rio das Tradi\u00e7\u00f5es Doceiras de Pelotas e Antiga Pelotas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Museu \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, o local onde a salvaguarda pode ser exercida atrav\u00e9s de diferentes mecanismos e a\u00e7\u00f5es, sendo a expografia uma delas, mas n\u00e3o a \u00fanica. O museu \u00e9 ao mesmo tempo um vetor de educa\u00e7\u00e3o informal, de atividades l\u00fadicas, criativas, bem como um local de guarda de acervo, de documenta\u00e7\u00e3o e de extrovers\u00e3o atrav\u00e9s da expografia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Voc\u00ea acredita que o status de patrim\u00f4nio pode implicar em altera\u00e7\u00f5es no fazer doceiro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o parte inerente da cultura, uma vez que esta n\u00e3o \u00e9, nem deve ser, inerte. A patrimonializa\u00e7\u00e3o implica claramente em uma outorga de valor, a convers\u00e3o de um elemento cultural em bem cultural; a passagem da mem\u00f3ria, que carrega de uma gera\u00e7\u00e3o a outra tais elementos, para o patrim\u00f4nio como chancela p\u00fablica de tal mem\u00f3ria. Esta \u00e9 uma discuss\u00e3o que remonta aos prim\u00f3rdios da institui\u00e7\u00e3o do PCI, ou seja, os riscos que o patrim\u00f4nio traz para a fluidez da mem\u00f3ria, uma vez que com ele, al\u00e9m dos aspectos normativos, vem tamb\u00e9m os aspectos econ\u00f4micos. Creio, entretanto, ser ainda muito prematuro para que se possa aferir os efeitos da patrimonializa\u00e7\u00e3o na tradi\u00e7\u00e3o doceira, e tamb\u00e9m essa avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 prevista pelo Plano Nacional de Patrim\u00f4nio Imaterial, pois passados dez anos do registro, deve ocorrer um novo invent\u00e1rio, n\u00e3o t\u00e3o complexo como o primeiro, mas que permita justamente averiguar o estado da arte de tal bem. \u00c9 nesse momento, portanto, que se poder\u00e1, atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o de instrumentos de pesquisa, fazer tal aferi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Quais as possibilidades de trabalho conjunto com os atores sociais envolvidos com a tradi\u00e7\u00e3o no p\u00f3s-registro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No que se refere ao INRC tradi\u00e7\u00f5es doceiras, j\u00e1 foram realizados v\u00e1rios trabalhos conjuntos, entretanto \u00e9 importante que sejam sistematizados como a\u00e7\u00f5es efetivas de salvaguarda. Uma das intera\u00e7\u00f5es com os atores sociais do fazer doceiro \u00e9 a continuidade do trabalho de pesquisa, contemplando um universo mais amplo do que foi inicialmente abordado. Tamb\u00e9m \u00e9 importante ressaltar o papel que o Museu do Doce exerce nessa interface com a \u201ccomunidade de destino\u201d, e nesse sentido alguns projetos, como o da cozinha experimental, tornam-se potentes instrumentos de intera\u00e7\u00e3o e salvaguarda do patrim\u00f4nio imaterial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Existem aspectos importantes do trabalho de campo, cuja a leitura do dossi\u00ea, produto final do processo, n\u00e3o tornam exatamente poss\u00edvel o leitor em geral ter acesso ou vivenciar? Quais foram as poss\u00edveis dificuldades para a realiza\u00e7\u00e3o do invent\u00e1rio a partir da tua experi\u00eancia na equipe de trabalho?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O dossi\u00ea do INRC Tradi\u00e7\u00f5es doceiras de Pelotas e Antiga Pelotas \u00e9 um trabalho de s\u00edntese no qual foram cruzados aspectos conceituais com os dados obtidos em campo. Nesse sentido, al\u00e9m de ser um trabalho que reflete um determinado momento, o tempo de sua feitura, \u00e9 tamb\u00e9m, como todo trabalho descritivo e de constru\u00e7\u00e3o intelectual, limitado ao que foi observado, interpretado e convertido em narrativa. Nesse sentido, \u00e9 um texto que d\u00e1 conta de determinados aspectos, nunca \u00e9 totalizante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O universo das doceiras, e aqui me refiro ao que tive a oportunidade de conhecer, se mostrou extremamente complexo e plural. Buscamos dar conta dessa heterogeneidade e complexidade atrav\u00e9s de um texto argumentativo que busco, \u00e0 luz de conceitos e da sensibilidade dos pesquisadores, construir generaliza\u00e7\u00f5es, ou seja, demonstrar que a tradi\u00e7\u00e3o doceira atravessa os diferentes espa\u00e7os sociais que constituem Pelotas e Antiga Pelotas, construindo sentidos de identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Maria Let\u00edcia Mazzucchi Ferreira<\/strong> \u00e9 Professora Titular da Universidade Federal de Pelotas - UFPEL. Docente permanente no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o (Mestrado\/Doutorado) em Mem\u00f3ria Social e Patrim\u00f4nio Cultural da UFPEL. Foi membro da comiss\u00e3o de implanta\u00e7\u00e3o do Curso de Bacharelado em Museologia, atuando como Coordenadora desse curso entre 2006-2008.Presidente da Comiss\u00e3o de implanta\u00e7\u00e3o do Curso de Bacharelado em Conserva\u00e7\u00e3o e Restauro de Bens Culturais M\u00f3veis. Foi pesquisadora do Invent\u00e1rio Nacional de Refer\u00eancias Culturais: Tradi\u00e7\u00e3o doceira pelotense, promovido pelo IPHAN, Monumenta e UNESCO. Coordenou, entre 2009-2012, o projeto CAFP-CAPES \"Institui\u00e7\u00f5es, legisla\u00e7\u00e3o, territ\u00f3rios e comunidades: perspectivas sobre o patrim\u00f4nio material e imaterial no Brasil e Argentina\", envolvendo a UFPEL e a Universidade de Buenos Aires. Coordenou, pelo lado brasileiro, o projeto de coopera\u00e7\u00e3o com o Laboratoire d'Anthropologie et de Psychologie Cognitives et Sociales, da Universidade de Nice, Fran\u00e7a, participando de projeto de investiga\u00e7\u00e3o internacional financiado pela ANR (Agence Nationale de la Recherche) coordenado pelo antrop\u00f3logo Joel Candau. P\u00f3s-Doutorado na Universidade Paris IV, entre 2018-19 e no LAHIC-EHESS, entre 2009-2010, ambos na Fran\u00e7a. Atua como docente e pesquisadora na \u00e1rea de Patrim\u00f4nio, principalmente nos seguintes temas: regimes memoriais, mem\u00f3rias traum\u00e1ticas, museus de mem\u00f3ria, patrim\u00f4nios dif\u00edceis, patrim\u00f4nio industrial.<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><div id=\"pg-1178-1\"  class=\"panel-grid panel-no-style\" ><div id=\"pgc-1178-1-0\"  class=\"panel-grid-cell\" ><div id=\"panel-1178-1-0-0\" class=\"so-panel widget widget_sow-headline panel-first-child panel-last-child\" data-index=\"3\" ><div\n\t\t\t\n\t\t\tclass=\"so-widget-sow-headline so-widget-sow-headline-default-b8757f901c83-1178\"\n\t\t\t\n\t\t><div class=\"sow-headline-container \">\n\t<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nessa entrevista a Professora Dra. 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